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25 de setembro de 2012

Psicoterapia eu?? Não sou louco!




Imagine uma sala escura que você não conhece e vai entrar pela primeira vez, o papel do psicoterapeuta é acender a luz, com a claridade você poderá ver o que tem na sala e decidir o que quer fazer com isso, onde quer sentar, se quer mudar algo de lugar, se vai trocar a mobília ou a cor das paredes, etc. Algumas pessoas acreditam erroneamente, que o psicoterapeuta esta lá para dizer o que você deve fazer com sua vida e por isso não o procuram.

A palavra “psicoterapia” vem de therapia - que significa tratar, cuidar e psic.(o) que se refere a mente, portanto, psicoterapia é um processo de busca de conhecimento e desenvolvimento pessoal e principalmente de ajuda. Psicoterapia não é magia, o psicólogo não tem uma varinha de condão que vai alivia-lo de todos os seus males ou resolver todos as suas dificuldades. A psicologia é uma ciência e uma profissão que tem como objeto de estudo o comportamento humano. O que basicamente orienta o psicólogo não é sua forma pessoal de compreender o mundo, o psicólogo não é um professor da vida, é um profissional treinado e habilitado para conduzi-lo nesse difícil processo de autoconhecimento.

O papel do psicoterapeuta é iluminar o caminho para permitir que você faça escolhas, é difícil escolher no escuro. Não é um doutrinador, alguém que vai impor seus valores morais, crenças e verdades próprias. Também não é um juiz que vai decidir entre certo/errado ou dar seu parecer sobre o que pensa a respeito deste ou daquele comportamento. É alguém que fará uma proposta de relação de respeito, aceitando você como é em sua completude, com suas particularidades, incondicionalmente. Lembre-se: aceitar não significa concordar.

Apesar da similaridade humana, as pessoas são diferentes, justamente por isso, cada processo de psicoterapia é único, cada pessoa é especialmente diferente em suas necessidades, em seu ritmo, e em seus potenciais emocionais, físicos e intelectuais.

Psicoterapia è um processo de mão dupla onde é necessário alguém que queira ajudar (psicoterapeuta) e alguém que queira ser ajudado, mas principalmente, esteja disposto a se ajudar. Ninguém ajuda ninguém que não queira ser ajudado, já dizia meu avô.

O ser humano é resultado de sua história, nascemos com potenciais de saúde (características herdadas) e necessitamos de provisão externa para nos desenvolver. Somos influenciados e influenciamos todo o tempo. Nascemos totalmente espontâneos e criativos e somos moldados para vivermos socialmente, podados de forma mais ou menos severa, dependendo da visão de mundo e principalmente da saúde interna de nossos educadores.

Recebemos modelos sociais todo o tempo, os mais fortes geralmente são os que surgem de nossas primeiras experiências de vida e de vivenciar a sociedade, que acontece através de nossos pais, ou daqueles que fazem esse papel. Você já parou para pensar que toda família tem um código particular? Você já presenciou uma troca de olhares entre dois irmãos que só eles entendem, sem precisarem dizer uma só palavra? Ou regras do tipo: quem se serve primeiro no jantar, as crianças ou os pais?, os da casa ou as visitas? Ou aquela regra que ninguém nunca falou mas que todos na casa sabem?, pois é, isto é família, é código, são alguns dos parâmetros que usamos para nos relacionar com o mundo, consciente e inconscientemente.

Algumas das dificuldades surgem, quando pensamos que todos são iguais, como se todos fossemos da mesma família, com as mesmas regras e hierarquias.

O processo de psicoterapia faz também este trabalho de pesquisa e revela esses códigos, nossa forma de nos relacionar, nossas expectativas e desejos, ajudando a trazê-los para a consciência, e uma vez conscientes, podemos enfim decidir o que fazer com eles, quais alterar e quais preservar.

Nós somos seres sociais, vivemos em relação todo o tempo e necessitamos do outro para crescer e nos desenvolver fisicamente (nos primeiros anos de vida) e psicologicamente (durante nossa vida toda). Somos o resultado de nossas características hereditárias e do nosso potencial de saúde acrescido das influencias que recebemos, resultantes das crenças e dos valores morais de nossos pais/educadores.

Estamos continuamente aprendendo com nossas relações, todo o tempo. A relação de psicoterapia torna-se um novo modelo, uma nova proposta, onde passamos a compreender nossa historia, perceber e entender a nossa responsabilidade naquilo que nos acontece e onde contribuímos, mesmo sem perceber, para nossas dificuldades.



Sirley Bittú 
 
 

23 de setembro de 2010

A mulher e a dor



Quanto mais a medicina avança no conhecimento sobre os mecanismos da dor, mais se aproxima da definição de Platão. Por volta de 380 a.C., ele classificou a dor como uma experiência “do corpo e da alma”.

A dor não é disparada apenas por sensores nervosos. Depende das emoções, da memória, dos hormônios. É por isso que muitas vezes não pode ser debelada apenas com medicamentos. Quem não conhece alguém que sofre de dor crônica, passa a vida se entupindo de remédios e não encontra alívio?

As mulheres sofrem mais. Alguns estudos sugerem que a enxaqueca acomete três mulheres a cada homem. O mesmo ocorre com as dores lombares. A relação é ainda mais desigual no caso da fibromialgia: sete mulheres sofrem do problema enquanto apenas um homem passa por isso. O que explica a diferença? Há várias razões. Mecanismos biológicos explicam parte do problema. Mas influências psicossociais, como ansiedade, depressão e relações familiares, também contam muito.

Determinados perfis emocionais favorecem o aparecimento da dor. Pessoas depressivas, pessimistas, hipocondríacas ou rígidas demais costumam ter mais dores. Variáveis sociais como desilusões amorosas, desemprego e perda de padrão de vida também interferem na gênese da dor. Quando a pessoa não consegue lidar bem com essas situações estressantes, ocorre um desgaste mental que provoca reações fisiológicas. O cérebro acostuma-se a responder a qualquer situação negativa disparando os mecanismos da dor.

A relação entre emoções e dor crônica é estudada pelo Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Durante um ano, foram mapeados os principais fatores emocionais que influenciam na qualidade de vida de 173 mulheres e foram descobertas coisas interessantes:

• 74% percebem que a depressão aumenta a dor;

• 65% sentem que o stress aumenta a dor;

• 56% dizem precisar de mais carinho quando sentem dor;

• 43% reconhecem que é possível aprender a lidar com a dor; e,

• 36% dizem que a dor diminui quando estão relaxadas

Um outro índice chama a atenção: 58% das mulheres se dizem decepcionadas com os remédios. Desistiram de procurar ajuda. É o sinal de que o tratamento da dor necessita de outras estratégias. O apoio psicológico torna-se fundamental e não necessariamente tem que ser psicoterapia.

É grande a eficácia de grupos de apoio nos quais as pessoas que sentem dor possam se reunir e trocar experiências. Mulheres que sentem dor o tempo todo acham que chateiam a família. Desistem de falar sobre o assunto e ficam amarguradas. Depois de um ano de encontros com outras mulheres, a dor de muitas delas diminuiu. Isso reafirma algo que muita gente acha que sabe, mas nem sempre aplica: ninguém merece sofrer sozinho e em silêncio.



Autor: Cristiane Segatto