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2 de junho de 2013

Você sempre quer o que não pode ter?




Conhece alguém que só se interessa por quem não está disponível? E você, é do tipo que quando o outro corresponde às suas investidas, tem a sensação de que perde a graça e não quer mais? É triste, mas existem muitas pessoas que se alimentam de dificuldades e obstáculos.

Chega ao cúmulo de, algumas delas - claro que sem se darem conta - sentirem-se atraídas somente por relacionamentos proibidos ou extremamente complicados, geralmente envolvendo uma terceira pessoa - o famoso triângulo amoroso.

O interessante é que a terceira pessoa parece funcionar como um motivador, alguém que desperta a competitividade e reforça a crença de que amor tem a ver com brigas, disputas, conflitos, sofrimento e dor. Como se sentimentos de paz, tranquilidade, confiança e respeito fossem "mornos" demais para sustentar um relacionamento intenso e profundo.

Sim, é verdade que os filmes, as novelas e os romances mais atraentes são sustentados pelos conflitos e pelas dificuldades, mas esta narrativa não precisa ser a sua, esse enredo não precisa ser a sua única realidade. Pode servir para alimentar fantasias e ensinar a domar nossos "bichos". Mas não pode servir para nos convencer de que é assim que o amor tem de ser. Não tem!

O fato é que esse tipo de relação sobrevive de uma dinâmica altamente perigosa. Trata-se de uma grande e invisível armadilha que a pessoa monta para si mesma. E quando vê, lá está ela, dentro do buraco novamente. Decepcionada, frustrada e abandonada mais uma vez!

E se ao menos aprendesse com isso, fazendo a partir de então escolhas mais coerentes, tendo comportamentos menos impulsivos e compreendendo o amor como fonte de prazer e construção, aprendizado e evolução, tudo bem! Mas, não! Em geral, pessoas assim estão viciadas na adrenalina decorrente deste jeito distorcido e equivocado de amar.

Feito cachorro que corre atrás do rabo enlouquecidamente sem nunca alcançá-lo, tais pessoas vivem desesperadamente em busca de um amor que nunca conseguirão viver, a menos que ganhem consciência desse funcionamento interno e façam um trabalho de autoconhecimento para, enfim, abrir espaço para um encontro de dois que realmente se desejam, um amor de troca e criatividade.

Portanto, se você costuma se apaixonar por pessoas casadas ou, ao contrário, que não querem se comprometer de forma alguma, fique atento! E se essa "impossibilidade" faz com que você se sinta ainda mais apaixonado e disposto a fazer qualquer coisa para conseguir o que deseja, então, a arapuca, muito provavelmente, já está armada - e por você mesmo!

O exercício da conquista é uma delícia e vale a pena ser praticado - não apenas no início da relação, mas todo o tempo. Afinal, quem ama cuida e não existe "jogo ganho". Diz o sábio ditado que "quem não dá assistência, perde para a concorrência". Mas que este exercício seja pautado pelo amor-próprio e pela certeza de que o resultado da brincadeira tem de ser bem mais prazeroso do que doloroso. Bem mais de ganhos e medalhas do que perdas e migalhas.








Rosana Braga

27 de maio de 2013

Um pouco de solidão não faz mal a ninguém!




‘Ai, eu não aguento mais ficar sozinha!’

‘Não me apaixono há um tempão! Isso me deixa com uma sensação de vazio’... 

Escutei essas duas frases, de dois amigos - uma mulher e um homem, respectivamente - na mesma semana... e fiquei refletindo: quanto tempo se leva pra amar novamente? Será que tem tempo limite? Será que tem necessariamente algo de errado com quem está só há algum tempo? Onde estão escritas as regras e os prazos de cada coração? 

Bem, a amiga que reclamou porque não aguenta mais ficar sozinha me contou que está sem namorado faz praticamente um ano e que tem se sentido extremamente carente. Todos os encontros que teve depois deste namoro terminaram em duas ou três saídas, no máximo. ‘Ninguém se interessa por mim!’, reclamou ela num tom de tristeza e lamentação. 

O amigo, por sua vez, me contou que se sente chateado porque não consegue se apaixonar por ninguém há uns três anos. Confessou que as relações que vêm tendo durante este tempo, embora sejam afetuosas, não lhe trazem aquela sensação inexplicável de estar envolvido, entregue, com aquele sorriso fácil nos lábios... 

Eu sei que o que todos nós desejamos, no final das contas, é sentir exatamente o que canta Zeca Baleiro, na música ‘Telegrama’: 

... hoje eu acordei 
Com uma vontade danada de mandar flores ao delegado 
De bater na porta do vizinho e desejar bom dia 
De beijar o português da padaria... 

Mas o fato é que isso não acontece todos os dias... E se pensarmos um pouco, não poderia ser diferente. Se fosse banal, corriqueiro, cotidiano, não seria tão transformador, não seria tão especial... 

Só que não queremos esperar. Não queremos aprender a lidar com a tristeza, com o vazio, com a solidão. Não queremos, sobretudo, aprender com todos os sentimentos que esse tempo em que ficamos sós nos traz. Aliás, sequer nos permitimos descobrir o quanto pode ser bom ficar sozinho de vez em quando. 

Muitas vezes, entramos numa ansiedade exagerada, destrutiva, que mina nossa auto-estima; e, assim, somos esmagados por uma cobrança interna que nos rouba o bom senso e a capacidade de fazer escolhas. 

Começa a valer o ditado ‘o que vier, é lucro’, mas em pouco tempo, percebemos que o preço a pagar por escolhas mal-feitas é alto demais. Relações que não nos acrescentam; pelo contrário, servem para bagunçar ainda mais os nossos dias e aumentar a sensação de frustração e de incompetência emocional. 

Claro, ‘engolimos sem mastigar’, numa tentativa desesperada de acabar com a solidão... E aí eu pergunto: por que é que resolvemos acreditar que a solidão é algo tão ruim? Será? Será mesmo que não há nada de proveitoso, de bom e prazeroso que podemos fazer enquanto estamos descomprometidos? 

E mais: será que é possível se apaixonar a cada 15 dias ou assim que acaba uma relação? Será que é produtivo emendar uma relação na outra sem ter tempo sequer de se questionar quais são seus verdadeiros desejos? 

E, por fim, será mesmo que estar com alguém é remédio para todas as nossas dores, solução para todos os nossos problemas e o fim de todas as nossas angústias? 

Penso que é somente quando relaxamos e entendemos que estar com alguém e, principalmente, apaixonar-se e sentir-se feliz são consequências de uma harmonia interna, que compreendemos que somos seres genuinamente sós e que o outro é um presente a ser compartilhado e não uma necessidade dolorida, desesperada, insana... 

Aí sim poderemos experimentar relações mais leves, mais gostosas e mais maduras ou... ficaremos sós e nos sentiremos bem. Em fase de espera, sim, mas sem tanta tristeza; apenas respeitando o ritmo dos corações e sabendo que uma relação gostosa e apaixonada acontece quando a gente realmente tem espaço para ela...



Rosana Braga

22 de maio de 2013

O que é ser gentil?



Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos ser educados, a gentileza se trata de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.

A rotina nos cega, costumo dizer. Pressionados por idéias equivocadas, que nos pressionam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, nos tornamos mais e mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas - mesmo com aquelas que amamos - de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso. É por isso que, a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte e contribuir sim para um mundo melhor.

Ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça. Muito pelo contrário: quanto mais gentil somos com as pessoas, mais gentil somos também com nossa verdade, com nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração. Pessoas que dizem sim a todos estão, na realidade, reforçando uma imagem de ‘vítimas da vida’, alimentando um argumento de ‘coitadinhas’, de extremamente boas e injustiçadas. Isso não é ser gentil e demonstra mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido na gentileza.
Aprender a dizer não nem sempre é uma tarefa simples. A gente aprende que tem de corresponder às expectativas de quem amamos, desde pequeninos; daí, quando crescemos, não sabemos dizer não sem nos sentirmos culpados. Daí para justificar nosso medo de dizer não, é um pulo; afinal, é bem mais fácil transferirmos a responsabilidade de nossas limitações para o outro.

Muitas vezes, a gente associa a palavra não à raiva ou à falta de gentileza, quando na verdade ela é apenas uma resposta, tão cabível quanto o sim. Desde que seja dito com sinceridade e respeito, sabendo por que motivo você está dizendo não, a gentileza é absolutamente coerente. O problema é que a gente já diz com culpa e, para não demonstrar, altera o tom de voz, tenta se justificar acusando o outro ou inventando pequenas mentiras que tornam a relação pesada, tensa. Basta que sejamos honestos, que nos permitamos respeitar nossos limites, que aprendamos a nos dar o direito de dizer não. 
Além disso, vale um questionamento: será que é tão difícil dizer não porque, na verdade, você não consegue ouvir o não do outro? Será que esta dificuldade em negar ao outro não está a serviço de poder lhe cobrar sempre o sim? Enfim, lance mão de um tom de voz compreensivo e afetuoso e o seu não será muito mais humano e aceitável do que aquele que a gente costuma dizer gritando, acompanhado de gestos agressivos.

Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas, muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber gentilezas.

No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido, cada vez mais, profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas, competência técnica é oferecida em universidades de todo o país, mas habilidades humanas como a gentileza são características escassas e muito bem quistas no mundo atual.

Reproduzo aqui 10 dicas para facilitar a prática da gentileza. Creio que se conseguirmos incorporar pelo menos algumas dessas ações, nossa vida já se tornará bem mais leve e gostosa.

1. Tente se colocar no lugar do outro. Isso o ajuda a entender melhor as pessoas, seu modo de pensar e agir.

2. Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.

3. Pratique a arte da paciência. Evite julgamentos e ações precipitadas.

4. Peça desculpas. Isso pode prevenir a violência e salvar relacionamentos.

5. Pense positivo. Procure valorizar o que a situação e o outro têm de bom e perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.

6. Respeite as pessoas quando elas pensarem e agirem de modo diferente de você. As diferenças são uma verdadeira riqueza para todos.

7. Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.

8. Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas depende de se descobrir a raiz do problema.

9. Faça justiça. Esforce-se para compreender as diferenças e não para ganhar, como se as eventuais desavenças fossem jogos ou guerras.

10. Mude a sua maneira de ver os conflitos. A gentileza nos mostra que o conflito pode ter resultados positivos e ainda tornar a convivência mais íntima e confiável.



Rosana Braga 



19 de fevereiro de 2013

Seu silêncio pode adoecer o amor!



Somos os únicos seres vivos que se comunicam por meio das palavras, da linguagem falada. Isso deve ter alguma importância bastante relevante. Porém, infelizmente, muitas vezes temos praticado esse dom -o da fala- de modo extremamente negligente, exagerado, distorcido e equivocado. 

Ditos populares sobre esse tema, além do essencial equilíbrio entre falar e ouvir, existem vários: "Falar é prata, mas calar é ouro", "Quem muito fala dá bom dia a cavalo", "Quem muito fala, muito terá de se justificar", entre outros. Um pensamento de que gosto muito é de Antoine de Saint-Exupéry: "A linguagem é uma fonte de mal entendidos". 

Ou seja, parece que a sabedoria nos sugere mais silenciar do que falar. Como se o silêncio fosse a forma mais inteligente de solucionar os conflitos. É verdade que pode haver muita paz no silêncio, mas penso que é urgente aprendermos a gigantesca diferença entre o silêncio que apazigua e pacifica, do silêncio que ensurdece, grita, mente e perturba. Aliás, existem silêncios tão perturbadores que podem enlouquecer um ser humano. 

Acima de tudo, precisamos aprender a falar com um propósito. Não falar só para jogar sobre o outro as nossas frustrações ou falar só para ofender e impor razões e vontades. Não se trata de vociferar, mas de se expressar, de mostrar ao outro quem somos e o que queremos. E no exercício diário do amor, estou cada dia mais certa de que não pode haver modo mais eficiente de resolver conflitos, aplacar a ansiedade e desfazer mal entendidos do que por meio do uso de uma comunicação clara, direta e sem joguinhos. 

Mas, lamentavelmente, por não saberem ou por medo e até covardia, muitas pessoas adotam o silêncio como principal forma de comunicação. Calam-se para "deixar bem claro" que estão bravas, tristes ou insatisfeitas. Recusam-se a falar porque concluem que é óbvio o que está acontecendo e o que estão sentindo e que, além disso, o outro já deveria saber. Há ainda os que prolongam a mudez apostando que o tempo simplesmente resolverá as mágoas e as incertezas. Como se sentimentos não precisassem ser elaborados e digeridos. 

Não exagerei quando disse que o silêncio pode enlouquecer uma pessoa. Existimos a partir da linguagem. Descobrimos que somos únicos e separados do outro a partir do momento em que nascemos e por meio da linguagem, do que o outro diz sobre nós, sobre como estamos no mundo e o que provocamos nelas. É assim que nos constituímos, que nos reconhecemos e que nos criamos internamente. É assim que se forma nossa autoimagem. 

Claro que quanto mais amadurecemos, mais confiança ganha nossa própria voz, nossas percepções e capacidade de compreender o que acontece fora e dentro de nós. Mas o fato é que relacionar-se com alguém que não se mostra, que não revela o que pensa, sente e quer, é altamente frustrante, desgastante e deprimente. Não há troca verdadeira. Não há encontro de almas. Não há sintonia possível! 

Não falar é, muitas vezes, uma forma de torturar o outro, de fazê-lo padecer e sentir a dor do inexplicável, do incompreensível, do imponderável. Sei que a vida não nos dá garantias e que não existem certezas entre dois corações. Sei também que não temos todas as respostas, mas quando podemos olhar para a pessoa que amamos e sentir que no espaço, que separa uma alma da outra, existe uma voz que acolhe, demonstra, abraça, acaricia e confessa o que ali pulsa e vibra, aí sim, descobrimos o que é amor de verdade!


Rosana Braga

15 de fevereiro de 2013

O amor pode sobreviver a uma traição?



Costumo dizer que quando se trata de comportamento humano, se a pergunta é "pode?", a resposta é "sim, sempre pode!", já que cada caso é um caso e, em última instância, somos um complexo conjunto de circunstâncias internas e externas que resultam em muitas possibilidades e algumas escolhas.

Além disso, todos nós já presenciamos e ouvimos histórias de casais famosos e nem tão famosos assim que, após uma traição, voltaram a ficar juntos. Do mesmo modo, também já ouvimos histórias em que, em situação semelhante, não houve conversa nem negociação: foi o fim!

Isso significa que a resposta certa é: depende! Para o amor sobreviver a uma traição ou a qualquer crise séria, é preciso considerar vários detalhes. O primeiro tem a ver com o que significa "traição" para cada um. Parto do princípio de que se refere, sobretudo, a mentir e enganar seu par. Ou seja, a deixá-lo acreditando que a relação está acontecendo de um jeito quando, na verdade, está acontecendo de outro.

Porque, convenhamos: se a pessoa chega e diz "olha, estou a fim de sair com fulano ou sicrana. O que podemos fazer com isso?" ou "me interessei por outra pessoa, estou a fim de ver qual é, quero romper e, se for o caso, reconversamos". Bem, então, deu-se a chance de o outro se manifestar ou participar de alguma forma. Não se trata de traição e, sim, de possibilidades humanas.

Bem, mas supondo que não houve colocações desse tipo, o que sobra ao traído são aquelas perguntas doloridas e sufocantes, aquela sensação de ter sido feito de idiota, de ter passado por bobo e, pior do que isso, a certeza de que a confiança e o respeito ficaram profundamente abalados. E é a partir disso que se trata a questão da sobrevivência do amor.

O fato é que se a traição aconteceu porque já não existe amor, então, não há o que ser dito ou feito ou tentado. Está tudo acabado e ponto final. Mas se ainda há amor, então, a questão é: quanto cada um está disposto a realmente ouvir o que o outro tem a dizer, a tentar compreender suas razões, a conversar sobre a própria relação e o que a deixou frágil a esse ponto?

Qual a disponibilidade de quem mentiu ou omitiu informações tão importantes de reconsiderar suas escolhas, de rever seu comportamento, de se comprometer com a verdade a partir dessa crise? Quais sentimentos restaram? São suficientes para arriscar um recomeço ou o mais honesto consigo mesmo e com o outro seria cada um seguir seu caminho?

É preciso considerar que, num momento como esse, em que uma traição se impõe entre duas pessoas que se amam, muitos sentimentos ignorados, negligenciados e empurrados "para baixo do tapete" vão emergir. O lado escuro e abandonado da relação vai gritar e exigir atenção! Talvez esteja aí a grande chance desse amor, desse encontro onde ainda existe vontade, desejo, motivação e vida!

Isso quer dizer que uma traição, por pior que seja, pode ter um lado bom! Será que o casal quer aproveitar esse lado? Talvez não seja possível num primeiro momento, quando dor e raiva estão latentes demais. Mas com o passar dos dias, quando os ânimos começam a retomar seus lugares, a consciência e a maturidade podem ganhar voz e vez.

Penso que, sobretudo, qualquer salvação tem a ver com diálogo. Muitas vezes falar, muitas vezes ouvir. Muitas vezes se colocar no lugar do outro e entender sua raiva, sua dor, seu jeito de concluir, seu jeito de escolher. E se depois de tudo isso, ainda puderem se olhar nos olhos e reconhecer que por trás de todos os rótulos, máscaras e medos, ainda existe uma sintonia de alma, então, ainda há amor pra recomeçar...


Rosana Braga

7 de fevereiro de 2013

Ele diz que te ama, mas nunca te assume?



Você conheceu alguém e se encantou... vai tudo muito bem, muita sintonia, declarações, romantismo, paixão e você se sente cada vez mais realizada, entregue, certa de que encontrou, finalmente, uma pessoa com quem vale a pena ficar!

Porém, contudo, no entanto... quando menos espera, bate a cara contra um muro! Pelo menos, é esta a sensação que tem ao descobrir que essa tal maravilhosa pessoa, que vive dizendo que a ama, já tem outra relação. Sim, você é "o estepe"!

Como avaliar a situação considerando que a relação tem sido realmente especial e intensa? Qual é a verdade? Por um lado, tudo leva a crer que, de fato, o outro também está envolvido, interessado e apaixonado. Mas, então, por que não fica com você, e só com você?

Resumindo: se você está vivendo um cenário como esse e não se incomoda, então, está tudo certo. Não se fala mais nisso! Porém, se não está tudo bem, é provável que tenha de se preparar para uma montanha-russa de pensamentos, sentimentos e decisões. Poucas são as pessoas com determinação e convicção suficientes para abrir mão de tudo o que poderia vir a ser e focar somente no que está sendo agora. Isto é, alguém não está convicto do que quer. E este alguém não é você!

E agora? O que fazer? Aceitar e continuar tudo como está? Desistir e abrir mão da chance de ser feliz? Exigir que o outro faça uma escolha, mesmo correndo o risco de ser a pessoa preterida? Será mesmo que existe o tal poliamor? Qual é o preço que você está disposto a pagar para ficar com essa pessoa, lembrando que isso pode (e provavelmente vai) significar dor, tristeza, baixa autoestima, ciúme, insegurança, desconfiança e profundos conflitos internos?

Realmente, não é fácil se descobrir parte de um triângulo amoroso, especialmente quando você entrou nele sem saber. Muitos outros sentimentos vêm à tona, tais como competição, ego, disputa, comparações, orgulho ferido, raiva, estranhamente mais paixão, medo da perda, e a atormentadora impressão de que esta é, sim, a última "bolacha do pacote", e que você precisa fazer de tudo para ser a preferida dela, a escolhida, a que merece mais que a outra!

Vamos aos fatos! Você sabe o que quer, não sabe? Quer ficar com esta pessoa, não quer? Já fez sua escolha. Sente-se maduro o bastante para assumir um compromisso, ser verdadeiro e fiel, não é? Portanto, quem não sabe o que quer, não consegue escolher e não está pronto para viver um amor por inteiro é a outra pessoa, certo?

Sendo assim, a reflexão é: quanto você acredita que merece da vida e do amor? Ser "estepe" é o bastante? Por que você se deixaria desgastar tanto por alguém que não tem certeza se quer mesmo ficar com você? E se ele diz que te ama tanto ou mais do que ama a outra pessoa, por que ela também não pode saber que você existe? Seria mais justo com todos, não seria?

Enfim, a vida é feita de escolhas! Sempre! Em todas as áreas, inclusive, a amorosa! Isso é maturidade! Quem não sabe fazer escolhas é porque não cresceu, emocionalmente falando! Eu, particularmente, só acredito em poliamor se todos os envolvidos estiverem cientes, felizes e satisfeitos - o que nunca vi. Nunca!

Estou cada dia mais certa de que compartilhar a vida com alguém, dedicar-lhe amor e sinceridade e investir em confiança e aprendizado mútuo é o maior de todos os desafios pelos quais nós, homens e mulheres, passaremos ao longo de toda a vida! Por isso, que haja dignidade e integridade neste exercício. E, sobretudo, que saibamos fazer valer a pena, seja qual for a decisão tomada!

Rosana Braga

               

5 de fevereiro de 2013

Seu silêncio pode adoecer o amor!





Somos os únicos seres vivos que se comunicam por meio das palavras, da linguagem falada. Isso deve ter alguma importância bastante relevante. Porém, infelizmente, muitas vezes temos praticado esse dom - o da fala - de modo extremamente negligente, exagerado, distorcido e equivocado.

Ditos populares sobre esse tema, além do essencial equilíbrio entre falar e ouvir, existem vários: "Falar é prata, mas calar é ouro", "Quem muito fala dá bom dia a cavalo", "Quem muito fala, muito terá de se justificar", entre outros. Um pensamento de que gosto muito é de Antoine de Saint-Exupéry: "A linguagem é uma fonte de mal entendidos".

Ou seja, parece que a sabedoria nos sugere mais silenciar do que falar. Como se o silêncio fosse a forma mais inteligente de solucionar os conflitos. É verdade que pode haver muita paz no silêncio, mas penso que é urgente aprendermos a gigantesca diferença entre o silêncio que apazigua e pacifica, do silêncio que ensurdece, grita, mente e perturba. Aliás, existem silêncios tão perturbadores que podem enlouquecer um ser humano.

Acima de tudo, precisamos aprender a falar com um propósito. Não falar só para jogar sobre o outro as nossas frustrações ou falar só para ofender e impor razões e vontades. Não se trata de vociferar, mas de se expressar, de mostrar ao outro quem somos e o que queremos. E no exercício diário do amor, estou cada dia mais certa de que não pode haver modo mais eficiente de resolver conflitos, aplacar a ansiedade e desfazer mal entendidos do que por meio do uso de uma comunicação clara, direta e sem joguinhos.

Mas, lamentavelmente, por não saberem ou por medo e até covardia, muitas pessoas adotam o silêncio como principal forma de comunicação. Calam-se para "deixar bem claro" que estão bravas, tristes ou insatisfeitas. Recusam-se a falar porque concluem que é óbvio o que está acontecendo e o que estão sentindo e que, além disso, o outro já deveria saber. Há ainda os que prolongam a mudez apostando que o tempo simplesmente resolverá as mágoas e as incertezas. Como se sentimentos não precisassem ser elaborados e digeridos.

Não exagerei quando disse que o silêncio pode enlouquecer uma pessoa. Existimos a partir da linguagem. Descobrimos que somos únicos e separados do outro a partir do momento em que nascemos e por meio da linguagem, do que o outro diz sobre nós, sobre como estamos no mundo e o que provocamos nelas. É assim que nos constituímos, que nos reconhecemos e que nos criamos internamente. É assim que se forma nossa autoimagem.

Claro que quanto mais amadurecemos, mais confiança ganha nossa própria voz, nossas percepções e capacidade de compreender o que acontece fora e dentro de nós. Mas o fato é que relacionar-se com alguém que não se mostra, que não revela o que pensa, sente e quer, é altamente frustrante, desgastante e deprimente. Não há troca verdadeira. Não há encontro de almas. Não há sintonia possível!

Não falar é, muitas vezes, uma forma de torturar o outro, de fazê-lo padecer e sentir a dor do inexplicável, do incompreensível, do imponderável. Sei que a vida não nos dá garantias e que não existem certezas entre dois corações. Sei também que não temos todas as respostas, mas quando podemos olhar para a pessoa que amamos e sentir que no espaço, que separa uma alma da outra, existe uma voz que acolhe, demonstra, abraça, acaricia e confessa o que ali pulsa e vibra, aí sim, descobrimos o que é amor de verdade!

Rosana Braga