5 de outubro de 2011

Na contramão dos sentimentos



Outro dia, conversando com uma amiga, ela me contava sobre o término de seu relacionamento. Falava sobre o quanto estava triste, o quanto havia ficado angustiada e decepcionada com a conversa que tiveram quando ele decidiu romper o namoro.

Como é de costume, percebi que aquele desabafo servia para que ela se sentisse um pouco melhor, afinal, num momento como esse, tudo o que desejamos é um pouco de amparo e acolhimento daqueles que gostamos e em quem confiamos.

Tentei fazer isso. Mostrar o lado bom da situação. Ponderar sobre o que estava acontecendo há algum tempo entre eles e que não vinha fazendo bem a nenhum dos dois e tal.

Nossa conversa seguia muito bem até que ela fez um comentário - infelizmente, não tão raro quanto eu acredito que deveria ser. Como a maioria das pessoas faz após uma briga ou um rompimento, ela também se queixou de um comportamento que teve diante dele, enquanto a delicada e dolorosa decisão era tomada.

Disse que de tudo o que acontecera, do que mais se arrependia era de ter chorado, de ter demonstrado o quanto gostava dele e o quanto seria difícil esquecê-lo. Lamentou-se por ter sido tão fraca e por ter deixado que ele saísse por cima da situação.

Por alguns instantes fiquei pensando se deveria manifestar a minha opinião - tão contrária à dela - naquele momento, ou se deveria deixar para um momento menos emocional. Mas concluí que, justamente por estar tão mobilizada, talvez fosse aquela a hora de perceber o quanto a transparência e a manifestação do coração eram importantes e humanas.

Comecei questionando por que será que a maioria das pessoas acredita que demonstrar um sentimento verdadeiro, expor o coração e especialmente chorar diante do outro é ser fraco, é ser um perdedor, é ficar por baixo, inferiorizado e diminuído? Não seria exatamente o contrário?

Será que inverter as aparências é realmente um sinal de fortaleza ou de superioridade? Será que erguer os escudos e apontar as armas ao outro é realmente a melhor maneira de nos sentirmos bem, aliviados e satisfeitos diante de uma circunstância onde, na verdade, o coração está sangrando, doendo, sofrendo?
Até entendo que temos medo de sermos atacados no momento em que baixamos nossas armas, mas não é isso o que tenho visto, nem em minhas experiências pessoais e nem nas experiências que tão atentamente procuro observar.

O que descubro, cada dia mais, é que um coração - diante de outro - se rende quase que inevitavelmente, desarmado pela sutileza de sua grandeza, de sua verdade. Ou seja, quase sempre que demonstramos o que realmente estamos sentindo, seja este sentimento recíproco ou não, o outro não se atreve a nos machucar mais.

Muitos de nós somos dotados de uma inteligência afetiva que nos faz reconhecer a coragem de alguém que, apesar de seu medo, se despe de seu orgulho, de sua arrogância, deste desejo mesquinho de querer parecer o vencedor, e simplesmente é gente, com todas as limitações que esta condição lhe confere.

Porque quando baixamos o tom de voz, embargada por uma dor que é intransferível, quando não nos escondemos atrás de frases-feitas, de acusações incessantes e de uma postura medíocre e artificial, o que fica à mostra é uma alma que segue seu destino com humildade e dignidade, e um coração que se recusa a andar na contramão!



Rosana Braga 

17 comentários:

Célia disse...

O amor e o amar é um artifício da inteligência emocional que poucos alcançam exatamente por se negarem a renunciar do orgulho e na humildade se instalar dando ao outro toda a liberdade que o verdadeiro amor pede. Excelente a sua reflexão!
Abraço, Célia

Estrela disse...

Lena, sua postagem foi bem pertinente. O amor não deve nada à ninguém.

Anônimo disse...

Estou meio entalada,não sei se entendi ou porque me engasguei ao ler o texto...boa noite

Adriano Silva disse...

FANTASTICO ESTE POST...
HÁ MUITO TEMPO NAMOREI UMA PESSOINHA MUITO ESPECIAL QUE HOJE SEGUE SUA VIDA COM OUTRA PESSOA, ME LEMBRO QUE NOS 06 ANOS QUE PASSAMOS JUNTOS TINHAMOS MUITAS BRIGAS E D.Rs INTERMINAVEIS, TERMINAVAMOS E VOLTAVAMOS SEMPRE, PORÉM NADA MUDAVA E UM DIA EM QUE O NAMORO FOI TERMINADO NOVAMENTE DECIDI QUE EU NÃO PARTICIPARIA MAIS DAQUELA SITUAÇÃO, E FOI ASSIM DIANTE DE MUITAS LÁGRIMAS QUE NA TENTATIVA DE RECONCILIAÇÃO EU DISSE ''NÃO'', FOI DOIDO, CHORAMOS MUITO...E HOJE 02 ANOS DEPOIS VEJO QUE FOI A MELHOR ALTERNATIVA... ESTOU COM OUTRA PESSOA E ME SINTO MUITO FELIZ...DO ANTIGO RELACIONAMENTO FICOU UM IMENSO CARINHO...SEI QUE SE UM DIA EU PRECISAR DE UM OMBRO SINCERO SEMPRE TEREI E A RECÍPROCA TAMBEM SERA VERDADEIRA...

NA VIDA É PRECISO PORNTUARMOS AS COISAS... PRA QUE AO FINAL NÃO FIQUE A SENSAÇÃO DE QUE NÃO VALEU Á PENA... DEU CERTO DURANTE O TEMPO QUE FICAMOS JUNTOS...SÓ ISSO O DEPOIS É O DEPOIS...


NÃO HA POR TER VERGONHA DE TER SE LEVADO UM PÉ NA BUNDA....

O Universo dos Pensamentos disse...

"O que descubro, cada dia mais, é que um coração - diante de outro - se rende quase que inevitavelmente, desarmado pela sutileza de sua grandeza, de sua verdade. Ou seja, quase sempre que demonstramos o que realmente estamos sentindo, seja este sentimento recíproco ou não, o outro não se atreve a nos machucar mais."

Totalmente, real.

Belos textos, parabéns pelas escolhas.

Bjos

ॐ Shirley ॐ disse...

Já disse antes, Lena, que sempre aprendemos mais com as suas postagens. A lição de hoje foi proveitosa, não precisamos esconder nossos verdadeiros sentimentos nunca. Beijos, querida!

RELTIH disse...

GRACIAS, GRACIAS, MUCHAS GRACIAS!!!!
BESOS

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Muito bom este texto. Também não entendo por que há tanta preocupação em " ficar por cima " ou "ficar por baixo", quando o caso é abrir o nosso coração. E é muitas vezes essa falta de autênticidade, de verdade que faz com que um relacionamento acabe, seja no amor, seja na amizade. Os sentimentos tem que ser verdadeiros e não há que ter problemas em abrir o coração e mostrar o que ele sente. Um beijinho, amiga e fica bem. Obrigada por esta reflexão.
Emília

Rô... disse...

oi Lena querida,

mesmo sabendo das dores,
mesmo sentindo que a transparência do nosso coração
nos expõe a uma vulnerabilidade enorme,
ainda assim prefiro a sinceridade,
a demonstração total de sentimentos,
cabe ao outro decidir se vai nos machucar ainda mais,
ou se vai dizer o que sente,
ou não sente mais,
de uma maneira mais sutil,
respeitando o que estamos sentindo,
ou tendo que aprender a deixar de sentir...

beijinhos

Cristina Ramalho disse...

Oi Lena, adorei demais esse post, tbém concordo com vc, não temos que ter medo de nos despir de coração, eu já fiz isso, e não me arrependo nem um pouco, até respiro mais leve e solta, embora tenho perdido a batalha, não perdi minha dignidade... grande abraço

mfc disse...

A verdade dos sentimentos nunca será um sinónimo de fraqueza.

Meire disse...

Bom dia lindona!
Acho que esse lance de deixar o orgulho falar mais alto que o coração num está com nada, totalmente fora de moda. Viver é ter a coragem de seguir o coração, de tbm mostrar fraquezas guardadas. Ninguém nesse mundo é feito de ferro, somos de carne e osso e temos uma alma e coração que quando trabalhando juntos mesmo em momentos de tristeza sabemos que um novo amanhecer mais bonito irá surgir :)
Bela imagem Estrelinda, os olhos bem parecidos com os meus...a parte branca rsrs

bjokitas estaladas, cheinhas de muita alegria pra deixar esse dia que é especial pra ti mais colorido e abençoado!

A.S. disse...

Lena,

É sempre uma delicia te ler...


Beijos,
AL

marlenedegoes disse...

lena minha querida estou sentindo muito sua falta no blog porque em meu coração voce está sempre presente,
lindo seu texto profundo e maravilhoso como o amor quase sempre inesplicavel,indecifravel,inesquecivel,para quem ja amou um vez que fosse
um abraço minha querida bjs marlene

ValeriaC disse...

Oi Lena, que maravilha de texto...até meu próximo post no Doce Filosofia vai ter como tema, relacionamentos que terminam.

Ontem mesmo conversando com meu filho mais novo, que é apaixonado pela namorada e estava dizendo a ele que achava muito legal, quando o casal se gosta, se dá bem e que se por acaso um dia eles terminassem, não deviam lamentar absolutamente nada do que houve entre eles...é assim que eu penso, que em cada relacionamento tem que haver amor sem economia, sem medo, porque o sentimento que se sentia no momento é o que vale e na verdade tudo é sempre aprendizagem, mesmo quando nos doí muito.

O orgulho só serve pra atrapalhar, não existem vencedores num relacionamento, existem dois seres humanos que estão tentando ser felizes, mesmo que separados.

Ninguém é menos e nem deve se sentir assim porque se entregou num relacionamento que acreditava, que deixou os sentimentos fluírem. Pelo contrário, feliz e corajoso quem ama ou ao menos tentou amar...

Boa tarde querida...beijos...
Valéria

Tatiana Kielberman disse...

Ir contra os sentimentos do coração é uma grande roubada... Afinal, sempre retornaremos a eles, por bem ou por mal!

Beijos, amada!!

Severa Cabral(escritora) disse...

...Olá meu docinho !
postagem interessante...depois voltarei para ler,estou fugindo do trabalho para te deixar um xeroooooooooooooooooooooo de boas vindas!
bjssssssssssssssssssss