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20 de fevereiro de 2013

Fofo, querido, um amor!



 

Palavras são cruciais nas relações amorosas, assim como em tudo na vida. O que seria dos homens inteligentes se bastasse erguer as sobrancelhas e retesar os músculos do peito para seduzir as mulheres? Ainda bem que não funciona assim. Para atrair parceiras os homens ainda são obrigados a falar, escrever e mandar mensagens, até mesmo dançar - uma forma poderosa e afrodisíaca de linguagem corporal, me dizem. Como se empenham de todo coração, esperam alguma forma de recompensa, mas ela nem sempre vem. 

Dias atrás, um amigo mandou um torpedo cheio de suingue para uma moça que conhecera numa festa. Em pouco mais de 120 toques ele conseguiu transmitir humor, elogios e interesse carnal pela moça. A resposta, porém, foi devastadora. “Você é um fofo...”, ela escreveu. Poderia ter dito “engraçado”, poderia ter dito “cara de pau”, poderia ter dito “safado”, mas escolheu dizer “fofo”. Perceberam o tamanho do desastre? Foi o mesmo que chamá-lo de “bonitinho”, ou, ainda pior, “um querido”. Meu amigo percebeu que não vai sair com a moça. 

Fofo é o adjetivo que as garotas usam para o sobrinho delas de dois anos. Fofo elas dizem do gatinho da vizinha que mia para elas no corredor do prédio. Fofo é o amigo gay, aquele que liga à meia-noite e um minuto no dia do aniversário delas. Fofo é o cara gentil que a levou para jantar na semana em que ela havia brigado com o namorado. Ela nem lembra direito o nome daquele superfofo. Era Pablo, Diego ou Ramiro? Um nome espanhol, com certeza. 

Para resumir, fofo é uma palavra que parece não ter relação no cérebro feminino com sexo e paixão, e nenhuma proximidade com aventura. É um termo assexuado. Se ela acha você fofo, é certo que vai aceitá-lo como amigo no Facebook, mas tirar por cima aquele vestidinho de verão, desmanchando os cabelos dela no processo, isso você não vai conseguir. Muito menos um romance trepidante. Estou exagerando? Claro, mas apenas me esforço para deixar claro o meu ponto: fofo não é uma palavra que as mulheres usam para os homens que elas desejam. 

Como as relações humanas não são uma ciência exata há notáveis exceções a essa regra. Uma moça que eu conheço vive reclamando que o namorado dela demorou a se aproximar, embora ela tivesse emitido vários sinais de interesse. A explicação dele é muito simples. “Ela me chamava de fofo e de querido. Entendi que não queria nada comigo”, diz ele. Mulher que tenha urgência em levar um sujeito para o quarto talvez devesse usar com ele outro tipo de linguagem. Deixe fofo para o irmão adolescente da sua amiga, aquele que cora quando fala com você. 

Não se trata, entendam bem, de um mero problema de comunicação, aquele clássico em que a mulher diz uma coisa e o homem entende outra. Fofo é fofo para todo mundo: meigo, atencioso, delicado, um amor. A questão essencial é o efeito da palavra na autoestima masculina. Fofo tem uma conotação doce demais, inofensiva. Os homens não gostam de ser vistos assim. Mesmo os mais dóceis gostam de pensar em si mesmos como predadores perigosos e pegadores implacáveis, capazes de aturdir e dominar as mulheres - ainda que frequentemente aconteça o contrário. 

Ao chamar o sujeito de fofo, você não está apenas sugerindo que ele não faz amolecer os seus joelhos e nem acelera os seus batimentos cardíacos. Você está informando que o vê no diminutivo, café com leite, mirim. Para você ele é um gatinho, não um tigre. Do ponto de vista masculino é uma informação das mais broxantes. 

Isso não quer dizer, evidentemente, que não haja espaço para a doçura masculina nas relações entre homens e mulheres. Ela é absolutamente essencial, na verdade. As mulheres precisam recebê-la e os homens necessitam expressá-la, e vice-versa. Carinho físico e verbal são ingredientes essenciais do nosso metabolismo afetivo. Sem eles definharíamos emocionalmente, como macaquinhos tristes. 



A parte difícil está em fazer com que essa óbvia necessidade de afeto conviva com as nossas fantasias sexuais, nas quais o carinho parece não deter a primazia. Os homens têm prazer em sentirem-se másculos e dominantes na hora da sedução. E boa parte das mulheres parece encontrar satisfação em ser conduzida por um parceiro seguro. Esse teatro, por velho que seja, ainda é muito apreciado. O homem mais suave do mundo vestirá uma alma de Lobo para devorar a mulher que deseja. Ela, por mais altiva que seja, envergará o manto vermelho de Chapeuzinho para deixar-se levar, ansiosa e trêmula, para o abatedouro. Isso faz parte de um roteiro tão velho quanto os contos de fada, e funciona. Fazer diferente exige personalidade.

A moça teria que abrir mão das fantasias de princesa e anunciar, com toda clareza, que o sujeito é um fofo, e POR ISSO, ela é louca por ele. Sexualmente louca por ele, capiche? O rapaz agraciado com essa deferência poderia abrir mão das veleidades de príncipe e aceitar, sem complexos, o papel de macho doce que lhe cabe nesse arranjo. Ser chamado de fofo não é o sonho erótico dos homens, mas talvez a palavra possa ser subvertida. Quem diz que não pode haver fofo cafajeste, fofo descarado, fofo safado e feliz? Aliás, parece uma ideia fofa... 



Ivan Martins


 

4 de fevereiro de 2013

Você é manipulador ou sedutor?




Não sei se você já foi alvo de alguém assim, mas poucas situações são mais tensas e constrangedoras do que se relacionar ou conviver com uma pessoa que tenta, o tempo todo, te convencer de que você deveria ser diferente de quem é!

Por meio de críticas, comentários que subjugam e até de brincadeiras maldosas e sem graça, essa pessoa -que muitas vezes é a mesma que vive repetindo que te ama- parece querer provar o quanto você está equivocado por fazer o que faz, dizer o que diz ou pensar como pensa. Quer que você acredite que não passa de uma fraude!

A primeira pergunta que poderia ser feita para esta pessoa mal resolvida seria: "então, por que você continua comigo?". Afinal, se não está satisfeita, que procure alguém que a satisfaça, não é? Pois é... não, não é! Porque esse tipo de gente se alimenta exatamente desse tipo de relacionamento: baseado numa dinâmica onde o objetivo -mesmo que inconscientemente- é minar a autoestima do outro até fazê-lo sentir-se pequeno, pouco e sem valor.

Agora, a próxima pergunta seria justamente para quem está com essa pessoa que poderia perfeitamente ser chamada de "manipuladora", já que se trata de um adjetivo que descreve aqueles que tentam forjar, controlar e dominar o outro. E a pergunta seria: por que você está se deixando manipular? Por que está querendo, pelo menos enquanto continua permitindo esse tipo de relacionamento, ocupar o lugar de "manipulável". Além disso, no final das contas, manipulador e manipulável são dois lados de uma mesma moeda. São praticamente "iguais"!

As razões, tanto para quem está sendo o manipulador, quanto para quem está sendo o manipulável, podem ser muitas e particulares. Tem a ver, certamente, com a história de cada um. No entanto, as duas grandes questões sobre as quais podemos refletir diante dessa realidade são:

1. Se você é "o manipulável" e está com alguém que faz isso com você, está por quê? Algum ganho existe nesta história. Qual é? E para que você precisa desse ganho que, em última instância, é uma grande perda? Por exemplo: você "ganha" o lugar de vítima para parecer boazinha, compreensiva e vítima. Mas perde a chance vital de ser melhor e estar com alguém que enxerga e valoriza suas qualidades. Aliás, perde a chance soberana de aprender a valorizar a si mesmo!

2. Se você é "o manipulador" e se alimenta do constrangimento e do sofrimento alheio, faz isso por quê? Precisa estar diante de alguém que se sinta pior que você para poder se sentir bem? Esconde sua insegurança atrás da insegurança do outro? Tem medo de ser trocado e, por isso, tenta convencer o outro de que você é o máximo e precisa "agradecer" por ter alguém como você ao lado?

Será que não valeria a pena trocar esses jeitos de funcionar por outros bem mais interessantes, onde todos pudessem se sentir bem, evoluindo e amadurecendo? Sugiro que em vez de ocupar lugares tão desgastantes e ineficientes, que todos nós passemos a desempenhar papeis mais divertidos, tais como os de sedutores e seduzidos, com consciência e propósito.

Seduzir é encantar, fascinar, conquistar o outro. Sedução se faz com carinho, desejo, inteligência e criatividade. E deixar-se seduzir é ter olhos para o belo. É reconhecer o que o outro faz de bom, é deixar-se ser amado.

Por essas e outras, pare de tentar manipular a vida e o amor. Pare de tentar manipular as pessoas. Torne-se um inesquecível sedutor e esteja certo de que a vida, o amor, a pessoa que você ama e, sobretudo, você serão muito mais leves e felizes!

Rosana Braga



1 de abril de 2012

Nem todo homem é jardineiro




Um dia as flores descobriram que podiam se deixar levar pelo vento. Descobriram que eram fortes e que tinham direito de viver. O mundo então mudou.Antes, dominadas pela sociedade machista e convencidas que a melhor maneira de viver era seguir a maré, as mulheres calavam-se. Fingiam felicidade, fingiam prazer. As que encontravam marido deviam dar-se por satisfeitas. E davam-se.O segredo de tantos casamentos durarem muitos anos antigamente não é o amor que era mais puro e forte, mas a situação da mulher que, dependente financeira e emocionalmente do marido, não ousava. Não dizia o que pensava realmente, não exteriorizava o que sentia. As mulheres foram preparadas para servir, os homens para serem servidos. Tanto que parte e outra aceitavam, o mundo caminhava e os casamentos iam adiante.Mas aos poucos a sociedade foi mudando. E as mulheres foram revelando-se. Descobriram-se vivas. Descobriram que podem dizer não e sim: não a uma vida monótona e que não realiza; descobriram que são capazes de produzir, criar. Descobriram que podem escolher e escolhem. Escolhem mudar de vida, de caminho, de direção.Jardineiros nem sempre cuidadosos, muitos homens não percebem que a mulher é uma flor. Uma flor serena ficará para sempre no jardim onde foi plantada; somente as que encontram vazio diante de si deixam-se cativar por diferentes horizontes.Um bom jardineiro sabe que uma flor precisa de sol, atenção, cuidados especiais. Um bom jardineiro cativa, cultiva, tem cuidado, poda quando preciso, mas sempre fazendo atenção para não destruir, porque ele sabe que quando a primavera chega a sua flor dará o melhor de si.



Letícia Thompson