28 de setembro de 2010

Sevilha, uma cidade em festa

 Sevilha, a capital da Andaluzia, com 700 mil habitantes é a quarta maior cidade da Espanha, mas é pequena o suficiente para, com disposição, percorrer boa parte dos seus pontos turísticos a pé – e, convenhamos - não há forma melhor de se conhecer uma cidade!
A cidade transmite orgulho pela cultura andaluz, expresso em algumas manifestações espanholas, como o flamenco. A influência árabe na região  é muito clara em vários pontos da cidade, marcada pela arquitetura moura. Abril a junho, com o clima mais ameno, são os melhores meses para apreciar a colorida cidade do sul da Espanha, com laranjeiras carregadas de frutos e  dezenas de bares  decorados com cabeças de touros, cartazes anunciando touradas, fotos de touros e toureiros, onde se servem tapas deliciosas.

Uma das principais atrações de Sevilha é sua catedral gótica e, principalmente, a Giralda, o minarete da antiga mesquita, cuja parte inferior data do século XII, assim como o Pátio das Laranjeiras, com as típicas laranjeiras da região. A Catedral, patrimônio da humanidade, é o maior templo da Espanha e o terceiro maior templo cristão, onde estão os restos mortais de Cristóvão Colombo. É possível subir até o topo da torre, a uma altura de 94 metros de altura. O acesso é por rampas de pedras, sem degraus; não é das subidas mais árduas e os panoramas da cidade justificam o esforço. Em 1558 o minarete foi transformado em um campanário cristão, recebendo ampliação e novo acabamento. Em meio à mistura de estilos gótico e renascentista, destaque para o altar-mor, com arte flamenca que levou 35 anos para ficar pronto e utiliza 2,4 toneladas de ouro.

O Real Alcázar e seus jardins disputam com a Giralda o título de atração mais popular de Sevilha. O conjunto histórico formado pelo Alcázar, pela Catedral e pelo Arquivo das Índias (onde estão guardados os documentos relativos aos Descobrimentos) é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Na realidade, são alcázares, os dois palácios, um gótico e outro mourisco. Com seus azulejos e trabalhos em madeira, o palácio mouro é lindíssimo. Tão lindo que dá até preguiça pegar um trem para ir ver o Alhambra, em Granada, a atração mais incrível e visitada da Espanha. Além disso, ali se encontram deslumbrantes jardins com muitas laranjeiras, limoeiros e fontes de água.

A Torre do Ouro, outro monumento emblemático da cidade, foi construída no começo do século 18, também pelos pelos almóadas (dinastia árabe), com função de vigilância, pra evitar possíveis invasões pelo rio Guadalquivir, que atravessa a cidade. Atualmente, abriga o Museu Naval, que conta a história de Sevilha como porto fluvial. Dali saiam os navios em direção à América, inclusive o de Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães. Tem este nome devido aos azulejos dourados que a recobriam e não ao ouro que chegava das embarcações, pois este tinha destino certo: a casa da moeda.

Nesse percurso, passa-se também pela Praça de Touros, do século 18, onde acontecem as polêmicas touradas, e que está também aberta à visitação. Em pequenos grupos acompanhados de um guia, os visitantes conhecem a arena e o Museo Taurino, aprendendo um pouco do funcionamento das touradas com exposição de roupas, cartazes de época e outras curiosidades.
O Parque Maria Luísa merece um fim de tarde por sua área. Suas construções chamam mais atenção do que a área verde. Obra-prima do barroco neoandaluz, a Praça de Espanha exibe conjuntos de azulejos pintados representando fatos históricos das principais cidades espanholas. Situa-se dentro do Parque onde é possível fazer um piquenique, alugar um triciclo ou uma charrete de cavalos brancos ou ainda visitar os museus adjacentes.

Para quem gosta de comprar, vale visitar a Calle Sierpes, continuação da Av. de La Constitución e outras ruas ao redor, como a Velázquez e a Tetuán. Nessa área, há muitas lojas de roupas, acessórios, maquiagem, perfumes, boa parte com preços bem interessantes. O calçadão da Calle de las Sierpes é ideal também para adquirir produtos típicos, como xales, leques, rendas e mantillas. Programa típico da noite, “la marcha” significa percorrer vários bares e bodegas, saboreando as apetitosas “tapas” e os deliciosos vinhos espanhóis.

Visite, no centro histórico de Sevilha, os Banhos Ares de Sevilha estão construídos sobre um antigo banho árabe e alguns vestígios romanos anteriores. Conservando características de seu passado, oferece uma experiência original, para viajantes curiosos. A casa palácio, que mais tarde abrigou os banhos públicos, foi construída no século XVI por um vice-rei da Índia. Atualmente, propõe três salas de banho, com as águas de alta temperatura, as frias, e as mornas. Também oferece um banho de sal, e uma sala de chá ao estilo árabe, para finalizar o roteiro.

Sevilha é mais ou menos isso: é passar a tarde na beira do Guadalquivir, tomando um tinto de verano (vinho tinto com Sprite), é ver as lojas fechadas pra siesta, é ver os espanhóis entupindo os bares à noite, com cerveja e sangria nas mãos, é ter dias de 20ºC no inverno e 44ºC no verão,  é ver a influência árabe a cada esquina, é comer churros com chocolate, é passear pelo centro histórico, é comer jamón, gaspacho e azeite de oliva, é sentir a vibração da alegria de um povo que, em muitos aspectos, se parece muito com os brasileiros.



Sem exagero, Sevilha pode ser considerada uma das cidades mais encantadoras da Europa. Imagine se surpreender a cada esquina pela riqueza cultural, que mescla influências de muitas origens, fruto das invasões sofridas. É uma cidade com alma moura e coração espanhol, tanto que construções árabes e renascentistas dividem quarteirões.





Luísa Ferreira 

3 comentários:

Sônia Silvino disse...

Lindo, Lena!
Vim deixar um beijinho antes de ir para a minha caminha dormir.
Saudades de você. Apareça para matar essa saudade!!!
Beijinhos, muitos!

luísa. disse...

Opa, tou vendo partes do meu texto aí! Tem até meu nome ali em baixo, mas os créditos podiam ter ficado mais claros, né? :)

LENA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.