19 de outubro de 2010

A solidão dos cães


Os cães não ficam por amor esperando seus donos junto à porta. Quando o dono sai para trabalhar o dia inteiro, o cachorro fica sem muito o que fazer sozinho em casa; a volta do humano que vive com ele, então, pelo menos acaba com o marasmo.

"A falta de ocupação compromete a sanidade mental do animal e a integridade das meias do dono", diz Alexandra Horowitz, da Universidade Columbia (EUA). Ela sugere deixar guloseimas escondidas para que o bicho gaste o tempo tentando achá-las.

A falta de compromissos, porém, faz com que os cães respeitem mais as vontades do seu corpo, como aquele sono após o almoço, que humanos também sentem. "Sem nenhuma papelada para revirar, nenhuma reunião para participar, os cães cochilam", diz Horowitz.

Mesmo que a siesta dos bichos possa dar inveja, ser um cão, porém, tem outras desvantagens além da chance de sentir tédio. Horowitz cita como exemplo as lâmpadas fluorescentes compactas, aquelas que as pessoas compram para economizar energia. Elas produzem um zumbido inaudível para quem foi no supermercado comprá-las, mas que pode incomodar os cães, que escutam mais frequências do que nós.

Mais do que as lâmpadas, entretanto, os cães encontram uma inimiga de verdade é nas capas de chuva para eles, que se tornaram moda recentemente, à venda em qualquer pet shop. Existem dois problemas com elas. Um deles é que os cães já têm uma capa de chuva natural - apesar de muitos donos se sentirem, com motivo, um pouco incomodados quando um cachorro molhado chega em casa e se chacoalha todo para se secar.

O outro, pior, é que a capa faz com que os cães se sintam dominados. Ela cobre as costas, o peito e às vezes a cabeça do bicho. Nos cachorros e nos seus "primos", como os lobos, a pressão nas costas e na cabeça está relacionada com a subordinação - por um outro animal mais velho, por exemplo.

É possível que, com a capa, muitos cães fiquem imóveis por se sentirem dominados. Eles até podem cooperar para sair, mas não porque gostam da capa, mas sim porque foram subjugados.



Ricardo Mioto

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