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2 de junho de 2013

Você sempre quer o que não pode ter?




Conhece alguém que só se interessa por quem não está disponível? E você, é do tipo que quando o outro corresponde às suas investidas, tem a sensação de que perde a graça e não quer mais? É triste, mas existem muitas pessoas que se alimentam de dificuldades e obstáculos.

Chega ao cúmulo de, algumas delas - claro que sem se darem conta - sentirem-se atraídas somente por relacionamentos proibidos ou extremamente complicados, geralmente envolvendo uma terceira pessoa - o famoso triângulo amoroso.

O interessante é que a terceira pessoa parece funcionar como um motivador, alguém que desperta a competitividade e reforça a crença de que amor tem a ver com brigas, disputas, conflitos, sofrimento e dor. Como se sentimentos de paz, tranquilidade, confiança e respeito fossem "mornos" demais para sustentar um relacionamento intenso e profundo.

Sim, é verdade que os filmes, as novelas e os romances mais atraentes são sustentados pelos conflitos e pelas dificuldades, mas esta narrativa não precisa ser a sua, esse enredo não precisa ser a sua única realidade. Pode servir para alimentar fantasias e ensinar a domar nossos "bichos". Mas não pode servir para nos convencer de que é assim que o amor tem de ser. Não tem!

O fato é que esse tipo de relação sobrevive de uma dinâmica altamente perigosa. Trata-se de uma grande e invisível armadilha que a pessoa monta para si mesma. E quando vê, lá está ela, dentro do buraco novamente. Decepcionada, frustrada e abandonada mais uma vez!

E se ao menos aprendesse com isso, fazendo a partir de então escolhas mais coerentes, tendo comportamentos menos impulsivos e compreendendo o amor como fonte de prazer e construção, aprendizado e evolução, tudo bem! Mas, não! Em geral, pessoas assim estão viciadas na adrenalina decorrente deste jeito distorcido e equivocado de amar.

Feito cachorro que corre atrás do rabo enlouquecidamente sem nunca alcançá-lo, tais pessoas vivem desesperadamente em busca de um amor que nunca conseguirão viver, a menos que ganhem consciência desse funcionamento interno e façam um trabalho de autoconhecimento para, enfim, abrir espaço para um encontro de dois que realmente se desejam, um amor de troca e criatividade.

Portanto, se você costuma se apaixonar por pessoas casadas ou, ao contrário, que não querem se comprometer de forma alguma, fique atento! E se essa "impossibilidade" faz com que você se sinta ainda mais apaixonado e disposto a fazer qualquer coisa para conseguir o que deseja, então, a arapuca, muito provavelmente, já está armada - e por você mesmo!

O exercício da conquista é uma delícia e vale a pena ser praticado - não apenas no início da relação, mas todo o tempo. Afinal, quem ama cuida e não existe "jogo ganho". Diz o sábio ditado que "quem não dá assistência, perde para a concorrência". Mas que este exercício seja pautado pelo amor-próprio e pela certeza de que o resultado da brincadeira tem de ser bem mais prazeroso do que doloroso. Bem mais de ganhos e medalhas do que perdas e migalhas.








Rosana Braga

28 de maio de 2013

Você ama demais?



Estou certo de que todos, ao lerem o título, dirão que sim. Que amam, que se entregam de corpo e alma. E é disso que falo: o cuidado que devemos ter no amor. 

Amar, decerto, é compromisso, entrega, mas não podemos ultrapassar os limites do ser amado, nem deixar que ele ultrapasse os nossos. No relacionamento saudável, há uma troca, um compartilhamento, uma cumplicidade feliz. Cada um é cada um. Não existe "metade da laranja", nem "alma gêmea". 

No amor maduro e real, não há duas metades se relacionando, mas duas pessoas, com suas próprias idéias, gostos e personalidades. Dois seres distintos que se unem por prazer e escolha. Não há sofrimento. 

Para saber se você está vivendo um amor de verdade, basta sentir seu coração, sua alma. Você está feliz? Não? Então, não está amando nem sendo amado. Você vive os dias pensando no ser amado? Espera com, ansiedade o telefone tocar? Conta os minutos para o próximo encontro? Isso não é amor. É dependência, e faz sofrer muito. 

O amor de verdade é sereno, faz bem à alma. Quando você ama de fato, não esquece seus amigos, seus hobbies ou o seu trabalho. Tudo é compartimentado, tem seu lugar na sua vida. Você se nutre um pouco de tudo e seu companheiro ou companheira vem acrescentar. Você o(a) escolheu, mas não precisa dele(a). 

Precisar não é amar. Canções nos incutiram por décadas a idéia de que amar é sofrer, chorar, sentir saudades e ciúmes. Essa visão não condiz com o verdadeiro amor e sim, com a falsa idéia do que é amor. Traduzindo, trata-se de dependência, e esta é um vício, uma doença a ser devidamente tratada. 

Há que se atentar para outro detalhe muito importante: você é correspondida(o)? Recebe carinho, atenção, respeito, admiração na mesma intensidade? Ou seu amor é do tipo desligado, sempre ocupado para você? Se for assim, cuidado. Você está entrando em terreno perigoso e devastador. Querer quem não nos quer é sofrimento certo, perda de um tempo precioso. E nem pense em mudar seu amado(a) se tem esta intenção, vai sofrer uma grande frustração. Provavelmente você vem de uma família na qual cresceu uma criança ávida pelo amor do pai ou da mãe. Ou ainda, sofreu abusos ou repressão, trazendo dentro de si uma criança assustada e triste. 

Portanto, preste muita atenção: se amar para você é uma escolha, está no caminho certo. Mas se você precisa de alguém para amar, alguma coisa está fora do lugar. O melhor "norte" para seu caminho é o autoconhecimento. Entretanto, se você está confusa(o) e já não sabe mais se ama ou se precisa, se está apaixonada(o) ou dependente, misturando tudo no caldeirão de suas emoções, é hora de procurar ajuda, pois você tem o direito e o dever de ser feliz. Não dependa. 



Paulo Plaisant

27 de maio de 2013

Um pouco de solidão não faz mal a ninguém!




‘Ai, eu não aguento mais ficar sozinha!’

‘Não me apaixono há um tempão! Isso me deixa com uma sensação de vazio’... 

Escutei essas duas frases, de dois amigos - uma mulher e um homem, respectivamente - na mesma semana... e fiquei refletindo: quanto tempo se leva pra amar novamente? Será que tem tempo limite? Será que tem necessariamente algo de errado com quem está só há algum tempo? Onde estão escritas as regras e os prazos de cada coração? 

Bem, a amiga que reclamou porque não aguenta mais ficar sozinha me contou que está sem namorado faz praticamente um ano e que tem se sentido extremamente carente. Todos os encontros que teve depois deste namoro terminaram em duas ou três saídas, no máximo. ‘Ninguém se interessa por mim!’, reclamou ela num tom de tristeza e lamentação. 

O amigo, por sua vez, me contou que se sente chateado porque não consegue se apaixonar por ninguém há uns três anos. Confessou que as relações que vêm tendo durante este tempo, embora sejam afetuosas, não lhe trazem aquela sensação inexplicável de estar envolvido, entregue, com aquele sorriso fácil nos lábios... 

Eu sei que o que todos nós desejamos, no final das contas, é sentir exatamente o que canta Zeca Baleiro, na música ‘Telegrama’: 

... hoje eu acordei 
Com uma vontade danada de mandar flores ao delegado 
De bater na porta do vizinho e desejar bom dia 
De beijar o português da padaria... 

Mas o fato é que isso não acontece todos os dias... E se pensarmos um pouco, não poderia ser diferente. Se fosse banal, corriqueiro, cotidiano, não seria tão transformador, não seria tão especial... 

Só que não queremos esperar. Não queremos aprender a lidar com a tristeza, com o vazio, com a solidão. Não queremos, sobretudo, aprender com todos os sentimentos que esse tempo em que ficamos sós nos traz. Aliás, sequer nos permitimos descobrir o quanto pode ser bom ficar sozinho de vez em quando. 

Muitas vezes, entramos numa ansiedade exagerada, destrutiva, que mina nossa auto-estima; e, assim, somos esmagados por uma cobrança interna que nos rouba o bom senso e a capacidade de fazer escolhas. 

Começa a valer o ditado ‘o que vier, é lucro’, mas em pouco tempo, percebemos que o preço a pagar por escolhas mal-feitas é alto demais. Relações que não nos acrescentam; pelo contrário, servem para bagunçar ainda mais os nossos dias e aumentar a sensação de frustração e de incompetência emocional. 

Claro, ‘engolimos sem mastigar’, numa tentativa desesperada de acabar com a solidão... E aí eu pergunto: por que é que resolvemos acreditar que a solidão é algo tão ruim? Será? Será mesmo que não há nada de proveitoso, de bom e prazeroso que podemos fazer enquanto estamos descomprometidos? 

E mais: será que é possível se apaixonar a cada 15 dias ou assim que acaba uma relação? Será que é produtivo emendar uma relação na outra sem ter tempo sequer de se questionar quais são seus verdadeiros desejos? 

E, por fim, será mesmo que estar com alguém é remédio para todas as nossas dores, solução para todos os nossos problemas e o fim de todas as nossas angústias? 

Penso que é somente quando relaxamos e entendemos que estar com alguém e, principalmente, apaixonar-se e sentir-se feliz são consequências de uma harmonia interna, que compreendemos que somos seres genuinamente sós e que o outro é um presente a ser compartilhado e não uma necessidade dolorida, desesperada, insana... 

Aí sim poderemos experimentar relações mais leves, mais gostosas e mais maduras ou... ficaremos sós e nos sentiremos bem. Em fase de espera, sim, mas sem tanta tristeza; apenas respeitando o ritmo dos corações e sabendo que uma relação gostosa e apaixonada acontece quando a gente realmente tem espaço para ela...



Rosana Braga

26 de maio de 2013

Sua relação afetiva está doente?




Muitas vezes nos encontramos sofrendo e ignoramos os sinais evidentes que o relacionamento que estamos mantendo não está bem e, mesmo assim, continuamos a investir nosso tempo, damos nosso amor e ignoramos os sinais e nossos sentimentos. Chegamos a ter sintomas físicos e sequer associamos com a relação afetiva que mantemos. Geralmente fazemos isso por motivações inconscientes. Recriamos situações do passado, com o intuito inconsciente, de resolvermos essas mesmas situações. E assim, mantemos os conflitos originais e perdemos a oportunidade de criarmos relações saudáveis ao permitir que nos façam sofrer e ainda lamentamos se essa mesma pessoa for embora de nossa vida. Choramos desesperadamente, e nos esquecemos completamente do quanto estávamos, ou ainda estamos, sofrendo.

Ignoramos nosso valor enquanto pessoa e fazemos de tudo para que essa relação doentia se estabeleça novamente, caso ela tenha terminado. Dificilmente, percebemos que estamos tão doentes quanto nossa relação. Para identificar como está sua relação afetiva, responda sinceramente às perguntas que estão abaixo:

Ouve constantemente o outro dizer que não teve tempo de te ligar? As palavras raramente são coerentes com as atitudes? Ou seja, o outro diz uma coisa e demonstra outra? A realidade está muito distante do que gostaria que fosse? Está sempre suportando demais, tornando seus próprios limites acima do suportável? Tem tido alguns sintomas físicos, como dores musculares constantes, enjoos  vontade de vomitar, dores de estômago, febre, urticária ou algum outro sintoma? Não há mais objetivos em comum, não querem e nem lutam pelas mesmas coisas? Sente-se inseguro constantemente? Tem feito a maioria dos programas sozinho, porque o outro nem sempre quer acompanhar? Você se sente sempre triste? Tem chorado praticamente todos os dias? Deseja controlar o outro com o intuito de ter mais controle na relação? Os beijos estão ficando escassos? A relação sexual não tem mais o mesmo calor e tesão de tempos atrás? O diálogo passou a ser uma troca de cobranças, críticas, acusações e agressões? Acontecimento do passado tem sido lembrado com freqüência, principalmente durante as brigas? Tem se sentido sem energia, cansado? Não se sente muito importante para o outro, que sempre tem outras coisas para fazer e que você não está incluído? Sua autoestima está baixa? Tem feito muito mais coisas para o outro, esquecendo-se muitas vezes de si mesmo? Está sempre esperando que o outro mude, ou ao menos, volte a ser como era antes? Vocês tem tido mais brigas que momentos de tranqüilidade, harmonia e paz? Está sempre esperando ou pedindo mais atenção, carinho, demonstração de amor? Sente falta de ter alguém para ouvir como foi seu dia, suas dificuldades? O diálogo, onde cada um fala de seus próprios sentimentos está cada vez mais escasso ou nunca existiu? Sente-se sozinho mesmo quando acompanhado?

Infelizmente esses são apenas alguns sinais de uma relação afetiva doente, pois ainda há situações de traições, mentiras, que sequer foram incluídas. Mas se suas respostas às questões acima foram mais sim do que não, provavelmente seu relacionamento afetivo está com problemas, para não dizer doente. Geralmente quando nos permitimos manter uma relação doentia, ela pode estar refletindo a doença de ambos e nesse caso é preciso muita disposição interna para enfrentar a situação da maneira que se apresenta, se desejamos que a relação, ou nós mesmos, sejamos curados.

O assunto é tão sério que muitas pessoas chegam a desenvolver algumas doenças ou têm sintomas e ignoram que isso seja a somatização daquilo que estão vivenciando. Por exemplo, a febre pode representar a raiva de determinada situação; a vontade de vomitar pode manifestar uma dificuldade em digerir alguma situação; as dores musculares podem indicar a tensão interna pelo qual está passando. Esses são apenas alguns dos sintomas mais comuns quando algo não vai bem não apenas no aspecto físico, mas principalmente no emocional. Caso esteja tendo algum desses sintomas, relacione com suas dificuldades atuais e pense se o seu corpo não está apenas refletindo seus sentimentos mais profundos.

Mas é possível se curar, buscando uma relação saudável, ou refletir se vale à pena continuar mantendo esse relacionamento. Analise como está sua relação, caso ainda a tenha, ou como foi sua última relação. É isso que deseja para você? Se pensar em como gostaria que fosse um relacionamento, o que você está tendo está próximo disso? O primeiro passo para a cura é identificar os sinais, refletir sobre as dificuldades pessoais e o quanto seu próprio histórico de vida pode estar refletindo na relação. Depois é imprescindível uma conversa franca com o outro, sem acusações ou busca por culpados, mas com o desejo sincero de tornar a relação saudável. Durante essa conversa é importante perceber se há disposição do outro em aceitar também a responsabilidade da relação estar como se mostra e se deseja tanto quanto você se comprometer com a melhora. Se isso não acontecer dependerá de você saber o que é melhor.

Há pessoas que chegam a se sentir culpadas em querer que a outra pessoa demonstre o amor que sente. Claro que cada um tem seu próprio jeito de demonstrar amor, mas algumas coisas são básicas em um relacionamento. Como alguém pode se sentir importante e valorizado tendo constantemente que pedir atenção e amor? Como se sentir seguro quando nos relacionamos com alguém que age como se tudo é mais importante que nós?

Claro que é inevitável ter expectativas quando nos relacionamos com alguém, mas isso é muito diferente de ignorar a realidade só para manter a relação, principalmente, quando os sinais são evidentes e insistimos em ignorá-los, perpetuando assim, nosso sofrimento. Muitas vezes a realidade está muito distante da verdade que gostaríamos e insistimos em acreditar. Mas lidar com a realidade, respeitando os sinais, ainda que nos cause muito sofrimento, talvez seja a maneira mais saudável para criarmos um caminho muito mais iluminado que a escuridão em que algumas vezes nos encontramos e que, infelizmente, ignoramos.


Rosemeire Zago



20 de fevereiro de 2013

Fofo, querido, um amor!



 

Palavras são cruciais nas relações amorosas, assim como em tudo na vida. O que seria dos homens inteligentes se bastasse erguer as sobrancelhas e retesar os músculos do peito para seduzir as mulheres? Ainda bem que não funciona assim. Para atrair parceiras os homens ainda são obrigados a falar, escrever e mandar mensagens, até mesmo dançar - uma forma poderosa e afrodisíaca de linguagem corporal, me dizem. Como se empenham de todo coração, esperam alguma forma de recompensa, mas ela nem sempre vem. 

Dias atrás, um amigo mandou um torpedo cheio de suingue para uma moça que conhecera numa festa. Em pouco mais de 120 toques ele conseguiu transmitir humor, elogios e interesse carnal pela moça. A resposta, porém, foi devastadora. “Você é um fofo...”, ela escreveu. Poderia ter dito “engraçado”, poderia ter dito “cara de pau”, poderia ter dito “safado”, mas escolheu dizer “fofo”. Perceberam o tamanho do desastre? Foi o mesmo que chamá-lo de “bonitinho”, ou, ainda pior, “um querido”. Meu amigo percebeu que não vai sair com a moça. 

Fofo é o adjetivo que as garotas usam para o sobrinho delas de dois anos. Fofo elas dizem do gatinho da vizinha que mia para elas no corredor do prédio. Fofo é o amigo gay, aquele que liga à meia-noite e um minuto no dia do aniversário delas. Fofo é o cara gentil que a levou para jantar na semana em que ela havia brigado com o namorado. Ela nem lembra direito o nome daquele superfofo. Era Pablo, Diego ou Ramiro? Um nome espanhol, com certeza. 

Para resumir, fofo é uma palavra que parece não ter relação no cérebro feminino com sexo e paixão, e nenhuma proximidade com aventura. É um termo assexuado. Se ela acha você fofo, é certo que vai aceitá-lo como amigo no Facebook, mas tirar por cima aquele vestidinho de verão, desmanchando os cabelos dela no processo, isso você não vai conseguir. Muito menos um romance trepidante. Estou exagerando? Claro, mas apenas me esforço para deixar claro o meu ponto: fofo não é uma palavra que as mulheres usam para os homens que elas desejam. 

Como as relações humanas não são uma ciência exata há notáveis exceções a essa regra. Uma moça que eu conheço vive reclamando que o namorado dela demorou a se aproximar, embora ela tivesse emitido vários sinais de interesse. A explicação dele é muito simples. “Ela me chamava de fofo e de querido. Entendi que não queria nada comigo”, diz ele. Mulher que tenha urgência em levar um sujeito para o quarto talvez devesse usar com ele outro tipo de linguagem. Deixe fofo para o irmão adolescente da sua amiga, aquele que cora quando fala com você. 

Não se trata, entendam bem, de um mero problema de comunicação, aquele clássico em que a mulher diz uma coisa e o homem entende outra. Fofo é fofo para todo mundo: meigo, atencioso, delicado, um amor. A questão essencial é o efeito da palavra na autoestima masculina. Fofo tem uma conotação doce demais, inofensiva. Os homens não gostam de ser vistos assim. Mesmo os mais dóceis gostam de pensar em si mesmos como predadores perigosos e pegadores implacáveis, capazes de aturdir e dominar as mulheres - ainda que frequentemente aconteça o contrário. 

Ao chamar o sujeito de fofo, você não está apenas sugerindo que ele não faz amolecer os seus joelhos e nem acelera os seus batimentos cardíacos. Você está informando que o vê no diminutivo, café com leite, mirim. Para você ele é um gatinho, não um tigre. Do ponto de vista masculino é uma informação das mais broxantes. 

Isso não quer dizer, evidentemente, que não haja espaço para a doçura masculina nas relações entre homens e mulheres. Ela é absolutamente essencial, na verdade. As mulheres precisam recebê-la e os homens necessitam expressá-la, e vice-versa. Carinho físico e verbal são ingredientes essenciais do nosso metabolismo afetivo. Sem eles definharíamos emocionalmente, como macaquinhos tristes. 



A parte difícil está em fazer com que essa óbvia necessidade de afeto conviva com as nossas fantasias sexuais, nas quais o carinho parece não deter a primazia. Os homens têm prazer em sentirem-se másculos e dominantes na hora da sedução. E boa parte das mulheres parece encontrar satisfação em ser conduzida por um parceiro seguro. Esse teatro, por velho que seja, ainda é muito apreciado. O homem mais suave do mundo vestirá uma alma de Lobo para devorar a mulher que deseja. Ela, por mais altiva que seja, envergará o manto vermelho de Chapeuzinho para deixar-se levar, ansiosa e trêmula, para o abatedouro. Isso faz parte de um roteiro tão velho quanto os contos de fada, e funciona. Fazer diferente exige personalidade.

A moça teria que abrir mão das fantasias de princesa e anunciar, com toda clareza, que o sujeito é um fofo, e POR ISSO, ela é louca por ele. Sexualmente louca por ele, capiche? O rapaz agraciado com essa deferência poderia abrir mão das veleidades de príncipe e aceitar, sem complexos, o papel de macho doce que lhe cabe nesse arranjo. Ser chamado de fofo não é o sonho erótico dos homens, mas talvez a palavra possa ser subvertida. Quem diz que não pode haver fofo cafajeste, fofo descarado, fofo safado e feliz? Aliás, parece uma ideia fofa... 



Ivan Martins


 

19 de fevereiro de 2013

Seu silêncio pode adoecer o amor!



Somos os únicos seres vivos que se comunicam por meio das palavras, da linguagem falada. Isso deve ter alguma importância bastante relevante. Porém, infelizmente, muitas vezes temos praticado esse dom -o da fala- de modo extremamente negligente, exagerado, distorcido e equivocado. 

Ditos populares sobre esse tema, além do essencial equilíbrio entre falar e ouvir, existem vários: "Falar é prata, mas calar é ouro", "Quem muito fala dá bom dia a cavalo", "Quem muito fala, muito terá de se justificar", entre outros. Um pensamento de que gosto muito é de Antoine de Saint-Exupéry: "A linguagem é uma fonte de mal entendidos". 

Ou seja, parece que a sabedoria nos sugere mais silenciar do que falar. Como se o silêncio fosse a forma mais inteligente de solucionar os conflitos. É verdade que pode haver muita paz no silêncio, mas penso que é urgente aprendermos a gigantesca diferença entre o silêncio que apazigua e pacifica, do silêncio que ensurdece, grita, mente e perturba. Aliás, existem silêncios tão perturbadores que podem enlouquecer um ser humano. 

Acima de tudo, precisamos aprender a falar com um propósito. Não falar só para jogar sobre o outro as nossas frustrações ou falar só para ofender e impor razões e vontades. Não se trata de vociferar, mas de se expressar, de mostrar ao outro quem somos e o que queremos. E no exercício diário do amor, estou cada dia mais certa de que não pode haver modo mais eficiente de resolver conflitos, aplacar a ansiedade e desfazer mal entendidos do que por meio do uso de uma comunicação clara, direta e sem joguinhos. 

Mas, lamentavelmente, por não saberem ou por medo e até covardia, muitas pessoas adotam o silêncio como principal forma de comunicação. Calam-se para "deixar bem claro" que estão bravas, tristes ou insatisfeitas. Recusam-se a falar porque concluem que é óbvio o que está acontecendo e o que estão sentindo e que, além disso, o outro já deveria saber. Há ainda os que prolongam a mudez apostando que o tempo simplesmente resolverá as mágoas e as incertezas. Como se sentimentos não precisassem ser elaborados e digeridos. 

Não exagerei quando disse que o silêncio pode enlouquecer uma pessoa. Existimos a partir da linguagem. Descobrimos que somos únicos e separados do outro a partir do momento em que nascemos e por meio da linguagem, do que o outro diz sobre nós, sobre como estamos no mundo e o que provocamos nelas. É assim que nos constituímos, que nos reconhecemos e que nos criamos internamente. É assim que se forma nossa autoimagem. 

Claro que quanto mais amadurecemos, mais confiança ganha nossa própria voz, nossas percepções e capacidade de compreender o que acontece fora e dentro de nós. Mas o fato é que relacionar-se com alguém que não se mostra, que não revela o que pensa, sente e quer, é altamente frustrante, desgastante e deprimente. Não há troca verdadeira. Não há encontro de almas. Não há sintonia possível! 

Não falar é, muitas vezes, uma forma de torturar o outro, de fazê-lo padecer e sentir a dor do inexplicável, do incompreensível, do imponderável. Sei que a vida não nos dá garantias e que não existem certezas entre dois corações. Sei também que não temos todas as respostas, mas quando podemos olhar para a pessoa que amamos e sentir que no espaço, que separa uma alma da outra, existe uma voz que acolhe, demonstra, abraça, acaricia e confessa o que ali pulsa e vibra, aí sim, descobrimos o que é amor de verdade!


Rosana Braga

8 de fevereiro de 2013

O amor simples, forte e verdadeiro





O ódio excita diferenças, mas o amor cobre todas as transgressões. O amor é um sentimento sublime, prazeroso e tão poderoso que leva quem o sente à quarta dimensão.

O amor verdadeiro é desinteressado e livre do temor. Ele irradia afeição sem exigir qualquer retribuição. Sua satisfação está no prazer de doar-se. O amor é divino e pode ser traduzido como a mais poderosa força magnética do universo por atrair para si o que verdadeiramente lhe pertence, sem necessidade da procura desenfreada, pois quem o pratica é livre, e seus bons pensamentos voam na direção certa.

Não é necessário nenhum tipo de sofrimento para desenvolver e aperfeiçoar o amor. Ele nasce na alegria, no prazer de servir. Ele é uma energia que avança, porém, puxa como um ímã.

Para podermos atrair algo é preciso que estejamos em harmonia com o que desejamos. Então, podemos aplicar a energia do amor ao dinheiro? Sim, o dinheiro é uma energia usada para suprirmos as necessidades e nos livrarmos das limitações. Assim, ele deve ser sempre posto em circulação para ser aplicado em algo justo. O dinheiro em si é bom e benéfico quando bem empregado. Porém, quando encaminhado a um fim destrutivo, procurado loucamente ou guardado avidamente, sendo considerado o mais precioso bem, irá produzir muito sofrimento.

Todas as moléstias e infelicidades provêm da violação da lei do amor. O cultivo do amor parece uma arte perdida, mas aquele que a desenvolve está livre do medo e naturalmente livre para sonhar. Quem vive amando, esquece o que ficou para trás e avança, seguindo em direção aos seus desejos, aos seus sonhos que, quando bons e seguros no amor, com certeza conseguirá seus objetivos mais rápido que imagina.

Muitas vezes, esse sentimento tão sublime entre o homem e a mulher é acompanhado de grandes discussões, pois existe uma ideia mítica de que sempre existirá alguém querendo lhe roubar o amor. Essas pessoas que assim pensam não percebem que todo tipo de pensamento que fixamos na nossa mente acaba em afirmações que se colocam na iminência de acontecer.

É muito difícil, tanto para o homem quanto para mulher, admitirem a possibilidade de serem traídos pelo seu amor. A fixação e o medo são tão fortes que acabam atraindo para si o que mais temem. E o sofrimento é inevitável. Mas eles não se dão conta de que esse sofrimento já os acompanhava mesmo antes de todo o acontecido. Portando, em vez de ficarmos no mundo da imaginação, pois um dia ela poderá acabar em realidade, devemos pensar sempre no melhor e na melhor situação. Aquela que vai nos fazer viver alegres e prazerosos.

Onde há o verdadeiro amor os pensamentos são sempre de afirmações, numa unidade perfeita. A união, se não for efetuada sobre uma base inabalável de unidade e no desejo de satisfazer o outro, não pode perdurar, embora possa ser mantida na sua aparência.

Para firmar-se em uma verdadeira união é preciso que um deseje a felicidade do outro. Mesmo com objetivos diferentes, o amor livre do ciúme doentio estará sempre longe de todo tipo de ameaças. Se os amantes não viverem no desejo de realizar os sonhos do outro, sufocados pelos seus próprios desejos, a separação será inevitável, mesmo existindo o amor entre ambos. As discussões, as desavenças, os aborrecimento constante vão minando a alma e, naturalmente, enfraquecendo o amor.

A palavra amor é tão pequena na forma, mas tão grande em significados e direções. Podemos amar a Deus, o ser humano, a criação, a família, e tudo ao mesmo tempo. Não existe amor mais forte ou mais fraco, menor ou maior. Quando existe simplesmente amor, já valeu a pena.

Se estiver só, sem nenhum envolvimento com alguém que o compreenda e que o escute, isso quer dizer que predomina em você o sentimento da separação e que, antes de tudo, é preciso que chegue a uma realização da onipotência do amor e que tenha uma companhia silenciosa ao seu lado, para escutar e compreender o seu coração.

À proporção que vamos cultivando o sentimento da unidade com a vida e o amor altruísta, vamos atraindo amizades e corações que vão nos compreender melhor. E assim o sentimento de tristeza irá desaparecer naturalmente.


O amor altruísta é o cumprimento das leis divinas. Todas as leis da existência têm por objetivo único a reconstituição da unidade, a qual só pode existir no amor universal. 



Por esse motivo, o amor é o maior dissolvente de todas as desarmonias, embaraços e divergências, mas é preciso que seja inteiramente desinteressado e espontâneo.

Todos nós fomos criados pelo amor e com amor, para nos unirmos voluntariamente. Temos o direto de ter uma companhia para desfrutarmos dos prazeres, da alegria de viver e para compartilharmos a magia de um coração batendo apaixonado.

O amor é simples e forte. Ele, sendo verdadeiro, expulsa o medo. Ame que a alegria baterá em seu coração recheado de encantos.


Bernanrdino Nilton Nascimento
 

7 de fevereiro de 2013

Ele diz que te ama, mas nunca te assume?



Você conheceu alguém e se encantou... vai tudo muito bem, muita sintonia, declarações, romantismo, paixão e você se sente cada vez mais realizada, entregue, certa de que encontrou, finalmente, uma pessoa com quem vale a pena ficar!

Porém, contudo, no entanto... quando menos espera, bate a cara contra um muro! Pelo menos, é esta a sensação que tem ao descobrir que essa tal maravilhosa pessoa, que vive dizendo que a ama, já tem outra relação. Sim, você é "o estepe"!

Como avaliar a situação considerando que a relação tem sido realmente especial e intensa? Qual é a verdade? Por um lado, tudo leva a crer que, de fato, o outro também está envolvido, interessado e apaixonado. Mas, então, por que não fica com você, e só com você?

Resumindo: se você está vivendo um cenário como esse e não se incomoda, então, está tudo certo. Não se fala mais nisso! Porém, se não está tudo bem, é provável que tenha de se preparar para uma montanha-russa de pensamentos, sentimentos e decisões. Poucas são as pessoas com determinação e convicção suficientes para abrir mão de tudo o que poderia vir a ser e focar somente no que está sendo agora. Isto é, alguém não está convicto do que quer. E este alguém não é você!

E agora? O que fazer? Aceitar e continuar tudo como está? Desistir e abrir mão da chance de ser feliz? Exigir que o outro faça uma escolha, mesmo correndo o risco de ser a pessoa preterida? Será mesmo que existe o tal poliamor? Qual é o preço que você está disposto a pagar para ficar com essa pessoa, lembrando que isso pode (e provavelmente vai) significar dor, tristeza, baixa autoestima, ciúme, insegurança, desconfiança e profundos conflitos internos?

Realmente, não é fácil se descobrir parte de um triângulo amoroso, especialmente quando você entrou nele sem saber. Muitos outros sentimentos vêm à tona, tais como competição, ego, disputa, comparações, orgulho ferido, raiva, estranhamente mais paixão, medo da perda, e a atormentadora impressão de que esta é, sim, a última "bolacha do pacote", e que você precisa fazer de tudo para ser a preferida dela, a escolhida, a que merece mais que a outra!

Vamos aos fatos! Você sabe o que quer, não sabe? Quer ficar com esta pessoa, não quer? Já fez sua escolha. Sente-se maduro o bastante para assumir um compromisso, ser verdadeiro e fiel, não é? Portanto, quem não sabe o que quer, não consegue escolher e não está pronto para viver um amor por inteiro é a outra pessoa, certo?

Sendo assim, a reflexão é: quanto você acredita que merece da vida e do amor? Ser "estepe" é o bastante? Por que você se deixaria desgastar tanto por alguém que não tem certeza se quer mesmo ficar com você? E se ele diz que te ama tanto ou mais do que ama a outra pessoa, por que ela também não pode saber que você existe? Seria mais justo com todos, não seria?

Enfim, a vida é feita de escolhas! Sempre! Em todas as áreas, inclusive, a amorosa! Isso é maturidade! Quem não sabe fazer escolhas é porque não cresceu, emocionalmente falando! Eu, particularmente, só acredito em poliamor se todos os envolvidos estiverem cientes, felizes e satisfeitos - o que nunca vi. Nunca!

Estou cada dia mais certa de que compartilhar a vida com alguém, dedicar-lhe amor e sinceridade e investir em confiança e aprendizado mútuo é o maior de todos os desafios pelos quais nós, homens e mulheres, passaremos ao longo de toda a vida! Por isso, que haja dignidade e integridade neste exercício. E, sobretudo, que saibamos fazer valer a pena, seja qual for a decisão tomada!

Rosana Braga