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7 de agosto de 2012

O poder da gentileza




Para quem escreveu um livro sobre O poder da gentileza, nada mais providencial do que pesquisas e comprovações sobre os benefícios que esta postura pode trazer à vida de quem a pratica. No entanto, desta vez, as provas recaem justamente sobre os desastrosos malefícios que a falta de gentileza tem provocado – e cada vez mais – na vida de milhares de pessoas em todo o mundo.

Que o estresse é o grande vilão da nossa saúde, não é de hoje que sabemos. E que a falta de gentileza e a impaciência são as maiores e mais recorrentes disparadoras do estresse, também não é difícil de entender. Afinal, falta de gentileza gera falta de gentileza que gera irritação, mau-humor, desentendimentos, insatisfações, frustrações, raiva, depressão, tristeza e, por fim, uma dose cavalar do tal vilão!

E depois de algumas semanas, meses ou anos neste ritmo, o diagnóstico é quase óbvio! Especialistas como médicos, psicólogos e estudiosos do comportamento humano não se cansam de explicar os estragos que um organismo desequilibrado pelo estresse pode causar no nosso corpo, mente e emoções.

Níveis constantemente alterados de neurotransmissores como a serotonina e de hormônios como o cortisol já seriam suficientes para desencadear uma série de desgastes capazes de culminar em doenças que vão desde hipertensão, passando pelas cardiovasculares, causadoras do AVC, infarto, entre outros, até os diversos e temidos tipos de câncer.

Porém, antes de se manifestar como doença física, a falta de gentileza gera ansiedade e angústia suficientes para fazer com que nos sintamos cansados, pesados, desanimados, enfim, sem entusiasmo e aquela vontade de viver típica das pessoas felizes! Ou seja, falta de gentileza é sinônimo de infelicidade!

E é por essas e outras que me dediquei a revisar e ampliar o livro que, felizmente, já conquistou mais de 25 mil pessoas pelo Brasil afora. Inclusive, também já recebi depoimentos de leitores que moram fora do Brasil e que estão aderindo ao movimento proposto por José Datrino: Gentileza gera Gentileza.

O melhor disso tudo é que a escolha é sua! É você quem decide se sua vida vai continuar medíocre (nível médio – nem tão ruim, mas nem tão bom) ou se vai começar agora a conhecer melhor do que se trata essa poderosa ferramenta chamada Gentileza! É você quem decide se vai continuar alimentando a intolerância ou se vai, a partir de hoje, presentear a si mesmo com um ato de gentileza por dia.


Rosana Braga


27 de julho de 2011

Gatinha aos "enta".. .





Visita de rotina aos médicos. Todo ano a mesma peregrinação. Mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista...

Mas um dia, resolvi incluir um "ISTA" novo na minha odisséia.... Um Dermatologista. Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos "ENTA". Na verdade, sentia-me espetacular. Tudo certo. Ninguém podia cantar para mim a ridí­cula frase da Calcanhoto nada ficou no lugar... Mas não sei o que deu no espelho lá de casa, que resolveu, do dia para a noite, tomar ares de conto de fadas. Aliás, de bruxas. E mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido (ou eu não havia notado?).

Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda, olheiras mais profundas... Como assim??? Assim. Sem avisar nem nada. De repente, o idiota resolveu mostrar e pronto. Ah, não! Isso não vai ficar assim. Um "ista" novo na lista do convênio. O melhor. Queria o melhor especialista de todos os "istas"! Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro 'bem intencionado' daqueles em que a gente escolhe a roupa íntima com cuidado, que é para não fazer feio, nem parecer que foi uma escolha proposital... Sabe como é, né?

Pois sim. O sujeito era um dermatologista famoso. Via e cutucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade. Assim, me armei de humildade. Disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando, através do maquiavélico e ex-amigo espelho de meu quarto. Depois de fazer uma ficha com meus dados, o 'doutor' me olhou finalmente nos olhos, e perguntou:

- O que lhe trouxe aqui?

Fiquei vermelha como um tomate. E muda. Ele sorriu e esperou. Quase de olhos fechados, desfiei minhas queixas. Ele observou 'in loco' cada uma delas, com uma luz de 200watz e uma lupa. E começou o seu diagnóstico.

- As pintinhas são sinais do sol, por todo o sol que já tomou na vida. Com a idade (tóin!) elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Para dirigir inclusive. Braços e pernas e rosto e pescoço. E praia? Evite. Só de 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda sol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.

-Ahmmm... (a turma só chega às 11h!).

-Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre saltos altos. Evite. Use sapatos com solado anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar saltos altos.

-Ahmmmaaaa... (Kendall??? E as minhas preciosas sandalinhas???)

-As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores.E folgadas.

-Ahmnunght?? (e pude 'ver' as de minha mãe, enormes na cintura, de florzinhas cor de rosa..... vou chorar!).

-As olheiras são de família. Não há muito que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem álcool. Nem café.

E então a histérica aqui­ começou a rir. Agradeci, peguei suas receitinhas e saí­ rindo. No carro comecei a falar sozinha. Tudo o que deveria ter dito e não disse:
- Trabalho muito, doutor,muitas noites vou dormir às 2h, escrevendo e lendo. Bebo e fumo. Tomo café. Saio pelas noites de boemia com os amigos e seus violões para as serenatas de lua cheia. E que noites!!!! Adoro os saltos, principalmente nas sandálias fininhas. Impossível a meia elástica(argh!!). Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas... E não abandono meu jeans nem sob ameaça de morte, é meu melhor amigo!!!! Dormir lambuzada? Neste calor? E minhas duchas frias com sabonete Johnson para ficar fresquinha como um bebê, cada noite? E nada de praia??? O senhor está louco é??? Endoideceu foi??? Moro no Recife, com esse mar e tudo...E tenho só 40 anos.... Meia vida inteira pela frente! Doutor Filistreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito 30 anos em um!!! Até um dia desses tinha 39. E agora em vez de 40 estou fazendo 70??? Inclua aí na sua lista de remédios... para as de 40 a 60, meia luz... Acho que é só disso que eu preciso. Um bom abajur com uma luz de 15wts... E um namorado que use óculos... É isso, só isso!!! Entendeu????'

Parei no sinal e olhei de lado e um cara de uns 25 anos piscou o olhou para mim. Ah... e ele nem usava óculos!

Nunca fiz o que me recomendou o filistreco. Minhas olheiras são parte de meu charme e valem o que faço pelas noites a dentro... Ah!!! se valem! As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do 'bruxo mau'. Os sinaizinhos estão aqui, sem grandes alardes e até que já acho bonitinho. O espelho é muito menor... o outro, eu dei a minha filha. E meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música. É claro que ele usa óculos. Mas quando quero ficar fatal, tiro os seus óculos e acendo o abajur.

No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se....


Autor desconhecido
George Michael - Freedom


Texto cedido pela minha querida Maria José Rezende, do blog Arca do AutoConhecimento.

13 de julho de 2011

Gentileza tem a ver com amor





Há poucas situações mais desgastantes e constrangedoras do que viver uma crise de relacionamento. Pode ser com um colega de trabalho, um amigo ou alguém da família. Mas pior ainda é quando a crise cava um abismo entre você e a pessoa que dorme ao seu lado (ou pelo menos deveria dormir).

Quanto mais a sua vida e a sua rotina estiverem envolvidas com a vida e a rotina de outra pessoa, mais desmotivador e estressante se torna qualquer conflito que você tiver com ela. E se esse conflito durar por um tempo razoável, será suficiente para as conseqüências se tornarem físicas.

Cada vez mais, a Organização Mundial da Saúde nos alerta sobre os distúrbios afetivos, tais como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, bipolar, TOC, entre outros. Tudo isso, no frigir dos ovos, tem muito a ver com a qualidade das relações que estabelecemos no dia-a-dia, inclusive, no ambiente de trabalho, e com o quanto conseguimos vivenciar de fato sentimentos e emoções como afeto, alegria, perdão e, sobretudo, a troca de gentileza.

Gentileza não é dizer sim a tudo e a todos. Não é se sentir feito de bobo, sobrecarregado ou desrespeitado em suas opiniões e em seus limites. Muito pelo contrário! Gentileza tem a ver, antes de mais nada, com aprender a enxergar o outro e a si mesmo, reconhecendo suas qualidades e suas limitações e encontrando maneiras de dar o melhor de si sem precisar chegar à gota d’água para só então se colocar e reivindicar seu espaço.

Gentileza tem a ver com criatividade e produtividade. Tem a ver com flexibilidade, inteligência, disposição e amor. Sim, amor! Amor fraternal, daqueles que servem como vitamina para nos capacitar a superar desafios da convivência, diferenças na hierarquia, divergências de personalidade e crenças. Enfim, para conseguirmos mediar os conflitos e chegar a um consenso, sempre que for preciso. E sempre é!

Talvez você esteja acostumado a apostar mais no aumento do tom de voz, na agressividade ou na imposição de suas vontades. Talvez você prefira se manter no estado de irritação e impulsividade, porque isso termina lhe dando a sensação de eficiência e produtividade. Talvez você ainda considere a gentileza como fútil e inútil, como o comportamento dos idiotas.

Mas não se iluda! Mais cedo ou mais tarde, seu corpo, sua alma e seu coração vão se ressentir e reagir. Sintomas que vão desde sensação de vazio, solidão, angústia e tristeza, passando por insônia, alergias, gastrite nervosa, enxaqueca, dores inexplicáveis, entre outros, farão você perder o melhor da festa!

Há quem diga que age pela emoção quem é ignorante e age pela razão quem é inteligente. Mas são muitos os que, à beira da morte, adorariam poder voltar atrás para viverem suas vidas como ignorantes, mas plenos de felicidade e paz de espírito.

Por fim, ser tratado com gentileza é o desejo de todo ser humano. E para ser um pouco mais gentil e melhorar tudo a sua volta (tudo mesmo!), basta manter-se um pouco mais atento e determinado e começar a substituir velhos e ineficientes hábitos por novos e surpreendentes comportamentos:

- Olhe nos olhos e realmente ouça o que o outro tem a lhe dizer.

- Quando não conseguir dizer nada de bom a alguém, simplesmente mantenha-se calado.

- Quando se sentir irritado, foque sua atenção em si mesmo e pergunte-se: o que realmente importa? O que eu realmente quero dessa situação?

- Procure agir a partir dos seus sentimentos mais verdadeiros e não de emoções enganosas, do ego, tais como raiva, ciúme, inveja, desejo de que o outro pague pelo erro que cometeu.

- Tenha um pouco mais de fé na vida. Isto é, confie que cada um tem o que merece e no momento que merece.

- Por mais que deseje, você não pode controlar o mundo e as pessoas.

- Dê o seu melhor para conseguir o que quer, mas diante da frustração, aceite o que vier e agradeça. Pode acreditar: tudo é exatamente como tem de ser e se você já fez o seu melhor, fique tranquilo, porque definitivamente, isso é tudo o que pode fazer.


Rosana Braga



Diana Ross - Theme From Mahogany (Do You Know Where You're Going To)


9 de julho de 2011

É no corpo ou na alma?



Quando o famoso médico e filósofo Avicena (980-1037) viajou a Jurjan trouxeram-lhe um rapaz acometido de um mal que nenhum médico conseguira diagnosticar nem curar.

Avicena então pediu para um dos membros da tribo citar o nome das localidades vizinhas e notou que, ao ser mencionado o de determinada localidade, o pulso do paciente sofria uma variação. Quis que o homem falasse o nome das famílias desse lugar e, do mesmo modo, ao citar o nome de certa família o coração do rapaz novamente se alterava. Pediu então que falasse o nome das pessoas daquela família e percebeu que ao ser citado o nome de uma atraente moça dessa família, a variação do pulso se intensificava.

A inabilidade de demonstrar seu amor havia provocado naquele rapaz uma enfermidade psicossomática. O diagnóstico de Avicena antecipou em mil anos o estudo psicológico e a comprovação das doenças psicossomáticas.

Mas o que fazer se não somos blindados à prova de toda e qualquer emoção? Se não somos responsáveis pela história geracional (aquelas histórias que todos dizem e até os segredos de família que não são comentados) de nossa família?

A resposta é simples: basta nos apropriarmos de nossas emoções, colocando-as na nossa vida na medida exata de nossos limites.

Mas a complexidade está justamente aí, no manejo dessa percepção, já que nossas vidas habituadas a negar dores, frustrações e crises, ou noutro extremo fazer com que justamente as dores e sofrimentos sejam a mola propulsora e o verdadeiro sentido da vida.

Por isso é muito importante termos uma visão clara e realista de nossos limites e, para que isso ocorra, é importante nos vermos com todas as nossas potencialidades sem falsas ilusões de superação e vitimização, valores geralmente agregados na personalidade, quando se vive sem se apropriar de sua própria história, mas deixando-se levar por influências ou cobranças do meio, da sociedade e da família.

A lágrima que sai dos olhos na hora da separação, o grito de dor que os lábios se permitem dar são, na realidade, a expressão totalmente preventiva das doenças físicas.

Deve ser aborrecido ler essas linhas que colocam no colo do doente a “culpa pela doença”, mas na verdade apenas chamo a atenção porque através de seu simbolismo os sintomas têm a capacidade de nos mostrar em que consistem nossos problemas e termos essa leitura nos dá a chance de transformar essa doença numa grande oportunidade de rever conceitos e transformar a vida para melhor.

Outra vertente muito importante das doenças psicossomáticas é a questão do perdão, no sentido da própria libertação da dor de carregar o ódio, a angústia ou a frustração, devolvendo ou tirando de nossas vidas faltas e culpas as quais por ventura nos sentimos injustamente depositários.

O coração agradece ou quem sabe a gastrite, e porque não a tão atual fibromialgia?


Márcia Atik


Carole King - It's Too Late



25 de junho de 2011

Tristeza ou depressão?




Quem trabalha na área sabe que somos seres bio-psico-sociais. Acontece que cada um tem suas preferências teóricas e assim existe a turma do bio, a do psico e a do social. A depressão é um problema para todos os que não sabem operar com as três variáveis ao mesmo tempo. Os psiquiatras clínicos (bio) acham que quase tudo depende da concentração da serotonina nas sinapses cerebrais: quando ela fica baixa nos sentimos fracos e tristes e passamos a ver a vida pela ótica pessimista que acaba interferindo sobre o estado mental e sobre nossas relações interpessoais. Os psicoterapeutas (psico) acham que quase tudo depende de conflitos íntimos derivados de experiências dolorosas na infância e adolescência: inseguranças sexuais, baixa auto-estima dentre tantas condições negativas nos deixam tristes, incompetentes para o amor e para as boas relações sociais, condição na qual também nos sentimos deprimidos. Os sociólogos (sociais) acham que quase tudo acontece por força das circunstâncias que nos rodeiam: criamos um meio social mais voltado para a produção e o consumo, e nosso habitat, exigente e cada vez mais difícil, nos leva a um estado depressivo por não estarmos de acordo com todas as expectativas (riqueza, magreza, etc.).

Nunca me filiei a escolas e tenho horror a dogmas. Fui dos primeiros a ver a depressão como um tema complexo: as pessoas estão crescendo mais frágeis por força de uma educação mais permissiva e não estão sendo capazes de lidar com as pressões sociais que só têm crescido. Isso faz com que a incidência de quadros depressivos esteja crescendo efetivamente. Os médicos não sabiam fazer diagnóstico que, de fato, se tornou mais acurado (em parte, é verdade, por pressão da indústria farmacêutica, interessadíssima em vender os novos antidepressivos) e isso também modificou o número de casos de depressão. Qualquer que seja a causa, psicológica ou social, ao longo do tempo, sempre existem repercussões sobre os neurotransmissores cerebrais e o uso de antidepressivos pode ajudar a aliviar a dor mesmo naqueles casos em que os problemas são concretos e objetivos, para os quais a psicoterapia também está indicada. A concomitância de psicoterapia com o uso de antidepressivos é algo que faço desde 1967 e ainda hoje muitos psicanalistas (e alguns psiquiatras clínicos) acham prática indevida. É claro que as depressões podem acontecer por força de perturbações originárias de predisposições orgânicas (familiares ou não) e aí acontece o contrário: a pessoa deprimida enxerga mal a si mesmo e sua realidade.

Minha convicção é a de que se trata de um caminho de mão dupla: perturbações na química cerebral alteram a forma de pensar ao passo que pensamentos equivocados, derivados de conflitos psicológicos íntimos ou de se ter que viver num meio social inóspito, provocam alterações na química do cérebro. Apesar de não parecer, o pensamento é o subproduto misterioso da atividade cerebral. Um subproduto curioso, uma vez que ganha poderes próprios, inclusive para interferir na atividade cerebral. É tudo muito complexo e a questão não cabe numa fórmula simplista. Assim, cada caso é um caso que deve ser estudado detalhadamente. O ramo é mais parecido com a alta costura do que com o prêt-à-porter.

Podemos tentar classificar nosso sofrimento íntimo como normal ou patológico, condição à qual voltarei no próximo artigo. Trata-se de uma avaliação complexa e difícil. Podemos pensar em tristeza com causa objetiva determinante e estados depressivos (tristeza e depressão são, hoje em dia, usados como sinônimo) definidos antes de tudo por alterações na química cerebral. Não se deve subestimar a dificuldade presente neste tipo de divisão, pois estados de alma interferem sobre a química e vice-versa.

Penso que é muito mais útil separar os estados depressivos em sofrimento construtivo e produtivo ou improdutivo e pouco útil - senão completamente inútil. Do ponto de vista prático, esta é a classificação que determina o tipo de interferência do profissional de saúde. O sofrimento produtivo é aquele que deriva da tomada de consciência de erros que cometemos: a autocrítica é sempre muito dolorosa quando, por exemplo, um empresário tem que perceber que sua situação financeira se deteriorou por força de equívocos previsíveis; dói para alguém que perdeu o parceiro sentimental por razões que poderiam ter sido evitadas, dentre tantos outros exemplos. A fase de avaliação do ocorrido é extremamente produtiva e pode levar a importantes mudanças psicológicas, melhorando as condições da vida futura. Numa situação dessas seria quase criminoso fazer uso de algum tipo de medicação que viesse a prejudicar a reflexão em toda sua profundidade.

Nos casos de luto por morte de pessoa querida a situação é diferente, já que não temos que aprender nada acerca de nossas atitudes. Talvez tenhamos muito a aprender sobre condição humana e, é claro, cabe a dor e sofrimento que, diga-se de passagem, nenhum tipo de medicamento é capaz de atenuar muito durante a fase aguda da tristeza.

Acontece que, tanto no caso da autocrítica útil e construtiva quanto no luto necessário para melhor entendermos nossa condição, pode acontecer do estado depressivo se estender para além do útil e conveniente. No caso do empresário que aprendeu com seus erros, é claro que ele terá que sair do estado depressivo e ir atrás de salvar o que restou de seus negócios. Para conseguir fazer isso é preciso que esteja um pouco mais disposto. Isso vale para quase todas as condições depressivas que se prolongam para além do que é produtivo e útil. Aí cabe sim tentarmos ajudar a pessoa a sair do atoleiro depressivo (que, muitas vezes, já se tornou um fato químico) por meio do uso de medicamentos e psicoterapia (que está indicada também na fase de autocrítica).

Nos casos em que a depressão é de origem essencialmente química, todo o sofrimento é inútil e a mente patina em medos e pensamentos obsessivos de caráter negativo dos quais nada de bom se pode extrair. Cabe lançar mão de todos os recursos hoje disponíveis para amenizar este tipo de dor que não leva a nada. 


Na prática clínica é relativamente fácil sabermos quando estamos diante de uma pessoa portadora de boa tolerância às dores e que tem, em concomitância, uma constituição neurofísiológica privilegiada. Estas criaturas agüentam bem os golpes da vida: lidam com as tristezas inexoráveis (algumas de intensidade dramática, como é o caso do luto e das rupturas amorosas) da melhor forma possível. Vivenciam o sofrimento de uma forma lúcida e tentam extrair dele lições de vida. Saem fortalecidas de tudo o que passam, pois a autoconfiança se beneficia muito da constatação de que são competentes para os piores tombos sem se acovardarem em relação ao futuro. Estas são as pessoas normais.

As que têm uma labilidade maior em sua formação orgânica podem, por nada, acordar, numa madrugada, péssimas. O medo toma conta delas (medos irracionais correspondem a um dos mais importantes sintomas da depressão e estão presentes de forma muito mais marcante nos casos em que o problema é mais endógeno, menos dependente de fatores externos) e elas passam a ver tudo por uma ótica extremamente negra. Padecem, conforme cada caso, de vários dos sintomas que têm sido descritos como parte dos quadros depressivos que devem receber também tratamento farmacológico. Estas são as pessoas que têm a predisposição orgânica para a depressão e, neste aspecto de suas vidas, são anormais.

Entre estes dois extremos estamos quase todos nós: nem sempre tão competentes para lidar com nossas dores, nem sempre tão dóceis e tolerantes quanto gostaríamos, nem sempre em condições de superar sem ajuda estas e outras adversidades da vida. A verdade é que a fronteira entre o que é normal e o que é patológico corresponde a uma faixa muito extensa, de modo que uma tristeza pode se iniciar como algo normal e, com o passar do tempo, ganhar aspectos mais graves (quando o esperado seria sua superação). Pessoas deprimidas por força de razões orgânicas podem decidir se livrar sozinhas de suas dores e tratar de sair do seu estado sem o auxílio de medicamentos ou de psicoterapia. Como já escrevi, penso mesmo que cada caso é um caso.

Faço parte daquele grupo de profissionais que tem uma atitude de profundo respeito pelos pacientes e sua forma de pensar. Minha experiência é basicamente com pessoas normais, termo que uso para incluir também os que estão na faixa fronteiriça e que são a maioria de nós (por isso mesmo normais, ao menos do ponto de vista estatístico).

Considero que necessita tratamento, seja medicamentoso ou psicoterapêutico, aquele que procura, espontaneamente, ajuda. Sei que nos casos claramente patológicos muitas vezes o paciente vem trazido por parentes e isso faz todo o sentido. Nas demais circunstâncias, quem decide se precisa ou não de ajuda (querer receber ajuda não é sinônimo de estar doente de depressão) é o paciente. Ao profissional de saúde cabe prestar o auxílio desejado pelo seu paciente segundo os critérios que sua consciência e formação lhe sugerem.


Flavio Gikovate 


Graziella Schazad -Take on Me


11 de abril de 2011

Bom humor, o anti-estresse natural




Buscar solução é ser leve. A forma como pensamos tem de ser baseada em princípios, em confiança. Quando não há confiança há medo e dúvidas. Com confiança o som que escutamos é do coração e não do cérebro. Cérebro é lógica. Coração é voz interior, é suave. Precisamos mudar o padrão de ouvir com a cabeça e passar a ouvir com o coração. O pequeno ser está tão aprisionado com os cadeados da mágoa e do ciúme que é difícil alcançar o eu interior. É com confiança que ouvimos a voz interior. É da voz interior que vem a verdade.

Há duas formas de falar: (1) O que irá acontecer? e (2) Seja o que acontecer, será bom. Na primeira, há instabilidade e preocupação. Na segunda, há estabilidade e leveza. Há duas formas de meditar: (1) pedir para que os desejos sejam realizados e (2) aceitar e entender que tudo que vier será bom. 

Às vezes, não percebemos os milagres porque estamos condicionados a “eu quero isso, eu quero aquilo”. Não estamos sozinhos, há vários elementos como outras pessoas, atores, a natureza. Não precisamos querer controlar tudo, mas simplesmente observar como as coisas acontecem. Após fazer a ação, assista e veja o que acontece. Quando há medo nos comparamos. Ao invés de dizer “eu vou fazer” diga: “nós vamos fazer”. Assim você dá mais espaço para os outros irem com você.

Só quando você é experiente você pode guiar o outro. Para isso é preciso viver de forma limpa, ter um coração generoso. É nesse mundo que podemos experimentar ser livres. Fomos nós que criamos nossa prisão. Temos que aprender como pensar, manter o pensamento: “eu tenho esperança”. Existe um ditado que diz: “Deus ajuda aqueles que ajudam a si mesmos”. Criem essa parceria com Deus e compartilhem tudo com Ele.

Tem pessoas que não sabem tomar a ajuda de Deus. Têm outras que acham que não precisam da ajuda de Deus. Ambas estão erradas. Cada oração é ouvida. Cada pensamento é respondido. Ver a vida assim é ver a vida diferente. Você começa a ver tudo com gratidão ao invés de dizer “fui eu que fiz”. Quando somos gratos sentimos leveza e grande felicidade. Isso reduz o estresse e dá liberdade.



Mohini Panjabi


9 de abril de 2011

Se não quiser adoecer

 



Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças
como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.. Com o tempo a
repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar,
confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..


Se não quiser adoecer - "Tome decisão"

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A
indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é
feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder
vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de
doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.
Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o
fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de
mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.


Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que
está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando
toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com
muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos
algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os
que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,
destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é
sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria
liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não
há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em
Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste!"

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida
longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.

"O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.



Dráuzio Varela

4 de abril de 2011

Tornando a vida mais simples





O mundo virou de pernas para o ar! Literalmente. Quem tem dinheiro e comida está passando fome, pois quer emagrecer. Quem é magro e quer comer passa fome, pois não tem dinheiro para comprar comida. Chegamos ao fim dos tempos: as controvérsias se aproximam perigosamente e os paradoxos já não causam tanto espanto: quer ir rápido? Evite o carro – preso em intermináveis congestionamentos – e vá a pé, é mais rápido. Ficou doente, cuidado com hospitais, ou sua gripe vira infecção hospitalar e te mata em dois tempos. E por aí a coisa vai... e mal.

Quanto a comer, algo extremamente natural há mais de 400 milhões de anos, atualmente virou um drama. Aliás, sendo mais preciso, virou doença, das mais graves e, nesse pós-Freud, uma das principais neuroses modernas: comer ou ser bonito, eis a questão!

Entre anoréxicas (magrelas e obsessivas, com verdadeiro "HORROOOR" a alimentos, um extremo da aversão e da vaidade doentia), obesas ansiosas (quanto mais insatisfeitas, mais compulsivas, e dá-lhe bombom Sonho de Valsa) e bulímicas (o pecado, a culpa e o ritual do vômito de alívio), lá vamos nós complicando a simplicidade da natureza. Aliás, os únicos mamíferos que têm problemas quanto a sexo, alimentação e sono somos nós. Você já viu algum macaco ter problema de insônia? Elefanta ficar grávida antes da hora? Ou girafa com problema de obesidade?

E que complicação foi Deus nos ter dado a habilidade de pensar! Só dificultamos as coisas e criamos um mundo todo complicado.

Mas voltemos à "vaca-fria": por que as desordens alimentares (anorexia nervosa, bulimia e obesidade ansiosa) se tornaram epidêmicas? Primeiro, recordemos que padrão de beleza é coisa de época: nos séculos XVI, XVII e XVIII, as rechonchudas faziam um sucesso tremendo. Ô época boa, hein!? Comia-se às toneladas, gotdura e celulite pra todo lado, e ainda posava nua pra qualquer pintor famoso. Ai, ai, talvez em vidas passadas...

Mas veio, em pleno século XX, lá pelos anos 60, uma tal de manequim inglesa. Twiggy? Cadavérica. E foi um sucesso. Ponto para as esquálidas e magrelas com seus ossinhos aparecendo. Começou a neurose. Mas, pior, 20 anos depois, as Madonnas acrescentaram músculos e contornos esculpidos. Aí foi o fim: fome, suor e... lágrimas! Mas o império da indústria alimentícia contra-ataca: bombardeio da mídia, os alimentos são embelezados, adocicados, uma legião de sedutoras tortas, mousses, sorvetes, cremes nos invade por todos os lados. Há invasão domiciliar com freezer, geladeiras, microondas. Ora congelados, ora fumegantes, mas principalmente rápidos: fast-food, e até que achamos gostoso um Big Mac e uma pizza Hut. Eu me rendo, eu me rendo!

Mas ainda há esperança: nas academias, no programa Malhação, da Rede Globo, e nas novelas subsequentes, um exército de resistência, músculos reluzentes, carinhas de anjo... E a tudo assistimos ansiosamente, comendo pipoca, tomando coca-cola, comendo Diamante Negro e sonhando ser como eles, seres de outro mundo, platinados, e que venceram a inglória batalha contra carboidratos e lipídios, usando apenas sua ração hiperprotéica.

– Acorda filha, é segunda-feira!

E lá vem o dia mundial de começar o regime, e também do mau humor, de "matar" o serviço e curtir a ressaca de culpa do fim de semana, pelo abuso geral e irrestrito.

Não desanime, a receita é simples: faça como qualquer animal irracional – durma com a noite, acorde com o dia, exercite na busca de caça, ame e seja amado, respeite as leis naturais. Quanto a comer, experimente mastigar calmamente e sentir o sabor do que coloca na boca. Sabia que a mastigação eficiente e as papilas gustativas, responsáveis pelo paladar, são inibidores naturais do centro da fome no cérebro e inibem o apetite? Procure dar uma pausa entre o 1º e o 2º prato. Cinco minutos e acaba aquela compulsão.

Afinal, tudo na natureza é rítmico. E nós, nessa arritmia toda! Saciar é o ato de satisfazer-se calma e serenamente, sentindo prazer em cada ato de viver. Sinta – e isso significa usar os cinco sentidos em tudo que fizer (olhe, ouça, cheire, toque, deguste), seja caminhar apreciando a Natureza, transar com a pessoa amada, comer a desejada refeição.

Eis a melhor receita para se viver bem num mundo que se complicou tanto: ser simples, natural e sábio.



Eduardo Aquino

19 de março de 2011

Pensamento positivo


    

As emoções surgem no cérebro, e transmitem sensações pelo corpo todo. Porém, se forem ruins ou frustrantes, o coração pode sofrer as consequências. Estudo realizado pela Panjab University, na Índia, concluiu que emoções positivas, como a felicidade e o otimismo, melhoram a qualidade de vida e previnem doenças cardíacas.

No Brasil, cardiologistas fazem coro. O pensamento positivo faz bem para o coração. A pessoa pessimista, de mal com a vida, geralmente, vive mais estressada. E com isso mais vulnerável a sofrer com doenças cardíacas. Muitas vezes chegam a ficar depressivos.

Diante de uma emoção positiva, o organismo reage imediatamente. A frequência respiratória aumenta para melhorar a oxigenação, o nível de açúcar no sangue é maior para obter mais energia e a pupila dilata, aumentando o campo visual. Em contrapartida, em um momento de tensão ou raiva, hormônios derivados da adrenalina, conhecidos como vasoativos, são liberados, estreitando a parede dos vasos sanguíneos, o que aumenta as chances de um infarto.

Os cardiologistas alertam que a obesidade, o fumo e a diabetes também são fatores de risco e que podem ocasionar doenças cardíacas. Portanto, controlar a alimentação, realizar exames periodicamente, parar de fumar e praticar exercícios físicos são imprescindíveis para manter o coração saudável e tranquilo. Há casos em que o paciente está com o colesterol ótimo, sofre um ataque cardíaco e não entende. Quando investigado, a vida estressada e agitada foi o grande inimigo do coração.

Bom humor, otimismo, alegria e, principalmente, amor só trazem coisas boas ao coração. Palavra de quem entende. O amor é sempre o melhor remédio para o coração. Seja o amor pela profissão, ou pelo cinema, por atividades físicas, não importa. O importante é fazer aquilo que traga prazer, e não estresse".



Maria Fernanda Schardong

13 de março de 2011

A maneira correta de ver o mundo




Você já parou para observar suas próprias posturas e das pessoas ao seu redor? Como está a sua coluna? Inclinada para frente ou para trás?

Geralmente, nossa coluna oscila entre uma postura de submissão e arrogância. Ou estamos com a cabeça baixa, olhando para os pés das pessoas, com o peito fechado, defensivos, ou estamos com o nariz empinado, a coluna inclinada para trás, olhando as pessoas de cima para baixo, com desprezo.

Em realidade, ambas as posturas são patológicas, dois lados da mesma moeda. Não se enganem que o arrogante esconde um sentimento de inferioridade - e vice-versa. Não é por outro motivo que ele despreza os outros, para se proteger, pois, em última instância, se considera inferior.

Também o submisso mascara sua soberba atrás de uma fala mansa. Não se confunda humildade com fraqueza ou submissão ou baixa auto-estima.

Devemos buscar um equilíbrio entre esses extremos. Nem tanto para frente, nem tanto para trás. O tronco e a cabeça devem tocar os céus e nossas pernas devem se enraizar firmemente no chão, cedendo a ele todo nosso peso. Olhar as pessoas nos olhos com carinho e respeito.

Dignidade é a capacidade de nos mantermos dinamicamente nesse equilíbrio: nem nos fixarmos em uma postura nem em outra. Permitir que o corpo transite entre elas, ora para frente, ora para trás ora se inclinando em sinal de humildade, ora enfrentando os desafios com coragem e determinação.

Há, portanto, a negação de qualquer radicalismo rígido e discriminatório. A dignidade reside na busca do caminho do meio.

 
Alexandre Perlingeiro é mestre em Dakshina Tantra Yoga


12 de março de 2011

Vá devagar


Quanto mais o relógio avança, mais os ponteiros indicam que as horas podem não ser suficientes para tantas tarefas programadas para o dia, a semana, o mês, o ano. Escravos do tempo, esquecemos, muitas vezes, do que é essencial. A vida tem variáveis que fogem ao nosso controle. Está tudo certo para um determinado evento e, eis que uma reviravolta acontece. Aceitar o imponderável, mais que sinal de acomodação, significa sabedoria.

Se não é possível traçar o mapa do nosso futuro, alterar o mau humor do chefe, controlar o tráfego, evitar as dores do amigo ou as frustrações dos filhos, é possível, sim, tirar boas lições. Melhor que isso, passar adiante uma mensagem positiva. Afinal, o céu não é cinza todos os dias.

O importante é a frugalidade. É semear a simplicidade em meio ao caos cotidiano em que muitas vezes transformamos nossas vidas. Encontrar a felicidade pode estar em desenvolver a capacidade de criar algo que surpreenda a nós mesmos. Qualquer um pode.

Planejar é preciso. Mas se deixar escravizar por metas e não considerar as pedras que podem surgir no meio do caminho é abrir espaço para a frustração. Nem todos os planos dão certo. Quanto mais expectativas, mais chance de desapontamentos, mais estresse.

O que fazer, então? Qual a alternativa para que os desejos sejam satisfeitos? Ao planejar menos, você ganha mais liberdade e vive melhor. Com o foco no presente, a vida tende a ser vivida ao máximo! A seguir, algumas dicas sobre o que deve e o que não deve fazer para não desperdiçar o seu presente. Afinal, a vida é muito mais valiosa do que muitas vezes pressupomos.

Não planeje tanto: esteja aberto ao que a vida pode oferecer. Sim, é preciso pagar as contas, marcar encontros com os amigos, dar apoio à família, fazer alguma reserva em dinheiro, cuidar da casa. Cultive o bem estar. Não se preocupe tanto com o futuro. Basta perceber que ele é imprevisível; se preocupar com isso é um desperdício de tempo. Concentre-se no agora, e você sempre será capaz de lidar com o que vem.

Não crie expectativas: esperar que as pessoas reajam do modo como você considera correto, é quase certo que você terá problemas. Esqueça resultados imediatos. Sem muitas expectativas, você vive mais tranquilo. Entenda que as pessoas são diferentes, mesmo que pareçam egoístas, estranhas ou agressivas. Cabe a você se proteger. Não tente entender as formas de agir dos outros.

Não faça escândalo: se as coisas vão mal, não exagere nas reações. Explosões fora de proporção causam danos, inclusive, à saúde. Tente manter o autocontrole.

Não crie soluções para problemas que não existem: espere os acontecimentos. Antecipar os problemas é perda de tempo e energia.

Esteja sempre aberto: abra-se para o novo, para os movimentos que a vida oferece espontaneamente. Pense em criar algo novo, em debruçar-se sobre um projeto. Você pode descobrir-se apaixonado por algo antes impensável.

Entenda que a vida acontece e temos de reagir. Mas ao invés de exagerar, podemos reagir com calma, tomar medidas necessárias, corrigir problemas, e seguir em frente sem ele estragar o nosso dia. Aceite o que acontece. Pode não ser o que você considera ideal, mas é o que a vida lhe deu, o que resultou de suas ações em um mundo de imprevisibilidades. E seja feliz.



Mais50
 

10 de março de 2011

Dor crônica





O que deveria ser o aviso de um problema, muitas vezes acaba se transformando no próprio problema. E os números são alarmantes. Estima-se que 30 a 40% da população brasileira sente dor crônica, que representa um dos principais fatores de afastamento das atividades de rotina. Também é comum para muita gente conviver com uma dorzinha aqui e outra ali, que mesmo parecendo insignificante, pode ser um sinal de que o corpo não está em plena forma. Embora ainda não seja avaliada com a importância devida, a dor começa a receber a atenção de especialistas e a ser combatida de forma correta.

A dor é um instrumento de defesa do organismo, porque alerta para a possibilidade de doenças e infecções, entre outros males do corpo. Desta forma, ela é benéfica porque faz com que o indivíduo procure se livrar da dor eliminando aquilo que a causa. A dor é fundamental para a vida.

O ligeiro incômodo passa de amigo a vilão quando fica mais tempo do que o necessário e com uma grande intensidade. Nesse caso, é hora de procurar o médico e abrir mão da auto-medicação, prática perigosa em muitos casos. Mesmo em proporções menores, a dor pode alterar o cotidiano de muitas pessoas. Uma cefaléia que não passa ou a famosa LER (Lesão por Esforço Repetitivo) são capazes de acabar com o bom humor de qualquer um.

A dor também torna-se um problema grande para aqueles que acabaram de se submeter a uma cirurgia. O paciente fica deprimido e não se alimenta direito. Além disso, ela pode desencadear alteração na circulação sangüínea, aumento da pressão cardíaca e stress, o que prejudica a recuperação.

Mas há luz no fim do túnel. Cerca de 95% das dores são tratáveis ou amenizadas graças à evolução da medicina nessa área. Os analgésicos e antiinflamatórios desenvolvidos atualmente são mais seguros e podem ser combinados com outros medicamentos sem causar efeitos colaterais ao paciente. Já os remédios antigos foram relançados com novos modos de liberação – ou seja, se antes o efeito tinha duração de quatro horas, hoje ele pode chegar a 24 horas. Os fármacos derivados da morfina também foram reavaliados e, atualmente, os efeitos colaterais são reduzidos.

Além dos medicamentos, também foram desenvolvidos outros meios de combate à dor. Adaptar o indivíduo ao ambiente de trabalho, por meio de métodos ergonômicos, é uma forma de evitar o incômodo causado pela LER.

Hoje a dor foi agregada aos quatro sinais vitais da rotina de um diagnóstico, que são as medidas de pressão arterial, frequência respiratória, batimentos cardíacos e pulsação. Isso significa que os médicos devem acompanhar, no pós-operatório, a dor do paciente. Nas consultas, também há consciência de que é importante perguntar ao indivíduo se ele está sentindo dor e qual a sua intensidade. E isso é só o início de uma longa estrada para evitar os males da dor no homem.

9 de março de 2011

Tudo zen




Existe muito material escrito sobre a meditação e tudo isto pode trazer para nós a sensação de que meditar é uma prática complexa e difícil. Entretanto, há como compreender melhor como a meditação pode nos beneficiar. Vivemos num mundo conturbado e angustiante. Basta ligar a televisão, o noticiário para constatar isto. Mas este é apenas um lado de nossa percepção do mundo. Um ponto de vista bastante sombrio. As pessoas se dizem "realistas". Realista para mim é aquela pessoa que consegue enxergar as coisas do modo mais desgraçado e pessimista possível. "Não sou pessimista" – dizem –"sou realista!".

Mas existe também uma outra forma de compreendermos a realidade, e a meditação nos ajuda a perceber as coisas sob esta nova ótica. Quando meditamos, deixamos de lado o papel do herói ou da vítima do mundo. Abandonamos a postura do depressivo, do pressionado e nos colocamos como "Senhores do nosso Destino". Você não pode mudar o mundo. Mas pode mudar a maneira de encará-lo. E a meditação nos ajuda nisto.

Antes de tudo, é importante compreendermos, mesmo que superficialmente, aquilo que ocorre em nosso cérebro quando meditamos. Se medirmos num eletroencefalograma o seu ritmo cerebral enquanto estiver acordado, conversando, trabalhando ou em alguma atividade, vamos detectar aquilo que os cientistas chamam de "estado beta". Seu ritmo neural está mais ativo, desprendendo mais energia e, de acordo com a intensidade, pode levá-lo ao estresse. É por isso que temos a necessidade do sono. Se permanecermos muito tempo em estado beta, iremos desenvolver o cansaço e a fadiga.

Um simples fechar de olhos já permite a mudança de estado mental. Chamamos este momento de "estado alfa". Nosso estresse diminui, nossa musculatura relaxa e ficamos mais preparados para lidar com os desafios básicos da vida.

A meditação contribui para prolongar os benefícios gerados pelo estado alfa. Uma breve meditação feita após o almoço pode manter o seu bem-estar durante todo o restante do dia, por mais agitado ou estressante que seja o ambiente onde estiver.

Então vamos meditar, do jeito mais simples e descomplicado possível porque, afinal, são as coisas simples que produzem os melhores resultados.

1. Sente-se confortavelmente e feche seus olhos.

2. Preste atenção em sua respiração (Procure perceber qual é o seu ritmo. Está calmo ou agitado? Sua musculatura está tensa? Através da respiração conseguirá detectar todas estas coisas).

3. Procure silenciar seus pensamentos (Esta é a parte mais desafiadora. É como uma barreira do som que precisa ser vencida. Neste momento, uma infinidade de pensamentos podem surgir, como "aquela conta para pagar"; ou "aquele telefonema por fazer"...)

Por mais dificuldade que tenha no início, continue prestando a atenção em sua respiração. Não se deixe impressionar pela agitação mental que pode surgir. Sua mente que nunca pára, fica ainda mais agitada, porque você está tentando silenciá-la e ela pode lutar contra isto. Solte-se completamente. E se um pensamento chega e tira a sua concentração, pacientemente volte mais uma vez a atenção para a própria respiração, sempre calma e tranquila.

4. Mantendo esta postura por algum tempo, abra seus olhos e permaneça agora com o olhar fixo em algum ponto qualquer. Não faça mais nada. Não diga nada, nem force os seus pensamentos. Apenas fique ali, no seu vazio, no seu mundo isolado de tudo. Meditação é, portanto, o "não-pensar". É o abandono da razão. Isto para nós ocidentais é quase impossível. Estamos sempre apresentando justificativas, explicações, conceitos. Na meditação, desistimos da necessidade de impor ou de provar qualquer coisa que seja. É um viver aqui e agora. E quando nos acostumamos a isto, nossa vida toma um novo sentido.

5. Permaneça neste estado por um tempo, pelo tempo que julgar necessário. Algumas pessoas utilizam um despertador para controlar o período em que está meditando. Sua meditação pode durar 10 minutos, ou quem sabe meia-hora. É você quem decide.

De qualquer modo, meditando você ficará mais apto para lidar com os desafios básicos da vida e estará mais predisposto para a calma e a tranqulidade. Vale a pena tentar.


Chris Almeida 

5 de março de 2011

Para ser mais feliz





De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS), 20% das pessoas com mais de 60 anos sofrem de alguns sintomas de depressão. No entanto, somente 5% dos casos são diagnosticados e tratados corretamente. Muitas vezes atribuída ao processo normal de envelhecimento, a doença tem tratamento e cura, garantem especialistas.

O controle é fundamental. Os sinais podem variar de humor deprimido, impaciência, choro sem motivo aparente, dificuldade de tomar decisões, e até mesmo o desejo de morrer. Além disso, independentemente da dimensão e do tipo de problema de cada um é possível enxergar a luz no fim do túnel. Medidas simples podem ajudar a solucionar muitos casos da doença. Bons hábitos de vida como alimentação, exercícios, lazer, relacionamentos saudáveis, espiritualidade, sexualidade são fatores que promovem equilíbrio emocional e contribuem para o restabelecimento da saúde,

A seguir, encontram-se sete dicas no combate à depressão. Com medidas simples e bons hábitos de vida fica mais fácil dar adeus a tristeza.

Não se culpe
Há um tipo de pessoa com altíssimo nível de autocrítica e que acredita ser culpada por todos os problemas de cada um dos seus familiares. É fundamental que o paciente depressivo comece a mudar esse pensamento e passe a dividir o problema em partes, verificando exatamente qual é o seu papel para que a situação sofra mudanças favoráveis. Ninguém deve se martirizar pelo que está fora de seu alcance.

Perca o medo de envelhecer

Tem muita gente que se deprime ao imaginar-se em desvantagem na vida amorosa, profissional e familiar somente porque passou dos 50 anos. Encare o “segundo tempo” do jogo da vida como mais uma possibilidade de crescimento pessoal, de dar uma ‘virada’ na relação afetiva e de usar a experiência e a criatividade a seu favor. Se seu parceiro está passando pela ‘crise do entardecer’, aceite a situação como algo natural do processo de amadurecimento e, talvez, conjugal. Exponha suas opiniões com serenidade e aproveite você também para definir a qualidade de vida que quer para si de agora em diante.

Desabafe de vez em quando
É sempre importante cultivar amigos e ter um bom relacionamento com familiares, principalmente quando se quer desabafar. Claro que você deve evitar reclamar de tudo e de todos para os que estão mais próximos. Nada disso. Ninguém merece esse tipo de ambiente. Mas ter com quem se abrir e estar pronto para ouvir o que nem sempre se quer ouvir é um passo importante para evitar o estresse;

Pratique exercícios
Lute contra o desânimo e passe a caminhar a passos largos pelo menos três vezes por semana, durante 30 minutos. Verá que não apenas se sentirá mais saudável, como também perceberá que o bom humor será mais constante na sua vida.

Se atenha à sua rotina normal

Pessoas em crise de depressão, geralmente, sentem-se desestimuladas para cumprir inclusive tarefas mais simples, como tomar banho, fazer a barba, lavar a louça, se alimentar. Nesses momentos, insistir em cumprir tudo o que faz parte da rotina já é parte do processo de cura.

Evite álcool e drogas
Algumas pessoas com depressão acabam recorrendo ao uso de álcool, tabaco e até mesmo drogas na intenção de se livrar do problema. Esse é um dos piores erros que se pode cometer, já que, a longo prazo, essas substâncias afetarão a química cerebral e certamente colocarão em risco sua qualidade de vida e seus relacionamentos pessoais.

Coma e durma bem
Alguns alimentos comprovadamente fazem bem à saúde e proporcionam bem-estar. Portanto, vale a pena incluir mais frutas e vegetais na alimentação, assim como peixes, grãos integrais e proteínas. Dormir bem é outra dica de combate à depressão. Mas, preste atenção: nada de ficar de pijama o dia inteiro. Combata o desânimo tentando dormir entre seis e oito horas por noite e utilizando o dia para cumprir com boa disposição todas as tarefas.


Da redação do mais50



3 de março de 2011

Viva em paz



Embora em certos momentos ela pareça inatingível, é possível, sim, ter paz interior. E o primeiro passo é desejá-la. Aceitar a vida tal como ela está, sem impor muitas condições para a felicidade, é uma forma de ficar em paz com você. E com o mundo. Não resistimos e apresentamos algumas dicas para você descobrir a sua serenidade.

Respire profundamente
Quanto mais longa for a respiração, mais você se sente relaxado. Costumamos respirar de forma curta e concentrada na região torácica. Dessa forma, não aproveitamos a capacidade dos pulmões. Para isso, a respiração mais indicada é a abdominal, pelo diafragma.

Durma

É importante dormir o tempo necessário para descansar o corpo e a mente. Dormir mal, ou dormir pouco, causa estresse, estafa e afasta o bem-estar.

Reserve horas para o lazer
Desligar-se do trabalho e das tarefas do dia-a-dia por alguns momentos é fundamental para a qualidade de vida. Cuide das plantas, passeie com a família, leia, veja filmes, enfim, busque atividades que lhe dêem prazer longe das cobranças.

Faça alguma atividade física
Praticar um exercício é uma forma de aliviar o corpo do estresse do dia-a-dia. De quebra, você também relaxa e coloca para fora os leões que o habitam. Lute, corra, nade, caminhe, dance, brinque! Medite e esqueça do mundo por alguns momentos Reserve diariamente um tempo para descansar a mente. Desconecte-se do mundo e conecte-se a você, ao seu interior. Quem sabe sua paz não está aí, escondida?

Ocupe a mente quando algum pensamento ruim lhe afligir
Para ficar bem com você mesmo é preciso, antes de tudo, dominar o pensamento. Afinal, ele tem um importante papel nisso. E se a sua cabeça é a responsável por tirar a sua paz interior, não adianta pensar em não pensar, porque o cérebro não assimila a palavra não. Logo, você continuará pensando. Faça alguma atividade para se distrair. Vale desde fazer palavras-cruzadas, até arrumar a casa. O importante é não permitir que pensamentos sem importância criem raízes.

Faça yoga
Não há caminho melhor para encontrar a serenidade interna como fazer yoga. O exercício reúne o trabalho físico e o mental, proporcionando um profundo relaxamento. É uma busca pelo auto-conhecimento. E quando você se conhece, fica mais fácil se sentir em paz. Contacte sua espiritualidade. Independentemente da representação que ela tenha para você, tire um tempo e faça essa conexão com algo além de você, que lhe traz fé e força para seguir em frente.

Ajude os outros
Seja solidário e gentil com quem está ao seu redor, faça um trabalho social. Estatísticas já comprovaram que as pessoas que prestam algum trabalho voluntário têm índice de mortalidade menor. Contemple o mar E aprenda com ele. Tudo passa. As ondas vão e vêm a todo instante. E assim é a nossa vida.

Seja positivo
Compreenda que a forma como você vê o mundo é mais importante do que ele é na realidade. Se você buscar coisas negativas, certamente só encontrará isso. Busque sempre o ângulo positivo de todas as situações. Você pode não se identificar com nenhuma dessa dicas. Crie, então, a sua maneira própria. O exercício da busca já vale a pena. E se estamos empenhados em ficar em paz e em espalhar esse estado de espírito, o universo agradece.


Da redação do mais50

24 de fevereiro de 2011

Beija que sara!


Uma distração ou uma paixão. O que quer que você tenha à mão nesse momento, acredite, pode ser o melhor analgésico para eventuais dores. O amor é mesmo poderoso e alivia, atesta um novo estudo realizado na Universidade de Stanford, nos EUA. Trocas de carinho e de afeto ativam as mesmas áreas do cérebro em que as aspirinas, por exemplo, atuam. Ocupações simples podem provocar o mesmo efeito. Nos dois casos, o tratamento pode sair de graça. Ou bem mais barato do que ir até a farmácia.

Oito mulheres e sete homens apaixonados e no início de uma nova relação serviram de cobaia para a pesquisa. Os estudiosos pediram que cada um levasse uma foto da pessoa amada e de um conhecido por quem também sentissem atração. Separados os grupos, os pesquisadores mostravam as imagens para os participantes enquanto aqueciam um simulador termal localizado nas mãos de cada um, com o objetivo de gerar dor leve.

O resultado? Ao olhar para as fotos dos amados, a intensidade da dor provocada pelo simulador era menor. Já diante das fotos das pessoas consideradas atraentes também provocaram reações, mas em menor grau, ou seja, sob efeito da paixão, a resistência é bem maior.

Ao mesmo tempo, uma ressonância magnética escaneava os cérebros dos estudados, mostrando a ativação, entre outras regiões, do sistema de recompensas, uma parte irracional e instintiva do cérebro que é responsável por gerar e buscar bem estar e satisfação. O sistema de recompensas também está por trás do que você sente quando ganha um dinheiro extra, faz um strike no boliche, vê os filhos sorrindo ou até mesmo usa alguma droga. Essa região e as outras áreas do cérebro que são afetadas pelo amor são justamente onde atuam os analgésicos.

Para quem não está apaixonado, os cientistas sugerem outros meios para diminuir a dor. Meras distrações podem dar conta do recado, dizem os pesquisadores, que também testaram o nível de alívio da dor quando os participantes se ocupavam com questões banais como “pense em um esporte que não use bolas”.
O resultado, em ambos os casos, foi tão forte quanto às reações provocadas pelo suposto efeito do amor. A diferença está na área afetada do cérebro. A distração agia na parte superior, enquanto o amor chegava mais fundo. A anestesia induzida pelo amor ativa estruturas profundas que podem bloquear a dor a nível espinhal – similar a como analgésicos funcionam.

Os cientistas ainda não recomendam que se abra mão dos remédios anestésicos em favor apenas de se encontrar alguém para amar ou por uma rodada de carteado, mas esperam entender melhor os mecanismos que o corpo usa para se defender da dor e produzir novas formas de alívio.

O grande trunfo do estudo é a confirmação de que não é preciso se apoiar em medicamentos – e seus efeitos colaterais – para conseguir alívio. Abrir o coração pode fortalecer suas barreiras contra a dor.

E você? Sua dor é menor quando é alguém que você ama que está cuidando dela?

23 de fevereiro de 2011

A chave da felicidade




É chocante ver a quantidade de doenças que o homem moderno contrai por causa de um estilo de vida que o incapacita para a felicidade. O ser humano não tem resistência para viver como máquina. Vivendo longe da sua essência ele "quebra" e, portanto, tem vida curta.

A vida nos anos 90 do século passado foi considerada das mais estressantes da História da humanidade. E isso não mudou com a virada do milênio. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela consultoria Yankelovich Partners na qual 78% dos trabalhadores afirmaram que precisavam reduzir urgentemente sua carga de estresse.

O trabalho sem sentido, uma vida afetiva pobre e a falta de valores espirituais estão levando a humanidade a uma destruição silenciosa que tem matado muito mais pessoas do que todas as guerras que a televisão nos mostra diariamente. É mais do que urgente encontrar uma nova maneira de viver. Basta observar o que acontece no mundo para que isso se torne claro: entre 1982 e 1997, ou seja, em quinze anos, o número de pessoas que fazem tratamento médico devido ao estresse aumentou 20%.

O surgimento de novas doenças, associadas ao estilo de vida atual, é freqüente. A karoshi — morte devido ao excesso de trabalho — era comum no Japão, onde muitas pessoas trabalham até a morte, literalmente, e hoje já atinge também a Coreia do Sul.

Doenças como alcoolismo, arritmia cardíaca, hipertensão, estresse e síndrome do esgotamento profissional (quando a pessoa fica incapacitada de trabalhar devido ao ritmo pesado que estava enfrentando), entraram, no ano 2000, oficialmente na lista do Ministério da Saúde como "doenças do trabalho", tão grande é a sua relevância na vida do profissional de hoje.

Talvez você, neste momento, esteja experimentando alguns dos sintomas causados pelo estresse decorrente de uma vida de trabalho em que não se sente valorizado, em que não se sente você mesmo. Todo esse estresse o leva a pensar que está precisando urgentemente de férias.

As férias mereceriam um capítulo à parte, pois não curam gastrite de ninguém. Triste ilusão: o que as pessoas precisam é de uma profunda revolução em suas vidas para criar um estilo de viver com mais sentido. Para algumas pessoas, inclusive, as férias e até os fins de semana se tornam um novo fardo a carregar. Sentindo-se perdidas fora do ambiente de trabalho, ficam doentes e debilitadas. Essa é a "síndrome do lazer", doença do século XXI diagnosticada pela primeira vez no ano passado e que já atinge 5% dos trabalhadores dos Estados Unidos. Para a maioria das pessoas as férias são um sofrimento ou no máximo adiam a próxima crise existencial.

Uma breve pesquisa entre organismos nacionais e internacionais mostra o alarmante número de pessoas que sofrem com doenças como hipertensão, insônia, depressão, alcoolismo e, principalmente, uso de drogas pesadas, que levam à morte. Sem falar nas doenças cardiovasculares, que aumentaram 20% nos últimos catorze anos. O ser humano não consegue resistir às pressões de uma vida tão distante da sua essência. Dormir, acordar e trabalhar de forma que não gratifique o espírito vai destruindo a saúde física e mental das pessoas.


Roberto Shinyashiki

22 de fevereiro de 2011

Vá com calma




Falta tempo para o que quer que seja. Na corrida contra o relógio, a ansiedade entra em cena e deixa um batalhão de descontentes diante das horas que nunca são suficientes. Se você está nesse time, relaxe. Antes que o estresse de hoje se tranforme em transtorno grave amanhã. Ou daqui a pouco. Organização, tratamentos naturais, técnicas de relaxamento e meditação. Especialistas garantem que todo esforço vale a pena no combate ao estresse. É um compromisso com a saúde, afirmam.

O que comer, o que vestir, como estar em três lugares ao mesmo tempo. O agora dos ansiosos é sempre urgente. A ansiedade é uma sensação difusa, para alguns inexplicável, que provoca sintomas diferentes para cada pessoa: falta de ar, taquicardia, nervosismo, suores, problemas digestivos, enjôos, fome exagerada, irritação.

É possível não viver ansiosamente nos dias de hoje? É essencial buscar alternativas, reforça a psicóloga. A ansiedade deixa de ser aceita como inerente e benéfica ao ser humano na medida em que acarreta transtornos e vícios. O ansioso fica tão incomodado com o próprio estado, que procura, qualquer custo, livrar-se da agonia. É o estágio onde mora o perigo.

A sensação de desconforto pode gerar as compulsões por calmantes, comida, bebida, por exemplo. Quem come em excesso e engorda demais procura uma dieta milagrosa, recorre a cirurgias plásticas, faz sacrifícios para emagrecer que podem levar, por sua vez, a outros problemas de saúde. É um efeito bola de neve.

Respirar é preciso. No sentido literal e também no sentido de dar uma pausa para entender as razões de tanta aflição. É preciso compreender o que está por trás dessas sensações de desconforto. Sabendo as causas, será muito mais fácil fazer o movimento correto, com tranqüilidade.

Pessoas com grandes responsabilidades no trabalho devem aprender a organizar as tarefas e a delegar responsabilidades, além de definir prioridades. No caso de empresários ou de pessoas que lidam com grandes responsabilidades na área administrativa, a ajuda também pode vir de consultores em administração e recursos humanos, que ensinam a aproveitar tempo e dinheiro, e também delegar responsabilidades.

Confira as sugestões que podem aliviar e tornar o dia-a-dia mais prazeroso.
  • Exercícios físicos diários.
  • Um boa dieta alimentar.
  • Redução do uso da cafeína, responsável por uma alteração significativa da bioquímica cerebral.
  • Redução do consumo do uso álcool, que aumenta a secreção de hormônios adrenais e interfere na bioquímica cerebral e nos ciclos normais do sono.
  • Eliminação dos carboidratos refinados, que podem causar problemas de hiper e hipoglicemia, frequentemente relacionada aos quadros de depressão.
  • Aumento do consumo de potássio e diminuição do consumo de sódio, o que melhora a pressão arterial. Os níveis adequados de potássio no corpo garantem o bom funcionamento das glândulas adrenais.
  • Alimentação regular e num ambiente tranquilo, o que é importante para a saúde e a necessária absorção de nutrientes.
  • Evitar alergias alimentares: todas as pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão deveriam pesquisar a existência de alergias alimentares que podem ser responsáveis por ansiedade, enxaqueca e fadiga crônica.