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2 de junho de 2013

Você sempre quer o que não pode ter?




Conhece alguém que só se interessa por quem não está disponível? E você, é do tipo que quando o outro corresponde às suas investidas, tem a sensação de que perde a graça e não quer mais? É triste, mas existem muitas pessoas que se alimentam de dificuldades e obstáculos.

Chega ao cúmulo de, algumas delas - claro que sem se darem conta - sentirem-se atraídas somente por relacionamentos proibidos ou extremamente complicados, geralmente envolvendo uma terceira pessoa - o famoso triângulo amoroso.

O interessante é que a terceira pessoa parece funcionar como um motivador, alguém que desperta a competitividade e reforça a crença de que amor tem a ver com brigas, disputas, conflitos, sofrimento e dor. Como se sentimentos de paz, tranquilidade, confiança e respeito fossem "mornos" demais para sustentar um relacionamento intenso e profundo.

Sim, é verdade que os filmes, as novelas e os romances mais atraentes são sustentados pelos conflitos e pelas dificuldades, mas esta narrativa não precisa ser a sua, esse enredo não precisa ser a sua única realidade. Pode servir para alimentar fantasias e ensinar a domar nossos "bichos". Mas não pode servir para nos convencer de que é assim que o amor tem de ser. Não tem!

O fato é que esse tipo de relação sobrevive de uma dinâmica altamente perigosa. Trata-se de uma grande e invisível armadilha que a pessoa monta para si mesma. E quando vê, lá está ela, dentro do buraco novamente. Decepcionada, frustrada e abandonada mais uma vez!

E se ao menos aprendesse com isso, fazendo a partir de então escolhas mais coerentes, tendo comportamentos menos impulsivos e compreendendo o amor como fonte de prazer e construção, aprendizado e evolução, tudo bem! Mas, não! Em geral, pessoas assim estão viciadas na adrenalina decorrente deste jeito distorcido e equivocado de amar.

Feito cachorro que corre atrás do rabo enlouquecidamente sem nunca alcançá-lo, tais pessoas vivem desesperadamente em busca de um amor que nunca conseguirão viver, a menos que ganhem consciência desse funcionamento interno e façam um trabalho de autoconhecimento para, enfim, abrir espaço para um encontro de dois que realmente se desejam, um amor de troca e criatividade.

Portanto, se você costuma se apaixonar por pessoas casadas ou, ao contrário, que não querem se comprometer de forma alguma, fique atento! E se essa "impossibilidade" faz com que você se sinta ainda mais apaixonado e disposto a fazer qualquer coisa para conseguir o que deseja, então, a arapuca, muito provavelmente, já está armada - e por você mesmo!

O exercício da conquista é uma delícia e vale a pena ser praticado - não apenas no início da relação, mas todo o tempo. Afinal, quem ama cuida e não existe "jogo ganho". Diz o sábio ditado que "quem não dá assistência, perde para a concorrência". Mas que este exercício seja pautado pelo amor-próprio e pela certeza de que o resultado da brincadeira tem de ser bem mais prazeroso do que doloroso. Bem mais de ganhos e medalhas do que perdas e migalhas.








Rosana Braga

10 de dezembro de 2012

O poder do agora




 
Esse é um título de um livro escrito por Eckhart Tolle. O que o autor explica, com maestria, são os mecanismos que operam na nossa mente e que nos causam sofrimento, fazendo-nos perder o foco no momento presente e fortalecendo o ego. São coisas que fazemos automaticamente, sem nos darmos conta, devido a um condicionamento que vem de muitas gerações. A compreensão desses mecanismos nos leva à possibilidade de uma grande libertação.

Uma das coisas que a nossa mente faz é focar sempre na próxima atividade. Parece que existe um programa mental que diz "o próximo momento é mais importante do que esse; ou ainda, no próximo momento quando atingir tal coisa eu vou ser mais feliz do que agora".

Isso nos traz inquietação, ansiedade e pressa muitas vezes. Enquanto realizamos cada tarefa, nossa mente já está pensando na próxima. Nem sempre isso é claro. Quando estamos com pressa, é um sinal óbvio de que consciente ou inconscientemente estamos executando uma tarefa agora já entrando mentalmente na próxima. Desejamos que acabe logo o que estamos fazendo nesse momento para que venha o próximo momento. E quando este chegar, o mecanismo ainda estará ativado em nós "o próximo momento é melhor, mais importante e eu tenho que chegar lá..."

Está sentindo pressa ao ler esse texto? Vontade de saber logo todo o conteúdo?

A música pode ter esse poder de tirar a nossa mente do futuro e do foco nos milhões de pensamentos que surgem e ficar no agora. Ao ligar o som do carro e ouvir uma boa música, é possível que você se sinta mais tranquilo e relaxado. É porque agora sua mente está focada nas impressões que a música causa nos seus sentidos e deixou de ficar presa aos próprios pensamentos. Isso traz um grande alívio. Mas mesmo com uma ótima música tocando, é possível que sua mente fuja e comece de novo a focar nos próprios pensamentos. É preciso ficar atento e voltar para a música. É como se fosse um exercício de meditação.

A preocupação também é a manifestação desse mecanismo mental. Pode acontecer enquanto estamos no conforto do nosso lar, deitados na cama. Pensamentos invadem a nossa mente com as coisas que temos para resolver. Surge, então, sentimentos desagradáveis. Estamos em uma cama confortável, mas nossa mente está em um lugar de medo e preocupação. Nosso corpo responde sentindo as emoções. Obviamente, é inútil ficar pensando nessas coisas, é hora de dormir e descansar.

Isso acontece de forma involuntária. É importante que perceber o processo acontecendo para voltar a nossa atenção para o momento presente. E não adianta brigar com os pensamentos que surgem. Se fizermos isso, criamos mais estresse. O que podemos fazer é voltar atenção para o momento presente, para sensação da cama, para a respiração, temperatura do ambiente, para todo o conforto ao nosso redor. Assim, possivelmente ficaremos mais tranquilos e deixaremos para resolver as situações quando chegar o momento, aproveitando melhor o descanso.

A mente também pode viajar no passado e ficar remoendo o que não deu certo, o que deveríamos ter feito e não fizemos, o que nos disseram etc. Não muda em nada o que aconteceu; apenas gera sofrimento. Isso também faz parte do mecanismo de sair do "agora", só que, nesse caso, a fuga é para pensamentos que remetem ao passado.

A procrastinação, ou seja, o hábito de ficar adiando as coisas que temos que fazer, também tem como uma das causas fundamentais a falta de foco no momento presente. Ao pensarmos em realizar uma tarefa qualquer, nossa mente pode trazer um turbilhão de pensamentos porque ela pensa em tudo que é preciso fazer, de uma só vez.

Mas cada tarefa, por maior que seja e por mais complicada que possa parecer, consiste de um passo de cada vez. E cada passo é mais do que simples. Pensar em tudo ao mesmo tempo nos deixa estressados. Se focarmos apenas em cada passo por vez, realizaremos a mesma coisa, com muito mais tranquilidade e eficiência.

Todos esses mecanismos são simples de entender. Só que estamos tão envolvidos e identificados com eles que fica difícil de enxergar. É preciso que alguém nos mostre o que ocorre para que possamos despertar. E só depois desse despertar é que é possível se libertar desse sofrimento. Eckhart Tolle explica tudo isso, com grande simplicidade e maestria, no livro "O poder do Agora". Recomendo bastante!



André Lima 
 
 

27 de outubro de 2012

Ansiedade: um aviso que não pode ser ignorado




Ansiedade: "Comoção aflitiva de quem receia que uma coisa suceda ou não, sofrimento de quem espera, impaciência, desejo veemente, sofreguidão" - Dicionário Aurélio.

A ansiedade é um processo natural a todo ser humano. Mesmo as emoções, consideradas por nós como negativas, tem um propósito na existência humana. Servindo como um sinal de alerta para a mente, ela avisa ao corpo que é o momento de fabricar energia; funciona como ferramenta psicológica de motivação para a realização de uma ação futura.

Porém, o chamado estado nervoso é ansiedade em excesso e pode prejudicar o senso de realidade e a saúde. Insônia, dor de estômago e o famoso "deu branco na hora H", são sintomas de uma condição de preocupação intensa, diminuindo nossa capacidade de realização na vida.

Quando a energia produzida pela ansiedade não é utilizada na realização de uma ação, o desequilíbrio se instala. A pessoa passa a viver apenas na mente, na tentativa de controlar o futuro em pensamento e perde o contato com a realidade presente.

A energia criada pelo sinal dado através da ansiedade existe e precisa ser gasta em alguma ação. A mente procura regular esse desequilíbrio e é obrigada a criar válvulas artificiais de escape para drenar o excesso de energia acumulada. A mais comum delas é a ação de comer compulsivamente. Vícios e distúrbios psicológicos compulsivos estão intimamente ligados ao excesso de ansiedade; são formas de dar vazão a esse desequilíbrio energético.

O nível de frustração da pessoa ansiosa é muito grande. Vivendo no vir a ser, sem nenhuma realização, ela corre um enorme risco de entrar em um processo depressivo. Nosso cérebro funciona como um computador, nossos pensamentos criam circuitos mentais, os quais podem ser saudáveis ou destrutivos. Os circuitos mentais podem ser considerados como o software padrão do computador, lembrando que somos nós os programadores deste sistema.

Nossas crenças e paradigmas dão significado às interpretações das situações da vida. Nossa forma de encarar os desafios da vida é que define a qualidade positiva ou negativa desses circuitos mentais. Assim, alimentar circuitos cerebrais negativos, com preocupações desnecessárias, tem um alto preço físico e mental, além de aumentar as chances de fracasso pessoal.

Identificar a causa da ansiedade em excesso é a única solução de cura do paciente, os ansiolíticos não devem ser usados eternamente. A terapia aliada ao uso de medicamentos é necessária para a solução do problema da ansiedade.

O autoconhecimento exige mais trabalho que tomar remédios. Porém, conhecer a si mesmo traz discernimento, firmeza e liberdade. Tomar medicamentos gera ilusão, dependência e prejuízos diversos. Quando o usuário pára com os remédios, a ansiedade volta e os problemas na vida da pessoa também reaparecem.

O ansioso tem o medo como crença inconsciente, por isso tenta ilusoriamente controlar o futuro, fica maquinando em pensamentos um "plano" de defesa para se proteger desse futuro perigoso, mas sem uma ação eficaz. Alimenta circuitos mentais negativos trazendo exaustão física e mental para o presente.

Os medos podem ser de vários tipos: medo de si mesmo, de duvidar da própria capacidade de realização, da opinião dos outros, de ser inadequado, de decepcionar a expectativa alheia; medo de deixar o passado já conhecido para trás e de explorar novas oportunidades futuras. Apenas o autoconhecimento é que pode mostrar qual é o medo inconsciente causador do excesso de ansiedade.

Ser realista é assumir que a minha postura, conhecimentos e atitudes de hoje, influem no meu sucesso de amanhã. É aceitar em paz o meu limite de não poder controlar o futuro. Sou capaz de lidar bem com qualquer situação, quando faço o meu melhor hoje. Eu não ajo pelo medo e, sim, somente pelo bom senso, fico em paz comigo e com a vida. Eu sou responsável pelo que penso, pelo que sinto e pelo que faço! O futuro a "Deus" pertence; não controlo a vida ou os outros. Mas, Deus ajuda a quem se ajuda, só é livre quem controla a si mesmo.



Gisela Luiza Campiglia 
 
 
 
 

25 de outubro de 2012

Não deixe que o estresse te engane: invista no que realmente importa!





Já reparou como o estresse se transformou, nas últimas décadas, em sinônimo de eficiência e sucesso? Parece praticamente impossível pensar em alguém bem-sucedido, com uma vida minimamente interessante e, ao mesmo tempo, tranquilo, relaxado e com tempo suficiente para se dedicar às várias áreas da vida.

Fomos enganados pela interpretação de como o tempo funciona. Quiseram nos convencer de que precisamos viver com pressa, desejando tudo para ontem, para que nos sintamos fazendo a vida realmente valer a pena, fazendo o melhor que podemos. E sabe o que é pior? Conseguiram. A maioria de nós está redondamente enganada!

Não é nada disso e, à custa de doenças como alergias inexplicáveis, crise de enxaquecas e gastrite nervosa, além de distúrbios como ansiedade, obsessão, ataque de estresse e depressão, temos descoberto - talvez ainda de modo bastante inocente - que algo dentro de nós está definitivamente fora de ritmo, fora de sintonia.

Temos negligenciado o que realmente importa sem sequer nos lembrarmos, muitas vezes, do que faz parte do nosso kit "o que realmente importa". Sim, eu sei, temos contas a pagar, aluguel, cartão de crédito, transporte, escola dos filhos, roupas e acessórios que nos inclua no grupo dos socialmente aceitos e admirados, entre tantas outras demandas que, se nos distrairmos, o estresse parece mesmo fazer muito sentido! Parece ser inevitável.

Tudo bem, em alguma medida, tudo isso também importa. Por isso, longe de mim estar aqui para sugerir que nos tornemos algum tipo de eremita, completamente desapegados, ou que adotemos uma postura absolutamente socialista. A questão é: você está consciente do que realmente quer para sua vida ou está simplesmente reproduzindo desejos de outros, indiscriminadamente?

Conseguiria fazer uma lista com duas colunas colocando de um lado "o que importa" e, de outro, "o que REALMENTE importa"? É uma questão de escolhas, de valores, de reconhecer o que existem coisas que servem para trazer algum conforto e eficiência para seu dia a dia, mas tem coisas, ou melhor, pessoas e relacionamentos que são imprescindíveis, absolutamente partes de sua felicidade e de sua alegria de viver. São o que dão sentido para sua existência.

E quando tiver noção do que lhe é caro e imprescindível, talvez pare para analisar o seu comportamento. Tem voltado para casa sempre cansado, irritado, sem ânimo, nervoso, intolerante e brigando com todo mundo? Tem deixado para depois o momento de ouvir, de abraçar e de dar afeto aos que estão ao seu redor? Tem se negado a rir e se divertir com a pessoa amada? Tem feito amor sem paixão, sem olhar nos olhos e sem realmente amar, com gestos e atitudes?

Tem deixado, enfim, que os problemas e as cobranças do trabalho interfiram direta e negativamente sobre sua vida pessoal, tornando-a uma pessoa amarga, sem brilho e desinteressante? Sei de verdade que não é fácil mudar e fazer diferente, mas leia agora uma realidade nua e crua: se você não cuidar do que realmente importa, vai perder! Vai ficar sem! E daí, talvez seja tarde demais para acordar ou se arrepender!

Além disso, trata-se sobretudo de uma decisão. A decisão de reservar duas ou uma hora que seja por dia para se dedicar aos seus amores (seu par, seus filhos, sua família, suas flores, seus cachorros e gatos, passarinhos, sobrinhos, vizinhos ou quaisquer outras vidas!). Trata-se, por fim, de nos lembrarmos da brilhante assertiva de Leo Buscáglia, autor do livro Vivendo, Amando e Aprendendo: "primeiro as pessoas; depois as coisas".



Rosana Braga



10 de setembro de 2012

O que você quer levar dessa vida?


Os ponteiros acusam: a hora escorre pelos dedos. A terra gira mais rápido. As folhinhas do calendário viram depressa demais. Quando percebemos, no meio do caos que nos rodeia, estamos no meio de um plano inacabado, com a ansiedade no colo (e uma lista interminável de insatisfação nas mãos). O resultado? Ansiedade! E uma aflição no peito que não nos deixa parar...

Queremos ser mais rápidos. Mais produtivos. Mais felizes. Mais jovens. Mais conectados. Queremos ser mais sempre.

A verdade é que não há nada de errado em se aperfeiçoar, muito menos em querer ser melhor. A vontade vira problema quando nos tornamos vítimas da nossa própria pressa. E a ansiedade, ao invés de mola, se torna fardo diário na vida da gente. Estou errada? Creio que não. Tudo ficou fast, gostando ou não do termo. O novo se torna obsoleto em questão de meses. Surgem versões atrás de versões, upgrades diários, tanta novidade que a memória não consegue lembrar o número do nosso próprio telefone.

E a gente passa a vida correndo. Calculando. Somando. Tentando... Esquecendo que, no fundo, a vida é um grande clichê e as coisas que realmente fazem diferença são muito simples.

Vejam meu próprio exemplo: há anos atrás, conheci um vendedor de picolé na praia, enquanto ele fazia seu habitual trajeto de venda. O dia estava lindo, o mar tinha uma cor verde-esmeralda incrível e ele perguntou, bem de repente, enquanto eu admirava a paisagem: menina, no fim, o que a gente leva dessa vida? Fiquei sem saber o que responder, afinal não estava preparada para uma pergunta daquelas. E ele mesmo se solucionou, com aquele ar de quem está apenas pensando alto: é, a gente só leva lembranças...

Pronto! Dez anos de terapias poupados. Não quero levar dessa vida uma lembrança que inclui cara feia, trânsito infernal, buzina, palavrão, correria e uma pressa desvairada. Não, não quero. Não quero faltar aniversários, encontros com amigos, esquecer abraços, me faltar como pessoa por pura falta de tempo. Quero levar, como lembranças, todas as coisas simples que eu considero essenciais: amores. Risos. Beijos. Abraços. Alegrias. Realizações. Palavras. E aquele sentimento de que não vivemos e, sim, desfrutamos a vida. É. Para desfrutar, não existe pressa. 
 
 
 
Fernanda Mello
 
 
 

22 de agosto de 2012

A ansiedade pode afastar um grande amor!




Minha intenção não é convencer ninguém de que seja possível acabar totalmente com a ansiedade. Mesmo porque, esse sentimento brota de outro, absolutamente positivo, que é a ânsia: ânsia de viver, de amar, de ser feliz, de desfrutar todas as possibilidades maravilhosas que a vida nos reserva. Enfim, ânsia em ser!!! Sem ânsia, nada se transforma, nada amadurece, nada nasce. É a ânsia que nos impulsiona para o novo, para as mudanças, para as grandes e certeiras conquistas.

O que sugiro, no entanto, é que você conheça tão bem a atuação de sua ansiedade que possa, na medida do possível, perceber em que momento ela deixa de ser saudável para atuar em razão de uma provável carência ou de um forte sentimento de insegurança. Pois, no momento em que ela transcende o desejo de viver para se tornar um agilizador dos acontecimentos, você pode estragar tudo! Ou melhor, pode assustar as pessoas, fazer com que elas se sintam devoradas por sua pressa e fujam, mesmo que inconscientemente.

Devemos nos lembrar que todas as situações da vida requerem um tempo próprio, uma evolução, um crescente. Quando tentamos empurrar o rio, podemos provocar acidentes, machucar as pessoas e, principalmente, nos machucar. Simplesmente porque não fomos capazes de esperar, de respeitar o tempo natural da vida e das pessoas.

Mesmo que, num primeiro momento, sua ajudinha pareça estar rendendo bons resultados, saiba que, mais adiante, a própria vida se encarregará de impor o seu ritmo e o que estiver fora, voltará para ele, causando sensações ruins, desentendimentos, desilusões e mágoas.

Além disso, a ansiedade não atrapalha a vida da gente somente quando o assunto é paixão. Ela pode colocar a perder muitas outras oportunidades. No trabalho, por exemplo, se nos deixarmos invadir por esse sentimento, podemos atropelar as etapas, prejudicar os colegas e até cometer grandes equívocos vislumbrando um aumento ou uma promoção.

Do mesmo modo, numa relação afetiva, ou diante da possibilidade de iniciarmos uma, se estivermos focados em nossas verdadeiras preferências, em nossos objetivos e em nossa própria felicidade, será bem mais fácil respeitar o tempo de cada etapa da conquista e, principalmente, dar continuidade nessa relação de amor e assim obter sucesso.

Para safar-se do excesso de ansiedade, o segredo é: auto-observação! Quando você perceber que deseja muito que algo aconteça, que alguém se interesse por você ou ainda que, depois de interessado, esse alguém assuma você o mais rapidamente possível, traga logo esse desejo desenfreado para o seu foco racional, para a sua atenção. Tente descobrir o que esse excesso de ânsia está encobrindo: talvez uma carência, uma necessidade de autoafirmação. Enfim, você melhor do que ninguém pode perceber o que faz com que fique tão ansioso e tão refém de um desejo.

Quando deixamos que a ansiedade domine uma situação, certamente tomamos atitudes precipitadas. Mas se estivermos conscientes desse sentimento, teremos condições de pensar antes de agir. Seremos capazes de avaliar se determinada atitude realmente deve ser tomada agora ou se ainda não chegou a hora.


Rosana Braga 

25 de julho de 2012

Síndrome do pânico: a carcereira do homem moderno


A síndrome do pânico tornou-se conhecida por seus vários sintomas: palpitações, tonturas, dificuldades para respirar, dores no peito, sensação de formigamento ou fraqueza nas mãos, e quase invariavelmente um medo secundário de morrer, perder o controle ou ficar louco. Geralmente esses sintomas não estão restritos a uma situação específica, o que os torna, portanto imprevisíveis. Esta doença de fundo emocional traz em sua base um medo intenso, desmedido e incontrolável que vai tomando proporções assustadoras. 

Quando se sofre de pânico, cada crise aumenta a ansiedade e o medo da próxima, tornando a doença um ciclo. Como resultado a pessoa passa a evitar tudo o que possa aproximá-la da situação que lhe causa temor de forma cada vez mais ampla e genérica a ponto de qualquer estímulo poder tornar-se uma ameaça. 

O ser humano percebe, sente e compreende o mundo e os estímulos que recebe de forma muito particular, em diferente intensidade, variando de acordo com as características físicas e emocionais de cada um. Durante toda a história da humanidade o medo esteve presente, protegendo, quando aprendemos a traduzi-lo em cautela e sensatez e fazendo sofrer ao nos tornar escravos de nossas ilusões e de nossa impotência, limitando-nos e roubando nossa espontaneidade e nossa criatividade. Muitas vezes esse medo é nutrido por um entendimento equivocado sobre os valores pessoais, fruto, entre outras coisas, da falta de conhecimento de nossas potencialidades, preconceitos e baixa autoestima. Desde nossa infância precisamos aprender a enfrentar nossos medos para termos a possibilidade de viver feliz e em paz. 

O medo patológico é um sentimento que se fortalece no desconhecimento, é o resultado da falta de fé em si e no mundo. A fé não é algo que possamos treinar, a fé implica em entrega, não de forma ingênua, pois transformaria-se em alienação, mas de forma consciente e íntegra, multiplicando-se em disponibilidade para perceber-se como um ser ao mesmo tempo insignificante e genuinamente especial, singular entre todas as criaturas. Ter fé implica em saber exatamente quem é, com seus próprios limites e contradições. Em nossa mente a fé nasce do espaço intermediário entre a fantasia e a realidade. É vital para o desenvolvimento humano e sua transcendência, pois implica na noção de si e do outro, em respeito, dignidade, generosidade, amor, enfim, implica na noção do todo, fornecendo-nos parâmetros existenciais. 

O amor que recebemos de nossos pais, parentes e amigos ou mesmo das pessoas com quem nos relacionamos durante nossa vida, alimenta as reservas de esperança e fé, que possuímos. Quando o ser humano não recebe amor, respeito, compaixão, solidariedade ele torna-se amargo, violento, rude, incrédulo no outro e consequentemente, em si mesmo. 

A pessoa que sofre de crises de pânico não é necessariamente a que não recebeu amor, mas é aquela que não tem certeza do amor que recebeu ou não o tem internalizado, tornando-se uma pessoa insegura e frágil emocionalmente, sentindo-se “pobre” em recursos internos para sua autoproteção. Volta-se mais às possibilidades de morte do que às de vida. Não trata-se de uma escolha, a ansiedade e o desespero invadem sua vida cegando-a. 

Essa síndrome tornou-se a carcereira do homem moderno por gradativamente retirar seu direito à liberdade de se relacionar seja com as pessoas, seja com a vida. Como todas as dificuldades ou qualquer tipo de doença, quanto mais rapidamente se inicia um tratamento melhores são os prognósticos. Segundo as pesquisas mais recentes da OMS, os tratamentos indicados como tendo os melhores resultados, são os que associam a medicação à psicoterapia. 

Aprender a pedir ajuda é um ato de coragem e de fé, independente de qual seja o tipo de dificuldade. Algumas pessoas desacreditam que possam ser ajudadas, tomando uma atitude de suposta auto-suficiência, evitando dividir suas dores e angústias, o que muitas vezes provoca um agravamento dos sintomas, tornando os tratamentos mais sofridos e doloridos. 

Acreditar em si e respeitar-se alimenta e fortalece nossa autoestima; negar nossas dificuldades ou tentar escondê-las apenas nos enfraquece. Entender que existem dificuldades e limites é ao mesmo tempo, desmistificá-los e aceitar nossa condição humana, num processo dinâmico de desenvolvimento e amadurecimento. 

Sirley Bittú

18 de janeiro de 2012

É preciso saber desligar


Esqueça o trânsito caótico, a urucubaca política, o tal balancete no final do ano. Deixe de lado a cobrança interna, a dívida externa, a tão eterna dúvida. Viver é assim. Não há como negar. Para ficar ligado é preciso saber desligar. Fácil? Nem tanto. Descobrir qual é o seu tempo é tarefa nobre: exige um grande conhecimento sobre si mesmo. Portanto, esqueça o relógio. Seu tempo está dentro de você. Chega de viver com a ansiedade no colo e o celular na mão. Não deixe a agenda ocupar ? sem querer - o lugar do coração. Respeite sua hora. Desacelere. TURN OFF. Mais do que correr, é preciso saber parar. Não adianta viver no piloto-automático e deixar de sorrir. Nem tirar folga e levar uma enorme culpa dentro da mala. O mundo lá fora exige produtividade e imediatismo. Aqui dentro, corpo e alma pedem menos, muito menos. Como fazer, então, para conciliar tempos tão diferentes? A resposta não está em livros. Mas dentro de cada um. Quer tentar? Respire fundo. Desencane. Perca seu tempo com você!É uma responsabilidade enorme desconectar-se, eu sei. Mas vida ao vivo é pra quem tem coragem. Coragem de arriscar. Cuidado em saber a hora certa de parar. Difícil? Pode ser. É um exercício diário que exige confiança e um amor incondicional por tudo o que somos e acreditamos. Uma aceitação suave dos próprios defeitos, um rir de si mesmo, um desaprender contínuo, um aprender sem fim sobre o que queremos da vida. Não importa se tudo parecer errado e o mundo virar a cara para você. Esqueça. Se esqueça. Hora de se perdoar. RENASÇA. Eu sei pouca coisa da vida, mas uma frase eu sigo à risca: é preciso respeitar o próprio tempo. E eu respeito! Acredito no que diz o silêncio na hora em que a mente cala. E meu silêncio - que não é mudo e também escreve - dita com voz desafiante: confie em si mesma. Quebre a rigidez. Ouse. Brinque. Viva com mais leveza. E - por favor - desligue-se. Só assim você vai transformar vida em letra e letra em vida. E ter coragem e fôlego pra ser VOCÊ, no momento em que o mundo te atropelar sem licença e disser: CHEGOU A HORA!

Fernanda Mello






15 de janeiro de 2012

Até as suas melhores escolhas valem somente por um dia...



É a consistência de suas atitudes que conduz você ao sucesso e à realização de qualquer que seja o seu desejo. Desde uma promoção no trabalho até um relacionamento, passando pela aquisição de um bem material ou a efetivação de uma viagem, qualquer sonho precisa de ações coerentes e, principalmente, recorrentes para se tornar real.

Para as questões mais objetivas, em geral seguimos essa lei. Ou seja, economizamos determinado valor por mês para comprar um imóvel, investimos num curso semanal ou diário para merecermos um aumento salarial e por aí vai. Mas, infelizmente, quando se trata de questões subjetivas ou emocionais, raras são as pessoas que se comprometem com a consistência de suas escolhas.

Ser consistente é decidir fazer algo por um dia e refazer essa decisão todos os dias, incansavelmente, até que o objetivo seja alcançado. E é bom lembrar que, num relacionamento, partimos da premissa de que deveremos ser consistentes por toda a vida. Isto é, amor não se trata apenas de um sentimento que parece surgir do nada e se mantém por conta própria. Muito pelo contrário!

Amor é escolha, é decisão e precisa ser consistente. Estamos de fato amando quando nos predispomos a investir – por meio de atitudes coerentes e recorrentes – todos os dias no relacionamento que resolvemos viver. E isso, diferentemente do que muitos pensam, não significa acusar, cobrar ou se lamentar. E tem mais: quanto pior e mais desgastada estiver a relação, mais difícil (mas não impossível) pode ser resgatá-la. Portanto, se você estiver começando uma relação agora, aproveite para aplicar essa lei da preservação desde já.

Viva com a pessoa amada somente por hoje, como se o amanhã não fosse existir. Imagine que a tem somente até esta noite e que precisa fazer o seu melhor, ser paciente, ouvi-la e agradá-la somente até este dia acabar. Faça deste o dia mais especial de vocês dois. Pense: só por hoje é bem fácil.

Em vez de discutir por alguma bobagem ou diferença de opinião, converse calmamente. No hoje seguinte, foque o que ela fizer de bom. Qualquer pequena ação que te agrade ou que demonstre uma característica positiva, elogie, reconheça! Num outro hoje, pergunte como ela está, se está feliz e se você poderia fazer algo para que ela se sentisse melhor ainda. Lembre-se: amanhã também será um dia único. Você também pode presenteá-la inesperadamente. E depois, simplesmente não revidar nada, não dizer nada de negativo, manter-se o mais compreensível que conseguir.

Enfim, assim como reservaria algumas horas de seus dias para investir num curso superior, por exemplo, reserve duas ou uma que seja, para investir no seu relacionamento. Não caia na armadilha de acreditar que o fato de ter se casado é garantia para que fiquem juntos e felizes. Não é! Você vai precisar se casar um dia e se recasar todos os outros, pelo menos enquanto quiser manter vivo esse encontro.

Por fim, perdoe-se quando não conseguir. Saiba que mais importante do que acertar sempre é continuar disposto, continuar consistente. Pergunte-se: será que você mantém uma média razoável de atitudes que reforçam seu amor e sua vontade de fazer o outro feliz? Intenções são ótimas, mas o que faz a diferença mesmo é a sua consistência no exercício de amar... e também de viver!

 
 
Rosana Braga