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8 de junho de 2011

Exigência e solidão




Uma recente pesquisa do IBGE aponta que uma entre quatro mulheres que se casam no Brasil são mais velhas que seus companheiros. Esta mesma pesquisa também aponta um crescimento no número de mulheres que ganham mais que seus maridos. Esta é uma tendência que nos revela algo bem importante. Será esta uma saída para o impasse que tem se acentuado nas últimas décadas?

As mulheres foram conquistando cada vez mais espaço na sociedade. Hoje, mais de 50% dos universitários são do sexo feminino, o mercado de trabalho reconhece cada vez mais a capacidade e eficiência das mulheres. Elas assumem presidências de empresas, de países, são gerentes, ganham bem. E ainda, procuram equilibrar sua vida com cuidados físicos, estética, autoconhecimento e religiosidade.

Porém, quando decidem resolver sua vida afetiva e sexual, não encontram um homem que esteja de acordo com suas expectativas. Algumas se separaram, outras tiveram até um casamento bem-sucedido, mas ficaram viúvas e nunca mais se casaram. Muitas tiveram alguns namorados, mas nenhum que justificasse o “felizes para sempre”. O contingente de mulheres poderosas e solitárias é enorme.

Alguns estudos mostram que, quanto mais idade tem uma mulher, mais dificuldade ela terá em encontrar um homem maduro, com um nível sócio-econômico-cultural igual ou superior ao dela. Já para os homens ocorre o inverso. Se imaginarmos uma pirâmide que represente o mercado de opções para relacionamentos, as mulheres que estiverem mais perto do topo, olhando para cima, vêem poucos homens disponíveis. O homem que estiver na mesma posição, olhando para baixo, vê muitas possibilidades.

Mas todo o problema está no ponto de vista de quem olha. As mulheres foram condicionadas a buscarem um homem mais velho que elas, um protetor. Os homens foram condicionados a buscarem mulheres mais novas e mais dependentes em vários sentidos. Eis o impasse! Se a mulher madura e poderosa olha para cima ou mesmo para o lado, tentando encontrar um parceiro à sua altura, ela o vê olhando para baixo e não para elas.

O que percebemos é o desencontro. Mulheres reclamando que não existem homens disponíveis para elas, ao menos do jeito que querem. Homens que reclamam das mulheres, que não lhes dão atenção. Todos solitários, perdendo a oportunidade do carinho, do prazer, do abraço, do beijo, deste lado delicioso e importante da vida.

Mas, até quando viveremos assim, exigentes e solitários?

Conheço gente que está se dando bem no amor. São pessoas que entenderam que a resposta não está fora de si. Elas conseguiram sair do pensamento comum e olhar para os relacionamentos com outros olhos. Pararam de exigir tanto, relacionam-se com muito mais flexibilidade e leveza. Entenderam que podem aprender muito na relação e que estar com alguém é uma grande oportunidade de crescimento. Sabem também que ninguém é perfeito.

Não é porque o homem tem barriga que ele não pode ser um companheiro muito legal. Não é porque ela é mais velha que não pode ser uma mulher incrível e gostosa. Por que a mulher tem que ser magrinha e não gordinha? Por que o homem tem que ganhar mais que a mulher? Por que o homem tem que pagar a conta? Por que não namorar um rapaz mais novo? Por que não proporcionar uma bela viagem para ele? Qual é o problema? Por que a mulher não se dá o direito de estar com um gatão bonito? Tudo está em sair dos preconceitos, mudar o ponto de vista. Na pirâmide dos relacionamentos, os homens também podem olhar para cima e as mulheres para baixo, ampliando assim seu leque de opções.



Sergio Savian


Cold Play - Clocks


24 de fevereiro de 2011

Amores modernos



Que tempo é esse de tantas máquinas e pouco amor? Na internet, você se oferece num classificado. Pesos e medidas que nunca vão definir quem você é. Que tempo é esse que anestesia o coração?

O sexo corre solto, ninguém é de ninguém. Vale tudo no jogo da sedução. Corpos e formas nas prateleiras da noite. Quantidade versus qualidade. Como é mesmo ser íntimo? Conversa em volta da mesa, troca de idéias, papo furado. Abrir a guarda, ficar vulnerável, de carne e osso como todo mundo é.

Nos tempos modernos você não conhece o vizinho, esquece dos amigos. O trabalho, o sucesso, o congestionamento e a fumaça embotam os sentidos.

Desfile de tragédias e cenas chocantes invadem sua casa, de onde você vê o que acontece no mundo. Acostuma com a desgraça e nem lembra que pode mudar o canal. Toneladas de informações para se manter no mercado. Para não perder o seu posto, defender a posição.

Mas se você parar para pensar no que está fazendo, se consultar a alma para saber o que ela quer, pode ser que você leve um susto ao perceber que esse dia-a-dia não o leva a lugar algum.

Afinal, o que você espera da vida? Será que não é mais um boi na boiada? Como andam suas relações?

A música bem alta, a melodia que falta. O divertimento que tenciona mais do que relaxa. Tudo para disfarçar o desgosto, a falta de entusiasmo. Tudo para esconder o quanto você está só.

Mas existe outro jeito de ser, que não depende desses tempos, e que pode ser muito mais interessante. E você o descobre quando experimenta os caminhos que foram apontados por sábios homens, em um tempo de menos tecnologia e muito mais compaixão.




Sergio Savian

23 de janeiro de 2011

Rede de afetos




A vida fica muito melhor quando observamos o equilíbrio entre o dar e o receber. Para que você faça isso com mais consciência vão aí algumas dicas.

Primeiro, saiba o que você quer, quais são seus desejos e aspirações. Imagine tudo com muitos detalhes, quanto mais precisão melhor. Assim, você estará enviando esta informação para os "canais competentes" que trabalharão para tornar seus sonhos uma realidade.

Mas não se atenha somente ao que você quer, fique aberto também ao que lhe é oferecido, pois a vida é muito criativa e pode lhe dar muito mais do que você imagina.

Reconheça sempre quando você recebe algo, desde um bom negócio, o sorriso de uma criança, a beleza de uma flor, a gentileza de alguém. Se prestar atenção, o dia você sempre ganha alguma coisa o tempo todo: o ar que você respira, a comida que você come, a amizade de alguém, as palavras lidas em um livro, o tempo todo você recebe. Reconheça isto e agradeça.

Preste atenção também ao que ainda falta em sua vida, como por exemplo, o amor. Como fazer para atraí-lo? Dê exatamente aquilo que pretende receber. Para atrair o amor, distribua-o. É isso mesmo. O amor vem mais facilmente àquelas pessoas que são generosas, alegres e otimistas. A melancolia não é atraente!

Por isso, verifique todas as possibilidades que você tem de fazer alguma coisa para alguém. Quer seja na sua casa, com as pessoas de seu convívio, desde as mais próximas, até as que você nem conhece muito bem. Cumprimente, chame pelo nome, dê presentes, ajude, elogie, colabore. E, além de fazer isto, observe os sentimentos que você provoca não só aos outros, mas principalmente em você mesmo. É bem provável que você chegue à conclusão que ser generoso é a forma mais feliz de viver.

Todo mundo quer encontrar alguém especial para sua vida. Quer alguém para si, que vai preencher um vazio, sanar a carência afetiva, compartilhar a vida, fazer sexo. Mas somente o querer não basta como estratégia.

Ofereça o seu melhor, e fique atento para oferecer algo que a outra pessoa realmente precisa e não o que você imagina que ela precise. Seja generoso, mas com inteligência. Se possível, sem esperar nada em troca. Seja simplesmente irresistível. Assim, fica muito mais fácil e viável aproximar as pessoas e ter uma rica vida amorosa.


Sérgio Savian