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4 de dezembro de 2010

Entendendo o Kama Sutra



Geralmente conhecido no mundo ocidental, o Kama Sutra é um antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, amplamente considerado o trabalho definitivo sobre amor na literatura sânscrita. Kama é a literatura do desejo. Já o Sutra é o discurso de uma série de aforismos. Sutra foi um termo padrão para um texto técnico.

1. É um manual de sexo?

Muito mais que um guia com 529 posições sexuais, a obra é um compêndio de etiqueta para uso dos nobres, baseado em preceitos sagrados hindus. O Kama Sutra aborda diversos aspectos da vida cotidiana: como encontrar o par ideal, se relacionar com outras pessoas, cuidar da casa e obter sucesso. Segundo a mitologia hindu, o homem atinge sua plenitude quando pratica o dharma (virtude religiosa), o artha (riqueza mundana) e o kama (o amor). Kama sutra, em sânscrito, significa "dissertação sobre o amor".

2. Quem o escreveu?

Foi Mallanaga Vatsyayana, teólogo hindu dos séculos 3 e 4. Ele passou 20 anos compilando 79 textos eróticos da Antiguidade (alguns, escritos 1 000 anos antes e já trabalhados por outros sábios). De inédito mesmo, apenas seus comentários pessoais. Apesar de afirmar que testou todas as posições citadas na obra, historiadores especulam que Vatsyayana não era casado e morreu enclausurado num convento.

3. Como ele se tornou popular?

Em 1883, o britânico Richard Burton (1828-1890), o mesmo que traduziu As Mil e Uma Noites, trouxe a obra para o Ocidente. Ela caiu nas graças do público masculino porque, na tradução, Burton selecionou só os trechos mais picantes. A tradução completa foi concluída apenas há 14 anos, pelo francês Alain Daniélou.

Bruno Vieira Feijó

24 de outubro de 2010

Os lugares incríveis do filme "Comer, Rezar, Amar"



Você já assistiu ao filme Comer, Rezar, Amar, - com a sempre bela Julia Roberts? O longa conta a história da nova- iorquina Liz Gilbert, interpretada por Roberts, que decide viver intensamente sua vida, aproveitando algumas maravilhas que o mundo pode oferecer.

Confusa com o quer da vida, Liz inicia uma jornada ao redor do mundo em busca de autoconhecimento. Se você quer viver intensamente, assim como a heroína do cinema, saiba que já existem roteiros baseados na trama e que podem te fazer comer, rezar e amar com muito mais intensidade.

Comer

Uma boa viagem começa com experiências marcantes. A primeira parada pode ser Roma, onde você pode passar noites inesquecíveis na capital italiana e saborear uma das melhores gastronomias do mundo. A dica de hospedagem é no Hotel de Russie, localizado no coração de Roma, e bem próximo a pontos turísticos como a Via Condotti e a Capela Sistina.

Para aguçar o paladar, tente visitar o Piazza Navona e a Fonte de Trevi que ficam próximos ao próprio hotel. Para o jantar, a dica especial é a Taverna Trilussa, onde é possível provar pratos originais da cidade, como o rigatoni all' amatriciana e o spaghetti a carbonara.

Se você quer variar o cardápio, o La Rosetta é especializado em frutos do mar frescos com o melhor do sabor da Itália mediterrânea. Para tomar um bom vinho, o local indicado é o Agata e Romeo. É claro, não deixe de saborear a sobremesa da gelateria Palazzo del Freddo, inaugurada em 1880 e tradicional pelos gelatos mais deliciosos da região.

Rezar

Após degustar estas delícias gastronômicas, é chegada a hora de cuidar do lado espiritual. Prepare-se para viver dias inesquecíveis aos pés do Himalaia.

Um dos hotéis mais belos do país é o Ananda in the Himalayas. O hotel oferece seções de yoga, meditação, terapia anti-setresse, reflexologia e aromaterapia. Como todos estes serviços e uma vista deslumbrante, é impossível não relaxar.

Amar

Com corpo e alma em equilíbrio, chegou a hora de dar voz ao coração. O local escolhido para viver um intenso clima de romance é Bali, um paraíso natural localizado na Indonésia. O contato com a natureza exuberante vai te deixar mais propenso ao amor, seja pelo companheiro ou a si próprio.

Se você quer sentir de verdade o prazer de comer, rezar e amar, é melhor preparar as malas e... boa viagem!


Fábio Santos

22 de julho de 2010

O cavalo de madeira indiano



Era uma vez, na Pérsia, um rei bom e justo, mas muito curioso!



Um dia um nobre indiano apareceu-lhe numa festa com um cavalo de madeira. "Majestade", disse-lhe, "esta é a invenção mais extraordinária de todos os tempos!"



"O que é?", perguntou o rei, curiosíssimo.



"Um cavalo mágico capaz de o transportar para onde quiser num instante!"



"E o que queres em troca?", perguntou-lhe o rei, cada vez mais curioso.



"Quero casar com a tua filha!", respondeu-lhe o indiano. O rei ficou sem saber o que dizer, mas o seu filho Firouz ficou bastante irritado.



"Como te atreves!", gritou. "A minha irmã vale muito mais do que um cavalo!"



O nobre indiano insistiu. "Experimenta tu mesmo e descobrirás o seu valor!"



O príncipe Firouz montou o cavalo e desapareceu por entre as nuvens.



O rei da Pérsia vendo-o desaparecer, teve medo de nunca mais o voltar a ver. Furioso, chamou os guardas e ordenou: "Metam o indiano na prisão! Se o meu filho não voltar são e salvo, cortem-lhe a cabeça!"



Montado no cavalo, o príncipe Firouz voou pelo mundo inteiro. Por mero acaso, resolveu parar no palácio real de Bengala. Entrou e descobriu um quarto onde dormia uma bela princesa.



Pé ante pé, o príncipe aproximou-se e resolveu despertá-la. "Sou o filho do rei da Pérsia", sussurou-lhe, "Cheguei até aqui num cavalo encantado. Se quiseres posso contar-te a minha história!"



Fascinada com a beleza do jovem, a princesa ouviu-o com atenção. Depois, conversa atrás de conversa, acabaram por se apaixonar e decidiram regressar à Pérsia para casarem o mais depressa possível.



Saíram no cavalo encantado e num instante chegaram a casa.



O rei ficou muito feliz por voltar a ver o filho e mandou logo libertar o indiano. O indiano, porém, estava muito ofendido e queria vingar-se. Assim, naquela mesma noite, raptou a princesa de Bengala e fugiu com ela no seu cavalo mágico.



Quando viu que a sua amada tinha desaparecido, Firouz procurou-a por terra e por mar, até que um dia um viajante lhe disse: "Ouvi falar de uma princesa prisioneira de um indiano. A pobrezinha faz-se de louca para não ter de casar com ele."



O príncipe percebeu que se tratava da sua princesa, e logo inventou um plano para enganar o indiano. Disfarçou-se de velho e foi ter com ele: "Escuta, eu sou médico e sei como curar a tua noiva!"



"Sabes curá-la? Então diz-me como vais fazer!", exclamou o indiano.



"Traz-me o cavalo encantado e a princesa."



O indiano obedeceu e trouxe à presença do rapaz a jovem e o cavalo.



Firouz abriu então um frasco de perfume de onde saiu um fumo branco muito denso. Escondidos pela névoa, os príncipes conseguiram fugir montados no cavalo encantado, que os levou de novo à Pérsia.



Mas desta vez tudo correu bem! Firouz casou-se com a princesa de Bengala e partiu para uma viagem de lua-de-mel inesquecível!


Postei esta fábula para celebrar a união de 
minha adorável princesa com seu maravilhoso príncipe e
que o cavalinho encantado de madeira que eles possuem,
leve os meus queridos, sempre,  
pra onde existir  a felicidade! 
 
Do livro "Fábulas maravilhosas", Porto Editora.

O terceiro sexo


Hijdras, nem homens nem mulheres, como se diz na Índia: o terceiro sexo! Elas são castradas no templo, em meio a uma cerimônia presidida por um sacerdote, num ritual bem primitivo mesmo. Os nascidos hemafroditas são geralmente entregues a elas.

As hijdras formam uma casta, tem templos, deuses próprios e o poder de abençoar ou amaldiçoar. Por isso são bem-vindas nos casamentos e batizados. Costumam invadir esses festejos em bandos, cantando, dançando, e depois pedindo dinheiro aos convidados. Negar é um perigo: maldição de hijdra pega! Sabe-se que elas tem sido usadas até por empresas estrangeiras para fazer cobranças: quem teria coragem de se negar a pagar o que uma hijdra cobra?

Entre os inúmeros livros que existem sobre a Índia, a respeito desse fascinante tema, um é muito especial: conta a história dolorosa de Mona Ahmed, uma das mais famosas hijdras de Delhi. O livro é composto pelos e-mails que ele escreveu para a fotógrafa Dayanita Singh, que durante 13 anos acompanhou sua vida, fotografando, através dele, o universo das hijdras. Ahmed estabeleceu com a fotógrafa um sólido laço de amizade e confiança, e o título do livro é retirado da maneira como assina esses e-mails: “myself, Mona Ahmed”.

“Não somos homens tentando ser mulheres: somos o terceiro sexo”, diz Ahmed em um desses e-mails, sobre a sua condição. Ahmed estudou nos melhores colégios, nasceu de família rica, único menino entre muitas irmãs, o preferido do pai, aquele que deveria sucedê-lo à frente dos negócios.Cedo descobriu que não se identificava com os meninos, e na adolescência, depois das turbulências familiares, provocadas pelo pela impossibilidade do pai de corrigir suas maneiras femininas, é expulso de casa e acaba juntando-se às hijdras.

Seu guru lhe entrega uma recém-nascida órfã, e ele dedica-se a ela como verdadeira mãe. O livro é recheado de fotografias que registram as festas de aniversário de Ayesha, os momentos de vida em família.

Alguns anos depois, o guru considera que o ambiente de Ahmed é prejudicial à menina e leva embora da Índia, nunca mais permitindo que ele a veja. Ahmed fechou-se em luto: viveu seus últimos anos em absoluta solidão, morando num cemitério em New Delhi.

Cabe explicar a figura do guru: ele é o dirigente do grupo, o responsável pelo gerenciamento do dinheiro que arrecadam, o que dirige as cerimônias e os rituais de castração.