21 de março de 2011

Amor é algo que se faz




Não é novidade nenhuma afirmar que um dos problemas mais graves e recorrentes em qualquer relacionamento é o da comunicação. A começar pelo significado da dinâmica (sim, porque comunicar-se é como um tango, delicado e profundo ao mesmo tempo!). Muitos casais sequer sabem do que é feita a autêntica e eficiente comunicação.

Comunicar-se com a pessoa amada não inclui somente falar, seja sobre o que pensa, sente ou quer, como a maioria acredita. Inclui especialmente e acima de tudo, ouvir. Mas não ouvir somente com os ouvidos, somente as palavras que estão sendo ditas, somente o que é conveniente.

Para que uma conversa realmente termine bem, ou seja, sirva para resolver pendências, amenizar crises e solidificar o amor, seus interlocutores devem ouvir com todo seu ser, incluindo sensibilidade, intuição e a firme decisão de – por mais difícil que seja – compreender o que o outro está pensando, sentindo e querendo!

Mas por que isso parece mesmo tão difícil? Simplesmente porque aprendemos que conversas entre casais que discutem alguma divergência têm de virar briga, onde cada um deve tentar falar mais alto que o outro e provar, a qualquer custo, que está com a razão! Aprendemos, infelizmente, que conversas são como jogos, e servem para mostrar quem é o vencedor e quem é o perdedor! Mas, definitivamente, isso nunca funcionou e nunca vai funcionar!

Simplesmente porque num relacionamento, seja ele de que nível for, não existe um certo e um errado e, sim, dois pontos de vista, dois pedidos, dois sentimentos, duas interpretações, dois universos que, em última instância – e isso posso afirmar com toda certeza do mundo – só querem ser aceitos, amados e felizes!

Mas enquanto um e outro falarem como se disparassem flechas em direção ao alvo, enquanto tentarem impor seus desejos e repetirem frases-feitas do tipo com você, não dá para conversar, você nunca me ouve, você é um egoísta-cabeça-dura, não vão chegar a um consenso, muito menos à paz que tanto desejam (mas não sabem como alcançá-la).

Parece mesmo paradoxal essa vontade de viver um grande amor, cheio de alegrias e aquela harmonia de quando estavam completamente apaixonados e, ao mesmo tempo, essa estranha e angustiante fome de discussão, desentendimento e embate pelos motivos mais bobos, pelas razões mais infantis, por questões que, no fundo, na maioria das vezes, não têm nem metade da importância que se dá a elas durante uma briga.

A impressão que fica é que, em algum momento da história, solidificou-se a ideia – completamente equivocada e ineficaz – de que amor é isso: uma queda de braços, um interminável vai-e-vem de destilar a própria raiva à custa do outro para, em seguida, arrepender-se e fazer as pazes. Mas acontece que isso só serve para desgastar a relação, acumular mágoas e amontoar frustrações.

O que sobra? Cada qual no seu limite, a sensação de que não vale mais a pena. Pronto: este é o começo do fim! Um fim medíocre, sem uma razão que realmente o valha, mas – ao mesmo tempo – com todas as razões que foram – irresponsavelmente e pelos dois – cavadas, acumuladas e amontoadas dia após dia!

Talvez você diga: eu bem que tento conversar, mas o outro não tem condições! Ok, mas você tenta quanto? Até o outro dar a primeira resposta torta e grosseira e você pensar: ah, mas não vou mesmo ficar aqui ouvindo isso, e daí aumenta o tom de voz o máximo que pode para deixar bem claro que você tentou, mas que com ele é impossível? Ou, talvez, simplesmente desiste da conversa e sai, alegando sua superioridade?

Assim, pode estar certo de que não vai funcionar! Se você realmente deseja se entender com quem ama, tente mais! Tente até o fim. Não aumente o tom de voz, fale com calma e repita, quantas vezes forem necessárias, que você deseja compreendê-lo. Para tanto, faça perguntas, peça para que ele explique como está se sentindo, por que reagiu de tal forma, enfim, esmiúce detalhe, interesse-se de verdade pela dor do outro e tenha a certeza de que isso, sim, é amor!

Mais do que declarar o que você sente, mostre! Afinal, pode apostar: amor não é algo que se sente. É algo que se faz!


Rosana Braga 

11 comentários:

Claúdia Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Multiolhares disse...

tens razão o amor é algo que se constrói algo diferente da paixão, mas no amor tem de haver respeito acima de tudo, paciência, entrega, saber escutar entre tantas outras coisas, mas até saber escutar hoje é difícil para a maior parte dos seres.
bjs

orvalho do ceu disse...

Oá, querida Lena
Nãofoi à toa que Inácio de Loyola nos deixa o seguinte:
"O amor se põe mais em obras do que em palavras"...
Bjs de paz

Aleatoriamente disse...

Bem intenso.
Lena passei para deixar um beijo.

Fernanda

Sobre o Tempo disse...

Os desentendimentos em relacionamentos são cada vez mais comuns. Talvez por causa dos vários problemas do dia a dia. Os casamentos já não duram muito tempo e o ser humano está sempre a procura de um relacionamento que seja duradouro, mas acaba frustrado nesta procura. Ótima semana!

Regina Brissac disse...

Perfeito! parabens pela abordagem muito verdadeira! bjs
Regina Brissac

Malu disse...

Pois sim, é isto mesmo!
A ARTE da comunicação num relacionamento equivale a um fio de ouro.
Um texto muito bem escrito.
Obrigada por ir pelo meu INFINITO.
Também estarei aqui.
Abraços

Carla Farinazzi disse...

Oi Lena,

Rubem Alves uma vez publicou um texto em que dizia que há casamentos que são como um jogo de tênis e há casamentos que são como um jogo de frescobol (casamentos = relacionamentos).
No casamento jogo de tênis, um está contra o outro, a obrigação de cada um é rebater e não deixar a bola cair no chão. Aquele que deixar de rebater ou deixar a bola cair perde. No casamento frescobol, os dois jogam juntos, e se a bola cair, os dois perdem.
Achei a comparação fantástica.

Beijos

Carla

mentoresdeluz.blogspot.com disse...

ola amiga passei por aqui para deixar um abraço bjs com carinho lindo texto
bastante polemico no meu ver,
eu acredito que o amor em primeiro lugar deve ser sentido,como o
vento no rosto a chuva no corpo
a magoa no peito,mas o pensamento
e o sentimento independe de cada ser.
com carinho marlene

R.B.Côvo disse...

Para mim um dos maiores pilares do Amor é a compreensão. Abraço.

Leandro Ruiz disse...

Olá!!! Boa tarde!!

"Diante de alguma dificuldade, se você estiver para desanimar, aqueça os sentidos, revigore a fé, e ouvirá a voz da consciência Dizer: " Persevere e vencerá ". (Renato Kehl) (Bob Marley)

Paz e bem!!!