23 de fevereiro de 2011

A hora de impor limites





Essa questão é muito mais comum do que se pensa: raiva incontida. Trata-se de uma atitude impulsiva, abusiva, que precisa ser tratada e modificada, tanto a sua, a de seu parceiro, porque acaba sendo muito danosa do ponto de vista emocional e, por isso mesmo, gera medo, afastamento e muita frustração. Não importam a idade, grau de parentesco ou sexo. Importa que a raiva é um sentimento bom e protetor, mas que não deve ser indiscriminadamente dirigido nem surgir a troco de nada ou ter sempre a mesma pessoa por alvo preferencial.

Sentimos uma raiva justa e digna sempre que somos maltratados ou presenciamos alguém maltratar alguém, fazer mal a alguém, estragar alguma coisa ou machucar um animal. A esse tipo de raiva justa chamamos indignação. Ela nos faz tomar atitudes construtivas e recolocar as coisas em seu devido lugar.

Mas não é o mesmo caso quando trata-se de alguém que está descompensado e usando outro alguém como saco de pancada ou lata de lixo.

Em primeiro lugar, a pessoa que está sendo vitimada por esse tipo de agressão gratuita deve decidir se quer continuar se prestando ou não a ser usada para esses fins. O fim desse pesadelo começa com essa decisão.

O medo de dar início a uma nova dinâmica nesse relacionamento precisa desaparecer. Se houver medo de mudar, não vai funcionar. O medo de um alimenta a agressividade e a covardia do outro e vice-versa. Uma vez que a decisão de mudar essa dinâmica tenha sido tomada, o próximo passo é: afastar-se da pessoa que está atacando. Começou o ataque? Saia de perto. Não importa a hora nem o lugar. Largue a pessoa falando sozinha. Estão em público? Saia de perto. É de noite? Saia de perto e vá para a casa de um vizinho.

Tem vergonha de fazer isso? É porque o medo de mudar ainda não passou. Reforce a decisão inicial de vencer o medo. O manejo da raiva destrutiva passa pela necessidade de fazer uma TCC - terapia comportamental-cognitiva, que trabalha na percepção e na reestruturação dos modos de pensar, de perceber o mundo, a relação entre os eventos, o que é e o que não é passível de modificar na gente, enfim, o método leva a pessoa a criar condutas outras que lhe permitam expressar suas raivas positivas e não, simplesmente, a despejá-las inadequadamente, sem se dar conta de seus efeitos danosos sobre as pessoas com as quais convive, o que acaba por gerar um verdadeiro efeito boomerang: é fácil justificar ter agido mal com alguém, só porque esse alguém agiu mal com a gente antes!

Tem gente que tem raiva incontida por puro hábito. Porque não foi educada para se conter. Feito criança mimada. Mas tem gente que sofre de distúrbios afetivos. Seria interessante conversar mais longamente com um médico, sabe? Buscar um bom psiquiatra, fazer uma boa anamnese (traçar um histórico de vida) dele e sua, porque você também pode ter o mau hábito de se prestar ao papel de vítima. Daí se juntam a fome com a vontade de comer. Então, os dois precisam se corrigir. É preciso estudar com carinho se você não estará gerando um campo fértil e propício para que essa pessoa cometa esses ataques a muito tempo, por não ter reagido antes, por não ter-se posicionado melhor, por nutrir algum medo em relação a essa pessoa, até chegar no que chegou.

E é preciso, também, observar melhor e levar essa pessoa ao médico (tudo a seu devido tempo) para saber se há ou não outros fatores agravantes associados: abuso de álcool, consumo de drogas, um distúrbio metabólico, enfim, há sérias questões de ordem médica que podem piorar o humor de uma pessoa e que, sem se dar conta, desconta na pessoa mais próxima que, no caso é você.

De qualquer forma, não fique sozinha nessa história toda. Convoque a família. Se não todos, chame algum filho, algum irmão seu ou dessa pessoa e, se não os tiver, algum amigo ou amiga. Boa sorte!


Ana Fraiman

Um comentário:

Kiro Menezes disse...

Medo! É disso que se trata quando se QUER mudanças, e não se faz nada. Em qualquer nuance da vida...!

Beijinhos linda!!! Amei aki...