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10 de fevereiro de 2013

Segunda-feira: o melhor dia da semana!





O que você sente quando chega o domingo, ao entardecer? Fica alegre pela nova semana que vai começar ou será que surge aquele sentimento meio triste e depressivo por ter que começar tudo de novo?

A segunda-feira deveria ser o melhor dia da semana, ou pelo menos um ótimo dia. É assim para quem está feliz com seu trabalho e sua vida. Mas o que vemos é que boa parte das pessoas odeia a segunda-feira e passa a semana inteira esperando chegar a sexta, dia em que se sentem mais felizes por ser o último dia de trabalho.

Sei bem como é essa sensação da segunda-feira, pois passei anos da minha vida desejando que a semana acabasse. Foi assim na época da escola e continuou depois que comecei a trabalhar com engenharia. Essa situação só veio a mudar por completo depois de um longo período de mudança interior que culminou com a mudança de profissão, quando passei a trabalhar como terapeuta e professor.

Antes dessa mudança, as tardes de domingo me remetiam a um sentimento meio depressivo. Inconscientemente, era acionado um gatilho emocional dentro de mim que lembrava que eu ia ter que voltar para minha vida "normal". E isso significava passar a semana fazendo o que não gostava. A voz de Faustão e a vinheta do Fantástico também serviam de âncora e ativavam imediatamente esses sentimentos inconscientes desagradáveis. Felizmente, hoje, a segunda pra mim é um excelente dia, um dia de recomeçar algo que eu realmente gosto de fazer.

O não gostar da segunda-feira é um grande indicador de que não estamos seguindo nosso verdadeiro caminho na vida. Passamos boa parte da nossa vida no trabalho e muitas pessoas escolhem a profissão de uma forma um tanto equivocada. Vou comentar agora sobre esses equívocos.

O erro mais comum é escolher a profissão pelo ganho financeiro. Considero isso um grande erro, pois está baseado na crença de que em algumas profissões é possível  ter uma vida confortável e em outras não. Por acreditar nisso, muitos deixam sua verdadeira vocação de lado e vão em busca de uma área onde há um consenso de que é mais fácil para se ganhar bem. E assim passam a vida inteira infelizes fazendo o que não gostam.

Existem duas coisas que influenciam a nossa satisfação com o trabalho: fazer o que se gosta e ser bem remunerado. Acredito que primeiro devemos seguir a nossa verdadeira vocação. Essa deveria ser a prioridade máxima, pois quando excluímos a possibilidade de fazer aquilo que gostamos, jamais conseguiremos uma verdadeira satisfação pessoal. Depois, podemos evoluir e descobrir como usar nossos talentos para crescer financeiramente. 
 
Em algumas famílias, os pais, também cheios de crenças limitantes, exercem grandes pressões sobre os filhos para que estes sigam determinadas profissões e reprovam a escolha do filho, se ele quiser optar por um caminho diferente. Outro equívoco comum é quando os filhos seguem a profissão dos pais; não por vocação, mas apenas por comodidade, por achar que é mais fácil para ser bem-sucedido. Imagine, então, passar a vida inteira fazendo o que não gosta!

A falta de autoconhecimento também pode nos levar a escolher a profissão de forma equivocada. Tem muitas pessoas que nem sabem o que verdadeiramente gostariam de ter como profissão. Aqueles que não descobrem logo cedo sua vocação podem descobri-la tardiamente. Mas, normalmente, ficam com medo de mudar e correr riscos e acabam pagando o preço da insatisfação.
  
Observo também um grande número de pessoas buscando o emprego público, quando, na verdade, não têm a menor vocação pra isso. São levadas pelo medo, pelo desejo de ter uma estabilidade e boa renda e por crenças de que não podem alcançar esse objetivos de outro modo. O resultado certamente será um monte de gente prestando serviço público apenas para cumprir uma obrigação chata, esperando que chegue a sexta-feira, o feriadão e as férias.
Todo ser humano tem seu talento, seu caminho de vida mais profundo e veio aqui para nesse mundo  para pôr em prática sua vocação e beneficiar a sociedade, ao mesmo tempo em que se realiza e ganha satisfação pessoal, financeira e profissional, tudo em uma só pacote. Só o autoconhecimento nos leva na direção dessa realização plena.

Andre Lima 

30 de julho de 2012

Sobre o assédio moral no trabalho




Antes de qualquer coisa, é importante compreender o significado do trabalho na sociedade moderna capitalista, onde ele transcendeu o aspecto econômico para se relacionar à identidade do indivíduo, ou seja, ele passa também a se reconhecer (ou se perceber) através daquilo que produz.

Essa mudança na forma de encarar o trabalho favoreceu o desenvolvimento do indivíduo, que pôde pensar em seus projetos pessoais, profissionais, e no tradicional projeto familiar. O novo significado do trabalho tornou-se tal, que Freud, no início do século XX, quando questionado sobre as características de um adulto normal, respondeu ser aquele capaz de amar e trabalhar - enfatizando a importância do trabalho para a realização humana.

Além disso, o trabalho insere o ser humano numa cultura moldada por relações de poder, afetando, de forma mais ampla, seus valores, sua auto-percepção, sua orientação da realidade e o próprio funcionamento intelectual. Inclusive, a Psicologia Social foca grande parte do seu trabalho no estudo das conseqüências psicológicas que o trabalho traz para as pessoas.

Os avanços da tecnologia e as transformações da produção exigem cada vez mais do trabalhador, seja ele técnico, gerente, diretor ou presidente. A competitividade e as incertezas de um mundo globalizado também mudaram a forma como o indivíduo se relaciona com o próprio trabalho, gerando angústias e dificuldades. Ou seja, as empresas fazem exigências cada vez maiores, para produzirem cada vez mais e melhor, em um ritmo acelerado e até desumano. Elas estão criando um clima facilitador para o assédio moral no trabalho.

O assédio moral se caracteriza pelo comportamento abusivo de um chefe ou superior que toma atitudes tendenciosas e discriminatórias contra um funcionário, o qual muitas vezes, por medo de perder o emprego, permanece em silêncio e sofre sozinho. É caracterizado por atos de intimidação e práticas de humilhar, rebaixar, intimidar o outro, no local de trabalho. São práticas que individualizam o problema em uma só pessoa, tratam aquele homem ou aquela mulher como incapaz, quando é resultante de condições outras de trabalho.Envolve atitudes e comportamentos visíveis e invisíveis praticado por gestores, colegas e empresas que levam à 'destruição' do trabalhador ao provocar, gradativamente, intenso sofrimento, adoecimento e perda do emprego.

Atos vexatórios na frente de colegas de trabalho repetidas vezes, exigência de produtividade acima da capacidade do trabalhador, negativa de férias, boicotes à promoção, indiferença, ausência de feedbacks ou feedbacks negativos e transferências desnecessárias, são apenas alguns exemplos de atitudes que culminam na perda da auto-estima do trabalhador. A partir daí, ele passa a duvidar de sua própria competência.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, a violência moral contra o trabalhador ocorre em diversos países desenvolvidos e pode levar a sérios problemas de saúde mental. As consequências são semelhantes às do assédio sexual: sofrimento físico e psicológico, como ansiedade, insônia ou sonolência excessiva, crises de choro, insegurança, depressão, sentimento de menos valia, dores generalizadas e freqüentes (de cabeça, no corpo, no peito), problemas respiratórios, distúrbios digestivos, tremores e nos homens, marcadamente, o consumo acentuado de bebidas alcoólicas.

Costumo dizer que todo sofrimento humano torna-se bem mais fácil de ser superado quando é compartilhado, e o mesmo vale para o assédio moral. Assim como no assédio sexual, é preciso coragem para enfrentar o problema de frente.

Não existem normas específicas suficientes no Direito do Trabalho sobre o assunto, por isso, as ações contra os empregadores costumam pleitear reparação por danos morais. Os Sindicatos e até o Ministério Público também estão atentos ao assédio moral, orientando e apoiando as vítimas.

O assédio moral é um problema que vem se agravando ao longo dos tempos. É uma séria violência contra o trabalhador e consequentemente à sua família e à sociedade. Ressalto a necessidade do funcionário, a despeito do nível hierárquico ao qual pertence, exigir ser tratado com respeito e dignidade, lutando por aquilo que lhe é importante. Por isso ele tem como obrigação denunciar seu empregador. Afinal, presenciar uma violência em silêncio é igual tê-la cometido, ainda que seja contra si mesmo.




Valéria Meirelles 

27 de maio de 2012

Quem nos ajuda a ser feliz?



Existe uma rede de seres ao nosso redor aos quais nunca ou quase nunca chegamos a nos encontrar com eles, talvez os vejamos de passagem ao longe.
Quando chegamos já se foram, quando saímos do trabalho, eles estão se aprontando para começar o trabalho deles.

Às vezes, cruzamos com eles pelas ruas, entrando ou saindo de algum lugar. Estão lá dentro escondidos por trás do fogão, espalhando farinha na massa, ateando fogo na lenha do forno da pizza, rapidamente estão correndo para lavar e repor os pratos na mesa de entrada no lugar que almoçamos quase todos os dias.

Mas não os vemos, não sabemos os seus nomes, qual a cor de seus olhos, se são altos os baixos, se são homens ou mulheres que estão cozinhando para que possamos comer.

Não sabemos quem é o entregador do jornal, quem é o carteiro que passa pela nossa calçada. Quem é o rapaz que corre e some com o saco de lixo que deixamos na calçada. Quase nem notamos o responsável pela limpeza pública que varre e ensaca tudo que não foi devidamente jogado no cesto de coleta. Quem é a mocinha que repõe o estoque de bandejas de queijo na prateleira de supermercado? Também não a vemos, também não sabemos quem é. Até mesmo o cara que se veste de Papai Noel e fica na porta da loja conversando com os nossos pequenos.

São tantos os serviços prestados e que com certeza facilitam a vida diária; mas nem por isso nos damos conta. Estamos sempre com o pensamento em outra coisa, no próximo horário da agenda, no compromisso a seguir, que não nos lembramos de agradecer ou elogiar o cozinheiro pelo gostoso almoço que pudemos saborear, de dar um rápido bom dia para o gari que conosco cruza na rua.

Seres que não tem nada de diferente de nós, trabalham e comem, andam pelas ruas, em conduções que foram limpas por outros seres que também não são vistos por muitos, mas que estão lá. Cumprindo seus papéis para que o nosso dia seja melhor.

Na verdade é um conjunto de pessoas anônimas que nos ajudam a ter um dia mais gostoso; com uma comidinha saudável, bem mais leve. Com ruas mais limpas, o vagão do metro limpo, a plataforma que esta pronta para nos receber.

Somos todos visíveis e ao mesmo tempo invisíveis! Mas é bom saber que existe uma rede de pessoas que nos auxiliam a todo instante, a quem precisamos fazer o possível para perceber, cumprimentar e agradecer pelo fato de estarem mesmo que nos "bastidores" contribuindo e facilitando a vida.

Reconhecendo que sozinhos fica bem mais difícil dar conta do que temos que fazer em nosso trabalho, na vida pessoal ou social, afinal, é uma gama de pormenores do dia-a-dia, para podermos realizar qualquer um dos nossos propósitos de vida que bem pode ser o de "simplesmente ser feliz!" 
Cássia Marina Moreira


2 de janeiro de 2012

Trabalhar sofrendo: pode?



Se o mundo fosse perfeito, minha amiga estaria em casa, chorando no sofá. Ou se hospedaria num hotel à beira da praia, que convidasse a longas caminhadas vespertinas. Acho que ela também gostaria de ficar ao pé de uma montanha mineira, numa casa com varanda, onde pudesse tomar chocolate quente várias vezes ao dia e ler quieta, bem quietinha, enrolada numa manta.

Mas, sendo o mundo como é, minha amiga tem de trabalhar. Tem de exibir, a dois metros do chefe, seus olhos inchados de choro, suas olheiras de quem não dorme direito há dias. Ela terminou um namoro de anos, mal consegue respirar, mas está de emprego novo e precisa, desesperadamente, mostrar serviço – ainda que chorar no banheiro seja a única coisa que ela realmente é capaz de fazer por estes dias.

O que vocês acham disso? Eu acho uma droga.

Tendo estado algumas vezes nessa situação, sei que as crises de relacionamento são subestimadas pelo capitalismo do século 21. Como já haviam sido, aliás, pelo capitalismo do século 20. Uma gripe é justificativa aceitável universalmente para faltar ao trabalho, mas a depressão causada pelo fim de um relacionamento não é. Faz sentido? Não.

Quem viveu uma situação de rompimento sabe os estragos físicos e emocionais que essas coisas provocam. Lembro de uma amiga recebeu sem aviso prévio a notícia de que seu marido estava de mudança para a casa de outra. Ela trabalhava ao meu lado e pude vê-la definhando no trabalho, dia após dia. Foi uma espécie de agonia pública que durou meses, virou doença e quase terminou em cirurgia.

Não acontece só com as mulheres, claro. Lembro de um colega que levou um pé na bunda por telefone uns dias antes de uma viagem de trabalho ao exterior. Lá, com frio de menos 10 graus, ele não conseguia nem comer, de tanta angústia. Voltou da viagem ainda pior do que saiu, realmente deprimido, vários quilos mais magro.

Acho que todo mundo já viveu uma história como essa ou testemunhou alguma coisa parecida. São dramas tão comuns quanto os resfriados. A sociedade, porém, trata as duas coisas de forma diferente.

Se o problema é físico, há consideração. Se é emocional, nem tanto. Se, por trás da crise emocional, houver um problema afetivo, então realmente não conta. Supõe-se que os problemas afetivos não sejam sérios a ponto de interferir na rotina - embora um divórcio, na escala do stress, conte tanto como doença grave ou morte em família.

Há certa esquizofrenia nisso.

A nossa tradição exalta o romance, mas não percebe o seu término como um ato grave. A alegria pelo casamento é celebrada de forma pública, inclusive com folga no trabalho, mas o luto pelo fim do casamento não é sequer reconhecido. A dor não tem espaço oficial no nosso meio, embora interfira, profundamente, no nosso bem estar e até na nossa saúde. Certamente derruba a nossa produtividade.

Ontem, antes de escrever, conversei com algumas pessoas sobre o ato de “trabalhar sofrendo” e percebi que há um segundo ponto de vista sobre o assunto: as pessoas acreditam que a rotina do trabalho ajuda a superar os problemas afetivos. “Melhor do que ficar em casa sofrendo”, dizem. Eu posso entender, mas não acho que valha para todas as situações e muito menos para todas as pessoas. Gosto de pensar que os nossos sentimentos têm ciclos que precisam ser vividos.

Quando estamos apaixonados, criamos ambientes e situações que nos permitam apreciar intensamente o sentimento. Fazemos viagens, passeios, jantares. Vamos a hotéis, motéis, ruas desertas. Procuramos, intuitivamente, um espaço e um tempo de aproveitamento da paixão. Criamos uma bolha que nos protege da realidade. Parece natural. Por que, então, seria diferente com a dor?

Talvez o luto pela perda – ainda que você a tenha desejado e provocado, ainda que ela tenha se tornado inevitável – também precise ser vivido intensamente. Talvez devêssemos nos isolar para sofrer como, de certa forma, nos isolamos para gozar. Talvez assim a dor durasse menos e não nos trouxesse as consequências graves e duradouras que às vezes traz.

No afã de nos livramos do sofrimento, metemos a cara no trabalho e, muitas vezes, saímos mancos da experiência. Tenho a impressão de que as nossas dores mal curadas – como os proverbiais resfriados da infância – retornam mais fortes e mais perigosas.

Mas essa é apenas a minha opinião.

Haverá um monte de gente para explicar que a economia não suportaria o peso dos nossos afetos mal sucedidos. Deve ser possível demonstrar, numa planilha, que a competitividade nacional despencaria se os brasileiros fossem sofrer em casa, em vez de fazer isso na fábrica ou na mesa de operações do banco. Mas eu, francamente, não dou a mínima.

Se estivesse em meu poder, mandaria a minha amiga para casa. Poria ela no sofá diante da janela, com um chocolate fumegando ao alcance das mãos e diria: se precisar, telefone. Tenho certeza de que ela estaria melhor na casa dela, sozinha, do que a dois metros do chefe, com os olhos vermelhos e o coração aos pulos, tendo que fingir que está tudo bem. Tudo bem, uma ova.



Ivan Martins 

19 de agosto de 2011

Qual o melhor dia da semana pra você?




Você já pensou sobre a pergunta do título? Qual o dia da semana que você prefere? Noite de sexta-feira, sábado, ou segunda? Muitos podem dizer: é claro que prefiro o final de semana, mas saiba que nem todos. Na verdade, a resposta por um ou outro pode representar que algo não está bem. Se prefere os dias que trabalha é importante questionar o que não está bem em sua vida pessoal. E se a preferência é pelos dias de descanso, também é válido identificar se há algo que não vai bem na área profissional. Há ainda quem não se sente feliz nem durante a semana nem no final de semana. Em tudo é preciso equilíbrio. É evidente que temos as exceções, como pessoas que trabalham em escala, mas a maioria trabalha de segunda à sexta-feira e descansa sábado e/ou domingo. O ideal é sentir satisfação e prazer tanto no trabalho, como na vida pessoal, compartilhando os momentos de descanso com aqueles que ama, ou quem sabe, sozinho. Mas quando percebemos que estamos insatisfeitos, irritados, intolerantes, é hora de parar e refletir sobre os prováveis motivos.

Para quem tem o final de semana livre, a programação começa logo na sexta-feira à noite, com happy-hour, viagens, festas ou outras atividades em que possa descansar e esquecer os problemas. Afinal, com tanto estresse, lazer hoje se tornou uma necessidade. Isso mesmo, ne-ces-si-da-de. O final de semana é propício para repor as energias e cada um faz isso a sua maneira.

Quem gosta do final de semana espera cada segundo para chegar noite de sexta-feira, seja para sair ou ficar em casa. Mas quando o domingo chega, parece baixar um desânimo, desejando que as horas passem mais devagar e que a segunda-feira custe a chegar. Para a maioria, a volta ao trabalho pode representar o retorno das obrigações, responsabilidades, dos horários a cumprir. Em linguagem freudiana, diríamos que durante a semana somos regidos pelo superego, aquele que dita as normas, e no sábado, regidos pelo id, que representa o prazer. Claro que isso não é regra básica, mas apenas proporcionar uma reflexão em como você está se sentindo em cada dia de sua vida. Como se sente durante a semana? E no final de semana? O sentimento que prevalece é semelhante? Não? No que difere? Já pensou sobre isso?

Quando o desânimo já começa no domingo à tarde, se acentuando durante à noite e ficando quase que insuportável na segunda pela manhã, fazendo que você se arraste para ir trabalhar, é preciso buscar a causa. Se trabalhar está sendo sinônimo de sofrimento, desgastante e insatisfação, é preciso saber o que está acontecendo. Está apenas cumprindo com uma obrigação? Está sem motivação? Não gosta do que faz? Ou do ambiente? Ou o salário está abaixo de suas necessidades ou do que merece? Pense sobre tudo isso, mas lembre-se que no mínimo você o mantém por alguma recompensa, seja pelo salário, para aprender mais, esperando uma promoção; alguma vantagem deve ter, ou então, comece a pensar na possibilidade de procurar algo novo, que corresponda mais às suas expectativas.

Enquanto alguns cancelariam a segunda-feira do calendário, outros contam os segundos para chegar a hora de ir ao trabalho. Para estes, o insuportável é o final de semana em casa, com a família ou com a falta de uma. O trabalho se torna o encontro com pessoas que se sente bem, companhia para almoçar, conversar, onde encontra pessoas que compensam o final de semana solitário ou insatisfatório.

É no trabalho, e somente nele, que muitos se sentem valorizados, estimulados, reconhecidos, seguros. A busca excessiva pela realização profissional, na maior parte das vezes, oculta uma insatisfação enorme na vida pessoal e/ou afetiva, pois o trabalho representa uma fonte de reconhecimento e segurança que nem sempre se consegue na vida afetiva. Para alguns, parece mais fácil vencer na profissão do que construir relacionamentos afetivos saudáveis e duradouros. Hoje, talvez até por medo, muitos preferem o trabalho ao amor.

Homens e mulheres precisam na verdade, descobrir um ponto de equilíbrio entre a realização afetiva e profissional, que não precisam ser antagônicas, mas devem e podem ser complementares. É preciso estar atento para não fazer do trabalho ou do final de semana, um escudo ou uma fuga constante de seus sentimentos e do encontro consigo mesmo, como se fosse uma escolha, onde um compensa a falta do outro. Quando isso acontece é hora de parar, pensar e avaliar valores e escolhas, acreditando que se pode sim, obter prazer e satisfação, tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

O mais importante não é só estar bem durante a semana ou no final de semana, com o trabalho ou com alguém, mas principalmente consigo mesmo, fazendo coisas que gosta, sem se preocupar com o dia da semana, mas fazendo de cada dia uma fonte rica de satisfação e prazer!



Rosemeire Zago

Beatles - Yesterday





 

27 de novembro de 2010

Dormir bem é para poucos



Em São Paulo, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto do Sono da Unifesp, 77% dos moradores sofrem de algum problema relacionado ao sono. Uma estimativa menos precisa afirma que 5% da população brasileira tem sonolência durante o dia, o que se reflete diretamente no trabalho e está levando empresas a adotarem medidas para amenizar o problema. 
Mas este número pode ser maior. "Considerando que atualmente 20% da população economicamente ativa trabalha à noite e que essas pessoas sofrem de privação de sono e têm sonolência diurna, podemos ter números muito maiores", diz o médico Flávio Aloé, do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas.

São números como esses que estão nos transformando em uma nação de insones. A ponto de fazer a falta de sono já ser considerada um problema de saúde pública. A privação do sono é considerada um problema epidemiológico; precisamos dormir mais do que efetivamente dormimos. Geneticamente, não estamos preparados para dormir menos.

Há quem consiga sobreviver dormindo apenas cinco horas por noite – ou menos. Mas, em geral, o brasileiro dedica sete horas diárias ao sono, o que ainda está abaixo do recomendado. E essa hora perdida traz consequências. “Dormir uma hora a menos todas as noites, por exemplo, tem um impacto direto na vida da pessoa”, explica Stella Tavares, autora do livro Durma Bem, Viva Melhor.

Além de ter o desempenho comprometido, por conta das dificuldades de prestar atenção e se concentrar, a pessoa tende a ficar mais irritada, impulsiva. A longo prazo, uma pessoa que costuma dormir menos que precisa pode ter problemas no coração, ganho de peso, alterações hormonais e comprometimento imunológico.

Os especialistas lembram que o sono considerado de qualidade é aquele que revigora e que restabelece as energias. Porém, dormir a quantidade de horas necessárias nem sempre significa dormir bem. Sabemos que dormimos bem quando acordamos com a disposição de enfrentar o dia que vem pela frente – e não quando despertamos com sono.

Para aqueles que passam mais tempo em volta de uma máquina de café do que da própria mesa no escritório, um alerta: o uso contínuo de estratégias para se manter acordado pode indicar que a pessoa está com algum problema. Ela pode estar tentando encobrir algo que não está normal.

Se não por privação parcial do sono, a sonolência durante o dia pode ser causada por motivos médicos. Desde distúrbios do sono, como a apneia e a narcolepsia, por problemas respiratórios e até por hábitos de vida, como o excesso de café na noite anterior.

O problema é que os médicos ainda não dão atenção necessária ao problema. Quem diz isso é um médico. É verdade que a classe médica está mais informada que a classe leiga, mas ainda estamos longe do ideal. Nas consultas, o médico não pergunta se você dormiu bem. Ele não faz isso porque nunca aprendeu que deveria perguntar isso ou porque ele não sabe para onde deve encaminhar o paciente, dependendo da resposta que ouvir", alerta Aloé.

Natalia Cuminale

5 de novembro de 2010

Suas atitudes na internet afetam o seu trabalho?




Na última semana, manifestações de desrespeito, preconceito e ódio nas redes sociais roubaram a cena da eleição presidencial. Muita gente usou o E-mail, o Facebook e o Twitter para atacar  ou defender algum candidato com vistas a incitar agressões e discriminação.

Usamos a internet para quase tudo, inclusive quando queremos reclamar, desabafar e mostrar indignação. Quando a coisa descamba para o preconceito e o discurso de ódio, entramos no terreno do crime, ser despedido é o menor dos problemas do criminoso. Mas se recuarmos muitos passos e ficarmos só no terreno da falta de noção mesmo — por exemplo, criticar publicamente colegas, parceiros comerciais e clientes –, já encontramos um verdadeiro campo minado, prontinho pra explodir o emprego dos desatentos.

Isso acontece porque ainda não sabemos ao certo como lidar com a vida virtual. A sensação é de que ela é distante e acontece em paralelo à vida real. Em mais uma tentativa de entender como usamos tecnologia, a Nokia encomendou uma pesquisa a respeito, feita no Brasil e divulgada semana passada, com um tópico só sobre carreira. Eis alguns resultados:

- apenas 3% relataram já ter tido algum problema por falar mal de colegas nas redes sociais (por enquanto);

- 59% usam a internet no expediente para relaxar, acessando portais e redes sociais;

- 62% também usam a internet no celular para resolver questões do trabalho;

- 95% acham que a internet e a tecnologia ajudaram na carreira.

A pesquisa se chama “Mais do que a tecnologia, é o que você faz com ela” e foi feita pela Nokia com o Instituto TNS. Foram entrevistados 601 homens e mulheres, com mais de 16 anos, que moram em seis regiões metropolitanas e responderam ao questionário online. Os participantes têm idade média de 34 anos, trabalham em período integral e acessam a internet várias vezes ao dia.

E você, sabe as regras da "netqueta" na internet?


Daniella Cornachione


4 de novembro de 2010

O dilema da mãe trabalhadora





Imaginemos uma trabalhadora que, após passar pelos obstáculos naturais do início da carreira, chega a um cargo de responsabilidade em uma empresa. O futuro na profissão parece sorrir para ela, mas ela também está apaixonada pelo maridão e mal pode esperar pela vinda do primeiro filho.

Nove meses depois, nossa trabalhadora está em casa com seu bebê recém-nascido. Sua empresa adotou a licença maternidade de seis meses, que passou a vigorar em janeiro, em troca de benefícios fiscais. Esses seis meses de convívio intenso com a mãe provavelmente vão beneficiar o desenvolvimento e a saúde da criança. A licença de 180 dias é considerada uma vitória para as mulheres trabalhadoras. Mas pode ser um tropeço na ascensão profissional de nossa jovem batalhadora.

É o que pensa, muito desgostosamente, Luciana Moya, especialista nas áreas trabalhista e previdenciária da consultoria Hirashima e Associados. “Infelizmente, aquelas mulheres que querem ser bem sucedidas em setores concorridos e de alta performance não podem tirar seis meses de licença maternidade”, afirma. “Ela deve voltar o mais rapidamente possível”.

Luciana fala com experiência pessoal. “Tive duas licenças maternidade de três meses”, diz. Antes de se tornar sócia de uma empresa, ela fez carreira na Arthur Andersen, gigante mundial do ramo de auditoria, que fechou as portas em 2002. Luciana lamenta não ter tido mais tempo com os filhos, mas acredita que a dinâmica corporativa é implacável com quem se distancia do trabalho por muito tempo.

Ela não crê que a mulher vá sofrer represálias por tirar seis meses de licença, mas acha que a longa ausência faz com que ela “perca a sintonia” com o chefe e colegas — o prejuízo viria “nas entrelinhas”. Com o afastamento prolongado, a mulher ficaria distante dos novos projetos e iria para o fim da fila de promoções, transferências e treinamentos.

É uma dilema que deve torturar as mulheres que enfrentam pesadas disputas por visibilidade nas empresas. Todas querem o melhor para o filho — mas dar o melhor para o bebê significa passar mais algumas semanas com ele nessa fase inicial da vida ou aumentar as chances de ele ter uma mãe com salário maior no futuro? Nós, homens (como pais, companheiros, amigos, chefes, colegas), temos a obrigação de contribuir ao máximo para que ela tome a melhor e mais tranquila decisão nesse momento. Só tenho a impressão que esse nosso ”máximo” será sempre pouco, diante do tamanho do dilema.

Diante das opções meses a mais com a criança ou escalada mais rápida na carreira (sua ou da sua companheira), o que você faria? O que você já fez?


Thiago Cid

21 de outubro de 2010

Postura e compostura no trabalho



Saber se vestir e saber se comportar no dia a dia do escritório são assuntos que vira e mexe geram dúvidas. O maior questionamento é saber como adequar o estilo pessoal ao profissional.

Como o trabalho ocupa grande parte do nosso cotidiano, é de se esperar que a profissão que escolhemos tenha alguma coisa a ver com nossos interesses particulares. É realmente muito triste ver uma pessoa trabalhando num lugar que não tem nada a ver com sua personalidade. De modo que, tanto sua roupa como suas atitudes devem se parecer bastante com você e sua maneira de agir e se apresentar.

Isto significa que o seu guarda roupa pessoal não deve ser assim tão diferente daquele que você usa para ir trabalhar. O que todo mundo deve ter em mente é: roupa de trabalho não é igual à roupa de festa, nem de balada, nem de lazer. É uma roupa que tem, sim, a sua cara, mas a sua cara profissional - isso vale para qualquer profissão, seja ela formal ou informal. Então, nada de decotes extravagantes, comprimentos míni e muita pele à mostra!

Festa da firma também é assunto profissional! As hierarquias continuam as mesmas da empresa. Portanto, mesmo que a gerência tome muitas e muitas taças, você não está liberado para encher a cara como se estivesse entre amigos num clube noturno. Beba pouco e intercale o álcool com alguns goles d’água para evitar vexames.

Outro hábito que deve ser deixado em casa é a fofoca. Falar mal dos outros no trabalho (ou em qualquer outro lugar em que você esteja com colegas do trabalho), só vai criar problemas. Se algum colega insistir no “diz-que-diz”, você tem mais do que liberdade para dizer que não gosta disso e mudar de assunto. 

Em boca fechada não entra mosca!


Gloria Kalil

20 de outubro de 2010

Falando um pouco sobre felicidade



Todas as profissões têm sua visão do que é felicidade. Já li um economista defini-la como ganhar 20 mil dólares por ano, nem mais nem menos. Para os monges budistas, felicidade é a busca do desapego. Autores de livros de auto-ajuda definem felicidade como "estar bem consigo mesmo", "fazer o que se gosta" ou "ter coragem de sonhar alto".

O conceito de felicidade que uso em meu dia-a-dia é difícil de explicar num artigo curto. A idéia é mais ou menos esta: todos nós temos desejos, ambições e desafios que podem ser definidos como o mundo que você quer abraçar. Ser rico, ser famoso, acabar com a miséria do mundo, casar-se com um príncipe encantado, jogar futebol, e assim por diante. Até aí, tudo bem.

Imagine seus desejos como um balão inflável e que você está dentro dele. Você sempre poderá ser mais ou menos ambicioso inflando ou desinflando esse balão enorme que será seu mundo possível. É o mundo que você ainda não sabe dominar. Agora imagine um outro balão inflável dentro do seu mundo possível, e portanto bem menor, que representa a sua base. É o mundo que você já domina, que maneja de olhos fechados, graças aos seus conhecimentos, seu QI emocional e sua experiência. Felicidade nessa analogia seria a distância entre esses dois balões - o balão que você pretende dominar e o que você domina. Se a distância entre os dois for excessiva, você ficará frustrado, ansioso, mal-humorado e estressado. Se a distância for mínima, você ficará tranqüilo, calmo, mas logo entediado e sem espaço para crescer. Ser feliz é achar a distância certa entre o que se tem e o que se quer ter.

O primeiro passo é definir corretamente o tamanho de seu sonho, o tamanho de sua ambição. Essa história de que tudo é possível se você somente almejar alto é pura balela. Todos nós temos limitações e devemos sonhar de acordo com elas. Querer ser presidente da República é um sonho que você pode almejar quando virar governador ou senador, mas não no início de carreira. O segundo passo é saber exatamente seu nível de competências, sem arrogância nem enganos, tão comuns entre os intelectuais. O terceiro é encontrar o ponto de equilíbrio entre esses dois mundos. Saber administrar a distância entre seus desejos e suas competências é o grande segredo da vida. Escolha uma distância nem exagerada demais nem tacanha demais. Se sua ambição não for acompanhada da devida competência, você se frustrará. Esse é o erro de todos os jovens idealistas que querem mudar o mundo com o que aprenderam no primeiro ano de faculdade. Curiosamente, à medida que a distância entre seus sonhos e suas competências diminui pelo seu próprio sucesso, surge frustração, e não felicidade.

Quantos executivos bem-sucedidos são infelizes justamente porque "chegaram lá"? Pessoas pouco ambiciosas que procuram um emprego garantido logo ficam entediadas, estacionadas, frustradas e não terão a prometida felicidade. Essa definição explica por que a felicidade é tão efêmera. Ela é um processo, e não um lugar onde finalmente se faz nada. Fazer nada no paraíso não traz felicidade, apesar de ser o sonho de tantos brasileiros.

Felicidade é uma desconfortável tensão entre suas ambições e competências. Se você estiver estressado, tente primeiro esvaziar seu balão de ambições para algo mais realista. Delegue, abra mão de algumas atribuições, diga não. Ou então encha mais seu balão de competências estudando, observando e aprendendo com os outros, todos os dias.

Os velhos acham que é um fracasso abrir mão do espaço conquistado. Por isso, recusam ceder poder ou atribuições e acabam infelizes. Reduzir suas ambições à medida que você envelhece não é nenhuma derrota pessoal. Felicidade não é um estado alcançável, um nirvana, mas uma dinâmica contínua. É chegar lá, e não estar lá como muitos erroneamente pensam. Seja ambicioso dentro dos limites, estude e observe sempre, amplie seus sonhos quando puder, reduza suas ambições quando as circunstâncias exigirem. Mantenha sempre uma meta a alcançar em todas as etapas da vida e você será muito feliz. 



Stephen Kanitz