26 de julho de 2012

O que é maturidade emocional?



O pavio curto é aquele que facilmente “explode” o famoso “tolerância zero”. A pessoa que age como um pavio curto na vida, é na verdade comparável a uma “criança mimada grande”, que nega-se a aceitar seus próprios limites e os limites dos outros faltando com o respeito a si e aos demais. 

Em nosso aprendizado de relacionamentos, absorvemos nossa cultura e através dela aprendemos a reagir. Enquanto bebês, precisamos da sensação de onipotência oferecida por nossa mãe ou cuidadores. Essa sensação é resultante de termos o que precisamos, no momento que precisamos. O bebê tem fome e recebe o alimento tem frio e é acolhido, tudo isso num ritmo que o faz “pensar” que tudo faz parte dele, tanto a fome como o alimento. Mundo interno e externo ainda estão confusos e misturados, é a fase em que o bebê ainda não possui a noção do que é dele e do que não é. Essa sensação primária de onipotência é extremamente importante e ajuda o bebê em seu desenvolvimento e na formação de sua identidade emocional. O esperado é que gradativamente o bebê passe a perceber esses limites ao passo que comece a vivenciar algumas pequenas frustrações, como por exemplo, ter de esperar pelo leite. Este delicado e complexo caminho do desenvolvimento humano foi estudado em minúcias por vários especialistas em comportamento e desenvolvimento emocional.

Durante nosso desenvolvimento caminhamos dessa sensação de Onipotência/Impotência para a percepção clara de nossos limites e potencialidades que poderíamos chamar de poder pessoal, ou simplesmente de maturidade emocional. Na vida adulta nos descobrimos interdependentes com o meio, precisamos nos relacionar para sobreviver, precisamos do outro e o outro de nós. A maturidade emocional se faz quando percebemos esta difícil e delicada inter-relação, pois para nos relacionarmos precisamos conhecer nossos limites e os limites do outro. A sociedade impõe regras inerentes à sua cultura e o ser humano impõe regras inerentes à sua saúde emocional. 

Estamos todo o tempo nos relacionando em diferentes papéis sociais, quanto maior nossa clareza sobre nossos potenciais, limites e responsabilidades, maior nossa capacidade para perceber o outro como ele é, pois nos tornamos capazes de trocar de papel, nos colocarmos no lugar do outro, entendendo melhor suas motivações e atitudes. Ganhamos a possibilidade de tornar a vida mais “ensolarada”, e menos “nublada” por nossas desconfianças , medos e conclusões equivocadas. Vamos dar um exemplo: se estamos nos sentindo carentes afetivamente teremos a tendência a olhar o mundo como povoado por seres egoístas e pouco afetivos. Não conseguimos ver aquilo em que não acreditamos, se acreditamos que não poderemos receber afeto, realmente não receberemos, simplesmente pelo fato de que não estaremos abertos a perceber o que já temos, apenas o que nos falta. 

Existem muitas pessoas que vivem se lamentando de suas amarguras e ressentimentos com o mundo, cobrando algo que a muito elas não oferecem... amor, atenção, carinho e respeito. O pavio curto é na verdade alguém que tem dificuldade em aceitar seus limites e frustrações, não consegue lidar com eles, portanto grita primeiro numa desesperada tentativa de evitar a frustração. A fantasia associada é a mesma que o bebê tem, ou seja, de que não conseguirá sobreviver à dificuldade e que não tem recursos internos que o ampare. A nossa capacidade de tolerar frustração é a base da maturidade emocional principalmente porque nos dá a habilidade necessária para distinguir fantasia de realidade. O ser humano é falível, porém, cheio de potenciais que precisam ser descobertos para serem estimulados e aproveitados. 

A energia de vida humana é o que nos move, o que nos impulsiona para saborear a vida, quando acreditamos que o mundo nos deve algo, que ele é “mau”, uma das saídas emocionais que algumas pessoas encontram é agredir o mundo, usando esta energia para este fim. O mundo não é bom ou mau, ele é as duas coisas, como o ser humano. O “pavio curto” agride o mundo numa desesperada tentativa de se defender, como se ele estivesse antecipando o ataque que acredita que receberá. 

Se você já está esmurrando a mesa, ao passo que vai lendo este artigo, não se preocupe, ser “pavio curto” é uma dificuldade emocional e não uma doença, portanto a busca de autoconhecimento e de superação de seus limites é possível e está a seu alcance. Não podemos esquecer que você, que se considera uma pessoa de temperamento explosivo, pode aprender a utilizar essa sua energia à seu favor. Existem outros aspectos também relacionados a esta característica emocional, como a dificuldade de perdoar e de ser humilde para reconhecer seus erros e suas dificuldades. 

No processo psicoterapêutico buscamos desenvolver a autoconsciência ou seja, a capacidade de observar a si mesmo e descobrir o que sente, o que pensa e o que percebe aprendendo as diferenças sobre essas coisas e descobrindo novas formas de reagir, tornando-se mais “dono de si”. 

A arte de fazer escolhas ou nossa capacidade de tomar decisões está relacionada à noção de ter de perder algo para ganhar algo e relaciona-se com nossa capacidade de avaliar os reflexos de nossos atos, assumindo a responsabilidade pela conseqüência de nossas ações. 

A maturidade emocional implica também na compreensão de que a onipotência é apenas uma ilusão criada por nossa mente inicialmente primária, para nos ajudar a sobreviver à nossa fragilidade emocional. Precisamos desenvolver nossa capacidade de rir de nós mesmos, num movimento de aceitação tanto de nossas características boas como das “não tão boas”, para que possamos ter a humildade de tentar superá-las. Negar nossas dificuldades é negar o humano que existe em nós.

Sirley Bittú

7 comentários:

Sônia Silvino (Crazy about Blogs) disse...

Oi, Leninha!!!!
Saudades, muuuuitas!
Guria... devo confessar: sou pavio curtíssimo! kkkkkk
Beijocas, querida!

Rô... disse...

oi Lena,

a maturidade emocional,é a compreensão,
o equilibrio,
o entendimento,
o perdão,
os sonhos partilhados,
as tristezas divididas,
as alegrias somadas,
e o amor se multiplicando todos os dias...

beijinhos

Michele Santti disse...

Adorei Lena!

Bj

Rejane de Fátima Pedrosa Ramos disse...

Quem é vivo sempre aparece né? (rsrs)
Eu por aqui só para dar um olá e te dar parabéns pelos teus posts maravilhosos e espaço tão charmoso.
Um grande abraço!!
Rejane

Mari Rehermann disse...

Maravilhosa esta reflexão! Já fui pavio curto, mas a vida foi me ensinando a controlar meus sentimentos e a ver as situações com outros olhos, antes de criticar. Tudo depende da maneira como olhamos para elas. Adorei o post!!

Beijos!♥

Maria Alice Cerqueira disse...

Ola querida amiga,
Uma linda Noite para voce, coberta de muita paz e Amor!
abraço muito amigo
Maria Alice

Sandra Portugal disse...

Lena esse texto abordou pontos importantes que venho meditando a respeito - lamúrias, dificuldades de aceitação de fragilidades, bom humor ou rir de nossas dificuldades, superar nossos limites, ultrapassar barreiras e transcender.... amadurecer...
ótima matéria...

e adorei o layput do blog, não sei se já está assim há tempos e eu não tinha sido perspicaz o bastante, ou se é recente!
bjs Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com.br//