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6 de julho de 2012

Alguns modos de ser das mulheres



Estou consciente das dificuldades e da magnitude do desafio de escrever sobre a questão feminina. Temos que ir adiante e buscar explicações e afirmações que ultrapassem os limites do pensamento tradicional. Não adianta dizer e pensar que as mulheres querem mesmo é romance e que os homens querem só dinheiro, poder e sexo. Não há vilões e vítimas nesta história e a maioria das pessoas age de acordo com o que aprendeu e não obrigatoriamente de acordo com suas convicções ou objetivos. 

A verdade é que existem dois grandes grupos de mulheres: as que se apresentam socialmente de forma recatada; e aquelas que se colocam de forma exibicionista, tratando de atiçar o desejo masculino. Não saberia dizer qual a porcentagem de cada um destes grupos, mas é provável que entre as mais belas predominem as do segundo grupo e que muitas das mais recatadas ajam assim por estarem convencidas de que não serão capazes de provocar o desejo masculino. 

Entre as que se colocam de forma recatada existem as que aprenderam a se colocar desta forma por quererem ser vistas como moças sérias e que só estão mesmo interessadas em compromissos sérios. Elas mantêm uma certa ingenuidade em relação ao poder sensual feminino. São poucas e muitos homens pensam que as mulheres em geral desconhecem o poder que elas têm de despertar o desejo masculino. Outras, também recatadas, sabem muito bem que são dotadas deste poder, mas consideram imoral ou perigoso exercê-lo. Imoral, porque não acham legítimo provocar o desejo e depois não terem o menor interesse em satisfazê-lo. Perigoso, porque poderão ser objeto do assédio ativo de alguns homens contra os quais se acham indefesas. A maior parte das mulheres recatadas é moralmente bem constituída e parece não estar disposta a se beneficiar de uma vantagem que tem, mas que não fez nada para merecer. 

As mais exibidas também são de dois grupos: as que usam e abusam do poder sensual que têm; e as que sabem do poder, gostam da gratificação à vaidade que o exibicionismo determina, mas, apesar disso, não estão interessadas em fazer um uso malévolo dele. As primeiras deste grupo correspondem às mulheres egoístas, aquelas que abriram mão do prazer erótico e transformaram sua sensualidade em arma de dominação e de extrair vantagens nas relações com eles. Pode ser que usem o discurso romântico, podem dizer que estão atrás de um grande amor, podem dizer o que quiserem. A verdade é que são mulheres poderosas e que estão querendo negociar este poder por dinheiro. Isso de forma direta ou indireta. Estão mesmo é atrás de homens poderosos e ricos, a quem pretendem subjugar e extrair vantagens de todo o tipo. Os homens que aceitam conviver com estas mulheres o fazem por vaidade, pelo fato de se sentirem muito bem socialmente ao lado de beldades cobiçadas por tantos outros. 

As que gostam de se exibir, mas procuram mesmo um relacionamento de qualidade, que têm caráter e estão em busca de relacionamentos estáveis, vivem uma condição complicada e dramática. Os homens são atraídos por elas, mas muitas vezes têm medo de se aproximar. Os que se aproximam costumam ser os mais cafajestes, mais caras-de-pau. Estes são os que só estão atrás de intimidades eróticas. Elas querem romance, transmitem uma imagem de que querem sexo, atraem todos os homens e só os mais ousados conseguem chegar nelas. Não costumam encontrar os relacionamentos amorosos que pretendem e acusam os homens de serem “todos” iguais, de só quererem sexo etc... Nada disso é verdade. Existem tantos homens que querem relacionamentos intensos e de qualidade sentimental quanto mulheres. As generalizações são ruins. Os homens não entendem as mulheres, não sabem como decodificá-las. Elas não são claras ao se colocarem socialmente, porque não sabem muito bem como lidar com sua sensualidade, que mesmo não sendo o objetivo final da maioria delas, é o que mais exibem. 

Não acho que as mulheres são todas iguais e nem que os homens sejam todos do mesmo tipo. Agora, penso que há mais tipos femininos e que muitas mulheres são confusas acerca do que querem para si. Os homens são sim mais simples e mais fáceis: querem se dar bem na vida tanto porque isso é bom para sua autoestima e para sua vaidade como porque este é o caminho para se sentirem com condições para terem acesso à mulher dos seus sonhos. À mulher, para os românticos; às mulheres para os mais eróticos. As mulheres são mais confusas também em relação a isso: querem carreira ou marido? Ou os dois? Querem carreira, marido e filhos? Dão conta disso? Querem marido e filhos e abrem mão da carreira? Acho que existem todos os tipos. Acho apenas que seria mais fácil se elas fossem mais explícitas quanto às suas pretensões. 

Flávio Gikovate

11 de março de 2012

Sobre gatos e lebres


Eis a minha nada inovadora máxima: na teoria, a maioria dos homens quer uma companheira independente e moderna. Mas, na prática, anseia mesmo é por um Amélia.

Não que se dêem conta disso, conscientemente. Eles juram de pés juntos que não querem “mulheres prendadas” como as do passado, de forno e fogão, cama e mesa. Querem uma mulher com quem se identificam intelectualmente e a qual respeitam profissionalmente.

Mas no insconsciente, a coisa muda de figura. O desejo é por uma mulher que cuide do lar, faça canja de galinha em caso de doença e cozinhe quitutes de lamber os beiços. É quase uma genética cultural. Um determinismo social.

E quando o inconsciente toma conta, mesmo os homens mais desencanados declamam perguntas conhecidas, como robôs preprogramados: “o que você preparou para o jantar?”, “passa a minha camisa, por favor?”, “cadê a minha cueca?”.

Aqui no Oriente Médio, essa dicotomia masculina fica ainda mais latente. Na maioria dos países árabes, os papéis são claros. Os homens são os provedores, as mulheres, donas-de-casa. E ponto final. Com raríssima exceções.

Mas aqui em Israel, tudo parecia ser diferente. Israel é repleto de contrastes e de imigrantes de várias partes do mundo. Mas o etos do país é de um Estado ocidental, moderno, desenvolvido. Os homens, aqui, hoje em dia, lavam louça, trocam fraldas, passeiam com os filhos nos fins de tarde. E as mulheres trabalham, desenvolvem carreiras. Muitas chefiam o lar. Os papéis são menos claros (há exceções, claro, como entre os ultraortodoxos judeus ou os muçulmanos mais concervadores).

Justamente por isso é que tenho a sensação de que tanto eu quanto meu marido levamos gato por lebre quando nos casamos.

Eu porque tinha certeza de ter encontrado um companheiro que acreditava na utópica divisão meio-a-meio das tarefas domésticas. E ele porque achava que queria dividir essas tarefas, mas, na verdade, quer mesmo é se esparramar no sofá e navegar horas a fio na internet. A louça na pia? Uma vez a cada 29 de fevereiro ele lava. Mas, no dia a dia, se eu não botar a mão na espuma, os pratos e copos pode ficar na pia até mofar. A roupa suja? Se eu não enfiar na máquina, pode acumular até ele ter que comprar meias novas.

Tenho conversado sobre isso – ou melhor, reclamado disso – com diversas amigas israelenses. E elas me dizem a mesma coisa. O marido jurava ser todo moderninho, ser de uma geração em prol da igualdade entre os sexos, blablabla, mas na hora do “vamos ver”, se comporta como um suserano diante de vassalas que deveriam serví-lo.

Aqui tenho que fazer uma ressalva: as mulheres – eu incluída – também não estão livres da tal genética cultural, com ou sem movimento feminista. Admito. Outro dia o carro quebrou e liguei mecanicamente para o meu marido. Carro é coisa de homem, né? Ele que leve à oficina, oras bolas, até porque mecânico aqui é igual a no Brasil: adora cobrar mais caro de mulheres, trocar uma parafuseta a mais, essas coisas.

Aliás, marido, aproveita e calibra os pneus, tá?, porque fiz as unhas ontem (e aqui manicure custa o triplo do Brasil).

Pensando bem, eu é que sou minha própria lebre. Acho que quero um homem que divida comigo o fardo do dia a dia. Mas, na verdade, quero é um príncipe encantado que cuide de mim, traga o sustento do lar e leve o carro para o conserto. Em troca, posso até fazer uma canjinha para ele em dia de resfriado.


Daniela Kresch

9 de março de 2012

Mulheres...



Mulheres fracas, fortes.
Não importa.
Mulheres mostram que mesmo através da fragilidade.
São fortes o bastante para erguerem sempre cabeça
Sem desistir, pois sabemos que somos capazes de vencer.

Temos a delicadeza das flores
A força de ser mãe,
O carinho de ser esposa,
Reciprocidade de ser amiga,
A paixão de ser amante,
E o amor por ser mulher!

Somos fêmeas guerreiras, vencedoras,
Somos sempre o tema de um poema
Distribuímos paixão, meiguice, força, carinho, amor.

Somos um pouco de tudo
Calmas, agitadas, lentas!
Vaidosas, charmosas, turbulentas.

Mulheres fortes e lutadoras.
Mulheres conquistadoras
Que amam e querem ser amadas
Elegantes e repletas de inteligência

Com paciência
O mundo soube conquistar.
Mulheres duras, fracas.
Mulheres de todas raças
Mulheres guerreiras
Mulheres sem fronteiras
Mulheres... Mulheres...



Rozilene P. de Souza



 

6 de novembro de 2011

Mulher de atitude assusta ou encanta?



Nos últimos 30 anos, mais ou menos, o universo feminino tem experimentado profundas e inimagináveis mudanças. Se isso é bom ou ruim? Depende! Depende de como cada mulher encara e lida com essas mudanças. Depende da flexibilidade, da capacidade de ponderação, da noção de si em relação ao que acontece no mundo.

Enfim, mudanças são inevitáveis desde que a humanidade existe. Isto é fato e, portanto, indiscutível. Agora, sabemos que quando se trata de coração, amor e relações afetivas, as mudanças são sempre polêmicas e pedem um tempo para serem compreendidas, assimiladas e transformadas em possibilidades positivas, altruístas e criativas. Cada um no seu ritmo, ao seu tempo...

E com as mulheres de atitude, o caso não é diferente! Hoje mesmo, pra começarmos a ter uma noção de que tipo de atitude podemos estar falando, recebi uma notícia por e-mail que dizia assim: Site de traição registra mais de 11 mil mulheres em apenas um dia. Brasil é o país com maior índice de traição e amantes nos locais onde o site já atua. Obviamente, o título me chamou a atenção e fui ler do que se trata. Resumindo: foi criado um site, já presente em vários países, e lançado no Brasil há 42 dias, para pessoas infelizes no atual relacionamento encontrarem amantes dispostos a ter apenas casos discretos.

A matéria aponta o número de registros de homens – que ainda é maior comparado com o das mulheres – e ainda arrisca estatísticas e razões para tudo isso. E fiquei me perguntando: o que é que está acontecendo conosco, meu Deus? O que significa essa busca? Medo? Conformismo? Desesperança? Excesso de atitude feminina? Falta de atitude masculina? Tudo isso junto e ao mesmo tempo?

Bem, penso que nenhuma dessas perguntas ou das respostas que poderíamos encontrar sejam um motivo por si só. Evidente que esse panorama é resultado dessas últimas décadas de mudança não só nas atitudes femininas como também nas masculinas. E muito mais vêm por aí, sem dúvida.

Somos um sistema. Não tem essa de encontrar os responsáveis. As mulheres não são o que são apenas por si mesmas e nem os homens. Afetamos e somos afetados pelo outro, sempre! Mas a impressão que me fica é a de que perguntas como essa que fiz no título deste artigo (Mulher de atitude assusta ou encanta?) jamais deveriam ser levadas em conta no momento de nortear o próximo passo feminino ou o próximo julgamento masculino e vice-versa.

Penso estar mais do que na hora de começarmos a formular perguntas e buscar respostas dentro da gente e não fora. Importa muito menos o fato de uma mulher estar encantando ou assustando os homens com suas atitudes do que o fato de ela se questionar se estas atitudes estão realmente coerentes com seu coração, seu desejo mais genuíno e as reais intenções para sua vida!

Ainda aposto que atitudes espontâneas, sintonizadas com sentimentos conscientes, sejam sempre encantadoras; enquanto que atitudes imbuídas de estratégias e joguinhos sejam sempre assustadoras, ainda que demorem a revelar estas facetas. O fato é que quanto mais as pessoas se tornam fakes, pouco importa qual imagem estão vendendo, o resultado nunca poderá ser bom!

De modo que a minha sugestão, às pessoas que se relacionam para fazer o amor valer a pena e não para pegar o primeiro atalho e amenizar os desafios da atual relação, é que procurem ter atitudes sempre. E que procurem o equilíbrio: nem se ausentar e nem se exceder. Mas como isso nem sempre é fácil, quando não souberem o que fazer, apenas esperem, em silêncio, ouvindo o próprio coração, até que a melhor resposta apareça.

Porque, no final das contas, é sempre melhor calar enquanto não houver nada de bom a dizer. Assim como é sempre melhor aquietar enquanto não houver nenhuma atitude em harmonia com seu coração a ser tomada!



Rosana Braga 



28 de outubro de 2011

A nova mulher em busca da plenitude




Já há algum tempo venho observando a maneira com que muitas mulheres têm conduzido sua vida. A causa de tantos comportamentos incoerentes e desencontrados seria irrelevante detalhar aqui: conquistas e mudanças que elas mesmas têm provocado em todo o mundo ao longo das últimas décadas – sejam as construtivas e dignas de méritos incontestáveis, sejam as deturpadas e equivocadas.

Mas meu intuito não é relatar a história e sim a essência da mulher; é falar da alma feminina e não dos estereótipos, máscaras e papeis que elas vêm utilizando para garantir seu espaço e demarcarem sua capacidade de ir além do esperado.

Infelizmente, feridas por regras patriarcais, muitas mulheres saíram do extremo da submissão em busca de seu real valor, mas se perderam. Assim, morrendo de medo de se sentirem novamente amarradas pelas rédeas do passado, insistem em renegar sua alma acolhedora, sua beleza encantadora, seu coração fértil, receptivo...

Neste momento, desejo enaltecer esse doce coração, provocar - no bom sentido - o desabrochar completo desta alma legitimamente sensível, terna, plena!

Que possamos, especialmente hoje e a partir de agora, baixar as armas, as defesas e as desconfianças... e simplesmente ser mulher – com todos os predicados que esse lugar nos cabe! Porém, não com um comportamento maquiado, afiado, dolorosamente sociabilizado. Proponho um comportamento autêntico, com direito à sua notável delicadeza, à doçura que tantas vezes é substituída pelo espírito de competição e comparação equivocada com os homens.

Que deixemos, enfim, de lutar por uma igualdade genuinamente impossível, que mais nos desvalorizaria do que enobreceria. Que passemos a assumir nossas maravilhosas e caras diferenças e atuemos decididamente a partir de nossa feminilidade essencial, preciosa, sublime. E que façamos isso, sobretudo, no exercício de conduzir as nossas relações, seja no âmbito profissional ou pessoal.

Desejo que nós, mulheres, recuperemos nossa capacidade de sedução e envolvimento – no sentido mais amplo dessas expressões – sem, contudo, termos de agir como os homens. Não somos homens. Não somos melhores nem piores. Somos mulheres, somos o feminino divinamente complementar do masculino e vice-versa.

Não precisamos de igualdade, apenas de nossa singularidade. Portanto, sugiro que sejamos firmes, justas e produtivas, mas sem nunca renegarmos nossa natureza criadora e criativa. E com certeiros atos, que possamos, de fato, conquistar o mundo.

Porém, não falo de uma conquista cujo adversário se chama homem! Não precisamos de adversários, mas de companheiros, aliados, protetores e amigos. Quando proponho que nos comportemos femininamente, estou sugerindo o exercício da lucidez feminina, da capacidade que temos de conciliar e compreender, de um gesto que perdoa, um abraço que envolve, de uma conduta que nutre e floresce o que está ao seu redor...

Sei que muitas mulheres são subjugadas e até desvalorizadas em seu ambiente de trabalho e até mesmo em suas relações afetivas; sei que muitas delas não encontram espaço para sua expressão máxima e contundente. Por isso mesmo, hoje especialmente, quero defender a urgência do deixar-ser e levantar a bandeira em nome do SER MULHER!





Rosana Braga 



Amigos e Amigas, 
Ofereço este texto da incrível escritora Rosana Braga para a minha queridíssima amiga Meire, que todos conhecem e amam, do doce Blog "My Crystal Visions",  pela qual nutro um amor e um carinho enormes, e que está completando hoje, 28 de outubrode 2011, 23 aninhos!
Menina meiga, mulher forte e verdadeira, escritora, poetisa, em busca de sua plenitude... Um ser humano lindo, digno de muita admiração!!! Obrigada, Meire, Princesa de Cristal, por representar tão bem o mundo feminino. Tenho muito orgulho de você. E tenho a grande honra de tê-la como amiga, pois você é o meu diamante! "And diamonds arre forever...".




15 de junho de 2011

A lição das camareiras




 
Prestei atenção nas imagens das camareiras de Nova York, que vaiam e xingam Dominique Strauss-Khan quando ele desce de uma limousine para comparecer ao tribunal onde responde a uma acusação de estupro. O retrato marca uma virada na história.

Fiquei emocionado só de olhar para aqueles rostos duros, com raiva. Prestei atenção nos músculos, nos dentes, nos olhos, nas mãos.

Nós sabemos que pode-se medir o grau de civilização de toda sociedade pelo tratamento que reserva às mulheres.

As camareiras de Nova York mostram que o mundo mudou. Lembram que mesmo nos escalões menos protegidos da sociedade não é mais possível atacar nem humilhar mulheres com certeza da impunidade. Sua dor e sua raiva espalha-se pelo mundo, chega a nossas casas, inspira conversas e reações de repúdio. Olhando para aqueles rostos, imaginei: quantas entre elas passaram pelo mesmo sofrimento? Quantas sofreram apenas de pensar no risco?

Mesmo pobres, em busca de muitos direitos, a palavra dessas mulheres já não pode ser ignorada nem distorcida para atender as conveniencias de quem reside na outra calçada dos generos humanos e em outro patamar da pirâmide social.

Há pouco tempo era possível encontrar pessoas capazes de sustentar a tese criminosa de que não existe estupros — apenas mulheres que não souberam ou nem quiseram resistir como era preciso. É inacreditável mas é verdade.

O processo de Strauss Khan pode se tornar exemplar em função deste aspecto. Os estupros sempre foram praticados e perdoados, no mundo inteiro, graças a um cotidiano de massacre moral das mulheres, pelo esforço permanente para diminuir sua credibilidade, negar o direito de decidir sobre seu corpo e até fazê-las sentir vergonha por seu sofrimento.

Nós sabemos que, em qualquer área da existência humana, o melhor remédio para se enfrentar um crime não são cursos educativos, nem discussão sobre valores morais — mas a certeza da punição.

É certo que toda pessoa tem direito a ser considerada inocente até prova em contrário. O caso também possui aspectos políticos que não podem ser ingorados.

A denuncia contra Strauss Khan, porém, é fortíssima e detalhada. Momentos depois do ataque, quatro funcionários que exercem funções diferentes no hotel de luxo em que ele se hospedara conversaram com a camareira fez a acusação de estupro. Ela estava descontrolava, chorava sem parar, vomitava, e ainda assim fez um relato detalhados e coerente do que ocorreu.

Paulo Moreira Leite

B.J.Thomas - Raindrops Keep Falling On My Head





24 de maio de 2011

O mito da mulher misteriosa



Com certeza você já deve ter visto uma dessas ou no seu trabalho, grupo de amigos ou mesmo andando nas ruas. Talvez você até mesmo seja uma dessas mulheres.

É fácil reconhecer a mulher misteriosa. Ela jamais atende o celular na sua frente. Se levanta e vai atender bem longe de você. E você não sabe se ela está narrando alguma postura do Kama Sutra ou uma receita de bolo de fubá da vovó. O toque do seu celular é discretíssimo e você nem percebe que ela saiu de perto pra atender. Porque ela também é discretíssima.

Por que terminou o namoro da mulher misteriosa? Ela enjoou dele? Levou um pé na bunda? O cara morreu? Ela tá sofrendo? Você nem sonha. Ela não conta nem pro terapeuta. Aliás, você também jamais vai descobrir se existe um terapeuta.

Sua idade é entre 25 e 38 anos. Não dá pra saber só de olhar. Seu rosto se desfaz em segundos. Talvez ela more nos Jardins. Pinheiros. Veio de Curitiba. Ela é carioca? É ali por perto, você acha. Seu carro é preto ou cinza, quase certeza. Ela gosta de música, porque vive de I-pod. Mas o que será que ela escuta? Nada. você não sabe absolutamente nada da mulher misteriosa. Quando você a encontra no banheiro, dá um segundo e ela desapareceu. E você louca pra descobrir, ao menos, a marca da sua pasta de dente.

Numa mesa de bar com conversa animada ela se limita a sorrir. Numa festa importante ela se limita a aparecer por minutos e desaparecer em segundos. Em um show ela jamais canta as letras, rebola, comemora, fica suada. Aliás, quem é que já encontrou ela em algum show? Ou em algum lugar? Mas era ela, não era?

Dizer seu nome em vão parece até um pecado. Ela nunca fala de ninguém e muito menos dá assunto para alguém falar dela. Não se tem nada a dizer dessa mulher. Mas, para desespero geral de todas as outras mulheres, o mundo não tem outro assunto.

Todos os homens desejam loucamente a mulher misteriosa. Todas as mulheres desejam loucamente a mulher misteriosa. Sua personalidade incerta acaba se tornando uma personalidade fortíssima e seu jeito anulado acaba se tornando um espaço gigantesco para todos imaginarem o que bem quiserem.

E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já to rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada e publiquei numa revista. E o fulaninho ta morrendo de medo porque escrevi que gosto dele. E se alguém perguntar, vou dizer mesmo que goste dele. E se ele não gostar de mim, minha tristeza não será segredo para ninguém. E minha pasta de dente é para deixar os dentes branquinhos. E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma.

E sofri anos com isso. Até que resolvi conviver de perto com algumas mulheres misteriosas para tentar descobrir o que se passa na cabeça e na alma desses seres incríveis que nunca têm nada a dizer, a doer, a aconselhar, a cantar, a dançar, a morrer de rir, a fofocar, a detalhar, a exagerar, a sonhar, a dividir, a acrescentar. E descobri que a coisa era muito mais simples do que eu imaginava: nada. Não se passa nada de relevante nem na cabeça e nem na alma dessas mulheres.

As mulheres misteriosas, tão admiradas e desejadas, não passam de mulheres sem a menor graça. Elas não calam por mistério, charme ou discrição. Calam porque simplesmente não há nada mais sábio que elas possam fazer.

Tati Bernardi 

8 de maio de 2011

A nova mulher em busca da sua plenitude




Já há algum tempo venho observando a maneira com que muitas mulheres têm conduzido sua vida. A causa de tantos comportamentos incoerentes e desencontrados seria irrelevante detalhar aqui: conquistas e mudanças que elas mesmas têm provocado em todo o mundo ao longo das últimas décadas – sejam as construtivas e dignas de méritos incontestáveis, sejam as deturpadas e equivocadas.

Mas meu intuito não é relatar a história e sim a essência da mulher; é falar da alma feminina e não dos estereótipos, máscaras e papéis que elas vêm utilizando para garantir seu espaço e demarcarem sua capacidade de ir além do esperado.

Infelizmente, feridas por regras patriarcais, muitas mulheres saíram do extremo da submissão em busca de seu real valor, mas se perderam. Assim, morrendo de medo de se sentirem novamente amarradas pelas rédeas do passado, insistem em renegar sua alma acolhedora, sua beleza encantadora, seu coração fértil, receptivo...

Neste momento, desejo enaltecer esse doce coração, provocar - no bom sentido - o desabrochar completo desta alma legitimamente sensível, terna, plena!

Que possamos, especialmente hoje e a partir de agora, baixar as armas, as defesas e as desconfianças... e simplesmente ser mulher – com todos os predicados que esse lugar nos cabe! Porém, não com um comportamento maquiado, afiado, dolorosamente sociabilizado. Proponho um comportamento autêntico, com direito à sua notável delicadeza, à doçura que tantas vezes é substituída pelo espírito de competição e comparação equivocada com os homens.

Que deixemos, enfim, de lutar por uma igualdade genuinamente impossível, que mais nos desvalorizaria do que enobreceria. Que passemos a assumir nossas maravilhosas e caras diferenças e atuemos decididamente a partir de nossa feminilidade essencial, preciosa, sublime. E que façamos isso, sobretudo, no exercício de conduzir as nossas relações, seja no âmbito profissional ou pessoal.

Desejo que nós, mulheres, recuperemos nossa capacidade de sedução e envolvimento – no sentido mais amplo dessas expressões – sem, contudo, termos de agir como os homens. Não somos homens. Não somos melhores nem piores. Somos mulheres, somos o feminino divinamente complementar do masculino e vice-versa.

Não precisamos de igualdade, apenas de nossa singularidade. Portanto, sugiro que sejamos firmes, justas e produtivas, mas sem nunca renegarmos nossa natureza criadora e criativa. E com certeiros atos, que possamos, de fato, conquistar o mundo.

Porém, não falo de uma conquista cujo adversário se chama homem! Não precisamos de adversários, mas de companheiros, aliados, protetores e amigos. Quando proponho que nos comportemos femininamente, estou sugerindo o exercício da lucidez feminina, da capacidade que temos de conciliar e compreender, de um gesto que perdoa, um abraço que envolve, de uma conduta que nutre e floresce o que está ao seu redor...

Sei que muitas mulheres são subjugadas e até desvalorizadas em seu ambiente de trabalho e até mesmo em suas relações afetivas; sei que muitas delas não encontram espaço para sua expressão máxima e contundente. Por isso mesmo, hoje especialmente, quero defender a urgência do deixar-ser e levantar a bandeira em nome do SER MULHER!

Que todos nós possamos reconhecer o feminino que há em cada um, o feminino Gaia, o feminino que gera e dá à luz tudo o que é vivo... para que o mundo seja salvo da agressividade, do abandono e da carência profunda de afeto que vem sofrendo!

A gentileza é feminina!


Rosana Braga


Minha homenagem a todas as mães! 


 

7 de maio de 2011

Alma da mulher





Nada mais contraditório do que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas, num único olhar.
Que cobra de si a perfeição
e vive arrumando desculpas
para os erros daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas,
dá a luz e depois fica cega,
diante da beleza dos filhos que gerou.
Que dá as asas, ensina a voar
mas não quer ver partir os pássaros,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito,
ainda que seu amor
nem perceba mais tais detalhes.
Que como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso
as dores que sente na alma,
só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte,
pra dar os ombros
para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por um dia
souber entender a alma da mulher!


Fatima Ayache


Para  a minha doce guerreira mãe Marina!





8 de março de 2011

Sobre a mulher


" Homem, cuida-te muito em não fazer chorar uma mulher,
pois Deus conta as lágrimas.
A mulher foi feita da costela do homem,
não dos pés para ser pisoteada,
nem da cabeça para ser superior
mas, sim, do lado para ser igual....
debaixo do braço para ser protegida
e do lado do coração para ser amada".


Taumude hebraico

7 de março de 2011

A mulher boazinha




Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.

Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.

Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: 
somos atrizes, estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.

Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.



Martha Medeiros 

5 de março de 2011

A mulher que sabe amar...




"A mulher que sabe amar é mestra do homem. Jamais governanta.

A mulher que sabe amar não irrompe nem interrompe. Chega suave.

A mulher que sabe amar conhece a sua superioridade e os limites desta.

A mulher que sabe amar sabe ser mãe e ser um furor na cama.

A mulher que sabe amar jamais se deixa subjugar. Nem subjuga.

A mulher que sabe amar sabe que não basta ter razão. Precisa saber ter razão.

A mulher que sabe amar é o ser mais elevado que há na terra.

A mulher que sabe amar cala quando sabe não ser compreendida e fala na hora certa.

A mulher que sabe amar jamais diz: eu não falei que não ia dar certo.

A mulher que sabe amar compreende os filhos e sem pretender ensina amor ao marido.

A mulher que sabe amar por ser superior não se preocupa em mandar.

A mulher que sabe amar não sabe obedecer cegamente: ou compartilha ou se separa.

A mulher que sabe amar sabe tanto de moda quanto de arte.

A mulher que sabe amar educa sem reprimir e orienta sem impor.

A mulher que sabe amar fala baixo, não usa perfumes exagerados e ama a alma.

A mulher que sabe amar conversa com Deus e partilha com a família,

A mulher que sabe amar sente sua máxima realização quando amamenta.

A mulher que sabe amar tem orgasmo, é abençoada pela bondade.

A mulher que sabe amar não faz alarde de sua superioridade sobre o homem.

A mulher que sabe amar é a responsável pela sobrevivência da espécie humana.

A mulher que sabe amar jamais ouvirá de seu marido a frase:

Eu não tenho opiniões: tenho esposa....".



Artur da Távola


1 de março de 2011

O que faz diferença




Quando paramos e olhamos atentamente à nossa volta, vemos uma multidão de pessoas indo e vindo em turbilhões – algumas concretizando negócios, outras buscando oportunidades, algumas preocupadas e até desanimadas com a situação atual, outras aflitas em busca de conquistar seus objetivos e ainda muitas outras sem quaisquer perspectivas de vida. Em meio de tantas incertezas e transformações, qual o diferencial, nos dias de hoje, das pessoas e das organizações?

As possibilidades de aprimoramento somada à moderna tecnologia, passaram a ser um bem comum, disponível e acessível a todos. Hoje, o que faz a grande diferença nas organizações é o ser humano. Somente através das qualidades pessoais é possível ampliar resultados frente à acirrada competitividade do mercado. Então, cabe ao profissional desenvolver e aprimorar suas habilidades, pois quanto maior o volume de atributos pessoais, mais chances de conquistar uma oportunidade. E nisso as mulheres são especialistas.

Algumas características como a sensibilidade, afetividade, versatilidade, percepção aguçada, entre outras, que até pouco tempo eram consideradas fraquezas, hoje, passaram a somar e são consideradas essenciais no processo produtivo das organizações. Características que nós homens escondemos ou afogamos para não parecermos frágeis. Em contrapartida, as mulheres sempre cultivaram como um dom, buscando sempre desenvolvê-las e amadurecê-las em cada situação.

Diferenças entre o perfil masculino e feminino no trabalho são sensíveis, mas não devem ser generalizadas. O que antes era considerado como obstáculo – a divisão entre problemas domésticos e necessidades profissionais –, hoje a mulher já consegue equilibrar esses dois desafios de sua vida. Sua participação no mundo dos negócios e a própria independência financeira vêm mudando a forma com que os produtos e serviços são desenvolvidos, comercializados e distribuídos.

Sabemos que as mulheres têm maior atividade econômica do que nunca e que estão em posições cada vez mais importantes. Pesquisas demonstram crescimento constante na participação da mulher em cargos mais altos das empresas. Cargos que antes eram ocupados pelos homens, hoje contam com a participação feminina.

Uma coisa é certa. A mulher de hoje e do futuro estará cada vez mais sendo chamada à responsabilidade profissional, familiar e social, sem perder suas características fundamentais de carinho, dedicação e ternura.

Por isso, é primordial que você, mulher, não deixe passar as oportunidades de aprimoramento, quer seja pessoal ou profissional. Você é um dos diferenciais de mercado e quanto mais se conscientizar e buscar o aprimoramento, maior será o espaço que ocupará dentro desse mundo repleto de transformações.

Então não seja apenas uma profissional, mas sim a melhor. É preciso trabalhar, batalhar, lutar e ir atrás daquilo que se quer. A recompensa do trabalho vem com a satisfação de se sentir bem, útil e estar produzindo algo que gosta realmente de fazer. Ouse, seja arrojada e não tenha medo de errar. Não pense se algo dará certo ou não, é preciso tentar, arriscar, traçar metas. Isso com certeza lhe trará o caminho para o sucesso. 


Roberto Shinyashiki


8 de janeiro de 2011

Mulher ciumenta



Em novembro passado, quando eu estava de férias em Londres, foi ao meu quarto do hotel, consertar o ar condicionado, um sujeito gordinho e circunspecto. Era de Chipre, ilha-país na costa da Turquia. Quando eu disse que vinha do Brasil, os olhinhos azuis dele se fecharam num ar de cumplicidade.

"Fui casado com uma brasileira", contou.

"Que sorte a sua", eu respondi. Ele fez cara de que não fora tão bom.

"Era uma mulher muito ciumenta", ele disse. "São todas assim?"

Eu respondi ao sujeito que não, mas ele fez cara de que não estava convencido. Vai saber o que a conterrânea havia aprontado com ele.

Na minha experiência, o ciúme não tem sido frequente. Houve uma namorada que fazia questão de ser agressiva com as mulheres que se aproximavam. Era uma demarcação gratuita de território que me deixava furioso. Outra gostava de fazer comentários privados para desqualificar as moças ao nosso redor: vulgar, burra. Haverá quem se envaideça com esse tipo de demonstração de insegurança, mas eu acho detestável. Homens ciumentos matam, mulheres ciumentas sabotam a relação. Na canção Medo de amar, Vinícius de Moraes diz que o ciúme "é o perfume do amor". Eu diria que é o veneno.

Mas, pelo que vejo por aí, "todas" as mulheres fazem besteiras por ciúme. Às escondidas. É normal que vasculhem os bolsos das calças dele atrás de evidências de vida paralela. Há quem avance a linha do tolerável e vá espiar o celular ou e-mail do marido - coisas que, segundo a lei brasileira, são puníveis com cadeia.

Muitas dessas ações e sentimentos se alimentam de impulsos interiores que pouco ou nada têm a ver com a realidade. As pessoas imaginam situações e agem de acordo com elas, em total desacordo com as circunstâncias. É uma questão de história pessoal e de personalidade. Mas isso e só um pedaço da explicação.

Outra parte da ciumeira feminina é socialmente alimentada. Existe no Brasil uma cultura do barraco em que as mulheres são ensinadas desde crianças a se colocar como vítimas agressivas. São vítimas das outras mulheres (vacas, piriguetes e vagabundas) e dos homens (safados, malandros, mentirosos). Por isso é legítimo controlar, demarcar, ameaçar - com a tácita aprovação das companheiras. Se não existisse essa cultura do barraco, o ciúme seria tratado com muito menos tolerância.

Tal como é, porém, ele virou "tempero do amor". Muitas mulheres acreditam que pegar no pé do parceiro faz parte da etiqueta do afeto. Outras repetem que sem medo de perder não há desejo. Juram que ciúme é prova de amor.

Pode ser, mas eu duvido. A questão é: como mostrar isso para a mulher ciumenta que espera o seu telefonema? Com demonstrações de afeto verdadeiro, eu acho. Com um comportamento leal. Com conversas que a façam entender que exibições de ciúme são destrutivas. Com a insistência em que existem outras maneiras de ser mulher além daquela preconizada pela cultura do barraco. Com a descoberta comum de que a felicidade passa pela redução, não pelo cultivo do ciúme.

Pode-se amar uma mulher ciumenta, mas não se deveria fingir que ela está certa - nem permitir que os medos dela controlem sua vida. Ou a dela.


Ivan Martins 

20 de dezembro de 2010

Gravidez acidental não existe


Comecei a pensar sobre o assunto quando uma amiga me disse que sua amiga havia engravidado por acidente. Ela não era nenhuma adolescente: tinha mais de 35 anos. Se ela tivesse começado a vida sexual aos 15 anos, a média entre os brasileiros, isso quer dizer que ela conseguiu evitar uma gravidez com sucesso por 20 anos. Até acontecer o “acidente”. Não é estranho? 

Até existe camisinha que estoura. Mas o acidente costuma acontecer por imperícia de quem usa esse método do que por falha no produto. E, ainda assim, há o recurso da pílula do dia seguinte. Até já houve caso de pílula anticoncepcional de farinha, mas virou processo na Justiça. E, pode haver falhas diversas de prescrição médica, garantindo que alguém não pode engravidar quando, na verdade, pode. Mas isso é mesmo um acidente ou é um erro médico? 

O que quero dizer é que são pouquíssimos os casos de gravidez acidental. E muitos os casos de gravidez indesejada, não-planejada, mas que não foi evitada como deveria. Talvez, se tivesse feito o que vinha fazendo há 20 anos, essa amiga da minha amiga não teria se surpreendido com o resultado do teste de gravidez. Mas, se até os 35 ela nunca tinha usado nenhum método contraceptivo e não tinha engravidado, realmente estava querendo testar as probabilidades e até que se saiu bem! 

Nos Estados Unidos, mais de um terço das mulheres que engravidam não queriam ter um filho, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Até tentei encontrar dados sobre isso aqui no Brasil, mas faltam-nos estatísticas detalhadas sobre planejamento familiar. O mais interessante é que a grande maioria das mulheres lá engravidou porque não usou um método contraceptivo ou o usou de maneira incorreta. 

Uma pesquisa feita pelo CDC e publicada em agosto sugere que 4,5 milhões de americanas com vida sexual ativa não usam anticoncepcional, embora afirmem querer evitar gravidez. Você consegue entender? Eu não! Como alguém pode querer evitar a gravidez e, ao mesmo tempo, não fazer nada sobre isso? Será que é por motivos religiosos? Duvido. Ultimamente até o papa Bento XVI andou falando de camisinha… 

Entre as que usam pílula, muitas esquecem de tomar o remédio (atire a primeira pílula quem nunca esqueceu!), mas não tomam uma segunda precaução. E aquelas que só usam camisinha começam ou terminam a relação sexual sem o preservativo. Assim, nem com reza do papa, né?! 

Aí, os mais de 99% de garantia de um método vão ruindo e cedendo lugar à chance de gravidez que, se não é assim tão grande, sempre existe. Para muitas mulheres, a gravidez não planejada acaba sendo uma alegria. Embora não exatamente esperado, um filho era bem-vindo. Para outras, no entanto, um filho estava realmente fora dos planos. E uma gravidez indesejada é sempre uma situação complexa, não importa a idade da mãe. 

É fato que muitas mulheres não querem tomar pílula; outras não se adaptam ao diafragma; algumas não vão querer usar camisinha; várias não vão se dar bem com as injeções ou implantes hormonais. Mas são tantas as opções que, com auxílio médico adequado, é possível achar uma e usá-la corretamente. 

Da próxima vez que você ouvir “ah, foi um acidente…”, pense: será que foi um acidente mesmo?

Letícia Sorg 

17 de dezembro de 2010

Garotas crescem



Durante as minhas férias, no mês passado, estive em Londres, que eu não visitava desde 1994. Neste intervalo a cidade tornou-se a Babilônia, uma metrópole de 7,5 milhões de pessoas que fala todas as línguas e reúne gente de todas as procedências. Tive a impressão de que em um único vagão do metrô de Londres há mais diversidade étnica e cultural do que em São Paulo inteira. Babilondres, disse minha namorada. 

Mas eu não vou escrever sobre a cidade. Vou falar sobre uma moça brasileira que mora por lá, num bairro simpático e movimentado onde muçulmanos de Bangladesh e do Paquistão convivem com a garotada que vem do mundo inteiro para viver a grande experiência europeia de modernidade. 

A casa dela fica perto de Brick Lane, na zona oeste de Londres, uma área alternativa famosa pelos restaurantes asiáticos e por uma espécie de “feira nas nações” que rola aos domingos. Não é um lugar para pessoas tacanhas ou preconceituosas. Minha amiga está na Inglaterra faz alguns anos. Chegou casada, para estudar, e continua por lá, com tudo mudado. Não está mais casada, trabalha, tem uma atividade diferente da que tinha no Brasil. 

Quando eu e a namorada chegamos à cidade era um sábado e havia festa na casa da amiga. Fomos para lá e eu acabei emocionado com a situação. Um dia você conhece no trabalho uma garota promissora que acabou de sair da faculdade. Aí você fecha os olhos por um segundo e, quando os abre de novo, está dançando na casa dela, na Europa, cercado de gente falando inglês. Ela chamou minha atenção para a mudança: “Quem poderia imaginar”? 

A verdade é que as garotas crescem. 

Quando se é homem e mais velho do que elas, é comum ter um olhar paternalista para as mulheres que estão começando a vida adulta ao nosso redor. Afinal, elas são meninas, têm jeito de meninas. É fácil supor que continuarão daquele jeito para sempre. Mas não. 

Passam-se os anos e, de repente, você está diante de uma mulher de 30 e poucos anos. Ela casou, às vezes têm filhos, morou fora, fez pós-graduação, está num emprego bacana ou tem planos de abrir um negócio inovador na internet, começar uma empresa, criar um blog, escrever um livro. A vida anda e leva as pessoas a lugares surpreendentes. 

Eu me comovo com esses movimentos. Elas estão se movendo em todas as direções. Faz lembrar aquele adesivo americano que diz que boas garotas vão pro céu, mas garotas más vão para onde quiserem. 

Escrevo essas palavras e me vêm à mente, instantaneamente, algumas das carinhas que eu vejo diariamente no Twitter. Garotas jovens, muito jovens, mas cheias de verve e de swing, opinando, atacando, elogiando, se expondo até, de um jeito que a minha geração não faria. Ocupando, do jeito delas, um espaço virtual que eu espero que se torne real. 

O espaço das garotas que se tornam mulheres e ganham o mundo de Londres a Salvador, na Bahia.

Ivan Martins

O médico, o monstro e a vergonha feminina

Existem os médicos e os monstros. “Ele é um médico monstro.” Assim uma ex-paciente se referiu ao doutor Roger Abdelmassih, na televisão. Calvo, de cabelos e bigodes brancos, 67 anos, esse especialista em reprodução humana foi preso ao chegar a sua clínica de luxo. A acusação é de abuso sexual contra cerca de 50 mulheres desde os anos 70. Os depoimentos são de embrulhar o estômago.

Alguns homens que se consideram inteligentes e sensíveis perguntam, rindo: “Que droga será essa que deixa as mulheres mais amorosas e submissas?”. Também há os que não entendem por que as mulheres não denunciaram o médico antes: “Elas deveriam sair da clínica e ir direto à delegacia. Por que ficaram caladas?”.

Talvez eles não possam mesmo compreender o alcance do sentimento feminino de vergonha, humilhação, revolta, nojo e culpa. Um sentimento pleno de ambiguidades invade a mulher em episódios que misturam abuso sexual a poder. Médicos podem ter mais poder que chefes ou maridos. Como desmascará-los? Especialmente o médico que promete dar a ela a capacidade de gerar um filho. É visto quase como um deus. Elas se tornam reféns dele e de um sonho.

Nem o advogado de defesa nem o filho dele compreendem o “motivo” das denúncias. O médico escreveu um artigo em que pergunta: “Qual a verdadeira motivação para esse movimento que mais se caracteriza como sanha de vendeta, que se expressa em denúncias esvaziadas de sentido, em acusações perversas, subjetivas, sem materialidade?”.

Pois é, doutor. Não parece haver nenhum motivo nos depoimentos das mulheres além de restabelecer uma verdade, restaurar a dignidade, devolver a humilhação e cassar o médico que, segundo elas, um dia as beijou na boca na cama ginecológica, encostou-as com seu corpanzil na parede, passou a mão em seus seios e corpo. E, segundo algumas, as violentou levantando o lençol que as cobria quando saíam da sedação.

Entre as mulheres que já relataram crimes sexuais na clínica de Abdelmassih, umas conseguiram ter filhos, outras não. O tratamento de fertilização na clínica pode custar R$ 200 mil, dependendo do tempo e da sofisticação. A primeira acusação de abuso, em 2008, foi de uma ex-funcionária. Natural.

As pacientes só ganharam coragem para se confessar vítimas quando houve uma denúncia do Ministério Público. Elas não estavam mais sozinhas. A cena sem testemunhas – “subjetiva e sem materialidade”, nas palavras do médico – poderia vir a público com menos danos morais. Já não seria a palavra de uma mulher anônima contra a palavra de um médico rico, poderoso e influente.

A defesa alegou que o número foi irrisório diante das suas 20 mil pacientes. Eu me pergunto se o número importa para a acusação de crime. Talvez importe para uma conclusão de distúrbio de personalidade. Um médico que trai a confiança e aproveita a vulnerabilidade de uma paciente para atacá-la sexualmente deveria rasgar seu diploma.

No consultório Abdelmassih tem porta-retratos com a mulher, o filho e parece muito sério. Volta e meia anda com um padre pelos corredores, o que reforça sua aura de respeito. No dia 23 de novembro foi condenado pela Justiça a 278 anos de prisão.

Ruth de Aquino

14 de dezembro de 2010

E se... o mundo fosse governado pelas mulheres?


Visão feminina 

O mundo seria mais doce, na opinião das próprias mulheres. Elas estariam dispostas a dividir o poder com os homens, que as dominaram por milênios. Nessa nova sociedade prevaleceriam governantes do sexo feminino, porém mulheres e homens teriam os mesmos direitos e também as mesmas oportunidades. 

Os homens não seriam prejudicados nesse universo cor-de-rosa. As mulheres podem ascender ao poder, mas não dominar o mundo. Opinião parecida tem a socióloga Heleieth Saffioti, um dos maiores nomes do feminismo brasileiro: "Se fosse assim, estaríamos só trocando o sinal do sexismo". 

Ambos os sexos poderiam desenvolver suas potencialidades – no trabalho, na vida familiar ou na vida social. Enquanto a mulher trabalhasse para garantir o sustento da família, o homem cuidaria do lar e dos filhos. Ou o contrário. "O importante é que haja uma divisão das tarefas e que ambos tenham os mesmos direitos", afirma a uruguaia Lucy Garrido, coordenadora da Articulación Feminista Mercosur.

Os homens só teriam a ganhar com essa novíssima ordem mundial. Eles pagam caro para dominar a cena. Só para dar dois exemplos: não podem brochar e têm de garantir o leite das crianças. No mundo feminino, eles poderiam relaxar e dar mais vazão à sensibilidade. Eles poderiam expressar melhor suas emoções e se cuidar mais, ou seja, ter características mais ‘femininas’. 

A sensibilidade feminina também poderia dar um fim permanente às guerras. As mulheres poderiam tentar solucionar conflitos por meio do diálogo e da negociação". 

Visão masculina 

Os homens temem um mundo governado por mulheres. Na opinião deles, elas mostrarão suas garras e virarão o jogo, deixando o sexo masculino em posição de inferioridade. Para o psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg, a era feminina chegará em breve. "Estamos à beira de uma revolução feminista. O modo de vida masculino está falido", diz. É natural que haja uma inversão de papéis. Os homens perderiam os melhores postos na economia, na política e – o pesadelo supremo do machão – ficariam encarregados das tarefas domésticas, como limpar a casa e cuidar dos filhos. 

Assim, na visão masculina, é provável que o relacionamento entre os sexos fique ainda mais complicado. Os homens ainda estão acostumados com a idéia de serem a fonte de sustento da família e vão relutar em aceitar a nova realidade. A compreensão da família ainda não mudou. E vai mudar muito vagarosamente. No México, por exemplo, a taxa de divórcio é brutal na fronteira com os EUA, pois lá a mão-de-obra favorece as mulheres, e os homens ficam de lado. Isso causa um conflito familiar. 

Em uma coisa os homens concordam com a visão feminina desse mundo imaginário: a vida seria mais pacífica caso elas governassem. As mulheres entendem melhor as relações humanas e costumam valorizar mais a negociação e o diálogo. Não é por acaso que elas já ocupam, hoje em dia, cargos políticos tão importantes.


Eliza Muto e Stefan Gan 

Texto resumido por Lena Simões 

11 de dezembro de 2010

Por um pouco de estilo


Já contei aqui que não tenho o hábito de arquivista. Ainda que eu tenha me arrependido daquele ato máximo de desprendimento que me fez optar pelo primeiro aluguel do vestido de noiva, não houve outra roupa que despertasse em mim o sentido de perda. Roupas vêm e vão.

Se estou há mais de um ano sem usar uma determinada roupa, eu dôo, porque essa falta de interesse é prova inequívoca de que algo vai mal no nosso relacionamento. Desde que vim morar em Brasília, passei a ter mais um “filtro” do que posso doar para que alguém dê melhor destino ao que eu abandonei. Se a peça não entra nunca em nenhuma mala que faço é porque eu definitivamente não me identifico mais com ela.

Preciso dar o crédito a quem me ensinou a ser mais selecionada com o meu guarda-roupa: a mestra Glória Khalil com seu livro Chic. Não me lembro bem quando li, só sei que depois de devorar o livro joguei quase metade do meu guarda-roupa fora. Claro que estou exagerando, mas eu me desprendi de roupas até bacanas, em bom estado, mas que já não tinham a ver comigo.

Pois tenho a dizer que fiquei ainda pior (ou melhor) depois de ler outro livro na mesma linha, O livro negro do estilo, de Nina Garcia. A jornalista colombiana é a editora de moda da Marie Claire norte-americana e seu livro acaba de ser publicado no Brasil.


O livro é um tanto voltado para americanas. Dá dicas de lojas que não vemos por aqui e diz que cashmere pega bem em qualquer clima. Não no Rio de Janeiro ou no cerrado, pensei. Discordei da autora também em outros pontos, sobretudo quando ela disse que existem pouquíssimas situações em que o salto alto é dispensável. Essa moça certamente nunca trabalhou em pé, não anda pelos corredores do Congresso Nacional, não pega metrô nem ônibus, e nunca carregou um filho nove meses na barriga, pensei. E errei. Ela já engravidou sim e foi justamente nesse momento da vida que ela admitiu tirar os saltos. E antes que me incluam em algum grupo “odeio saltos altos”, eu gosto, mas só acho que, na atual fase da minha vida, são poucas as ocasiões para eu botar um.

O livro pretende ensinar um pouco sobre estilo, algo que não se compra, que não vem com a moda, mas que passa a ser a marca de determinadas mulheres. A mulher com estilo é, antes de mais nada, uma pessoa auto-confiante, autêntica e feliz. A roupa é o acessório que mostra ao mundo como ela se sente ou como quer ser vista. E nunca é demais rever esses conceitos. Eu fico me perguntando por que, um dia, mesmo sabendo de tudo isso, topei comprar roupas que não pretendiam ser nada além de…roupas.

Selecionei aqui algumas dicas do livro de Nina para inspirar você na busca por um estilo, na valorização daquilo que te faça sentir linda e, sobretudo, no que te possa fazer de você uma mulher mais estilosa.

1. Invista na estrutura. É preciso ter uma bela saia reta, uma jaqueta chique, um pretinho básico, um jeans legal e uma blusa branca. Gaste com isso.
2. Faça compras ousadas de vez em quando. É uma peça única? Você amou? É fantástica? Faz  você se sentir fabulosa? Compre.
3.Sapatos são importantes. Muito importantes.
4. Lembre-se do poder dos acessórios. Usados na medida certa, desviam o olhar da roupa antiga e dão um toque especial ao visual. Pode ser um lenço, um óculos de sol, um bracelete, uma bolsa, um casaquinho básico...
5. Não seja uma vítima da moda.  Não use a última tendência nem saia com a bolsa da moda.
6. Dinheiro não é o mais importante. Quem tem estilo sabe usar aquele par de brincos comprado na feirinha. Mas não se deixe levar por liquidações. Pagar metade do preço por um jeans é um grande negócio, se você for usá-lo depois.
7. Misture formas, tecidos, cores, o leve com o pesado, a renda com couro. Não fique só no terreno seguro.
8. Adapte roupas antigas. Para isso você precisa ter à mão um bom alfaiate que mantenha o mesmo tipo de bainha, que não deforme o estilo do seu vestido.
9.Livre-se daquilo que você não usa ou não lhe cai bem, mesmo que tenha lhe custado uma fortuna. Por isso, nunca compre um número menor do que o seu esperando perder “uns quilinhos”.
10.A roupa fica no armário zombando de você.
11.Finalmente: sorria, querida, sorria!

Não é que depois de ler o livro eu doei 15 peças, dois ternos e quatro pares de sapato? E eu tenho o equivalente a duas portas de armário, duas prateleiras e três gavetas. Juro. Comecei a limpeza da casa para receber 2011 com energia nova. Tente você também.

Isabel Clemente