21 de agosto de 2012

Traição: perdoar é esquecer?




Recentemente, li um texto falando sobre traição conjugal dizendo que se quisermos realmente perdoar, devemos esquecer o que aconteceu. Essa é uma visão comum sobre o que é o perdão e que acaba causando uma certa confusão.

Como é possível simplesmente "esquecer" o que houve? Só se estivermos com amnésia. Não há como, pois memórias não se apagam. O processo do perdão se dá de outra forma que não é através do esquecimento. Também não se trata de não tocar no assunto ou colocar panos quentes. Essas são aparentes soluções que não resolvem o problema.

O perdão acontece quando os sentimentos de mágoa, raiva e ressentimentos são dissolvidos completamente. E quando isso ocorre, voltamos a ficar em paz. A nossa essência mais profunda é de uma paz completa. Esse estado fundamental dentro de nós jamais é alterado. Entretanto, ele pode ser temporariamente encoberto com nuvens de sentimentos negativos.

Perdoar significa voltar a ficar em paz. E isso só é possível quando essas nuvens negativas são dissolvidas. Não adianta tentar "esquecer". O que na verdade todos nós queremos é nos livrarmos do sofrimento que a memória causa. A memória ou o fato ocorrido em si não é o problema. O problema é sempre a nossa reação emocional que nos provoca sofrimento. Os fatos e as lembranças jamais poderão ser mudados. Mas é possível, sim, curar o que interessa: a nossa reação emocional. Essa é a única forma de eliminar o sofrimento.

Quando as pessoas tentam "esquecer", o que elas estão fazendo, na verdade, é reprimir as emoções. E quando os pensamentos desconfortáveis surgem, elas tentam pensar em outra coisa para não sofrer. Mas isso não cura a ferida que está lá dentro guardada. Ela continua intacta, só não estamos olhando diretamente pra ela na ilusão de que isso a fará desaparecer.

E como ainda há uma ferida emocional, mesmo não entrando em contato direto com ela, sofreremos suas consequências. Essas emoções ficam armazenadas no inconsciente e provocam diversos efeitos no nosso corpo, pensamentos e ações.

Os ressentimentos e mágoas reprimidos provocam tensão no corpo, geram ansiedade, inquietação. Nossa fisiologia é afetada pelas emoções reprimidas. Cada emoção é produzida quimicamente pelo nosso corpo (mesmo aquelas inconscientes) e alteram a produção dos hormônios e da química do bem-estar que nosso cérebro produz quando estamos livres das emoções negativas.

Essa energia presa dentro de nós tem uma força que não percebemos e influencia na nossa forma de agir em pensar. Mesmo que você queira ficar bem com a pessoa da qual você guarda uma mágoa, sem querer, aquela energia o levará a criar algum tipo de conflito.

Talvez você tente controlar ou manipular o outro como uma forma de compensar a dívida que você sente que ele tem por você. Talvez você tente punir a outra pessoa sendo frio e se mantendo distante no relacionamento, criticando-a na frente dos outros, deixando de apoiá-la. Talvez você passe a se irritar facilmente e dê "patadas" e foras constantemente. Bem, são inúmeras as maneiras que aquela mágoa guardada, mesmo estando bem escondida, vai se manifestar de forma prejudicial no seu relacionamento.

Por mais que tenhamos o desejo sincero de ficar bem com o outro, acabamos agindo de forma negativa. E depois não nos entendemos e ficamos frustrados. Só é possível se libertar dessa força sabotadora curando profundamente suas raízes: dissolvendo as mágoas, raivas e ressentimentos de forma plena.

O resultado dessa liberação emocional é o que chamamos de perdão. Voltamos a ficar em paz. Sentimos alívio. Brotam sentimentos de compreensão, aceitação. Diminui a ansiedade, eleva a autoestima. O reflexo disso será visto na nossa forma de agir e pensar dentro do relacionamento.

Quando isso ocorre, entendemos que perdoar é algo que tem a ver apenas com nós mesmos. É um processo interior e não depende da mudança das pessoas e circunstâncias. Nossas mágoas e ressentimentos são uma tentativa equivocada de atingir a outra pessoa, como se isso fosse trazer algum tipo de justiça para que nós possamos finalmente ficar em paz.

Mesmo quando conseguimos punir e atingir a outra pessoa, os ressentimentos ainda vão permanecer dentro de nós. Ou seja, o sofrimento que queríamos eliminar continua a existir. E talvez agora, somado a ele, surgirá frustração, culpa, vazio e sensação de perda de tempo. Vivemos em um estado de confusão emocional que nos leva a caminhos completamente ineficazes de se alcançar paz e felicidade. O caminho mais simples é liberar nossas próprias emoções. E realmente, não é fácil fazer isso sozinho utilizando força de vontade. Mas, vale tentar! 
Andre Lima

4 comentários:

Rô... disse...

oi Lena querida,

perdoar sempre...
quando perdoamos o nosso coração se acalma e as mágoas caem no total esquecimento...

beijinhos

JAN disse...

Verdade Lena...
Perdoar é no coração (sentimento).
Esquecer é na cabeça (déficiti mental).

Abração
Jan

Anita de Castro disse...

Não haveria o direito de vencer, se não houvesse o direito de perdoar.

Eça de Queiróz
Não levantes a espada sobre a cabeça de quem te pediu perdão.”

bjis

Anita

Sônia Silvino (Crazy about Blogs) disse...

Oi, lindona!!!!
Vim matar as saudades de você.
Acho que perdoar é esquecer. Pois se não esquecer, continua doendo e atrapalha o relacionamento. Mas posso estar errada. Acho que cada um sente do seu jeito.
Eu não perdoaria. E não esqueceria. Fazer o quê?! Melhor se fosse diferente, mas comigo faz uma vez só e deu. Pronto falei! kkkkkkk
Beijocas! Muuuuitas!