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14 de novembro de 2012

Vítima...




Tenho notado como a vítima se manifesta às vezes tão sutilmente que nem percebemos que em alguns pontos estamos paralisados nessa incômoda posição. E foi num dia em que percebi em mim um desses pontos. Quando chegou a noite, na hora de deitar, peguei um livro da Debbie Ford e resolvi abrir em uma página qualquer e para minha surpresa o assunto era sobre a vítima.

"Para alguns de nós, ser infeliz é melhor do que perdoar e iniciar uma mudança positiva na vida. Resistimos a soltar nossa dor porque não queremos desistir do rótulo de vítima. Para muitos de nós essa é a última tábua de salvação..."

Estar na posição de vítima nos paralisa porque ficamos esperando que o outro, um parente, um amigo, um namorado, uma empresa, o destino, tome alguma atitude para corrigir o erro que nos vitimou. Acreditamos que naquele ponto somos vítimas e que não podemos fazer nada, ou melhor até fazemos, mas o que fazemos só nos prende cada vez mais nessa posição, o que a vítima mais gosta de fazer é reclamar e reclamar e reclamar...

E fazemos isso sem nem perceber, quando, contamos aos outros que as coisas não dão certo, que fulano é injusto conosco como mais uma vez fomos prejudicados nisso ou naquilo e vamos aumentando nosso repertório de queixas e quanto mais nos queixamos, mais motivos aparecem para nos queixarmos.

Existem situações onde é bem fácil perceber que estamos nessa posição, mas existem outras que são sutis que nem nos damos conta o quanto estamos nos sabotando para manter a vítima viva em nós.

Se as coisas derem certo deixamos de ser vítimas e, por mais absurdo que possa nos parecer, lá no fundo, muitas vezes preferimos que as coisas não se resolvam.

Um dia estava triste com uma pessoa por uma coisa que ela fez que julguei extremamente injusta comigo e que já acontecera outras vezes. Depois de falar o que eu sentia para essa pessoa, sem que ela admitisse que aquilo era injusto, eu estava quieta e triste, quando ela chega e me pede perdão reconhecendo que estava mesmo sendo muito injusta naquela situação.

Por um momento percebi uma parte minha ficando decepcionada, foi por um lapso de segundo, mas pude perceber claramente como em mim havia uma parte que não queria resolver o problema e que preferia ficar como vítima.

Ainda bem que a maior parte, pelo menos aparentemente, não pensava assim e aliviada e feliz abracei essa pessoa agradecida. E confesso que eu que não apreciava muito esse papel de "vítima" e de "coitadinho de mim" fiquei mesmo surpresa ao me deparar depois, com alguns pontos onde me sentia assim.

A partir daí ficou mais fácil; comecei a observar onde as coisas não estavam dando certo na minha vida e era batata, lá estava a vítima bem escondidinha, impedindo de resolver problemas que as vezes se arrastam por muito tempo.

Ser vítima nos torna o centro das atenções e muitas vezes nossa carência nos leva a preferir ficar na piedade do que nos arriscar a sair desse terreno estagnado mas, conhecido, e nos lançar com coragem em territórios onde as coisas podem dar certo e onde podemos compartilhar amor e não pena...

Qualquer coisa é uma desculpa para a vítima em nós desistir dos seus sonhos e cada vez que as coisas não dão certo mais alimentamos essa parte em nós. E está sendo uma experiência rica e reveladora percorrer esses caminhos em busca de me tornar uma pessoa mais livre.

Uma coisa muito boa é a gente se observar quando perceber que está começando a escorregar para a vítima, diante da primeira reclamação... Mude a sintonia e procure, na sua realidade, motivos que você tem para agradecer e, ao invés de reclamar, agradeça!

Se parecer muito difícil encontrar esses motivos,agradeça por estar viva, respirando, pelo que em seu corpo funciona perfeitamente e logo mais motivos aparecerão para você ser grata!

Afinal, o universo nos dá sempre mais daquilo em que estamos colocando nosso foco. Assim como a energia da reclamação é altamente destrutiva e nos afasta da felicidade, a energia da gratidão é altamente amorosa e um caminho certo para ser feliz!



Rubia A. Dantés

24 de julho de 2012

Vamos discutir ou conversar?



Foi dada a partida: uma nova discussão teve seu início com uma sentença acusativa. Quem escuta sente-se agredido e, na maioria das vezes, responde na mesma moeda. Esse infértil debate de “quem está fazendo o que a quem” gera apenas mais indignação e desconforto. Desta forma, o que parece uma conversa, na realidade, é apenas uma descarga emocional, quer dizer, uma sequência de monólogos carregados da frustração de emoções não digeridas. 

Uma discussão pode se tornar uma boa conversa. Mas para tanto é preciso cultivar um interesse genuíno em melhorar nossos relacionamentos. Quem quer só acusar não está interessado em ouvir. Sem escuta não há conversa. Então, para que discutir se não quer chegar a lugar nenhum? 

Se a situação já está ruim, uma discussão baseada em acusações pode ainda piorá-la. A base de uma discussão saudável encontra-se na motivação com a qual ela deu início. Queremos discutir para mudar para melhor ou apenas para desabafar nossa indignação? Se a intenção for melhorar, podemos conversar, do contrário, é melhor parar: depois que ambos expuseram suas queixas, é preferível dar um tempo para sentir e refletir sobre o que foi dito. 

Quando uma discussão está baseada apenas na indignação, torna-se uma avalanche de reações. Não há tempo para sentir a empatia necessária para gerar um novo entendimento. Não há espaço de escuta quando a prioridade é defender-se. Enquanto o outro fala agressivamente, aquele que escuta só tem tempo para elaborar sua defesa. Como ouvir o outro verdadeiramente se a concentração está voltada para atacá-lo de volta? 

Por exemplo, quanto mais tentarmos coagir o outro a mudar, de acordo nosso ponto de vista e necessidades emocionais, mais frieza emocional e distância física desencadearemos entre ele e nós. Pois, ele, intuitivamente, irá se distanciar para poder encontrar clareza em seu posicionamento. 

A armadilha da chantagem emocional tem suas consequências: os relacionamentos tornam-se artificiais na medida em que precisam seguir regras impostas por um dos parceiros.Muitas vezes, exigimos do outro o que não foi acordado previamente. Ironicamente, quanto maior a entrega afetiva, maior são as exigências! Sem nos darmos conta, projetamos idealismos e expectativas exageradas nos relacionamentos à medida em que eles se tornam mais íntimos... Nem sempre ouvimos o que queremos ouvir! Uma coisa é defender-se do outro, outra é buscar por solução. O caminho está em encontrar uma saída em vez de criar uma constante briga de forças, para ver quem tem mais razão. 

Se quisermos discutir com a intenção de solucionar um conflito, teremos que rever nosso posicionamento, seja de dominador, seja de dominado (papel de vítima). Pois, ironicamente, o agressor agride porque se sente agredido e a vítima reage de forma agressora. Quando uma discussão está baseada na intenção de controlar o outro, ambos se sentem sufocados. Para superar um atrito é preciso deixar de lutar. Mas isso não quer dizer se deixar abater. 

O que desejamos pode estar certo e ser válido, mas ainda assim, não podemos impor aos outros a nossa demanda. Podemos ter clareza sobre nossas necessidades emocionais, mas ao mesmo tempo, se nos colocarmos de modo exigente, impondo ao outro os cuidados sobre nossa vulnerabilidade, desencadearemos mal-estar e em nada ajudará a situação a mudar. 

Revelar ao outro nossa vulnerabilidade é saudável; o que não funciona é transferir ao outro a responsabilidade de zelar por nosso bem-estar. Quando tentamos repassar os cuidados de nossa vulnerabilidade para outro, este gradualmente perde admiração por nós, pois, inevitavelmente, irá se sentir sobrecarregado ao ter que gerir todas nossas frustrações e incapacidades, mesmo que temporariamente. 

Se quisermos ter relacionamentos saudáveis teremos que abandonar a atitude de autopiedade. Ficar no papel de vítima é uma armadilha perigosa, pois nos tornamos facilmente reféns da disponibilidade afetiva do dominador. Transferimos a ele as condições que irão nos gerar tanto tensão como alívio. É sempre a velha história baseada na co-dependência, isto é, quando saberemos o que vamos sentir conforme o outro estiver sentindo. Se ele estiver afetivo e de bom humor “estaremos” felizes, caso contrário, teremos que aguardar por sua disponibilidade... 

É claro que estar ao lado de uma pessoa mal-humorada gera desconforto. Mas, mesmo assim ainda podemos preservar nosso equilíbrio interno. Nestes momentos, é importante saber gerar um distanciamento saudável. Tal como fazemos ao nos aproximar do fogo: intuitivamente sabemos a distância correta para gerar calor e conforto e quando o seu excesso pode nos queimar! 

Toda discussão tem um ponto de partida, mas raramente ele é a causa desencadeadora do conflito. Enquanto não abrirmos o jogo do porquê realmente estamos incomodados, o outro irá se sentir (mesmo que inconscientemente) manipulado. Sem saber o porquê original de toda discussão, ele reagirá contraindo-se, perdendo sua espontaneidade. 

Nos momentos de maior tensão emocional costumamos nos distanciar de nós mesmos. Ao invés de sentirmos nossas emoções, costumamos rejeitá-las. Como isso ocorre? Quando nos tornamos reativos às nossas próprias emoções. Ainda que desconfortáveis, podemos olhar nos bastidores de nossa dor emocional. Revelar para nós mesmos o que se passa por trás de nossa indignação. Há um momento em que temos que parar de tentar nos consertar, pois quanto mais implicamos conosco mesmos, mais solidez iremos gerar em nossos conflitos. 

É preciso superar o hábito de separar-se de si mesmo. Isto ocorre quando vemos nossa falta interna como uma falha ao invés de reconhecê-la como mais uma etapa de percepção natural do caminho do autoconhecimento. Aqui há uma briga interna entre o que sentimos e não queremos sentir. É preciso deixar de sermos reativos a nós mesmos para superarmos uma angústia emocional. 

A emoção não é uma experiência estática. O que parece nos desequilibrar num certo momento, pode ter um efeito menos dramático em outro. A clareza de que podemos perceber uma mesma emoção de formas diferentes nos ajuda a não antecipar nossas avaliações. Quanto mais reagimos aos nossos pensamentos, mais sólido eles se tornam. 

A questão é que aprendemos mais o pensar do que o sentir. Nos tornamos inseguros para lidar com nossas próprias emoções porque desenvolvemos um conhecimento intelectual que não é capaz de tocar nossa experiência interna. Por isso, diante de uma discussão nem tudo o que dizemos ou escutamos é capaz de surtir o efeito almejado. Mas não devemos desistir. Pois só interagindo é que aprendemos a arte de nos comunicar. 

É saudável aprender a lutar. Se nos tornarmos passivos diante de um ataque agressivo nos tornaremos cada vez mais fracos e vulneráveis à agressão alheia. É saudável nos defender! Onde recusamos a enfrentar um problema, ele nos será ensinado contra a nossa vontade. A coragem em lidar com os confrontos e defender nossos projetos, princípios e valores desperta o instinto de força e vida.

Bel Cesar

9 de janeiro de 2012

Um novo dia que nasce


Quando um novo dia começa é mais uma oportunidade que Deus nos oferece de continuar. Infelizmente na correira do dia, muitas vezes nos esquecemos do nosso lado espiritual e vamos deixando para depois. Principalmente quando tudo está indo muito bem.

Naqueles dias e noites em que as coisas parecem desabar, nos lembramos novamente que os anjos nos rodeiam, sim, eu acredito neles. Pois cada vez que oro com fé, é possível sentir paz no coração. Algo que vêm do fundo do peito, nos faz soltar um suspiro profundo. O suspiro de bençãos de Deus. Nosso corpo parece mais leve, respiramos aliviados, tiramos uma carga pesada dos ombros.

Muitas vezes nos sentimos injustiçados por muitos acontecimentos, pela vida que vai acontecendo ao redor e que não podemos controlar. Pessoas que entendem de forma distorcida, atos e palavras que não eram necessários, mas por descuido acaba acontecendo. Relevem, não tem outra forma.

Quem erra não significa ter falta de caráter, como muita gente gosta de dizer e diz para maltratar o outro. Erra porque o ser humano é imperfeito, cheio de fraquezas e defeitos.

Precisamos ser menos combativos. Eu mesma, já fui tão assim, sempre no combate, na guerrilha, no ataque para me defender. Não adianta discutir, pois no auge das discussões falamos tantas coisas que magoam as pessoas, criamos rancores e guardamos raiva que vai contaminando nossa vida.

Cada dia novo que nasce há que se ter uma nova reflexão sobre tudo. Não simplesmente varrer para baixo do tapete. Refletir, ponderar, orar, perdoar e pedir desculpas se for necessário. Pense bem, não vitimize-se, reflita a sua parte de culpa. Compreenda. Mesmo que a pessoa que você magoou ou que te magoou não faça parte mais da sua vida, mesmo assim, converse com Deus e peça através dele esse perdão, ou diga a Deus que desculpou.

Muitas doenças aparecem porque guardamos muito sentimento ruim dentro de nós. Existe literatura que explica sobre isso, se formos analisar a vida de muitas pessoas com câncer, por exemplo, fica nítido a presença desses sentimentos que vão acumulando dentro das pessoas. Alguns foram rejeitados, outros sofreram uma perda irreparável, outros foram profundamente magoados.
Claro, nem todos nós desenvolvemos doenças no corpo, mas doenças psíquicas. Podemos ficar agitados, ansiosos, depressivos, sem sono, entre tantos outros distúrbios e transtornos.

E o que fazer se a outra pessoa envolvida jamais te desculpar ou que nunca te peça perdão? Siga em frente no seu caminho, mesmo que nunca tenha o perdão ou que nunca te peçam desculpas. Sua parte está feita. Afinal na vida existe o amadurecimento, o crescimento e quem nunca aprende vive de julgar as pessoas.

Siga com fé e em paz, com seu coração livre! Pois quem nunca compreendeu um outro ser humano, jamais compreendeu nem a si mesmo.




Carla Reichert