22 de dezembro de 2010

Estou viciado em internet?


Pouco tempo atrás, se você entrasse no site da revista canadense Adbusters, encontraria uma mão vermelha. O objetivo era deter o internauta. “O que você está fazendo aqui?”, a revista perguntava. Se fosse apenas mais um clique ao acaso na vida das pessoas, a sugestão era para que ela se desconectasse e fosse respirar os ares lá de fora.

A mão que expulsava era parte de uma campanha da tal revista que pregava uma semana de abstenção. Não de bebida, não de sexo, não de jogo, não de carne vermelha. Abstenção, simplesmente, de internet. Sete dias sem conexão. A revista recomendava como um primeiro passo que o internauta, ao “estilo zen”, ficasse pela manhã 15 minutos diante da tela apagada de seu computador, olhando compenetradamente para a própria imagem refletida e se perguntando qual o sentido de tudo aquilo. 

Nunca as pessoas, em todo o mundo, estiveram tão conectadas. Nomes como YouTube, Google, Wikipédia, Twitter e Facebook fazem parte do dia a dia de gente no mundo inteiro. Para muitos, é difícil entender como foi possível viver tanto tempo sem aquelas marcas e outras tantas do mundo digital. Ao mesmo tempo, jamais foi tão presente a preocupação em torno do grau de dependência. “Estou viciado em internet?” é uma das perguntas mais comuns na sociedade moderna.

Livros, clínicas, estudiosos, governos em várias partes procuram dar respostas e soluções claras para a questão. Mas, feitas as contas, há ainda mais nevoeiro que luz nesse debate, sobretudo porque o assunto é novo. Passaram-se apenas 15 anos desde que a internet se apresentou para o mundo. 

Mas, por fora da paranoia das pessoas em relação à possibilidade de estarem viciadas na internet, os descrentes da era digital são mais admirados do que seriam normalmente. Eles levam a vida que hoje parece ser a dos sonhos para aqueles que não encontram forças para se desconectar. Seus amigos são de carne e osso. Comunicam-se diretamente ou por telefone. Olham nos olhos das pessoas com quem falam. Seus passatempos estão no mundo real, e não no virtual. São capazes até de ir ao correio para mandar uma carta ou um postal. A admiração que eles merecem deriva, basicamente, do medo que a enorme e crescente comunidade digital tem do futuro sob o domínio da conexão. 

Os conectados estão atordoados. Quem vai ao mecanismo de busca do Twitter à procura de material sobre o vício na internet encontra depoimentos reveladores em grande quantidade. “Não quero passar tantas horas assim na internet. Alguém pode me dar sugestões do que fazer?”, pedia uma alma aflita. 

Uma tira em quadrinhos era objeto de vários “retuites”, o nome que se dá ao gesto de alguém que retransmite algo que lhe agrada. Na tira, que o autor dizia retratar sua relação com a internet, o personagem amanhece cheio de planos. Mas, antes de sair, vai checar alguma coisa no computador. Uma surpresa ruim o detém, e depois vão aparecendo coisas sobre coisas. O último quadro mostra o personagem em plena madrugada, colado ao computador. Ele se pergunta, desesperado, por que faz tanta coisa online, exceto ir à Wikipédia ver o que diz o verbete “viciado em internet”. 

No YouTube, um internauta postou um vídeo em que contava seu drama em 59 segundos, um espaço de tempo exíguo que é uma das marcas da internet. O título: “Tão Viciante...”. O autor pedia depoimento a quem estivesse vivendo a mesma situação, mais ou menos como acontece em sessões de alcoólatras ou drogados anônimos. Saber que você não está sozinho traz algum conforto. Logo começaram a chegar respostas. Uma delas: “Sei como você se sente, cara! Putz, a internet é como droga. Não consigo sair do computador sem checar meu Facebook, YouTube, Skype e todos os vários games que jogo. Enquanto navego, sempre ouço música. Imprescindível.” 

Nelito Fernandes e Paulo Nogueira 


Um comentário:

Sheila disse...

Tudo o mundo vai se viciando pela internet. Isso acontece porque tudo é mais fácil. Este ano aluguei um dos apartamentos em Buenos Aires pela internet!