21 de maio de 2011

Aceite-se para ser aceito pelos demais



Sentir-se rejeitado pelos outros é um sentimento que poucos conseguem superar facilmente, pois depende de uma elevada confiança em si mesmo, o que nem sempre temos. Quanto mais rebaixada nossa autoestima, quanto menos gostamos de nós mesmos, mais vulneráveis somos à rejeição. Quando uma pessoa com baixa autoestima perde uma pessoa que ama ou uma colocação profissional, passa a acreditar que não merece nada, que é indigna de ter o que deseja, sentindo-se completamente só e, principalmente, abandonada.

Mesmo as pessoas com elevada autoestima, ou seja, conscientes de seu valor, tendem a sentir os mesmos sentimentos quando há uma perda, pois neste momento perdem também o controle da situação que até então acreditavam ter e isso tende a abalar todas as emoções.

Lidar com a rejeição não é nada fácil, pois geralmente nos remete inconscientemente às situações de abandono durante a infância. Se alguém nos rejeita, de alguma forma não nos aceita, e se tentarmos mudar em função disso para agradar, tudo tende a piorar. Mas, na maioria dos casos, o outro dificilmente é a causa real do sentimento de rejeição, pois a sensação de sentir-se abandonado já existe internamente na pessoa. A dificuldade está em lidar com estes sentimentos anteriores somados aos atuais.

O principal antídoto ao sentimento de rejeição é não limitar todas as esperanças da vida a um relacionamento, ou seja, dedicar-se apenas ao marido, filho, a esposa, a mãe, ou a um emprego, não tendo mais nenhum outro objetivo, esquecendo-se de outras pessoas ou fatos importantes e principalmente de si mesmo. Mas não há nada pior do que acreditar cegamente e... ser abandonado. Se você admitir que pode um dia ficar só e ainda assim sobreviverá, correrá menos riscos de se sentir rejeitado. E também terá maior liberdade para mudar sua vida sem sentimentos de culpa.

Não devemos nunca perder nosso referencial interno, nem reduzir nossas esperanças ou colocar nossa expectativa de vida sob a direção de algo que não controlamos: o sentimento e a reação do outro. Por vezes, podemos ser preteridos e não é por isso que a vida deixará de existir ou que as coisas que desejamos deixaram de ser realizáveis, muito pelo contrário, pode ser a chance que temos de ter a possibilidade para irmos em busca daquilo que realmente queremos. Não podemos nunca depender da atitude de outra pessoa para termos certeza de nosso real valor.

É preciso que estejamos sempre conscientes de que as atitudes de outras pessoas nem sempre estão relacionadas à nossa pessoa, e, portanto, não são respostas a nós. Precisamos entender que os outros são seres humanos como nós e que às vezes podem nos dar um não ou uma resposta agressiva muito mais em função dos próprios conflitos internos e que nada têm a ver com sua pessoa. Mas como muitas vezes não consideramos a realidade interna do outro, imaginamos que estamos sendo rejeitados, mas muitas vezes a rejeição faz mais parte do nosso mundo interior do que da realidade.

Por isso, é importante saber diferenciar a reação dos outros em cada momento. Procure entender as razões do outro, pois muitas vezes o problema para agir assim pode ser mais dele do que seu. Seja como for, de nada adianta dramatizar a situação e colocar-se no papel de vítima. O drama e o sentimento de culpa só irão aumentar a sua dor. Encare a dificuldade do momento de frente e procure aprender com tudo isso. No mínimo, você conquistará maior autoconfiança e isso lhe será útil pelo menos na próxima vez.

Muitas vezes, o sentimento de rejeição é acentuado pela insistência em supervalorizarmos a opinião e aprovação dos outros de nosso modo de ser, pensar e agir. Damos aos outros o poder de juiz e permitimos que comandem nossa forma de viver. A excessiva importância dada à opinião e aos valores dos outros, por mais que estes queiram apenas o nosso bem, retrata uma irresponsabilidade quase infantil e inconsciente de acreditar que são eles que devem assumir e suprir nossas necessidades.

Cabe a cada um de nós satisfazer as próprias carências e não a quem está ao nosso lado. Acreditamos que ninguém deve nos dizer não, para que não nos sintamos rejeitados e abandonados, mas, na verdade, a principal rejeição não vem dos outros, mas está dentro de nós mesmos e resulta na falta de amor-próprio.

Pare de se criticar, mude o que acha que tem de mudar em si e torne-se mais independente da aprovação de outras pessoas. Aceite-se. Torne-se responsável pelo que você é e deixe que o outro seja responsável pelo o que ele é. Faça sua vida ser conduzida sob sua responsabilidade e seus valores, e não sob os do outro.

Pense que você tem a responsabilidade de se amar, se aceitar, aprovar e valorizar. Se atribuir essa responsabilidade ao outro, cada vez que ele negar, surgirá a rejeição, um sentimento que só você poderá se isentar de senti-lo. E lembre-se: nenhuma pessoa merece tuas lágrimas e quem as merece não te fará chorar.


Rosemeire Zago 

22 comentários:

* Verinha * disse...

Texto esplêndido esse Lena.. De fato devemos nos aceitar com nossos erros e acertos e acima de tudo nos valorizarmos.. não deixando que energias contrárias possam desfazer isso.

Beijo grande em seu coração e um maravilhoso fim de semana para você!

Verinha

lenalima disse...

Nossa amiga!!
que profundo, confesso que mexeu um bocado comigo.
as pessoas que merecem não te fará chorar....muito lindo!
temos que repensar...
abraços!!!

Letícia Nunes disse...

Oi Lena!
Bela reflexão! Muitas vezes uma rápida olhada no espelho da autocrítica nos ajuda a perceber em que erramos e qual o caminho a seguir em busca de novos triunfos!!

Grande beijo

Yasmine Lemos disse...

Oi Lena,uma das piores agressões ao próximo é a indeferença que é irmã da rejeição. Tem que ser muito forte e dono de um equilibrio imenso para superar um "não" de quem gostamos.Faz parte da natureza humana ,é um ciclo: nos socializamos, conquistamos,nos apegamos,e a rejeição a gente sempre esquece de colocar nos itens possoveis de acontecer.
beijo e um bom dia

нєllєи Cαяoliиє disse...

Lena,
uma ótima lição este Post!
temos que nos aceitar primeiramente para que nos aceitem,e se não estamos ao agrado para nossos olhos,que sejamos a mudança que queremos ver né?
Um beijo pra ti*

mfc disse...

Gostarmos de nós é uma obrigação primordial. Compreendermo-nos e estimar-nos, dispõe-nos para nos podermos dar aos outros!
Quem não gostar de si não tem amor nem forças para oferecer aos outros.

C. disse...

Hoje passei no seu outro cantinho, que também achei com um cheirinho de almíscar além das nuvens, lindao!

Te linkei também com o meu outro cafofo (tenho dois também!). As fotos sao diferentes, mas sou eu mesma, viu!

Amiga, sentimento de rejeição é osso. Já senti muito na minha infância e nao foi mole superar. Aliás, todo resquício de rejeição, tanto em amizades, como no amor, infelizmente "devo" àquela época. Acho muito importante que a infância seja uma passagem bem direcionada pelos pais, e bem acompanhada, porque se nao, pode trazer os catastróficos desastres na vida adulta. Já notei que deve ter algum antídoto nesse Amadeirado que me faz falar demais!!! kkk

Saudade de tuuuuu já!

C :-) disse...

Olha, essa é a foto do outro CaFoFo... só pra tu ver.

AOSOLHOSDAALM.BLOGSPOT.COM disse...

BOA TARDE LENA,QUE LINDO TEXTO
OTIMO PARA UMA BELA REFLEXÃO
É COMO SE PRECISA AS VEZES DE POR UM
FINAL EM CERTAS COISAS QUE VAMOS
DEIXANDO PASSAR,E VÃO FICANDO ATÉ
QUE NÃO DA MAIS,AI A AUTO ESTIMA VAI LÁ EM BAIXO,BATE O VAZIO A TRISTEZA
MAS É PRECISO SEGUIR ERGUER A CABEÇA
VIVER A VIDA,AGRADECENDO SEMPRE POR MAIS UM DIA. bJS QUERIDA
MARLENE

MARILENE disse...

Quanto mais diversificados nossos horizontes, mais fácil nos será lidar com esse horrível sentimento que é a rejeição. Mas ninguém pode ser responsável por outrem, ninguém pode amar outrem, apenas para satisfazê-lo. E esse entendimento é fundamental. Se temos vários caminhos e sabemos disso, quando um é fechado por um tronco, basta que mudemos de lugar.

Bjs.

Alê disse...

É umas das piores sensações que existem,

Mas se soubermos quem somos, se acreditarmos em nós mesmos, é mais tranquilo passar por momentos assim

Maria Célia disse...

OI Lena, boa tarde
Belo texto. Muitos anos atrás tinha pavor de ser rejeitada, de ser ignorada. Não posso dizer que fiquei 100% curada, mas melhorei muito.
Se alguém não me aceita, não gosta do meu jeito de ser, eu deixo pra lá, eu passo a ignorar, não sofro mais.
Bjo

Catia Bosso disse...

LenaLindona!
Sabe que eu, depois de duras batalhas, sei exatamente o que é se aceitar.. hj, não vejo nada mais importante que o espelho (auto-espelho) Isso não é ser egoista, é se aceitar com todos os defeitos e se admirar como se é! Assim somos mais produtivos em todos os setores.

bj

Catita

Vera Lúcia Duarte disse...

Oi Lena,
Gostei muito do texto.
Realmente, não podemos colocar nossa felicidade nas mãos de ninguém. Ela é um conquista nossa.
Auto-estima é tudo. Muita boa a última frase. Quem mereceria nossas lágrimas faria de tudo para que elas não brotassem; para não nos ferir.

Aproveite bem seu fim de semana.

Abraço.

Meire disse...

Lena, minha flor de formosura, a primeira pessoa que devemos amar somos nós mesmos. A queda quando colocamos nossas expectativas no outro pode ser muito dolorida, por isso não devemos esquecer jamais de viver de acordo com nossas próprias expectativas. Temos que aprender a preencher nossos próprios "buraquinhos" para não ter uma dependência das pessoas, pois podemos passar a viver a vida do outro e esquecendo da nossa, o que pode se tornar até mesmo algo patológico e por isso mesmo nada saudável.

Esse Amadeirado me faz escrever bastante, danado! rsrs
bjo gigante com amor e carinho.

Ingrid disse...

certíssimo!
há que nos amarmos muito antes ou durante..
beijos e bom findi Lena..

Silvia disse...

Oi, Lena
vim conhecer teu blog e achei sensacional, com textos muito interessantes, as inagens delicadas e pude até sentir o perfume de madeira ...
Abraço

Claúdia Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ma Ferreira disse...

Tem certas coisas que estou aprendendo agora. demorei 50 anos para aprender.
Eu quando criança, adolescente me sentia um patinho feio.
Sou fillha de pais lavradores e a vida nunca foi fácil.
Quando mudamos para São Paulo eu tinha 10 anos. Achava que aqui era o paraiso. Não achei que era o inferno, mas descobri que paraiso não existe.
Filha mais velha de cinco. Minha mãe sempre trabalhando fora..
Na época não havia a "psicologês" que existe hj.
Eu me sentia sim rejeitada. Mas, com 14 anos, ja trabalhando e ganhando para o meu sustento...algo se apossou em mim. Dificil explicar.
Fiquei forte. Não queria aquela vida que vivia. Ja tinha parammetros do que é ter. Comecei a trabalhar, ajudar a minha familia e a m sentir util.
Estudei, tive um emprego que m garantia uma vida razoável materialmente.
Sempre tive em mente o que eu NÃO queria pra mim. Isso foi fundamental para o meu crescimento.
O tempo passou...e nem acredito onde cheguei. Conheço varios paises, estou perto da minha familia, amo meu esposo, tenho a Bruna.
A vida da muitas voltas. E temos que nos posicionar..ou sermos vitimas, nos sentindo rejitamos, ou somos protagonistas da nossa história.
Hj depois de muito aprendizado, descobri o o ter não é o que mais importa.
O SER é o que faz a diferença.
Um beijo...adoro seus comentários sempre gentis em meu blog.
Bj
Ma Ferreira

soniaconsult disse...

Minha doce amiga Lena...
que saudades
Ainda não consegui administrar meu tempo,srsrs
tu nem imagina o quanto foi difícil não poder dispor de um tempinho para os meus amigos queridos.
Mas é bom saber que mesmo assim ainda os tenho bem pertinho do coração
Bjs e uma boa semana

Mayana Bonilha disse...

Belíssimo Lena.

beijinhus e uma boa semana,

Mayana

baonilha.blogspot.com

Tatiana Kielberman disse...

Grandes verdades....

Incontestáveis!

Beijo, querida!