18 de junho de 2010

Tributo a Saramago







A viagem não acaba nunca.
Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem.
Sempre.


José Saramago

17 de junho de 2010

Um mal desnecessário


Em mulher mal-humorada, nada funciona: a única coisa que aparece é o mau humor. Mulheres de bico, de cara amarrada, ríspidas, amargas, azedas... alguém merece?!



Elas reclamam o tempo todo: adoram fazer papel de vítima, repetem 15 vezes por dia que estão exaustas, põem defeito em tudo e em todos e adoram fazer profecias negativas.

Além de conjugar o futuro sempre no imperfeito, as mal-humoradas adoram orações adversativas: 'O prato está bom, mas...', 'Eu trabalho aqui, mas...'. Há sempre um 'porém', um 'contudo' ou um 'todavia' no caminho dessas almas emburradas. Às vezes, expressos em silêncio.

É aquela colega que chega, não dá 'bom dia', não abre a boca -e nem precisa: o rosto dela diz tudo. Se você perguntar se ela está com algum problema, a mal-humorada só responde: 'Nada, não...'. E aí a presença dela vai crescendo, porque não há nada tão contagiante, ou contagioso, quanto o mau humor. Ele intoxica quem está perto, contamina o ambiente.

Momentos de mau humor? Todas nós temos. Nada mais humano e mais digno de perdão. Mas há uma diferença enorme entre estar e ser mal-humorada. E não vale dizer que a vida anda difícil. A vida está difícil, sim, e não faltam razões para sentirmos tristeza, angústia, ansiedade.

Mau humor, não: é um outro departamento. Tristeza e angústia, a gente processa internamente. Mau humor é quando você apresenta para o outro a fatura da sua infelicidade. Ele é obrigado a pagar a conta do que você consumiu (ou deixou de consumir) sozinha. Quem é que quer conviver com alguém assim?

Ainda dá tempo: pegue de volta aquela sua lista de resoluções para o Ano Novo e inclua: "Vou adotar uma postura bem-humorada diante da vida". Ou então, melhor ainda: resolva já o que está causando seu mau humor. É o casamento, ou o namoro, ou o emprego? Se for o emprego, tente mudar. Se for a cidade, também. O que não dá é para puxar o freio de mão na infelicidade e depois apresentar a conta para os outros.



Fonte: Leila Ferreira

Desapego


Embora as pessoas reclamem daquilo que não possuem, existe outra questão que merece atenção: aquilo que possuímos em excesso. Aliás, os excessos costumam ser mais prejudiciais que as faltas, mas demoram mais para serem percebidos. Em geral, possuímos mais do que necessitamos para ser feliz, mas insistimos que não somos felizes porque nos falta alguma coisa. E de fato falta: falta assumirmos um estilo de vida mais franco, sincero e liberto.

Tudo o que temos em excesso demanda tempo e energia para ser administrado. Roupas demais, revistas demais, bagunça demais, lembranças demais (fique com as que valem a pena, pelo aprendizado ou felicidade que trouxeram), compromissos demais, pressa demais.


Todos nos beneficiaremos com a prática de determinado nível de minimalismo. Podemos reinventar nossa maneira de viver para viver com o necessário. Não precisa ser o mínimo necessário, pode haver algumas sobras, mas sem os exageros de costume. Viver melhor com menos. Isso traz uma sensação de leveza e felicidade tão maravilhosa que todos devemos, ao menos, experimentar. Na melhor das hipóteses, aprendemos e adotamos um novo estilo de vida.

Quem está em processo de mudança, reconhece rápido o quanto acumulou de coisas em excesso, e aprende que pode viver tão bem, ou melhor, com muito menos! Liberte-se dos excessos de todo o tipo: excesso de informação (muita coisa é só ruído, nem mereceria atenção); excesso de produtos e serviços (consumismo é uma válvula de escape para não olharmos para nossa própria existência); excesso de relacionamentos (nem todos valem a pena). Viva mais com menos, experimente algum nível de minimalismo. Permita-se sentir-se livre dos acúmulos e excessos.

Nada é mais gratificante que a liberdade, a sensação de que você se basta sem precisar de um arsenal de coisas, sons e cores a seu redor. Dedique-se a experimentar essa libertadora sensação. Quem sabe viver com pouco, sempre saberá viver em quaisquer situações, mas aqueles que só sabem viver com muito, nas mínimas provações e ausências sofrem e se desesperam. Esses últimos se confundiram com seus excessos... e na falta deles, não se reconhecem.
Todo excesso é energia acumulada em local inapropriado, estagnando o fluxo da vida. Excesso de excessos corresponde à falta de si mesmo. E se o que te falta é você, nada poderá preencher esse vazio...


Carlos Hilsdorf

16 de junho de 2010

Clássico é clássico!




Um clássico é um clássico! E recentemente dois dos nomes mais classudos da música tiveram álbuns lançados, bastante distintos entre si. Enquanto o álbum Good Evening New York City de Paul McCartney reúne – em dois discos e um DVD – os maiores hits do ex-Beatle, o novo Valleys of Neptune, do rei das guitarras Jimi Hendrix, traz gravações inéditas até mesmo para os fãs mais fervorosos, datadas de 1969.

Que os dois merecem constar nas discotecas dos apreciadores de boa música não há dúvidas, mas, afinal, o que define um clássico?

Em primeiro lugar, um bom clássico musical é aquele que logo nos primeiros acordes é reconhecido pela maioria das pessoas, sejam elas fãs do artista ou não. Sabe quando mesmo sem saber direito a letra é impossível não cantarolar pelo menos uma parte? Clássico!

Músicas que ultrapassam seu tempo e ainda assim, depois de décadas, continuam na memória coletiva e se tornam atemporais? Clássico!

Outro ponto que pode colocar uma música nesse patamar é a originalidade. Fazer aquilo que ninguém antes teve a ideia (ou a coragem) de colocar em prática, seja um solo de guitarra memorável ou uma letra que, de alguma forma, gere identificação em quem a ouve? Clássico!

E, para entrar no clima, segue uma lista de vários críticos do mundo musical:

1.Bridge over troubled waterÉ a música das músicas. Obra de Paul Simon, lançada em 1970 pela dupla Simon & Garfunkel, levou de cara o Grammy de melhor canção do ano e ajudou o álbum a receber outros prêmios. Também ganhou uma versão histórica do rei do rock, Elvis Presley.
2. Moon river
Tema de Henry Mancini e Johnny Mercer, faz parte da trilha do filme Bonequinha de luxo e foi premiado com o Oscar de canção em 1961.
3. Manhã de carnavalComposição de 1959, de Luiz Bonfá, letra de Antônio Maria. Recebeu tratamento especial da voz do século 20, Frank Sinatra.
4. My funny valentine
Belíssimo tema de Rodgers e Hart, um clássico americano. Composto na década de 30 para a trilha sonora de uma peça da Broadway.
5. Les parapluies de CherbourgTema romântico do filme Os guarda-chuvas do amor, melodia do francês Michel Legrand. Dá vontade de sair flutuando no ar.
6. Aquarela do Brasil
Samba-exaltação de Ary Barroso, do fim da década de 30. Correu o mundo inteiro, eternizado em gravações de craques como Bing Crosby.
7. Something
John Lennon e Paul McCartney eram as cabeças dos Beatles. Mas foi George Harrison quem compôs a mais bela e terna canção da banda.
8. Besame mucho
Bolero da mexicana Consuelo Velásquez, de 1941. Gravado pelos Beatles, Ray Conniff e João Gilberto, entre centenas, milhares, milhões.
9. Águas de março
Até o exigente crítico Leonard Feather se curvou à canção de Tom Jobim, classificando-a como uma das grandes músicas do século 20.
10. Just the way you areClássico de Billy Joel, de 1977, também gravado por Barry White. Paul McCartney confessou: gostaria de tê-la composto.

A minha lista seria de vinte músicas, pois não conseguiria indicar só uma dezena. Só sei que não poderiam faltar:
Vincent - Don McLean; Imagine - John Lennon; Like a rolling stone - Bob Dylan; Roda Viva - Chico Buarque; Wave - Tom Jobim; Satisfaction - Rolling Stones; How can you mend a broken heart - Al Green; F comme femme - Adamo; Here comes the sun - George Harrison; Your song - Elton John; Love of my life - Freddie Mercury...
Ah, e muitas, muitas outras...


E você, quais são as suas favoritas de todos os tempos?

O Ícone do terror




O clássico de Alfred Hitchcock "Psicose" completa 50 anos como a obra prima do cinema de suspense reconhecido mundialmente por sua já mítica cena do assassinato no banheiro executado pelo alienado Norman Bates.

Apesar de ter estreado com críticas desfavoráveis em 16/06/1960 em uma sala nova-iorquina, o filme acabou convencendo a indústria e o público, que meio século depois continua fã desta obra. "Psicose" voltou aos cinemas e vai ganhar edição especial em blu-ray."Psycho 50th Anniversary Edition" incluirá uma versão remasterizada em alta definição e contará com conteúdos extras, entre estes um documentário sobre como foi realizado o filme, o trailer original e uma análise da inconfundível cena do chuveiro.

O filme, protagonizado por Janet Leigh e Anthony Perkins, leva o espectador a um estranho hotel administrado por Norman Bates, que aparentemente vive submisso a mãe, onde chega uma mulher foragida da Califórnia para começar vida nova com o namorado, após ter roubado US$ 40 mil de sua empresa. Uma parada no caminho, que será a última para a personagem que morrerá esfaqueada enquanto toma banho, em uma sequência tão reconhecida por suas imagens quanto pela sua trilha sonora.

Os violinos serviram para gerar a tensa melodia que vai "crescendo", enquanto ocorre o ataque que em 2009 foi votado como a mais aterrorizante da história do cinema segundo pesquisa de entidade britânica.
O corpo nu da atriz na famosa cena era de Marli Renfro, uma mulher que chegou a ser capa da "Playboy" antes de desaparecer. Seu papel foi mantido em sigilo pelo interesse da produção em 1960, tanto pelo diretor quanto pela estrela do filme, Leigh, quem por pudor se negou a tirar a roupa diante das câmeras.

Essa não foi a única artimanha do "mestre do suspense" para o lançamento do filme. Uma vez que decidiu fazer "Psicose", Hitchcock iniciou uma campanha para impedir que o público conhecesse antecipadamente o fim da trama, por isso comprou todas as cópias da primeira edição do livro no qual o filme foi baseado, cujos direitos tinha adquirido por US$ 9 mil.