Mostrando postagens com marcador Argentina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Argentina. Mostrar todas as postagens

4 de dezembro de 2010

Flashs da Patagônia argentina



Conta a lenda que, em uma época em que as plantas da Patagônia não tinham flores, a bela Kospi foi raptada por Karut. A paixão era tão grande que o senhor da montanha se viu obrigado a esconder a jovem de origem mapuche no mais profundo das cavernas glaciares.

Kospi chorou tanto que um dia converteu-se em gelo e confundiu-se em meio aos imensos icebergs da região. Quando Karut voltou para admirá-la, sua presa já não estava e, furioso, bradou até despertar uma forte tempestade. Os dias seguintes foram de tanta chuva que a garota transformou-se em água e seguiu o curso dos riachos patagônicos, atingiu a planície e regou os vales. Na primavera seguinte, subiu sobre plantas e converteu-se em flor.

Desde então, a Patagônia argentina não se cansa de se transformar. Glaciais que avançam e retrocedem, como o famoso Perito Moreno de El Calafate; rios de El Chaltén que têm seus cursos desviados por fenômenos naturais; bosques esverdeados que se petrificam, como os impressionantes troncos milenários de Jaramillo; vegetação que se veste de novas cores de acordo com a estação do ano; e uma fauna única que costuma passar as férias em terras austrais, como baleias, leões marinhos e pinguins.

Esses são alguns dos inúmeros espetáculos naturais em solos patagônicos que arrastam viajantes de todas as partes do mundo, durante todo o ano, atraídos pelas opções naturais. Seja a versão costeira que se debruça sobre o oceano Atlântico ou o lado mais afastado das cordilheiras dos Andes, a Patagônia argentina é destino ideal para viajantes de todos os estilos. Até o cientista Charles Darwin se rendeu à impressionante variedade natural da região patagônica, há mais de 160 anos.

Basta disposição e tempo para percorrer um dos pedaços de terra com menor concentração humana por quilômetro quadrado da Argentina, como a Província de Santa Cruz, com uma densidade demográfica de 0,8 habitante por km².

As três províncias patagônicas que mais atraem visitantes são Chubut, famosa pela geografia árida de Porto Pirâmides e a pinguineira de Punta Tombo; Santa Cruz, cujos maiores símbolos são montanhas como o Fitz Roy e os imensos blocos de gelo azulado do glacial Perito Moreno; e a Terra do Fogo, onde o Ushuaia quase toca o fim do mundo. Quase, até que se termine a disputa pelo título de cidade mais austral com a vizinha Porto Williams, na Patagônia chilena.

Mas difícil mesmo será decidir qual dos atrativos incluir no roteiro. A imensidão geográfica, que exige longos deslocamentos, e a variedade de atrações espalhadas obrigarão o viajante a dedicar-se a conhecer parte da região. Caso contrário, serão necessários alguns meses sabáticos para rodar as estradas ou voltar mais de uma vez. O que, se tratando de Patagônia, não é uma má ideia.

Na região dos cenários mutantes, nem os céus ficaram de fora da mutação. Os meses quentes de verão são abençoados por longos dias com até 17 horas de luz, quando a poucos minutos da meia-noite é comum ver o sol preguiçoso formando manchas multicoloridas no horizonte; no inverno, os dias são mais curtos e o sol não se atreve a aparecer mais do que oito horas diárias. As temperaturas podem ir de -20°C, durante o rigoroso inverno da Terra do Fogo, aos mais de 30°C da árida Porto Madryn. É só uma questão de escolher qual sensação térmica você quer provar.

UOL Viagens 
A foto do post foi tirada  em novembro de 2008 no Glacial Perito Moreno.

7 de setembro de 2010

Os alfajores Havanna



Eles são pequenos e redondos. Recheados com doce de leite e cobertos de açúcar ou chocolate. Na Argentina é um produto de primeira necessidade, uma bomba calórica que virou obsessão de nossos “hermanitos” e de milhares de turistas das mais variadas nacionalidades. Assim como a carne e o couro, o alfajor Havanna é uma instituição nacional daquele país.

Não, ele não é argentino, mas merecia ser. A história do alfajor, o doce mais tradicional da Argentina, tem origem na cozinha árabe. O doce nasceu em Andaluzia, e seu nome vem de “al-hasú”, que em árabe significa “estufado ou recheado”. Originalmente produzido com amêndoas, mel e avelãs, chegou às ruas espanholas como alfajor através da ocupação árabe na Península Ibérica. Ao atravessar o Atlântico, levado pelo químico francês Augusto Chammás, ganhou seu formato redondo e daí para frente, sofreu várias alterações, até chegar à receita atual.

A marca Havanna surgiu em 1947, em Mar Del Plata, quando os amigos Demetrio Eliades, Luis Sbaraglini e Benjamin Sisterna decidiram montar uma fábrica de alfajores, doce tradicional do país, feito à base de uma massa fina e delicada com recheio de doce de leite e cobertura de chocolate. A receita foi aprimorada pelo mestre pasteleiro Toribio Gonzáles, nascendo assim os alfajores Havanna. O nome foi inspirado na capital de Cuba, porque um dos sócios foi proprietário de uma casa de show ao estilo cubano. Foi colocado mais uma letra N no nome por uma questão de registro. Delícia argentina os alfajores Havanna se tornaram uma tradição entre os argentinos, que presenteavam amigos e familiares com as delícias açucaradas como forma de simpatia e amor.

Em 1995, a empresa abriu seu primeiro Havanna Café, espaços aconchegantes, no qual uma iluminação dramática, bem ao estilo argentino, dirigia os focos de luz para uma estante de madeira escura onde estavam os protagonistas recheados com doce de leite. Localizado em Buenos Aires, este primeiro café foi inspirado nas tradicionais cafeterias européias visando uma permanência mais longa do consumidor no estabelecimento. A Havanna passou, assim, a ser conhecida também como uma rede de cafeterias. Em 2003 a empresa expandiu sua linha de produtos (hoje são mais de 150 itens) e começou uma forte expansão de sua rede de lojas, quiosques e cafés (cujo ambiente está sempre à uma temperatura de 24º para manter a qualidade dos produtos), inclusive para outros países do mundo.

Os alfajores são essencialmente feitos com uma massa de farinha, açúcar, ovos e essências de limão e de amêndoas, recheada de doce de leite e coberta de chocolate. Parece simples, ainda mais sabendo que o doce de leite não é fabricado pela Havanna, mas encomendado com um fornecedor e o chocolate vem do Brasil. A diferença é o poder da marca, que permite aos seus alfajores custarem até 20% a mais que os concorrentes. Eles podem ser encontrados nos sabores nozes, doce de leite, chocolate e frutas, este último disponível somente na Argentina, além da versão em tamanho reduzido, o mini alfajor, extremamente popular nas companhias aéreas argentinas.



Mesmo em meio à expansão internacional a principal fábrica da empresa, localizada até hoje em Mar Del Plata, mantém seu esquema meio industrial e meio artesanal de produção. Aproximadamente 22 senhoras, com média de idade de 50 anos, vestidas com uniformes brancos e blusas rendadas, revestem os alfajores com merengue um a um com uma espátula e o processo de embalagem não é totalmente mecanizado. Somente nesta fábrica são aproximadamente 200 funcionários trabalhando para produzir 700 mil alfajores por mês (no verão a produção chega a 1.2 milhões). Hoje em dia, os famosos alfajores, cuja receita é guardada em segredo, ainda são feitos cuidadosamente em três fábricas: duas em Mar Del Plata e uma em Bariloche.

A empresa chegou ao Brasil somente em 2006, com a inauguração de sua primeira loja, um café localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo, e um quiosque no Shopping Iguatemi. Alguns produtos das lojas brasileiras têm diferenças em relação aos encontrados na Argentina. É o caso do café, que é nacional; do brigadeiro de doce de leite; do milkshake de café e doce de leite; e do panetone recheado com o doce de leite. O sucesso foi instantâneo e não demorou muito para que outras lojas fossem inauguradas pelo país.

A Havanna possui mais de 1.000 lojas e está presente em outros 2.300 pontos de venda em 17 países. Somente a loja do aeroporto de internacional de Ezeiza, localizada em Buenos Aires, vende mais de sete milhões de alfajores por ano. A empresa vende anualmente mais de 100 milhões de alfajores. Mais de 10% de sua produção se destina ao exterior.

Para descobrir mais da história, receitas e segredinhos dos alfajores argentinos havanna dê um pulinho no site
http://www.havanna.com.ar/. Bom proveito!

Edição: Lena