23 de abril de 2011

Porque os amores se perdem




O mais difícil de entender quando os amores acabam, são os porquês.
Por que duas pessoas que se encontraram e se encantaram, viveram um amor que parecia indestrutível, se separam?
Por que o amor geralmente acaba de um lado só e é o outro que fica chorando e querendo entender as razões?
Amores deveriam ser eternos, mas nem sempre são.
Costumo comparar casais à chave e fechadura.
Nem toda chave abre todas as portas e é necessário encontrar aquela exata que vai se encaixar perfeitamente e tudo será possível.
Mas a gente acredita que cada vez que alguém toca nosso coração e entra,
que é definitivo.
Um casal que se apaixona de início, sem que um tenha tido o tempo de desnudar o outro nas suas verdades, acredita nessa chama e até briga por ela muitas vezes.
E cria-se sonhos, planeja-se o futuro...
Enquanto isso os dias vão passando, toma-se menos cuidado em manter a magia e a parte dos dois que é mais sonhadora começa a sentir-se incomodada.
Dá medo.
Medo de ter que olhar bem nos olhos da realidade e dizer:
Acabou!
Medo de ter que se confessar a si próprio que ainda não foi aquela vez!
Medo da solidão, de ter que recomeçar...
Não são as decepções que matam o amor.
Se assim fosse, não existiriam perdões e reconciliações. O que mata o amor é simplesmente a tomada de consciência de que o outro não é o ser sonhado.
É como acordar depois de um longo sono e lindos sonhos.
O outro está ali, é a mesma pessoa, mas aquela neblina que dava a impressão de irrealidade já não mais existe.
E isso não acontece da noite para o dia, como se costuma pensar.
É algo que vem com os dias, os hábitos, as monotonias.
Um percebe, o outro não.
Um começa a se sentir angustiado e o outro continua acreditando ou finge que acredita.
E quando a gota que faz transbordar o vaso chega é o mundo todo que desmorona.
Porém, tudo não fica definitivamente perdido.
Sobra de um lado a dor, e os porquês, um resto de amor que teima em ficar no fundo como o vinho envelhecido na garrafa e do outro o coração dividido por não poder reparar erros cometidos e a vontade de continuar em busca de outros horizontes.
Sobra para os dois a ternura e a lembrança dos momentos passados juntos.
Por que corta-se relacionamentos, mas não se apaga momentos, mesmo
que a gente queira.
Vivido é vivido, feliz ou infelizmente.
Inútil é querer resgatar um amor que resolveu partir pra outras direções.
Quanto mais apega-se, mais ele se afasta.
E quanto mais se afasta, mais dói no outro a incompreensão.
É uma roda da qual é difícil de sair.
E é uma pena, pois os corações não merecem isso.
Quando a questão é amor, não existe justo ou injusto.
Existe o que ama, e o que não ama mais.
Precisamos aceitar que o outro não tenha os mesmos sentimentos, mesmo se isso nos faz mal, por que se o amor não for livre para se instalar onde realmente deseja, ele perde toda a razão de ser.
 
Letícia Thompson 
 

13 comentários:

Du disse...

Eu gosto muito dos testos dela. Impossivel não se identificar em algum momento.
Feliz Páscoa!
Bjs e até mais.

Kátia Tourinho disse...

Lena, minha amiga, acredite, eu sei muito bem como é essa dor que teima em não passar quando amamos, mas não somos mais amadas.
Vivo isso todos os dias e me pergunto até quando vai durar.
Não me entrego e nem muito menos permito que esta dor estrague meus dias, mas ela tá lá bem no fundo de meu coração e quando menos espero a saudade vem e como dói...

Uma Feliz Páscoa, abençoada e repleta de muito amor com gostinho de chocolate. Bjs de luz

Claúdia Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
olharbiju disse...

Olá.
Texto bem recheado de sentimentos e verdades!
Santa Páscoa.
bjnhos
alice

Ray* disse...

Nossa, me senti tocada por essas palavras. Bela escolha de texto. A dor maior é quando vc ainda ama, e o outro não. Feliz páscoa querida.
Bjos

mentoresdeluz.blogspot.com disse...

QUE LINDO TEXTO LENA MUITO BEM ESCOLHIDO PARABENS ,UMA PASCOA MUITO FELIZ DESEJO A VOCE E A TODOS OS QUE LHE SÃO CAROS,BJS
MARLENE

Natália Rocha disse...

Que texto mais lindo.
De um assunto difícil fezistes transbordar sensibilidade.
Hoje eu falei sobre isto, disse que gostaria que os amores fossem eternos, mas infelizmente não são.
Às vezes temos que deixa-lo voar, crescer, viver, nem que seja de longe, nem que nos faça sofrer.

Beijo*
Feliz Páscoa!

Adorei teu universo e estou a segui-lo!

Seja sempre bem-vinda ao meu cantinho.

Fabiola disse...

Lena, amei a definição da chave e da fechadura. O dificil é constatar que nem toda chave abre a fechadura. Enfim...aprendemos na experiencia, ainda que dolorida !
Uma Feliz Páscoa...que a doçura do chocolate alegre seu dia !
Um abraço. Fabiola.

Fabiola disse...

Lena, amei a definição da chave e da fechadura. O dificil é constatar que nem toda chave abre a fechadura. Enfim...aprendemos na experiencia, ainda que dolorida !
Uma Feliz Páscoa...que a doçura do chocolate alegre seu dia !
Um abraço. Fabiola.

Priscilla disse...

Olá!
Passando para agradecer o carinho em meu blog!
Te acompanho agora!
Beijos meus

soniaconslt disse...

Fiquei com a imagem da chave e da fechadura.
O que acontece?
A chave se quebra ou a fechadura que é trocada?
Não deveriam permanecer um para o outro?
Isso nos faz pensar...

Poeta del Cielo disse...

Lena amiga passo a le visitar en este seu blog que alias e lindisimo me encontre con belas letras amiga un aprendizado en cada texto lindo demais amiga .... obrigado pelo convite... le sigo amiga

abracos
otima semana
saludos

C. disse...

A mesma dor de nao ser amada, é a mesmíssima de nao amar... isso é fato!