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18 de dezembro de 2010

Playmobil: a mania continua viva



Em outubro, perto do Dia das Crianças, perguntei ao meu afilhado o que ele gostaria de ganhar de presente. Não imaginaria ouvir tal pedido de um menino de 5 anos de idade, em pleno ano 2010, mas o pequeno me pediu um Playmobil. Desde então, descobri que a mania de colecionar estes bonequinhos simpáticos e seus inúmeros cenários continua viva.

O brinquedo voltou com tudo às prateleiras e em dezembro comemora 36 anos de "vida" com aumento de 20% nas vendas no mercado brasileiro, segundo a Sunny Brinquedos, empresa detentora da marca por aqui. Isso quer dizer que a legião de fãs, hoje com seus 30 anos de idade, vai ganhar uma nova geração. O intuito da brincadeira continua o mesmo: você compra os bonecos com os mais variados temas – safári, circo, explorador – e em seguida os coloca em ambientes de ação, da casa da fazenda às Pirâmides do Egito.

Além de blogs e fóruns de discussão, os mais aficionados do país inteiro se reúnem esporadicamente para expor suas coleções. O evento chamado de "Lanchinho Playmobil" promove até casamento entre os bonequinhos de cabelo escuro, loiro ou ruivo e mão em forma de “c”.

A atualidade do Playmobil pode ser explicada tanto pela proximidade com a realidade, quanto pelo incentivo à imaginação. Montar e desmontar, movimentar os bonecos enquanto narra a história... As possibilidades da brincadeira são enormes e transportam a criança para o universo lúdico. É por isso, inclusive, que os bonecos alemães foram usados em uma exposição recente no Museu Gava de Barcelona para contar a trajetória da Terra da Era Jurássica à chegada do homem à Lua.

A nova onda do Playmobil traz também exemplares voltados para as meninas. Agora nas lojas de brinquedos já é possível encontrar princesas e mamães Playmobil. A criatividade não fica restrita ao fabricante: em uma simples navegada na internet você vê de Beatles a cenas bíblicas remontadas com os bonequinhos, feitas por um padre alemão.

Quais são as lembranças que você tem dos bonecos?

Estela Cotes

29 de novembro de 2010

Legomania virou arte



Que atire a primeira peça retangular de Lego quem nunca sonhou, durante a infância (ou mesmo depois dela), em ter como profissão a deliciosa e terapêutica tarefa de montar esculturas enormes usando os famosos bloquinhos coloridos? O artista americano Nathan Sawaya foi muito além da mera vontade e transformou o brinquedo em seu trabalho.

Radicado na cidade de Nova York, Nathan foi advogado em um bem conceituado escritório de Manhathan durante anos. Neste ambiente formal, em um concurso que encorajava os advogados a encontrarem um novo uso para objetos já consagrados, as pecinhas de Lego entraram em sua vida de vez - e, claro que ele ganhou a competição.

Suas peças são feitas inteiramente do brinquedo educativo e cada uma delas pode consumir centenas ou até milhares de bloquinhos, dependendo do tamanho. Atualmente em cartaz na Galeria Agora de Nova York, com a exposição “Red”, o escultor desenvolve principalmente esculturas e retratos, que têm formas quase que primárias e tridimensionais.

Em uma mistura de pop art e surrealismo, os trabalhos recentes apresentados na galeria têm uma pegada mais biográfica e introspectiva, representando muitas vezes algumas ideologias e sentimentos íntimos de Nathan.

Além disso, é uma vertente do mundo das artes que atrai, mesmo que por motivos distintos, pessoas das mais diferentes idades, desde crianças que brincam com as peças no dia a dia, até adultos que se sentem nostálgicos ao lembrarem sua meninice com o brinquedo de infância.

A habilidade de Nathan em transformar simples blocos de plástico em esculturas, que apesar de serem complexas na fase de produção, passam um sentimento de simplicidade quase orgânica quando estão prontas, mostra que de fato não são necessários elementos mirabolantes para se fazer arte de qualidade.

O artista, que já trabalha em novas ideias para as duas mostras que pretende abrir em 2011, confessa possuir mais e 1,5 milhões de peças de Lego em seu estúdio. É ou não é o sonho de qualquer criança e de muito marmanjo por aí?

Caru Ares