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3 de março de 2011

O poder da intuição





Ela não é mágica, nem tem relação com poderes externos ou sobrenaturais. Também conhecida como sexto sentido, a intuição é um conhecimento que está dentro de nós, é a sabedoria do nosso inconsciente. Alguns exercícios e mudanças de rotina podem aguçar esse guia interior que todos nós temos.

Do latim intueri , intuir significa ver por dentro. Para Jung, a intuição pode ser comparada a uma bússola, que nos guia e nos orienta. Basta, apenas, saber interpretá-la. O sexto sentido está relacionado com as vivências, as experiências, os relacionamentos, as histórias vividas, ou seja, com tudo o que constitui o inconsciente. É como se, em um determinado momento, um mecanismo acionasse todo o nosso conhecimento armazenado. É uma certeza interna que temos. Mas é preciso se conhecer para confiar e ouvir a voz da intuição.

A intuição se comunica conosco através de símbolos e metáforas. E, para isso, utiliza muitos canais: sonhos, carta de um conhecido, um encontro com um pessoa próxima, o telefonema de um amigo. Para isso, é preciso estar atento e saber interpretar a mensagem que chega.

Um sonho, por exemplo, não pode ser interpretado da forma como se apresenta. Se o sonho for, por exemplo, com um carro que se depara com uma bifurcação, segue uma das estradas e cai em uma ribanceira, não se pode interpretar que haverá um acidente. Nesse caso, o carro seria a vida, e a bifurcação, uma decisão a ser tomada. O carro caindo significa que o caminho escolhido não é o certo. E todos os sonhos são intuitivos? Não. Eles nos dão uma fotografia da psique naquele momento. Representa o estado emocional da pessoa sempre através de símbolos e metáforas.

A mente vazia também favorece o contato com a nossa intuição. Ela se manifesta em atividades cotidianas. Geralmente, as respostas para as nossas questões vêm em momentos relaxantes, como no banho, ou quando estamos quase dormindo. São os chamados insights.

Muitas vezes a intuição é confundida com medos e desejos. E para separar bem cada um, só com muito autoconhecimento. Ela é um guia interior, um sábio dentro da gente.

Para entrar em contato com a própria intuição, existem exercícios de visualização, nos quais o indivíduo pode dar forma ao seu mestre interno e lhe fazer perguntas. É só confiar que a resposta vem.

Também é possível aguçar mais o sexto sentido trabalhando com a criatividade. A especialista sugere sair um pouco da rotina. Se você acorda e vai direto escovar os dentes, tome café primeiro, mude o relógio de pulso e durma no outro lado da cama. Isso vai fazer com que as pessoas descubram novos eixos dentro dela.

A nossa intuição pode errar? Não, ela nunca erra. Se errar, não era intuição.



Andrea Guedes

8 de setembro de 2010

Marcas necessárias



Vivemos numa época que não quer ser marcada. A maioria de nós tenta escapar das rugas, estas cicatrizes do rosto, de todas as formas – algumas delas bem violentas. Os sinais da idade, da vida vivida, são interpretados como algo alienígena, estranho a nós. Estão ali, mas não deveriam estar. É quase uma traição. Urge então apagá-las.

É tamanho o nosso medo da velhice e da morte, que as marcas da vida vivida são decodificadas como feias, quase repugnantes. Tanto que estamos diante de uma novidade – as primeiras gerações de seres humanos envelhecendo e morrendo com os sinais não da idade, mas das cirurgias plásticas. Sim, porque estas também são cicatrizes. Não há jeito de morrer sem marcas porque não há como viver sem ser marcado pela vida. Mesmo os bebês, que por alguma razão morrem ao nascer, já trazem no corpo a marca fundadora – o corte do cordão umbilical que lhes arrancou de dentro da mãe. O umbigo é nossa primeira cicatriz, aquela que nos unifica.

Se a tecnologia conseguir inventar um ser humano sem marcas é porque desinventou o ser humano. Podemos talvez um dia apagar todas as marcas visíveis, tatuadas no corpo. Mas nunca haverá uma cirurgia capaz de eliminar as marcas da alma. E esta é também uma tentativa que temos empreendido com muito empenho. Por um excesso de psicologuês, uma leitura transtornada do pensamento de Freud, passamos a achar que tudo é terrivelmente traumático. Qualquer contrariedade ou vivência não programada supostamente estigmatizaria nossos filhos e aniquilaria seu futuro. Qualquer derrapada no script de nossos dias nos assinala como catástrofe. Parece que viver se tornou uma experiência por demais traumática para quase todos – e, se assim é, a única solução seria não viver. Mas a questão não é o trauma – e sim o que cada um faz com ele.

É verdade que, compreendendo o trauma como algo que nos marca, que nos mata simbolicamente para que possamos renascer de outro jeito, nossa vida é cheia deles. O que questiono aqui é a crença de que não deveria ser assim, a ilusão de que é possível, e o pior, que é desejável, ter uma vida sem marcas no corpo e na alma.

É claro que alguns acontecimentos são devastadores e lutamos para que não voltem a se repetir com ninguém. Mas, mesmo nestes casos, me parece que a vida só é possível não apagando o que é inapagável, mas fazendo algo novo com esta marca. Transformando-a em algo que possa viver.

Acho uma prepotência “ser contra” ou ridicularizar a tentativa de um outro de lidar com suas marcas, dar um novo sentido àquilo que o constitui. Transformar em algo mais que a dor o que era só dor. Pode não ser o seu caminho, mas isso não o impede de olhar para a saída encontrada pelo outro com o profundo respeito que ela merece.

Quando as pessoas me contam suas histórias, começam a contar pelos seus renascimentos. Pelo momento em que morreram de um jeito, por causa de um trauma, e renasceram de outro. É ali que identificam seu início ou reinício. Uma nova vida só é possível quando contém a anterior e a sua quebra. O que atravanca nossa existência é ficar fixado no trauma, enxergar a marca como uma morte que não renasce, como um corte que não vira cicatriz. Por isso a palavra “sobrevivente” me incomoda. É como se vida fosse o que havia antes, algo que não pudesse se quebrar, e o que temos agora fosse algo menor que a vida, uma mera sobre-vida. Me parece, ao contrário, que a matéria da vida é justamente esta sucessão de quebras, e viver é dar sentido a elas.

Esta ideia vendida e consumida exaustivamente, de que a vida não pode ser marcada nem no corpo nem na alma, tem causado enorme sofrimento às pessoas. Não o sofrimento que nos leva a criar uma vida, mas aquele que nos leva a anestesiar uma vida. Este equívoco tem transformado gente que poderia viver em meros sobreviventes. Porque se não podemos ser marcados, se cada marca for vivida como algo mórbido e não como parte do vivido, fixamo-nos na morte. Viramos uma ladainha que repete sempre o momento mortífero e não consegue seguir adiante.

Ser é ser em pedaços. O que nos impede de viver não é o trauma, mas a ideia de que exista uma vida que possa prescindir deles. E o que nos humaniza é a capacidade de criar algo vivo com nossas marcas de morte. Como poderia dizer a poeta Adélia Prado, “uso todos os meus cacos para fazer um vitral”. Cada vida humana é um vitral feito com as marcas de todas as nossas mortes. Sem os cacos, nada há.



Eliane Brum
Edição: Lena

5 de agosto de 2010

Tudo sob controle?




Foi preciso perder uma pessoa muito querida, no ano passado, para descobrir o que eu custei a entender: nem tudo depende de mim.

No auge do medo da perda, é claro que a gente dobra a disposição para fazer tudo que parece estar ao alcance. Telefona para o médico toda hora, procura especialistas, pesquisa terapias alternativas, pede ajuda aos parentes, reza para todos os santos, troca informações em redes sociais... Mas acontece de chegar o momento em que nada mais resolve. O momento da temida e dura entrega, da aceitação de que o poder já não está conosco – se é que esteve algum dia.

De lá para cá, tenho estado mais atenta ao que eu não posso mudar. Percebi que minha irritabilidade, antes constante, se devia em grande parte à mania de querer manter tudo sob controle. Sob o meu controle. Eu achava que era assim que eu tinha de agir: antecipando todos os problemas que tinham chance de acontecer, me precavendo, criando regras para tudo funcionar. E o mais grave é que eu acreditava que antes de tudo tinha de controlar a mim mesma. Vivia como um soldado obediente ao general, mas ambos eram eu. Como quase nada saía como previsto, estava sempre me irritando com os resultados imperfeitos. Chato e desnecessário, hoje sei.

Decidi que muita coisa não está e não deve estar sob as minhas ordens. Relaxei. Passei a saber que não preciso ter tempo para fazer tanta coisa, já que o dia tem 24 horas e não existe mesmo tempo para todas as coisas que eu costumava achar que tinha de fazer. Desconfio que é mais importante dar-me menos coisas para fazer – para ter mais o que fazer com as coisas que já tenho.

Era comum eu partir para a briga antes mesmo de o conflito surgir: eu o antecipava. Achava que brigando conseguiria o que me era de direito. Fracassei. Hoje estou experimentando aceitar algumas derrotas, depois entender melhor o adversário para então mudar as estratégias de defesa e ataque. Já sei que não vou ganhar sempre, e já não me maltrato tanto por isso.

Se sei que não vou ganhar, poupo energia e evito brigar à toa. Exercito a paciência. Convenço-me de que, desta vez, o resultado não depende de mim. E reservo disposição para o que só eu posso fazer. E é aí que está o ganho no que parece ser uma perda: poder fazer o que a gente realmente deve, porque não perdeu tempo com o que não precisava.

Sabe aquela propaganda que mostrava várias coisas que “não têm preço”, e que para todas as outras você tinha o cartão de crédito tal? Pego emprestado o argumento para expor o meu. Convencer a loja de móveis planejados a entregar a mercadoria no prazo prometido? Não depende de mim. Acordar muito-cedo-e-sem-dor-de-cabeça na sexta-feira para fazer exercícios tendo trabalhado muito e dormido pouco a semana toda? Não depende de mim. Para todas as coisas que dependem de mim, posso e devo usar toda a minha disposição, a minha disciplina e minha vontade de me aperfeiçoar.

Uma delas é, em parte, minha saúde. Há aspectos da minha saúde que sou eu que controlo, e outros que talvez um dia eu descubra que fogem completamente ao meu poder, como aconteceu com aquela pessoa que foi embora. Eu posso controlar minha alimentação, então me dedico a fazer compras cuidadosas toda semana para ter comida saudável e gostosa em casa sempre. Posso controlar minha postura e a minha musculatura praticando os exercícios certos regularmente. Também posso controlar o meu descanso, dosando minhas atividades com minhas horas de sono, então procuro equilibrar minha agenda para não exagerar nem de um lado nem de outro.

Eu acredito, hoje, que o estresse vem antes da confusão que fazemos do que depende e do que não depende de nós. Gastamos tubos de energia nos dedicando ao que não podemos controlar, e deixamos de lado coisas que só funcionam se assumirmos a responsabilidade sobre elas. Eu convido você a refletir sobre as responsabilidades que anda assumindo e o peso que anda carregando nas costas. Esse peso todo lhe pertence, ou está na hora de se livrar de algumas tralhas? Procure descobrir o que depende só de você, e assuma a solução. Meu palpite: será um alívio.


Francine Lima

4 de agosto de 2010

Xô, preguiça!


A chave para levar uma vida mais feliz inclui deixar a preguiça de lado e manter-se ocupado o maior tempo possível. É o que sugere um estudo de cientistas americanos publicado no periódico especializado Psychological Science.

Mas o cientista comportamental Christopher Hsee, da Universidade de Chicago, alerta que essa não é uma tarefa fácil. Segundo o especialista, que liderou o estudo, o ser humano tem uma tendência natural de se render à preguiça. Isso porque o instinto de sobrevivência acostumou o homem a poupar energia fazendo o menor esforço possível.

A pesquisa contou com a participação de 98 estudantes. Durante o teste, eles precisaram preencher dois questionários. Para ter acesso ao segundo, era preciso esperar 15 minutos após terminar o primeiro. Os voluntários tinham a opção de entregar as respostas a um fiscal próximo ao local em que estavam, ou em um lugar alguns metros adiante. Independentemente da escolha que fizessem, os estudantes ganhavam um chocolate ao final da pesquisa. A maioria dos voluntários - 68% - preferiu se render à preguiça e entregou o questionário ali mesmo, onde estava.

Os estudantes que preferiram andar um pouco para entregar os questionário afirmaram ao final do teste que se sentiam mais felizes do que aqueles que permaneceram sentados. Para  Hsee, manter-se ocupado foi importante para deixar os voluntários mais alegres. O especialista acredita que os resultados de sua pesquisa podem ter importância até mesmo nas políticas sociais de governos.

"O governo deveria ajudar os cidadãos inativos colocando-os para construir pontes, mesmo que inúteis", sugeriu Hsee. Para resolver a questão no âmbito individual, o especialista foi claro: "Levante-se e faça alguma coisa, qualquer coisa. Ainda que você não veja uma utilidade para o que está fazendo, vai se sentir mais feliz apenas por fazê-lo".

27 de julho de 2010

Pais e filhos



Os pais influenciam a personalidade dos filhos? Sim, mas a influência é imprevisível!

Desde os primeiros estudos de Sigmund Freud, e até antes deles, os pais são tidos como os agentes mais importantes na criação de uma pessoa. São os primeiros a conter o que há de animal em nós, nos ensinando a controlar desejos em nome de regras morais, castigos e convenções da civilização. Com 
essa premissa, Freud foi, ao lado de Darwin, um dos grandes pensadores do século 19 a abalar a idéia de Deus, mostrando que as noções de pecado e culpa são transmitidas pelos pais e podem ser a causa de vários dos nossos problemas.

Do conflito entre os nossos desejos e culpas, sairiam traços de personalidade (como a timidez, a vergonha), recalques inconscientes e fraquezas que nos acompanham vida afora. Freud vai mais longe: para ele, o jeito com que meninos e meninas lidam com a figura do pai e da mãe é essencial para definir a sexualidade da pessoa.

Mas as ideias do austríaco fomentaram tantas generalizações grosseiras e técnicas furadas de educação que hoje, fora dos círculos de psicanalistas, estão cada vez mais desacreditadas e o pai da psicanálise é considerado mais um filósofo que propriamente um cientista.

O que não quer dizer que ele deva ser descartado. Até o ponto que a genética permite, um bebê recém-nascido é como um molde de argila flexível. O que ele aprender, ver, ouvir, sentir será armazenado no cérebro e irá compor a maneira como agirá no futuro. Ao nascer, vai demorar meses até conceber ideias básicas, como a de ser distinto das coisas ao redor. Aos poucos, porém, vai se dar conta e que consegue mover algumas dessas coisas seus braços e pernas e que outros seres fazem o mesmo. Assim, a partir do outro, o bebê começa a ter a noção de eu, de que é um indivíduo.

Conforme interage com os adultos, a criança se molda ao mundo em que nasceu. Se os adultos ao redor forem lobos ou cavalos, passará a vida toda uivando ou relinchando e bebendo água com a língua, como aconteceu como o Selvagem de Aveyron, garoto encontrado na França em 1799 que viveu a infância isolado na floresta e por volta dos 12 anos trotava, farejando e se alimentado de raízes. Ou então as indianas Kamala e Amala, dos anos 20. Acolhidas por lobos quando recém-nascidas, elas andavam de quatro, tinham horror à luz e passavam a noite uivando.

Entre lobos ou humanos, a criança aprende o que pode ou não fazer. Percebe que, ao chorar mais alto, a mamadeira vem mais depressa. Portanto, vale a pena ser manhosa, pelo menos de vez em quando. Quando joga um objeto no chão, é repreendida pela mãe e ganha uma bela bronca. Também começa a diferenciar sentimentos: o que achava ser dor, começa a receber nomes diferentes como fome, ciúme, medo.

21 de junho de 2010

Resiliência



"Aquilo que não me destrói me fortalece", ensinava o filósofo Friedrich Nietzsche. Este poderia ser o mote dos resilientes, aquelas pessoas que, além de pacientes, são determinadas, ousadas, flexíveis diante dos embates da vida, capazes de aceitar seus erros e aprender com eles. Sob a tirania do relógio, nosso dia a dia exige grande desgaste de energia, competência e um número cada vez maior de habilidades. Sobreviver é tarefa difícil e complexa, sobretudo nos centros urbanos, onde vivemos sobressaltados e estressados.

O capitalismo, por seu lado, empurra o cidadão para o consumo desnecessário. Juntam-se a isso o trânsito caótico, a saraivada cotidiana de más notícias estampadas nas manchetes e decepções diárias e pronto: como consequência, ficamos frágeis, desesperançados e perdemos muita energia vital. Se de um lado a tecnologia parece estar a nosso favor, de outro ela acelerou o ritmo da vida e nos tornou reféns de aparatos que se renovam continuamente. E assim ficamos brigando contra o... tempo!

Haja resiliência! Essa é com certeza uma expressão adequada aos dias de hoje. Só a paciência já não basta. Além de pacientes, precisamos ser determinados, confiantes, ousados e ao mesmo tempo flexíveis e conscientes para manter os problemas em perspectiva - alguns têm solução, outros não -, deixar que o tempo se encarregue de mostrar os caminhos e, sobretudo, aprender a olhar de forma diferente para eles com estratégias de contornar as adversidades.

A resiliência é caracterizada por um conjunto de atitudes adotadas pelo ser humano para resistir aos embates da vida. Esse termo se origina de uma ciência exata, a física, e significa a capacidade que os corpos têm de voltar à sua forma e estado originais, depois de serem submetidos a um grande esforço ou pressão externa.

Disse um mestre: "Não podemos evitar as ondas do oceano, mas podemos aprender a surfá-las." O surfista tem jogo de cintura, agilidade, presença de espírito, conhece o mar, conhece os ventos favoráveis e sabe a hora de pular fora da onda, pois logo atrás já vem vindo outra!

A atitude resiliente, no entanto, não é sinônimo de força ou coragem no sentido mais heróico do termo. Ela pressupõe também uma sabedoria e uma criatividade, um discernimento que aparece como consequência de experiências anteriores, algo que também é um ganho, à medida que as adversidades vão criando uma espécie de "musculatura interior".



Numa pessoa resiliente devem estar presentes a capacidade de adaptação e a flexibilidade. Ela deve ser capaz de promover as mudanças necessárias quando são inevitáveis. A resiliência pode e deve ser exercitada; ela não é algo herdado ou um traço de personalidade. Como podemos fazer isso? Aqui vão algumas dicas para se treinar a resiliência:

Em primeiro lugar, não negar o problema quando ele bate à sua porta; a negação só faz aumentar seu tamanho, assim como acentuar a resistência para as mudanças. As soluções podem começar a aparecer a partir dessa compreensão.

Uma vez que a vida é inexoravelmente mutável e transitória, as reações de controle e de apego são ineficazes. Bem ao contrário do que se pensa, exercer muito controle sobre tudo e todos não é uma solução; os eventos da vida têm um curso próprio que independe da nossa vontade e da nossa opinião. Respeitar o curso natural das coisas nada tem a ver com uma atitude de resignação. Significa simplesmente não nadar contra a corrente dos fatos. Reconhecer e assumir as próprias fraquezas e incompetências é, antes de tudo, um ato de coragem.

Adotar uma perspectiva de aprendizado, quando algo traz muita contrariedade ou angústia. Há muitas maneiras de sofrer: podemos sofrer com inteligência ou com burrice! Na primeira, há mais crescimento e dignidade; na segunda, a pessoa se coloca na posição de vítima e desencadeia uma busca de culpados, assumindo uma postura errônea, que acaba por paralisar sua vida. As experiências difíceis são de grande valia, pois criam "anticorpos" que nos protegerão em outras situações de risco. Da mesma forma, o trabalho psicoterapêutico pode mostrar que não precisamos nos identificar com o sofrimento, mas podemos examiná-los, compreendê-los e aprender com eles.

Use todo e qualquer instrumento tecnológico a seu favor e empregue o seu discernimento para não se tornar refém das tecnologias. O excesso de informação é estressante, leva à dispersão e não pode nunca substituir com vantagem o contato pessoal, o afeto e a convivência com as pessoas queridas.

John Lennon dizia que "a vida é uma coisa que acontece, enquanto você fica preocupado, fazendo planos". Assim, não se preocupe demais com o futuro. Sofrer por antecipação é um dos hábitos mais negativos do homem contemporâneo. A ansiedade é corrosiva para a saúde, afeta o sistema imunológico e sua base é o medo e a falta de confiança. O pânico, as fobias e a depressão são os sintomas da demolição dos nossos esquemas mentais de segurança.


Não há fórmulas mágicas para superar crises e dificuldades, sejam elas quais forem. Mas o indivíduo resiliente tem um diferencial na sua forma de atravessar esses momentos. Concentração, foco e tolerância podem moldar um jeito diferente de olhar os nossos problemas. Felicidade é também um modo de interpretar a realidade.