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28 de agosto de 2011

Você é uma pessoa coerente?




Quando chega o final do ano, mesmo sabendo que os finais e começos são ilusórios, sempre dá aquela sensação boa de renovação. É quando todo mundo ousa sonhar um pouco e brincar de desejar uma vida mais feliz.

Se sonhar é maravilhoso, ver um sonho ganhar raízes e se ancorar na vida real é o mais puro néctar, cada sonho um pedacinho de felicidade criado por nós - não essa felicidade idealizada que os imaturos ainda buscam, mas a felicidade possível, muitas vezes feita de coisas pequenas e simples.

Mas para que tenhamos a chance de aproximar os sonhos de nossa vida real, é preciso que sejamos capazes de manifestar o que chamarei de coerência. A coerência acontece quando alinhamos nossos pensamentos, sentimentos e ações com os nossos sonhos. Por exemplo, de nada adianta sonhar com uma vida mais simples, se continuamos nos sentindo compelidos a comprar cada vez mais coisas, nos endividando a ponto de nos tornarmos escravos de trabalhos e rotinas de vida tão complicadas.

Assim, procure trazer para a sua consciência o que de fato importa para você, e procure avaliar o custo envolvido na realização de seus desejos. Não siga pela vida agindo como uma criança que acredita poder ter tudo sem dar nada em troca, negando a realidade. Mesmo sendo um pouco desconfortável, quando ficamos em contato com a realidade nos tornamos mais poderosos e capazes de manifestar na vida concreta aquilo que almejamos internamente.

Todos nós possuímos um imenso potencial criativo e somos capazes de transformar muito mais coisas do que imaginamos. Podemos criar mais saúde, mais harmonia, mais paz, mais alegria. Podemos mudar de rumo na vida, deixar para trás o que já não faz sentido, abrir caminho para que o novo chegue. Podemos nos tornar mais conscientes, mais amorosos, mais realizados, mais poderosos. Mas para isso precisamos acreditar em nós mesmos e nos dar uma chance. Se nos definirmos com base em nosso passado, nos aprisionamos em um círculo vicioso de infinitas e tediosas repetições. Não faça isso com você. Você pode ter caído dez vezes em um buraco, isso não significa que acontecerá de novo!

Abra-se para que o seu melhor venha à tona. Queira, lá no fundo do seu ser, que isso aconteça. Mesmo que um longo caminho ainda o separe do que você deseja conquistar, ao menos dê os primeiros passos na estrada que o conduz naquela direção. Siga sempre em frente, na velocidade que for possível para você. Não perca a coerência, não traia a si mesmo no meio do caminho, apenas siga, sem se preocupar com quando finalmente chegará. Aprecie essa viagem chamada vida! Quando sentimos que já estamos a caminho, algo em nosso íntimo se acalma, e dessa calma flui uma confiança amorosa de que, se persistirmos, sem desistir, um dia chegaremos lá.



Patricia Gebrim


Jevetta Steele - I`m Calling You


20 de agosto de 2011

O que fazer quando o cinza toma conta de sua vida?




Qualquer um de nós pode ser, vez ou outra na vida, tomado por um lado sombrio que torna tudo cinza ao nosso redor. Quando isso acontece, como se estivéssemos doentes de alma, enxergamos sempre o pior de cada situação, nos sentimos aprisionados, encurralados, como se na vida não houvesse saída.

Você já encontrou alguém assim? A pessoa fica tão paralisada naquele lugarzinho apertado que, por mais que tentemos lhe dar opções, ela sempre responde: Pode ser que você esteja certo, mas...

Olhando de fora vemos que existem sim saídas. Mas, por mais que tentemos sugerir caminhos para uma melhora, a pessoa parece não ser capaz de enxergá-los. Responde sempre com um “mas”, seguido de uma justificativa que inviabiliza a solução. É como se, de alguma forma, ela quisesse permanecer lá, sofrendo. E nós, que tentamos ajudar, acabamos por nos sentir frustrados... e muitas vezes acabamos por desistir de ajudar. Como se a pessoa fosse um saco sem fundo, vemos que nossas sugestões são tragadas, uma a uma, caindo num buraco negro que existe lá no fundo do saco.

Sabemos que para sair desse buraco é necessário que se mantenha o equilíbrio, que se tenha paz para raciocinar com clareza, que se tenha atenção para pescar uma solução criativa nesse rico mar que é nosso inconsciente, cheio de belezas e tesouros. É preciso compreender que de nada adianta sobrecarregar a própria vida com esse peso mortal que destrói a leveza das ideias, que afasta de nós toda a alegria e o encantamento.

Quando tornamos tudo sério e grave dentro de nós, acabamos por projetar essa carga ao nosso redor, e logo nos percebemos rodeados por uma sensação densa e ruim, oprimidos e esmagados por uma realidade que nós mesmos criamos. Logo estamos nos sentindo completamente desesperançosos, impacientes com tudo e com todos, nos tornando parecidos com máquinas de reclamações e mau humor. O brilho de nossos olhos se apaga e ganhamos uma espécie de peso, nos afastando do suave mundo onde pulsam infinitas soluções criativas, nos afastando daquela camada sutil cheia de novas ideias que flutua leve, bem acima de nossas cabeças e que poderia nos tirar desse estado incômodo e assustador.

Se ao menos parássemos de, obsessivamente, catalogar as pedras e obstáculos ao nosso redor, enxergaríamos saídas, seríamos ajudados a flutuar e, como leves pássaros, seríamos soprados em direção a outras realidades, mais amenas, mais gentis, mais livres.

Se você quer mudar sua vida, precisa concordar em abandonar essa atitude que tem mantido você atado a uma vida que não lhe traz felicidade, Não importa o que você tenha criado em sua vida, a solução reside em uma palavra: desapego. Você não pode mudar o passado, mas pode se desapegar dele, deixá-lo para trás. Não perca tempo tentando entender, catalogando tudo, ou recriminando a si mesmo pelas escolhas errôneas que fez em sua vida. Isso de nada ajuda! Foque-se completamente no presente, seja amoroso e compassivo para com seu próprio Eu. Perdoe as atitudes que tenha tomado e que lhe tenham feito mal. Isso já passou. Olhe para cima, para o novo e permita-se construir uma nova realidade onde se sinta mais leve.

O mundo terá a gravidade que você decidir lhe dar. Você não precisa mudar o mundo. Mude a si mesmo, e o mundo se transformará antes que você consiga compreender como isso pode ter acontecido.


Patricia Gebrim


george harrison - cloud 9




22 de julho de 2011

Você sabe manter o foco?




A vida não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Para alguns de nós a vida mais parece uma sequência meio maluca de coisas que vão acontecendo aleatoriamente, quase como se a pessoa, dona da vida, não tivesse nada a ver com isso. Já com outras pessoas, a vida parece ganhar um formato mais ordenado, como se fosse um quadro feito de imagens que, antes de serem colocadas na tela, tivessem sido cuidadosamente concebidas na imaginação do artista.

Para que sua vida seja uma obra de arte, é preciso que você reconheça a si mesmo como o artista. Sim, você é o artista! E um artista precisa de foco. Foco e paixão. Precisa ter o desejo, lá no fundo do seu ser, de transpor para o mundo externo o que pulsa em seu íntimo.

Precisa acreditar-se capaz de criar. Precisa correr o risco de frustrar-se, e ainda assim continuar tentando. Essa persistência é o que estou chamando de foco. Essa capacidade de continuar na direção escolhida, a despeito dos resultados imediatos obtidos.

Eu me lembro de uma vez em que tentei fazer uma escultura em um pedaço de madeira. Fiquei horas cavando aquele tronco que encontrei no meio da mata. Mais horas pintando, acertando... e finalmente... uma linda deusa esculpida, minha obra de arte! Mostrei à minha amiga, e ela achou que eu tinha esculpido uma múmia! - que decepção! A moça da limpeza me disse que tinha certeza que minha escultura retratava uma bruxa, e o ascensorista afirmou, com convicção, que eu tinha esculpido um porco!

Assim é a vida, muitas vezes.

Você consegue persistir, mesmo quando percebe ainda estar longe de atingir o desejado objetivo? Mesmo ao perceber que a diferença entre você e um escultor é de... anos luz? Consegue manter o foco no que deseja, mesmo quando a vida não lhe dá tapinhas nas costas?

Pense por um momento em quais são as coisas que você realmente deseja atingir. Um trabalho satisfatório? Um relacionamento saudável? Uma casa de campo? Habilidades de mágico?

Seja lá o que for, o que lhe digo é que... sem foco... nada feito! Sem foco você acabará desistindo no meio do caminho, às vezes a um milímetro de finalmente atingir o que desejava. Desistir é abrir mão da vida. Como fazem as crianças que cruzam os braços e dizem que já não querem mais brincar.

São duas as suas opções. Você pode continuar em frente, mesmo errando, mesmo se perdendo de vez em quando, mesmo fracassando vez ou outra. Ou pode desistir.

A seu escolha fará toda a diferença, não apenas nos resultados obtidos, mas na forma como você gastará seu precioso tempo de viver. Uma vida é muito mais significativa e interessante quando tem foco, quando é vivida por alguém que acredita poder criar algo de belo, quando nos sentimos entusiasmados e seguimos com perseverança.

Sabe... Me parece triste desistir. Acho triste quando vejo pessoas que deixaram de acreditar, que pararam de tentar. Cheias de justificativas, ficam lá, largadas no meio do caminho. Acho triste pois, a meu ver, se seguimos em frente, mesmo que não encontremos o que inicialmente procurávamos, com certeza fazemos de nossa vida uma linda aventura, cheia de coisas para contar.

A vida não nos foi dada para ser economizada. Qual é a graça de se ganhar uma vela e nunca acendê-la? De guardar as melhores roupas para uma festa que nunca acontece?

Eu lhes digo o que penso. Se ganhamos de presente esta vida, que sejamos capazes de vive-lê com verdade, até o final!



Patricia Gebrim 

Harry Nilsson – Everybody’s Talkin


 

19 de julho de 2011

Dissolvendo mágoas




É inevitável que vez ou outra na vida sejamos feridos pelas pessoas. Alguém nos engana, alguém nos trai, alguém nos trata com falta de respeito, desconsidera nossos sentimentos... Eu sei que você já passou por isso em algum momento. Isso não quer dizer, necessariamente, que tenhamos que continuar carregando isso no peito pelo resto de nossas vidas, cultivando mágoas, como fazem tantas pessoas.

O nosso peito é como um grande lago, suave, ladeado por flores, pássaros e todos os tipos de vegetações. Quando alguém nos fere, é como se uma pedra fosse jogada no lago... tudo fica ondulado por alguns instantes, a superfície perde a limpidez, a água fica momentaneamente turva e o vento sopra de uma forma tão gélida que chega a doer.

Mas depois de um tempo, o que naturalmente aconteceria? A pedra atirada ficaria quieta em algum lugar lá no fundo do lago, uma prova de que vivemos intensamente, uma experiência de vida que veio para nos trazer sabedoria. A superfície da água voltaria a ficar lisa como um espelho, a areia levantada voltaria ao fundo e voltaríamos a sentir a plácida paz desse lago sagrado.

Mas algumas pessoas não se conformam. Em vez de aprenderem com o que aconteceu e retornarem a seu estado natural de confiança na vida, querem encontrar a pedra atirada, que agora se encontra perdida lá no meio de seus lagos. E, se possível, gostariam de atirar a pedra de volta, bem no meio da testa do infeliz que ousou jogar a pedra no lago! Ficam andando de lá para cá dentro do lago, cultivando mágoas e pensamentos ruins, ondulando ainda mais a superfície, levantando cada vez mais areia, turvando a água, perturbando a própria paz. Cada vez que se lembram do que aconteceu e de quem as magoou, é como se jogassem novamente a pedra no lago, e de novo, e de novo, e de novo! E a todo momento comprovam o grande estrago que lhes foi causado, e dizem: Vê? Não consigo mais enxergar a minha imagem na superfície do lago!

Na verdade, a pessoa que nos magoou atirou, sim, a primeira pedra, mas a forma como reagimos a isso é o que pode de verdade nos fazer mal. Continuamos impedindo que a paz aconteça, recriamos a mágoa infinitas vezes dentro de nós... Por que fazemos isso?

Fazemos isso porque em algum lugar dentro de nós existe uma crença distorcida de que a vida deve ser sofrida, de que o sofrimento nos torna maiores, mais dignos. Se lá, no nosso íntimo, existisse a crença sorridente de que merecemos ser felizes, simples assim, não perderíamos tempo em nos atormentar dessa forma, em cultivar mágoas que só nos ferem.
Se acreditássemos de verdade que merecemos a felicidade, deixaríamos a pedra lá, no fundo do lago, e sairíamos para encontrar algo melhor para fazer. Também cultivamos mágoas porque nos falta amor, amor por nós mesmos. E foi essa mesma falta de amor próprio que, provavelmente, acabou permitindo que o outro nos ferisse tanto. Quem ama a si mesmo não fica em relacionamentos desrespeitosos, é mais rápido em buscar aquilo que é bom e saudável.

Precisamos parar de nos colocar no lugar de vítimas das situações. Mesmo quando a outra pessoa errou, nos enganou ou o que quer que seja, uma partezinha nossa permitiu que isso acontecesse. Assim, de nada adianta ficarmos repetindo infinitamente em nossas mentes e corações o ocorrido. Isso só nos aprisiona mais e mais.

Muito mais sábio seria tranquilizar a mente até que a superfície do lago voltasse a ser calma como um espelho. E então, sentados em frente a esse espelho, perguntaríamos: Como posso aprender com o que aconteceu? Como posso evitar que volte a acontecer? E depois, seria bom que ficássemos em silêncio, até que a resposta nos venha.

Imagine que as águas de seu lago sejam como um bálsamo sagrado capaz de curar e dissolver pedras. Permita que as mágoas sejam dissolvidas nessa energia que brota de seu coração. Não tenha pressa, leva certo tempo, eu sei, mas até mesmo os maiores rochedos podem ser dissolvidos pela suave persistência da água.



Patricia Gebrim 


Aerosmith - Crazy




 

16 de março de 2011

Faça o possível, isso já é muito




Eu sempre fui de admirar pessoas que conseguem fazer coisas que acabam por transformar o mundo. Seja um escritor, um artista plástico, um músico, um professor, um esportista...

Aquelas pessoas que parecem ter algo de especial, um brilho, uma espécie de magia impossível de passar despercebida.

O que seria de nosso mundo sem a beleza? Sem aquelas coisas que nos tocam a alma, sem a inspiração que recebemos daqueles que mergulham dentro de si mesmos e saem de lá com um tesouro em mãos, esse tesouro que compartilham conosco, amenizando a secura de nossas vidas?

Pensando nisso, me ocorreu escrever e dizer a você, que me lê neste exato momento, que, assim como aquelas pessoas iluminadas que você tanto admira, existe, agora mesmo, um tesouro esperando para ser descoberto.

Onde? No seu íntimo!

Não é preciso ter nome famoso, a esperteza da raposa dourada ou a pena sagrada de uma rara espécie de pavão para que você faça diferença neste mundo. Cada um de nós tem algo muito precioso e especial a compartilhar com a humanidade. Acredite, você também!

Muitas vezes desqualificamos a nós mesmos, como se fosse necessário ser uma espécie de semideus para criar algo de significativo. Não é verdade!

Todas as pessoas que você admira, famosas ou não, são apenas... humanas. Não há nada nelas que não exista em você. A não ser, talvez, a coragem de arriscar. A leveza de se lançar, de brincar, de expressar a si mesma.

Se você esperar atingir a perfeição para só então revelar seu potencial, talvez acabe por perder a chance de manifestar a beleza do seu ser. Seria um desperdício! Não é preciso ser perfeito para tornar o mundo um lugar melhor, acredite.

Você pode não entender nada de jardinagem, mas se escolher um pedacinho de uma praça e se permitir acreditar que pode tornar aquele lugar melhor, eu estou certa de que conseguirá. Basta arrancar as ervas daninhas, regar a terra, plantar algumas sementinhas, um pouco da sua sensibilidade com certeza já fará daquele cantinho um lugar mais agradável e acolhedor. Não precisa ser um jardim perfeito, com a perfeita escolha de cada planta, com a adubação perfeita. Basta que derrame sobre aquele pedaço de terra seu carinho, sua atenção.

Isso vale para muitas coisas. Não importa para onde decida ir, vá inteiro e sem medo. Em cada relação, em cada escolha, em cada tentativa de sua vida, faça o seu melhor. Dedique-se, regue sua vida com delicadeza, acredite em si mesmo. Faça o possível, isso já é muito.

Coisas maravilhosas acontecem quando nos esquecemos que somos apenas meros mortais condenados à mediocridade de uma vida limitada, repetitiva e tediosa. Arrisque sonhar! Pense nisso: talvez você seja um ser maravilhoso, dotado das mais incríveis capacidades à espera de serem descobertas. Talvez você seja mais do que já tenha sequer imaginado. Talvez o mundo esteja à sua espera.

Patricia Gebrim