10 de outubro de 2010

Alguns segredos do filme Tropa de Elite 2




Sem estragar a surpresa, evidentemente, algumas curiosiidades do filme Tropa de Elite 2:

- Todos os carros das filmagens foram comprados pela produção, entre eles, uma Blazer branca, que virou camburão. Usado na ficção, o veículo possuía um histórico de irregularidades na vida real. Nos oito meses que antecederam a compra, o automóvel acumulou dezoito infrações por excesso de velocidade, o que totalizou 1 700 reais em multas. De acordo com o Detran, as multas ainda não foram pagas.

- O coronel Nascimento é vítima de uma emboscada: fechado por dois carros, o personagem escapa com um espetacular cavalo de pau. Não usou dublê, mas precisou de três tentativas para conseguir executar a manobra. Um intenso treinamento foi realizado no Autódromo de Jacarepaguá com o americano Keith Woulard, que trabalhou em produções como Hulk e Homem de Ferro. Rodada em duas madrugadas, a cena exigia uma iluminação forte o que ocasionou a troca das lâmpadas de vinte postes, além de um refletor instalado a 30 m de altura.

- O que contou na hora do convite para que Dudu Nobre atuasse no filme foi sua coleção particular de armas. Fanático por fuzis e pistolas (que mantém com autorização do Exército), ele alugou à produção várias peças para serem usadas nas gravações. Na ficção, ele realiza um antigo sonho: ser policial. Nas cenas de invasão à favela, Nobre faz o papel de um Ponta 2, que, na formação do Bope, significa uma espécie de franco-atirador. Graças ao seu desempenho, ganhou do diretor o apelido de Máquina Mortífera do Samba.

- No filme, o coronel Nascimento e seu filho Rafael, brigam durante a maior parte do tempo. A tensão familiar, que na primeira fita era concentrada nos desentendimentos com a mulher, agora é transferida para essa relação. Os únicos momentos de paz entre os dois acontecem no tatame, quando seus personagens treinam jiu-jítsu. Para fazer as cenas de luta, ambos foram orientados pelo especialista Rickson Gracie, um dos maiores nomes do esporte no mundo. Porém, em um dos treinamentos, Van Held, já cansado, levou um golpe de Moura e simplesmente desmaiou. Felizmente, nada grave aconteceu.

-Para criar os efeitos especiais, foram convocados profissionais treinados em Hollywood. Um deles é Rene Diamante, que trabalhou em Avatar. Uma das cenas que deram mais trabalho à equipe foi a de um ônibus sendo incendiado.

- Para dar mais realismo ao filme, um dos planos de Padilha era filmar cenas no gabinete do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. O pedido foi negado. Assim, o diretor teve de se contentar em tirar fotos e reproduzir o ambiente em estúdio.

- Uma das cenas marcantes é a invasão do Morro Dona Marta, comandada pelo capitão Matias. Só nessa filmagem, foram usados 100 figurantes, três camburões, um tanque e dois helicópteros. A capitã Pricilla Azevedo, comandante da UPP na favela, faz uma ponta.

-Registrada sob um calor de mais de 40 graus, a ocupação do Dona Marta levou figurantes e técnicos à exaustão. Em certa tomada, um dos atores disparava oitenta tiros numa corrida de 500 m. A cena foi repetida 14 vezes, o que significou um total de mais de 1 000 tiros.

- Por causa de uma entrevista em que revelava alguns diálogos do filme, o ator Milhem Cortaz, que interpreta o capitão Fábio, foi duramente repreendido pelo diretor. No primeiro filme, Cortaz era o aspirante 02, que, perseguido pela fúria do capitão Nascimento, acabou popularizando o bordão: “Aspira 02, pede pra sair!”

- Nas tomadas aéreas de invasão às favelas, foi utilizado um helicóptero Huey-II. Comprado há dois anos por 8 milhões de reais, o aparelho é uma versão moderna de um modelo utilizado pelo Exército americano na Guerra do Vietnã, o UH-1H. De dentro da aeronave, o capitão Nascimento orienta os policiais em combate.

- Em uma das filmagens, moradores da favela de Rio das Pedras reviveram os tempos de domínio do poder paralelo. Um motorista de van é arrancado do veículo à força por faltar com o pagamento aos milicianos e é brutalmente assassinado. A sequência promete ser tão impactante quanto a da execução de dois personagens queimados ainda vivos no primeiro filme da série.

- Sem poder usar algumas locações reais, a produção foi obrigada a filmar em cenários construídos. Um deles foi o Complexo Penitenciário de Bangu, onde acontece uma rebelião. Realizada em um estúdio de 500 m2, em Jacarepaguá, a sequência exigiu o mesmo esmero encontrado nas cidades cenográficas da TV Globo. Para erguer o presídio de mentira foram necessários 275 000 m2 de compensado, 9 ton. de ferro, 700 kg de pregos e 15 ton. de cimento.

- Com previsão para estrear em 600 salas do país, o filme nasce com um recorde: é o maior lançamento de uma produção nacional, em escala equivalente à do americano Homem-Aranha. A expectativa é que atinja a marca de 1 milhão de espectadores já na primeira semana de exibição.

- Do orçamento do filme, metade veio da iniciativa privada, sem nenhum tipo de incentivo fiscal. Trata-se de uma prática pouco comum no cinema nacional. Nesse caso, os investidores esperam apenas obter lucro com o dinheiro aplicado. Entre eles está Beto Sicupira, um dos donos da AmBev, que acaba de comprar a rede americana Burger King.

- A preocupação com vazamentos de cenas do filme se tornou uma obsessão para os produtores e diretor. Tanto que a edição final foi realizada em um apartamento no Rio, em um computador sem acesso à internet. Para evitar que cópias caiam em mãos indevidas, foi contratado também o maior especialista em distribuição do Brasil, Marco Aurélio Marcondes. Até agora, a produção foi muito bem-sucedida em sua estratégia.



Rafael Sento Sé

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