20 de fevereiro de 2012

A diferença entre os avanços tecnológicos e os afetivos é alarmante!





Nos últimos 50 anos, os avanços conquistados na área da tecnologia, da ciência e da medicina foram (e tudo nos leva a crer que serão cada vez mais) inimagináveis.Nunca evoluímos tanto no desenvolvimento da informática, maquinários, descobertas científicas e também no universo da saúde, especialmente no que se referem à extensão da juventude, cirurgias estéticas e transplantes de órgãos. 

Os meios de comunicação também surpreendem os que, há menos de 25 anos, ainda se comunicavam fundamentalmente por telex e linha telefônica – que era disputada a ferro e fogo e custava uma quantia considerável. Quem imaginava que tão rapidamente teríamos câmeras ao vivo, espalhadas pelo mundo todo? 

Hoje, a tecnologia nos permite acompanhar a dinâmica do mundo em tempo real. Já se fala até em construir um Avatar de você mesmo para deixar para a posteridade. Ou seja, você já pode ser imortal, o que significa que seus bisnetos, tataranetos e gerações seguintes poderão falar com a sua versão virtual, através de qualquer computador. 

Espantoso? Creio que não! Ou melhor, creio que esse avanço é totalmente compatível com a inteligência e a criatividade humana. Porém, espantoso mesmo é o quanto nos mantemos retrógrados e atrasados no campo das emoções. Se traçarmos um paralelo entre esse estonteante crescimento e o amadurecimento afetivo que tivemos no mesmo período, constataremos que estamos diante de um dilema bastante perigoso. 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), daqui a 10 anos, a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Prevê também, que a cada 30 segundos, pelo menos uma pessoa cometerá suicídio no mundo. Além disso, sabe-se que cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de distúrbios afetivos, incluindo ansiedade, bipolar, TOC, depressão, entre outros. 

Agora, pensemos: a expectativa de vida aumenta a cada ano, mas a nossa capacidade de lidar com nossas emoções, expressar nosso afeto ou simplesmente conversar sobre o que nos incomoda continua tão pequena. Bastaria analisarmos o fato de que uma mulher, por exemplo, pode voltar a ser virgem por meio de uma cirurgia de reconstituição do hímen e, no entanto, a maioria dos casais sequer consegue falar sobre sua sexualidade e suas dificuldades porque têm medo de se entregar, de confiar ou de compreender melhor suas crenças sobre sexo. 

Tudo isso sem falar sobre a tão pouca atitude consciente que ainda temos a respeito da preservação da natureza, ou ainda sobre como ser gentil com as pessoas que mais importam, seja nosso cônjuge, nossos filhos ou familiares. No ambiente de trabalho, quantos ainda cumprem sua carga horária exclusivamente em troca do salário mensal, sem nenhuma perspectiva de transformação humana, sem nenhum comprometimento com a qualidade das relações que mantém a maior parte do dia, da semana, do tempo de sua vida? 

Se quisermos realmente vivenciar a felicidade enquanto desfrutamos de avanços como cura de doenças, possibilidades de novos relacionamentos e facilidades tecnológicas é urgente adotarmos uma nova postura diante da vida. Claro que as atitudes que nos conduzem ao amadurecimento não são resultado apenas de uma decisão, mas certamente este é o primeiro passo. Em seguida, por meio de leituras, terapias, espiritualização e novos aprendizados, é certo que poderemos fazer um ótimo trabalho. 

Sobretudo, que não nos enganemos: conhecimento se dá pelo processo de assimilação das informações corretas. Mas sabedoria, aquela que promove a transformação de que tanto precisamos, só é possível quando nossas atitudes são coerentes com o que sabemos. Ou seja, exercício diário, consistente e ininterrupto!


Rosana Braga

18 de fevereiro de 2012

Quem ama perdoa?

      


A traição nunca esteve tanto na boca do povo e na ponta da pena dos jornalistas. O fim do casamento aparentemente estável e feliz do ator austríaco Arnold Schwarzenegger, após ele confessar à esposa ter um filho fruto de uma relação extraconjugal, chocou o mundo. Mais recentemente, a abnegação de Anne Sinclair, esposa do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, que permaneceu ao lado do marido mesmo durante as acusações de ele ter estuprado uma camareira de um hotel onde estava hospedado, também impressionou. Esses dois casos tão distintos nos fazem perguntar: quem ama perdoa ou não? 

Será que traição é, de fato, a melhor palavra para definir o affair do parceiro? Para a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins, não. “‘Traição’ é uma palavra que implica uma coisa muito negativa. É sério trair alguém. Nós estamos constantemente sujeitos a estímulos que nem sempre vêm do parceiro fixo. Pode-se ter uma relação estável, amar a pessoa, ter vida sexual boa e ter relações extraconjugais. Outros profissionais podem dizer que essas relações decorrem de algum problema com o casamento, um ressentimento. Acho que, na maioria dos casos, as pessoas têm relações extraconjugais porque variar é bom. Ninguém aguenta comer a mesma coisa todo dia. Está na hora de começarmos a refletir sobre isso porque essa crença equivocada de que quem ama não transa com mais ninguém causa muito sofrimento”, diz acreditar. 

A ideia de que amar é desejar sempre a mesma pessoa pelo resto da vida nem sempre foi difundida. “A propaganda do amor romântico começou no século XII e começou a fazer parte do casamento na década de 1940. Ela prega que os dois amantes só têm olhos um para o outro, que é a alma gêmea, que nada vai faltar, que as necessidades serão atendidas, na fusão entre os amantes. Mentiras. Hoje, as pessoas acreditam nesse tipo de amor e acham que esse é o amor de verdade. Amor é construção social e cada época é de um jeito. O mais importante é que o amor romântico, a idealização do outro, está dando sinais de estar saindo de cena, o que é ótimo porque as pessoas vão viver muito mais felizes”, diz Regina. 

Os tempos mudam e, com eles, as antigas crenças dão lugar a novos padrões. “Estamos vivendo um momento que se caracteriza pela busca da individualidade, onde cada um quer desenvolver seu potencial. A grande viagem do ser humano é pra dentro de si mesmo. O amor romântico está deixando de ser sedutor, pois propõe o oposto do que as pessoas estão buscando hoje. A mudança de mentalidade é lenta, mas já há sinais disso. Daqui a um tempo, a maioria das pessoas não vai querer se fechar numa relação a dois. Vai preferir ter relacionamentos múltiplos ou poliamor. Nas décadas de 1950 e 1960, o divórcio era uma tragédia. Ser virgem era pré-requisito para casar. A época muda, a mentalidade das pessoas sobre o certo e o errado também”, prevê Regina. 

A especialista ainda diz acreditar que a fidelidade é superestimada pela sociedade. “Fidelidade é obsessão na cabeça das pessoas. Ninguém deveria se preocupar com isso, é bobagem. Para ficar bem na relação, é preciso fazer para si mesma apenas duas perguntas: ‘Me sinto amada?’, ‘Me sinto desejada?’. Bastam essas duas perguntas. Se a resposta for ‘sim’, está tudo ótimo. O que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta. Se as pessoas entendessem isso, o sofrimento seria muito menor. A cultura diz que quem ama não transa com mais ninguém. Mas não tem nada a ver. Até pode ter a ver com a paixãozinha de estar conhecendo alguém novo, mas é passageiro. Somos regidos pelo mito do amor romântico”, defende. 

Se o amor pelo outro existe por fatores alheios à sua vida sexual, a psicanalista afirma que não existe justificativa para a necessidade de se “perdoar” uma traição. Para Regina, “desde que nascemos somos ensinados de uma porção de valores e a maioria deles deve ir pro lixo. Você gosta de uma pessoa por motivos que estão alheios a ela desejar outro ou não. Em um relacionamento muito longo, por exemplo, as mulheres tendem a perder o tesão pelo marido antes deles perderem por elas. Ele vira amigo, vira irmão. O maior problema na falta de tesão no casamento é justamente a exigência de exclusividade, o maior vilão. Se o casamento é segurança, a insegurança pode ser boa para a conquista. Exigência de exclusividade afeta várias áreas da relação amorosa. Está mais do que na hora de as pessoas refletirem sobre isso. O amor não deve ter nada a ver com a vida sexual do parceiro. Ama-se por outros motivos que estão alheios a isso”.




Ilana Ramos






16 de fevereiro de 2012

Cala a boca, cabeção!



Desde que o filósofo francês Descartes escreveu, no século XVII, a tão difundida e venerada frase Penso, logo existo, muitas coisas estranhas têm acontecido no que diz respeito a este assunto. 

De fato, passamos a pensar mais e mais e a considerar que quanto mais alguém pensa, mais esse alguém vive e, consequentemente, melhor esse alguém se torna. Ainda que haja certa verdade nesta idéia de que pensar é uma boa maneira de fazer o ser humano evoluir, creio que temos nos equivocado profundamente sobre a essência desta frase! 

Basta observar para perceber: durante os últimos séculos e especialmente as últimas décadas, temos pensado cada vez mais, temos tido acesso a um número cada vez maior de informações, nunca estivemos tão expostos à tecnologia e ao avanço de diversas áreas técnicas. No entanto, que estranho... temos existido, genuína e essencialmente, cada vez menos. 

Falo da existência plena, de estar conectado com o presente, vivendo o que está acontecendo agora. Falo de se dar conta das sensações que podem ser experimentadas neste momento, de conseguir olhar verdadeiramente para si e para o outro. 

Falo de uma existência que só é possível quando a gente deixa aflorar algo que está muito além do exercício desenfreado do pensamento. Falo de sentir, de agir, de ser. 

Felizmente, depois de Descartes, a voz do povo criou o provérbio: Quem muito pensa, não faz!. Neste, sim, eu aposto. Quantas vezes deixamos de dar uma ideia pro chefe porque entramos num redemoinho de pensamentos que gritam em nossa mente: será que ele vai me ouvir?, será que é mesmo uma boa ideia?, será que não vão se aproveitar da minha criatividade?. 

Ou ainda, quantas vezes deixamos de viver um amor porque mergulhamos em pensamentos do tipo e se eu não for correspondido?, será que é a pessoa certa?, e se eu me der mal?. 

Talvez você se identifique mais com algo assim: há tempos você se planeja para começar a frequentar a academia, mas seus pensamentos lhe paralisam repetindo sorrateiramente melhor deixar para o mês que vem que terei mais dinheiro disponível, já me sobra tão pouco tempo, que a academia só complicaria mais minha vida, poxa, ir sozinha não tem graça!... e por aí vai! 

E o pior de tudo é quando pensar não o deixa dormir. Você deita na cama se sentindo exausto, mas lá estão os seus pensamentos mais acordados do que nunca, perturbando seu sono, lhe roubando a tranqüilidade e fazendo com que você se transforme num pastel, rolando de um lado pro outro durante horas. 
Note como você abandona seus planos e termina não realizando tantos sonhos simplesmente porque se deixa dominar pelo excesso de pensamentos inúteis. Observe como sua mente tenta prever o futuro para convencê-lo de que é melhor desistir, não arriscar. 

E se isso faz sentido pra você, preste atenção: você se tornou um cabeção. Sua mente parece mais um hospício do que um templo, quando deveria ser justamente o contrário: muito mais silêncio e muito mais foco do que desculpas, nada mais que desculpas. 

Da próxima vez que se encher de coragem para dar um novo rumo à sua vida e, em seguida, sua mente começar um bombardeio de se, será?, deixe pra semana que vem, não tenho tempo, quando eu tiver dinheiro, grite o mais alto que conseguir, para si mesmo: CALA A BOCA, CABEÇÃO! e simplesmente FAÇA!




Rosana Braga




15 de fevereiro de 2012

Superação dos medos




O medo é uma condição necessária à nossa sobrevivência e segurança, mas quando se torna uma condição de vida, prejudicando os relacionamentos com os outros e consigo mesmo, influenciando os pensamentos, ações, pode se tornar patológico. O medo é um sentimento de não nos sentirmos capazes para enfrentar uma situação ou alguém. 

Acontece com o medo o mesmo que com outros sentimentos, quanto mais o negamos, mais forte se torna, por isso é preciso ter em mente que ou você controla o medo ou ele te controla. A falta de autoconhecimento, que se obtém pelo processo da psicoterapia ou análise, pode acentuar o poder do medo. 

Pela influência do medo muitos preferem se acomodar naquilo que já conhecem. Ou seja, mantendo-se em sua zona de conforto, ainda que a preço de muito sofrimento, simplesmente por não acreditar serem capazes de enfrentar ou mudar aquilo que estão vivendo. O medo pode ainda servir como um alerta diante de situações e relacionamentos que não estão satisfazendo nossas necessidades básicas. Em contrapartida, a coragem nos convida a confrontar os medos e descobrir aspectos que até então ignoramos ou desprezamos. 

Pessoas autoritárias, controladoras, manipuladoras, rígidas, na verdade buscam se sentir mais seguras através do medo que impõe aos outros, mas também reflete seus próprios medos. 

O medo geralmente surge da associação que nossa mente faz com experiências ameaçadoras que já ocorreram ou da dificuldade em confiar em si mesmo. 

Para identificar o que pode ter ocorrido em sua vida que gerou o medo atual é preciso fazer uma busca em todo seu histórico de vida. A lista de medo é enorme. Temos medo de adoecer, perder, morrer, viver, não ser capaz, não agradar, ser rejeitado, abandonado, da solidão, diante de conflitos, de tomadas de decisões, entre tantos outros medos. 

Enfim, o medo pode também estar associado a sensação de impotência. Geralmente quando nos sentimos impotentes perante uma situação ou alguém, tendemos a sentir medo. 

É comum que em algumas situações sejamos mesmos impotentes, mas é preciso identificar se diante de tal situação realmente somos impotentes ou estamos apavorados. 

A transição do medo para a confiança surge a partir do momento em que decidimos nos libertar dos medos que nos aprisionam. Para isso é preciso identificar os medos sentidos, permitindo-se entrar em contato com seus reais sentimentos e com a realidade que se apresenta. É preciso questionar crenças e valores, não buscar culpados colocando-se no papel de vítima, mas sim buscar entender as possíveis origens para tais sentimentos, seja medo ou outro qualquer.




Rosemeire Zago




14 de fevereiro de 2012

Afinal, posso ou não vencer os desafios da vida?




O que faz uma pessoa conseguir ir adiante frente uma situação muito dolorosa ou traumática? O que faz outra pessoa numa mesma situação ter uma reação oposta e cair em depressão e desânimo?

Freud disse que nós possuímos duas pulsões latentes: a pulsão de vida e a pulsão de morte. Essas duas pulsões duelam o tempo todo, fazendo de nós seres mais “fortes ou fracos emocionalmente”.

A pulsão de vida é a nossa característica nata de prosseguir, criar metas, fazer planos concretos e realizá-los. Essa pulsão nos impulsiona para continuar, apesar das dores e dificuldades.

A pulsão de morte quando vence a batalha contra a pulsão de vida, faz com que nos sintamos depressivos, desanimados frente a situações de medo, perdas, abandonos... Enfim, a vida fica sempre mais difícil e mais “lenta”, as metas tornam-se difíceis, os objetivos ficam para trás.

Esse duelo entre as pulsões estará sempre presente, por isso é preciso se auto-observar e pensar como lidamos frente a situações desagradáveis; se somos mais dispostos a prosseguir ou nos fechar em conchas dentro de nós mesmos.

Ao observarmos nossas atitudes e enxergarmos qual de nossas pulsões é vencedora, poderemos nos condicionar a modificar nossas reações frente às diversas situações.

Obviamente, muitas vezes, iremos precisar de ajuda para recuperarmos nossa autoestima e vontade de traçar metas independente da idade. Mas o primeiro passo é a percepção de que somos capazes de nos modificar internamente, se nos conhecermos.

O mais importante é criar um desafio consigo mesmo, pensar o quão satisfatória nossa vida pode se tornar se mudarmos alguns comportamentos e nos mostrarmos guerreiros frente à vida e suas oscilações tão abruptas.

Seja você mesmo o guerreiro principal de sua mente, corpo e alma, desafie suas pulsões, faça a pulsão de vida crescer e desabrochar. Não sinta medo de pedir ajuda e siga em frente diante de situações caóticas.

O maior poder que temos é a consciência e a lucidez sobre nós e o real desejo de vencer nossos obstáculos internos. Assim nossa pulsão de vida irá vencer!



Tatiana Ades