10 de abril de 2012

Não se estresse com problemas que não são seus...



Já deve ter acontecido com você, ou pelo menos já ouviu alguém comentar que está se sentindo irritadíssimo com o comportamento de determinada pessoa, seja no trabalho, em casa ou entre amigos.

Em geral, é com quem a gente mais convive que, de repente, começa a se sentir incomodado com determinadas atitudes e certos comportamentos. E quando isso acontece, a tendência é que você passe, mesmo sem querer, a observar ostensivamente tudo o que a "irritante" faz. É como se estivesse programado para flagrar aquilo que considera todas as suas mais descabidas e absurdas atitudes.

A partir de então, para começar a se sentir profundamente incomodado com o fato de estar no mesmo ambiente que a "dita cuja", não demora quase nada. E lá se vão seus dias de paz. Ir para o trabalho ou voltar para casa se transforma numa tortura e, consequentemente, seu rendimento e sua criatividade ficam visivelmente comprometidos.

Se essa pessoa que está incomodando for da sua equipe, certamente terá de fazer uma autoanálise crítica, tentar ser o mais justo possível e, se for o caso, conversar com ela ou com seu superior para tentarem encontrar uma solução consensual e saudável para todos.

Certo dia, uma mulher me procurou para contar que já não sabia mais o que fazer porque seu chefe, o dono da empresa, contratou a própria filha para trabalhar na empresa e, para seu desespero, colocou a menina para ser sua assistente.

Acontece que ela chegava tarde, não saía do telefone, às sextas nem voltava do almoço e parecia bem pouco interessada em assisti-la. No frigir dos ovos, ela nem ajudava e nem atrapalhava, mas o fato é que essa mulher passou a se sentir profundamente irritada com a presença da "filhinha do papai". Seus dias se transformaram, por conta desta irritação, num verdadeiro inferno, como ela mesma me descreveu.

Chegou a ponto de ter de se consultar com um médico, porque passou a sentir dores de cabeça e de estômago praticamente todos os dias. Recorreu a mim na esperança de que eu lhe desse uma receita de como proceder nesta situação.

A questão era delicada, sem dúvida. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de, no final das contas, ela não estar sendo diretamente prejudicada com a presença da garota lá. Bastaria que ela simplesmente cumprisse suas obrigações e se mantivesse tão indiferente à "filha do chefe" quanto ela vinha se mostrando a todo o contexto.

Sugeri que refletisse sobre por que as regalias que a menina tinha a incomodavam tanto. Ela argumentou que era porque a situação era injusta e desigual. Então, pedi para que se perguntasse por que era tão difícil lidar com essa desigualdade, que era um fato, à medida que a menina ocupava o lugar de filha do dono da empresa. E ela terminou concluindo que, no fundo, no fundo, vinha se sentindo explorada, pouco valorizada e sem nenhum benefício dentro da empresa.

Sendo assim, aconselhei-a que conversasse com seu chefe e declarasse sua insatisfação, mas citando única e exclusivamente as suas queixas, sem tocar no nome da filha dele. Afinal, ela não era um problema seu. O resultado do diálogo foi liberador e compensador, aliviando completamente a tensão antes existente no ambiente de trabalho.

Enfim, muitas vezes, é bastante inteligente focarmos em problemas reais, caso eles existam, e, ademais, usarmos aquela assertiva tão usual entre os adolescentes: "ema, ema, ema... cada um com seus problemas". Senão, a gente termina desperdiçando vida e felicidade desnecessariamente.




Rosana Braga 



14 comentários:

Rô... disse...

oi lena querida,

passei por algo semelhante,
mas no ambiente familiar,
depois de muito me sentir mal e doente,
resolvi que não queria mais isso pra mim...
simplesmente me afastei e só convivo quando não tem mesmo jeito,
caso contrário,
ado,ado,ado,
cada um no seu quadrado...

beijinhos

TECENDO PENSAMENTOS disse...

Um texto inenarrável, li e reli e com certeza voltarei sempre. Que mente tens em:? soube como pucos conduzir maravilhosamente esta crônica... muito obrigado por fazer-me refletir um pouco. Um abração fraterno. Estamos aí também veja se gosta.

Célia Rangel disse...

Oi, Lena! Depois que adotei o "ema-ema-ema"... sinto-me muito melhor, inclusive me policiando para não contaminar meus seres conviventes com os "meus problemas"...[rsrs]
Bj. Célia.

josenaide coelho disse...

Eitcha lêlê... madeira de dar em
doido!madeirinha vc acertou de cheio esse texto de hoje,beijinhosss!!!!kkk.

josenaide coelho disse...

Foi de cheio esse texto!!!
Aplausos pra ti!
E boa noite sabe tudo...
Linddooooooooooooooooooooo.

Elisa T. Campos disse...

Lena
Inteligente e oportuno texto.
Acho que esse tipo de situação é comum em todas as repartições de trabalho.
Vou adotar esse refrão ema, ema, ema
cada um com seus problemas.
Parabéns.

Beijos

Palavras disse...

Oi Lena,

O texto de hoje foi escrito para mim!

Alguém me põe na linha com a Rosana Braga!!!! Please!!!

Beijos

Leila

Leninha disse...

Minha querida Lena,

Oportuno e inteligente texto,amiga...muitas pessoas vivem se martirizando e sofrendo no ambiente de trabalho,por conta de pessoas que atropelam os seus sonhos e invadem suas vidas.
Vamos deixar que estas preocupações ocupem o seu verdadeiro lugar e viver a nossa vida e a nossa felicidade.

Bjssssss,
leninha

Fillipa disse...

Muito bom sue blog :}
Estou te seguindo,se puder passa no meu blog para conhecer..
http://palavrasaoventoo.blogspot.com.br/
Beijos!

Maria disse...

Minha amiga excelente texto.
Bom domingo e uma semana maravilhosa.
Beijinhos
Maria

Mais Feminina disse...

Texto maravilhoso e muito bom seu ponto de vista, se todas pensassem assim muita coisa se resolveria na paz, mas quem nunca teve problemas com colegas de trabalho né e é bem difícil conviver com isso. bjus ate mais

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Sempre textos da vida real,muito interessante, para um boa reflexão, levando-nos a reconsiderar as nossas "posturas"...

Um abraço, Lena,
da Lúcia

Marli Boldori disse...

Lena,seu texto foi uma dose de medicamento acertivo para mim, pois vivo esta situação na família,o que torna-se mais difícil de contornar,mas estou tentando fazer o possível para viver melhor.Obrigada por tão rico texto.Um grande abraço!

Roberta Berrondo disse...
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