1 de junho de 2013

Como não sermos vítimas de nossas próprias atitudes impensadas




Quem não conhece os problemas causados por ações impulsivas? Agir mesmo sabendo que não era a hora... falar mesmo sabendo que é melhor ficar quieto... são pequenas ações que podem gerar grandes problemas!

Quando seguimos nossos impulsos sem nos consultarmos, tornamo-nos reféns de nossas próprias ações. No entanto, podemos superar os padrões automáticos de comportamento. Isto é, sentir o impulso e ainda assim escolher como reagir.

O mundo pode nos pressionar, mas nós podemos nos autoliberar. Para tanto, precisamos inicialmente conhecer como funciona nossa mente diante das situações de pressão.

Inicialmente, precisamos aprender a reconhecer e nomear os sinais físicos e mentais de uma atitude impulsiva, para então podermos dominar nossas respostas. Mas não basta parar por aí. Será preciso treinar inúmeras vezes essa atitude interna de autoobservação para cultivar a confiança de que vale a pena não sermos vítimas de nossas próprias atitudes impensadas.

Diante de uma explosão emocional, contar até 10 antes de reagir pode funcionar. Pois quando estamos muito ativados, os impulsos advindos do centro emocional do cérebro (sistema límbico) são mais velozes do que aqueles que saem do centro racional, o córtex pré-frontal, capazes de controlar as emoções. Ao contar até 10, damos uma chance para nosso cérebro fazer um circuito neuronal capaz de ativar nossa racionalidade! Com o córtex pré-frontal funcionando novamente, voltamos a ter também a empatia para com os outros. Desta forma, já não queremos mais agredir, mas sim nos entender.

Não basta contermos o impulso agressivo, é preciso processá-lo. Pois senão iremos implodir e sofrer os danos desta energia não elaborada. 

Refletir sobre nós mesmos não quer dizer criticarmos maciçamente nossas atitudes nem tampouco nos perdoarmos justificando nossas ações com atitudes indulgentes: "Não soube fazer diferente". Ok, podemos não ter sabido como ter feito diferente... mas, a questão é: uma vez que agora sabemos queremos de fato mudar?

Observar-se requer familiaridade consigo mesmo para poder ir além da culpa e da vergonha. Observar-se significa aceitar-se diante do desconforto ao mesmo tempo em que nos motivamos e nos esforçamos para cultivar uma nova atitude. Quando nos compromissamos com a mudança interna surge o sabor de seguirmos em frente "mais leves".

Encararmo-nos frente a frente, requer mais treino do que coragem. É um hábito que nos torna pessoas mais interessantes para nós mesmos. Quando evitamos nossas emoções ou nos criticamos continuamente, acabamos por nos tornar uma péssima companhia para nós mesmos. Não é assim mesmo? Há dias em que não aguentamos nossa própria presença, nossa própria voz.

Não basta nos autocontrolarmos se não formos capazes de nos regularmos internamente. O autocontrole só irá gerar bem-estar se desenvolvermos uma percepção interna capaz de nos autoorganizarmos tanto no nível emocional como cognitivo, isto é, no nível do entendimento.

O neurocientista Daniel Siegel, em seu livro "O Poder da Visão Mental" (Ed. BestSeller), denomina a capacidade de nos observarmos como visão mental. Para ele, este é nosso sétimo sentido, sem visão mental, nossa vida é uma vida anestesiada. Neste livro, Siegel explica de modo simples e claro como nosso cérebro funciona para mantermos atitudes mentais organizadoras como a de abertura, observação e objetividade. 

Cultivamos abertura quando deixamos de lado as expectativas e recebemos as coisas como elas são, em vez de insistirmos que sejam como gostaríamos que fossem. Sem a ditadura do pensamento rígido e dos preconceitos, conseguimos ver o mundo em suas particularidades, abrindo-nos para o novo. No entanto, devido aos condicionamentos e às memórias arquivadas em experiências anteriores, em geral não nos deixamos permear pelo mundo externo. Sem tal abertura, vivenciamos a realidade externa como um prolongamento de nossa realidade interna. Isto é, o mundo será agradável ou desagradável conforme nosso humor momentâneo. 

É curioso notar como temos uma chance maior de perceber o mundo mais objetivamente quando ele se torna aquém ou em excesso de acordo com nossos desejos e necessidades. Quando tudo parece chegar de acordo com nossos níveis de expectativa não paramos para pensar que o mundo não é apenas o que pensamos e sentimos sobre ele! 

Segundo Daniel Siegel, a habilidade de observar é a capacidade para perceber o "eu" mesmo enquanto estamos vivenciando um evento. Ela nos coloca em um quadro de referências mais amplo e expande nossa perspectiva a cada momento. Ao reconhecer o ambiente em que nos encontramos, começamos a sair do comportamento habitual. Em outras palavras, se noto as nuâncias à minha volta, tenho a chance de escolher se quero interagir com elas ou não! 

Desta forma, conseguiremos adquirir objetividade: sermos capazes de pensar e sentir sem nos deixarmos levar pela força habitual destes pensamentos e emoções. Com objetividade, reconhecemos que nossos pensamentos e sentimentos como uma expressão de nosso mundo interno, mas não como uma verdade absoluta. Com objetividade, conseguimos discernir entre o que sentirmos e queremos continuar sentindo. Ao cultivarmos a aptidão de estarmos conscientes de como estamos direcionando nossa mente, ganhamos um novo espaço interior. Já não estamos mais condenados a sentir um ciúme sem controle, uma raiva que nos arrebata ou um ressentimento opressor. Saimos da paralisia interna! Podemos nos mover internamente! 

Na medida em que passamos a nos perceber com abertura, observação e objetividade, ganhamos mais e mais espaço interior, que por sua vez gera a flexibilidade necessária para fazermos novas associações. Surgem novas ideias, tornamo-nos criativos. Vívidos. 

Quanto mais espaço interior adquirimos, mais inteligentes emocionalmente nos tornamos. Curiosamente, quanto mais visão mental adquirimos sobre nós mesmos, mais habilidade temos para perceber os outros: pois quando conseguirmos sentir nosso estado mental, o caminho fundamental para a ressonância com outros também está aberto. Sem resistência para percebermos a nós mesmos e ao outro, algo totalmente novo pode ocorrer!



Bel Cesar

31 de maio de 2013

Sem medo de envelhecer



Muitas pessoas têm medo de envelhecer talvez pela proximidade da morte que isto representa. A maioria delas é apegada à ideia da finitude da matéria e se esquece ou não acredita na eternidade do espírito. A morte para elas é um mistério insolúvel, o fim da vida, dor e até mesmo castigo. Considerada um Tabu, muitos evitam até falar o seu nome, tamanho é o medo que têm dela. 

Outra coisa que contribui para a rejeição da velhice é que a humanidade está vivendo uma época em que os valores espirituais foram sendo substituídos pelos valores materiais e as pessoas iludidas passaram a cultuar somente a juventude e a beleza exterior. Infelizmente, a maior parte das pessoas veem os idosos apenas como seres decadentes, feios e senis.

Aqueles que são ligados exclusivamente às exterioridades veem os indivíduos em processo de envelhecimento como uma derrota da natureza. Preferem isolar ou excluir os idosos da sua convivência para não precisarem se defrontar com a realidade, pois é muito difícil para essas pessoas assumirem a sua própria fragilidade e efemeridade.

Já os povos do oriente, que pertencem a uma cultura mais ligada à espiritualidade e que aceitam a morte com naturalidade, veem os mais velhos com reverência e respeito. É costume pedir conselhos e opiniões aos anciões pois a sua experiência e sabedoria são reconhecidas e acatadas. As pessoas acreditam ser um privilégio viver em sua companhia e uma honra poder ajudá-los a atravessar os seus últimos anos de vida.

Na verdade, não se deve ter medo de envelhecer, pois essa é mais uma etapa natural e gratificante da vida. É importante saber que a natureza segue os seus padrões cíclicos objetivando sempre a elevação do espírito; portanto, a velhice deve ser vista como mais uma oportunidade de aprendizado. Como tudo na vida, é preciso ver a velhice como uma bênção, pois nessa fase tem-se a oportunidade de compartilhar a sabedoria adquirida, servindo aos mais jovens para que eles às vezes nem precisem passar pelas experiências mais duras, abreviando e suavizando o seu caminho.

De fato, só o corpo envelhece, pois a nossa essência é imutável e eterna e, portanto, não deve ser identificada com o corpo. Este é apenas o veículo utilizado por nós na estrada da vida. Mas é imprescindível saber que ele é o templo da nossa alma aqui e, portanto, sagrado como tudo no Universo, por isso devemos respeitá-lo e cuidar para que ele cumpra com dignidade a sua missão de receptáculo e instrumento da nossa Consciência neste plano. A espiritualidade frisa sempre que a evolução e a libertação humana só acontecem por aqui.

A velhice não deve ser rejeitada, pois ela é natural e essencial para colocarmos em prática algumas virtudes divinas como a paciência, a humildade, a aceitação e o serviço abnegado. As rugas tão temidas por algumas pessoas devem ser vistas como cicatrizes de batalhas vencidas, marcas de superações e conquistas.

Para atravessarmos bem essa fase da vida podemos nos preparar alimentando-nos corretamente, fazendo exercícios físicos leves e praticando a meditação. Outro ponto importante é manter a mente sempre livre de preconceitos e anseios, e ocupada positivamente para que tenhamos mais condições de alcançar uma idade avançada produtiva e feliz. Produtiva sim, feliz sim. Produtividade não quer dizer resultado de trabalho duro, mas a decorrência da realização interna que tem também a felicidade como consequência.

Concluindo, se pensarmos e agirmos sempre com equilíbrio, envelheceremos com mais serenidade, alegria e compaixão, e mesmo que as rugas se espalhem por nossa face, e ainda, se nos faltar a saúde em algum momento, estaremos seguros do caminho e da vitória neste plano. Estaremos em paz com nós mesmos e com o Universo, cientes que demos o melhor de nós mesmos.



Marián Marta Magalhães

28 de maio de 2013

Você ama demais?



Estou certo de que todos, ao lerem o título, dirão que sim. Que amam, que se entregam de corpo e alma. E é disso que falo: o cuidado que devemos ter no amor. 

Amar, decerto, é compromisso, entrega, mas não podemos ultrapassar os limites do ser amado, nem deixar que ele ultrapasse os nossos. No relacionamento saudável, há uma troca, um compartilhamento, uma cumplicidade feliz. Cada um é cada um. Não existe "metade da laranja", nem "alma gêmea". 

No amor maduro e real, não há duas metades se relacionando, mas duas pessoas, com suas próprias idéias, gostos e personalidades. Dois seres distintos que se unem por prazer e escolha. Não há sofrimento. 

Para saber se você está vivendo um amor de verdade, basta sentir seu coração, sua alma. Você está feliz? Não? Então, não está amando nem sendo amado. Você vive os dias pensando no ser amado? Espera com, ansiedade o telefone tocar? Conta os minutos para o próximo encontro? Isso não é amor. É dependência, e faz sofrer muito. 

O amor de verdade é sereno, faz bem à alma. Quando você ama de fato, não esquece seus amigos, seus hobbies ou o seu trabalho. Tudo é compartimentado, tem seu lugar na sua vida. Você se nutre um pouco de tudo e seu companheiro ou companheira vem acrescentar. Você o(a) escolheu, mas não precisa dele(a). 

Precisar não é amar. Canções nos incutiram por décadas a idéia de que amar é sofrer, chorar, sentir saudades e ciúmes. Essa visão não condiz com o verdadeiro amor e sim, com a falsa idéia do que é amor. Traduzindo, trata-se de dependência, e esta é um vício, uma doença a ser devidamente tratada. 

Há que se atentar para outro detalhe muito importante: você é correspondida(o)? Recebe carinho, atenção, respeito, admiração na mesma intensidade? Ou seu amor é do tipo desligado, sempre ocupado para você? Se for assim, cuidado. Você está entrando em terreno perigoso e devastador. Querer quem não nos quer é sofrimento certo, perda de um tempo precioso. E nem pense em mudar seu amado(a) se tem esta intenção, vai sofrer uma grande frustração. Provavelmente você vem de uma família na qual cresceu uma criança ávida pelo amor do pai ou da mãe. Ou ainda, sofreu abusos ou repressão, trazendo dentro de si uma criança assustada e triste. 

Portanto, preste muita atenção: se amar para você é uma escolha, está no caminho certo. Mas se você precisa de alguém para amar, alguma coisa está fora do lugar. O melhor "norte" para seu caminho é o autoconhecimento. Entretanto, se você está confusa(o) e já não sabe mais se ama ou se precisa, se está apaixonada(o) ou dependente, misturando tudo no caldeirão de suas emoções, é hora de procurar ajuda, pois você tem o direito e o dever de ser feliz. Não dependa. 



Paulo Plaisant

27 de maio de 2013

Um pouco de solidão não faz mal a ninguém!




‘Ai, eu não aguento mais ficar sozinha!’

‘Não me apaixono há um tempão! Isso me deixa com uma sensação de vazio’... 

Escutei essas duas frases, de dois amigos - uma mulher e um homem, respectivamente - na mesma semana... e fiquei refletindo: quanto tempo se leva pra amar novamente? Será que tem tempo limite? Será que tem necessariamente algo de errado com quem está só há algum tempo? Onde estão escritas as regras e os prazos de cada coração? 

Bem, a amiga que reclamou porque não aguenta mais ficar sozinha me contou que está sem namorado faz praticamente um ano e que tem se sentido extremamente carente. Todos os encontros que teve depois deste namoro terminaram em duas ou três saídas, no máximo. ‘Ninguém se interessa por mim!’, reclamou ela num tom de tristeza e lamentação. 

O amigo, por sua vez, me contou que se sente chateado porque não consegue se apaixonar por ninguém há uns três anos. Confessou que as relações que vêm tendo durante este tempo, embora sejam afetuosas, não lhe trazem aquela sensação inexplicável de estar envolvido, entregue, com aquele sorriso fácil nos lábios... 

Eu sei que o que todos nós desejamos, no final das contas, é sentir exatamente o que canta Zeca Baleiro, na música ‘Telegrama’: 

... hoje eu acordei 
Com uma vontade danada de mandar flores ao delegado 
De bater na porta do vizinho e desejar bom dia 
De beijar o português da padaria... 

Mas o fato é que isso não acontece todos os dias... E se pensarmos um pouco, não poderia ser diferente. Se fosse banal, corriqueiro, cotidiano, não seria tão transformador, não seria tão especial... 

Só que não queremos esperar. Não queremos aprender a lidar com a tristeza, com o vazio, com a solidão. Não queremos, sobretudo, aprender com todos os sentimentos que esse tempo em que ficamos sós nos traz. Aliás, sequer nos permitimos descobrir o quanto pode ser bom ficar sozinho de vez em quando. 

Muitas vezes, entramos numa ansiedade exagerada, destrutiva, que mina nossa auto-estima; e, assim, somos esmagados por uma cobrança interna que nos rouba o bom senso e a capacidade de fazer escolhas. 

Começa a valer o ditado ‘o que vier, é lucro’, mas em pouco tempo, percebemos que o preço a pagar por escolhas mal-feitas é alto demais. Relações que não nos acrescentam; pelo contrário, servem para bagunçar ainda mais os nossos dias e aumentar a sensação de frustração e de incompetência emocional. 

Claro, ‘engolimos sem mastigar’, numa tentativa desesperada de acabar com a solidão... E aí eu pergunto: por que é que resolvemos acreditar que a solidão é algo tão ruim? Será? Será mesmo que não há nada de proveitoso, de bom e prazeroso que podemos fazer enquanto estamos descomprometidos? 

E mais: será que é possível se apaixonar a cada 15 dias ou assim que acaba uma relação? Será que é produtivo emendar uma relação na outra sem ter tempo sequer de se questionar quais são seus verdadeiros desejos? 

E, por fim, será mesmo que estar com alguém é remédio para todas as nossas dores, solução para todos os nossos problemas e o fim de todas as nossas angústias? 

Penso que é somente quando relaxamos e entendemos que estar com alguém e, principalmente, apaixonar-se e sentir-se feliz são consequências de uma harmonia interna, que compreendemos que somos seres genuinamente sós e que o outro é um presente a ser compartilhado e não uma necessidade dolorida, desesperada, insana... 

Aí sim poderemos experimentar relações mais leves, mais gostosas e mais maduras ou... ficaremos sós e nos sentiremos bem. Em fase de espera, sim, mas sem tanta tristeza; apenas respeitando o ritmo dos corações e sabendo que uma relação gostosa e apaixonada acontece quando a gente realmente tem espaço para ela...



Rosana Braga

26 de maio de 2013

Sua relação afetiva está doente?




Muitas vezes nos encontramos sofrendo e ignoramos os sinais evidentes que o relacionamento que estamos mantendo não está bem e, mesmo assim, continuamos a investir nosso tempo, damos nosso amor e ignoramos os sinais e nossos sentimentos. Chegamos a ter sintomas físicos e sequer associamos com a relação afetiva que mantemos. Geralmente fazemos isso por motivações inconscientes. Recriamos situações do passado, com o intuito inconsciente, de resolvermos essas mesmas situações. E assim, mantemos os conflitos originais e perdemos a oportunidade de criarmos relações saudáveis ao permitir que nos façam sofrer e ainda lamentamos se essa mesma pessoa for embora de nossa vida. Choramos desesperadamente, e nos esquecemos completamente do quanto estávamos, ou ainda estamos, sofrendo.

Ignoramos nosso valor enquanto pessoa e fazemos de tudo para que essa relação doentia se estabeleça novamente, caso ela tenha terminado. Dificilmente, percebemos que estamos tão doentes quanto nossa relação. Para identificar como está sua relação afetiva, responda sinceramente às perguntas que estão abaixo:

Ouve constantemente o outro dizer que não teve tempo de te ligar? As palavras raramente são coerentes com as atitudes? Ou seja, o outro diz uma coisa e demonstra outra? A realidade está muito distante do que gostaria que fosse? Está sempre suportando demais, tornando seus próprios limites acima do suportável? Tem tido alguns sintomas físicos, como dores musculares constantes, enjoos  vontade de vomitar, dores de estômago, febre, urticária ou algum outro sintoma? Não há mais objetivos em comum, não querem e nem lutam pelas mesmas coisas? Sente-se inseguro constantemente? Tem feito a maioria dos programas sozinho, porque o outro nem sempre quer acompanhar? Você se sente sempre triste? Tem chorado praticamente todos os dias? Deseja controlar o outro com o intuito de ter mais controle na relação? Os beijos estão ficando escassos? A relação sexual não tem mais o mesmo calor e tesão de tempos atrás? O diálogo passou a ser uma troca de cobranças, críticas, acusações e agressões? Acontecimento do passado tem sido lembrado com freqüência, principalmente durante as brigas? Tem se sentido sem energia, cansado? Não se sente muito importante para o outro, que sempre tem outras coisas para fazer e que você não está incluído? Sua autoestima está baixa? Tem feito muito mais coisas para o outro, esquecendo-se muitas vezes de si mesmo? Está sempre esperando que o outro mude, ou ao menos, volte a ser como era antes? Vocês tem tido mais brigas que momentos de tranqüilidade, harmonia e paz? Está sempre esperando ou pedindo mais atenção, carinho, demonstração de amor? Sente falta de ter alguém para ouvir como foi seu dia, suas dificuldades? O diálogo, onde cada um fala de seus próprios sentimentos está cada vez mais escasso ou nunca existiu? Sente-se sozinho mesmo quando acompanhado?

Infelizmente esses são apenas alguns sinais de uma relação afetiva doente, pois ainda há situações de traições, mentiras, que sequer foram incluídas. Mas se suas respostas às questões acima foram mais sim do que não, provavelmente seu relacionamento afetivo está com problemas, para não dizer doente. Geralmente quando nos permitimos manter uma relação doentia, ela pode estar refletindo a doença de ambos e nesse caso é preciso muita disposição interna para enfrentar a situação da maneira que se apresenta, se desejamos que a relação, ou nós mesmos, sejamos curados.

O assunto é tão sério que muitas pessoas chegam a desenvolver algumas doenças ou têm sintomas e ignoram que isso seja a somatização daquilo que estão vivenciando. Por exemplo, a febre pode representar a raiva de determinada situação; a vontade de vomitar pode manifestar uma dificuldade em digerir alguma situação; as dores musculares podem indicar a tensão interna pelo qual está passando. Esses são apenas alguns dos sintomas mais comuns quando algo não vai bem não apenas no aspecto físico, mas principalmente no emocional. Caso esteja tendo algum desses sintomas, relacione com suas dificuldades atuais e pense se o seu corpo não está apenas refletindo seus sentimentos mais profundos.

Mas é possível se curar, buscando uma relação saudável, ou refletir se vale à pena continuar mantendo esse relacionamento. Analise como está sua relação, caso ainda a tenha, ou como foi sua última relação. É isso que deseja para você? Se pensar em como gostaria que fosse um relacionamento, o que você está tendo está próximo disso? O primeiro passo para a cura é identificar os sinais, refletir sobre as dificuldades pessoais e o quanto seu próprio histórico de vida pode estar refletindo na relação. Depois é imprescindível uma conversa franca com o outro, sem acusações ou busca por culpados, mas com o desejo sincero de tornar a relação saudável. Durante essa conversa é importante perceber se há disposição do outro em aceitar também a responsabilidade da relação estar como se mostra e se deseja tanto quanto você se comprometer com a melhora. Se isso não acontecer dependerá de você saber o que é melhor.

Há pessoas que chegam a se sentir culpadas em querer que a outra pessoa demonstre o amor que sente. Claro que cada um tem seu próprio jeito de demonstrar amor, mas algumas coisas são básicas em um relacionamento. Como alguém pode se sentir importante e valorizado tendo constantemente que pedir atenção e amor? Como se sentir seguro quando nos relacionamos com alguém que age como se tudo é mais importante que nós?

Claro que é inevitável ter expectativas quando nos relacionamos com alguém, mas isso é muito diferente de ignorar a realidade só para manter a relação, principalmente, quando os sinais são evidentes e insistimos em ignorá-los, perpetuando assim, nosso sofrimento. Muitas vezes a realidade está muito distante da verdade que gostaríamos e insistimos em acreditar. Mas lidar com a realidade, respeitando os sinais, ainda que nos cause muito sofrimento, talvez seja a maneira mais saudável para criarmos um caminho muito mais iluminado que a escuridão em que algumas vezes nos encontramos e que, infelizmente, ignoramos.


Rosemeire Zago