Mostrando postagens com marcador Sofrimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sofrimento. Mostrar todas as postagens

24 de janeiro de 2013

Em quanto tempo vou curar isso na minha vida?





Quem não já se perguntou algo assim quando o assunto é sofrimento, dor, angústia, solidão, vazio ou inconformidade na vida? É muito comum querer encontrar a saída em apenas 10 passos, como se isso fosse possível. Acredito que poucas pessoas se perguntam em quantos séculos aquele comportamento que causou a dor foi cultivado e o quanto está enraizado no psiquismo.

Por isso mesmo, é preciso boa dose de autoobservação, paciência, entrega, esforço e boa vontade para mudar. E pagar o preço da mudança nem sempre faz parte do plano de vida da maioria das pessoas que estão muito focadas nas conquistas materiais e nos seus desejos de realização.

Mas a vida continua e lá na frente algo surge para relembrar que nem tudo está tão bem assim e que algo precisa ser feito. E logo vem a primeira pergunta: em quanto tempo? Não sabemos, depende de tanta coisa: da facilidade em superar eventos marcantes e traumáticos, do momento, da verdade de cada um, da necessidade de aprendizado, do quanto está disposto a mudar, a se ver...

É bonito contemplar a natureza e perceber quanta beleza e perfeição existem. Nada fora do lugar, nem mesmo um galho ou folha está em desarmonia. Conosco não é diferente, pois somos parte da natureza também. Se o momento parece o pior deles, o mais difícil e duradouro, é bom lembrar que também é o mais adequado para o crescimento e aprendizado. Muitas vezes é com a maior dor que vem a maior força de mudança. O lado sombra carrega uma energia incrível para isso, pois esconde seu potencial correspondente.

Então, ao invés de se preocupar em “quanto tempo isso vai durar?”, abram os olhos e vejam o momento em que isso chegou. O momento é o agora, o poder da mudança, da decisão, da escolha pelo outro caminho, a outra rua que deseja caminhar. Chega de cair no mesmo buraco, esperando uma saída mágica para problemas que carrega por muitas vidas. Só de estar vivo de novo já vale à pena. A oportunidade de encarnar e aprender com os erros do passado é algo precioso e deve ser bem aproveitado.

Pouco importa quanto tempo isso ainda vai durar. O que importa é como você encara isso e o quanto resiste. Àquilo que resiste, persiste. E o coração precisa estar aberto para receber o que o universo tem a oferecer. Olhe à sua volta e veja se há escassez em alguma criação de Deus, se existem pássaros deprimidos ou árvores com crise de identidade! Nada é escasso na criação, nada está em crise ou coisa assim. Tudo flui em perfeita harmonia e beleza. Por que seria diferente conosco? Porque evitamos e não aceitamos nossa natureza essencial, divina, harmônica. Criamos o caos e queremos viver o caos. Esquecemos que podemos criar harmonia e viver a paz, a leveza, o amor. Se usarmos a inteligência para fazer escolhas mais conscientes em nossas vidas, mudaremos nossa realidade e tudo à nossa volta.

A natureza não dá saltos e não seria diferente conosco. Uma planta sabe do que precisa para nascer forte e suportar as intempéries. Sabe quanto tempo em cada fase de crescimento deve passar para isso e quão fundo deverá ter suas raízes para alcançar seu propósito. E nós, quanto de raízes e profundidade temos. Quanto foi investido nisso? Quanto tempo dedicamos para criar profundas raízes dentro de nós mesmos, ir fundo no nosso universo interior, ouvir profundamente nossos anseios mais elevados? Ah, mas quem tem tempo para isso, para essas coisas de reflexão, autoconhecimento ou meditação? Poucos se preocupam em arar sua terra interior para receber boas sementes e dar belos e saborosos frutos. Querem tudo pronto, fast food, express, em poucos passos. E sabemos que não é bem assim. Uma árvore frondosa tem bom solo que a alimenta e muitas chuvas já passaram. Uma vida representa apenas um sopro disso e ninguém consegue se tornar outra pessoa da noite para o dia. Nossa alma já vem buscando há muito tempo, pacientemente, por uma oportunidade de unificação das várias frações, dos pequenos “eus” separados. Seria bom que nos dedicássemos a buscar esses pequenos pedaços de alma, que fugiram de nós por alguma razão, trazê-los de volta para que possamos nos sentir mais inteiros.

Em quanto tempo? Sei lá, mas comece já! O que não dá é perder tempo, pois o agora é um presente maravilhoso e só podemos contar com isso, enquanto estamos respirando, ouvindo, sentindo. Do lado de lá, do “céu” que cada um puder alcançar, vamos esperar muito para ter outra oportunidade. E em quanto tempo será a outra oportunidade? Essa eu sei: vai demorar!



Valéria Bastos

14 de novembro de 2012

Vítima...




Tenho notado como a vítima se manifesta às vezes tão sutilmente que nem percebemos que em alguns pontos estamos paralisados nessa incômoda posição. E foi num dia em que percebi em mim um desses pontos. Quando chegou a noite, na hora de deitar, peguei um livro da Debbie Ford e resolvi abrir em uma página qualquer e para minha surpresa o assunto era sobre a vítima.

"Para alguns de nós, ser infeliz é melhor do que perdoar e iniciar uma mudança positiva na vida. Resistimos a soltar nossa dor porque não queremos desistir do rótulo de vítima. Para muitos de nós essa é a última tábua de salvação..."

Estar na posição de vítima nos paralisa porque ficamos esperando que o outro, um parente, um amigo, um namorado, uma empresa, o destino, tome alguma atitude para corrigir o erro que nos vitimou. Acreditamos que naquele ponto somos vítimas e que não podemos fazer nada, ou melhor até fazemos, mas o que fazemos só nos prende cada vez mais nessa posição, o que a vítima mais gosta de fazer é reclamar e reclamar e reclamar...

E fazemos isso sem nem perceber, quando, contamos aos outros que as coisas não dão certo, que fulano é injusto conosco como mais uma vez fomos prejudicados nisso ou naquilo e vamos aumentando nosso repertório de queixas e quanto mais nos queixamos, mais motivos aparecem para nos queixarmos.

Existem situações onde é bem fácil perceber que estamos nessa posição, mas existem outras que são sutis que nem nos damos conta o quanto estamos nos sabotando para manter a vítima viva em nós.

Se as coisas derem certo deixamos de ser vítimas e, por mais absurdo que possa nos parecer, lá no fundo, muitas vezes preferimos que as coisas não se resolvam.

Um dia estava triste com uma pessoa por uma coisa que ela fez que julguei extremamente injusta comigo e que já acontecera outras vezes. Depois de falar o que eu sentia para essa pessoa, sem que ela admitisse que aquilo era injusto, eu estava quieta e triste, quando ela chega e me pede perdão reconhecendo que estava mesmo sendo muito injusta naquela situação.

Por um momento percebi uma parte minha ficando decepcionada, foi por um lapso de segundo, mas pude perceber claramente como em mim havia uma parte que não queria resolver o problema e que preferia ficar como vítima.

Ainda bem que a maior parte, pelo menos aparentemente, não pensava assim e aliviada e feliz abracei essa pessoa agradecida. E confesso que eu que não apreciava muito esse papel de "vítima" e de "coitadinho de mim" fiquei mesmo surpresa ao me deparar depois, com alguns pontos onde me sentia assim.

A partir daí ficou mais fácil; comecei a observar onde as coisas não estavam dando certo na minha vida e era batata, lá estava a vítima bem escondidinha, impedindo de resolver problemas que as vezes se arrastam por muito tempo.

Ser vítima nos torna o centro das atenções e muitas vezes nossa carência nos leva a preferir ficar na piedade do que nos arriscar a sair desse terreno estagnado mas, conhecido, e nos lançar com coragem em territórios onde as coisas podem dar certo e onde podemos compartilhar amor e não pena...

Qualquer coisa é uma desculpa para a vítima em nós desistir dos seus sonhos e cada vez que as coisas não dão certo mais alimentamos essa parte em nós. E está sendo uma experiência rica e reveladora percorrer esses caminhos em busca de me tornar uma pessoa mais livre.

Uma coisa muito boa é a gente se observar quando perceber que está começando a escorregar para a vítima, diante da primeira reclamação... Mude a sintonia e procure, na sua realidade, motivos que você tem para agradecer e, ao invés de reclamar, agradeça!

Se parecer muito difícil encontrar esses motivos,agradeça por estar viva, respirando, pelo que em seu corpo funciona perfeitamente e logo mais motivos aparecerão para você ser grata!

Afinal, o universo nos dá sempre mais daquilo em que estamos colocando nosso foco. Assim como a energia da reclamação é altamente destrutiva e nos afasta da felicidade, a energia da gratidão é altamente amorosa e um caminho certo para ser feliz!



Rubia A. Dantés

7 de novembro de 2012

Sabe por que você sofre por amor?




Melhor dizendo, sabe por que você, eu e todas as pessoas do mundo sofremos, por qualquer que seja o motivo? Porque resistimos, rebelamo-nos e travamos uma luta contra o que está acontecendo e que não tem nos agradado!

Ou seja, não aceitamos a vida como ela está se mostrando num determinado momento. Não aceitamos o fluxo e passamos a investir pensamentos, sentimentos e emoções, e muitas vezes também palavras e ações, pra revelar nossa imensa indignação diante do acontecimento que está em desacordo com a nossa vontade.

E você poderia se justificar dizendo que faz isso porque não é acomodado, porque luta por aquilo que quer e porque acredita que quem não faz nada para mudar o que não está bom, é covarde, derrotado e fraco.

Compreendo seu ponto de vista e tenho certeza de que parte do seu argumento faz sentido. Mas explico: existe uma enorme diferença entre fazer o seu melhor e tentar tudo o que for possível (sem desrespeitar o limite do outro, claro!) para conseguir o que deseja e... não saber reconhecer a hora de parar e confiar no Universo, a hora de deixar a vida rolar...

Porque, no final das contas, é isso que se chama FÉ! Ou seja, confiar, entregar-se ao ritmo da vida sem ficar contestando, brigando, resistindo, tentando se convencer ou convencer o outro de que as coisas deveriam ser diferentes! Não deveriam!!! Se devessem, simplesmente seriam diferentes!

O fato é que nem você e nem ninguém tem controle sobre o mundo, sobre outra pessoa e, muitas vezes, nem sobre a própria vida. Nosso "controle" é parcial, é limitado, vai somente até onde estamos conscientes; e, acredite: a grande maioria de nós está bem pouco consciente diante de tudo o que existe ao nosso redor!

Podemos decidir muitas coisas, podemos e devemos fazer escolhas a todo momento, mas tudo isso tem influência sobre os resultados até certo ponto. Somos apenas uma pequena parte do todo e, por isso, vivemos também sob a influência do imponderável, do inexplicável, do invisível e até do impensável. Ou seja, vivemos sob as demandas do incontrolável.

E isso significa dizer que, muitas vezes, depois de já ter tentado tudo o que podia, depois de ter feito o melhor que conseguia, não haverá mais nada que você possa fazer para mudar uma situação senão aceitá-la exatamente como ela é, senão confiar na sabedoria da vida e acreditar que o que tiver de ser, será! Que o melhor pode estar por vir se você realmente estiver disposto a aprender, a não repetir os mesmos erros e a, sobretudo, se perdoar pelo que não conseguiu acertar desta vez!

E quando você consegue fazer isso, quando consegue respirar fundo e simplesmente confiar, é inacreditável como você relaxa e tudo começa a fazer mais sentido, tudo começa a ficar mais fácil do que tem sido... Ou seja, o sofrimento começa a diminuir, a dor começa a passar e você termina descobrindo que nada é por acaso mesmo!

Especialmente quando o assunto é dor de amor, sofrimento por alguma frustração ou desilusão amorosa, a gente costuma acreditar que nunca vai passar, ou que vai demorar mais do que podemos suportar, ou ainda que as consequências serão desastrosas, como nunca mais confiar em ninguém, nunca mais se entregar ou nunca mais sequer se relacionar.

Mas embora o tempo tenha seus segredos e poderes, há algo que você pode fazer agora para diminuir seu sofrimento, pra sentir essa dor sumir pouco a pouco. E isso é aceitar, confiar, entregar-se ao ritmo da vida, deixar-se levar com o fluxo do Universo e viver um dia de cada vez, sem fazer tantos planos, sem investir tantos pensamentos e tanta energia nesse acontecimento com o qual você não concorda! Apenas o agora, apenas este momento. E verá, surpreendido, que é bem mais fácil viver quando a gente para de brigar e simplesmente acredita que, ao fazer o nosso melhor, o que tiver de ser nosso, será - mais cedo ou mais tarde!

Rosana Braga

5 de novembro de 2012

Descubra a fragilidade que se esconde atrás da raiva





A raiva é uma emoção que provoca efeitos bastante perceptíveis física e mentalmente. O corpo produz uma química que imediatamente inunda a corrente sanguínea e produz diversas reações: aumento do batimento cardíaco, alteração da respiração, sensações desagradáveis no estômago, contração ou tensão nos músculos, entre outras. Além dos efeitos físicos, a energia dessa emoção gera vários tipos de pensamentos que acabam alimentando ainda mais a raiva. Mas o que verdadeiramente está por trás desse sentimento? A princípio parecemos mais fortes e intimidadores quando estamos com raiva. Só que, na verdade, esse sentimento pode estar escondendo várias de nossas inseguranças.

A raiva pode esconder o medo. Imagine uma criança que inocentemente faz algo muito perigoso, como por exemplo, soltar a mão do adulto e atravessar a rua correndo. O pai ou a mãe podem ficar loucos da vida e brigar ou mesmo bater no filho. O que na verdade a raiva está escondendo é o medo que aconteça alguma coisa de mal com filho, medo da tristeza ou culpa que isso pode causar.

A raiva de alguém pode esconder uma culpa. Imagine que tem algo que você tenha feito que o faz sentir culpado. Pode ser o abandono de um filho, ou uma injustiça contra algum amigo, algum ato desonesto, ou qualquer outra coisa. Se alguém tocar no assunto, é possível que você se defenda com raiva e agressividade ao invés de admitir seus erro e reais sentimentos. É como se você dissesse: Não toque neste assunto, pois isso me faz sentir culpado, e eu não quero sentir essa culpa!

A raiva pode esconder uma dificuldade em dizer não e impor limites. Tem pessoas que lidam bem com a questão de impor os limites e se fazer respeitar. Conseguem perfeitamente dizer aos outros quando estão cansadas e precisam ir embora, que não é permitido que se faça tal coisa em suas casas, ou ainda que não podem dar aquela carona solicitada pelo amigo.

Já outras pessoas têm grande dificuldade. E a cada limite que não é dado, acumulam um ressentimento. Podem até parecer exteriormente tranquilas, mas por dentro a raiva e mágoa estão se acumulando. Até que chega num determinado momento que é a gota d’água. A raiva se torna tão grande que supera o medo de colocar limites. Aí sua reação é intensa, agressiva, e é possível que venha a falar tudo que não falou até aquele momento.

A raiva pode esconder uma necessidade de manipular o outro. Uma filha que se sente culpada quando sua mãe fica com raiva estará bastante suscetível a fazer o que esta mãe quer, e não a sua própria vontade. Pode se estabelecer um grande jogo de culpa e manipulação recheado de ressentimentos que às vezes perdura a vida inteira.

Raiva de alguém, que não nos perdoou, esconde que ainda não nos perdoamos. Às vezes, estamos com raiva de alguém por que essa pessoa não nos perdoou por algo que fizemos e já assumimos o erro e nos desculpamos.
Na verdade, nós é que ainda não nos perdoamos. Estamos contando que o outro nos perdoe para que possamos finalmente nos perdoar. É como se o outro fosse o detentor do poder de nos devolver a paz interior. Ficamos, então, com raiva da pessoa por que ela não nos libera. Mas é claro que podemos nos liberar, mesmo que o outro ainda tenha mágoa. Como não conseguimos ver dessa maneira, sofremos.

A raiva pode esconder a necessidade de reconhecimento. Fazemos muitas coisas esperando algum tipo de reconhecimento. A princípio dizemos que não necessitamos de nada disso. Mas quando o reconhecimento não vem, sentimos raiva das pessoas.

Outras vezes, alguém fez algo que não gostamos. A raiva surge como uma forma de tentar fazer com o outro se sinta culpado, reconheça o que nos fez, nos peça desculpas e diga o quanto foi injusto.

A raiva pode esconder um sentimento de rejeição. Pessoas que foram abandonadas, seja pelo pais, parceiros ou outras figuras importantes, sentem-se rejeitadas. A rejeição é muito incômoda por que normalmente achamos, consciente ou inconscientemente, que temos algo de muito errado, que não somos dignos de receber amor. Essa dor pode ser mascarada e tudo que demonstramos é a nossa mágoa, raiva e desprezo por aquele que nos abandonou. É como se disséssemos: "Você me rejeitou e me fez sentir que não tenho valor algum, eu não quero entrar em contato com esse sentimento, não sei lidar com ele. Prefiro demonstrar que tenho raiva de você, provar que você é injusto, ingrato; que é uma má pessoa!"

A raiva pode esconder o sentimento de impotência ou uma não aceitação. Aconteceu algo e não há absolutamente o que fazer naquele momento. O carro quebrou e você está com muita pressa. A empresa aérea lhe vendeu um bilhete mas não tinha vaga no avião. Está chovendo muito no feriado e você havia planejado ir à praia.

A raiva dos outros pode esconder a raiva que você sente de você mesmo. Fizemos algo teoricamente contra a nossa vontade por que alguém pediu. Na realidade, fizemos porque queremos ser aceitos e temos medo da rejeição. Aí ficamos com raiva da pessoa, talvez achando que ela é uma exploradora e que somos sua vítima. Analisando mais profundamente, na verdade, estamos com raiva de nós mesmos por termos feito algo que não queríamos; raiva por não termos sido capaz de dizer um simples não, raiva de sermos tão dependentes.

Mascaramos nossas fragilidades. Sentido-se fraco, o ego se esconde atrás de uma aparente capa de força e agressividade, para assustar, defender-se. É como alguns animais pequenos e inofensivos fazem na natureza. Quando estão acuados, tem uns que inflam o papo, se arrepiam, abrem as asas ou um leque de penas. Tudo para parecer maior e mais forte.



Andre Lima