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5 de dezembro de 2010

A controversa Angelina Jolie

Se gerar controvérsia antes do lançamento fosse uma garantia de sucesso, Angelina Jolie não precisaria se preocupar com a bilheteria de seu primeiro filme como diretora, cujo título provisório é Untitled Love Story (“História de amor sem nome”). Nesta semana, um grupo de mulheres vítimas da guerra da Bósnia tachou a atitude de Angelina de “ignorante” e pediu à ONU que ela perca o cargo de embaixadora da boa vontade.

A razão do protesto das mulheres são os rumores em torno do enredo do filme de Jolie, que contaria a história de uma mulher muçulmana que se apaixona pelo sérvio que a estuprou em um campo de prisioneiros. Angelina não se pronunciou sobre o roteiro, mas seus produtores negam que seja essa a narrativa do longa.

O filme parece ter incomodado também o governo bósnio, que decidiu revogar a permissão para que as filmagens acontecessem no país. Angelina acabou filmando seu longa em Budapeste, na Hungria, entre outubro e novembro.

Diante das críticas, Jolie sugeriu um encontro pessoal com membros da associação Mulheres Vítimas de Guerra, que reúne agredidas na guerra da Bósnia (1992-1995). A oferta foi rejeitada pelas mulheres, que queriam que a reunião acontecesse na Bósnia, e não na Hungria, como propôs a atriz.

Sem acordo amigável, a associação enviou uma reclamação à ONU, dizendo-se “profundamente preocupada” com o filme da senhora Brad Pitt. A carta diz: “Insistimos em encontrar Angelina Jolie porque não queremos ser representadas de maneira errônea ao mundo… Nossas vozes são válidas e deveríamos ter tido mais respeito”.

As vítimas também disseram a ONU que Angelina cometeu um grande erro. “Sentimos que ela não agiu como uma verdadeira embaixadora da Nações Unidas pelos Direitos Humanos e acreditamos que ela não tem mais credibilidade para continuar no cargo”.

Bakira Hasecic, líder da Mulheres Vítimas de Guerra, disse que Angelina deveria ter conversado com elas antes de filmar. “Até onde sabemos não poderia ter havido uma história de amor em um campo de prisioneiros. Essa interpretação está nos causando dor mental”.

Letícia Sorg

19 de agosto de 2010

Salt



“Salt” é mais uma prova da esperteza profissional de Angelina Jolie. O longa-metragem recém lançado no Brasil firma a americana como a versão feminina (e mais bem-sucedida) de Tom Cruise quando o assunto são filmes de ação. Isso sem deixar que a faceta mais superficial de seu trabalho impacte negativamente no resto da carreira. Boa equilibrista que é, Jolie consegue dar conta dos seis filhos com a mesma agilidade que sai de um thriller de ação e reaparece em um drama de prestígio.

Assim foi em “O Procurado”, no qual vive uma assassina cheia de sex appeal; para na seqüência surgir na pele de uma mãe cujo filho desaparece em “A Troca”, sob o comando de Clint Eastwood, ambos lançados em 2008.
Já na nova trama, por sua vez, Angelina interpreta a agente da CIA, Evelyn Salt. Durante um interrogatório, um prisioneiro a acusa de ser uma agende russa infiltrada cuja missão é matar o presidente da Rússia para desencadear uma guerra com os EUA. Para salvar sua vida e a do marido, que também está envolvido na intriga internacional, ela escala prédios, pula em caminhões em movimento e salta em trilhos do metrô.

Na direção está Phillip Noyce, com quem a atriz trabalhou em “O Colecionador de Ossos” (1999). O filme, porém, não apresenta grandes novidades: a trama é movimentada, algumas vezes violenta e cheia de reviravoltas para manter o interesse do espectador.

Estima-se que só com os filmes “60 Segundo” (2000), “Lara Croft 1 e 2” (2001 e 2003), "Sr. e Sra. Smith" (2005) e “O Procurado” (2008) Jolie tenha faturado uma quantia que passa dos U$S900 milhões. Toda essa fortuna casa direitinho com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante que ganhou em 1999 por “Garota Interrompida” e com projetos de teor político como o drama “O Preço da Coragem” (2007).

É inevitável não comparar a trajetória de Angelina com a de seu maior desafeto fora da ficção – Jennifer Aniston. Enquanto a primeira barbariza nas telas, oscilando entre produções de ação, personagens dúbios e sedutores, ou histórias corajosas, a ex-“Friends” segue investindo no mesmo papel de heroína romântica, filme após filme, desde que abandonou a TV. Dá para perceber bem, a essa altura, quem anulou quem na batalha por Brad Pitt.

Autor: Luciana Borges