Mostrando postagens com marcador Dor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dor. Mostrar todas as postagens

24 de janeiro de 2013

Em quanto tempo vou curar isso na minha vida?





Quem não já se perguntou algo assim quando o assunto é sofrimento, dor, angústia, solidão, vazio ou inconformidade na vida? É muito comum querer encontrar a saída em apenas 10 passos, como se isso fosse possível. Acredito que poucas pessoas se perguntam em quantos séculos aquele comportamento que causou a dor foi cultivado e o quanto está enraizado no psiquismo.

Por isso mesmo, é preciso boa dose de autoobservação, paciência, entrega, esforço e boa vontade para mudar. E pagar o preço da mudança nem sempre faz parte do plano de vida da maioria das pessoas que estão muito focadas nas conquistas materiais e nos seus desejos de realização.

Mas a vida continua e lá na frente algo surge para relembrar que nem tudo está tão bem assim e que algo precisa ser feito. E logo vem a primeira pergunta: em quanto tempo? Não sabemos, depende de tanta coisa: da facilidade em superar eventos marcantes e traumáticos, do momento, da verdade de cada um, da necessidade de aprendizado, do quanto está disposto a mudar, a se ver...

É bonito contemplar a natureza e perceber quanta beleza e perfeição existem. Nada fora do lugar, nem mesmo um galho ou folha está em desarmonia. Conosco não é diferente, pois somos parte da natureza também. Se o momento parece o pior deles, o mais difícil e duradouro, é bom lembrar que também é o mais adequado para o crescimento e aprendizado. Muitas vezes é com a maior dor que vem a maior força de mudança. O lado sombra carrega uma energia incrível para isso, pois esconde seu potencial correspondente.

Então, ao invés de se preocupar em “quanto tempo isso vai durar?”, abram os olhos e vejam o momento em que isso chegou. O momento é o agora, o poder da mudança, da decisão, da escolha pelo outro caminho, a outra rua que deseja caminhar. Chega de cair no mesmo buraco, esperando uma saída mágica para problemas que carrega por muitas vidas. Só de estar vivo de novo já vale à pena. A oportunidade de encarnar e aprender com os erros do passado é algo precioso e deve ser bem aproveitado.

Pouco importa quanto tempo isso ainda vai durar. O que importa é como você encara isso e o quanto resiste. Àquilo que resiste, persiste. E o coração precisa estar aberto para receber o que o universo tem a oferecer. Olhe à sua volta e veja se há escassez em alguma criação de Deus, se existem pássaros deprimidos ou árvores com crise de identidade! Nada é escasso na criação, nada está em crise ou coisa assim. Tudo flui em perfeita harmonia e beleza. Por que seria diferente conosco? Porque evitamos e não aceitamos nossa natureza essencial, divina, harmônica. Criamos o caos e queremos viver o caos. Esquecemos que podemos criar harmonia e viver a paz, a leveza, o amor. Se usarmos a inteligência para fazer escolhas mais conscientes em nossas vidas, mudaremos nossa realidade e tudo à nossa volta.

A natureza não dá saltos e não seria diferente conosco. Uma planta sabe do que precisa para nascer forte e suportar as intempéries. Sabe quanto tempo em cada fase de crescimento deve passar para isso e quão fundo deverá ter suas raízes para alcançar seu propósito. E nós, quanto de raízes e profundidade temos. Quanto foi investido nisso? Quanto tempo dedicamos para criar profundas raízes dentro de nós mesmos, ir fundo no nosso universo interior, ouvir profundamente nossos anseios mais elevados? Ah, mas quem tem tempo para isso, para essas coisas de reflexão, autoconhecimento ou meditação? Poucos se preocupam em arar sua terra interior para receber boas sementes e dar belos e saborosos frutos. Querem tudo pronto, fast food, express, em poucos passos. E sabemos que não é bem assim. Uma árvore frondosa tem bom solo que a alimenta e muitas chuvas já passaram. Uma vida representa apenas um sopro disso e ninguém consegue se tornar outra pessoa da noite para o dia. Nossa alma já vem buscando há muito tempo, pacientemente, por uma oportunidade de unificação das várias frações, dos pequenos “eus” separados. Seria bom que nos dedicássemos a buscar esses pequenos pedaços de alma, que fugiram de nós por alguma razão, trazê-los de volta para que possamos nos sentir mais inteiros.

Em quanto tempo? Sei lá, mas comece já! O que não dá é perder tempo, pois o agora é um presente maravilhoso e só podemos contar com isso, enquanto estamos respirando, ouvindo, sentindo. Do lado de lá, do “céu” que cada um puder alcançar, vamos esperar muito para ter outra oportunidade. E em quanto tempo será a outra oportunidade? Essa eu sei: vai demorar!



Valéria Bastos

16 de outubro de 2011

Liberte-se dos três tipos de sofrimento




Existem três tipos básicos de sofrimento: a ignorância, o apego e a aversão

A ignorância é como uma cegueira mental. Apesar de acumularmos muitos conhecimentos úteis durante nossa vida, não conseguimos aprender o mais importante dos conhecimentos: saber lidar com a impermanência dos estados de prazer, alegria e felicidade. Esta ignorância gera os outros dois sofrimentos: o apego e a aversão, criando a dualidade de nosso estado mental confuso.

Quando somos crianças queremos situações e sensações boas e evitamos as sensações ruins. Isto é saudável nesta idade infantil, mas nossos problemas começam quando nos tornamos adultos e nos apegamos aos momentos bons. Tentamos segurar as sensações prazerosas e tentamos evitar que elas terminem. Não estamos preparados para as mudanças que podem acontecer. Chamamos de apego esta ilusão de acharmos que temos controle sobre a duração da felicidade. Mas não temos controle algum sobre isto.

Como não temos consciência da impermanência dos acontecimentos, queremos segurar a vida e os momentos de felicidade. Ao pensar e agir desse modo, deixamos de viver o momento presente. Passamos a viver de uma felicidade que já passou ou que esperamos que aconteça. Para tentar satisfazer nossos desejos sensoriais, fazemos de tudo para evitar o sofrimento. Mas o sofrimento faz parte da vida e nem sempre podemos evitá-lo. Precisamos saber lidar com ele, enfrentá-lo, tentar transformar o sofrimento em estados mais equilibrados e compreender que são oportunidades de evolução e aprendizado.

Sentir aversão por alguma coisa ou por alguém gera sofrimento. Ódio e raiva são emoções negativas que trazem muitas inquietações.

Ao praticarmos a bondade, a amabilidade, a paciência, tornamos nossos relacionamentos mais naturais, espontâneos e verdadeiros. Por meio destas virtudes, edificamos um mundo mais humano e aprendemos a eliminar tanto o nosso sofrimento como o dos outros, e desta maneira, somos mais felizes.

Vamos tomando consciência da dor dos outros à nossa volta. E assim, percebemos a necessidade de ajudá-los a terem consciência de como podem amenizar e aceitar a dor para não serem infelizes. Daí surge a virtude da compaixão que é uma grande chave para nossa libertação.

A compaixão é uma qualidade essencial para nos livrarmos de nossas ansiedades e aversões. Compaixão não é sentir dó ou piedade. É uma atitude de valorizar a outra pessoa, percebendo que somos todos iguais. Abrimos nosso coração para sentir sentimentos como compreensão e aceitação. A compaixão vai se desenvolvendo à medida que cultivamos o não julgar, o não criticar e, passamos a ter o mesmo zelo pelo bem-estar dos outros como temos pelo nosso.

Mesmo uma pequena ação pode ter uma grande consequência, positiva ou negativa. Às vezes, pequenos gestos gentis e favores, que você faz para alguém e nem se lembra mais, podem gerar bons frutos no futuro, pois aquela pessoa se lembra de sua bondade e procura lhe ajudar de outras maneiras.

Quanto maior a compaixão e a bondade de uma pessoa, maiores são as suas experiências subjetivas de felicidade. Quanto maior a negatividade, maior o seu sofrimento e dor. A realidade de nossa vida cotidiana é o resultado dos nossos pensamentos, intenções, palavras e ações.


Emilce Starling

19 de julho de 2011

Dissolvendo mágoas




É inevitável que vez ou outra na vida sejamos feridos pelas pessoas. Alguém nos engana, alguém nos trai, alguém nos trata com falta de respeito, desconsidera nossos sentimentos... Eu sei que você já passou por isso em algum momento. Isso não quer dizer, necessariamente, que tenhamos que continuar carregando isso no peito pelo resto de nossas vidas, cultivando mágoas, como fazem tantas pessoas.

O nosso peito é como um grande lago, suave, ladeado por flores, pássaros e todos os tipos de vegetações. Quando alguém nos fere, é como se uma pedra fosse jogada no lago... tudo fica ondulado por alguns instantes, a superfície perde a limpidez, a água fica momentaneamente turva e o vento sopra de uma forma tão gélida que chega a doer.

Mas depois de um tempo, o que naturalmente aconteceria? A pedra atirada ficaria quieta em algum lugar lá no fundo do lago, uma prova de que vivemos intensamente, uma experiência de vida que veio para nos trazer sabedoria. A superfície da água voltaria a ficar lisa como um espelho, a areia levantada voltaria ao fundo e voltaríamos a sentir a plácida paz desse lago sagrado.

Mas algumas pessoas não se conformam. Em vez de aprenderem com o que aconteceu e retornarem a seu estado natural de confiança na vida, querem encontrar a pedra atirada, que agora se encontra perdida lá no meio de seus lagos. E, se possível, gostariam de atirar a pedra de volta, bem no meio da testa do infeliz que ousou jogar a pedra no lago! Ficam andando de lá para cá dentro do lago, cultivando mágoas e pensamentos ruins, ondulando ainda mais a superfície, levantando cada vez mais areia, turvando a água, perturbando a própria paz. Cada vez que se lembram do que aconteceu e de quem as magoou, é como se jogassem novamente a pedra no lago, e de novo, e de novo, e de novo! E a todo momento comprovam o grande estrago que lhes foi causado, e dizem: Vê? Não consigo mais enxergar a minha imagem na superfície do lago!

Na verdade, a pessoa que nos magoou atirou, sim, a primeira pedra, mas a forma como reagimos a isso é o que pode de verdade nos fazer mal. Continuamos impedindo que a paz aconteça, recriamos a mágoa infinitas vezes dentro de nós... Por que fazemos isso?

Fazemos isso porque em algum lugar dentro de nós existe uma crença distorcida de que a vida deve ser sofrida, de que o sofrimento nos torna maiores, mais dignos. Se lá, no nosso íntimo, existisse a crença sorridente de que merecemos ser felizes, simples assim, não perderíamos tempo em nos atormentar dessa forma, em cultivar mágoas que só nos ferem.
Se acreditássemos de verdade que merecemos a felicidade, deixaríamos a pedra lá, no fundo do lago, e sairíamos para encontrar algo melhor para fazer. Também cultivamos mágoas porque nos falta amor, amor por nós mesmos. E foi essa mesma falta de amor próprio que, provavelmente, acabou permitindo que o outro nos ferisse tanto. Quem ama a si mesmo não fica em relacionamentos desrespeitosos, é mais rápido em buscar aquilo que é bom e saudável.

Precisamos parar de nos colocar no lugar de vítimas das situações. Mesmo quando a outra pessoa errou, nos enganou ou o que quer que seja, uma partezinha nossa permitiu que isso acontecesse. Assim, de nada adianta ficarmos repetindo infinitamente em nossas mentes e corações o ocorrido. Isso só nos aprisiona mais e mais.

Muito mais sábio seria tranquilizar a mente até que a superfície do lago voltasse a ser calma como um espelho. E então, sentados em frente a esse espelho, perguntaríamos: Como posso aprender com o que aconteceu? Como posso evitar que volte a acontecer? E depois, seria bom que ficássemos em silêncio, até que a resposta nos venha.

Imagine que as águas de seu lago sejam como um bálsamo sagrado capaz de curar e dissolver pedras. Permita que as mágoas sejam dissolvidas nessa energia que brota de seu coração. Não tenha pressa, leva certo tempo, eu sei, mas até mesmo os maiores rochedos podem ser dissolvidos pela suave persistência da água.



Patricia Gebrim 


Aerosmith - Crazy




 

19 de maio de 2011

As agressões que ignoramos





Muitas vezes, somos vítimas de agressões que nem sempre nos damos conta e que com muita freqüência acontecem entre pais e filhos, famílias, casais, pessoas que se amam, enfim, nas relações cotidianas. Muitas delas nos causam culpa, doenças, conflitos. Parece ser difícil perceber essas agressões e, principalmente, os ferimentos que causam, pois em geral só é enfatizada a violência física e explícita. As agressões silenciosas nem sempre deixam marcas externas, físicas e visíveis, mas conseguem deixar marcas eternas.

Muita violência velada é transmitida pelas famílias nas entrelinhas da comunicação diária, mediante conselhos, avisos e cuidados que nos impedem de entrar em contato conosco e com nossas necessidades. Quantas famílias, ainda nos dias de hoje, ensinam que sentir e expressar sentimentos é sinal de fraqueza? Quantas vezes não fomos ou somos comparados com o irmão que é mais inteligente e que tira as melhores notas? Ou ainda, as críticas sob o legado, que são construtivas e para nosso bem? Que bem é esse que nos lembra a todo o momento que tudo que fazemos é errado? Por que é tão difícil elogiar o outro, valorizando o que faz de bom? Talvez por que irá percebê-lo como melhor? É mais fácil e tão somente, criticar?

Quantas pessoas não percebem que continuamente agridem do mesmo modo que foram agredidas? E quantas outras não permitem ser agredidas mesmo adultas? Quantas pessoas por medo permanecem acorrentadas, sem motivação interior para mudar, preferindo o comodismo, conformismo, aceitação, ainda que isso traga muito mais sofrimento que a mudança em si? Por que as pessoas esquecem que ao nascer todos trazemos dentro de nós a potencialidade para ser feliz e viver em paz? O controle e as manipulações estão presentes para dominar as emoções do outro e, inconscientemente, limitar seu crescimento.

Será que as pessoas são conscientes do quanto foram ou são vítimas da agressividade silenciosa ou o quanto reproduzem essa mesma agressividade sem se darem conta? Digo vítimas, pois constantemente são feitas com crianças. Será que o agressivo percebe quanto destrói a si mesmo e todos que estão à sua volta? Muitas vezes são pessoas tão destruídas por dentro que nem se dão conta da própria dor ou agressividade, ignorando esses comportamentos por considerá-los normais.

As agressões silenciosas são sutis e nem sempre são fáceis de serem percebidas, e por isso, perigosas. Muitas vezes são simples gestos, olhares, que reprovam, censuram, julgam. Em muitos casos, podem gerar doenças e quase sempre aquele que adoece num grupo familiar, inconscientemente, revela a doença latente do próprio grupo, sendo freqüentemente aquele que procura ajuda, não por ser o mais doente, como muitos acreditam, mas sim o mais sensível. O perigo é reforçado pelo aspecto repetitivo das atitudes agressivas, fazendo com que os envolvidos se acostumem com tais atitudes, podendo ser consideradas normais tanto por quem faz como por quem as recebe.

Muitas pessoas mantêm relacionamentos afetivos mesmo quando não há respeito, carinho, afeto, com total desinteresse pelo que faz e, principalmente, pelo que sente; da mesma maneira que foram tratadas durante suas vidas e acabaram se acostumando a essa realidade. Não conseguindo identificar a origem, os padrões se repetem, pois nem sempre há a consciência da agressão recebida. O que pode levar ao outro extremo, sentir-se agredido mesmo que não tenha sido, interpretando erroneamente alguns fatos e agindo também de modo agressivo.

Um exemplo muito simples é quando se referem a alguém como coitado, isso pode gerar um sentimento de alguém como incapaz de se defender. Ou ainda, quando ouvimos: fiz por você, ou não me separei por você. A princípio pode parecer uma frase de alguém preocupado com nosso bem-estar, uma aparente valorização, mas na verdade, revela uma provocação para que se sinta culpado, como se fosse: veja como me sacrifico por você. Ou quando foi fazer um desabafo e foi julgado em seus sentimentos, como se sentiu? Uma pessoa constantemente desvalorizada em tudo que faz, pensa ou sente, tratada com indiferença, desprezo, dificilmente acreditará em si mesma. E isso não é uma agressão silenciosa? Há muitos outros exemplos, basta lembrarmos com atenção frases que ouvimos, gestos que observamos, perguntas ou comentários que nos constrangem ou nos induzem a não reagir ou nos defendermos. Tudo aquilo que nos fere, nos agride, ainda que não seja pela violência explícita, com tapas e berros, pode ser considerada uma agressão silenciosa.

Passe um filme mentalmente sobre sua vida e perceba quantas agressões silenciosas não gritam ainda hoje, talvez depois de anos, dentro de você. Perceba quantas vezes se sentiu agredido e por não reconhecer esse fato, ainda se permite ser. O conhecimento dessas agressões pode ser muito doloroso, mas não será mais doloroso e destrutivo manter esses padrões? Só identificando seu sofrimento poderá buscar soluções e mudar aquilo que acredita ser necessário mudar. A dor será muito menor do que continuar ignorando as agressões que viveu, ou ainda, se permite viver.



Rosemeire Zago

6 de maio de 2011

Tá doendo?!? Então, solta!!





Sabe quando você vive uma situação difícil, angustiante e que te incomoda? Quando você não sabe o que dizer, o que fazer ou como agir para que a dor passe ou ao menos diminua?

Pois vou te contar o que tenho descoberto, por experiência própria! Em primeiro lugar, observe a situação toda e, sobretudo, observe a si mesmo e os seus comportamentos.

Errou? Tente consertar e, de qualquer modo, peça desculpas!

Fez ou falou o que não devia? Explique-se, seja sincero, não tente esconder seu engano ou fingir que nada aconteceu... Valide a dor do outro, sempre.

Tá difícil conseguir uma nova chance? Dê um tempo. Espere... Às vezes, algumas noites bem dormidas e alguns dias sem a imposição de sua presença ou a insistência de suas tentativas são preponderantes para que os sentimentos bons sejam resgatados e para que um coração possa ser reconquistado.

Por fim, fez tudo isso e não deu certo? Não rolou? A pessoa até te perdoou, mas a massa desandou, a história se perdeu, os desejos esfriaram?!?

Você se sente inconformado, esmagado pelo arrependimento, atordoado pela tristeza do que poderia ter sido e não foi? Tem a sensação de que estragou tudo? Não sabe mais o que fazer para parar de doer? Acredite, só tem um jeito: solta!

A dor é consequência de um apego inútil! Deixa ir... Deixa rolar... Se você já fez o que podia fazer, tentou e não deu, confie na vida, confie no Universo e siga em frente. Pare de se lamentar, pare de se debater e de se perder cada vez mais, e tenha a certeza absoluta de que o que tiver de ser, será!

Quando essa certeza chega, é impressionante: a gente simplesmente relaxa e solta! E quando solta, a dor começa a diminuir, e a gente começa a compreender que está tudo certo, mesmo quando não temos a menor idéia de que “certo” é esse. Mas quando menos esperamos, tudo fica absolutamente claro!

Não se trata de desistir, mas de confiar! Isso é o que se chama “FÉ”! Isso é o que desejo a mim e a você, quando estivermos doendo...


Rosana Braga

10 de março de 2011

Dor crônica





O que deveria ser o aviso de um problema, muitas vezes acaba se transformando no próprio problema. E os números são alarmantes. Estima-se que 30 a 40% da população brasileira sente dor crônica, que representa um dos principais fatores de afastamento das atividades de rotina. Também é comum para muita gente conviver com uma dorzinha aqui e outra ali, que mesmo parecendo insignificante, pode ser um sinal de que o corpo não está em plena forma. Embora ainda não seja avaliada com a importância devida, a dor começa a receber a atenção de especialistas e a ser combatida de forma correta.

A dor é um instrumento de defesa do organismo, porque alerta para a possibilidade de doenças e infecções, entre outros males do corpo. Desta forma, ela é benéfica porque faz com que o indivíduo procure se livrar da dor eliminando aquilo que a causa. A dor é fundamental para a vida.

O ligeiro incômodo passa de amigo a vilão quando fica mais tempo do que o necessário e com uma grande intensidade. Nesse caso, é hora de procurar o médico e abrir mão da auto-medicação, prática perigosa em muitos casos. Mesmo em proporções menores, a dor pode alterar o cotidiano de muitas pessoas. Uma cefaléia que não passa ou a famosa LER (Lesão por Esforço Repetitivo) são capazes de acabar com o bom humor de qualquer um.

A dor também torna-se um problema grande para aqueles que acabaram de se submeter a uma cirurgia. O paciente fica deprimido e não se alimenta direito. Além disso, ela pode desencadear alteração na circulação sangüínea, aumento da pressão cardíaca e stress, o que prejudica a recuperação.

Mas há luz no fim do túnel. Cerca de 95% das dores são tratáveis ou amenizadas graças à evolução da medicina nessa área. Os analgésicos e antiinflamatórios desenvolvidos atualmente são mais seguros e podem ser combinados com outros medicamentos sem causar efeitos colaterais ao paciente. Já os remédios antigos foram relançados com novos modos de liberação – ou seja, se antes o efeito tinha duração de quatro horas, hoje ele pode chegar a 24 horas. Os fármacos derivados da morfina também foram reavaliados e, atualmente, os efeitos colaterais são reduzidos.

Além dos medicamentos, também foram desenvolvidos outros meios de combate à dor. Adaptar o indivíduo ao ambiente de trabalho, por meio de métodos ergonômicos, é uma forma de evitar o incômodo causado pela LER.

Hoje a dor foi agregada aos quatro sinais vitais da rotina de um diagnóstico, que são as medidas de pressão arterial, frequência respiratória, batimentos cardíacos e pulsação. Isso significa que os médicos devem acompanhar, no pós-operatório, a dor do paciente. Nas consultas, também há consciência de que é importante perguntar ao indivíduo se ele está sentindo dor e qual a sua intensidade. E isso é só o início de uma longa estrada para evitar os males da dor no homem.

1 de novembro de 2010

Acupuntura e dor lombar



À tradicional medicina chinesa não faltam adeptos. Nunca estive entre eles, por uma razão simples: não tenho nível para entender o que dizem.

Explico melhor. Concordo quando afirmam que “a saúde resulta da harmonia entre as funções fisiológicas, e entre o organismo e a natureza”. Mas, quando defendem que “a falta de harmonia interna provoca bloqueio da energia vital do corpo, conhecida como qi, que flui ao longo de 12 meridianos primários e de 8 secundários”, sinto-me como se ouvisse chinês.

Feito este preâmbulo, vou resumir uma revisão sobre o papel da acupuntura no tratamento das dores lombares, publicada no The New England Journal of Medicine, a revista de maior circulação entre os médicos.

Em algum momento da vida, três em cada quatro pessoas apresentarão crises de dor na coluna lombar. Os sintomas costumam regredir em até seis semanas, mas podem recidivar. Em 7% dos casos o quadro se torna crônico.

Embora hérnias de disco, fraturas, alterações anatômicas, infecções ou câncer possam provocar esse tipo de dor, em 85% das vezes a causa é inespecífica, complexa e multifatorial. Os mecanismos envolvem a própria anatomia da coluna lombar, alterações no sistema nervoso central e fatores psicológicos e comportamentais.

As tentativas para caracterizar os efeitos da acupuntura de acordo com os princípios da medicina ocidental têm fracassado por três razões: 1) a maioria dos estudos foi conduzida em animais; 2) como a acupuntura estimula diversas terminações nervosas, fica difícil analisar as respostas; 3) a experiência da acupuntura é dominada por um contexto psicológico e social cheio de crenças e expectativas que interferem com os resultados.

Apesar dessas limitações, foram descritos fenômenos fisiológicos claramente associados a ela: 1) anestesiar os locais em que as agulhas serão introduzidas bloqueia o efeito analgésico, sugerindo que a atividade depende da inervação, 2) durante a aplicação das agulhas, há liberação de opióides em várias áreas do cérebro; 3) as picadas provocam estímulos mecânicos no tecido conjuntivo, liberam mediadores envolvidos no mecanismo da dor e aumentam o fluxo sanguíneo local.

Diversos estudos clínicos avaliaram sua eficácia no tratamento da dor lombar.

Uma análise de diversas casuísticas (metanálise) envolvendo 6.359 pacientes mostrou que a acupuntura realizada segundo a técnica tradicional não mostrou resposta melhor do que a “falsa” acupuntura, procedimento executado com dispositivos que dão a sensação de que as agulhas estão sendo introduzidas sem que realmente o sejam, ou efetuado por meio da introdução bem superficial em pontos aleatórios, distantes dos meridianos recomendados.

Apesar de tudo, tanto a “verdadeira” quanto a “falsa” melhoraram os resultados do tratamento convencional com anti-inflamatórios e fisioterapia.

Um estudo alemão dividiu ao acaso 1.162 pacientes em três grupos: tratamento com anti-inflamatórios e fisioterapia, acupuntura “verdadeira” ou acupuntura “falsa”. Depois de seis meses, os índices de resposta da acupuntura verdadeira foram iguais aos da “falsa”, porém superiores aos do tratamento convencional.

Outro estudo realizado na Alemanha sorteou 3.093 pacientes para receber o tratamento convencional com ou sem acupuntura “verdadeira”. O alívio das dores avaliado 3 meses mais tarde foi significativamente superior no grupo com acupuntura.

Os autores da revisão concluem que embora a acupuntura “verdadeira” não tenha demonstrado superioridade em relação à “falsa”, parece razoável associá-la aos anti-inflamatórios e aos exercícios, numa abordagem multidisciplinar.

Advertem, no entanto, que os pacientes com mais de 50 anos, os portadores de déficits neurológicos, câncer, deformidades na coluna ou que apresentem febre, perda de peso ou queda do estado geral devem ser avaliados clinicamente para afastar a possibilidade de doenças graves.

E agora, tomo a liberdade de acrescentar, a acupuntura deve ser realizada por profissionais treinados. Não basta ser chinês. 

Drauzio Varella

21 de outubro de 2010

O prazer de sofrer




Ontem eu percebi que faz tempo que eu não sofro de amor. Almocei com uma amiga que está no meio de um processo de rompimento – no qual ela parece ser a parte frágil – e em nenhum momento da conversa consegui me por na pele dela. Fui solidário, compreensivo e talvez tenha sido até útil com a minha racionalidade compassiva e a disposição de dividir a minha própria experiência. 

Mas, em momento algum fui capaz de segurar a mão dela e dizer, verdadeiramente, como já fiz outras vezes em situações parecidas: “Eu sei o que você está sentindo!” Se tivesse dito isso, eu teria mentido. 

Há uma distância enorme entre compreensão e empatia. Compreensão é que está por trás da atitude de um analista quando nos ouve falar das nossas dificuldades. Empatia é o que sente um amigo, ou mesmo um estranho, que está vivendo – e, portanto, sentindo – a mesma situação. Ontem eu fiquei no papel do analista. 

Percebi, na amiga, como já percebi em mim, dezenas de vezes, um estranho orgulho da própria dor. A despeito das palavras racionais que ela emite, do desejo declarado de cortar os laços e seguir adiante, há nela uma relutância enorme em se afastar daquilo que a machuca.

Tive a impressão de que ela se agarra à dor como se fosse o mastro de um naufrágio - aquela coisa que a mantém à tona. Tive a impressão, também, de que ela embala, acaricia e alimenta a própria dor. Parece haver conforto nisso, uma espécie de ordem, um lugar de identidade e proteção. O orgulho de quem ouve música no carro, sente os olhos se encherem de lágrimas e pensa: eu amo!
Quem está assim não olha para aquilo que debilita como se fosse algo ruim, da qual é preciso se ver livre. Não! A dor do amor tem algo de sublime, heróico e único – ainda que arrebente o cotidiano, atrapalhe a vida e nos reduza a um pedaço semi-útil de nós mesmos.

Eu, que já fui useiro desse sentimento, desta vez não consegui me identificar com a irracionalidade profunda e teimosa do amor contrariado. Eu percebo as cicatrizes em mim, tenho a lembrança do sentimento, mas não fui capaz de me identificar com ele. Em vez disso, me pus a pensar sobre o que essa situação, ao mesmo tempo banal e estranha, revela sobre as nossas cabeças complicadas.

A primeira coisa que me vem à mente é identidade. É muito difícil saber o que se é a cada momento da vida. São muitos os papéis que nos solicitam e eles frequentemente são contraditórios entre si. A gente sofre tentando saber o deveríamos ser a cada momento.

Os nossos sentimentos também são confusos: como eu me sinto em relação a isso ou aquilo? Como deveria agir? Decisões têm de ser tomadas e os nossos faróis emocionais nem sempre iluminam como gostaríamos. É difícil.

Há, claro, a névoa terrível do desânimo. Há que sair da cama todos os dias e encontrar, meio por hábito e meio por esforço, as razões para tocar adiante quando a vida parece chata e insípida, quando nada brilha o suficiente para nos encher os olhos.

Tudo isso a dor do amor deixa para trás.

Ela simplifica radicalmente a existência. Só existe o objeto do amor e o desejo por ele. A gente se torna esse desejo. Desaparecem todas as dúvidas porque a certeza da dor é imensa e ocupa o espaço. A vida já não parece chata e insípida porque ganha um objetivo claro: sofrer, esperar, ter esperança, todos os dias.

Vista assim, a dor do amor é uma droga mais poderosa do que o amor realizado, é mais forte que um relacionamento de verdade. Viver um amor e verdade dá trabalho. Ele nos enche de incertezas, nos traz dúvidas sobre nós mesmos e sobre o outro. Às vezes nos coloca em situações desagradáveis, provoca medos. Questiona o nosso papel. Nos põe de frente com as nossas dificuldades e limitações. Uma relação de verdade é uma delícia, mas é, também, um mergulho num mundo complexo e cheio de arestas. Está no capítulo dos desafios que nos fazem crescer.

O contrário disso é o amor idealizado de quem levou um pé na bunda. Este é simples, irreal, vive dentro de nós e, ainda que pareça o contrário, está sob nosso controle. Diferente da vida, que é surpreendente e assustadora, o amor desencarnado é um bichinho de estimação obediente. Pode ser guardado, invocado intimamente ou exibido diante dos amigos ou mesmo da pessoa que nos faz sofrer.

Ao contrário de um ser humano de verdade, esse sentimento não vai nos abandonar numa manhã de sábado. Ele nos pertence verdadeiramente. Pode ficar com a gente por anos. Tem gente que guarda dores como essa pela vida inteira. Dizem: a minha dor...

Minha amiga não vai fazer isso. Ela é esperta, valente, astutamente feminina. Sabe que a vida está pulsando em volta dela, cheia de possibilidades e mistérios esperando para serem desvendados. Como a vida de todos nós, a dela não cabe numa canção amarga que toca no radio. Ou num Ipod inteiro de canções. A vida é maior que a dor. Ainda bem.


 
Ivan Martins

23 de setembro de 2010

A mulher e a dor



Quanto mais a medicina avança no conhecimento sobre os mecanismos da dor, mais se aproxima da definição de Platão. Por volta de 380 a.C., ele classificou a dor como uma experiência “do corpo e da alma”.

A dor não é disparada apenas por sensores nervosos. Depende das emoções, da memória, dos hormônios. É por isso que muitas vezes não pode ser debelada apenas com medicamentos. Quem não conhece alguém que sofre de dor crônica, passa a vida se entupindo de remédios e não encontra alívio?

As mulheres sofrem mais. Alguns estudos sugerem que a enxaqueca acomete três mulheres a cada homem. O mesmo ocorre com as dores lombares. A relação é ainda mais desigual no caso da fibromialgia: sete mulheres sofrem do problema enquanto apenas um homem passa por isso. O que explica a diferença? Há várias razões. Mecanismos biológicos explicam parte do problema. Mas influências psicossociais, como ansiedade, depressão e relações familiares, também contam muito.

Determinados perfis emocionais favorecem o aparecimento da dor. Pessoas depressivas, pessimistas, hipocondríacas ou rígidas demais costumam ter mais dores. Variáveis sociais como desilusões amorosas, desemprego e perda de padrão de vida também interferem na gênese da dor. Quando a pessoa não consegue lidar bem com essas situações estressantes, ocorre um desgaste mental que provoca reações fisiológicas. O cérebro acostuma-se a responder a qualquer situação negativa disparando os mecanismos da dor.

A relação entre emoções e dor crônica é estudada pelo Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Durante um ano, foram mapeados os principais fatores emocionais que influenciam na qualidade de vida de 173 mulheres e foram descobertas coisas interessantes:

• 74% percebem que a depressão aumenta a dor;

• 65% sentem que o stress aumenta a dor;

• 56% dizem precisar de mais carinho quando sentem dor;

• 43% reconhecem que é possível aprender a lidar com a dor; e,

• 36% dizem que a dor diminui quando estão relaxadas

Um outro índice chama a atenção: 58% das mulheres se dizem decepcionadas com os remédios. Desistiram de procurar ajuda. É o sinal de que o tratamento da dor necessita de outras estratégias. O apoio psicológico torna-se fundamental e não necessariamente tem que ser psicoterapia.

É grande a eficácia de grupos de apoio nos quais as pessoas que sentem dor possam se reunir e trocar experiências. Mulheres que sentem dor o tempo todo acham que chateiam a família. Desistem de falar sobre o assunto e ficam amarguradas. Depois de um ano de encontros com outras mulheres, a dor de muitas delas diminuiu. Isso reafirma algo que muita gente acha que sabe, mas nem sempre aplica: ninguém merece sofrer sozinho e em silêncio.



Autor: Cristiane Segatto

8 de setembro de 2010

Marcas necessárias



Vivemos numa época que não quer ser marcada. A maioria de nós tenta escapar das rugas, estas cicatrizes do rosto, de todas as formas – algumas delas bem violentas. Os sinais da idade, da vida vivida, são interpretados como algo alienígena, estranho a nós. Estão ali, mas não deveriam estar. É quase uma traição. Urge então apagá-las.

É tamanho o nosso medo da velhice e da morte, que as marcas da vida vivida são decodificadas como feias, quase repugnantes. Tanto que estamos diante de uma novidade – as primeiras gerações de seres humanos envelhecendo e morrendo com os sinais não da idade, mas das cirurgias plásticas. Sim, porque estas também são cicatrizes. Não há jeito de morrer sem marcas porque não há como viver sem ser marcado pela vida. Mesmo os bebês, que por alguma razão morrem ao nascer, já trazem no corpo a marca fundadora – o corte do cordão umbilical que lhes arrancou de dentro da mãe. O umbigo é nossa primeira cicatriz, aquela que nos unifica.

Se a tecnologia conseguir inventar um ser humano sem marcas é porque desinventou o ser humano. Podemos talvez um dia apagar todas as marcas visíveis, tatuadas no corpo. Mas nunca haverá uma cirurgia capaz de eliminar as marcas da alma. E esta é também uma tentativa que temos empreendido com muito empenho. Por um excesso de psicologuês, uma leitura transtornada do pensamento de Freud, passamos a achar que tudo é terrivelmente traumático. Qualquer contrariedade ou vivência não programada supostamente estigmatizaria nossos filhos e aniquilaria seu futuro. Qualquer derrapada no script de nossos dias nos assinala como catástrofe. Parece que viver se tornou uma experiência por demais traumática para quase todos – e, se assim é, a única solução seria não viver. Mas a questão não é o trauma – e sim o que cada um faz com ele.

É verdade que, compreendendo o trauma como algo que nos marca, que nos mata simbolicamente para que possamos renascer de outro jeito, nossa vida é cheia deles. O que questiono aqui é a crença de que não deveria ser assim, a ilusão de que é possível, e o pior, que é desejável, ter uma vida sem marcas no corpo e na alma.

É claro que alguns acontecimentos são devastadores e lutamos para que não voltem a se repetir com ninguém. Mas, mesmo nestes casos, me parece que a vida só é possível não apagando o que é inapagável, mas fazendo algo novo com esta marca. Transformando-a em algo que possa viver.

Acho uma prepotência “ser contra” ou ridicularizar a tentativa de um outro de lidar com suas marcas, dar um novo sentido àquilo que o constitui. Transformar em algo mais que a dor o que era só dor. Pode não ser o seu caminho, mas isso não o impede de olhar para a saída encontrada pelo outro com o profundo respeito que ela merece.

Quando as pessoas me contam suas histórias, começam a contar pelos seus renascimentos. Pelo momento em que morreram de um jeito, por causa de um trauma, e renasceram de outro. É ali que identificam seu início ou reinício. Uma nova vida só é possível quando contém a anterior e a sua quebra. O que atravanca nossa existência é ficar fixado no trauma, enxergar a marca como uma morte que não renasce, como um corte que não vira cicatriz. Por isso a palavra “sobrevivente” me incomoda. É como se vida fosse o que havia antes, algo que não pudesse se quebrar, e o que temos agora fosse algo menor que a vida, uma mera sobre-vida. Me parece, ao contrário, que a matéria da vida é justamente esta sucessão de quebras, e viver é dar sentido a elas.

Esta ideia vendida e consumida exaustivamente, de que a vida não pode ser marcada nem no corpo nem na alma, tem causado enorme sofrimento às pessoas. Não o sofrimento que nos leva a criar uma vida, mas aquele que nos leva a anestesiar uma vida. Este equívoco tem transformado gente que poderia viver em meros sobreviventes. Porque se não podemos ser marcados, se cada marca for vivida como algo mórbido e não como parte do vivido, fixamo-nos na morte. Viramos uma ladainha que repete sempre o momento mortífero e não consegue seguir adiante.

Ser é ser em pedaços. O que nos impede de viver não é o trauma, mas a ideia de que exista uma vida que possa prescindir deles. E o que nos humaniza é a capacidade de criar algo vivo com nossas marcas de morte. Como poderia dizer a poeta Adélia Prado, “uso todos os meus cacos para fazer um vitral”. Cada vida humana é um vitral feito com as marcas de todas as nossas mortes. Sem os cacos, nada há.



Eliane Brum
Edição: Lena

1 de setembro de 2010

Dor



O homem é um aprendiz,
a dor é a sua mestra,
 E ninguém se conhece
enquanto não sofreu.


 Alfred de Musset

9 de agosto de 2010

Dor



“Dor não tem nada a ver com amargura.

Acho que tudo que acontece

é feito pra gente aprender cada vez mais,

é pra ensinar a gente a viver.

Desdobrável.

Cada dia mais rica de humanidade".


Adélia Prado