23 de novembro de 2012

Não deixe que o estresse te engane: invista no que realmente importa!





Já reparou como o estresse se transformou, nas últimas décadas, em sinônimo de eficiência e sucesso? Parece praticamente impossível pensar em alguém bem-sucedido, com uma vida minimamente interessante e, ao mesmo tempo, tranquilo, relaxado e com tempo suficiente para se dedicar às várias áreas da vida.

Fomos enganados pela interpretação de como o tempo funciona. Quiseram nos convencer de que precisamos viver com pressa, desejando tudo para ontem, para que nos sintamos fazendo a vida realmente valer a pena, fazendo o melhor que podemos. E sabe o que é pior? Conseguiram. A maioria de nós está redondamente enganada!

Não é nada disso e, à custa de doenças como alergias inexplicáveis, crise de enxaquecas e gastrite nervosa, além de distúrbios como ansiedade, obsessão, ataque de estresse e depressão, temos descoberto - talvez ainda de modo bastante inocente - que algo dentro de nós está definitivamente fora de ritmo, fora de sintonia.

Temos negligenciado o que realmente importa sem sequer nos lembrarmos, muitas vezes, do que faz parte do nosso kit "o que realmente importa". Sim, eu sei, temos contas a pagar, aluguel, cartão de crédito, transporte, escola dos filhos, roupas e acessórios que nos inclua no grupo dos socialmente aceitos e admirados, entre tantas outras demandas que, se nos distrairmos, o estresse parece mesmo fazer muito sentido! Parece ser inevitável.

Tudo bem, em alguma medida, tudo isso também importa. Por isso, longe de mim estar aqui para sugerir que nos tornemos algum tipo de eremita, completamente desapegados, ou que adotemos uma postura absolutamente socialista. A questão é: você está consciente do que realmente quer para sua vida ou está simplesmente reproduzindo desejos de outros, indiscriminadamente?


Não deixe que o estresse te engane: invista no que realmente importa!


Conseguiria fazer uma lista com duas colunas colocando de um lado "o que importa" e, de outro, "o que REALMENTE importa"? É uma questão de escolhas, de valores, de reconhecer o que existem coisas que servem para trazer algum conforto e eficiência para seu dia a dia, mas tem coisas, ou melhor, pessoas e relacionamentos que são imprescindíveis, absolutamente partes de sua felicidade e de sua alegria de viver. São o que dão sentido para sua existência.

E quando tiver noção do que lhe é caro e imprescindível, talvez pare para analisar o seu comportamento. Tem voltado para casa sempre cansado, irritado, sem ânimo, nervoso, intolerante e brigando com todo mundo? Tem deixado para depois o momento de ouvir, de abraçar e de dar afeto aos que estão ao seu redor? Tem se negado a rir e se divertir com a pessoa amada? Tem feito amor sem paixão, sem olhar nos olhos e sem realmente amar, com gestos e atitudes?

Tem deixado, enfim, que os problemas e as cobranças do trabalho interfiram direta e negativamente sobre sua vida pessoal, tornando-a uma pessoa amarga, sem brilho e desinteressante? Sei de verdade que não é fácil mudar e fazer diferente, mas leia agora uma realidade nua e crua: se você não cuidar do que realmente importa, vai perder! Vai ficar sem! E daí, talvez seja tarde demais para acordar ou se arrepender!

Além disso, trata-se sobretudo de uma decisão. A decisão de reservar duas ou uma hora que seja por dia para se dedicar aos seus amores (seu par, seus filhos, sua família, suas flores, seus cachorros e gatos, passarinhos, sobrinhos, vizinhos ou quaisquer outras vidas!). Trata-se, por fim, de nos lembrarmos da brilhante assertiva de Leo Buscáglia, autor do livro Vivendo, Amando e Aprendendo: "primeiro as pessoas; depois as coisas".



Rosana Braga

16 de novembro de 2012

Amor não se pede




Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo.
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Mas amor não se pede, imagine só.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não.
Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.
É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos.
Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto.
Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta.
Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar.Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia.
Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta.
Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa.
É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado.
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar.
É triste lembrar como eu ria com ele.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Ele sabe, ele sabe.


Tati Bernardi


14 de novembro de 2012

Vítima...




Tenho notado como a vítima se manifesta às vezes tão sutilmente que nem percebemos que em alguns pontos estamos paralisados nessa incômoda posição. E foi num dia em que percebi em mim um desses pontos. Quando chegou a noite, na hora de deitar, peguei um livro da Debbie Ford e resolvi abrir em uma página qualquer e para minha surpresa o assunto era sobre a vítima.

"Para alguns de nós, ser infeliz é melhor do que perdoar e iniciar uma mudança positiva na vida. Resistimos a soltar nossa dor porque não queremos desistir do rótulo de vítima. Para muitos de nós essa é a última tábua de salvação..."

Estar na posição de vítima nos paralisa porque ficamos esperando que o outro, um parente, um amigo, um namorado, uma empresa, o destino, tome alguma atitude para corrigir o erro que nos vitimou. Acreditamos que naquele ponto somos vítimas e que não podemos fazer nada, ou melhor até fazemos, mas o que fazemos só nos prende cada vez mais nessa posição, o que a vítima mais gosta de fazer é reclamar e reclamar e reclamar...

E fazemos isso sem nem perceber, quando, contamos aos outros que as coisas não dão certo, que fulano é injusto conosco como mais uma vez fomos prejudicados nisso ou naquilo e vamos aumentando nosso repertório de queixas e quanto mais nos queixamos, mais motivos aparecem para nos queixarmos.

Existem situações onde é bem fácil perceber que estamos nessa posição, mas existem outras que são sutis que nem nos damos conta o quanto estamos nos sabotando para manter a vítima viva em nós.

Se as coisas derem certo deixamos de ser vítimas e, por mais absurdo que possa nos parecer, lá no fundo, muitas vezes preferimos que as coisas não se resolvam.

Um dia estava triste com uma pessoa por uma coisa que ela fez que julguei extremamente injusta comigo e que já acontecera outras vezes. Depois de falar o que eu sentia para essa pessoa, sem que ela admitisse que aquilo era injusto, eu estava quieta e triste, quando ela chega e me pede perdão reconhecendo que estava mesmo sendo muito injusta naquela situação.

Por um momento percebi uma parte minha ficando decepcionada, foi por um lapso de segundo, mas pude perceber claramente como em mim havia uma parte que não queria resolver o problema e que preferia ficar como vítima.

Ainda bem que a maior parte, pelo menos aparentemente, não pensava assim e aliviada e feliz abracei essa pessoa agradecida. E confesso que eu que não apreciava muito esse papel de "vítima" e de "coitadinho de mim" fiquei mesmo surpresa ao me deparar depois, com alguns pontos onde me sentia assim.

A partir daí ficou mais fácil; comecei a observar onde as coisas não estavam dando certo na minha vida e era batata, lá estava a vítima bem escondidinha, impedindo de resolver problemas que as vezes se arrastam por muito tempo.

Ser vítima nos torna o centro das atenções e muitas vezes nossa carência nos leva a preferir ficar na piedade do que nos arriscar a sair desse terreno estagnado mas, conhecido, e nos lançar com coragem em territórios onde as coisas podem dar certo e onde podemos compartilhar amor e não pena...

Qualquer coisa é uma desculpa para a vítima em nós desistir dos seus sonhos e cada vez que as coisas não dão certo mais alimentamos essa parte em nós. E está sendo uma experiência rica e reveladora percorrer esses caminhos em busca de me tornar uma pessoa mais livre.

Uma coisa muito boa é a gente se observar quando perceber que está começando a escorregar para a vítima, diante da primeira reclamação... Mude a sintonia e procure, na sua realidade, motivos que você tem para agradecer e, ao invés de reclamar, agradeça!

Se parecer muito difícil encontrar esses motivos,agradeça por estar viva, respirando, pelo que em seu corpo funciona perfeitamente e logo mais motivos aparecerão para você ser grata!

Afinal, o universo nos dá sempre mais daquilo em que estamos colocando nosso foco. Assim como a energia da reclamação é altamente destrutiva e nos afasta da felicidade, a energia da gratidão é altamente amorosa e um caminho certo para ser feliz!



Rubia A. Dantés

13 de novembro de 2012

Por que você ama quem você ama?





O memorável Carlos Drummond de Andrade, um de nossos poetas mais conhecidos, certa vez escreveu que "existem muitas razões para não se amar uma pessoa, mas apenas uma para amá-la". No sentindo mais poético e eloquente da questão, é muito provável que a afirmação dele esteja correta! Entretanto, estamos longe de saber amar somente com poesia e eloquência e, assim, buscamos incansavelmente as razões.

Assim, começo essa reflexão propondo que você responda a seguinte pergunta: quais são as razões do seu coração? Ou melhor, quando você olha pra essa pessoa que diz amar, como completaria a frase "eu a amo porque..."? O que faz com que essa pessoa se torne, ao seu coração e de acordo com os seus valores, digna de ser amada?

Posso apostar que, enquanto apaixonados, preencher essa frase com muitos e muitos motivos é, além de fácil, um enorme prazer. Porém, conforme vocês se deparam com o aspecto humano nu e cru um do outro, conforme se vêem diante da navalha da convivência e da cobrança da realidade, as idealizações vão desmoronando uma a uma, até ficar evidente também o que existe de mais apático e sem cor em cada um! Daí, então, completar a frase com apenas uma razão que seja, pode se tornar um árduo, sufocante e doloroso desafio.

Eu estaria sendo absurdamente injusta se deixasse os crentes no amor acreditarem que o tempo desfaz as máscaras das mais belas qualidades que o outro tem quando nos apaixonamos por ele. Não, não é isso! Primeiro, porque não se tratam de máscaras. O outro é mesmo dono de cada uma dessas preciosidades. E depois, porque o tempo não é exatamente o responsável por torná-lo vulnerável e pálido no palco da conquista e da sedução.

Mais do que o desenrolar da vida, que insiste em evidenciar e até intensificar nossos medos, inseguranças e aqueles incômodos sentimentos inerentes às relações amorosas, como ciúme, possessividade e crenças sobre homens, mulheres e relacionamentos, é a maneira como adubamos -ou deixamos de adubar- esse solo em que cresce nosso amor, que vai nos tornar fortes, robustos e amadurecidos ou... anêmicos, fragilizados e imaturos!

Portanto, para que você esteja com as razões na ponta da língua quando tiver de responder, seja para si ou para quem quer que seja, sobre por que você ama quem você ama, só tem um jeito: treinando, exercitando o reconhecimento, ou melhor, elogiando essa pessoa que você escolheu para se relacionar!

O elogio é altamente poderoso, afrodisíaco, consistente e benéfico. Cura desconfianças infundadas, fortalece a autoestima, reforça os laços de cumplicidade e intimidade, alimenta o desejo e solidifica a mútua admiração. Portanto, se você consegue enxergar as qualidades do seu amor sem nenhum esforço, aproveite para começar a contar a ele, pelo menos uma vez por dia, sobre alguma das razões pelas quais você o ama. Mas se sua relação estiver desgastada, desbotada e murcha, então, você terá de se esforçar. Mais do que depressa, comece a relembrar das razões que fizeram você se apaixonar por essa pessoa e declare-as o maior número de vezes possível.

Diga algo como "amo você porque você é uma pessoa carinhosa e atenciosa comigo", e ponto final. Sem mais delongas. Mas faça isso por vários dias seguidos, sem previsão de parar. E se essa pessoa não estiver sendo o que você está dizendo que ela é, certamente vai, em breve, sentir-se motivado a fazer por merecer cada um de seus elogios.

Sim! Porque somos motivados pelo reconhecimento de nossas atitudes. Mas, infelizmente, fomos pesadamente treinados para reconhecer o que o outro fez e faz de errado, de ruim, que nos magoa. Mas nos esquecemos de reconhecer e até de agradecer pelo que ele fez e faz de certo, bom e que nos agrada.

E assim, desnutridos, sem força e desmotivados, os amores vão morrendo sem que a gente se dê conta dos motivos. E tudo poderia ser tão diferente se nos respondêssemos mais vezes - e contássemos isso ao outro - sobre as razões pelas quais ele é tão digno de ser amado!



Rosana Braga