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27 de dezembro de 2010

Entre tapas e beijos




O novo filme de João Jardim, “Amor?” narra histórias reais de violência nas relações de casal. Depois de ouvir 60 depoimentos de homens e mulheres que cometeram ou foram vítimas de agressões, o diretor escolheu oito para serem interpretadas por atores famosos. Quando assisti à “Amor?”, saí pensando ter visto um filme bom com alguns momentos excepcionais. Depois, passei dias me interrogando a partir de questões suscitadas pelo filme. A força de “Amor?” está em fugir da simplificação: a da pobre mulher submissa espancada por um homem mau.

Os depoimentos nos envolvem e os papéis de vítima e algoz têm contornos menos definidos do que gostaríamos. É nos detalhes que vamos pressentindo a aproximação da violência. Acho difícil que em algum momento quem assiste não se identifique com alguma frase, algum ato, deste laço entre amor e violência que prende dois adultos. É aí que o filme acerta mais. Ao fugir dos casos que viram manchete de jornal, ele fala de uma violência que também é nossa. Com isso, não permite que, ao assisti-lo, permaneçamos descolados, achando que aquilo é acontece a um outro que nada tem a ver com a gente.

Quando um homem agride uma mulher está cometendo um crime. A Lei Maria da Penha foi uma grande conquista. O que é pouco discutido é a contribuição da vítima para a violência. Aqui não me refiro a psicopatas nem a casos extremos, mas sim a histórias mais frequentes e que permeiam a vida de amigos, quando não a nossa.

Em um casal não existe agressor sem que exista uma vítima. Em algum momento agressor e vítima se encontraram. Entender o que permitiu este encontro e o que faz com que ambos fiquem numa relação destrutiva é essencial para quebrar o ciclo de violência ou criar uma outra identidade na relação que não seja a de vítima nem de agressor.

É ruim para a mulher se ela só for vista como vítima e só se enxergar como vítima. Sim, ela foi vítima. Mas ser vítima não é tudo o que ela é. Me parece fundamental que cada mulher metida numa relação violenta consiga buscar dentro de si qual é a sua parte nessa arapuca. Acho difícil conseguir romper com a violência se não encontrarmos o que há de ativo mesmo na nossa passividade. Ao se apropriar do que é nosso é possível nos tornarmos mais inteiras e é possível também criarmos enredos mais interessantes para a nossa vida afetiva.

Existe uma violência que se não se expressa fisicamente e que também é destruidora. Algumas mulheres costumam manipular com maestria esta arma subjetiva que não deixa hematomas. Raramente um homem espanca uma mulher no primeiro dia. Em geral há um longo balé protagonizado por ambos até a primeira vez. E aí as seguintes ficam mais fáceis e, em geral, mais frequentes e violentas.

Ao abrir com um depoimento da vítima tradicional, o filme mostra que não veio para apontar culpados. Apenas retrata histórias de classe média, contrariando a ideia de que a violência doméstica é coisa de pobre. Pode até ser mais visível nas periferias, mas ela está em toda parte, inclusive entre os ricos. O filme conta ainda a trajetória de agressões em uma relação entre duas mulheres, fazendo crer que a violência pertence somente aos homens. Esta é uma das grandes mentiras que se sustentam até hoje.

“Amor?” é uma boa pergunta em forma de filme. Aquelas histórias não tratavam de amor, mas da “patologia da paixão”. É muito reveladora a necessidade de definir se é amor ou não é, desqualificando assim o discurso de homens e mulheres envolvidos em relações violentas quando dizem que, ao bater ou apanhar, ainda amam. Ou que ficam na relação “por amor”.

É muito difícil definir o que é amor. Dizer que uma relação não é amorosa porque contém violência ou que quem ama não bate é querer tornar o amor algo da esfera do sagrado e imune às contradições humanas. Este discurso legitima a violência. Se fosse amor, então, a violência estaria justificada, porque o amor é maior do que tudo, por ele valeria qualquer sacrifício, até apanhar.

Não. Sendo amor ou não, pouco importa. Caia fora o mais rápido possível. A violência aniquila a vida. Quando não acaba, literalmente, com ela.

Eliane Brum

Texto resumido por Lena Simões

20 de dezembro de 2010

Já fez sua lista para 2011?



O fim do ano sempre nos compele a momentos reflexivos. Por mais que uma página virada no calendário tenha meramente um efeito de placebo temporal, a sensação de encerramento e avaliação dos acontecimentos está no inconsciente coletivo do período.

Sendo assim, as folhas em branco de dias e meses do ano que segue são sempre um convite tentador, além de uma bela oportunidade de “fazer diferente” ou mesmo, “aprimorar-se como ser humano”.

É nesse momento que aparecem as famigeradas listas de promessas para o novo ano. Esse tipo de top 5 “para uma vida melhor” sempre inclui a equação “muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender”, cujo denominador comum não poderia ser outro a não ser nós mesmos, reles mortais.

Para ajudar você a inspirar-se em doses extras de força de vontade para concretizar seus anseios para 2011, nada melhor do que uma boa sessão de “filmoterapia”.

1 - Entrar em forma: "O Espelho Tem Duas Faces"
Barbra Streisand é Claire, uma brilhante professora universitária, que mantém um relacionamento platônico com o matemático bonitão Gregory, interpretado por Jeff Bridges. Cansada da ausência de luxúria em sua vida, decide deixar o sedentarismo dos acadêmicos de lado para tornar-se uma mulher sensual e atraente – e dá-lhe malhação. Nada melhor do que uma grande paixão como força motora.

2 - Parar de fumar: "O Informante"
Se todas as informações disponibilizadas pelos meios de comunicação não lhe bastaram para conseguir largar o tabaco, “O Informante” é o seu filme. Baseado em uma história real, o enredo aborda as agruras de um ex executivo da indústria do tabaco em denunciar os métodos escusos das empresas para cultivar e garantir o vício de fumantes. No elenco, Russell Crowe e Al Pacino dão um show de convencimento.

3 - Dedicar mais tempo aos meus amigos e familiares: "Um Bom Ano"
Aqui, temos novamente Russel Crowe como protagonista, só que desta vez dirigido por Ridley Scott. Ele é Max, um poderoso homem do mercado financeiro londrino, incumbido a voltar à França após a morte de seu tio Henry (Albert Finney), como seu único herdeiro. Ao retornar aos vinhedos em que passou momentos mágicos na infância, percebe o quanto se tornou uma pessoa inafetiva e cega pela ambição, afastando-se de seu único elo familiar para priorizar sua carreira.

4 - Ter um hobby: "Julie & Julia"
Essa adorável comédia intercala a história de duas mulheres apaixonadas por gastronomia, Julie Powell (Amy Adams) e Julia Child (Meryl Streep). Separadas pelo tempo-espaço, ambas encontram em seu hobby culinário um sentido para suas vidas e rumos profissionais.

5 - Apimentar minha relação: "9 1/2 Semanas de Amor"

Se o seu relacionamento amoroso caiu na rotina, nada melhor do que algumas dicas em forma de entretenimento. Estrelado por Mickey Rourke, em seu auge irreconhecível de charme e beleza, e a musa Kim Basinger, o filme descreve os intensos jogos sexuais do casal que seduziu as plateias da década de 80 mundo afora. Aperte o play e ação!

Malu Porto 
 

5 de dezembro de 2010

A controversa Angelina Jolie

Se gerar controvérsia antes do lançamento fosse uma garantia de sucesso, Angelina Jolie não precisaria se preocupar com a bilheteria de seu primeiro filme como diretora, cujo título provisório é Untitled Love Story (“História de amor sem nome”). Nesta semana, um grupo de mulheres vítimas da guerra da Bósnia tachou a atitude de Angelina de “ignorante” e pediu à ONU que ela perca o cargo de embaixadora da boa vontade.

A razão do protesto das mulheres são os rumores em torno do enredo do filme de Jolie, que contaria a história de uma mulher muçulmana que se apaixona pelo sérvio que a estuprou em um campo de prisioneiros. Angelina não se pronunciou sobre o roteiro, mas seus produtores negam que seja essa a narrativa do longa.

O filme parece ter incomodado também o governo bósnio, que decidiu revogar a permissão para que as filmagens acontecessem no país. Angelina acabou filmando seu longa em Budapeste, na Hungria, entre outubro e novembro.

Diante das críticas, Jolie sugeriu um encontro pessoal com membros da associação Mulheres Vítimas de Guerra, que reúne agredidas na guerra da Bósnia (1992-1995). A oferta foi rejeitada pelas mulheres, que queriam que a reunião acontecesse na Bósnia, e não na Hungria, como propôs a atriz.

Sem acordo amigável, a associação enviou uma reclamação à ONU, dizendo-se “profundamente preocupada” com o filme da senhora Brad Pitt. A carta diz: “Insistimos em encontrar Angelina Jolie porque não queremos ser representadas de maneira errônea ao mundo… Nossas vozes são válidas e deveríamos ter tido mais respeito”.

As vítimas também disseram a ONU que Angelina cometeu um grande erro. “Sentimos que ela não agiu como uma verdadeira embaixadora da Nações Unidas pelos Direitos Humanos e acreditamos que ela não tem mais credibilidade para continuar no cargo”.

Bakira Hasecic, líder da Mulheres Vítimas de Guerra, disse que Angelina deveria ter conversado com elas antes de filmar. “Até onde sabemos não poderia ter havido uma história de amor em um campo de prisioneiros. Essa interpretação está nos causando dor mental”.

Letícia Sorg

3 de novembro de 2010

Comer, Rezar, Amar: uma visão masculina



Elizabeth Gilbert, a autora de "Comer Rezar Amar," era infeliz em seu casamento e, por isso, decidiu tirar um ano sabático viajando pelo mundo. Liz buscou o equilíbrio pessoal comendo na Itália, rezando na Índia e amando na Indonésia. Bonita a história, não?

Principalmente se ela tiver final feliz. Julia Roberts, que interpreta a escritora no filme, encara mais uma vez o papel de heroína – vocês devem se lembrar de Erin Brockovich. Mas nem tudo foram flores na vida dos HOMENS com quem Liz se relaciona nesta história.

Ela tinha uma carreira consolidada como escritora, contava com um círculo de relacionamentos em Nova York que não a deixaria se sentir sozinha – a não ser se assim ela quisesse – e era casada com um homem que a amava, que a amava muito. Num dia ordinário, Liz decide e comunica ao marido que não quer mais fazer parte daquele casamento. Ele não entende nada. Esta é mais uma história de relacionamento em que a mulher acha que deixa claro para o marido a sua infelicidade e ele, por sua vez, acha que está tudo bem. Elas, que querem tanto discutir a relação, talvez precisem deixar mais claro o que passa dentro de suas cabeças, por mais que muitas vezes nem elas mesmas o saibam. Esse era o caso de Liz.

Que atire a primeira pedra a mulher que assistiu ao filme e não se emocionou na cena em que as condições do divórcio são negociadas. Stephen, o marido rejeitado, abre mão de tudo em prol do seu casamento. Liz, com a frieza que muitas mulheres comumente atribuem aos homens, diz que ele vai encontrar alguém que o ame do jeito que ele é. Depois de destruir esse coraçãozinho, a escritora ainda se envolve com um jovem ator que protagoniza uma peça baseada num de seus livros. Ironicamente, ele se parece com o ex-marido de Liz.

Ironicamente, ele também leva uma vida instável. Ironicamente, ele é feliz ao lado de Liz. Ironicamente, ela se cansa dele. A mulher vai morar com um garoto que é igual ao seu ex-marido (15 anos mais novo, porém) e sai da casa dele dizendo que não aguentava mais aquilo. Aquilo o quê? Se foi ela quem o procurou – ou pelo menos procurou, num corpo mais sarado, tudo o que já tinha vivido com o ex.

Ok. Se a solução era viajar e fugir dos problemas, “buscar o equilíbrio”, os problemas de Liz tinham o prazo de um ano para se resolver. Evidentemente, nada é tão fácil. Fazer amigos na Itália, aprender o idioma do país, comer muita pasta e ainda se sentir feliz com os “pneus” que se fazem notar não é para qualquer mulher. Ponto para Liz. Isolar-se do mundo externo para rezar num retiro espiritual na Índia e buscar o controle sobre os próprios pensamentos – de mulher! – não é fácil. Mais um ponto para Liz. Em Bali, na Indonésia, o objetivo da escritora era se reencontrar com um curandeiro que um ano antes lhe havia prometido ensinar tudo o que ele sabia.

Junto ao aprendizado, Liz, que de alguma maneira se sentia melhor consigo mesma após as passagens pela Itália e pela Índia, deparou-se com a prova final da sua recuperação: um homem. E não é que todo o aprendizado – e equilíbrio – chegam à beira do precipício novamente?

Pois não são só os homens que precisam perder o medo de relacionamentos e aprender a amar. A culpa não é só nossa!


Carlos Giffoni 
 

29 de outubro de 2010

Os melhores filmes de ação



O jornal inglês The Guardian publicou uma lista de melhores filmes de ação de todos os tempos. A boa é que o nosso Cidade de Deus, aquele filmaço do Fernando Meirelles, ficou em sexto lugar na lista. 

Considerando que a lista simplesmente não considera Batman - o Cavaleiro das Trevas nem Operação França nem mesmo um clássico como Duro de Matar, é um baita reconhecimento.

Mas, daí, olhamos a lista e vimos isso:

1. Apocalipse Now
2. Intriga Internacional
3. Era Uma Vez no Oeste
4. Meu Ódio Será Sua Herança
5. Amargo Pesadelo
6. Cidade de Deus
7. Glória Feita de Sangue
8. Salário do Medo
9. O Tigre e o Dragão
10.  Além da Linha Vermelha

Ora, embora o Guardian tenha selecionado ótimos filmes, não são filmes de ação. Apocalipse Now, Era Uma Vez no Oeste e Além da Linha Vermelha são filmes longos, reflexivos, arrastados. Estão longe de serem filmes de ação.

Filme de ação é Rambo, é Comando para Matar, é Top Gun. Nada que mereça figurar nas nobres páginas do Guardian, reconheço. Mas filme de ação também é Kill Bill, é Três Dias do Côndor, é Os Caçadores da Arca Perdida. Ação, moçada!
A seguir, sai uma lista realmente VIP dos Melhores Filmes de Ação:

1. Trilogia Indiana Jones - porque Indy passa fogo e dispensa maiores explicações.

2. Kill Bill, Vol. 1 e 2- Tarantino faz o pau cantar na cozinha, num trailer, num restaurante japonês, na UTI de um hospital. Um gênio. No mais, temos caubóis vivendo no deserto, uma picape chamada Pussy Wagon, a gangue dos Crazy 88, espadas Hatori Hanzo e, claro, David Carradine.

3. Intriga Internacional - porque Hitchcock praticamente inventou o gênero de espionagem como hoje o conhecemos. É, também, o primeiro filme da série 007, só que sem o James Bond…

4. Três Dias do Côndor - roteiro perfeito de conspiração, com Robert Redford se virando contra a CIA. Anos 70, com muita classe.
5. Batman, o Cavaleiro das Trevas - o melhor filme da primeira década do século 21.

6. Operação França - provavelmente, o filme de ação mais premiado da história (levou cinco Oscars). Tem a melhor cena de perseguição de carro do cinema, filmada ao longo de 22 quarteirões de Nova York. E, claro, tem Gene Hackman abatendo o sujeito pelas costas.

7. Superman, o Filme - ora, não seja cínico. O primeiro Superman é demais, com seus letreiros, suas músicas, Christopher Reeve usando cueca vermelha por cima da fantasia, Marlon Brando numa ponta e Gene Hackman (olha ele de novo) arrebentando como Lex Luthor.

8. True Lies - James Cameron mandou bem na série O Exterminador do Futuro e no recente Avatar, mas seu melhor filme é mesmo esse misto de filme de espionagem, ação bruta e comédia romântica reunindo Arnold Schwarzenneger e Jamie Lee Curtis. Um filme exagerado, engraçado, sexy e realmente eletrizante.

9. Missão Impossível - Tom Cruise queria seu lugar na lista. Contratou Brian DePalma, convocou o U2 pra trilha, trouxe para o elenco Ving Rhames, Jean Reno, John Voight e aquela coisinha linda chamada Emanuelle Beart. Entrou pra lista.

10. Duro de Matar - você acha que esse filme merece estar na lista? Minha resposta, parafraseando John McLane: “Yippee-ki-ay, motherfucker.”

Modéstia à parte: perto dessa, a lista de filmes de ação do Guardian parece um festival de documentários iranianos.

E Cidade de Deus? Ah, é um grande filme, mas também não o considero um filme de ação.


Ricardo Garrido

24 de outubro de 2010

Os lugares incríveis do filme "Comer, Rezar, Amar"



Você já assistiu ao filme Comer, Rezar, Amar, - com a sempre bela Julia Roberts? O longa conta a história da nova- iorquina Liz Gilbert, interpretada por Roberts, que decide viver intensamente sua vida, aproveitando algumas maravilhas que o mundo pode oferecer.

Confusa com o quer da vida, Liz inicia uma jornada ao redor do mundo em busca de autoconhecimento. Se você quer viver intensamente, assim como a heroína do cinema, saiba que já existem roteiros baseados na trama e que podem te fazer comer, rezar e amar com muito mais intensidade.

Comer

Uma boa viagem começa com experiências marcantes. A primeira parada pode ser Roma, onde você pode passar noites inesquecíveis na capital italiana e saborear uma das melhores gastronomias do mundo. A dica de hospedagem é no Hotel de Russie, localizado no coração de Roma, e bem próximo a pontos turísticos como a Via Condotti e a Capela Sistina.

Para aguçar o paladar, tente visitar o Piazza Navona e a Fonte de Trevi que ficam próximos ao próprio hotel. Para o jantar, a dica especial é a Taverna Trilussa, onde é possível provar pratos originais da cidade, como o rigatoni all' amatriciana e o spaghetti a carbonara.

Se você quer variar o cardápio, o La Rosetta é especializado em frutos do mar frescos com o melhor do sabor da Itália mediterrânea. Para tomar um bom vinho, o local indicado é o Agata e Romeo. É claro, não deixe de saborear a sobremesa da gelateria Palazzo del Freddo, inaugurada em 1880 e tradicional pelos gelatos mais deliciosos da região.

Rezar

Após degustar estas delícias gastronômicas, é chegada a hora de cuidar do lado espiritual. Prepare-se para viver dias inesquecíveis aos pés do Himalaia.

Um dos hotéis mais belos do país é o Ananda in the Himalayas. O hotel oferece seções de yoga, meditação, terapia anti-setresse, reflexologia e aromaterapia. Como todos estes serviços e uma vista deslumbrante, é impossível não relaxar.

Amar

Com corpo e alma em equilíbrio, chegou a hora de dar voz ao coração. O local escolhido para viver um intenso clima de romance é Bali, um paraíso natural localizado na Indonésia. O contato com a natureza exuberante vai te deixar mais propenso ao amor, seja pelo companheiro ou a si próprio.

Se você quer sentir de verdade o prazer de comer, rezar e amar, é melhor preparar as malas e... boa viagem!


Fábio Santos

19 de outubro de 2010

Homer Simpson é o melhor!

Homer Simpson, o pai da família do desenho animado Os Simpsons, foi escolhido como melhor personagem da TV e do cinema dos últimos 20 anos, em uma pesquisa realizada pela revista americana Entertainment Weekly.

“As pessoas se identificam com Homer porque todos somos secretamente impulsionados por desejos que não podemos admitir”, disse à revista o criador do personagem, Matt Groening.

O segundo colocado na pesquisa, que marca o aniversário de 20 anos da revista de entretenimento, foi o mago Harry Potter, interpretado no cinema pelo ator Daniel Radcliffe.

A personagem Buffy, a Caçadora de Vampiros, que no cinema ganhou o rosto da atriz Sarah Michelle Gellar, ficou em terceiro.

Em quarto lugar ficou Tony Soprano, do seriado americano Os Sopranos, seguido pelo vilão de histórias em quadrinhos Coringa, na versão interpretada pelo ator australiano Heath Ledger no filme Batman, o Cavaleiro das Trevas.

Entre os outros personagens famosos incluídos entre os dez primeiros da lista estão Rachel, personagem da atriz Jennifer Aniston no seriado de TV Friends, o Eduardo Mãos de Tesoura de Johnny Depp e Hannibal Lecter, interpretado por Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes.

A personagem Carrie Bradshaw de Sarah Jessica Parker no seriado Sex and the City, e o personagem de desenho animado Bob Esponja Calça Quadrada, completam a lista.

16 de outubro de 2010

"Alice no País das Maravilhas" em mangá sensual


Alice deixou o País das Maravilhas e virou estrela de filme do Tim Burton, ícone de exposições e ganhou diversas versões literárias. A mais nova traz a menina com olhos grandalhões e cabelos compridos, no melhor estilo mangá, a história em quadrinhos japoneses. Trata-se do lançamento "Miyuki-chan no País das Maravilhas", da editora JBC, especializada no gênero.

A história, publicada no Japão em 2001, repagina Alice e pinta a garota de uma forma mais sexy. Nela, ela tem o nome de Miyuki, mas também visita o País das Maravilhas e o País do Espelho. A viagem, entretanto, não para por aí: a personagem cai ainda no País da TV e no País do Videogame.

A abordagem dos quadrinhos remete à de "Lost Girls", obra de Alan Moore e Melinda Gebbie. Os livros mostram Alice, Dorothy, de "O Mágico de Oz", e Wendy, de "Peter Pan", em picantes aventuras sexuais. Já em "Miyuki-chan no País das Maravilhas", em vez de encontrar um gato, a menina depara com uma mulher que deseja lhe ensinar "maravilhas". No lugar da Rainha de Copas, há uma personagem sádica que quer dar chicotadas na personagem.

O objetivo da trama sempre recai sobre a tentativa de fazer com que "Alice" se divirta de uma forma sexual. A obra é voltada, no entanto, para o público feminino e jovem, alvo do grupo Clamp, que assina a criação da história.


Martha Lopes
"Alice no País da Maravilhas"

 

"Tropa de Elite 2": cinco razões para você surfar nesta onda




É impossível ficar alheio ao fenômeno “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro”. O filme dirigido por José Padilha, que estreou na última sexta-feira (8), é assunto certo tanto por sua trama polêmica quanto pelas medidas para evitar o surgimento de cópias pirata antes do lançamento. A popularidade da produção é tamanha que, segundo o presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão,  apenas no primeiro dia de exibição 370 mil espectadores assistiram ao longa em 683 salas espalhadas pelo país.

Se o mistério pré-estreia, as notícias e os números expressivos não foram suficientes para aguçar a sua curiosidade,seguemalguns motivos pelos quais "Tropa" merece ser assistido. E rápido!

Capitão Nascimento

Ele está 15 anos mais velho, já não sobe mais o morro atrás dos traficantes e não coloca nenhum morto na conta do Papa. Ainda assim, Roberto Nascimento está mais incisivo e violento. Depois de se envolver em uma ação polêmica em um presídio, ele se torna subsecretário de Segurança Pública no Rio de Janeiro e encontra um tipo de bandido muito mais ardiloso e preparado: os políticos corruptos e os policiais sujos que se envolvem com milícias e traficantes. Para piorar, sua ex-mulher está casada com um ativista dos Direitos Humanos que luta contra suas práticas pouco ortodoxas. A nova situação dá mais profundidade para o duro e controverso homem da lei, vivido com muito vigor por Wagner Moura.

Trama densa

Ao tirar Nascimento do front de batalha, o roteiro aponta para problemas mais complexos da violência urbana. A guerra nos presídios, os esquemas intrincados nos quais políticos e policiais se envolvem para conseguir mais dinheiro e poder, o papel da mídia na glamorização da agressividade e a potencial ineficiência dos direitos humanitários são mostrados. É um filme que entretém, mas também faz pensar.

Cenas de ação

Ainda que o foco não seja o confronto direto, as cenas de ação estão muito presentes e são primorosas. O trabalho de câmera e o ritmo empregado nos trechos de combate são empolgantes, assim como a fotografia que completa o clima com eficiência. Além disso, explosões, tiros e ferimentos ganham mais realidade no filme.

Momentos cômicos e frases de efeito

“Tropa de Elite” transformou falas como “O senhor é um fanfarrão”, “Você não é caveira, você é moleque” e “Bota na conta do Papa” em verdadeira febre nas ruas. O novo longa tem frases tão politicamente incorretas e grudentas quanto essas, como “Tá de pombagirice?” e “Quer me f...? Então me beija na boca”, que devem se transformar em gírias populares em poucas semanas. Alguns dos maiores criadores de bordões são também os responsáveis pelos alívios cômicos do roteiro: o corrupto, covarde e hilário Capitão Fábio (Milhem Cortaz) está de volta e divide espaço com Fortunato (Andre Mattos), um apresentador de telejornal sensacionalista que se torna um político inescrupuloso.

Catarse

Não fique mal ao sentir um certo prazer no momento em que Nascimento surra com vontade um deputado corrupto. Por mais que a atitude do personagem seja reprovável, o roteiro conduz o espectador de tal maneira que é impossível não participar um pouquinho daquele momento de vingança. Polêmica na certa.


Thais Kuzman



10 de outubro de 2010

Alguns segredos do filme Tropa de Elite 2




Sem estragar a surpresa, evidentemente, algumas curiosiidades do filme Tropa de Elite 2:

- Todos os carros das filmagens foram comprados pela produção, entre eles, uma Blazer branca, que virou camburão. Usado na ficção, o veículo possuía um histórico de irregularidades na vida real. Nos oito meses que antecederam a compra, o automóvel acumulou dezoito infrações por excesso de velocidade, o que totalizou 1 700 reais em multas. De acordo com o Detran, as multas ainda não foram pagas.

- O coronel Nascimento é vítima de uma emboscada: fechado por dois carros, o personagem escapa com um espetacular cavalo de pau. Não usou dublê, mas precisou de três tentativas para conseguir executar a manobra. Um intenso treinamento foi realizado no Autódromo de Jacarepaguá com o americano Keith Woulard, que trabalhou em produções como Hulk e Homem de Ferro. Rodada em duas madrugadas, a cena exigia uma iluminação forte o que ocasionou a troca das lâmpadas de vinte postes, além de um refletor instalado a 30 m de altura.

- O que contou na hora do convite para que Dudu Nobre atuasse no filme foi sua coleção particular de armas. Fanático por fuzis e pistolas (que mantém com autorização do Exército), ele alugou à produção várias peças para serem usadas nas gravações. Na ficção, ele realiza um antigo sonho: ser policial. Nas cenas de invasão à favela, Nobre faz o papel de um Ponta 2, que, na formação do Bope, significa uma espécie de franco-atirador. Graças ao seu desempenho, ganhou do diretor o apelido de Máquina Mortífera do Samba.

- No filme, o coronel Nascimento e seu filho Rafael, brigam durante a maior parte do tempo. A tensão familiar, que na primeira fita era concentrada nos desentendimentos com a mulher, agora é transferida para essa relação. Os únicos momentos de paz entre os dois acontecem no tatame, quando seus personagens treinam jiu-jítsu. Para fazer as cenas de luta, ambos foram orientados pelo especialista Rickson Gracie, um dos maiores nomes do esporte no mundo. Porém, em um dos treinamentos, Van Held, já cansado, levou um golpe de Moura e simplesmente desmaiou. Felizmente, nada grave aconteceu.

-Para criar os efeitos especiais, foram convocados profissionais treinados em Hollywood. Um deles é Rene Diamante, que trabalhou em Avatar. Uma das cenas que deram mais trabalho à equipe foi a de um ônibus sendo incendiado.

- Para dar mais realismo ao filme, um dos planos de Padilha era filmar cenas no gabinete do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. O pedido foi negado. Assim, o diretor teve de se contentar em tirar fotos e reproduzir o ambiente em estúdio.

- Uma das cenas marcantes é a invasão do Morro Dona Marta, comandada pelo capitão Matias. Só nessa filmagem, foram usados 100 figurantes, três camburões, um tanque e dois helicópteros. A capitã Pricilla Azevedo, comandante da UPP na favela, faz uma ponta.

-Registrada sob um calor de mais de 40 graus, a ocupação do Dona Marta levou figurantes e técnicos à exaustão. Em certa tomada, um dos atores disparava oitenta tiros numa corrida de 500 m. A cena foi repetida 14 vezes, o que significou um total de mais de 1 000 tiros.

- Por causa de uma entrevista em que revelava alguns diálogos do filme, o ator Milhem Cortaz, que interpreta o capitão Fábio, foi duramente repreendido pelo diretor. No primeiro filme, Cortaz era o aspirante 02, que, perseguido pela fúria do capitão Nascimento, acabou popularizando o bordão: “Aspira 02, pede pra sair!”

- Nas tomadas aéreas de invasão às favelas, foi utilizado um helicóptero Huey-II. Comprado há dois anos por 8 milhões de reais, o aparelho é uma versão moderna de um modelo utilizado pelo Exército americano na Guerra do Vietnã, o UH-1H. De dentro da aeronave, o capitão Nascimento orienta os policiais em combate.

- Em uma das filmagens, moradores da favela de Rio das Pedras reviveram os tempos de domínio do poder paralelo. Um motorista de van é arrancado do veículo à força por faltar com o pagamento aos milicianos e é brutalmente assassinado. A sequência promete ser tão impactante quanto a da execução de dois personagens queimados ainda vivos no primeiro filme da série.

- Sem poder usar algumas locações reais, a produção foi obrigada a filmar em cenários construídos. Um deles foi o Complexo Penitenciário de Bangu, onde acontece uma rebelião. Realizada em um estúdio de 500 m2, em Jacarepaguá, a sequência exigiu o mesmo esmero encontrado nas cidades cenográficas da TV Globo. Para erguer o presídio de mentira foram necessários 275 000 m2 de compensado, 9 ton. de ferro, 700 kg de pregos e 15 ton. de cimento.

- Com previsão para estrear em 600 salas do país, o filme nasce com um recorde: é o maior lançamento de uma produção nacional, em escala equivalente à do americano Homem-Aranha. A expectativa é que atinja a marca de 1 milhão de espectadores já na primeira semana de exibição.

- Do orçamento do filme, metade veio da iniciativa privada, sem nenhum tipo de incentivo fiscal. Trata-se de uma prática pouco comum no cinema nacional. Nesse caso, os investidores esperam apenas obter lucro com o dinheiro aplicado. Entre eles está Beto Sicupira, um dos donos da AmBev, que acaba de comprar a rede americana Burger King.

- A preocupação com vazamentos de cenas do filme se tornou uma obsessão para os produtores e diretor. Tanto que a edição final foi realizada em um apartamento no Rio, em um computador sem acesso à internet. Para evitar que cópias caiam em mãos indevidas, foi contratado também o maior especialista em distribuição do Brasil, Marco Aurélio Marcondes. Até agora, a produção foi muito bem-sucedida em sua estratégia.



Rafael Sento Sé

19 de agosto de 2010

Salt



“Salt” é mais uma prova da esperteza profissional de Angelina Jolie. O longa-metragem recém lançado no Brasil firma a americana como a versão feminina (e mais bem-sucedida) de Tom Cruise quando o assunto são filmes de ação. Isso sem deixar que a faceta mais superficial de seu trabalho impacte negativamente no resto da carreira. Boa equilibrista que é, Jolie consegue dar conta dos seis filhos com a mesma agilidade que sai de um thriller de ação e reaparece em um drama de prestígio.

Assim foi em “O Procurado”, no qual vive uma assassina cheia de sex appeal; para na seqüência surgir na pele de uma mãe cujo filho desaparece em “A Troca”, sob o comando de Clint Eastwood, ambos lançados em 2008.
Já na nova trama, por sua vez, Angelina interpreta a agente da CIA, Evelyn Salt. Durante um interrogatório, um prisioneiro a acusa de ser uma agende russa infiltrada cuja missão é matar o presidente da Rússia para desencadear uma guerra com os EUA. Para salvar sua vida e a do marido, que também está envolvido na intriga internacional, ela escala prédios, pula em caminhões em movimento e salta em trilhos do metrô.

Na direção está Phillip Noyce, com quem a atriz trabalhou em “O Colecionador de Ossos” (1999). O filme, porém, não apresenta grandes novidades: a trama é movimentada, algumas vezes violenta e cheia de reviravoltas para manter o interesse do espectador.

Estima-se que só com os filmes “60 Segundo” (2000), “Lara Croft 1 e 2” (2001 e 2003), "Sr. e Sra. Smith" (2005) e “O Procurado” (2008) Jolie tenha faturado uma quantia que passa dos U$S900 milhões. Toda essa fortuna casa direitinho com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante que ganhou em 1999 por “Garota Interrompida” e com projetos de teor político como o drama “O Preço da Coragem” (2007).

É inevitável não comparar a trajetória de Angelina com a de seu maior desafeto fora da ficção – Jennifer Aniston. Enquanto a primeira barbariza nas telas, oscilando entre produções de ação, personagens dúbios e sedutores, ou histórias corajosas, a ex-“Friends” segue investindo no mesmo papel de heroína romântica, filme após filme, desde que abandonou a TV. Dá para perceber bem, a essa altura, quem anulou quem na batalha por Brad Pitt.

Autor: Luciana Borges

6 de agosto de 2010

Deu branco?


Quantas vezes aconteceu de você querer lembrar o nome de um filme e a informação lhe fugir completamente da cabeça? Esta situação banal serviu de inspiração para um designer criar uma coleção bastante inusitada com suas produções preferidas de todos os tempos.

Foi assim que Christian Annyas criou o “The Movie Title Still Colection” (“A Coleção de Imagens de Títulos de Filmes”), blog que faz um apanhado de posters das produções que já assistiu, ou que pelo menos passou o olho pelos primeiros dez minutos da abertura.

A ideia também reforça o quanto o nome original de um longa-metragem é, de fato, relevante para o trabalho como um todo. O espectador brasileiro está habituado a essa questão, já que inúmeras vezes uma produção estrangeira ganha um título em português que passa a milhas de distância do verdadeiro.

“Encontros e Desencontros”, por exemplo, é um deles. Originalmente chamado “Lost in Translation”, faz uma alusão à dificuldade de se comunicar vivida pelos dois personagens principais (interpretados por Scarlett Johansson e Bill Murray), não só na estadia de ambos na cidade de Tóquio, como também nos relacionamentos íntimos de cada um com seus parceiros.



Curiosamente, o longa de Sofia Coppola é um dos que está na seleção de Christian Annyas, uma reunião dos mais variados gêneros. Estão lá clássicos como a cena de Audrey Hepburn diante da vitrine da joalheria Tiffany’s em “Bonequinha de Luxo” (originalmente “Breakfast at Tiffany’s”); ou o M em vermelho sangue de “Disque M Para Matar” (“Dial M For Murder”), suspense sugestivo de Alfred Hitchcock que marca o primeiro trabalho do diretor com Grace Kelly.

Entre os mais recentes é possível se deliciar com o frame inicial de “Tubarão” (“Jaws”), “Os Caça-Fantasmas” (“Ghostbusters”), “Uma Linda Mulher” (“Pretty Woman”) e até “O Senhor dos Anéis” (“The Lord of The Rings”). O resultado final mostra que os créditos iniciais podem, sim, dizer muito de um filme, antes mesmo que se comece a assisti-lo.

Quem gostou dessa verdadeira cinemateca virtual pode acompanhar as atualizações direto no blog do designer ou ficar de olho em suas postagens no Twitter.




Autoria: Luciana Borges

28 de julho de 2010

Os homens que não amavam as mulheres



Vem da Suécia um dos maiores êxitos no gênero de mistério dos últimos anos: a trilogia Millennium, da qual o romance Os homens que não amavam as mulheres, é o primeiro volume.

As três obras da saga (o segundo, A menina que brincava com fogo, e o terceiro, A rainha do castelo de ar se tornaram um dos maiores sucessos do mercado editorial do mundo, vendendo mais de dez milhões de exemplares. Seu autor, Stieg Larsson, jornalista e ativista político, morreu subitamente em 2004, aos 50 anos, vítima de enfarte e não pôde desfrutar do sucesso estrondoso de sua obra. Seus livros alcançaram o topo das vendas nos países em que foram lançados e receberam críticas entusiasmadas.

Um dos segredos de tanto sucesso é a forma original com que Larsson engendra a trama, conduzindo-a por variados aspectos da vida contemporânea: do universo muitas vezes corrupto do mercado financeiro à invasão de privacidade, da violência sexual contra as mulheres aos movimentos neofascistas e ao abuso de poder de uma maneira geral.

Outro é a criação de personagens extremamente bem construídos e originais, como a jovem e genial hacker Lisbeth Salander, magérrima, com o corpo repleto de piercings e tatuagens e comportamento que beira a delinquência. O terceiro é a maestria em conduzir a narrativa, repleta de suspense da primeira à última página.

E não é só em Hollywood que best-sellers ganham adaptações para o cinema. O primeiro capítulo da saga nórdica estreou na Suécia em fevereiro deste ano e já foi exibido em boa parte da Europa, com ótima recepção por onde passou, principalmente na Espanha. A versão cinematográfica dos livros subsequentes já foram lançados por lá. O primeiro filme já estreiou no Brasil.



Edição: Lena

25 de julho de 2010

A verdadeira Alice



O que você faria se a sua filha de sete anos estivesse muito amiga de um esquisitão de 31, fazendo com ele demorados passeios de canoa e posando para seus retratos artísticos? Em vez de chamar a polícia - como qualquer família normal - a de Alice Pleasance Liddell incentivou seu relacionamento com Charles Dodgson, um escritor que assinava como Lewis Carroll. E a menina acabou sendo a musa inspiradora dos clássicos “Alice no País das Maravilhas” (1865) e “Através do Espelho” (1871) - este inclusive termina com um poema em que as primeiras letras de cada estrofe formam o nome da menina.

Até hoje não é claro o que exatamente estava rolando entre a menina e o escritor. Especula-se, e ninguém poderia deixar de especular, que havia uma paixão, consumada ou não. Sempre se acreditou que, quando ele deixou de frequentar a casa dos Liddell subitamente, em 1863, foi porque os pais de Alice haviam resolvido dar um basta naquele relacionamento inapropriado. Mas documentos descobertos pela biógrafa Karoline Leach mostram que Carroll talvez fosse tão simpático com Alice e suas irmãs porque estava interessado mesmo era na governanta da casa.

Já adulta, Alice soube usar a fama da personagem a seu favor. Mãe de três filhos e apertada de grana após a morte do marido rico, leiloou o valioso manuscrito de As Aventuras de Alice Embaixo da Terra (primeiro nome de Alice no País das Maravilhas). Ela já não mantinha contato com Lewis Carroll. O escritor anotou em seu diário que se lembraria dela pra sempre "como aquela menininha de sete anos completamente fascinante".

Nem tudo era ficção na obra de Lewis Carroll...





Notas:
Através dos espelhos
Conheça a versão real e a imaginária de Alice - Alice Liddell

A foto A Pequena Mendiga (acima) foi tirada pelo próprio Carroll quando a menina tinha ainda sete anos - além de escritor, ele era fotógrafo nas horas vagas. Consta que Alice gostava muito das histórias que ele contava, e sua personalidade teria inspirado a personagem.

Alice de Tim Burton
A protagonista do filme 3D é uma versão mais velha da personagem clássica de Lewis Carroll. Prestes a casar, ela corre novamente atrás do coelho para cair mais uma vez em um buraco que a leva ao País das Maravilhas, onde as coisas estão um pouco diferentes do que eram.





Autoria: Anna de Oliveira
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23 de julho de 2010

O doce veneno do escorpião



Histórias sobre garotas de programa são praticamente irresistíveis, seja no cinema ou na literatura. Alguns roteiros memoráveis trazem tramas ligadas a essa profissão, como “A Bela da Tarde” (1967) e “Bonequinha de Luxo” (1961), por exemplo. Não se tornaram clássicos à toa; aproveitaram esta premissa atraente para mostrar duas realidades femininas bem diferentes ligadas ao sexo, ao prazer e à ambição.

“Bruna Surfistinha – O Doce Veneno do Escorpião”, por sua vez, nasceu de fatos bastante reais. É baseado na história da jovem Raquel Pacheco, garota de classe média de São Paulo que resolveu se tornar uma prostituta e contava as “aventuras sexuais” de sua profissão em um blog, sob o pseudônimo que a fez conhecida.

Previsto para estrear em 29 de outubro, o filme de tom biográfico tem os mesmos elementos do livro “O Doce Veneno do Escorpião – O Diário de Uma Garota de Programa”, da Panda Books, estrondoso sucesso de vendas no apático mercado literário brasileiro com mais de 250 mil cópias. Apesar da curiosidade ter sido a maior responsável pelo boom da história impressa, esse mesmo caminho não foi trilhado pelo filme: poucas marcas quiseram contribuir com o orçamento de R$5,5 milhões da produção para não associar seu nome ao de uma garota de programa.

Dirigido por Marcos Baldini, um estreante em longas de ficção, “Bruna Surfistinha” tem roteiro escrito Homero Olivetto e argumento assinado pelo experiente Karïm Ainouz (diretor de “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” e “Céu de Suely”). Raquel Pacheco faz uma ponta interpretando uma recepcionista. No papel principal está Deborah Secco, mais conhecida por seus trabalhos na televisão e por algumas incursões no cinema (como em “Meu Tio Matou um Cara”). Para encarnar a personagem, ficou loira e ganhou medidas, mas o sotaque carioca, pelo que se viu no teaser já apresentado do filme, continua lá.

No elenco também estão Cássio Gabus Mendes e Drica Moraes, nomes mais fortes do cinema nacional. É de se esperar que a trama se apóie mais nas cenas de sexo envolvendo a personagem do que em um possível conflito interno de Surfistinha diante de sua vida dupla. Resta torcer para que o resultado não fique banalizado pelo que de mais superficial pode haver na vida de mulheres que escolhem essa profissão – a busca por saciar o prazer do outro.

Autoria: Luciana Borges
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