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20 de outubro de 2012

Quando os problemas sexuais atrapalham o relacionamento...




Amor é um sentimento universal. Podemos amar muitas pessoas ao longo de nossa história. Entretanto, o que diferencia uma relação da outra é a forma como esse amor é exercitado, isto é, são as atitudes que usamos para demonstrar esse sentimento! Neste caso, estamos nos referindo àquele tipo de encontro que se diferencia dos demais por conta da intimidade sexual.

Seja este tipo de relacionamento entre pessoas do sexo oposto ou pessoas do mesmo sexo, ele se caracteriza, portanto, porque há o desejo, a atração física, a busca da realização e do encontro pelo prazer sexual. E nada mais saudável e gostoso do que quando esse encontro acontece com respeito, em que um e outro podem se mostrar como são, falar do que querem, como querem e também de seus sentimentos e dificuldades, medos e limitações.

Mas, infelizmente, é mais comum do que supomos acontecer de os casais não conseguirem criar esse espaço. Por timidez, tabus ou crenças equivocadas, não falam sobre sexo. Fazem sexo -ou tentam- mas não falam sobre o assunto. Assim, com o passar do tempo, o que era um medo ou uma insegurança compreensível e até natural, termina se transformando em fantasmas horrorosos, verdadeiros monstros que perturbam a relação, atrapalham a intimidade e distorcem os sentimentos.

Resultado? Podem ser vários: ejaculação precoce, dificuldade de ereção, frigidez, vaginismo, até a completa impotência. Ou seja, duas pessoas que se amam, mas não conseguem sentir prazer na intimidade. Daí para surgirem sentimentos como insegurança, baixa autoestima, ciúme, irritação, angústia e afastamento é só uma questão de tempo e de brigas após brigas.

Conclusões precipitadas e erradas são tiradas sem que uma conversa franca e sincera aconteça. Um acusa o outro. Ou pior: os dois se fecham e fingem que nada está acontecendo. Ignoram a desastrosa situação sexual em que se encontram. Sentem tanta dificuldade de lidar com o assunto que simplesmente abrem mão do prazer e desistem da felicidade. Assim, a relação se torna cinza, sem graça, morna, triste, insossa, descaracterizada.

É óbvio que, se vislumbrasse uma saída, ninguém optaria por viver assim. Por isso, a pergunta a ser respondida é: o que fazer? Felizmente, existem muitas soluções, muitas formas de tratar e curar os problemas sexuais. E o melhor: na maioria das vezes, é bem mais simples e rápido do que se supõe. Porém, para que qualquer método funcione, é preciso que os envolvidos queiram resolver a questão, estejam abertos e disponíveis para essas possibilidades.

Considerando que grande parte dos problemas é psicológico, decorrente de travas emocionais, a terapia sexual pode ser um método fantástico e muito eficiente para mudar esse quadro e fazer com que um casal reencontre o caminho do prazer e da satisfação. Essa terapia pode ser realizada com os dois ou somente com aquele que está se sentindo aquém de seus desejos e expectativas.

Mas sabemos que existem também os casos em que a trava tem a ver com problemas físicos, tais como diabetes, disfunções hormonais, entre outros, e até com a idade, má alimentação ou sedentarismo. Para esses também existem soluções. Recentemente, o jornalista esportivo Jorge Kajuru deu uma entrevista revelando que o implante de uma prótese peniana mudou sua vida. Mas ele não é o único e nem o primeiro famoso a falar sobre o assunto.

Na era da pílula azul, em que a tecnologia e a medicina estão a favor da sexualidade, o cantor Sérgio Reis, aos 70 anos, também contou sobre sua busca pela solução de seus problemas sexuais. Ou seja, embora ainda haja tanta dificuldade, especialmente por parte dos homens, para falar sobre suas limitações sexuais, a situação pode ser outra e logo!

Claro que não é preciso ser capa de revista nem anunciar aos quatro cantos os detalhes de sua vida sexual, mas se existe algo que o incomoda e que faz com que você se sinta insatisfeito, talvez seja hora de parar de sofrer sozinho, de parar de se punir e se impor a infelicidade. Mesmo que seja de modo discreto, o ideal é que você se cuide integralmente e consiga resgatar as delícias de estar vivo e de amar e ser amado!


Rosana Braga

23 de outubro de 2011

Sexualidade



Este é um tema central na vida de todos, estejamos ou não vivendo a dois. Além disso, também faz parte do nosso cotidiano o fato de que a sexualidade continua sendo tabu em nossa cultura. Justamente por isso temos ainda muitas dificuldades em viver natural e integralmente a nossa sexualidade.

Houve mudanças muito significativas desde os meados do século passado em que vários paradigmas foram sacudidos e as posições do homem e da mulher passaram não só a ser questionadas, como também reavaliadas e modificadas em um curto espaço de tempo e de forma contundente. A mulher saiu da sombra do homem e passou a ocupar um lugar por si mesma, seja nos âmbitos social, profissional e político, além de mais obviamente no âmbito familiar.

Estamos vivendo explicitamente desencontros muito frequentes em que a mulher tem exigido do homem atitudes e posicionamentos aos quais ele não foi preparado para responder. Assim, é evidente o desconcerto, a perplexidade e o susto que se percebe no homem, em geral por não poder compreender o que ocorre, tentando satisfazer à mulher sem realmente saber por onde começar, e ainda se sentindo muito arraigado aos hábitos que foram vigentes durante muitos séculos com relação ao que definia o ser masculino e o feminino.

Existe ainda muita inibição e repressão com respeito à expressão da sexualidade. É muito comum ainda viver a sexualidade em torno à experiência genital unicamente, sobretudo em torno à perseguição do orgasmo como meta e confirmação da satisfação, sendo a sexualidade definida como “satisfatória e bem vivida” quando o orgasmo é conseguido.

O homem ainda se sente responsável pelo orgasmo da mulher, portanto pode facilmente cair em um descrédito de sua masculinidade caso a mulher não demonstre a satisfação esperada.

Como consequência também ocorre que a mulher aprende a representar essa satisfação para não frustrar, nem possivelmente perder o homem, como também para manter a imagem de “boa amante” e “mulher liberada”. Nestes casos, a mulher se distancia de seu próprio ritmo e verdadeiro desejo, chegando a perder totalmente o contato com a sua energia sexual individual.

Em diversas relações é frequente a utilização da sexualidade como moeda de intercâmbio: “se você me der tal coisa eu te dou tal outra, caso contrário nego o que você mais quer”. E isso tem acontecido tanto com homens como com mulheres.

A dificuldade de comunicação de forma clara e sincera, os contínuos desencontros e o desconhecimento do próprio corpo, incluindo a inconsciência de sua energia sexual a um nível sutil e profundo, desembocam com frequência em uma sublimação do sexo, no desinteresse e na negação em explorar e expandir a própria sexualidade, tanto individualmente, como também dentro da relação a dois.

Às vezes ocorrem tentativas de viver o sexo somente como válvula de escape de tensões e confirmação da masculinidade e feminilidade, transformando os encontros em meros exercícios físicos desconectados do todo.

O homem aprendeu, em nossa cultura, a medir sua masculinidade pela quantidade de pessoas com as quais manteve relações sexuais. A mulher aprendeu a usar sua sexualidade e seu corpo para obter contato afetivo e sentir-se desejada. Mas esses aprendizados têm causado as maiores frustrações, além de acusações mútuas que provocam um abismo dentro de relações que deveriam ser as mais próximas e íntimas. É patente perceber o quanto a integração do prazer se torna impedida, os canais que propiciam a criatividade e a saúde psicofísica se mantêm obstruídos e a evolução do ser humano, em níveis menos aparentes e mais sutis, permanece estagnada.

O caminho mais imediato e mais fácil para restabelecer a fluidez da energia sexual é, a meu ver, reconhecer, explicitar e se propor a mover-se em torno aos aspectos, atitudes e comportamentos que têm dificultado e/ou impedido a integração da sexualidade na própria vida como um todo.




Suzana Stroke






3 de outubro de 2010

Sexualidade prematura

Cinderella ate my daughter – Cinderela devorou minha filha – é um livro que está causando polêmica nos Estados Unidos. Nele, a autora, a jornalista Peggy Orenstein, critica duramente a tendência girly – algo como mulherzinha – que tomou conta das meninas do mundo ocidental. Muito rosa, muito enfeite, maquiagem, escova nos cabelos – hábitos femininos que estão virando mania para as meninas cada vez mais cedo. Ela diz que 40% das meninas de seis anos já usam batom regularmente. A ligação com as princesas que elas tanto admiram, afinal, é ingênuo e as protege num mundo de sonhos ou na realidade as empurra para um mundo sexualizado muito antes da puberdade?

Mãe de uma menina, a autora foi a campo. Visitou a Disneilândia e feiras de brinquedos com suas dezenas de lançamentos para meninas e entrevistou pais de participantes de concursos de beleza infantil, assim como pais de meninas, em geral. Dissecou a cultura pop, os contos de fadas, e inventou um avatar para conversar com adolescentes pela internet.

Sua constatação é de que a ênfase no gênero desde cedo resulta em uma sexualização precoce, a preocupação exacerbada com a beleza e o corpo e auto-estima centrada no olhar dos outros. Segundo Orenstein, o girl-power da década de 90, quando as mulheres alcançaram o ápice de sua liberdade, somado ao culto ao corpo, formaram uma atual geração de meninas absolutamente neuróticas por sua aparência – mais do que pelo que elas realmente são, sua personalidade.

Mas que pais negariam uma roupa de princesa a suas filhas, ou brinquedos cor-de-rosa ou uma festa de aniversário com cabeleireiro e maquiador? – ela pergunta. Sinceramente, acho que nenhum. A maioria vê tudo com um olhar embevecido. Isso quando não as estimulam ainda mais – especialmente as mães (e muitas vezes pelo próprio exemplo).

Ela diz que é preciso dar as meninas brinquedos neutros e estimular atividades com meninos. “É fato que crianças não são criadas no vácuo. Mas a influência dos pais para frear a tendência girly é muito importante”, afirma.

Martha Mendonça

14 de julho de 2010

Por detrás do véu

Aqui ou no Irã, a fofoca entre as mulheres é universal. É este o delicioso tom que rege "Bordados" (Companhia das Letras, 136 páginas), história em quadrinhos de Marjane Satrapi, famosa pela série autobiográfica "Persépolis", que há três anos virou filme. Os almoços de família na casa da avó da jovem Marjane, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois, começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas, o "bordado", tema deste que é o terceiro livro de Marjane Satrapi.

É nesse momento do "samovar", do chá após as refeições do almoço e à noitinha, que as mulheres se sentam, e neste momento, desde a avó até a Marjane contam causos e discutem suas experiências amorosas. Esses relatos são bastante apimentados, o que surpreende se considerar os estereótipos de recato da mulher do Irã. O grupo é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica de 1979.

O "bordado" iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo "tricô", não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento, mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país.

As conversas revelam, ainda, a evolução do papel feminino naquele país. Apesar do rigor religioso, as mulheres buscam o amor em suas vidas e a emancipação sexual, ainda que às escondidas, sem abandonarem uma chance de serem felizes, ainda que muitas vezes enfrentem frustrações.

A história só ganha em riqueza com seu formato, que não faz uso de quadros, mas constrói um texto solto - em fonte que imita a letra de mão - e os desenhos característicos de Marjane espalhados pelas páginas.

Bom de ler em uma sentada! 



Fonte