21 de abril de 2011

Você sente pena?




Não é preciso procurar muito para encontrar alguém que esteja passando por um de sofrimento. Quanto mais próximo, maior a nossa tendência em sentir pena e sofrer junto com a criatura. Há também aqueles que sentem pena de tudo e todos, até mesmo de pessoas que vêem na televisão, nas ruas ou de outras que apenas ouviram falar através de um amigo. Parece algo natural: se eu vejo alguém sofrendo, sinto-me mal com aquele sofrimento e assim tento ajudar. Se consigo ajudar sinto um certo alívio. Se não consigo ou não tenho a possibilidade, além da pena, surge também o sentimento de impotência.

Mas o que verdadeiramente está por trás do sentimento de pena de forma inconsciente? Respondo. A culpa em estar em uma situação melhor, por não carregar aquele problema que o outro carrega. Em resumo, é a culpa em ser feliz. Como posso me sentir bem se tal pessoa (filho, pai, mãe, amigo, parente, criança de rua, população de tal país...) está sofrendo? Como não nos permitimos nos sentir bem quando outras pessoas estão sofrendo (e sempre tem gente sofrendo), criamos então um sofrimento para nós mesmos: culpa e pena.

A partir desses sentimentos, criaremos ainda mais situações nas nossas vidas para nos igualarmos aos outros. Obviamente, fazemos isso na maior parte da vezes de forma inconsciente. Vou explicar melhor como isso funciona.

Vamos supor alguém que tem uma situação financeira razoável e que sente muita pena quando vê um conhecido em situação difícil. Essa pessoa poderá usar vários mecanismos para aliviar esse sentimento. Talvez ela empreste ou doe dinheiro a pessoa. Tem pessoas que vivem perdendo dinheiro dessa forma: emprestando para pessoas em dificuldades que acabam não pagando. Muitas amizades já se acabaram por isso. A pessoa pode até ficar com raiva do devedor, mas em um nível mais profundo, ela desejou perder aquele dinheiro, houve um ganho inconsciente do alívio da culpa.

Mas caso essa pessoa não possa ajudar todo mundo, afinal de contas, tem muita gente sofrendo com a pobreza e é impossível ajudar a todos, uma forma de aliviar esse desconforto é causar sofrimento a si mesma. A pessoa acaba criando situações financeiras difíceis pra sua própria vida.

Inconscientemente, quando sentimos pena das pessoas pobres é como se quiséssemos também ficar na mesma situação delas para assim aliviar a culpa em ter uma vida melhor, já que não conseguimos tirá-las da pobreza.

Pode parecer irracional, absurdo, mas o inconsciente é assim mesmo. Se você for pobre como eles, então, não há razão para se sentir culpado. Talvez você até pense que seria bom que tudo mundo saísse da pobreza, mas como não é essa realidade atual e muitos acham que não é possível que todos tenham uma vida próspera (o pensamento de que só tem pobre porque tem rico e etc...), é mais fácil sabotar o próprio crescimento financeiro e ficar numa pior para se sentir aliviado por um lado.

O cúmulo dessa sabotagem é quando a pessoa perde ou doa tudo e vira mendigo. Ela não ajudou a resolver a pobreza, mas agora não sente mais culpa, e passou a ser parte do problema. Outras pessoas agora sentirão pena e culpa ao vê-la.

Esses mecanismos sabotadores acontecem de outras formas. Uma mulher que seja muito bonita pode ser sentir mal ao ser elogiada na frente de outras que sejam, vamos assim dizer, menos favorecidas esteticamente, e acaba não se cuidando tanto ou se escondendo. Um filho de uma mãe depressiva se sabota e não se permite ser feliz pois inconscientemente sente que não seria justo já que sua mãe sofre. Isso é comum demais, e está sempre presente em algum nível nas famílias, principalmente naquelas com depressão e outros tipos de sofrimento mais intensos.

Os familiares tendem a sofrer uns com os outros como uma forma de solidariedade doentia. Assim, o filho cria uma vida difícil, entra em relacionamentos que causam sofrimento, não busca um trabalho terapêutico para se ajudar, e quando busca e começa a melhorar... muitas vezes larga o tratamento para se sabotar e não ficar mais feliz.

No nível racional, desejamos nos libertar do sofrimento e ajudar nossos amigos e a família. No entanto, ao sentir pena e culpa, alem de nos causar sofrimento, nossa tendência será tomar atitudes que vão ajudar a manter padrões negativos das pessoas. Atrapalhamos o crescimento alheio ao invés de ajudar. É o caso dos pais que ajudam o filho de forma ilimitada por sentir pena e não querer que ele sofra. O filho pode ser tornar inseguro, ou vira um inconsequente. Ao sentir pena da mãe em depressão, os filhos cedem aos mais variados tipos de chantagem emocional (direta ou indireta) e alimentam o vitimismo e a depressão dela. Quando estamos envolvidos nessas situações, é muito difícil enxergar tudo isso.

Outras situações comuns onde ocorre a "tabelinha" culpa/pena que ajudam a manter os padrões negativos: casos de doenças graves, alcoolismo, dependência de droga, obesidade e etc... Em resumo, quando sentimentos pena, estamos, na verdade, é nos sentindo culpados e desejando inconscientemente sofrer junto com as pessoas. Além disso, esses sentimentos nos levam a agir de forma a incentivar outras pessoa a se manterem em um padrão negativo, mas pensamos que estamos ajudando.

O que fazer? Devemos nos tornar pessoas frias e insensíveis? Muitos pensam que, se a pessoa não sente pena, ela é egoísta, uma pessoa má. É mais um equívoco do ego que está sempre buscando formas de justificar a necessidade de sofrer. Permitir a si mesmo ser feliz e estar em paz não é ser insensível, pelo contrário. Ajudamos mais quando somos mais felizes, assim, não caíremos nos mecanismos sabotadores de alimentar o padrão negativo dos outros.

É muito importante tratar com terapias próprias para dissolver os sentimentos de culpa e pena. Sempre que detecto isso nos clientes, começo a aplicar a técnica para limpar essas emoções. Quando fazemos isso, muito da auto-sabotagem inconsciente que a pessoa vinha praticando desaparece. A mulher bonita passa a gostar de se arrumar e aparecer sem constrangimento. Os pais conseguem dizer não e impor limites, entendendo que o sofrimento do filho faz parte do seu crescimento. O filho que tem a mãe depressiva se permite ser feliz e deixa de cair na chantagem emocional que alimenta o vitimismo. Deixamos de entrar em enrascadas financeiras e começamos a prosperar.



Andre Lima 
 

13 comentários:

♪ Sil disse...

Lena, minha amiga!

Esse texto veio a calhar.
Estamos passando uma fase dificil com meu cunhado (doença).
No começo sentimos pena...mas realmente isso é negativo demais.
E mais a calhar também, foi o evangelho que ouvi semana passada sobre isso. De querer pegar a dor do outro. A cada um é dado suas provações, e ao invés de pena, devemos orar e mandar vibrações positivas para as pessoas.
Eu precisava ouvir aquilo, e mais ainda ler esse post. Temos tanto a aprender ainda..
É minha amiga, estamos nessa escola da vida para aprender, sempre.
Eu adoro passar aqui e ler as reflexões que você posta.
Quanto ao abraço Lena, que linda é a vida não?
A gente conhece as pessoas aqui virtualmente, e já se sente tão próximo a ela.
Isso ocorreu contigo.
Nunca vou me esquecer meu primeiro comentário aqui, lembra?
Eu li o que você escreveu sobre seu pai no seu perfil e chorei feito criança, porque me senti no seu lugar, comentei do meu pai que luta contra sua doença, etc.
E sobre sua mãe também.
Somos tão iguais Lena. Eu amo meus pais, tanto, tanto...esse mesmo amor que você dedica a sua mãe, e ao seu pai, que é uma estrela lá no céu.
E outras coisas também. Sua alma pura, seu coração grande, sua doçura como ser humano (que me faz acreditar mais ainda que existem seres humanos lindossss no mundo),
tudo de mais bonito que você é como pessoa. A gente sente a aura iluminada de uma pessoa, a gente sente paz perto, sente luz.
Tudo que eu encontrei aqui.
Minha amiga, que bom poder partilhar os dias contigo.
Sou grata demais a Deus Lena, por tudo que ele me dá.
Sinta-se abraçada imensamente por mim minha amiga, e saiba, que mesmo desse lado de um computador, existe uma pessoa que te quer muito bem.

Um beijo!

soniaconslt disse...

OI LENA, VOU TE ENVIAR POR EMAIL O CÓDIGO DAS CORES
BJUS

E APROVEITO E TE CONTO PORQUE SUMI...SRSRS
BJUS

Sonhos De Deus disse...

Bom dia querida nossa que mensagem,gosto de vir aqui e ler a mensagem com louvor pois sei que vai ser muito bom pr alma ,amo gosto de aprender e com pessoas inteligentes isto vc é de sobra.Amiga querida a vida me ensinou que sentimento de pena é o pior sentimento que um ser podi sentir pelo outro. O sentimento de impotência este sim me irrita querer ajudar e não poder é muito ruim . ja ti amo muitooo uma linda pascoa amei teu carinho comigo nos Sonhos De DEUS feriado iluminado com muita alegria pr vc e familia bjks no teu coração!!!

Nuvembranca disse...

Menina! Aqui eu li! Parabéns e obrigada, lição de vida e muito mais (risos) minha filha Naira, um dia destes me disse "Mãe não sinta culpa por ser feliz" ( sou líder da Pastoral da Criança) (visito favelas) não preciso te dizer mais nada né? (risos) Beijos amei as postagens, um primoroso blog, parabéns. Beijos.
meu site. www.vitorialcsantos2.recantodasletras.com.br Será bem vinda no meu cantinho poético. Beijo da nuvem.

Claúdia Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MOMENTOBRASILCOM.blogspot.com disse...

LENA amiga, a cada um segundo suas obras. Ninguem pode sofrer por outro. Td tem a SUA razão de ser. Compete-nos sim procurarmos ajudar a quem quer que seja, não materialmente e sim moralmente(AUDIÇÃO e pensamentos positivos. Aí residem várias maneiras de nos sentirmos úteis. Abrçs. Roy Lacerda.

manuel marques disse...

Desejo-lhe uma Páscoa feliz.

Abraço.

Zil Mar disse...

Oi Lena...

Agradeço a visita...

belo texto...msg muito boa...

desejo lhe uma FELIZ E ABENÇOADA PÁSCOA JUNTO AOS SEUS!

meu carinho!

Zil

C. disse...

Sou como uma esponjinha que absorve as dores alheia, nao adianta. E olha que já tentei mudar. Chego a nao dormir, em pensar que uma pessoa próxima está passando por um problema... como agora, por exemplo, que tenho uma irma passando por um grande problema.

É a vida minha amiga, se pudéssemos, certas horas, passaríamos pelos problemas dos outros por nos sentirmos mais fortes e merecedores nao é? O texto explicou bem essa "vontade de passar do outro lado", eu diria.

Parabéns amiga pela nova conquista da casa! Quanto à distância, eu nao conheço DF, mas imagino seja bom de viver, a começar pelo clima. Se eu estivesse aí me ofereceria na "bagunça" da mudança, mas como estou longe, desejo que tudo saia nos conformes, porque mudança é um treco muito chato e cansativo, mas o depois compensa :=)

Nao tive a oportunidade ainda de conhecer a Califórnia, apesar de ter várias pessoas que conheço lá, inclusive um ex namorado americano, quem sabe um dia...

Queridona, feliz páscoa!

Mari Amorim disse...

Estou passando para deixar-lhe votos de uma linda Páscoa,e todo seu significado!
Boas energias,Paz.Saúde e Muito Amor!
um abraço fraterno,
Mari

Cainan Martins disse...

Me senti muito bem em ler esse teu texto querida. Faz tanto bem a alma teus ensinamentos. Rsrs, obrigada pela tua mensagem. Quanto ao Jefferson Peres, foi muito triste a morte dele, sofremos muito, ele era meu tio, um politico como talvés jamais vá novamente existir, mais os Peres são pessoas admiráveis mesmo. Entraram na politica numa época em que se trabalhava por amor e tinham que ter um caráter , eram considerados homens de palavras e foi assim com toda essa dignidade que ele também criou seus filhos. O livro que mencionei falava da cidade de Manaus antiga. é muito bom saber que vc o admirava.
Bjs e Feliz Páscoa para vc tb...

Só pra você disse...

Lena,
O comentário que saiu no nome do Cainan Martins é meu...Rsrsrs, ele é meu filho e tem 12 anos, quando ele abre a janela do blog dele, não tenho como postar comentário que saí no nome dele...Bjs

Zélia Cunha disse...

Lena, bonita mensagem. Estamos nesse mundo por um motivo muito especial, cada um conforme seu merecimento.É uma passagem, um aperfeiçoamento, um crescimento espiritual. Quero desejar-te uma feliz Pásco e que Jesus esteja em nossos corações.
Beijos!
Zelia