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20 de junho de 2012

Exercitando o sim



Duas palavras podem fazer grande diferença em nossas vidas, o sim e o não.


Embora muitas vezes reclamemos pela dificuldade em obter a satisfação de nossos desejos, se mantivermos a plena atenção na forma como reagimos aos acontecimentos, podemos ter uma surpresa. Isto porque a atitude de recusa, de negação, é geralmente a postura mais comum que costumamos adotar. Dizemos não ao nosso poder, às mudanças que a existência coloca em nosso caminho, às atitudes dos outros, quando estas não correspondem às nossas expectativas. Vamos, aos poucos, sem querer, acumulando uma avalanche de negações em nosso interior que, com o tempo, transforma-se em amargura, inconformismo e frustração.


O não mais necessário é aquele que se destina a defender o respeito à nossa dignidade, ao nosso valor intrínseco como seres humanos. Mesmo nos momentos em que precisarmos dizê-lo, devemos fazer isto de forma serena, segura e amorosa. O sim, quando expresso com entusiasmo e aceitação genuínos, que inclui a totalidade de nosso ser, abre portas energéticas poderosas e, como mágica, transmuta o que a principio parecia negativo, em algo positivo, pois traz novas possibilidades para o nosso crescimento e torna a vida muito mais rica e plena de potenciais. Exercitemos, então, o sim, com a certeza de que ele constitui a senha para a nossa conexão permanente com o divino.


"Sim à vida.

Diga sim à vida; abandone todos os não possíveis. Mesmo se você precisar dizer não e for difícil evitá-lo, diga-o, mas não se deleite em dizê-lo. E, se for possível, diga-o também na forma de sim. Não perca nenhuma oportunidade de dizer sim à vida.

Quando você disser sim, diga-o com grande celebração e alegria. Nutra-o, não diga relutantemente. Diga-o amorosamente, com entusiasmo, com gosto, coloque-se totalmente nele. Quando você disser sim, torne-se o sim!

Você ficará surpreso ao saber que 99, entre cem nãos, podem ser muito facilmente abandonados. Nós os dizemos apenas como parte de nosso ego; eles não eram necessários, não eram inevitáveis.

...Observe a si e aos outros e você ficará surpreso: as pessoas estão dizendo não por nenhuma razão absolutamente. Elas se satisfazem em dizê-lo: isso lhes dá uma espécie de poder. Quando você pode dizer não a alguém, você se sente poderoso.

Ao abandonar o não, o ego desaparece". (Osho, Believing in the Impossible Before Breakfast).


Elisabeth Cavalcante

19 de outubro de 2010

Só depende de nós


Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre a saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim.


Charles Chaplin

18 de outubro de 2010

Quase




Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Sarah Westphal
Esse texto tem sido atribuído a Luís Fernando Veríssimo, mas a verdadeira autora é Sarah Westphal Batista da Silva.