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20 de dezembro de 2010

"As Receitas das Famílias Portuguesas”



A cozinha portuguesa é uma das mais ricas e tradicionais da culinária ocidental. Basta pensar nos doces e pratos lusianos para ativar as papilas gustativas de qualquer um. A forte influência colonial é parte significante da nossa gastronomia, guardando pratos típicos usados para celebrar hábitos e festas das famílias brasileiras. Filipa Vacondeus, ícone da gastronomia lusitana, reuniu importantes receitas que habitam há gerações as mesas das famílias de Portugal, no livro “As Receitas das Famílias Portuguesas”, lançado recentemente no Brasil.

A autora expressa o seu desejo por repassar aos amantes da boa mesa as receitas familiares “das casas das avós”, criando um registro prático de um tipo de cultura popular, mas que tende a ir se perdendo devido à praticidade da vida contemporânea. Atenta a mudança dos tempos e dos novos hábitos de quem cozinha nos dias atuais, Filipa procurou fazer adaptações de ingredientes para agilizar a execução dos pratos, e ainda dar algumas dicas para torná-los mais econômicos e acessíveis. O livro compreende uma compilação de receitas desde as rápidas e práticas para o dia a dia até as mais elaboradas das ceias de Natal e Ano Novo, como o tradicional peru de Natal, ou mesmo diversos preparos de bacalhau e pato, especialidades lusitanas.

Entre entradas, ovos e omeletes, sopas, peixes, frutos do mar, carnes, doces e receitas típicas, como é o caso da açorda - uma espécie de sopa de pão que acompanha qualquer tipo de carne, o livro é uma rica compilação das iguarias portuguesas que compõe um tesouro gastronômico chamado por Filipa de “patrimônio nacional”.

Outra proposta seria simplificar ao máximo a disposição de informações no intuito de facilitar o ato de cozinhar para quem não tem grandes habilidades ou experiências com as panelas. Na busca por uma simplicidade assertiva, as receitas acabaram por ficar sem algumas explicações sobre noções de processos e informações sobre quantidades dos ingredientes, o que para quem não tem experiência acaba desencorajando a aventura na cozinha. Para quem tem certa experiência, as receitas organizadas por Filipa são ótimas para inspirar inclusive recriações e novas formas pessoais de preparo das iguarias lusitanas.

Seguindo a receita, executei o bacalhau assado no pão português. Como não ficou clara a quantidade de alguns ingredientes, houve um desperdício desnecessário. Porém o resultado final, no paladar, foi bastante satisfatório com gostinho de nostalgia. O conceito americano de “confort food”- pratos que saciam o paladar e oferecem bem-estar emocional por remeter à infância ou aos rituais de família - resume perfeitamente a proposta de Filipa Vacondeus. Qualquer inconveniente fica pequeno perto da deliciosa sensação de cozinhar algo especialmente tradicional.

Luty Vasconcelos

27 de outubro de 2010

O Porto, o berço de Portugal


Segunda maior cidade de Portugal e a mais imponente do norte do país, o Porto deu o seu nome ao famoso vinho. Sua rica história e conjunto arquitetônico lhe garantiram o título de Patrimônio Mundial da Humanidade cedido pela Unesco. Separado pelo rio Douro das grandes caves do vinho afamado ao qual deu o seu nome, existe um certo sentimento de rivalidade em relação a Lisboa. 

Nas margens do rio Douro estão atracados ainda alguns barcos rabelos, antigas e estreitas embarcações usadas para transportar o vinho do Porto das vinícolas (as chamadas "quintas") até os armazéns.  
 
Entre as principais atrações da cidade do Porto estão o Palácio da Bolsa, a Sé (originalmente uma igreja-fortaleza em estilo romano-gótico), a Torre dos Clérigos com seus 75 mde altura, a Praça dos Aliados e as igrejas de São Francisco (de origem romântica, com seu interior coberto de detalhes dourados) e a do Carmo (em estilo barroco, recoberta de azulejos). Outro imponente cartão-postal da cidade é a Ponte de Dom Luís I, toda em ferro, projetada pelos assistentes do francês Gustave Eiffel (1886). Igualmente animado e colorido é o mercado do Bolhão, onde se pode comprar quase tudo, mas bem perto ficam as joalharias e lojas de artigos de pele mais elegantes da Baixa.

E, se você não chegou de trem à cidade vá conferir os 20 mil azulejos espalhados nas paredes da Estação de Comboios de São Bento.

A peculiaridade dos seus bairros, com destaque para a zona da Ribeira às margens do rio Douro, com ruas estreitas e sinuosas, casas típicas com fachadas coloridas e a confusão comercial da Baixa valem um passeio a pé. O fôlego é imprescindível nesta hora, já que a cidade é repleta de morros íngremes, num sobe e desce quase infinito e bastante cansativo para quem não está acostumado. À noite, a Ribeira adquire movimento e animação, sendo um dos locais de eleição, devido à proliferação de aprazíveis restaurantes e clubes noturnos. Casas especializadas na venda do vinho do Porto, vinho verde e do famoso Dão também não faltam, assim como confeitarias que oferecem os deliciosos pastéis de Belém nas vitrines.


 Do outro lado do rio, a Vila Nova de Gaia é o centro da produção do vinho do Porto. Uma boa sugestão é a visita a estas caves, com direito a degustação. Nesta região estão os armazéns de mais de 50 empresas, a maioria controlada por ingleses, que ocupam as ruelas estreitas e tortuosas para se consagrar à vinificação e maturação da célebre bebida e é exportado internacionalmente. 


Foram os ingleses que, no século XVII, “descobriram” o licoroso vinho ao adicionarem aguardente para conservar a bebida que, por causa das longas viagens nos navios até a Inglaterra, chegava ao destino já estragada. Algumas oferecem visitas guiadas para que se possa ver como é feito o vinho e provar as diferentes variedades. A bebida é produzida na região vitivinícola do Alto Douro (a mais antiga região demarcada do mundo). 

Com uma gastronomia bem conhecida e população hospitaleira, também constitui o ponto de partida para a experiência inesquecível de subir o rio Douro. Vários pratos da culinária portuguesa tiveram origem no Porto. O prato típico por excelência da cidade são as tripas à moda do Porto, prato histórico que pode ser encontrado em muitos dos restaurantes da cidade. O Bacalhau à Gomes de Sá é outro prato típico nascido no Porto e popular em Portugal. A francesinha é o prato mais famoso; é um sanduíche recheado com várias carnes (de vaca, linguiça, salsicha fresca e fiambre) e coberta com queijo e um molho especial. O célebre caldo verde é também um prato portuense.
 
A cidade do Porto recebe um milhão de turistas por ano ou quase três mil ao dia. Sua rede hoteleira e de restaurantes é notável. Um ótimo programa é o passeio pelas águas do Rio Douro, no encontro com o oceano atlântico. A hospitalidade dos seus habitantes chama atenção dos turistas, especialmente dos brasileiros, por quem o povo português tem especial carinho.




Fonte:UOL 

Dedico este post aos meus amigos Angelina, Marquinhos, 
Carmen, Júlio, Marcão, a saudosa Mirela 
e ao meu marido Enzio, 
pela nossa inesquecível viagem de férias em 2008.

23 de outubro de 2010

Um pouquinho de Portugal





Portugal é uma excelente porta de entrada para quem quer conhecer o Velho Mundo. Razões não faltam: o país é lindo, a comida é ótima, os vinhos excelentes e a simpatia do povo português não tem comparação (viajando pelos demais países da Europa você entenderá o que estou querendo dizer!). Com uma vantagem: você entende - quase - tudo o que eles falam. Com a ajuda do idioma comum - ressalvadas algumas palavras e expressões com significados próprios em cada país, o que gera enganos muitas vezes cômicos -  e da identidade cultural, tudo em Portugal nos parece familiar, acolhedor, simpático e bonito, tanto em Lisboa, Coimbra e Porto, como nas pequenas cidades.

Conhecido como o “jardim da Europa”, Portugal para nós brasileiros é sempre muito interessante. Há quase 800 anos, Portugal mantém as mesmas fronteiras geográficas, o que torna o país um dos mais antigos da Europa. Apesar de pequeno, o cenário das regiões varia bastante. O norte é repleto de paisagens rurais como Minho e Trás-os-Montes, já as praias do Algarve são concorridas durante o verão.


A capital Lisboa é rica em opções, oferece aos turistas desde as antigas arquiteturas azulejadas aos grandes e modernos centros comerciais. Durante anos a cidade se preparou para a Expo 98, e foi a exposição a maior responsável por sua modernização. A partir daí a cidade ganhou novas linhas de metrô e muitas áreas foram reurbanizadas.

Passear por Portugal pode parecer uma viagem no tempo, é conhecer um pouco do Brasil colonial. Becos, igrejas em estilo barroco e senhoras de avental podem ser vistos em todo lugar. O Porto é um grande centro comercial. A cidade oferece dezenas de patrimônios tombados pela Unesco - infelizmente nem tão preservados quanto mereciam - e produz um dos vinhos mais famosos do país.

Vale a pena visitar as caves, no Porto e em Nova Vila de Gaia, e conhecer um pouco da fabricação do licoroso vinho “descoberto” pelos ingleses. Antigamente eles levavam os barris de navio para a Inglaterra, mas como a viagem era muito longa o vinho estragava. Na tentativa de preservar a bebida, começaram a adicionar aguardente. A mistura agradou e vem daí o famoso vinho do Porto, até hoje 90% das caves pertencem aos ingleses.

Coimbra é uma das mais antigas cidades universitárias da Europa e preserva as seculares tradições acadêmicas nas capas negras dos estudantes. Além da Universidade, há muito para se ver na cidade. O túmulo da rainha Santa Isabel pode ser visitado no Convento de Santa-Clara-a-Nova. O corpo ainda intacto está num caixão de prata e vidro no alto da nave principal da Igreja. A cinco quilômetros de Coimbra está a cidadezinha Barcouço, no conselho de Mealhada, distrito de Aveiro, onde nasceu meu pai em 1913, e deixou depois de outros 13 anos ao vir definitivamente para o Brasil, se estabelecendo em Alegre, no Espírito Santo.

O centro de peregrinações do país fica em Fátima, local onde Nossa Senhora apareceu a três pastorinhos num local conhecido como “Cova da Iria” em 1917. No local onde Francisco, Jacinta e Lúcia viram Nossa Senhora foi construída a simples Capela das Aparições. Mas existe também uma enorme basílica, onde estão enterrados Francisco e Jacinta, que morreram pouco tempo depois da visão. Lúcia ainda vive e é freira em clausura. A cidade vive do turismo religioso.

Apesar de falarmos o mesmo idioma, o português de Portugal é bastante diferente do nosso, isso sem contar o sotaque, é claro. Ônibus são autocarros, pontos de ônibus são paragens, fila é bicha, pedestres são peões, confeitarias são pastelarias e por aí vai... 

Aliás, a culinária portuguesa é deliciosa e vale a pena provar de tudo, principalmente os bacalhaus. Os portugueses oferecem dezenas de pratos diferentes à base de bacalhau. Por apenas um euro é possível experimentar um Caldo Verde (sopa de batatas com couve e paio) na maioria dos restaurantes, o pastel de Belém (parecido com uma empadinha de creme) é o doce mais tradicional.

Edição: Lena

27 de setembro de 2010

Destino: Óbidos, Portugal

A história é tão bonita quanto o lugar. Óbidos é uma das vilas mais lindas e preservadas de Portugal. Em parte porque a trajetória desta cidadela protegida por uma alta murada de pedra é fortemente ligada à nobreza desde o século XIII, quando o rei Dinis se casou com Isabel de Aragão. Entre os presentes que o monarca deu à mulher estava... a vila de Óbidos inteirinha.

A tradição de ser dote real se estendeu até o século XIX. Essa ligação com os poderosos portugueses ajudou a conservar intacto o casario gracioso, com paredes caiadas e detalhes em azul ou amarelo, cenário típico lusitano. Para tudo ficar ainda mais belo, todas as fachadas são enfeitadas com flores, principalmente gerânios vermelhos e buganvílias roxas.


As construções antigas abrigam tudo o que um turista precisa para fazer  uma viagem prazerosa: há bons restaurantes, cafés, boas lojinhas de artesanato e galerias de arte cheias de charme,  muitas garrafeiras, como os portugueses chamam os lugares que vendem bebidas alcoólicas - entre as especialidades estão os vinhos e a ginjinha, uma espécie de licor feito a partir da ginja, um tipo de cereja selvagem, pequenina e muito saborosa, abundante na região.


Essa pequena e encantadora cidade medieval, localizada a 80 km ao norte de Lisboa é cercada por muralhas do tempo da ocupação dos Mouros e já cativa e o visitante logo ao entrar pelo Portal da Vila, a porta de entrada da cidade. O Portal é uma obra do Século XVII e tem como elementos decorativos azulejos do séc. XVIII e uma capela-oratório, avarandada, de arquitetura singular. Sobre o portal vê-se a inscrição "A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original". Foi construído por ordem do Rei D. João IV como agradecimento pela proteção da Padroeira.

A Rua Direita, assim conhecida desde o século XIV, é a principal da vila de Óbidos e liga o portal ao Paço. Esta pequena e simpática vila foi conquistada por D. Afonso Henriques em 1148 e merece uma visita de algumas horas. Entre suas atrações há um belo castelo, hoje está uma das “Pousadas de Portugal”, e de onde se tem uma bela vista aérea de vinhedos e pomares, vales, outeiros e montes, já que Óbidos fica numa elevação.

A respeito do castelo sabe-se que foi D. Sancho I quem mandou reconstruir a muralha ocidental e construir a torre do facho, que tem algumas alvenarias romanas. No século XVII, este forte já se encontrava em mau estado e piorou significativamente com o terremoto de 1755, ficando parcialmente destruído.


Cada rua ou travessa tem recantos pitorescos e silenciosos nos quais podemos ouvir nossos passos e respiração. É tudo tranquilo e acolhedor, uma atmosfera de harmonia e paz. As casas caiadas de branco com barras coloridas, enfeitadas com flores, janelinhas com cortinas bordadas e rendadas, complementam com perfeição cada sobrado.

Logo ao entrar na cidade , passando o portal, suba na escadaria à sua esquerda, que o levará ao topo da muralha e de onde se tem uma  vista aérea da vila, talvez o ponto mais fotografado dela. Dá para se passear pelas muralhas - são cerca de dois quilômetros – tendo cuidado porque em certos pontos não há qualquer proteção. Cada ponto é um diferente mirante de onde se vêm telhados entremeados por torres e praças.

Não deixe de provar a excepcional bebida local “ginjinha de Óbidos” um delicioso licor típico, ou ao menos entre nesta aqui, epeça ao seu dono, um simpático jovem português, para orgulhosamente mostrar-lhe – emoldurado e exposto em destaque, na parede – um bilhete de Juscelino Kubtschek especial para a casa e para a vila, quando lá esteve. Seja gentil, retribua com um sorriso e tome uma ginginha.

A cidadela é um brinco, uma joia medieval. Só não faça como muitos turistas que visitam Óbidos a partir da capital portuguesa em excursões cansativas combinadas a outras atrações da região. A vila de Óbidos merece, no mínimo, um dia inteiro dedicado a ela. Porque é preciso muita calma para saborear a cidade, seu casario precioso, sua gastronomia, seus vinhos e suas histórias.


Fica relativamente movimentada o ano inteiro, especialmente no verão. E aos que apreciam celebrações religiosas vale saber que um dos períodos mais concorridos é a Semana Santa, quando Óbidos é palco de algumas das mais bonitas procissões em Portugal, com a cidade iluminada por tochas. É bom reservar as pousadas com boa antecedência, para evitar ficar desabrigado.


Infelizmente alguns carros circulam lá dentro, muitas vezes até com velocidade incompatível com o lugar. Talvez esse seja o único defeito de Óbidos - ao lado do excesso de turistas. Mas, ao menos, o fluxo constante de visitantes originou uma boa infraestrutura de restaurantes, pousadas, bares e cafés. Na parte da tarde,  é hora de se dedicar a explorar uma das maiores virtudes de Óbidos: a seleção de bons restaurantes. E apreciar a ginginha típica da região...

9 de junho de 2010

To the Porto




"What is the place of a city,
in the time,
famous by its wine?
What is the meaning of old stones,
from where began new world,
new frontiers, new history?
How taste a good wine?
Where is it?

Guess it.

Come to Porto,
patrimony of the World,
to feel, in the body,
-all that is so natural-
the strength of the old stones;
our open soul,
the soul of Portugal".