6 de junho de 2012

Deixando de recriar padrões



Todos nós temos uma tendência a repetir padrões de comportamentos em nossos relacionamentos, e estes se intensificam principalmente nos relacionamentos afetivos. Por mais amor que recebamos durante a infância, parece que nunca é suficiente e, inconscientemente, estamos sempre buscando preencher e encontrar o que não recebemos de nossos pais. A intenção não é de forma alguma culpá-los, que com certeza nos deram o que tiveram ou até se superaram para não repetirem o que receberam, mas como podemos perceber, os padrões se repetem. Se você tem filhos já deve ter percebido muitas vezes que aquilo que disse a si mesmo que não repetiria, de repente, se vê fazendo exatamente igual. E isso acontece com muito mais frequência do que gostaríamos. 

Inconscientemente, todos tendemos a reproduzir a situação já conhecida da infância na escolha de um parceiro. Muitas vezes a escolha será de acordo com aspectos semelhantes aos do pai e/ou da mãe. Sim, você pode achar um absurdo fazer uma escolha como essa, mas acontece. Procure pensar em algumas características de seu pai e/ou sua mãe e compare-as com as do seu parceiro. Algo em comum? Você poderá descobrir muitas coisas sobre seu relacionamento. Ou sobre sua última relação afetiva. Geralmente, descobrimos em comum as queixas que tínhamos de nossos pais. Pode ser que ao ter conhecido seu atual parceiro isso não tenha sido percebido, mas com o passar dos anos... pode ficar muito claro. 

Muitas pessoas sequer têm consciência do sofrimento do passado e muito menos do quanto pode estar afetando sua vida atual. E muitos adultos, continuam não percebendo as necessidades que trouxeram de quando crianças. Você pode até se lembrar de ter tido uma infância feliz, e pode ser que tenha tido mesmo, mas também pode ser que aquilo que o feriu profundamente tenha ficado muito bem escondido em alguma parte de seu ser, mas de alguma forma se faz presente neste momento. 

Para identificar o quanto o passado ainda interfere em sua vida, pense em um problema que esteja vivendo no momento. Para isso, procure não usar a razão. Evite também pensar que seu problema atual seja por culpa de alguém, isente ainda a raiva, a ansiedade, suas frustrações, isso seriam as justificativas racionais para tal problema. Considerando tudo isso, pense novamente num problema atual, sem racionalizações, sem defesas, sem justificativas. Qual é a resposta? Vamos supor que sua resposta tenha sido que o problema atual seja não ser amado. Agora olhe para trás e procure lembrar-se de sua situação com seus pais: o que lhe deram, como se sentiu realmente em relação à sua infância? Talvez você perceba que a mesma mágoa ou dificuldade de antes é a mesma do momento atual.

Considerando o exemplo acima como problema atual sendo não ser amado, poderemos encontrar no passado exatamente a mesma necessidade: não ter sido amado, ou ao menos, não amado como gostaria de ter sido. Eureka!!! E agora? Você pode agora perceber que sua necessidade inconsciente em recriar sua mágoa da infância não se faz necessária conscientemente. Ou seja, você pode parar de recriar situações da infância, que em geral, são em busca de amor, atenção, reconhecimento, ao tornar consciente o que até o momento estava totalmente inconsciente. E o que tudo isso tem haver com a escolha dos parceiros? Tudo. Se conseguir identificar o que está buscando, por exemplo, amor, não irá mais buscar de uma maneira impulsiva e muitas vezes até inconsequente. É muito diferente quando sabemos o que necessitamos e nos tornamos responsáveis por suprir nossas necessidades emocionais, de quando fazemos isso de forma cega, no escuro, ou seja, de maneira inconsciente. 

Quando o conflito da criança é percebido conscientemente não haverá mais a necessidade de recriar situações semelhantes. Isso acontece com o intuito de que ao recriar a situação já conhecida e não resolvida da infância, você possa agora resolvê-la. Mas na verdade, só a resolvemos quando a enxergamos, quando conseguimos torná-la consciente. Para isso é importante muita reflexão, observação, principalmente dos seus sentimentos, ou seja, é preciso autoconhecimento. Quais são os sentimentos que você tem tido? Responder essa pergunta pode ser um bom começo. O que você espera de seu parceiro e que não tem recebido? Será que não é exatamente aquilo que não recebeu de seus pais? Concorda que o que seus pais não lhe deram é muito difícil alguém te dar? Por quê? Simplesmente porque não são seus pais. Essa é uma diferença importantíssima e que deve ser considerada, pois assim poderá sim desejar amor e ser amado, mas não irá esperar que esse amor compense aquilo que não recebeu. Compreenda e perdoe aqueles que não lhe deram o que você esperava. Libertando-os, estará libertando a si mesmo.

Rosemeire Zago

4 comentários:

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida Lena
Muitos dos nossos comportamentos são trazidos de distâncias... das diversas fases das nossas vidas... mas ainda bem que a Resiliência nos alcança...
Bjm de paz

Leandro Ruiz disse...

Lena que prazer regressar aqui e ver que a beleza neste espaço continua...


Paz e bem!
www.lleandroaugustto.blogspot.com
www.eu-e-o-tempo.blogspot.com
Atenciosamente;
Leandro Ruiz

Mensagens Abençoadoras disse...

Oi Lena, muito legal esse texto,é muito importante que possamos entender que se passarmos a vida buscando nos outros o que não não achamos na infância, adolescência ou ou em nós mesmos, seremos eternos insatisfeitos...
Com amor
Marly
¨* se puder visite o blog do meu amigo Jaime , vc irá gostar
artesdereis.blogspot.com/

Sandra Portugal disse...

Compreensão e perdão....andei lendo muito sobre o significado pleno dessas duas palavras essa semana no livro sobre Nossa Senhora Desatadora dos Nós, que me trouxe enorme alívio e me fez exercitar o perdão de uma forma diferente que nunca antes havia conseguido!
Obrigada pela sempre bela postagem no Amadeirado!
Saudades de você no Projetando,
bjs Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com//