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25 de agosto de 2012

Você é um dependente afetivo?





Há pessoas que se arrepiam só com a possibilidade de ficar dependente de alguém ou alguma coisa, passam a vida lutando contra isso, e algumas vezes tornam-se onipotentes, distantes e sós. E há pessoas que tremem apenas com a ideia de dependerem principalmente de si mesmo; confundem individualidade com solidão, abandono e rejeição. São as duas faces da mesma moeda, os primeiros temem se envolver e perder a sua individualidade e o outro extremo teme tê-la. Na verdade ambos acreditam que a autonomia e a capacidade de cuidar de si, tomar as próprias decisões, fazer escolhas, está fora de seu controle, ou melhor, fora de si.

A dependência afetiva é um estado de imaturidade que faz parte do processo natural de desenvolvimento humano, ou seja, nascemos totalmente dependentes, tanto fisicamente como afetivamente. Com nossas vivências e experiências vamos evoluindo de forma gradativa buscando nossa independência emocional.

Algumas vezes temos clareza de nossas dificuldades, então nos resta pelo menos duas saídas: enfrentá-las e superá-las, mas nem sempre a dependência afetiva é consciente.

Uma pessoa é dependente afetivamente quando sua autonomia está prejudicada, ela precisa de algo ou alguém para sentir-se segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como decidir que roupa vai usar por exemplo, ou até as mais difíceis, como que profissão escolher... se muda de emprego ou não... se continua namorando ou não, se casa ou não... enfim, inúmeras situações onde está implícita a escolha.

Você deve estar se perguntando: mas, todos nós não gostamos de uma opiniãozinha às vezes? Sim, é verdade, pedir a opinião de alguém sobre algo não o torna dependente afetivo. A diferença está quando você depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu desejo se ele não for aprovado se não houver o aval de alguém. O objeto de dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, ocupa um espaço vazio. A dependência pode ser de uma pessoa específica, uma droga, uma atitude de carinho, uma palavra amiga, ou mesmo de alguém que lhe possa ouvir ou dizer o que deve fazer.

Na verdade essas pessoas ou objetos tem uma única função para o dependente afetivo, dar a sensação de segurança que precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais e/ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações que fazemos, não é algo que vem de fora é algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional.

No Psicodrama dizemos que toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja, são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebemos primeiramente por nossa família de origem e secundariamente através das demais relações que vivenciamos durante a vida. Nos primeiros anos de vida necessitamos da confirmação de nossas atitudes, da certeza de que nosso comportamento está sendo aceito pelas pessoas que amamos. Com o nosso desenvolvimento emocional, passamos a desejar e não mais necessitar dessa aprovação. Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A criança é espontânea e criativa por natureza, ninguém nasce culpado em ser espontâneo. A dependência afetiva muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no relacionamento familiar, pelos conflitos pessoais, pela sensação de rejeição e de não ser aceito.

Na verdade ninguém é dependente sozinho, dependência afetiva é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente, a mãe com certeza também o é, pois neste caso, a mãe é quem a estimula e acredita em seu potencial ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a autoestima e a sensação de segurança pessoal. Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado e se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos. Não podemos perder de vista o humano que existe em nós, somos criatura e criadores capazes e genuinamente, imperfeitos.


Sirley Bittú

25 de maio de 2012

Muita aparência pra bem pouca consistência!




Praticamente impossível não surgir ao menos um assunto incluindo o tema relacionamentos numa rodinha de bate-papo, seja entre homens, mulheres ou os dois juntos.

É de praxe falar sobre um casal conhecido, a própria relação ou sobre casos ouvidos. Ou seja, a grande maioria das pessoas sempre tem uma opinião, uma história ou uma experiência vivida que inclui afeto, amor, paixão e todos os sentimentos consequentes.

Acontece que, cada vez mais, tenho tido a impressão de que o que se fala não é exatamente o que se sente. Ou melhor, a maneira com que se tem falado das situações que envolvem o coração é bem destoante do modo com que se tem vivido os sentimentos.

A meu ver, temos maquiado nossas palavras e colocações a fim de mostrá-las seguras, cheias de certezas, tão certas a ponto de tornarem-se inflexíveis, ao menos aparentemente. Parece-me que estamos convencidos de que precisamos provar que temos uma autoconfiança e uma auto-estima imbatíveis, indestrutíveis, sobre-humanas talvez...

Mas estou certa de que a realidade não é bem essa! Na solidão de cada quarto, no consolo de um ombro amigo, nas confissões feitas nos divãs e até na busca esperançosa nos templos, igrejas e orações, fica evidente que há bem pouca consistência nesta aparente perfeição.

Mais do que isso, a fragilidade e os intermináveis questionamentos que rondam tantos corações estão gritando em cada relação vivida e até mesmo naquelas não-vividas. A carência, o medo de sofrer, dúvidas sobre o que fazer e como agir revelam o quanto o ego de tanta gente está bem maior do que sua consciência.

Por quê? É... também me faço esta pergunta e não a encontro em absoluto, pois felizmente não sou dona da verdade, mas suponho que elas têm tentado – a todo custo – tão somente se defender. Entretanto, de tão defendidas, de tão cheias de couraças, escudos e máscaras, terminam subjugando sua essência e, portanto, se distanciando daquilo que realmente sentem.

Creio que a autopercepção seja um bom primeiro passo. Observarmos aquilo que estamos dizendo, pensando ou fazendo é uma maneira eficiente de constatarmos o quanto nossas palavras têm estado desafinadas com o que carregamos no peito.

Frases carregadas de prepotência, do tipo eu sou assim e pronto, se quiser, ele (ou ela) que mude de idéia, ninguém vai mandar em mim, entre outras, só servem para encorpar um orgulho que não nos preenche e nem nos satisfaz.

Que a partir de agora, possamos admitir mais: não sei, talvez eu tenha mesmo que mudar de ideia, quem sabe eu esteja enganado?, estou confuso, com medo, precisando de ajuda...

E que assim, bem mais consistentemente humanos, possamos nos encontrar num abraço maior que nossos próprios braços, que nos acolha não porque parecemos sempre certos, mas porque somos sempre ‘gente’... e gente precisa de afeto!

Rosana Braga

20 de fevereiro de 2012

A diferença entre os avanços tecnológicos e os afetivos é alarmante!





Nos últimos 50 anos, os avanços conquistados na área da tecnologia, da ciência e da medicina foram (e tudo nos leva a crer que serão cada vez mais) inimagináveis.Nunca evoluímos tanto no desenvolvimento da informática, maquinários, descobertas científicas e também no universo da saúde, especialmente no que se referem à extensão da juventude, cirurgias estéticas e transplantes de órgãos. 

Os meios de comunicação também surpreendem os que, há menos de 25 anos, ainda se comunicavam fundamentalmente por telex e linha telefônica – que era disputada a ferro e fogo e custava uma quantia considerável. Quem imaginava que tão rapidamente teríamos câmeras ao vivo, espalhadas pelo mundo todo? 

Hoje, a tecnologia nos permite acompanhar a dinâmica do mundo em tempo real. Já se fala até em construir um Avatar de você mesmo para deixar para a posteridade. Ou seja, você já pode ser imortal, o que significa que seus bisnetos, tataranetos e gerações seguintes poderão falar com a sua versão virtual, através de qualquer computador. 

Espantoso? Creio que não! Ou melhor, creio que esse avanço é totalmente compatível com a inteligência e a criatividade humana. Porém, espantoso mesmo é o quanto nos mantemos retrógrados e atrasados no campo das emoções. Se traçarmos um paralelo entre esse estonteante crescimento e o amadurecimento afetivo que tivemos no mesmo período, constataremos que estamos diante de um dilema bastante perigoso. 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), daqui a 10 anos, a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Prevê também, que a cada 30 segundos, pelo menos uma pessoa cometerá suicídio no mundo. Além disso, sabe-se que cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de distúrbios afetivos, incluindo ansiedade, bipolar, TOC, depressão, entre outros. 

Agora, pensemos: a expectativa de vida aumenta a cada ano, mas a nossa capacidade de lidar com nossas emoções, expressar nosso afeto ou simplesmente conversar sobre o que nos incomoda continua tão pequena. Bastaria analisarmos o fato de que uma mulher, por exemplo, pode voltar a ser virgem por meio de uma cirurgia de reconstituição do hímen e, no entanto, a maioria dos casais sequer consegue falar sobre sua sexualidade e suas dificuldades porque têm medo de se entregar, de confiar ou de compreender melhor suas crenças sobre sexo. 

Tudo isso sem falar sobre a tão pouca atitude consciente que ainda temos a respeito da preservação da natureza, ou ainda sobre como ser gentil com as pessoas que mais importam, seja nosso cônjuge, nossos filhos ou familiares. No ambiente de trabalho, quantos ainda cumprem sua carga horária exclusivamente em troca do salário mensal, sem nenhuma perspectiva de transformação humana, sem nenhum comprometimento com a qualidade das relações que mantém a maior parte do dia, da semana, do tempo de sua vida? 

Se quisermos realmente vivenciar a felicidade enquanto desfrutamos de avanços como cura de doenças, possibilidades de novos relacionamentos e facilidades tecnológicas é urgente adotarmos uma nova postura diante da vida. Claro que as atitudes que nos conduzem ao amadurecimento não são resultado apenas de uma decisão, mas certamente este é o primeiro passo. Em seguida, por meio de leituras, terapias, espiritualização e novos aprendizados, é certo que poderemos fazer um ótimo trabalho. 

Sobretudo, que não nos enganemos: conhecimento se dá pelo processo de assimilação das informações corretas. Mas sabedoria, aquela que promove a transformação de que tanto precisamos, só é possível quando nossas atitudes são coerentes com o que sabemos. Ou seja, exercício diário, consistente e ininterrupto!


Rosana Braga

16 de julho de 2011

A maturidade afetiva



A afetividade não está por assim dizer encerrada nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade. Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.

Observamos isto claramente no fenômeno de "fixação na adolescência" ou na "adolescência retardada". O adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável. Essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma "fixação", permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.

É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.

Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos incompletos, mal-formados, imaturos que estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem consequências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se "descasam", se "juntam" e se separam.

O conceito de amor que se cultua na nossa época parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenômeno tem inúmeras manifestações.

- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com amor profundo. Incapazes de um amor maduro, pessoas acham que é mais fácil conquistar do que manter a conquista.

- Diviniza-se o amor: a pessoa imatura idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge.

- No imaturo, o amor fica "cristalizado” na fase de deslumbramento, e não aprofunda na "versão real" que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se.

- A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos são dinâmicos. A pessoa madura sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre carinho.
- O imaturo quer antes receber do que dar. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação.

Os sentimentos são caminho de ida e volta, onde deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum. A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. Quem não é solidário termina solitário.


Rafael Llano Cifuentes 

Minnie Riperton- Loving You (Is easy cause your beautiful)


6 de julho de 2011

Carícia em abundância é essencial ao homem e à mulher



Carícia é a unidade de reconhecimento humano. Começa no nascimento, com o toque físico. Depois passa para palavras, olhares, gestos e aceitação.

Na história das carícias, existem conceitos de distribuição de carícias que levam a gente a acreditar que as carícias são poucas, tão poucas que precisamos guardá-las. O resultado é mesquinhez de afeto. Em contrapartida, todos nós queremos ser reconhecidos. Todos nós necessitamos de carícias.

Homens e mulheres guardam seus carinhos como um avarento guarda dinheiro. Ou sexualizam tudo (e vivem se culpando por isso, achando que estão pecando), fogem do contato real com as pessoas e acabam vivendo na miséria afetiva, ou sexualizam a vida de forma consumista, em que o orgasmo, a quantidade de parceiros, o desempenho “atlético” passam a ser mais importantes que a entrega.

Então nasce “o amor de troca”! Como se o amor fosse uma moeda.

“Então, sempre que lhe dou algo, tenho que receber algo em troca (porque senão eu fico sem nenhuma carícia)!”

“Você tem que cuidar de mim hoje... porque na semana passada eu cuidei de você.”

“Cuidei de você quando pequena, agora você tem que cuidar de mim.”

“Eu vou para a cama com você... se você casar comigo.”

O prazer da entrega é substituído pelo medo de ficar sem algo, de ficar vazio. Porque, com o pressuposto de que o amor acaba, é preciso escolher muito bem a pessoa, a situação, para dar carícias... Isso é miséria afetiva, em que as pessoas passam fome de amor, apesar da abundância de amor que existe na humanidade...

É como na miséria humana, na qual pessoas passam fome, apesar de produtivas, porque os recursos gerados são usados para aumentar o controle de umas sobre as outras. A miséria afetiva é tão ou mais grave do que a miséria material, pois tira do ser humano a sua condição de homem participante de sua espécie, porque conduz o homem à mesquinhez, à solidão.

As pessoas, em razão da mesquinhez afetiva, começam a desconsiderar suas necessidades. Como diz o psiquiatra inglês Ronald Laing: “Com um trabalho enorme, um desejo é negado, substituído por um receio, que gera um pesadelo, que é negado, e sobre o qual é, então, colocada uma fachada”.

Porque para alguém ser ele próprio é necessária uma dinâmica que respeite sua individualidade. Mas as pessoas condicionam-se a seguir padrões predeterminados em que o novo incomoda, amedronta, revela os sistemas que a família e toda a sociedade desenvolveram para anular a sua criatividade.

E o novo, o individual, é sacrificado, em benefício do coletivo. Se for muito revolucionário, cria-se a ameaça de punição (“Portanto, o melhor que você faz, é assumir a direção da nossa fábrica, porque com esta crise...”).

E passa-se a viver dentro de um sistema de medo. Medo de ser abandonado, rejeitado ou criticado. E é dada uma importância absurda ao perigo de não ser amado por todos.

Sempre vão existir pessoas que gostam de nós do jeito que somos (e isso é sensacional); outras podem não gostar, pelas mais variadas razões — e isso é um direito também. É importante entender que todo mundo tem o direito de amar quem quiser. Mas, independentemente da reação das pessoas, você tem o direito de seguir o seu caminho e buscar a sua forma de ser feliz.



Roberto Shinyashiki 


Bee Gees - More Than A Woman

10 de junho de 2011

Reverenciando o amor e desatando os nós internos




A cada dia agradeço pelas pessoas que me fazem crescer ao compartilharem comigo suas vidas. Mais e mais entendo, que a ajuda mútua permite o desatar de nossos "nós" internos, incluindo aqui uma observação importante, a de que, entretanto, você também pode criar "nós" em seu parceiro sem perceber.

A falta de compreensão de seus conflitos internos e daqueles das outras pessoas, nos leva à agressividade e isso é sinônimo de excesso de emoções guardadas. Compartilhar emoções significa que você nunca deve se fechar em seus sentimentos, sentindo-os em profundidade e participando com os envolvidos aquilo que sente.

A pessoa que está ao seu lado hoje é fruto de sua busca pessoal e sabemos que o crescimento diferenciado pode frequentemente levar ao afastamento. Será que o que você está vivendo hoje como uma relação desgastada, não pode ser somente fruto da falta de diálogo e de compreensão do outro, originando "nós" emocionais e, por fim, bloqueios energéticos? Será que não chegou o exato momento de entender o outro em vez de implicar com ele?

Criar um relacionamento harmônico em sua vida significa ter diálogo, aproximação e entender o que é realmente importante para o outro. Se foi gerado um distanciamento entre você e seu parceiro, tente entender o motivo antes de assumir uma posição crítica. Uma das coisas que mais reforça um relacionamento é você se tornar especial na vida do outro, tendo a humildade de perceber que o problema pode estar com você.

Há pessoas que dão muita importância a elogios pessoais e palavras de incentivo... Veja, então, se no seu relacionamento, o elogio é a coisa mais importante para seu parceiro... e se você muitas vezes age desmotivando-o ou colocando-o para baixo a fim de sobressair, tenha a certeza que o desastre emocional terá prazo determinado em sua vida.

Sentir-se amado é a primeira necessidade do ser humano; por amor fazemos tudo, até mesmo abrir mão de nossas necessidades e, nesse momento, cabe uma reflexão: será que de fato vale a pena você 'deixar de existir', se anular em função do outro? Pode ser que no dia em que você perceber que não vale mesmo a pena, o outro já tenha ido embora.

Necessidades supridas representam estabilidade emocional, mas você nunca poderá oferecer ao outro o que não tem. Este é o momento ideal de perceber que a pessoa que está ao seu lado é a mais importante do mundo, ela merece atenção, carinho, palavras de compreensão e incentivo, merece, sobretudo, ser ouvida. A paixão que os uniu um dia era ilusória, uma projeção do que você idealizava, mas hoje você vive a realidade e esta realidade requer compreensão e inteligência.

Palavras que edificam, elogios e admiração comunicam o amor. Os elogios motivam o outro a ir atrás de seus objetivos pessoais. É de suma importância estar próximo de quem você ama e prestar atenção aos seus desejos internos.

Será que você sabe ouvir quem está ao seu lado? Isso é muito mais difícil do que se possa imaginar... normalmente quando o outro fala, divagamos em pensamentos e nossa mente acelera. Aqui vai um dado incrível, a grande maioria das pessoas leva em média somente vinte segundos para interromper o outro, será que você também se enquadra nesta estatística?

Separe um tempo do dia para o diálogo, lembrando que sua presença e compreensão representam um presente e presentes se traduzem emoções positivas. Escute as críticas que o outro lhe dirige, elas podem mostrar as reais necessidades do outro.

Não acredite nunca que o seu relacionamento não tem mais jeito, não empurre a sua vida com a barriga, reestruture sua energia, trate do seu equilíbrio emocional e reverencie o amor em sua vida, resgatando quem um dia foi a pessoa mais importante para você.




Maria Isabel Carapinha

Pet Shop Boys - Being Boring

1 de junho de 2011

Procura-se beijos que satisfaçam!




A impressão que tenho é de que estamos todos tentando satisfazer um mesmo desejo, porém de maneira tão individualista e ansiosa que percebemos a noção do que realmente importa.

Assim, a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira epidemia. Vivemos num mundo onde tudo o que fazemos nos induz a ter cada vez mais. Um celular novo, um sapato de outra cor, uma jaqueta diferente, uma viagem em suaves prestações...

E enquanto isso, nos sentimos cada vez mais vazios. Nossa voz interna faz um eco que chega a doer; e tudo o que poderia nos fazer sentir melhores seria apenas um pouco de carinho.

A carência é tão grande, a sensação de solidão é tão forte que nos dispomos a pagar por companhia, por uma remota possibilidade de conseguir um pouco de carinho. Talvez você argumente: de forma alguma, eu nunca saí com uma garota ou um garoto de programa; jamais pagaria para ter carinho!.

Pois é, mas não é de dinheiro que estou falando. Estou falando das escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de afeto; das relações sexuais fáceis e fugazes, da liberação desenfreada de intimidade, da cama que chega às relações muito antes de uma apresentação de corações... Expomos nossos corpos, mas escondemos nossos sentimentos de qualquer maneira!!!

Ou, ao contrário de tudo isso, estou falando da amargura e do mau-humor que toma conta daqueles que não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto a qualquer preço...

Enfim, os extremos demonstram exatamente o quanto pagamos. De uma forma ou de outra, estamos pagando pelo carinho que não damos e pelo carinho que, muitas vezes, não nos permitimos receber.

Ou seja, se sexo realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto prometem as revistas femininas, as cenas equivocadamente exageradas das novelas ou os sites eróticos, estaríamos satisfeitos, não é? Mas não estamos, definitivamente não estamos!

Sabe por que? Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontros. Não se trata de julgamento de valor nem de pudor hipócrita. Não se trata de contar quantas vezes já esteve com alguém para saber se já pode transar sem ser chamada de ‘fácil’...

Trata-se de disponibilidade para dar e receber afeto de verdade, sem contabilizar, sem morrer de medo de parecer tolo; sem ser, de fato, pegajoso ou insensível... apenas encontrar a sua medida, o seu verdadeiro desejo de compartilhar o seu melhor!

Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam, sobretudo, fazer o outro se sentir querido, vivo. Tocar o outro é acordar as suas células, é revivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de humanidade, tão escassa em nossas relações.

Talvez você pense: mas eu não tenho ninguém que esteja disposto a fazer isso comigo, a me dar este presente. Pois é. Esta é a matemática mais enganosa e catastrófica sob a qual temos vivido. Quem disse que você precisa ficar à espera de alguém que faça isso por você?!?

Não! Você não precisa, acredite! De pessoas à espera de soluções o mundo está farto! Precisamos daqueles que estão dispostos a serem a solução! Portanto, se você quer vivenciar o amor, torne-se o próprio amor, o próprio carinho, a própria carícia. Torne-se a diferença na vida daqueles com quem você se relaciona, para quem você se disponibiliza.

A partir de hoje, ao invés de sair por aí dizendo que vai beijar muuuuito, concentre-se na sua capacidade de dar afeto e surpreenda-se com o resultado. Beije sim, sem se preocupar se é muito ou pouco. Beijar é bom, muito bom, sem dúvida; mas empenhe-se antes em trocar afeto, em se relacionar exercitando o respeito pelo outro, o respeito por si mesmo... e estou certa de que os encontros valerão muito mais a pena!



Rosana Braga

29 de maio de 2011

Quais são suas reais necessidades?





Quantas vezes temos necessidades físicas e emocionais e as negamos como se não as sentíssemos? Você pode até dizer que sabe quando está com fome e por isso come até mais do que gostaria. Mas quantas vezes você comeu mesmo sem fome, só para satisfazer uma necessidade que pensava ser fome? Você tem certeza que sua necessidade em alguns momentos é mesmo de comida? Quantas vezes comeu por raiva, ansiedade, nervoso, preocupação e só percebeu seus reais sentimentos depois que comeu? Não percebemos nossas necessidades na mesma proporção em que não percebemos nossos sentimentos, negamos até mesmo necessidades básicas.

Desde muito pequenos aprendemos a nos distanciar daquilo que sentimos e a priorizar as necessidades dos outros. Você nunca deixou o maior pedaço de bolo ou o maior bife para que seu marido ou sua filha comesse? Quantas vezes deixou de comprar um roupa para você, mas não deixou de comprar para seu filho? Você nunca poupou seu marido de ter que fazer o supermercado e, mesmo sobrecarregada e sem tempo, você conseguiu fazer as compras?

Como são divididas as tarefas da casa? Igualmente entre todos? Você tem o privilégio de chegar em casa depois de ter trabalhado dia todo e ir direto para o banho, sem ter nada para fazer? Ou ao chegar você coloca roupa na máquina de lavar, o feijão para cozinhar, enquanto isso, liga o computador, recebe e-mails, retorna alguns telefonemas pendentes, conversa com o filho, arruma a mesa para o jantar e depois disso tudo, seu marido chega e ao encontrar tudo praticamente em ordem, ele vai direto para o banho? Acontece assim em sua casa? E ao sair do banho, ele vai deitar só um pouquinho porque está muito cansado. E você, como se sente? O que faz com que a necessidade do outro se torne mais importante que a sua?

Geralmente sequer percebemos que temos necessidades. Algumas vezes, não falamos o que sentimos para evitar uma briga e chegamos a ponto de negarmos para nós mesmos o que sentimos e, assim, vamos levando, como diz o ditado: empurrando com a barriga. Mas até quando podemos viver assim? Você já parou para pensar nas possíveis causas dessas atitudes? O que faz com que neguemos nossas próprias necessidades enquanto buscamos suprir de quem está a nossa volta?

Muitas vezes aprendemos a negar nossas necessidades, ainda muito pequenos. Um exemplo: um bebê chora porque está com fome, mas a mãe não o atende. Por outro lado, quando não chora, a mãe o alimenta, pois está na hora. Assim, aos poucos, o bebê conclui que ao expressar sua necessidade, não é ouvido, mas quando não o faz, recebe atenção.

Outro exemplo: a criança ao chegar da escola triste porque brigou com um amiguinho, ouve a mãe dizer que isso não tem importância, porque briga de criança logo passa, que isso é bobagem. O que é bobagem, a tristeza da criança? E as infinitas vezes que essa mesma criança ouviu que criança não sabe o que fala, ou que só faz coisa errada? E aquela mãe que diz não é nada quando a criança pergunta por que ela está chorando? Alguém chora por não estar sentindo nada? É possível se sentir digno de confiança dessa mãe que nega o que está evidente? Como alguém pode crescer se sentindo importante e consciente de seu valor enquanto pessoa se tudo que faz ou sente é errado, ou se não lhe dizem a verdade?

À medida que essa criança cresce irá registrando em seu inconsciente que é melhor negar e não demonstrar o que sente, pois aprendeu que mesmo que demonstre suas necessidades, elas não serão atendidas. E você, quantas vezes teve alguém que realmente se importou com o que sentia, com seus medos, seus pesadelos, suas dúvidas, quando era criança? Quem o ouvia com atenção e o fazia se sentir compreendido e seguro?

Antigamente, raramente os sentimentos de uma criança eram ouvidos e respeitados, levando-nos muitas vezes à conclusão que para satisfazer nossas necessidades não devemos demonstrar que as temos. É assim que desde crianças aprendemos a negar nossas necessidades, sentimentos e supervalorizamos as necessidades de outras pessoas. Assim, passamos a dar ao outro aquilo que gostaríamos de receber.

Como esse processo todo acontece de forma inconsciente, raramente percebemos que fazemos isso e até damos justificativas quando fazemos por alguém o que sequer pensamos em fazer por nós mesmos. Nos preocupamos com todos, buscamos suprir as necessidades de todos, amenizamos o sofrimento de muitos, mas insistimos em negar o que está dentro de nós. Resultado: insatisfação, depressão, doenças. Até quando você irá agir como se não sentisse?

Enquanto você mesmo não respeitar o que sente, o que precisa, dificilmente as pessoas irão respeitá-lo. Procure se ouvir mais. Identifique o que precisa, suas necessidades em todos os aspectos, não apenas físico, mas também, e principalmente, suas necessidades emocionais.

Do que você mais sente falta neste momento? De um colo, um ombro amigo para chorar? Fale isso para seu namorado, marido, esposa, amigo. Deixe-o saber o que quer, assim dará ao outro a chance de fazer um pouco mais por você. Continue fazendo com que as pessoas que estejam ao seu lado se sintam importantes por serem tratadas da forma especial com que você as trata, mas isso não requer que deixe de lado suas vontades, desejos, necessidades e sentimentos. Não espere alguém perceber suas necessidades para que elas sejam supridas. Sabe aquela atenção, amor, carinho e dedicação que você distribui entre aqueles que ama? Dê um pouco para si mesmo, sempre e incondicionalmente!



Rosemeire Zago 

13 de maio de 2011

Desta vez, admita que você também errou!!!




Você só pede desculpas se o outro pedir primeiro? Só demonstra o que sente se a pessoa amada demonstrar primeiro? Só expressa seus sentimentos se tiver certeza de que o outro gosta de você?

Você não “deixa por menos” e responde com grosseria se a pessoa que você gosta assim lhe tratar? Jamais engole sapo e dá o troco quando acha que ela está te sacaneando? Você se sente satisfeito por ter a fama de ser orgulhoso?

Pois eu vou lhe dizer: só você está perdendo com isso! Além de todas as oportunidades de mostrar a sua grandeza, a sua capacidade de transformar as energias e reverter uma situação negativa para positiva, você também está correndo o sério risco de matar o seu amor!!!

A vaidade, os pedidos do ego para que fiquemos sempre “por cima”, para que nos vinguemos de todas as pessoas que nos ofendem e nos magoam de alguma forma, mesmo que esta pessoa seja a que mais acreditamos que amamos, não nos faz crescer, não nos faz, de forma alguma, felizes!

Precisamos compreender o verdadeiro significado do amor. Não quero defender a idéia de que devemos aceitar tudo, mas antes, que possamos ao menos identificar essa voz avassaladora do ego, que grita dentro da gente o tempo todo. Que aprendamos a perceber que os impulsos destrutivos só atrasam ainda mais o nosso sucesso e a nossa realização.

Portanto, quando nos sentirmos tomados pela mágoa ou até pela raiva diante de uma situação que nos fez sentir muito mal, diminuído, subjugado ou traído, que possamos nos voltar para dentro, para o coração... e entender que esse sentimento vai passar, que de alguma forma, certamente também contribuímos para que nem tudo desse certo.

Precisamos começar a admitir mais o quanto nos equivocamos, o quanto agimos de forma egoísta, pequena, vazia, especialmente quando “damos o troco na mesma moeda”. Todos nós achamos que temos razão, sempre. Aliás, todos nós temos mesmo nossas razões. Tanto você, quanto a pessoa com quem você está brigando... e o pior: esta é a pessoa com quem você mais gostaria de estar bem, de estar feliz, de estar satisfeito...

Por que tantos casamentos acabando? Tantos namoros cheios de brigas, desentendimentos e ofensas? Por que tantas relações frias, distantes, cheias de mágoas, ressentimentos e raiva? Simplesmente porque não conseguimos enxergar nossos próprios erros; porque não conseguimos perdoar os erros do outro, porque não aceitamos o fato de que todos nós erramos, mas alguém tem de perdoar primeiro, tem de admitir seus erros primeiro, tem de baixar a guarda e mostrar o quanto está se sentindo mal por tantas brigas... Enfim, plagiando o filme de Nancy Meyers, “alguém tem que ceder”!!! E que bom se puder ser você... porque isso é ser gente, é ser grande, é realmente “estar por cima”...

Eu sei, não é fácil, mas eu lhe garanto que a sensação de bem-estar que vai te invadir depois que você conseguir dar o primeiro passo, que você conseguir ceder em nome do amor que sente e da paz que tanto procura, será tão boa que terá valido o seu esforço.

Além do mais, pense um pouquinho: palavras como humanidade, honra, evolução, sensibilidade, afeto, doçura, querer-bem, entre tantas outras, nada mais podem significar do que isso – superar o ego e agir com o coração... Falar com brandura, propor uma conversa, chorar, demonstrar o que você está sentindo, tocar em assuntos tão delicados como confessar um erro seu, um sentimento pequeno que guiou suas atitudes, um arrependimento... Todos nós temos tanto a confessar para quem amamos... Experimente, ao menos desta vez, falar dos seus defeitos, dos seus erros, do quanto você deseja ser aceito como é, apesar de reconhecer que tem tanto a melhorar... falar de você ao invés de acusar, criticar, apontar os erros do outro, detalhar os defeitos da pessoa amada tin-tin por tin-tin, e ainda usar aquele tom trivial de “eu tenho razão”, “você é quem está errado!”, “é você quem precisa mudar”, etc...

Desta vez, fale de você, dos seus erros, do seu desejo de ser feliz, de recomeçar, de tentar de novo, mais um dia... e amanhã, quem sabe, errar um pouco menos... e amar um pouco mais...


Rosana Braga

20 de abril de 2011

Abraça-me




Uma química delicada se produz entre duas pessoas que se sentem atraídas uma pela outra. O encontro se faz quase sempre pelo olhar. Segue-se a participação da boca, primeiro em sorrisos, depois em palavras. Aí vai surgindo o desejo de tocar, de abraçar.

Pesquisadores dizem que precisamos de seis abraços por dia para não nos sentirmos carentes. Por que seis? Talvez porque um é pouco, dois é bom, três é melhor ainda, quatro então nem se fala ...

Nossos braços servem para abraçar, enlaçar. Só que cada abraço tem que ser sentido, vivido. Como dizia o terapeuta paulistano José Ângelo Gaiarsa, você não toca no outro como se ele fosse uma cadeira. Senão você está coisificando o outro. Acontece que o outro é de carne e osso, parecido com você, por isso, o gesto não pode ser impensado, mecânico, automatizado.

As pessoas estão cansadas do gesto maquinal que não reflete nada. Quando eu toco o outro, que está além das fronteiras do meu próprio corpo, eu o sinto e sinto a mim mesma simultaneamente. Nesse sentido, podemos ficar horas sem fim nos tocando e nos sentindo. Mergulhando na sensação, percebendo o outro e me percebendo, tenho a sensação de estar sendo abraçada.

A criança registra essa impressão na mente e vai pelo resto da vida tentando reconstituir, reencontrar essa sensação. Por isso o ser humano tem fome de abraço. Ele está tentando repetir o prazer que está associado a essa primeira experiência.

Assim como aprendemos a falar, porque alguma pessoas falam conosco e vamos falar da forma como elas falaram, também aprendemos a tocar, em grande parte, dependendo da forma como fomos tocados. O aprendizado do amor começa aí.

As sensações de mamar e amar ficam profundamente interligadas e até inseparáveis em nossa mente.

Mais tarde, frequentemente comer se torna uma forma de compensar a falta de amor.

É por isso que, quando estamos carentes, atacamos a geladeira, bebemos mais cerveja, tomamos mais sorvete, comemos mais um chocolate.

Tanto a fome de alimento com essa fome de contato normalmente se intensificam nos períodos de tensão. Entretanto, enquanto a fome de alimento podemos matar sozinos com comida, cigarro ou álcool, a fome de contato dificilmente pode ser satisfeita sem outra pessoa. O que se resolve com gestos que nos aproximam, nos vinculam ao outro.

Pode-se alisar, abraçar, tocar de forma apressada, impensada, dissociada. Ou pode-se tocar sensualizando, erotizando cada movimento.Cada gesto traduz um sentimento, uma emoção, que provoca uma reação. e o gesto é indiferente, não manifesta nada, não tem energia nem intenção, você congela o outro e se congela. Se ele for macio, terno, doce, você derrete o outro e se derrete. Se ele for erótico, excitante, estimulante, apaixonado, você incandesce o outro e se incandesce também.

Muitas vezes, quando se faz amor, carinho e carícia se misturam, se juntam, se fundem e confundem. Brincamos com o nosso corpo porque sabemos que fazer amor é "um alisar o outro e o outro alisar o um". Nessa troca de carícias, o outro responde ao meu gesto e tende a fazer aquilo que meu gesto insinua. O que acontece é uma conversa dos dedos sobre a pele.

O que se busca, quando se faz amor, é essa ampliação da consciência do contato. Na medida em que vamos aprendendo a ampliar o contato com outra pessoa, vamos ampliando e aprofundando nosso contato vivo e prazeroso com tudo o que existe.

Tato é a linguagem inicial da vida. 


Maria Helena Matarazzo 


20 de março de 2011

No amor, não existe jogo ganho!




Algumas pessoas, inocente ou inadvertidamente, acreditam que basta conseguir um "sim" do outro para que tudo esteja resolvido em sua vida afetiva. A esses desavisados, creio ser absolutamente preciso deixar bem claro: seja para um namoro ou, especialmente, para um casamento, o "sim" não é sinônimo de "E foram felizes para sempre..." como nos contos de fadas. Muito pelo contrário!

A decisão de viver um relacionamento amoroso, embora só seja possível diante do aceite de ambas as partes, apenas dá partida a uma longa viagem. E como qualquer viagem, no amor não é diferente: é preciso atenção, foco, investimento, tempo, dedicação e, sobretudo, saber onde se quer chegar, para não se perder no caminho!

A grande verdade é: num relacionamento, não existe jogo ganho! Para fazer valer a pena, é preciso exercitar todos os dias. Entretanto, infelizmente, muitos casais acreditam que o amor é uma espécie de mágica que acontece em suas vidas e, sem que nada precisem fazer, ele estará lá, agindo sobre seus corações e norteando suas escolhas.

Não, não, não! Amor é verbo, e como todo verbo, precisa ser conjugado! Precisamos praticá-lo, transformá-lo em ações propositais, em atitudes com objetivos claros e definidos. O amor é um planejamento feito a quatro mãos e dois corações. Senão, pode apostar que não vai funcionar!

Trata-se de uma química muito especial que, embora bastante poderosa e transformadora, acontece entre duas pessoas cujas naturezas são fugazes, frágeis, vulneráveis. Portanto, sem reforço e sem reconhecimento diários, a química desanda, a essência se perde. E para que você comece a renovar diariamente seu desejo de fazer seu relacionamento valer a pena, vou ressaltar três atitudes infalíveis. O quanto antes você começar a conjugar seu amor baseando-se nelas, mais fortes e consistentes serão seus resultados!

. Reconheça verbalmente o que o outro faz de bom!

Principalmente, quando convivemos com a pessoa amada, tendemos a reclamar de certas atitudes que nos incomodam. Seja a toalha molhada deixada sobre a cama ou, ao contrário, a mania de limpeza e organização do outro; seja a falta de romantismo ou o ciúme exagerado; seja a ausência de carinhos ou o excesso de sensibilidade. Enfim, somos peritos em apontar o que consideramos errado e, embora exista o lado bom disso, que é dar ao outro a chance de se rever, melhorar e crescer na relação, é preciso ter o contrapeso! Ou seja, não podemos nos esquecer, como a maioria faz, de elogiar, de reconhecer o que o outro faz de bom! Senão, não há amor que cresça, que se torne intenso e gostoso! Por isso, procure demonstrar, verbalmente, olhando nos olhos, o quanto você valoriza e admira certas atitudes da pessoa amada. Seja a gentileza de perguntar se você quer água, seja o jeito cuidadoso de lidar com a casa, seja a tarefa diária de preparar a comida para a família. Qualquer elogio ou reconhecimento são sempre poderosos aliados do amor, porque mostra o quanto você está olhando e interagindo com o que o outro é!

. Invista no contato físico!

Alguns casais, com o tempo, param de se tocar e nem se dão conta dessa mudança. Já não andam de mãos dadas, já não se beijam quando se encontram, quando acordam ou quando vão dormir. Vão se distanciando fisicamente, mantendo somente o contato verbal. Sua comunicação é razoável, conseguem se entender, mas bem pouco se tocam. Ser tocado e tocar o outro é um modo maravilhoso e infalível de investir na intimidade, na confiança e no carinho mútuo. Enquanto o outro dirige, por exemplo, coloque sua mão sobre a perna dele. Enquanto almoçam, faça carinho com os pés, por debaixo da mesa. Quando assistirem tevê juntos, faça um cafuné em seus cabelos ou deslize as mãos em suas costas. Não existe um ser humano no mundo que não goste de ser acariciado, que não queira se sentir acolhido, querido e amado. Demonstrações explícitas como o contato físico são tão poderosas que se tornaram indicação médica, em muitos casos. O toque tem o poder de curar as dores do outro, sejam orgânicas ou emocionais. E o amor, então, nem se fale. Imagine essas duas forças juntas: amor e toque? Estamos todos muito mais carentes de contato físico amoroso do que supomos. Sendo assim, aproveite a pessoa amada para saciar essa necessidade e ainda investir em seu relacionamento.

. Nunca deixe de namorar!


Sei que a rotina e as pressões do dia-a-dia nos deixam anestesiados para a leveza e o lúdico do namoro. Como muito bem poetou Carlos Drummond de Andrade, "... Não tem namorado que não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria...". Então, namorar é reservar momentos de leveza e alegria que são só de vocês dois, sem os filhos, sem os amigos. Só você e a pessoa amada. Pode ser uma volta no parque do bairro, um cinema fora de hora, um chope na sexta, após o trabalho. Qualquer coisa que lembre vocês dois de que essa relação é, além de tudo, divertida e prazerosa. O nível de energia e motivação que esse tipo de atitude, mesmo que apenas uma vez por semana ou quinzenalmente, garante ao relacionamento é incrível. Experimente e sinta a diferença!

Enfim, não viva seu relacionamento como se o jogo estivesse ganho, por mais que esteja tudo bem! Assim como você investiria diariamente numa faculdade, numa academia ou num trabalho; ou ainda como investe nos cuidados com seu filho, sua casa ou seu corpo, lembre-se: é imprescindível estar atento ao seu relacionamento todos os dias! Essa é a diferença entre quem vive à espera da felicidade e quem faz a felicidade acontecer aqui e agora!


Rosana Braga

24 de fevereiro de 2011

Beija que sara!


Uma distração ou uma paixão. O que quer que você tenha à mão nesse momento, acredite, pode ser o melhor analgésico para eventuais dores. O amor é mesmo poderoso e alivia, atesta um novo estudo realizado na Universidade de Stanford, nos EUA. Trocas de carinho e de afeto ativam as mesmas áreas do cérebro em que as aspirinas, por exemplo, atuam. Ocupações simples podem provocar o mesmo efeito. Nos dois casos, o tratamento pode sair de graça. Ou bem mais barato do que ir até a farmácia.

Oito mulheres e sete homens apaixonados e no início de uma nova relação serviram de cobaia para a pesquisa. Os estudiosos pediram que cada um levasse uma foto da pessoa amada e de um conhecido por quem também sentissem atração. Separados os grupos, os pesquisadores mostravam as imagens para os participantes enquanto aqueciam um simulador termal localizado nas mãos de cada um, com o objetivo de gerar dor leve.

O resultado? Ao olhar para as fotos dos amados, a intensidade da dor provocada pelo simulador era menor. Já diante das fotos das pessoas consideradas atraentes também provocaram reações, mas em menor grau, ou seja, sob efeito da paixão, a resistência é bem maior.

Ao mesmo tempo, uma ressonância magnética escaneava os cérebros dos estudados, mostrando a ativação, entre outras regiões, do sistema de recompensas, uma parte irracional e instintiva do cérebro que é responsável por gerar e buscar bem estar e satisfação. O sistema de recompensas também está por trás do que você sente quando ganha um dinheiro extra, faz um strike no boliche, vê os filhos sorrindo ou até mesmo usa alguma droga. Essa região e as outras áreas do cérebro que são afetadas pelo amor são justamente onde atuam os analgésicos.

Para quem não está apaixonado, os cientistas sugerem outros meios para diminuir a dor. Meras distrações podem dar conta do recado, dizem os pesquisadores, que também testaram o nível de alívio da dor quando os participantes se ocupavam com questões banais como “pense em um esporte que não use bolas”.
O resultado, em ambos os casos, foi tão forte quanto às reações provocadas pelo suposto efeito do amor. A diferença está na área afetada do cérebro. A distração agia na parte superior, enquanto o amor chegava mais fundo. A anestesia induzida pelo amor ativa estruturas profundas que podem bloquear a dor a nível espinhal – similar a como analgésicos funcionam.

Os cientistas ainda não recomendam que se abra mão dos remédios anestésicos em favor apenas de se encontrar alguém para amar ou por uma rodada de carteado, mas esperam entender melhor os mecanismos que o corpo usa para se defender da dor e produzir novas formas de alívio.

O grande trunfo do estudo é a confirmação de que não é preciso se apoiar em medicamentos – e seus efeitos colaterais – para conseguir alívio. Abrir o coração pode fortalecer suas barreiras contra a dor.

E você? Sua dor é menor quando é alguém que você ama que está cuidando dela?

16 de fevereiro de 2011

Como anda a dieta da alma




Arroz, feijão, bife, ovo. Isso nós temos no prato, é a fonte de energia que nos faz levantar de manhã e sair para trabalhar. Nossa meta primeira é a sobrevivência do corpo. Mas como anda a dieta da alma?

Outro dia, no meio da tarde, senti uma fome me revirando por dentro. Uma fome que me deixou melancólica. Me dei conta de que estava indo pouco ao cinema, conversando pouco com as pessoas, e senti uma abstinência de viajar que me deixou até meio tonta. Minha geladeira, afortunadamente, está cheia, e ando até um pouco acima do meu peso ideal, mas me senti desnutrida. Você já se sentiu assim também, precisando se alimentar?

Revista, jornal, internet, isso tudo nos informa, nos situa no mundo, mas não sacia. A informação entra dentro da casa da gente em doses cavalares e nos encontra passivos, a gente apenas seleciona o que nos interessa e despreza o resto, e nem levantamos da cadeira neste processo. Para alimentar a alma, é obrigatório sair de casa. Sair à caça. Perseguir.

Se não há silêncio a sua volta, cace o silêncio onde ele se esconde, pegue uma estradinha de terra batida, visite um sítio, uma cachoeira, ou vá para a beira da praia, o litoral é bonito nesta época, tem uma luz diferente, o mar parece maior, há menos gente.

Cace o afeto, procure quem você gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também.

Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver. Entre numa galeria de arte. Vá assistir a um filme de um diretor que não conhece. Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro, como se você fosse um turista. Abra portas. E páginas.

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso me mantém de pé, mas não acaba com meu cansaço diante de uma vida que, se eu me descuido, torna-se repetitiva, monótona, entediante. Mas nada de descuido. Vou me entupir de calorias na alma. Há fartas sugestões no cardápio. Quero engordar no lugar certo. O ritmo dos dias é tão intenso que às vezes a gente esquece de se alimentar direito.


Martha Medeiros

15 de fevereiro de 2011

Onde está o amor




Uma química delicada se produz entre duas pessoas que se sentem atraídas uma pela outra. O encontro se faz quase sempre pelo olhar. Segue-se a participação da boca, primeiro em sorrisos, depois em palavras. Aí vai surgindo o desejo de tocar, de abraçar.

Pesquisadores americanos dizem que precisamos de seis abraços por dia para não nos sentirmos carentes. Por que seis? Talvez porque um é pouco, dois é bom, três é melhor ainda, quatro então nem se fala...

Nossos braços servem para abraçar, enlaçar. Só que cada abraço tem que ser sentido, vivido. Como disse o terapeuta paulistano José Ângelo Gaiarsa, você não toca no outro como se ele fosse uma cadeira. Senão você está coisificando o outro. Acontece que o outro é de carne e osso, parecido com você, por isso, o gesto não pode ser impensado, mecânico, automatizado.

As pessoas estão cansadas do gesto maquinal que não reflete nada. Quando eu toco o outro, que está além das fronteiras do meu próprio corpo, eu o sinto e sinto a mim mesma simultaneamente. Nesse sentido, podemos ficar horas sem fim nos tocando e nos sentindo. Mergulhando na sensação, percebendo o outro e me percebendo, tenho a sensação de estar sendo abraçada.

A criança registra essa impressão na mente e vai pelo resto da vida tentando reconstituir, reencontrar essa sensação. Por isso o ser humano tem fome de abraço. Ele está tentando repetir o prazer que está associado a essa primeira experiência.

Assim como aprendemos a falar porque alguma pessoas falam conosco e vamos falar da forma como elas falaram -, também aprendemos a tocar em grande parte dependendo da forma como fomos tocados. O aprendizado do amor começa aí. As sensações de mamar e amar ficam profundamente interligadas e até inseparáveis em nossa mente.

Mais tarde, frequentemente comer se torna uma forma de compensar a falta de amor. É por isso que, quando estamos carentes, atacamos a geladeira, bebemos mais cerveja, tomamos mais sorvete, comemos mais um chocolate.

Tanto a fome de alimento com essa fome de contato normalmente se intensificam nos períodos de tensão. Entretanto, enquanto a fome de alimento podemos matar sozinos com comida, cigarro ou álcool, a fome de contato dificilmente pode ser satisfeita sem outra pessoa. O que se resolve com gestos que nos aproximam, nos vinculam ao outro. Entretanto, pode-se alisar, abraçar, tocar de forma apressada, impensada, dissociada. Ou pode-se tocar sensualizando, erotizando cada movimento.

Cada gesto traduz um sentimento, uma emoção, que provoca uma reação. Se o gesto é indiferente, não manifesta nada, não tem energia nem intenção, você congela o outro e se congela. Se ele for macio, terno, doce, você derrete o outro e se derrete. Se ele for erótico, excitante, estimulante, apaixonado, você incandesce o outro e se incandesce também.

Muitas vezes, quando se faz amor, carinho e carícia se misturam, se juntam, se fundem e confundem. Brincamos com o nosso corpo porque sabemos que fazer amor é "um alisar o outro e o outro alisar o um". Nessa troca de carícias, o outro responde ao meu gesto e tende a fazer aquilo que meu gesto insinua. O que acontece é uma conversa dos dedos sobre a pele.

O que se busca, quando se faz amor, é essa ampliação da consciência do contato. Na medida em que vamos aprendendo a ampliar o contato com outra pessoa, vamos ampliando e aprofundando nosso contato vivo e prazeroso com tudo o que existe.



Maria Helena Matarazzo


8 de fevereiro de 2011

Lugar do afeto





É uma coisa esquisita, mas fica horrivelmente mais difícil fazer amigos depois da adolescência. A conclusão é do psicanalista Francisco Daudt da Veiga, exposta no seu livro "O Amor Companheiro", que fala sobre a amizade e seus desdobramentos. Mas, apesar das dificuldades, a vontade de compartilhar o próprio universo - esse amor companheiro, livre do desejo sexual - continua sendo uma das melhores coisas da vida.

E por que, afinal, é tão difícil fazer amigos? "Porque é algo que requer de duas pessoas abertura, confiança, afinidade, privacidade e tempo de investimento. A reunião de tantos fatores depois que ficamos adultos é muito rara, portanto difícil", responde Daudt. Ao mesmo tempo, o autor afirma que se torna mais fácil conquistar novos amigos depois dos 50 anos, quando "os receios do que vão dizer diminuem e o poder de escolha e o tempo disponível aumentam".

Daudt acredita que a base de fazer amigos não é muito diferente de paquerar: é preciso ter vontade. Ele cita inúmeras situações de convívio que criam oportunidades para isso: cursos, universidades, grupos de estudo, agremiações com fins variados. E a internet, por sua vez, está aí para dar uma mãozinha.

Segundo Daudt, o e-mail é um reavivador de amizades antigas, um grande lugar para a palavra breve e afetuosa: é o cartão-bilhete renascido.

A internet é um ótimo lugar para fazer amigos. E destaca a facilidade que ela tem de agrupar tribos de interesses comuns. Mas como confiar em uma pessoa cuja face às vezes sequer conhecemos? Será que as amizades feitas no mundo virtual são válidas também para o real?

Eu não faço distinção entre o virtual e o real. O que existe do outro lado da tela é sempre uma pessoa, com sua carga de mentiras e verdades, da mesma forma que no contato face a face. A vida é construída de encontros e desencontros, e a internet é um canal, uma possibilidade de estabelecer novos contatos.

Mas não basta fazer amigos. É preciso também mantê-los. Em seu livro, Daudt cita exemplos de certos cuidados que todos deveríamos tomar para preservar as amizades. Ele afirma que é preciso constantemente "aquecer o coração" daqueles que amamos: "Aquecer o coração é o pequeno gesto que, de tão pessoal, aciona a sensação de que alguém nos vê, nos percebe e gosta da gente. Outro dia um amigo me ligou só para dizer que os livrinhos do Carlos Zéfiro vão voltar às bancas. Que legal, que carinhoso e cúmplice, que nostálgico e pessoal, que consideração com nossa memória e nossa adolescência pela vida afora. Aqueceu meu coração". Simples assim.


Juliana Krapp