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26 de novembro de 2011

Inflexibilidade





"Quando digo não é não.Quando digo sim, é sim.E ponto final”.

Coloquei-me aqui neste pedestal, E daqui não saio.Daqui de cima vejo todo mundo.

Muitos mudaram seus caminhos, são uns loucos, menos eu que continuo aqui. Muitos sorriram, outros choraram, alguns até cantaram, mas eu sou forte e continuo aqui.

Muitos deles até perdoaram e alteraram suas convicções, mas que fraqueza!!!!

Mas eu não....Eu continuo aqui!!!Alguns quiseram me levar também, mas daqui eu não saio.

Daqui eu controlo tudo e todos. Irredutível...( irracional, escravo, inseguro, imaturo).

Continuo aqui....apegado aos meus (pré) conceitos, meus dogmas, enraizado em mim mesmo, avesso às mudanças, ao aperfeiçoamento, ao desenvolvimento. Continuo aqui...Enquanto eles...Ah!!! Esses loucos....

Cantam, dançam, vivem, perdoam, mudam, choram, se encantam, contemplam, vivem... e olha...até sorriem!!!!!"

Quantas vezes adotamos uma postura inflexível diante dos problemas, diante das situações, diante da vida.

Será medo da mudança, de enfrentar o novo, medo dos desafios, medo de errar? Medo de mostrar para os outros que nem sempre sabemos tudo e mais ainda...medo de enfrentar nossas dificuldades e nossa real situação?

O que queremos esconder quando estamos sendo inflexíveis? As pessoas muito inflexíveis normalmente são tensas fisicamente, propensas a sentir dores musculares e têm grande dificuldade de alongar o seu corpo, de se soltar e se expor.

Quando tentamos a todo custo manter uma determinada posição ou situação, estamos talvez remando contra a maré, indo contra o que a vida nos reservou e essa luta constante nos causa dor e cansaço.

Podemos aprender a nos soltar mais, a pensar em novas possibilidades, a aceitar mais as posições das outras pessoas. Podemos nos colocar em uma postura de mais leveza e menos resistência e exercermos assim a humildade por saber que não somos nós os centros controladores do universo e sim, somos uma engrenagem que atua em conjunto com uma dinâmica maior de força e desenvolvimento.

Para Refletir:

1. Que atitudes eu costumo ter que demonstram minha inflexibilidade?

2. O que eu posso fazer para me tornar uma pessoa mais leve, mais flexível?

3. Adotando uma postura mais flexível, qual será o reflexo em meu dia a dia, meu trabalho e meus relacionamentos?

"Tirar o peso da rigidez de seus atos é permitir-se saborear cada minuto de sua existência.”




Cacilda Zeraik 

23 de janeiro de 2011

Flexibilidade



No passado, achava-se que, quanto mais abertos os amantes fossem entre si, melhor para o casamento. Atualmente, sabemos que isso não é verdade. Em fases de transição, todos nos sentimos mais vulneráveis: perder um emprego, mudar de cidade, ter um filho constituem períodos estressantes que, muitas vezes, desequilibram até casais estáveis, que conhecem seus limites.

Não é fácil enfrentar e solucionar os conflitos à medida a que vão ocorrendo. É o caso da mulher que começa a crescer na carreira profissional no exato momento em que o marido sofre um retrocesso, ou até perde o emprego. Pela lógica, estaria tudo bem, porque a boa notícia, logo comunicada, compensaria a má, a ascensão dela diminuiria o revés dele. Na maioria dos casos, no entanto, essa inversão de papéis, acaba atingindo o equilíbrio dos parceiros. Resultado: crise profissional, crise emocional, crise conjugal.

Todos nós enfrentamos esses momentos de incerteza, todos já ficamos olhando solitários por uma janela, em noite chuvosa, sentindo-nos desesperançados e perdidos, imaginando se o pior ainda está por vir. Aí, voltamos ao presente e constatamos que, quando um problema parece estar-se atenuando, surge outro e toma seu lugar. Nossas expectativas podem realizar-se, mas de certo modo, ainda somos os mesmos.

Não é fácil caminhar pela vida, não é fácil construir o próprio caminho, a cada dia. Até os anos 80 do século passado, acreditava-se que os melhores relacionamentos eram como aqueles sanduíches quentes em que o recheio vinha todo misturado. Seria bom se fosse verdade, mas agora sabemos que não é. Nossa individualidade depende de cada um ser capaz de reconhecer e aceitar as próprias fronteiras e as do outro. Um limite marca o lugar onde nossa realidade começa e acaba e também a de nosso parceiro. Limites são uma forma de garantir que podemos ser nós mesmos, assim como podemos nos relacionar intimamente.

São essas fronteiras que nos fazem com que sejamos capazes de conter os sentimentos da pessoa que amamos e assim mesmo preservar nosso coração; que não despejemos nosso "caminhão de lixo" sobre a pessoa amada e transformemos seu coração em nosso depósito de entulho emocional.

Ao saber regular, calibrar, controlar nossos limites, decidimos quem pode se aproximar de nós, e quanto. Aí entramos em contato com nossos desejos, nosso "sim" e nosso "não", que podem ser diferentes no momento dos desejos, do sim e do não do outro. Quando não estamos emocionalmente disponíveis, a porta de nosso coração pode ficar temporariamente fechada. O limite delineia qual é o espaço físico e psíquico de cada um dos amantes. Podemos ser firmes sem ser agressivos.

Existem formas e formas de dizer: "Não gosto, não quero, não vou". Um "não" convicto, mas amoroso, é muito melhor do que um "sim" que contrarie nossos sentimentos. Ao compreender mais sobre limites descobrimos que eles nos protegem sem nos manter afastados de nosso parceiro.

Se tivéssemos sempre limites rígidos, manteríamos o outro fora de muitos espaços de nossa vida e terminaríamos nos sentindo isolados, vazios, alienados. Se tivéssemos apenas limites frágeis, imprecisos, deixaríamos o outro invadir nossa vida de tal maneira que acabaríamos confusos e sobrecarregados com todos os seus problemas, com suas preocupações.

O ideal é estabelecer limites flexíveis, que se abrirão ou se fecharão de acordo com nossos desejos, necessidades, sonhos e esperanças.

 

Maria Helena Matarazzo