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16 de dezembro de 2012

Autoestima - o papel da criança boazinha



De vez em quando, ao atender algum(a) cliente, vem a tona o padrão emocional da criança boazinha. Vou descrever como esse padrão é formado, por que ele é formado, e as conseqüências que ele trás. 

Conforme já expliquei em outros artigos, a criança tem uma profunda necessidade de reconhecimento e aprovação dos pais, para sentir que ela tem importância. É a partir desse reconhecimento que a criança vai amadurecendo e aprendendo a se reconhecer e se amar, até que se torna um adulto independente emocionalmente. Isso, é claro, só acontece quando seus pais são pessoas emocionalmente saudáveis que souberam como suprir essa carência da criança. 

A avidez que a criança tem por reconhecimento é enorme, e ela vai desenvolver estratégias para obtê-lo, conforme a reação dos adultos. Uma das maneiras de obter essa aprovação que ela tanto busca, é através do papel da boazinha. 

"Que criança educada! "Que criança obediente, faz tudo que a gente pede!" "Como ela não dá trabalho, não reclama de nada!". Para obter esse tipo de aprovação, algumas crianças começam a passar por cima dos seus verdadeiros desejos e opiniões para se encaixar com as expectativas dos pais. 

Elogios são muito bem vindos na educação das crianças para que elas possam fortalecer a sua autoestima. Entretanto, quando os pais tem uma baixa autoestima, eles podem usar o elogio e a aprovação como um meio de manipular o comportamento da criança, e não como uma forma de demonstrar amor incondicional. Ainda mais quando são pais que tem padrões emocionais de querer controlar a vida e os gostos dos filhos. 

Nesse tipo de família, a criança desde pequena não tem permissão de ter sua própria vontade e opinião, a não ser que essa vontade e opinião coincida com a dos pais. Quando há essa coincidência, ela recebe o reconhecimento e atenção. Porém, quando demonstra querer algo diferente ou pensar de forma divergente dos pais, logo é punida e criticada. A criança se sente culpada, parece que ter sua própria vontade é algo errado, e aprende a ir deixando de lado seus verdadeiros pensamentos e sentimentos. 

Vou dar um exemplo. Um certo dia, a criança prefere ficar em casa do que fazer um determinado programa em familia, ou prefere se divertir com seus amigos. Alguns pais ficam ressentidos com o filho quando ele tem esse tipo de desejo, chegando a criticar, brigar e até obrigar a criança a fazer o que eles querem. Essa criança começa a internalizar que não é certo ter sua vontade própria, que é melhor que ela seja "boazinha" para não causar tristeza, sofrimento ou raiva nos seus pais. Ela passa a sentir responsável pela forma que os pais se sentem. 

No caso de pais emocionalmente equilibrados, eles ficam felizes em ver que o filho está começando a fazer suas escolhas. São pais que vão conversar com a criança, preocupando-se com o que elas realmente sentem e darão a ela a opção de escolher em muitas ocasiões que programa fazer. Ficarão verdadeiramente felizes em ver a felicidade dos filhos, mesmo que eles queiram seguir um caminho diferente. Não haverá qualquer punição em forma de críticas ou falta de reconhecimento pela fato da criança ter uma vontade diferente. Assim a criança cresce livre e não precisa assumir o papel da boazinha para ganhar reconhecimento e aprovação. Ela sente que é amada independente das escolhas que faz. Cresce então com mais confiança em si mesma e torna-se um adulto com boa autoestima. 

Ao passar por cima dos seus próprios desejos e atender aos pais, a criança tem um ganho imediato que é o reconhecimento e aprovação. Entretanto, a cada vez que ela deixa de seguir seu próprio caminho, vai guardando sentimentos de frustração e insatisfação. Inconscientemente vai ficando ressentida consigo mesma e também com seus pais. É comum também se sentir sufocada e presa. 

Algumas famílias não tem um padrão intenso de controle e manipulação, mas mesmo assim, sutilmente influenciam e manipulam a escolha dos filhos. São pais que não vão criticar ou brigar, ou obrigar a criança a fazer determinadas coisas quando elas não querem, mas podem tratá-la com indiferença. Ao passo que, quando esse filho toma a decisão que os pais acham ser a correta, ganha algum tipo de reconhecimento. A criança é também extremamente sensível a indiferença e por isso em boa parte das vezes será levada agir forma que seus pais desejam, passando por cima de seus próprios sentimentos. 

Um exemplo comum que vejo de manipulação dos pais é na influência da escolha da profissão dos filhos. Se o filho escolhe a carreira dos sonhos dos pais, é premiado com elogios, presentes e com o orgulho. Mas quando escolhe seguir um outro caminho, esse filho é criticado, não lhe dão apoio ou é tratado com indiferença. 

A criança que cresce com o padrão da boazinha desenvolve uma necessidade de reconhecimento e atenção que baixam sua autoestima, carregando essas dificuldades pela vida adulta. Conforme já expliquei anteriormente, esse adulto guardará dentro de si mágoas, frustrações e ressentimentos contra si mesmo, por não ter seguido seu caminho. Além disso, sentirá raiva das pessoas pelas quais se sentiu manipulado, gerando afastamento, brigas e problemas de relacionamento. 

Cabe aos pais cuidar da sua própria autoestima para que possam deixar que seus filhos cresçam de forma independente. E, para o adulto que cresceu nessas circunstâncias negativas, cabe agora a ele buscar ajudar para melhorar a sua autoestima. De nada adianta culpar seus pais. Ficar preso na mágoas e ressentimentos dos pais é uma forma infantil de puni-los e de não assumir a responsabilidade pela próprio crescimento e felicidade, o que é bastante comum em casos de autoestima baixa. É também uma maneira inconsciente de perpetuar o próprio sofrimento.


Andre Lima 



15 de dezembro de 2012

Pais e filhos




Expectativas sem fim... A imaginação rola solta. O meu filho vai continuar os meus passos com o império que construí... Marina será uma grande pianista. Jorge, jogador de futebol! Posse. Projeção, ideais, planejamentos. Estratégias de sucesso. Carências preenchidas. 

Planos de vida. A escola certa, amigos escolhidos, direcionamento. Submissão. Chantagens emocionais... Manipulação. Eu dei a vida, criei, paguei os estudos, quero obediência. Como pode fazer isto com os seus pais? Nós o amamos tanto... e é desta forma que retribui? Depressão. Doenças. 

Exigências. Perfeição. Abismo profundo. Choque de temperamentos. Linhas traçadas ao longo do tempo. Vale a pena tanta imposição? Uma sombra nos olhos. Tristezas. Lutas por um destino maior. Gritos silenciosos de socorro. Ter coragem para dizer não. Tomar as rédeas do destino. Acreditar que o poder está dentro de nós... 

Dor, sinônimo de perda. A felicidade é assim? Aceitação. Tolerância. Estimular os talentos naturais. Acreditar nos sonhos que virão. Um amor para sempre. Proteção. Aconchego. Avançar, apesar do medo. Oportunidades de aprender com os erros. Sentindo o vento no rosto. Luz no fim do túnel... 

Um novo amanhã, vindo da luz das sensações, saber que somos únicos na nossa essência. Sentimentos ternos, olhares profundos e a confiança entre pais e filhos crescendo na eternidade. Palavras de apoio, abraços carinhosos, entender de gente... Sorrir intensamente. 

Sem bloqueios. 

Lágrimas de encantamento enchendo a nossa alma, pura e simples, mas tão feliz! Em paz... Escutar sem críticas, fruir o momento presente, trocar energia positiva dando as mãos. Perdoar, para que os laços da comunicação sejam uma constante. Para que a vida seja maravilhosa... 

Conexão divina, intuição aflorada, encontrando a raiz da criatividade. Com muita doçura, expandindo o ser interior, em sintonia com o mundo. Sensações indescritíveis, intensa alegria, foco na missão de vida! Busca do autoconhecimento. Atravessando fronteiras, com fé e tranquilidade, encontrando o caminho do coração.


Mon Liu


12 de outubro de 2010

Estresse infantil



Ainda muito longe do vestibular ou de iniciar a carreira profissional, cada vez mais crianças têm de lidar com o estresse, há pouco tempo considerado “doença de adulto”. Uma pesquisa da ISMA, Associação Internacional para Prevenção e Tratamento de Estresse, apontou suas três principais causas entre crianças de 7 a 12 anos de idade.

A surpresa é que o bullying, a prática de violência, humilhação e intimidação física ou psicológica entre crianças, não é a primeira causa. As críticas e desaprovações dos próprios pais – citadas por 63% das crianças consultadas – incomodam mais que bullying.

Em segundo, o excesso de tarefas na rotina é apontado por 56%. O bullying aparece em terceiro, com 41% das crianças reclamando do peer pressure (pressão dos colegas). “O bullying não é generalizado”, explica Ana Maria Rossi, psicóloga e diretora da unidade brasileira da ISMA. A pesquisa foi feita com 220 crianças do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Um dos motivos apontados pela especialista é o ambiente de brigas na família, que torna as crianças pouco comunicativas. Com o tempo, além da falta de expressão, chegam as dores de cabeça, de barriga e pouco ânimo para sair.

“Os pais começam a ficar preocupados, mas ao levar os filhos aos pediatras, muitas vezes nenhuma causa clínica para o mal-estar é revelada”, afirma Ana Maria. Após encaminhar a psicólogos, há casos que chegam a necessitar de medicação, para depressão ou para ansiedade.

Uma das maneiras mais comuns de a criança mostrar que apresenta um problema de estresse é o que os psicólogos chamam de benefício secundário. Ao ser hostilizada no ambiente escolar por conta das roupas que veste ou de sua aparência, a criança passa a se queixar de dores, por vezes inexistentes. A reclamação faz com que elas possam escapar, por alguns dias, da escola.

“Alegar a dor faz com que elas evitem o lugar que as deixa tristes, conseguindo o que querem”, explica a psicóloga. A criança é muito intuitiva, sabe como usar sua sensibilidade para manipular o adulto.

Um dos usos do benefício secundário é o de fugir do acúmulo de atividades, muitas delas impostas pelos pais. “É importante ver o que a criança gosta. Se ela não é esportiva, para que colocá-la, ao mesmo tempo, em aula de natação, basquete e futebol?”, afirma Ana Maria. Isso sobrecarrega os pequenos, muitas vezes eles odeiam a atividade, só não revelam isso verbalmente.

Para Ana Paula Rossi, o mais importante para os pais é saber escutar os filhos. “Devem monitorar as notas dos filhos, estar por perto, deixar de inventar atividades para a criança simplesmente por medo de conviver com ela”, diz a especialista. Quanto às mentiras, o melhor é tentar entender o porquê de o garoto usar o mecanismo de defesa, em vez de censurá-lo por isso.

Os pais não devem ter medo de educar os filhos, cedendo às táticas de crianças muito mimadas para obter o que querem. Para evitar um escândalo, muitas vezes os pais desviam da função de orientar, e isso é um desserviço à criança.

“Nos Estados Unidos, essa é uma questão complicada, já vi muitos pais sendo censurados pelas pessoas ao tentarem passar autoridade às crianças em público”, diz Ana Maria. De vez em quando, é muito mais fácil para o pai simplesmente dizer sim ao mimo.

O outro extremo também não é o mais indicado. O pai não deve ser irredutível quanto ao que o filho deve ou não fazer, a escolha precisa ser da criança.

Ana Maria Rossi

27 de julho de 2010

Pais e filhos



Os pais influenciam a personalidade dos filhos? Sim, mas a influência é imprevisível!

Desde os primeiros estudos de Sigmund Freud, e até antes deles, os pais são tidos como os agentes mais importantes na criação de uma pessoa. São os primeiros a conter o que há de animal em nós, nos ensinando a controlar desejos em nome de regras morais, castigos e convenções da civilização. Com 
essa premissa, Freud foi, ao lado de Darwin, um dos grandes pensadores do século 19 a abalar a idéia de Deus, mostrando que as noções de pecado e culpa são transmitidas pelos pais e podem ser a causa de vários dos nossos problemas.

Do conflito entre os nossos desejos e culpas, sairiam traços de personalidade (como a timidez, a vergonha), recalques inconscientes e fraquezas que nos acompanham vida afora. Freud vai mais longe: para ele, o jeito com que meninos e meninas lidam com a figura do pai e da mãe é essencial para definir a sexualidade da pessoa.

Mas as ideias do austríaco fomentaram tantas generalizações grosseiras e técnicas furadas de educação que hoje, fora dos círculos de psicanalistas, estão cada vez mais desacreditadas e o pai da psicanálise é considerado mais um filósofo que propriamente um cientista.

O que não quer dizer que ele deva ser descartado. Até o ponto que a genética permite, um bebê recém-nascido é como um molde de argila flexível. O que ele aprender, ver, ouvir, sentir será armazenado no cérebro e irá compor a maneira como agirá no futuro. Ao nascer, vai demorar meses até conceber ideias básicas, como a de ser distinto das coisas ao redor. Aos poucos, porém, vai se dar conta e que consegue mover algumas dessas coisas seus braços e pernas e que outros seres fazem o mesmo. Assim, a partir do outro, o bebê começa a ter a noção de eu, de que é um indivíduo.

Conforme interage com os adultos, a criança se molda ao mundo em que nasceu. Se os adultos ao redor forem lobos ou cavalos, passará a vida toda uivando ou relinchando e bebendo água com a língua, como aconteceu como o Selvagem de Aveyron, garoto encontrado na França em 1799 que viveu a infância isolado na floresta e por volta dos 12 anos trotava, farejando e se alimentado de raízes. Ou então as indianas Kamala e Amala, dos anos 20. Acolhidas por lobos quando recém-nascidas, elas andavam de quatro, tinham horror à luz e passavam a noite uivando.

Entre lobos ou humanos, a criança aprende o que pode ou não fazer. Percebe que, ao chorar mais alto, a mamadeira vem mais depressa. Portanto, vale a pena ser manhosa, pelo menos de vez em quando. Quando joga um objeto no chão, é repreendida pela mãe e ganha uma bela bronca. Também começa a diferenciar sentimentos: o que achava ser dor, começa a receber nomes diferentes como fome, ciúme, medo.