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5 de janeiro de 2011

O futebol e o apartheid na África do Sul




Robben Island é uma ilha na África do Sul que representa o que existe de melhor e o que existe de pior na humanidade.

Situada a cerca de 11 quilômetros da Cidade do Cabo, é pequena e grande. Pequena nas dimensões: tem três quilômetros de extensão e dois de largura. E grande na importância. Robben Island abrigou, desde o século 17, uma prisão que acabou por se tornar um dos símbolos do apartheid, o regime que separava brancos e negros na África do Sul. Nelson Mandela passou 18 anos em Robben Island.

Da miséria e opressão acabou brotando, ali, uma história fascinante de superação de adversidade e de manutenção de esperança em circunstâncias extremas. Uma bola de futebol está por trás dessa história.

Nos anos 60, os prisioneiros lutaram pelo direito de jogar futebol. As autoridades finalmente aquiesceram, depois de negar o pedido ao longo de três anos. Os detentos formaram a Liga Makana, com as mesmas regras da FIFA, que eles conheciam de um dos raros livros da biblioteca da ilha. Nos tempos áureos, em meados dos anos 60, o campeonato chegou a ser disputado por nove equipes. A liga durou sete anos.

Mandela não podia jogar. Durante um tempo, assistiu da janela de sua cela, do alto de uma caixa ou de uma cadeira. Depois, nem isso lhe foi permitido. O atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, apitava partidas. Existe apenas uma foto da Liga Makana, mas é impossível identificar os jogadores. Seus rostos foram cobertos de preto no tratamento da foto.

Relatos recentes de jogadores de Robben Island coincidem em destacar o papel que a Liga Makana desempenhou para os presos. A liga virou objeto de um livro, More Than A Game (Mais Que Um Jogo). Mais recentemente, foi feito um filme com base no livro, com o mesmo nome. Robben Island, declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1999, é hoje uma das principais atrações turísticas da África do Sul. Este lugar representa um triunfo do espírito humano Ele ficou 13 anos em Robben Island. Os prisioneiros juntavam panos para fazer bolas de futebol. O futebol foi o instrumento de resistência que os uniu.

Tal como o holocausto, o apartheid é uma daquelas coisas que desafiam a compreensão e fazem perguntar: como pôde acontecer? O futebol vai além da bola. Pode representar movimento e luz para vidas paralisadas e escurecidas. Para jovens sem rumo, é com frequência uma alternativa a drogas e crimes. Centros esportivos têm sido usados intensamente nas grandes cidades exatatamente com este propósito. Robben Island, encostada na Cidade do Cabo, viu o pior e o melhor do ser humano.

Mas o melhor triunfou.

Paulo Nogueira 

28 de dezembro de 2010

Destino: Cidade do Cabo, África do Sul


A Cidade do Cabo encanta a todos aqueles que amam as coisas boas da vida. A primeira impressão que se tem ao ouvir falar de uma cidade africana é de um destino cheio de exotismo, vida selvagem e natureza, certo? Pois isso é só o começo do que você poderá desfrutar ao visitar a Cidade do Cabo, segunda maior cidade da África do Sul, um dos dez mais procurados destinos turísticos do mundo. 

Descoberta em 1488 pelo português Bartolomeu Dias, que explorava os mares em direção às Índias, a região logo foi tomada pelos holandeses e ingleses, presentes na região até hoje. 

A surpresa começa pela disposição geográfica única, a cidade rodeia o pé de uma montanha, a Montanha da Mesa (Table Mountain), que leva este nome por apresentar justamente o formato de uma mesa, seguida de uma formação rochosa com 12 picos, que foi denominada pelos locais como "os 12 apóstolos". 

Não espere encontrar uma cidade grande. A região metropolitana da Cidade do Cabo, mesmo sendo considerada a segunda maior população da África do Sul, limita-se pelo contorno da Montanha da Mesa com o oceano Índico de um lado e o oceano Atlântico do outro, fazendo que seu crescimento seja controlado. Nos arredores, há o Cabo da Boa Esperança, o ponto mais distante do continente africano em direção à Antártida. O estilo da cidade é colonial e traz charme para seus edifícios e prédios públicos, bem como museus de diversas comunidades, como os judeus e os muçulmanos. 

O passado contrasta com a modernidade e as grandes highways da cidade, bem como o complexo beira-mar de shoppings, hotéis, restaurantes e outros passeios, chamado de V&A Water Front, logo trarão a imagem de uma cidade contemporânea e cosmopolita. 

Ainda no ritmo de modernidade, a cidade oferece empreendimentos como o Canal Walk, espécie de shopping center gigantesco em meio a canais fluviais que são interligados a condomínios residenciais, comerciais, áreas de lazer e shopping centers com praças de alimentação e opções de entretenimento. 

A Cidade do Cabo também é conhecida pela liberdade de expressão proveniente de um país em constante transformação. Reduto de artistas de todo o continente africano, a sociedade local abre espaço para o público GLS: o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido na África do Sul. 

Você poderá surpreender-se com a infra-estrutura e a organização logo ao chegar à África do Sul. Terá a impressão de estar visitando a Europa ou a América do Norte. Porém, lembre-se que você está em um país em desenvolvimento, que possui favelas e áreas com risco de crime, todas elas localizadas em regiões marginais à cidade, bem longe do convívio urbano. 

O clima da Cidade do Cabo, no entanto, não é exatamente o que brasileiros estão acostumados para uma cidade praiana. Sua localização geográfica está exatamente no meio da corrente de ar que vem da Antártida, ou seja, mesmo com dias ensolarados e bonitos, os ventos (muito comuns na primavera) e as brisas fazem a temperatura girar entre 4 e 12 graus no inverno e 15 e 29 graus no verão. Note que esta mesma corrente traz uma área de instabilidade que cobre geralmente o topo da Montanha da Mesa, principalmente no outono e no inverno. Muita gente visita a cidade e vai embora sem ver a montanha, o principal cartão-postal da cidade. É bom checar o clima antes de viajar, para evitar frustrações. 

Não deixe também de conhecer a Robben Island, onde Nelson Mandela e seus companheiros estiveram encarcerados durante mais de duas décadas. Localizada a 11 km da Cidade do Cabo, esta ilha retrata uma parte da história da África do Sul, principalmente no que refere à luta contra o apartheid. 

Stellenbosch é considerada um dos principais destinos turísticos nas redondezas da Cidade do Cabo por concentrar o maior número de vinícolas do país. Conhecida como a "rota do vinho", a região oferece cinco sub-rotas com mais de 200 produtores de vinho. 

Algumas dicas: alugue um carro, dá liberdade e é barato. Coma frutos do mar, pois são baratos e estão entre os melhores do mundo. Almoce em Camps Bay e peça vinho branco sul-africano. Conheça Groot Constancia, a mais antiga vinícola da África do Sul. Para os amantes de boa música, vá jantar no Green Dolphin Restaurant, em V&A Waterfront, para fazer uma imersão no jazz sul-africano. 

Helder Teixeira

Texto resumido por Lena Simões

11 de outubro de 2010

Mandela não queria ser presidente


Nelson Mandela nunca quis ser presidente da África do Sul e preferia que uma pessoa mais jovem tivesse sido, conta ele em seu novo livro.  Conversations with Myself (Conversas comigo mesmo) será lançado agora em outubro. No livro, o autor diz que a decisão de aceitar o cargo ocorreu apenas após pressão de lideranças do Congresso Nacional Africano (CNA).

"Minha colocação como primeiro presidente democraticamente eleito da República da África do Sul foi imposta sobre mim contra meus próprios conselhos", afirma Mandela.

Aos 92 anos, ele diz que teria preferido servir ao novo Estado sul-africano sem manter alguma posição no CNA ou no governo. Depois de assumir o cargo, ele mudou de ideia, mas deixou claro que permaneceria por apenas um mandato de cinco anos.

A libertação de Mandela no dia 11 de fevereiro de 1990, depois de 27 anos nas prisões da era apartheid, deu início ao processo de transformação para a democracia. Assim, seguiram as eleições históricas de 1993 e a tomada de posse do primeiro líder negro do país.

Apesar da reconciliação entre negros e brancos ter sido a questão fundamental da presidência de Mandela, encerrada em maio de 1999, no livro, um dos temas mais marcantes é a preocupação dele com a detenção de sua família.
Compilado pela Fundação Nelson Mandela a partir de cartas pessoais, entrevistas e uma sequência ainda não publicada de sua autobiografia, o livro contém um prefácio do presidente dos EUA, Barack Obama. O presidente diz que a história é de um homem disposto a arriscar sua vida pelo que acreditava.

"Ao oferecer esse retrato, Nelson Mandela nos lembra que ele não é um homem perfeito. Como todos nós, ele tem seus defeitos. Mas é precisamente essas imperfeições que deveriam inspirar cada um de nós", escreve Obama.

8 de junho de 2010

Um Som do Barulho!



Se existe um acessório absolutamente indispensável para um sul-africano torcer no futebol, esse objeto é a vuvuzela, a corneta de som estridente que pode ter até um metro de comprimento é praticamente um patrimônio nacional.

Até hoje não se sabe ao certo de onde veio seu nome – a teoria mais aceita diz que viria da palavra zulu para “fazer muito barulho”. Foi nos anos 90 que ficou mesmo popular no país, sendo produzida em larga escala em plástico colorido (geralmente amarelo). O ruído estridente que produz e que requer um sopro forte poderia ser, talvez, uma mescla de sirene com o som dos elefantes nas savanas.

Mas prepare-se: inúmeras delas zoando juntas é ensurdecedor! Imagine milhares e milhares delas “gritando” juntas nos jogos da Copa. E elas com toda a creteza, estarão nos estádios: a produção de vuvuzelas aumentou mais de 110% esse ano na África do Sul – serão tantas, e tão fortes, que nem quem estará vendo pela televisão passará incólume.