24 de junho de 2011

Quem se entrega hoje em dia?





“Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda, que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando. Coração na boca, peito aberto, vou sangrando, são as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando...”. Música de Gonzaguinha, chamada Sangrando.

Quantas vezes você sangrou e nem percebeu? Fechou a ferida com um trapo qualquer sem ver que estava com hemorragia? Muitos acontecimentos ferem mortalmente o coração e obrigam você a assumir outra postura diante da vida, mudar sua personalidade. Para o bem ou para o mal.

Quando a dor acontece num momento em que sua estrutura emocional está se formando, as bases são construídas no medo, na sensação de menos valia, e a transformam em alguém que você definitivamente não estava programada para ser. Quer muito, mas logo desiste, ou porque confirma a crença de que ia dar errado mesmo, ou porque falta energia para romper os obstáculos – tudo por causa daquele sangramento lá atrás, que foi tão forte e tão cheio de significados negativos inimagináveis, cujas marcas impedem que você desabroche.

Superar às vezes está além de suas forças. Resta sentir pena de si mesma. E você segue sangrando num jogo de forças opostas que ora lhe dão ânimo para seguir e, no instante seguinte, lhe derrubam ao chão brutalmente.

Pode falar o que quiser, mas o grande responsável é o desamor. Ou, se preferir, o amor que você entregou de peito aberto e lhe foi devolvido com traição, sordidez, crueldade, indiferença. Contudo, o que mata aos poucos é o que cura para sempre. Não existe outra fórmula a não ser entregar-se novamente, e novamente, e novamente...

Está na hora de estancar essa hemorragia, não com o trapo velho, e sim, com suas vísceras. Em vez de Sangrando, cante “...Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim, como se fosse o sol desvirginando a madrugada, quero sentir a dor dessa manhã. Nascendo, rompendo, rasgando meu corpo e então eu chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando feito louca, alucinada e criança, eu quero meu amor se derramando, não dá mais pra segurar, explode coração!”.  
Nada terá sido em vão. Amém, Gonzaguinha!



Fernanda Santos


Tears For Fears - Head Over Heels


26 comentários:

Artes e escritas disse...

Lena, achei um texto ousado para os dias de hoje, com todos os perigos dos relacionamentos virtuais entre os jovens, não sei concordo inteiramente contigo. Um abraço, Yayá.

ϟ Cynthia Brito disse...

É, Lena, ás vezes a gente vai empurrando com a barriga... Mas tem hora que realmente não dá mais. O corpo cansou, o coração já tá velhinho, a alma doente implora pra gente parar, pra gente desistir.

É sim! Acontecem momentos assim. Muitos momentos. E se resume nesse texto da Fernanda Santos.

Pois é; poucos se entregam. A maioria ainda usa máscaras!

Belíssima postagem!

um beijo grande, minha querida.

Marly Bastos in "palavreados ao vento" disse...

Simplesmente lindo esse texto.Não sei se a gente tapa a ferida com trapos velhos ou se nos tornamos uma ferida e depois nos desfazemos em trapos. O certo é que não tem jeito. Estamos respirando? Então estamos vivos! O jeito é mesmo se entregar à vida e vivê-la de novo e de novo e...
Beijokas Lena, que Deus em Cristo Jesus, cure todas as dores do seu coração.E que a paz inunde a sua vida.

♫ ♪ Wilson ♫ ♪ disse...

Bom dia , amiga

Gostei do texto.

Há feridas que sangram para sempre...aquela ferida que realmente amarramos com trapos, pior que trapo velho, termina encharcado e não suporta o sangramento. Mas seguimos escondendo a dor..sorrindo, cantando e brincando de ser feliz.

Excelente final de semana.

Beijo de luz no seu coração.

Sônia Silvino disse...

Viver é recomeçar sempre, mas com mais clareza das consequências das nossas escolhas.
Beijos, amaaaaaada!

Mafalda S. disse...

Verdadeiramente inspirador, amiga.
Adorei este texto!
Bjs

Alê disse...

Me perguntei lendo seu texto: quantos curativos desses usei... E percebi que levou mais tempo que imaginava pra cicatrizar.

Que como disse Caio: ' cicatriz ainda lateja em dias de chuva'

Mas estou aprendendo. De um tempo pra cá, reflito sobre esses 'remendos' que fiz, voltei a mim, voltei atrás e estou cuidando como tem de ser.

Um dia a cicatriz será marca, talvez queloide, com certeza saudade e lembranças, MAS, estarei curada,


Lena: sempre doce!

Vou levar o selinho: Obrigadão!


Bjos

Su disse...

Bom dia Lena querida!

Gostei do texto sim, e ainda me emocionei ao ver o música do Gonzaguinha no início, lembro que era pre adolescente e minha irmã estudava na Puc SP e no teatro TUCA teve um chow dele e ela me levou junto, lembro que nem tinha muito "gosto" musical, mas me encantei com aquela força na voz e na alma...

Sei lá, sempre fui intensa e não tenho medo de me entregar, se sangrar, como diz o texto, a gente estanca e vive a vida porque é "Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar..." e tem mais, rsrs "Eu fico com a pureza da resposta das crianças é vida é bonita e é bonita!!!"

Beijos amiga querida!

Su.

levei o seu selinho para uma pastinha que criei de "Selinhos de presente"

* Verinha * disse...

É Lena.. não importa o quanto o coração sangre.. sempre estaremos na tentativa de fazê-lo vibrar e viver intensamente... acreditando sempre que da próxima vez vai ser diferente.

Uma super beijoca em seu coração..
Verinha

CaFoFo online@ disse...

Difícil né miguxa, porque depois de uma po§§@d@ a gente fica com um pezinho na frente outro atrás, todo cuidado é pouco! É aí que as muralhas (defesa é pouco rs) se levantam e a pessoa se enjaula num canto vivendo de solidão.

Eu sempre tento fazer com que minhas amigas solteiras (ou mesmo as casadas) terem fé e cantar como o Gonzaguinha no final do texto, aliás, que texto!

Li na Meiroca agora tua "saga" deliciosa pro fim de semana, e curta bastantao, todo carinho é pouco nesse momento que os meninos estao vivendo... tenho mó dó... mas fiquei com ciúme que você só disse pra outra compotinha, e pra mim, nadica... snif... tudo bem, tudo bem... hehe

Poesias Partidas disse...

Muito bom, parabéns!

Abraços.

mfc disse...

A solução só pode ser tentar de novo!

Meire disse...

Estrelinha linda de my life, muitos sangramentos nos deixam mais frios no decorrer da vida, passamos a desconfiar da própria sombra, mas acredito que isso não nos leva a nada, tive uma fase assim e não ganhei nada com ela, muito pelo contrário só perdi, perdi a chance de conhecer pessoas maravilhosas. Claro que temos que tomar um certo cuidado, porque nosso coração pode estar desarmado, mas o da outra pessoa não (vi essa frase em algum lugar, num me lembro de quem é).

Posso sangrar, mas não deixo de me entregar, mesmo que depois tenha que eu mesma curar todas as feridas que me deixaram ao menos eu vivi, porque uma vida sem entrega NÃO É vida!


Adorei o texto, e é a minha cara. Vc e sua mente brilhante para escolhas mais brilhantes a cada dia que passa!!!!

Te amo e muuuuuuuuuuito mãe estrelinha amadeirada de minha vida!!!!

;)

Lua Nova disse...

Me fez lembrar de uma outra música dele "Mulher, e daí?" e numa parte da letra ele diz: eu te amo e não temo este amor, já vou indo vou levando essa dor, vou em paz pois não temo a dor de amar demais..."
Gonzaguinha era um mestre e falava de "nós" mulheres com uma sabedoria impressionante. Você e a Fernanda têm razão -
Não existe outra fórmula a não ser entregar-se novamente, e novamente, e novamente... " E pq não? Medo? Ele só nos paraliza, não protege, não impede coisa alguma. Melhor sangrar por ter perdido do que por jamais ter tido.
Adorei seu blog.
Venha tomar um chocolate quente comigo aproveitando esse friozinho.
Beijokas.
Seguindo...

ॐ Shirley ॐ disse...

O jeito é respirar fundo e recomeçar. Um beijo, Lena!

Tatiana Kielberman disse...

Infelizmente, são poucas pessoas, Lena querida...

Mas eu não desisto de me entregar jamais!

Beijo carinhoso! Bom fim de semana!!

Débora Andrade disse...

Ai minha amiga, trapos não solucionam mais. Estou usando lençóis agora. São feridas de guerra, que só serão curados quando eu mudar, realmente, muita coisa. Uns deverão julgar que mudei para o mal, outros para o bem, mas de nada importa; quando se trata de mudanças minhas, eu devo ter bom senso e responsabilidade para ME julgar. Ninguém mais.
É, uma amiga me disse algo parecido, outro dia. Sobre pilares, mal colocados, que só vemos a perceber depois. Vamos construindo uma estrutura fraca, torta, e depois tudo desaba, ou fica mal feito. Nossa, esse texto que postou falou à minha alma. Me transformaram no que eu não sou, na essência, no que eu não quero ser. Regras, normas, padrões, leis, danem-se! Eu tenho os meus conceitos, as minhas ideias, os meus pensamentos, sentimentos e vontades, mas parece que ninguém, ou quase ninguém, respeita isso. O que eu quero, mas desisto, não é apenas na crença que daria errado, mas na maioria das vezes pela falta de energia para romper obstáculos impostos por outros. Não devo por a culpa em outrém, eu sei. Mas que droga, a culpa não é minha. Sou culpada apenas por baixar a cabeça. Submissão nem sempre é covardia, então não sei se é nesse caso, enfim!
"Superar às vezes está além de suas forças.", sim, sim, sim. Sinto uma profunda autocompaixão. É mais um dos males que a dependência trás. Quando o assunto é amor não correspondido, ou traição, dói mesmo, porque o lado traído, na maioria das vezes mais do que o orgulho ferido, tem a dor de ter amado e ainda assim ter sido enganado, é uma frustração, uma decepção. Mas também há outros amores, não aquele da tal "alma gêmea", que também causam feridas imensas e incuráveis, ou quase incuráveis. Infelizmente só são capazes de fazer isso aqueles que amávamos demais, é por isso que dói mais, pelo amor intenso e imenso que ofertamos e que não voltou do mesmo modo. Não que deva-se esperar que o outro ame como você ama, ou um retorno, ou um reconhecimento, mas sei lá, ao menos consideração, respeito. Não sei. Depois de tudo, entregar-se novamente, ao amor que for, é complicado. Talvez seja mesmo a hora de desapegar-se. Não devemos nos desapegar apenas de bens materiais, mas também de pessoas. Seja lá quem for, que nos faz mal. Não é porque há uma hierarquia ou porque a sociedade estabeleceu, ou por determinados 'laços' que devemos permanecer fixados a algo ou alguém.
Eu quero mesmo me abrir e que essa vida entre assim, como se fosse o sol desvirginando a madrugada, quero sentir a dor dessa manhã. Por mim. Pela primeira vez, por mim. Curar as feridas e estancar a hemorragia porque eu mereço, e não deixar que nada e nem ninguém as ocasione. Não permitir que seja lá quem for sinta prazer se este prazer implicar na minha dor. E isso não é egoísmo, egoísmo é não se importar com a dor do outro, com as feridas, manipulando-o, para satisfazer o próprio ego, ou porque 'é o melhor'. Vamos ver né... O melhor pra quem?! O que é melhor pra mim, ninguém melhor do que eu pra saber.

Leenaaaa, que desabafo foi esse ein?! rs****
Obrigada!

Beijos mil,
Débora.

Mixha Zizek disse...

O amor é um dom e é verdade deve-se dar e dar. Às vezes você se cansa porque ele sente que há algo para você. Eu lamber minhas feridas por agora e tenho certeza que em algum lugar o amor, mais uma vez estar esperando por mim, pensamento positivo, beijando

Calu disse...

Linda Lena,

o texto è um grito de alerta,um rescaldo do incêndio, mas é tbém um desafio agudo, que nem sempre estamos dispostos a cometer novamente.Vale o lembrete,vale o alerta;sim é preciso cantar, mas que tudo é preciso cantar...Mas entre os espaços de silêncio, há que se cuidar!
Obrigada por teu carinho expresso e recebido.Estamos em casa, Graças a Deus!
Bjo grande,
Calu

Mariza disse...

Oi Lena, venho aqui todos os dias, e penso que vc tem uma antena com o mundo... sempre escolhe textos certos a cada dia, tenho aproveitado todos... sua sensibilidade vai além da flor da pele.
bjs

Nina Pilar disse...

existe um grito preso na garganta, uma eterna vontade de deixar ir, não importa como... mas, sempre penso será que não é deixar molhar pela chuva, os caminhos são tão estreitos, e a vida tão curta.
não importa que sangre que doa, e dai...
teu texto é lindo amiga. real. e sangra de verdade.e o importante é que o amor sobreviva.
lena, um lindíssimo final de semana amiga.
vou respirar e pensar no que li.
beijinhos...

CaFoFo online@ disse...

Cadê o texto novo miguxa? hehe Cê pensa, tô 5 horas na tua frente ;)

AquilesMarchel disse...

perfeito texto bom demais, gostoso
sabe o coração do jovem tbm cansa

E daí?? disse...

Ontem ao Luar
Ontem, ao luar,nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.
Nada respondi, calmo assim fiquei
Mas, fitando o azul do azul do céu
A lua azul eu te mostrei
Mostrando-a ti, dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e, assim, te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer
De ver a lágrima nos olhos a sofrer

A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que eu só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
Pergunta, ao luar,do mar à canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão

Se tu desejas saber o que é o amor
E sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe um monte á beira mar, ao luar
Ouve a onda sobre a arei-a a lacrimar
Ouve o silêncio a falar na solidão
De um calado coração
A penar, a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal
A dor silente, universal
E a dor maior, que é a dor de Deus

Se tu quere mais, saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vice assim tão trsite a suspirar
A palpitar em desesperação
A queimar de amar um insensivel coração
Que a ninguém dira no peito ingrato em que ele esta
Mas que ao sepulcro fatamente o levará
Catulo da Paixão Cearense

Milene R. F. S. disse...

É Lena realmente nada nos faz sangrar mais do que desamor... o amor pago com traição, crueldade e sordidez... já sangrei assim algumas vezes e tenho por conta disso também algumas marcas... mas ainda assim continuo loucamente me entregando para tudo o que faço, para todos que de alguma forma me cativam... um bom domingo para vc querida, beijos!

Aclim disse...

Passei pela fase de gritar,a areia movediça quase me engoliu. Ainda assustada mas firme, sigo.
Creio, que no fim tudo acaba bem

Abraço