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13 de fevereiro de 2013

Viver com autenticidade



A maioria dos seres humanos, em algum momento, vive o dilema entre ser autêntico, expor de modo claro e aberto seus sentimentos, ou incorporar uma persona, alguém que age de modo a ser aceito e respeitado pelo restante do mundo.

Esta é uma condição considerada natural, pois fomos treinados desde muito cedo a mascarar a verdade acerca de quem somos de fato, para garantir o amor dos demais.

Mas, ao longo da vida, quando muitos desafios se apresentam, continuar vivendo o falso eu pode se tornar um enorme fardo. Até que chega um ponto em que o real dentro de nós grita para ser reconhecido.

Esse grito pode tomar a forma de uma crise de pânico, uma forte depressão ou até mesmo um surto de loucura, quando todas as nossas defesas e as couraças, que armamos para ocultar a realidade de nosso ser, atingem uma dimensão insuportável.

Trazer de volta nosso ser autêntico, aquele que foi amorosamente criado pelo divino, é um trabalho árduo, que deve ser empreendido aos poucos, com paciência e dedicação.

Muitas vezes a mente nos levará a querer desistir e a acreditar que esta é uma tarefa impossível. Mas, se tivermos a coragem de seguir em frente, apesar do medo, a existência amorosamente nos trará a ajuda e o apoio de que necessitarmos.

Ela sempre responde ao chamado daqueles que buscam, acima de tudo, a verdade. O grande segredo é confiar e entregar-se sem resistência a este objetivo. 

Esta é a atitude que faz a diferença entre os que alcançaram a paz e a felicidade permanentes e os que ainda se encontram perdidos na escuridão de uma vida inconsciente.

"O MEDO DE SE EXPOR
Quem não fica? Expor-se cria um grande medo. É natural, porque expor-se significa expor todo o lixo que você carrega em sua mente, o lixo que tem sido amontoado por séculos, por muitas vidas. Expor a si mesma significa expor todas as suas fraquezas, limitações, falhas. Expor-se significa, por fim, expor sua vulnerabilidade. 

...Por trás de todo esse lixo e barulho da mente existe uma dimensão de completo vazio. Sem Deus a pessoa é oca, é um simples vazio e nada. Ela quer esconder essa nudez, esse vazio, essa fealdade. Então, ela cobre isso com belas flores e decora essa cobertura. Ela pelo menos finge que é alguma coisa, que é alguém. E isso não é algo pessoal para você. Isso é universal. Esse é o caso de todo mundo.

Ninguém consegue ser como um livro aberto. O medo toma conta: "O que as pessoas pensarão de mim?" Desde a sua infância lhe foi ensinado usar máscaras, belas máscaras. Não há necessidade de se ter uma bela face, só uma bela máscara é o bastante, e a máscara é barata. É árduo transformar a sua face, mas pintá-la é muito simples.

Agora, de repente, expor a sua face verdadeira lhe dá um arrepio no mais profundo centro do seu ser. Uma tremedeira surge: as pessoas gostarão disso? as pessoas irão aceitá-la, as pessoas continuarão a amá-la e respeitá-la? quem sabe?
Porque eles amavam a sua máscara, eles respeitavam o seu caráter, eles glorificavam o seu vestuário. Agora o medo aparece. "Se eu, de repente, ficar nu, eles irão continuar a me amar, a me respeitar, a me valorizar, ou todos eles irão fugir para longe de mim? Eles podem retornar para seus caminhos e eu posso ficar só".
As pessoas, então, seguem representando. Devido ao medo, há o fingimento, devido ao medo, todas as falsidades. Para ser autêntica, a pessoa precisa não ter medo.

...Se você conseguir expor-se religiosamente, não na privacidade, não com seu psicanalista, mas simplesmente em todos os seus relacionamentos... isso é autopsicanálise. Isso é vinte quatro horas de psicanálise, todos os dias. 
Isso é psicanálise em todo tipo de situação: com a esposa, com o amigo, com os parentes, com o inimigo, com o estranho, com o chefe, com o seu funcionário. Por vinte e quatro horas você está se relacionando. 

Se você continuar se expondo... No começo vai ser realmente muito assustador, mas logo você começará a ganhar força porque uma vez que a verdade é exposta, ela se torna mais forte e a não verdade morre. E com a verdade tornando-se mais forte, você se tornará mais enraizado e centrado. Você começa a se tornar um indivíduo. A personalidade desaparece e o indivíduo aparece.

A personalidade é falsa e a individualidade é substancial. A personalidade é simplesmente uma fachada e a individualidade é a sua verdade. A personalidade lhe é imposta de fora, é uma persona, uma máscara. A individualidade é a sua realidade, ela é como Deus o fez. A personalidade é uma sofisticação social, um polimento social. A individualidade é crua, selvagem, forte e com tremendo poder. 

Somente no começo, haverá medo. Por isso a necessidade de um Mestre, para que no começo ele possa segurar suas mãos, para que no começo ele possa lhe dar suporte, para que ele possa levar-lhe a dar alguns passos com ele. O Mestre não é um psicanalista. Ele é muito mais. O psicanalista é um profissional e o Mestre não é um profissional. Não é sua profissão ajudar as pessoas, é a sua vocação, é o seu amor, é a sua compaixão. E por causa dessa compaixão ele a conduz apenas o tanto que você precisa dele. No momento em que ele sente que você pode ir por si mesma, ele começa a soltar as suas mãos. Embora você quisesse continuar agarrada, ele não pode permitir isso. 

Uma vez que você esteja pronto, corajoso e desafiador; uma vez que você tenha experimentado a liberdade da verdade, a liberdade de expor a sua realidade, você poderá seguir por si mesmo. Você conseguirá ser uma luz para si mesmo.

Mas o medo é natural porque desde o início da infância, lhe foram ensinadas falsidades, e você se tornou tão identificado com o falso que abandoná-lo quase parece cometer suicídio. E o medo surge porque uma grande crise de identidade aparece.

...O medo é natural. Não o condene e não sinta que ele é algo errado. Ele é apenas parte de toda essa educação social. Nós temos que aceitá-lo e ir além dele. Sem condená-lo, nós temos que ir além dele. 

Exponha pouco a pouco, não há qualquer necessidade de você dar saltos que você não possa administrar. Vá passo a passo, gradualmente... Você nunca alcançará uma outra identidade. A sua velha identidade terá ido embora e, pela primeira vez, você começará a sentir-se como uma onda no oceano de Deus. Isso não será uma identidade porque você não estará ali. Você terá desaparecido. Deus terá se apoderado de você. 

Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo.
...O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será. Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo.

Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo. O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será. Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo. 

Esta calamidade está acontecendo em todo o mundo. Isso tem que parar. E a única maneira de parar isso é ajudando as pessoas a colocar para fora os seus inconscientes nas meditações". OSHO - THE GHEST.


Elisabeth Cavalcante


4 de dezembro de 2012

Comprometer-se




Para muitos seres humanos, ainda é muito difícil aceitar que a realidade de suas vidas é de sua total responsabilidade. Embora as conquistas exteriores dependam de inúmeros fatores, no que se refere ao crescimento interior e à libertação do sofrimento, o que quer que almejem alcançar, terá de ser realizado por eles.

Sem esta consciência, seguirão criando uma série de desculpas para adiar indefinidamente o processo. Porém, a transformação pela qual está passando a humanidade - e que irá acelerar-se a partir desse mês de dezembro-, certamente irá intensificar a necessidade de mudança.

Os que insistirem em permanecer acomodados na velha forma de ser, perderão uma oportunidade valiosa de expandir sua sensibilidade, abrir novos canais de percepção e, consequentemente, gerar possibilidades muito mais criativas para suas vidas.

A resistência em comprometer-se é a última forma de resistência do ego, que fará de tudo para que seus medos, limitações e bloqueios continuem a guiar suas ações.

O primeiro passo é deixar de lado a exigência de garantias, pois ela é um obstáculo considerável para que a mudança aconteça. Encarar o desconhecido, apesar do medo, é a única forma de alcançar o que desejamos.

Ao nos responsabilizarmos por nossas escolhas, ampliamos as chances de fortalecer nossa autoconfiança e experimentar um sentimento de vitória que ninguém, jamais, poderá nos conceder.

"Vida é insegurança. Cada momento é um mover-se para uma insegurança cada vez maior. É um jogo. Nunca se sabe o que vai acontecer. E é belo que não se saiba. Se fosse previsível não valeria a pena viver.

Se tudo fosse como gostaríamos, se tivéssemos certeza de tudo, não seríamos absolutamente homens, seríamos máquinas. Somente para as máquinas tudo é certo e seguro. O homem vive em liberdade. A liberdade necessita de insegurança e incerteza. Um verdadeiro homem de inteligência está sempre hesitante porque não tem nenhum dogma no qual se apoiar. Ele tem que olhar e responder.

Lao Tzu diz: 'Eu hesito e ando alerta na vida porque não sei o que vai acontecer. E não sigo nenhum princípio. Tenho que decidir a cada momento. Nunca decido de antemão. Tenho que decidir quando o momento chega'.

Então, é preciso estar pronto para responder. Isto é responsabilidade. Responsabilidade não é uma obrigação, não é um dever -é a capacidade de responder. Um homem que quer saber o que é a vida tem que ser responsivo.

...Se você estiver buscando segurança e certeza, os seus olhos se fecharão. E cada vez você se surpreenderá menos e perderá a capacidade de se maravilhar, terá perdido a religião. Religião é a abertura de um coração maravilhado, é a receptividade para o mistério que nos circunda..."

OSHO - A arte de morrer.


Elisabeth Cavalcante



24 de outubro de 2012

Recriando a vida




Vivemos um momento especial na história da humanidade. As transformações que têm sido anunciadas já há algum tempo, baseiam-se fundamentalmente numa mudança no padrão de consciência dos seres humanos.

Muitas pessoas ao redor do planeta recebem orientações e mensagens que se assemelham em muitos pontos, pois preconizam uma liberdade cada vez maior do homem em relação a dogmas, crenças e todos os tipos de amarras que o impedem de vivenciar plenamente sua natureza divina.

Há muito os mestres espirituais falam sobre a importância do voltar-se para dentro, entrar em contato com nossa interioridade, descobrir uma nova dimensão do ser totalmente desconhecida e ignorada pela maioria de nós.

Mas, durante muito tempo, suas palavras atingiram um numero reduzido de pessoas - aquelas que haviam despertado para a busca, a necessidade de ir além da realidade aparente de suas vidas. Agora, no entanto, esta mensagem precisa alcançar uma quantidade cada vez maior de seres, pois o tempo exige da humanidade um novo direcionamento que não pode mais ser adiado.

Ao invés do medo, é essencial que nos conectemos com outra energia, a da confiança, a da entrega aos desígnios da existência que, se tivermos olhos e sensibilidade para enxergar, é protetora, nutridora e amorosa, como tão bem explicitou Cristo.

Tudo no Universo é a expressão desta força criadora, que se transforma e renasce o tempo todo. Por isso, não há porque não acreditarmos que este é um momento valioso, em que tudo o que nos prende ao sofrimento, à limitação e à dor, poderá finalmente começar a ser transmutado em alegria, abundância e paz.

"O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele... Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida.

...Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida... Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas.

Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.

Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar... Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade.

...Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento.

O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'.

...Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela;

...E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...

Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica...Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados.

Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.

...Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.

...Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte...".

OSHO, O Livro da Cura.



Elisabeth Cavalcante 



24 de agosto de 2012

Imperfeição



 
 
Uma das maiores fontes de insatisfação e ansiedade para o ser humano é a dificuldade em aceitar a si mesmo. Muitos se condenam por não ter o padrão de beleza imposto pelo mundo, por não possuírem a riqueza almejada ou o sucesso e o reconhecimento no campo profissional.

Sentem-se excluídos e indignos de admiração e respeito. O pior que pode acontecer a alguém é não se considerar digno aos seus próprios olhos. Ainda que o mundo inteiro nos condene, se tivermos uma autoestima sólida, nada poderá nos desviar da convicção de que temos valor, ainda que apresentemos alguma imperfeição.

Mas, quando isto não acontece, tornamo-nos vulneráveis ao julgamento do mundo, impondo-nos um esforço sobre-humano para nos encaixar nos padrões que, acreditamos, nos garantirá o amor e a aceitação alheias.

A perfeição é algo totalmente impossível de se alcançar, pois a comparação com os demais, sempre nos trará algum quesito em que seremos superados por outra pessoa.

Portanto, o melhor a fazer é tentar aceitar a nós mesmos de modo incondicional, buscando superar nossas limitações mas sem nos deixarmos dominar pela angústia e a infelicidade, quando isto não é conseguido.

Todos temos direito a respeito e consideração, não importa quais as condições sociais, econômicas ou raciais em que nos encontremos. Ter esta convicção arraigada dentro de nós é a única maneira de construirmos um mundo em que a discriminação, o julgamento e o preconceito estejam totalmente ausentes.

"....a primeira coisa é esta: pare de se julgar. Ao invés de julgar, comece a aceitar-se com todas as suas imperfeições, todas as suas debilidades, todos os seus erros, todos os seus fracassos. Não peça a si mesmo para ser perfeito - isso é, simplesmente, pedir pelo impossível e, depois, você se sentirá frustrado. Você é um ser humano, afinal de contas.

Olhe para os animais, para os pássaros; nenhum deles está preocupado, nenhum deles está triste, nenhum deles está frustrado. Você não vê um búfalo dando fricote. Ele está perfeitamente contente, mascando a mesma grama todos os dias. Ele é quase iluminado. Não há nenhuma tensão: há um tremenda harmonia com a natureza, com ele mesmo, com tudo como é. Os búfalos não criam partidos para revolucionar o mundo, para tornar os búfalos em superbúfalos, para tornar os búfalos religiosos, virtuosos. Nenhum animal está interessado nas ideias humanas.

E eles todos devem estar rindo: "O que aconteceu a vocês? Por que você não pode ser apenas você mesmo, como você é? Qual é a necessidade de ser uma outra pessoa?". Assim, a primeira coisa é uma profunda aceitação de você mesmo.

...As pessoas julgaram-no, e você deve ter aceito as ideias delas sem nenhuma investigação. Você está sofrendo de todas as espécies de julgamento das pessoas, e você está jogando esses julgamentos nas outras pessoas. E todo esse jogo desenvolveu-se além da proporção - a humanidade inteira está sofrendo disso.

Se você quiser livra-se disso, a primeira coisa é esta: não se julgue. Aceite humildemente sua imperfeição, seus fracassos, seus erros, suas faltas. Não há nenhuma necessidade de fingir outra coisa. Seja você mesmo: "É assim mesmo que eu sou, cheio de medo. Eu não posso andar na noite escura, não posso ir lá na densa floresta.". O que há de errado nisso? - é humano.

Uma vez que você se aceite, você será capaz de aceitar os outros, porque você terá uma clara visão interior de que eles estão sofrendo da mesma doença. E a sua aceitação deles, os ajudará a aceitarem-se. Nós podemos reverter todo o processo: aceite-se. Isso o torna capaz de aceitar os outros. E porque alguém os aceita, eles aprendem a beleza da aceitação pela primeira vez - quanta tranquilidade se sente! - e eles começam a aceitar os outros.

Se a humanidade inteira chegar ao ponto onde todo mundo é aceito como é, quase noventa por cento da infelicidade simplesmente desaparecerá - ela não tem fundamentos - e os seus corações se abrirão por conta própria e o seu amor estará fluindo".

OSHO, The Transmission of the Lamp 
 
 
Elisabeth Cavalcante

23 de agosto de 2012

Julgamento




Julgar é um dos principais atributos do ego. Julgamos os demais, focando nossa atenção sempre naquilo que consideramos seus defeitos e limitações.

Dificilmente realizamos a atitude contrária, a de elogiar, enaltecer e estimular as qualidades e os talentos alheios. Isto acontece porque tal atitude é absolutamente comum à espécie humana e, portanto, crescemos sendo observados, julgados e, principalmente, criticados por todos ao nosso redor.

Com o tempo, acabamos por direcionar o julgamento para nós mesmos, olhando o tempo para nossas próprias limitações e os erros cometidos, o que resulta em um sentimento dos mais destrutivos: a culpa.

Quanto mais nos condenamos por nossas falhas, mais reduzimos o coeficiente de nossa autoestima. Aquele que se deixa contaminar pelo julgamento que os demais emitem a seu respeito, e o aceita sem qualquer questionamento, vive de modo totalmente inconsciente do real valor que possui.

As crenças negativas, que a mente nos faz incorporar como verdades absolutas, minam nossa segurança e fazem com que a vida se torne um verdadeiro inferno.

A libertação só pode ocorrer quando nos conscientizamos de que somos nós, e somente nós, os únicos responsáveis por reconhecer nossas limitações e defeitos. Ao fazer isto, estaremos jogando luz sobre a inconsciência e dando um importante passo no caminho da superação.

"Não ouça o que os outros dizem sobre você.

É fácil olhar os defeitos das pessoas. Alguém ama ver os defeitos das pessoas - porque ajuda e fortalece seu ego, que diz: " Eu sou muito superior". E muito difícil ver o seus próprios defeitos; somente um homem que ama a si mesmo pode vê-los.

Não ouça os outros, o que eles dizem sobre você. Veja a si mesmo, quem você é, onde você está, o que são os seus defeitos.

E o milagre é: ver um defeito através da sua própria consciência dissolve-o.Você não precisa fazer nenhum esforço para dissolvê-lo. A verdadeira consciência é suficiente.

Ele começa a derreter como gelo no sol quente. Mas é muito difícil ver os próprios defeitos - porque você nunca olha para si mesmo; você está constantemente extrovertido, olhando os outros.

É certamente difícil, porque você tem de girar toda a sua consciência em direção a si mesmo. E nós temos nos tornado tão extrovertidos, nós temos sido feitos tão extrovertidos, que a introversão parece ser quase impossível.

Nós estamos paralisados, nós podemos olhar apenas para os outros. Mesmo que quisermos olhar para nós mesmos, temos de olhar em um espelho. Então a imagem no espelho se torna o outro. É preciso aprender a olhar para si mesmo com os olhos fechados, observando silenciosamente.

E não carregue nenhum pré-julgamento. Muitas pessoas têm dito a você: estes são os seus defeitos. Não carregue estas ideias dentro de você, de outro modo, você as encontrará - porque o pensamento é muito inventivo.

Ponha de lado tudo o que tem sido dito sobre você. Lembre apenas uma coisa: a menos que você se conheça sobre sua própria autoridade, não tem valor, nenhum significado. Então, vá sem qualquer pré-julgamento - a favor ou contra.Apenas vá em total abertura e veja.

E se você ama e se você sabe como observar, você atravessará o fenômeno mais misterioso. Ver um defeito é dissolvê-lo. Eis o grande segredo de Budha: saber que você está fazendo algo errado é suficiente - você não pode fazê-lo mais".

OSHO - The Dhammapada: The Way of the Buddha

Elisabeth Cavalcante

13 de agosto de 2012

A opção pela felicidade


Ser feliz, em muitos momentos nos parece um desafio gigantesco, algo quase inatingível. Por que isto acontece? Uma das principais razões é que nos permitimos muito facilmente sair do nosso eixo de equilíbrio.

Muitas vezes, pequenos problemas do cotidiano são suficientes para que nossa serenidade seja abalada. Manter um estado permanente de paz, entusiasmo e confiança diante da vida é algo perfeitamente possível, desde que estejamos firmemente empenhados em alcançá-lo.

A maioria dos seres humanos espera que a felicidade seja trazida por fatores externos, alguém que lhes dê amor, a conquista do sucesso e de bens materiais.

Ocorre que todos estes itens são passíveis de mudanças e transformações, que independem, em muitas circunstâncias, de nossa vontade. Por mais que nos  esforcemos para garantir o amor de alguém, se a pessoa mantiver expectativas a nosso respeito que não podemos preencher, de nada adiantará o nosso empenho.

Do mesmo modo, o sucesso, quando conquistado a qualquer preço, pode se revelar uma armadilha que nos traz muito mais angústia e insatisfação, do que prazer e realização
.

A vocação para a felicidade consiste na disposição em manter viva a chama da alegria e do prazer em desfrutar da existência, mesmo nos momentos desafiadores, quando a realidade se mostra dura e exige de nós uma grande força interior.

Uma vez tomada esta decisão, nada conseguirá tirar de nós o sentimento de gratidão e a certeza de que as dificuldades são passos imprescindíveis no caminho de nossa evolução.

..."Há muitas coisas para se entender - sem entendê-las é muito difícil se livrar da mania de ser infeliz. A primeira coisa é: ninguém está prendendo você; é você que decidiu ficar na prisão da infelicidade.
Ninguém prende ninguém. O homem que está pronto para sair dela, pode sair quando quiser. Ninguém mais é responsável. Se uma pessoa é infeliz, é ela mesma a responsável. Mas a pessoa infeliz nunca aceita a responsabilidade - é por isso que continua infeliz. Ela diz: " Estão me fazendo infeliz" .

Se outra pessoa está fazendo com que você seja infeliz, naturalmente não há nada que você possa
fazer. Se você mesmo está causando a sua infelicidade, alguma coisa pode ser feita... alguma coisa pode ser feita imediatamente. Então, ser ou não ser infeliz está nas suas mãos.

...Um homem torna-se realmente um homem quando aceita a responsabilidade total - é responsável pelo quer que seja. Essa é a primeira forma de coragem, a maior delas. É muito difícil aceitá-la porque a mente vai continuar dizendo: "Se você é responsável, porque criou isso?".

Para evitar isso, dizemos que os outros são responsáveis: "O que eu posso fazer? Não tem jeito... sou uma vítima! Sou jogado daqui para ali por forças maiores que eu e não posso fazer nada. Posso no máximo chorar porque sou infeliz e ficar ainda mais infeliz chorando". E tudo cresce - se você cultiva uma coisa, ela cresce. Então, você vai cada vez mais fundo... mergulha cada vez mais fundo.
Ninguém, nenhuma outra força, está fazendo nada a você. É você e só você. Você fez e pode desfazer. E não é preciso esperar, postergar. Você pode simplesmente pular fora disso.
Mas nós nos habituamos. Se pararmos de ser infelizes, nos sentiremos muito sozinhos, perderemos nossa maior companhia. A infelicidade virou nossa sombra - nos segue por toda a parte. Quando não há ninguém por perto, pelo menos a infelicidade está ali presente - você se casa com ela. E trata-se de um casamento muito, muito longo; você está casado com a sua infelicidade há muitas vidas.

Agora chegou a hora de se divorciar dela. Isto é o que eu chamo de a grande coragem - divorciar-se da infelicidade, perder o hábito mais antigo da mente humana, a companhia mais fiel." (OSHO)

Elisabeth Cavalcante