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19 de março de 2011

Por que a Internet é uma grande aliada da solidão?



Desde o seu advento, a Internet já foi alvo dos mais diversos tipos de considerações acerca dos malefícios e benefícios que poderia causar, especialmente aos seus mais ardorosos adeptos, que passam horas e horas do seu dia envolvidos nas malhas da rede.

Já passados os primeiros tempos da sua pouco tímida inserção na vida do homem pós-moderno, até os dias atuais - já integrada à mobília de muitos lares -, a leitura que hoje fazemos dela agrega múltiplos elementos para uma avaliação menos passional e mais fidedigna dos seus efeitos. Se num primeiro momento temia-se que viesse a provocar o isolamento familiar e social do usuário, que uma vez ligado à rede, desconectava-se do mundo real ao seu redor, hoje há dados que nos levam a supor exatamente o inverso: a Internet como companheira das mais requisitadas e benéficas entre os solitários e os isolados do convívio social. Blogs e sites como Facebook, Orkut e Twitter são uma grande prova.

Pesquisa realizada no Canadá demonstrou que a população não usuária apresenta um índice maior de problemas psicológicos do que entre os usuários habituais da rede. Entre esses últimos, encontram-se aqueles que têm na net uma grande aliada contra o isolamento, inserindo-os num universo de contatos imediatos e solidários, e lhes proporcionando uma oportunidade de relacionamentos sociais que, de outro modo, não lhes seria possível. Às pessoas mais introvertidas, o anonimato permitido pela rede também vem facilitar o estabelecimento de novas relações, dentro do limite de exposição que julgar mais confortável. Assim, podemos até pensar em atribuir ao computador um caráter terapêutico, enquanto promotor de interação entre os indivíduos, que por razões pessoais, sociais ou culturais encontram-se afastadas do convívio com outras pessoas.

Mesmo entre aqueles que não padecem de dificuldades de relacionamento, os mais sociáveis também encontram nos jogos online, por exemplo, um canal lúdico de comunicação. Os games que acontecem em rede têm atraído um número cada vez maior de jogadores, cujo perfil predominante é de homens jovens, com formação universitária. No jogo, a modalidade em si não é o mais importante; o objetivo maior é a interação entre os jogadores, ainda que numa relação virtual.

Desta forma, não há como negar que a Internet é, hoje, dentre os veículos de comunicação, aquele através do qual o homem tem experimentado novas formas de relacionamento e interação social, e que ainda lhe delega o privilégio de modelar a direção na qual essas relações poderão evoluir. Ainda assim, vale lembrar ao internauta que, mesmo com tantas virtudes e possibilidades, é preciso ficar atento aos perigos que ela também contém, tomando os devidos cuidados ao realizar suas escolhas interativas, seus parceiros, suas relações virtuais e o destino que dará a elas, para que a Internet seja de fato uma companheira de muitas horas.


Maluh Duprat Teixeira da Silva 


18 de dezembro de 2010

O passado não existe. Aliás, o passado, nem passado é



Essa frase pode resumir, minimamente, a mudança de paradigma existencial que a febre das rede sociais tem causado na vida das pessoas ao redor do mundo.

Nesta época, em que as ditas “redes de relacionamento” (Orkut, Facebook, Twitter, entre outros) são parte inerente ao nosso convívio em sociedade, podemos dizer que passado, presente e futuro (por que não?) coabitam diariamente.

Estão todos ali, no nosso constante e crescente álbum de figurinhas virtual: colegas de jardim de infância e da faculdade, ex-namorados, amigos do curso de inglês, recém parceiros de trabalho, futuros chefes, os “semi-conhecidos” (que nunca lembramos quem são), amigos virtuais por afinidades, familiares e por aí vai.

Todos postando seus vídeos preferidos, suas fotos de viagens de férias, fazendo testes de autoconhecimento, falando sobre baladas e restaurantes degustados, sugerindo links e mesmo curtindo e interagindo aleatoriamente os nossos próprios uploads, avatares e tweets.

Faz tempo que não se escuta a expressão: “E fulano, por onde anda?” Antigamente, as pessoas simplesmente desapareciam do nosso convívio, pareciam sucumbidas pelas camadas terrestres ou mesmo transportadas a outra dimensão. Hoje, temos múltiplas escolhas. O que houve com aquele colega da quinta série do colegial?

1. Está morando em Buenos Aires e agora tem uma banda de sucesso
2. Casou semana passada e passou a lua de mel em Aruba
3. Está desempregado e me adicionou no Facebook


Ninguém mais faz uma viagem (só de ida) ao Triângulo das Bermudas – sem que isso seja devidamente documentado e compartilhado em seu Flickr. Todos estão presentes. Todos estão ativos, ou melhor, online. Nem que seja debatendo sobre a guerra do tráfico no Rio, falando sobre o novo programa de TV, estreia de cinema ou o último show que compareceram.

Se você desconhece o destino de alguém, pare para dar um “search” em seus contatos. Provavelmente, um, dois ou três amigos vocês terão em comum. Basta um pouco de curiosidade mórbida, combinada ao tempo livre no trabalho e “bingo!”

Até aí, tudo passa indolor: saber que o bonitão do colégio está gordo e careca, ou mesmo que o nerd vítima do bullying adolescente é um grande executivo de uma grande empresa. Tudo tornou-se uma grande telenovela a ser acompanhada, e em tempo real, diga-se de passagem.

No entanto, e os relacionamentos amorosos? Como esquecer alguém que postou uma foto há meia hora tomando sol em Floripa ou mesmo curtindo uma festa de Halloween em Londres? Como manter o passado em algum lugar obscuro e inóspito, se as cenas dos próximas capítulos nos são anunciadas como chamadas na telona?

A pergunta que fica é: como abrir espaço para novas experiências, quando se é bombardeado constantemente por atualizações do passado? Creio que as novas gerações já venham com um tipo de HD externo para armanezar tantas informações.

Malu Porto 

14 de dezembro de 2010

Dor de cotovelo virtual


 
A enfermeira Paula Bortolotti, de 28 anos, diz que demorou quatro anos para terminar definitivamente um namoro em crise. As idas e vindas aconteciam porque ela não conseguia se desconectar do ex na internet. Como os dois haviam apagado seus perfis no Orkut durante o relacionamento para evitar brigas, a maneira que Paula encontrou de bisbilhotar a vida do rapaz foi usar o perfil de uma amiga dela para fuçar a página dos amigos dele. E conseguia. Todos os indícios de paqueras eram devidamente checados. A enfermeira ia tirar satisfações com o ex, os dois discutiam e acabavam voltando. E ela continuava monitorando os passos do moço na rede.

Ao contrário de Paula, o arquiteto Bruno Ferreira, de 30 anos, apagou a ex-namorada de seus contatos no Facebook assim que o namoro de dois anos terminou. “Eu não queria saber nada sobre a vida dela para esquecê-la mais rápido”, diz. Mas, como os dois tinham amigos em comum na rede, isso não foi possível. Ele sempre via um comentário ou uma foto dela nas atualizações de algum amigo em comum. Para evitar a tortura, Bruno decidiu sair do Facebook.

Paula e Bruno são dois exemplos de uma praga que acomete os términos de relacionamentos no século 21: a dor de cotovelo virtual. Com mais de 900 milhões de usuários em todo o mundo, 35 milhões no Brasil, –, todos ávidos por falar sobre sua intimidade e vasculhar a dos outros, as redes sociais tornaram-se o ambiente perfeito para a propagação dessa nova modalidade de fossa.

Além de manter os ex-pombinhos conectados virtualmente (por vontade própria ou não), as redes sociais também se tornaram uma das principais maneiras de comunicar ao mundo o fim de um relacionamento. Rompimentos sempre foram difíceis. As novas mídias tornaram esse processo ainda mais doloroso. Ceder ao impulso de espiar a vida do ex prolonga o sofrimento.

Antigamente, bastava apagar o nome da pessoa da agenda e deixar de frequentar alguns lugares para evitar o contato com o ex. Agora é preciso deletar o indivíduo do Facebook, do Orkut, do Twitter etc. Isso se o ex-casal não tiver contatos em comum nessas redes sociais. E, se esses amigos compartilham informações de amigos dos amigos, será preciso pedir gentilmente a eles que parem de repassar as informações indesejadas. Ou apagá-los também. Para piorar, agora também é preciso romper duas vezes. Mudar o status de “namorando” ou “casado” para “solteiro” no Orkut e no Facebook tornou-se o equivalente a oficializar a separação.

As pesquisas sobre o uso das mídias sociais mostram que a primeira coisa que os jovens fazem ao terminar um relacionamento é atualizar ou reformular o perfil nas redes sociais. E quem está fora da rede social entra após um rompimento. As pessoas veem as redes sociais como uma forma de anunciar ao mundo que estão disponíveis. Ou não.

Para os ex-amantes inconformados, as redes sociais podem ser um instrumento de tortura. O término de um relacionamento equivale a uma pequena tragédia, cujos efeitos podem ser comparados à abstinência de drogas. A recomendação dos especialistas àqueles que desejam curar a dor de cotovelo virtual é resistir à tentação de dar a primeira clicada. Paula diz que só assim conseguiu se libertar do ex. “Percebi que, se não parasse de bisbilhotar a vida dele na internet, eu nunca conseguiria sair da relação.” Os dois agora são bons amigos... no Orkut.

Fernanda Colavitti 
 

5 de novembro de 2010

Suas atitudes na internet afetam o seu trabalho?




Na última semana, manifestações de desrespeito, preconceito e ódio nas redes sociais roubaram a cena da eleição presidencial. Muita gente usou o E-mail, o Facebook e o Twitter para atacar  ou defender algum candidato com vistas a incitar agressões e discriminação.

Usamos a internet para quase tudo, inclusive quando queremos reclamar, desabafar e mostrar indignação. Quando a coisa descamba para o preconceito e o discurso de ódio, entramos no terreno do crime, ser despedido é o menor dos problemas do criminoso. Mas se recuarmos muitos passos e ficarmos só no terreno da falta de noção mesmo — por exemplo, criticar publicamente colegas, parceiros comerciais e clientes –, já encontramos um verdadeiro campo minado, prontinho pra explodir o emprego dos desatentos.

Isso acontece porque ainda não sabemos ao certo como lidar com a vida virtual. A sensação é de que ela é distante e acontece em paralelo à vida real. Em mais uma tentativa de entender como usamos tecnologia, a Nokia encomendou uma pesquisa a respeito, feita no Brasil e divulgada semana passada, com um tópico só sobre carreira. Eis alguns resultados:

- apenas 3% relataram já ter tido algum problema por falar mal de colegas nas redes sociais (por enquanto);

- 59% usam a internet no expediente para relaxar, acessando portais e redes sociais;

- 62% também usam a internet no celular para resolver questões do trabalho;

- 95% acham que a internet e a tecnologia ajudaram na carreira.

A pesquisa se chama “Mais do que a tecnologia, é o que você faz com ela” e foi feita pela Nokia com o Instituto TNS. Foram entrevistados 601 homens e mulheres, com mais de 16 anos, que moram em seis regiões metropolitanas e responderam ao questionário online. Os participantes têm idade média de 34 anos, trabalham em período integral e acessam a internet várias vezes ao dia.

E você, sabe as regras da "netqueta" na internet?


Daniella Cornachione


24 de outubro de 2010

O e-mail vai acabar?



A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, afirma que sim. Ela afirmou que apenas 11% dos jovens usam e-mail e que, como eles são um bom indicativo dos hábitos no futuro, é provável que a gente deixe de se comunicar dessa forma. É mais um capítulo em uma polêmica, velha e com questões muito mais complicadas. Veja abaixo algumas delas:

1 – O uso de e-mail cresce, mas menos do que o de rede sociais

Um relatório do grupo Radicati mostrou que o número de contas de e-mail deve crescer de 2,9 bilhões em 2010 para 3,8 bilhões em 2014. Entretanto, o número de contas em redes sociais deve crescer ainda mais: de 2,1 para 3,6 bilhões no mesmo período. O estudo também mostrou que o número de e-mails enviados por pessoa por dia está em queda desde meados de 2007.

2 – Ninguém sabe a relação entre redes sociais e e-mail


Há quem diga que o Orkut e o Facebook concorrem com o e-mail e estão contribuindo para que ele acabe. Compartilhar vídeos e textos ou ter conversas rápidas podem ser feitos com mais eficiência por redes sociais ou por mensagens instantâneas. Por outro lado, há evidência de que os maiores usuários de redes sociais usam também o e-mail mais do que a média. Talvez porque um grande número de contatos nessas redes se estenda para outros meios de comunicação, ou porque o Orkut ou o Facebook usem e-mails para dar alertas sobre o que acontece nelas. Por via das dúvidas, o próprio Facebook investe em ferramentas como responder mensagens pelo próprio e-mail e há até especulações de que esteja investindo em um serviço de webmail como Gmail ou Hotmail.

3 – E-mails não são só e-mails

Ferramentas de e-mail hoje misturam lista de contatos, mensagens instantâneas, calendários e até ferramentas de microblogging como o Blogger. Por outro lado, qualquer rede social tem serviço de mensagens que não são lá tão diferentes de um e-mail. Mesmo que os endereços com @ no meio caiam em desuso, ferramentas muito parecidas vão continuar existindo misturadas a várias outros serviços.

4 – Jovens não usam e-mail enquanto são jovens


As editoras de uma revista teen, como a Capricho, têm várias histórias sobre como é mais fácil contatar leitoras por redes sociais ou mensagens instantâneas do que por e-mail. Mas ninguém sabe até quando vai essa regra, e é possível que os jovens sejam forçados a mudar esses hábitos ao começarem a trabalhar. Afinal, enviar um relatório em Excel via Orkut não é das coisas mais fáceis.

5 – Jovens fazem um uso diferente de e-mail


Além de usarem pouco, é provável que os jovens usem de maneira diferente. Há indicações de que eles dedicam o e-mail a colecionar promoções, por exemplo. Uma pesquisa mostrou que jovens entre 18 e 25 anos têm maior probabilidade de assinar listas de e-mail marketing do que pessoas mais velhas. Outra indicou que, quando estão em busca de promoções, eles usam mais o e-mail do que o Facebook. Ninguém sabe o motivo disso, mas dá para arriscar uns palpites: já que os jovens não usam e-mail mesmo, não os incomoda registrar o endereço em milhões de newsletters. O e-mail passa a ser apenas um arquivo de cupons, para ser aberto quando der vontade de comprar alguma coisa.

Rafael Kenski 


26 de agosto de 2010

Facebook: amigos e inimigos

O Facebook foi eleito o site mais acessado da web, tem 540 milhões de visitantes únicos e está prestes a ganhar as telas dos cinemas. Com estreia prevista para outubro nos Estados Unidos, o filme "A Rede Social" (The Social Network) enfoca a trajetória de Mark Zuckerberg, criador e executivo-chefe desse website tão popular.

O longa é baseado no livro de Ben Mezrich, The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook, a Tale of Sex, Money, Genius and Betrayal ("Os bilionários acidentais: a fundação do Facebook, uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição").

Pelo vídeo que caiu recentemente na internet, o filme promete abordar as polêmicas e brigas que fizeram parte da criação do site como anuncia uma mensagem do trailer, "você não consegue fazer 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos".

Um dos momentos interessantes é a situação que gerou a fundação do Facebook. Em 2003, Zuckerberg invadiu o sistema online de Harvard que trazia o cadastro dos estudantes. Assim, ele roubou as fotos das meninas que estudavam ali e organizou-as em um site, para que os jovens pudessem avaliá-las. A universidade puniu Zuckerberg pelo ato e o site acabou, mas, em 2004, o jovem criou o Facebook, inicialmente uma rede social exclusiva para os alunos da universidade; em semanas, 85% dos estudantes estavam na rede.

Com os atores Jesse Eisenberg e Andrew Garfield e o cantor Justin Timberlake no elenco, o filme deve chegar por aqui em dezembro. Eisenberg (Zumbilândia) interpreta Zuckerberg, Andrew Garfield fará Saverin, brasileiro que deixou o Facebook no começo, processou Zuckerberg e é a principal fonte do livro de Mezrich e Timberlake fica com o papel de Sean Parker, co-fundador do Napster. A produção é da Columbia Pictures.


15 de agosto de 2010

Ter amigos


 

Uma pesquisa da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, sugere que ter uma boa rede de amigos e vizinhos pode aumentar as chances de sobrevivência de uma pessoa em 50%. A pesquisa chegou a esta conclusão ao analisar dados de cerca de 150 estudos que analisavam as chances de sobrevivência em relação a redes sociais.

Para os pesquisadores americanos, ter poucos amigos pode ser tão prejudicial à sobrevivência de uma pessoa como fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólatra. Os cientistas acreditam que tomar conta de outras pessoas nos leva a cuidar melhor de nós mesmos.

Há muitas formas pelas quais amigos, colegas e família podem aumentar a saúde e bem-estar de uma pessoa. Quando alguém está conectado a um grupo e se sente responsável por outras pessoas, aquele senso de propósito e significado se traduz com a pessoa tomando conta dela mesma e assumindo menos riscos. Para os pesquisadores, perder o apoio social pode diminuir ainda mais as chances de sobrevivência do que obesidade ou sedentarismo.

Os cientistas analisaram 300 mil pessoas em quatro continentes em um período de sete anos. Segundo esta análise, aqueles com redes sociais mais fortes se saíram melhor em resultados de saúde e expectativa de vida. A probabilidade de estas pessoas estarem vivas em qualquer idade era quase duas vezes maior do que daqueles considerados solitários. O estudo incluiu pessoas de todas as idades, sem levar em conta o estado de saúde inicial dos pesquisados.

O efeito não é isolado em adultos mais velhos. Relacionamentos fornecem um nível de proteção a todas as idades. Os aparatos modernos e a tecnologia podem levar algumas pessoas a pensar que redes sociais face a face não são mais necessárias.

Como humanos, nós encaramos relacionamentos como algo garantido, somos como peixes que não notam a água. A interação constante não é apenas um benefício psicológico, mas influencia diretamente nossa saúde física.






23 de julho de 2010

O fim do fim da privacidade




Nunca houve tantas formas de deixar a vida exposta na rede. Nem tanta gente incomodada com isso. Uma em cada 4 pessoas que usam a internet no mundo tem uma conta no Facebook. Esse meio bilhão de pessoas publica 14 milhões de fotos diariamente. Os 100 milhões de usuários do Twitter postam 2 bilhões de mensagens por mês. Dê um Google no nome de alguém e os tweets dele vão estar lá. Pesquisadores cunham termos bonitos como a "era da hipertransparência" para tentar falar que há xeretas e exibicionistas demais hoje.

E a maior rede social do planeta deu um passo grande rumo à tal hipertransparência: em maio, o Facebok mudou as regras sobre o quanto que estranhos podem saber da sua vida. "Estamos construindo uma internet onde o padrão é ser sociável", decretou Mark Zuckerberg, criador e presidente do site, ao anunciar as mudanças. Utopia sociológica à parte, interessa para ele que usuários de seu serviço possam ser encontrados com mais facilidade. Se você não está no Facebook e encontra aquele amor antigo do ginásio ali, tende a entrar para a rede social. E, quanto mais gente lá, mais Zuckerberg pode faturar com publicidade.

Às mudanças: de cara, elas parecem bem sutis. Antes, não dava para ver a foto de perfil ou a idade de uma pessoa pesquisada, por exemplo. Agora, a não ser que o usuário mude as configurações no braço, um resumo de sua ficha ficará exposto na internet. Não é pouca coisa. Pense em quem teve um término de relacionamento conturbado e quer manter distância de namorados maníacos; ou em um adolescente que mudou de escola por causa de bullying e corre o risco de que tudo comece de novo se os novos colegas descobrirem isso; em quem sofre de assédio moral no trabalho ou foi testemunha de um crime; em quem não quer que os pais descubram detalhes de sua vida sexual. Para todos eles, qualquer detalhe que o Facebook divulgue pode fazer uma grande diferença.


Não fica nisso. Um dos maiores problemas é que a internet não "esquece" nada. E agora, que ela faz parte da vida de praticamente todo mundo há uma década, qualquer vacilo do passado pode causar um problema no presente. Fotos ousadas num fotolog de anos atrás vão complicar você na disputa por um emprego. Uma troca infeliz de scraps no Orkut, como uma discussão com um ex, podem estar ao alcance de qualquer um. As redes sociais basedas em GPS, como a Fousquare, colocam mais pimenta nesse molho, já que elas mostram num mapa onde os usuários estão a cada momento Em suma, nunca existiram tantas possibilidades de exposição pública. E sim: sempre vai ter alguém que você não esperava bisbilhotando você.

É natural. O desejo de cavucar a vida alheia existe desde sempre. Na maior parte da história humana, as pessoas viveram em pequenas tribos onde todas as pessoas sabiam tudo o que todo mundo fazia. E de alguma forma estamos nos tornando uma vila global. Pode ser que descobriremos que a privacidade, no fim das contas, sempre foi uma anomalia...

Seja como for, trata-se de uma anomalia de que todo mundo gosta. E por isso mesmo um movimento ganha cada vez mais força: há uma preocupação maior com a bisbilhotice. Na prática, está acontecendo o contrário do que Zuckerberg imagina. Estamos menos "sociais".

Hoje, a quantidade de dados que as pessoas deixam aberta na rede para todo mundo ver é, por cabeça, bem menor do que há 5, 6 anos. É raro encontrar quem deixe suas fotos escancaradas numa rede social.

Um estudo da Universidade da Califórnia mostra essa mudança: os entrevistados disseram tomar mais cuidado com o que postam online do que há 5 anos. Na mesma pesquisa, 88% dos jovens de 18 a 24 anos acreditavam que deveria existir uma lei que forçasse os sites a apagar informações pessoais depois de algum tempo.

Enquanto não chegam leis concretas, as pessoas reagem por conta própria. Trinta mil usuários cancelaram suas contas no Facebook no dia 31 de maio, para protestar contra uma mudança que houve na rede na configuração de privacidade. Compare isso com a reação que as pessoas tiveram em 2006, quando o Orkut passou a identificar quem visitava o seu perfil. Não faltaram reações de indignação. "Qual é a graça se não dá mais para espionar a vida dos outros escondido?", perguntavam os usuários.

É difícil imaginar algo assim hoje. Aprendemos a nos comportar na rede como nos comportamos em público. Porque, cada vez mais, estamos mesmo.
 
Fonte

12 de julho de 2010

Desconstruindo os mitos do Twitter


A maioria das pessoas vive dizendo que não sabe nada do Twitter, que ele é difícil ou desinteressante. E é absurdo que algo tão novo já tenha gerado um monte de mitos. Mas eles existem e passou da hora de descontruí-los. Vamos lá!


Mito 1: O Twitter é um microblog.

O Twitter é uma comunidade de amigos e pessoas desconhecidas que mandam atualizações e flashes que permite que você coloque mensagens extremamente curtas, as quais serão enviadas para todos seus “seguidores”. É bem simples, aliás, para alguns, simples demais. O Twitter não é um “microblog”. Ninguém diz: “Sabe do que estou com vontade hoje? De microblogar!”. E, aliás, mesmo que tecnicamente houvesse algo chamado microblog, e daí? Microblog é uma palavra vazia e sem graça.

O Twitter, na verdade, é um bar. É aquele bar local que você frequenta. Só que é online. Por que você frequenta o bar local? Porque é a sua praia. É onde seus amigos estão, onde você faz novas amizades e onde você vai porque, às vezes, ser inteligente e divertido apenas na sua mente não tem a menor graça. É sempre legal lá? Não, às vezes é muito chato. Talvez ninguém de quem você goste esteja lá. Então você vai embora. Mas volta depois porque esse bar tem as pessoas mais legais do mundo e, sim, algumas que você não curte muito. Cabe a você escolher onde sentar.

Se você sentar perto de pessoas que estão falando alto ao celular ou soprando fumaça de cigarro na sua cara, provavelmente o local será horrível. Se você encontrar um canto onde um grupo de pessoas inteligentes, interessantes ou mesmo engraçadas está conversando sobre coisas legais, o local será gostoso, divertido e envolvente. Se você chegar e não falar com ninguém, você deve se perguntar por que simplesmente não ficou em casa lendo seu livro preferido. Sim, nesse caso, o local será chato. Portanto, a escolha é sua.

Mito 2: A ideia é responder à pergunta “O que você está fazendo.”

Apesar da pergunta básica ser: "What are you doing?" (O que você está fazendo?), nem seu melhor amigo quer saber o que você faz a cada momento. Falar sobre o que está fazendo, quase sempre será chato. E a primeira regra do Twitter é “Não seja chato!” O principal uso da ferramenta é funcionar como um atualizador social de notícias, onde as pessoas enviam links e informações, e ficam sempre “por dentro” do que está se passando. As pessoas conversam sobre o que foi postado. Aí que está a grande sacada: além de se informar, você tem um espaço de discussão pública sobre assuntos de seu interesse.

Então, o que você deve digitar naquela pequena caixa? Bem, a pergunta que o Twitter realmente quer fazer é “O que você está pensando? Ou: “O que você acha do que está pensando?”Ou: “Que tal deixar aquela voz na sua cabeça falar por um instante?” Você só pode colocar 140 caracteres (ou seja, 140 letras, sendo que a barra de espaço também conta!) como mensagem sua.

Pense bem no que for escrever porque o Twitter não tem redator: digitou, deu enter, caiu na rede!!!  Lembre-se que se o seu perfil não é protegido, qualquer um pode ver o que você escreve, mesmo aqueles que não possuem conta no Twitter. Além disso, não seja o chato que reclama de tudo ou dê barraco. Para mensagens particulares utilize o DM – Mensagem Direta que você posta assim: D @nome do usuário (ou nick name), esta  mensagem só vai para o usuário que você deseja conversar sem ser visto pelos outros.

Mito 3: O Twitter consome muito tempo.

Isso não existe. Bastam apenas alguns segundos para digitar alguma coisa lá. Afinal, há um limite de 140 caracteres. Depois você gasta de três a cinco minutos para ver o que as outras pessoas estão fazendo, e pronto. É um intervalo bem mais curto do que “Ah, vou dar só uma olhadinha no meu e-mail”.

O Twitter tem um dos poucos intervalos de boa duração que você encontra na internet. Ele é uma pausa. Sim, ele pode consumir seu tempo, como qualquer outra coisa. Mas, se você usá-lo com cuidado, como um "entra-e-sai" rapidinho, o Twitter é, na verdade, uma ferramenta de produtividade divertida que também funciona como a mais esquisita e mais bem-sucedida técnica de marketing de todos os tempos.

Mito 4: É complicado seguir ou ser seguido.

O Twitter não é uma rede social como o Facebook ou o Orkut onde você adiciona todos seus amigos e eles ficam ali no quadrado deles. Nele você segue pessoas que postam coisas pelas quais você se interesse, sejam amigos, conhecidos, celebridades, políticos, mídia, etc. Também não precisa seguir quem te segue. Como você recebe as atualizações das pessoas que segue na sua página, você só deve adicionar quem poste coisas relevantes ou interessantes para você. E lembre-se: quanto mais pessoas você segue, mais difícil achar o que interessa.

E se alguém twittou algo legal que eu também quero twittar, ou ainda, eu só quero replicar uma mensagem que alguém mandou pra mim? É só colocar RT @nome do usuário e a frase e/ou link de um site interessante. O RT é chamado de ReTweet e deve ser espontâneo, nunca solicitado. Só não vale copiar o que alguém postou sem dar crédito. É como contar uma história para todo mundo sem falar a fonte. Há formas de reduzir o nome do site que você quer indicar como por exemplos os sites migre.me  ou www.tinyurl.com.br  que transformam links longos em links curtos.

Se quiser me seguir, meu username é @lenasim. Se você quiser que eu o siga, fale coisas bacanas ou puxe assunto. O mais legal do Twitter é escolher quem seguir. Se alguém só postar coisas desagradáveis, é só dar um unfollow ("não sou mais seu seguidor").

Mito 5 - Não há problemas na Twittosfera.

O Twitter está muito, muito longe de ser uma região sem problemas. Assim como em qualquer bar, existem pessoas que entram para uma boa briga e outras são malvadas e que gostam de magoar as pessoas. Se você não gosta de brigas, não fique perto da mesa desse pessoal. E, também, como em qualquer bar, existem uns caras esquisitos que querem falar com você. Você usa a linguagem do corpo para fazer com que eles se afastem, o mesmo que o botão de block no Twitter; e, se eles avançarem, denuncie-os a @oddfollow e ao pessoal que administra a rede.

E, é claro, existe a Fail Whale, a figura da famosa baleia. Às vezes o sistema do Twitter “cai” (nesse caso aparece a baleia) e é normalmente quando você mais precisa daquele café. É hora de enfrentar o fato de que você está viciado no Twitter. Não se preocupe, você não está sozinho. Pegue os textos que você ia espalhar pelo mundo e salve em um arquivo. Mais tarde, quando o Twitter voltar ao ar, você escreve o que queria postar.

E aí? Interessou? Caso deseje é só entrar no site do Twitter, se cadastrar e começar a twuittar...