16 de junho de 2012

Um difícil caso de amor


A pior relação de amor, a que mais dá errado, a que mais nos faz sofrer, a que deixa as cicatrizes mais profundas… é a que vivemos conosco mesmas. Não há relacionamento que resista a tanto autodesamor. Quem não se ama, sempre bate o olho num enguiço. Umas escolhem homens assustados, traumatizados, cheios de medo; outras optam por tipos esquisitos, sofredores, dependentes. Existem ainda aquelas que procuram sujeitos incapazes de um ato de generosidade, ou os que não conseguem tirar o olhar do próprio umbigo – os narcisistas (“… É que Narciso acha feio tudo o que não é espelho…”, cantou Caetano Veloso). Num outro nível, há aqueles que não sabem se comunicar, a não ser por meio de palavras carregadas de cinismo. E, nas lindas palavras de Nana Caymmi, existem os que “adormecem paixões” por pura incapacidade de entrega. Fofis, o problema é seu, entende? É uma questão de você com você mesma. O fulano, seja ele de que espécime for, é o antagonista do seu roteiro de aprendizado sobre o autoamor. É básico, é óbvio, mas é isso aí. Sofremos muito mais pelo pouco ou nenhum amor-próprio do que pelas besteiras e esquisitices do outro. Nada como relações ruins em série para descobrir o pote de outro atrás do arco-íris. Cada vez que mergulho fundo em alguém, volto à tona (não sem alguns arranhões) pensando na dificuldade daquele que ficou se debatendo na superfície por medo de se afogar. Fico orgulhosa em saber o quão fundo posso ir e mais ainda por conhecer melhor o caminho de volta. É isso. Ando completamente apaixonada por mim. Entendi que o pote de ouro sou eu.


Fernanda Santos

15 de junho de 2012

Por que somos supersticiosos?


Quando dizemos para alguém que nossos negócios estão indo bem, imediatamente sentimos uma forte compulsão na direção de buscar algum pedaço de madeira para nela batermos 3 vezes. O mesmo vale ao dizermos que estamos felizes no novo relacionamento sentimental ou que estamos bem de saúde. Ao agirmos de acordo com este ritual temos a impressão que afastamos de nós as perigosas influências malignas da inveja das pessoas. É fato que nossa felicidade pode provocar inveja; o duvidoso é se ela tem mesmo poder de influência negativa sobre nós, bem como se o ritual de proteção será mesmo eficiente. Porém, porque acreditamos nesta possibilidade nos sentimos mais apaziguados ao realizá-lo.

As situações descritas acima nos mostram alguns dos aspectos essenciais do pensamento supersticioso: um deles consiste em nos sentirmos inseguros e ameaçados em determinadas situações, especialmente aquelas em que estamos felizes; construímos uma associação entre a prática de certos rituais e a diminuição dos riscos, de modo a nos sentirmos protegidos contra as adversidades. O outro tem a ver com o desejo de interferir sobre eventos que não dependem de nós, mas que queremos muito que tenham um resultado positivo; associamos, por um caminho nada lógico, sua concretização à presença de algum objeto, um adorno promovido à condição de talismã e cuja presença, no processo ritual que construímos em torno dele, aumentaria – e muito – as chances de obtermos o favor desejado.

Pessoas inteligentes, cultas e um tanto céticas também costumam desenvolver algum tipo de ritual. As que são muito voltadas para as práticas religiosas tendem a desenvolver seus rituais dentro deste contexto: as promessas se assemelham muito ao processo que estamos analisando, sendo que aqui se renuncia a algo do qual se gosta muito em favor da facilitação de um resultado que aparece como muito importante (abre-se mão do chocolate por um tempo longo em benefício da saúde de um filho, por exemplo). As novenas, as peregrinações, os jejuns e as orações em geral têm por objetivo agradecer graças recebidas, pedir proteção para o que se tem e também para que o futuro nos sorria.

Afinal de contas, por que tanto empenho? A verdade é que nossa condição enquanto humanos (e conscientes) é bastante complexa, pois estamos expostos à incerteza de forma continuada e lidamos muito mal com isso. Não suportamos o fato de estarmos em uma embarcação sujeita a ventos que não controlamos. Não sabemos nada do que é relevante acerca do nosso futuro e tentamos nos defender disso por todos os meios.

Buscamos defesas contra a incerteza que cerca os relacionamentos afetivos através de estratégias de controle sobre as pessoas que amamos. As mães de adolescentes tentam saber deles o tempo todo e impedir que todos os males lhes alcancem. Homens e mulheres tentam vigiar os passos de seus parceiros, sempre com medo de serem traídos ou abandonados.

Usamos boa parte de nossas possibilidades intelectuais com o objetivo de projetarmos um futuro de acordo com nossos melhores sonhos. Tentamos impedir que as doenças nos alcancem, de modo que nos submetemos a um estilo de vida que nem sempre é aquele que mais gostamos. Consultamos os médicos para exames periódicos com o intuito de detectar doenças precocemente e, com isso, ter o poder de interferir ao máximo sobre sua evolução. Tentamos acumular o máximo de dinheiro, sempre norteados pela ideia de sermos mais parecidos com as cigarras do que com as formigas: para que nada nos venha a faltar.

Ainda assim não nos sentimos seguros. Temos, em nosso íntimo, a sensação de que estes meios concretos são muito insuficientes; considero muito provável que isso seja verdadeiro, já que todos os exames médicos, por exemplo, apenas nos dizem de nossa condição até hoje e das probabilidades de estarmos bem nos próximos tempos. O mesmo vale para o dinheiro, que poderá ser perdido por alguma fatalidade. Do amor então, nem é bom falar...

Os mais céticos podem pensar que é pura insegurança buscar em forças maiores que a nossa, os reforços a favor de nossos interesses. A grande maioria das pessoas pressente a existência de forças não tão concretas a nos cercar. Buscam também nelas algum apoio tanto com o objetivo de se protegerem contra a inveja para que seus sonhos se realizem. É por essa via que entra o pensamento supersticioso, presente em quase todos nós. Pode não ser de grande valia, mas ações concretas para garantir um futuro melhor também não o são. Por mais que façamos, a incerteza sempre sairá vencedora.

Flávio Gikovate

14 de junho de 2012

A arte de beijar



Beijo de selinho, de língua, esquimó, de bom dia e de saudade são beijos comuns. Mas ainda existem beijos técnicos, de peixinho, de mola, grampo, touro. É mais do que a gente sequer se dá conta. Tanto que um especialista no tema reuniu – e descreveu – 484 formas diferentes de beijar. Pois é, um beijo nunca é igual ao outro e nem deveria ser. O beijo faz parte de uma relação amorosa e é através dele que conseguimos medir a "temperatura" da relação. Não importa a idade do casal, beijar é uma arte que deve ser explorada em todas as suas vertentes.


Em um relacionamento amoroso, o beijo é fundamental. De acordo com Pedro Paulo Carneiro, jornalista, diretor de TV e cinema e autor do livro "Dossiê do Beijo: 484 formas de beijar", "sem beijo não existe relação amorosa verdadeira, não existe a cumplicidade. O beijo é muito mais do que a união de duas bocas, é a junção de almas, texturas, cheiros, gostos, sentimentos, energias e vontades. Através do beijo, o casal mantém uma relação de reciprocidade amorosa, sendo ele, também, um termômetro infalível do nível de afetividade do casal".

"O beijo é o termômetro do sexo". Quem nunca ouviu esse dito popular? O beijo sempre precede o sexo e é uma excelente maneira de medir o nível de entrosamento do casal. Isso tem 90% de verdade. O beijo é a conexão mais íntima entre dois corpos, maior até que a relação sexual. Nossas bocas, língua, palato têm terminações nervosas semelhantes a do nosso órgão sexual. Através do beijo conseguimos transmitir mais de 60 tipos diferentes de sensações, que vão desde o odor da saliva, passando pela textura dos lábios, dos movimentos da língua, pela intensidade, vontades, pupilas dilatadas até chegar aos feromônios liberados. Tudo isto e muito mais enviam para nosso cérebro informações preciosas sobre o tipo de pessoa que estamos beijando, sexualmente falando.

Beijar é bom em todas as épocas da vida, mas, na maturidade, esse gesto adquire um nível diferente. O beijo não muda ao longo da vida, o que muda é o sentimento envolvido nele. Uma pessoa com mais de 50 anos pode vir a beijar outra de uma forma mais quente e decisiva do que um adolescente. O que importa na verdade são os sentimentos envolvidos. Gosto de contar a história do surgimento do selinho (forma mais tradicional de se beijar), para que possamos entender esta relação. O selinho 'nasceu' na Idade Média quando senhores donos de terras trocavam seus bens e 'selavam' o acordo através de um beijo frontal, com duas testemunhas que presenciavam a cena. Ou seja, este beijo significa compromisso, não afetividade. Com o advento da peste, este costume foi substituído pelo sinete do anel no papel, e, posteriormente, pela assinatura".

Casais que estão juntos há muito tempo tendem a perder a intensidade e o "fogo" do relacionamento – dando muito mais selinhos do que outros tipos de beijos para demonstrar afetividade. Acontece que o selinho não é o tipo de beijo ideal para isso. "Muitos casais ao longo dos anos vão perdendo 'o calor' do beijo, restando apenas o selinho. E selo, como vimos, significa compromisso, e não paixão, afetividade. Costumo dar uma sugestão para manter a chama acesa: dê dez beijos diferentes por dia", recomenda Pedro. Beijar é um tipo diferente de arte porque você pode executá-la de diferentes formas e evoluir na 'arte' de conceder prazer. O beijo nada mais é do que proporcionar a liberação da serotonina, o elemento neurotransmissor de prazer.

Ao longo de mais de dez anos, Pedro Paulo Carneiro viajou para mais de 40 países para estudar o beijo. "O que me motivou a fazer isso foi, definitivamente, a sensação deliciosa que senti no meu primeiro beijo. Isto me fez querer aprender o porquê deste ato me proporcionar tanto prazer. Após ter me tornado jornalista, resolvi fazer uma pesquisa séria e objetiva sobre o assunto. Descobri muitos tipos de beijos e, após a edição do meu livro 'Dossiê do Beijo: 484 Formas de Beijar', eu descobri ainda mais, chegando a 600 formas diferentes”.

Ilana Ramos

13 de junho de 2012

Namore muito, mas não cometa uma loucura!



Evolução e aprendizados à parte, acredito realmente que nascemos para nos relacionar, para estar em constante troca com o outro. Para exercitar afeto e perceber, ao longo de toda a vida, o quanto isso pode ser difícil na maioria das vezes, mas o quanto também é valioso, gratificante e enche nossa vida de significado!

E você há de convir comigo que quando se trata de namorar, é diferente! É mais fácil! É fluido, leve, receptivo. Namoro de verdade, como tão bem poetizou Carlos Drummond de Andrade, tem a ver com fazer pactos com a felicidade, por muitas vias, de várias formas, mas todas tão simples, tão simples, que quase nos esquecemos! Se você ainda não leu o poema de Drummond sobre ter ou não ter namorado, faça isso ainda hoje!

Quando comecei a pensar sobre esse tema "namorar", me veio uma frase que ouvi essa semana num contexto completamente adverso. Estava assistindo a um documentário sobre a loucura. Loucura mesmo, de doença, internação, medicamento e psiquiatria. E me comovi demais ao ouvir um suposto doente mental dizendo ao repórter que "loucura é quando a gente não vê o outro"!

"Meu Deus!", eu pensei! "Será que temos confundido tão deliberadamente a diferença entre loucura e sabedoria?"! Loucura é não ver o outro, claro! E foi o suposto louco quem disse isso ao suposto normal! E me veio agora: sabe qual é o momento, talvez o único momento em que realmente vemos o outro? No exato instante em que nos rendemos e o namoramos.

Repare! Observe e me diga se não tenho razão! Ver o outro não tem exatamente a ver com paixão, porque ela é projeção, é quase uma dor! Não tem tanto a ver com amor, porque costumamos entendê-lo mais como um compromisso, quase sério. Mas namoro, não! Quando você sai para namorar, você vai à busca do que o outro tem de mais belo, e disposto a mostrar o que você tem de melhor. Você olha o outro querendo realizar seus sonhos, fazê-lo feliz, da forma mais genuína e profunda que a felicidade pode ser feita!

Tem a ver com olhos nos olhos, prestar atenção no que ele diz, estar atento ao que o outro quer. Tem a ver com paciência amorosa, com ceder carinhosamente, só para ter o privilegio de presenciar seu sorriso. Namoro é feito de risada, espontaneidade, humanidade. É feito de tempo sem ponteiros...

Namorar é ganhar o dia de presente para o outro. É transformar a vida num passeio de balão. É, eu sei, não dá para fazer isso o tempo todo. Mas dá, sim, pode apostar, para fazer isso bem mais vezes do que temos feito! Por isso, hoje não quero te sugerir nada! Quero te desafiar! Isso mesmo!

Duvido você parar com essa maluquice de não ver o outro! Duvido você "pensar fora da caixa"! Em primeiro lugar, pare de acreditar que você só pode namorar quem você beija na boca. Sim, é obvio que você não só pode, como deve namorar mais quem você dorme, quem você casou, quem divide a vida com você. Mas estou sugerindo que você namore a vida, os amigos, os filhos, o marido, a esposa, o flerte, a paquera. Namore até você mesmo!

Ignore as defesas alheias com jeitinho. Aproxime-se de mansinho e invada algumas almas. Namore alguns, algumas, com toda a doçura com que for capaz! Olhe bem dentro dos olhos deles. Beije as mãos. Diga algo tão desconcertante quanto são os enamorados! Mas diga inteiro, entregue, vendo o outro de verdade!

E transforme o seu relacionamento com um dia de dizer "não" a essa loucura cotidiana que temos nos imposto sem perceber. "Não" aos olhos fechados para o outro! E "sim" ao suspiro gostoso de quem abre os olhos e acorda. Acorda de verdade! Acorda e vê que viver sem namorar é a maior loucura que alguém pode cometer. Chega de loucura! Agora, você e eu somos só doçura!

Rosana Braga 

12 de junho de 2012

Por que eu gosto de namorar



 namorar 

v. tr. 
1. Andar de namoro com; requestar. 
2. Seduzir, encantar. 
3. Cobiçar. 

v. intr. 
4. Fazer namoro. 
5. Ser namorador. 

v. pron. 
6. Sentir amor; apaixonar-se. 


Embora o dicionário resuma em seis significados a palavra namorar, é possível dizer muito mais. Namorar é colocar o amor em prática. Namoro não é só um compromisso. É o amor vivido por duas pessoas. 

Tem medo de namorar quem não conhece a indescritível sensação de ter encontrado a sua alma gêmea — que não é alguém igual a você, mas alguém com quem você sente uma ligação incrível, como se, de fato, estivessem unidos de corpo, alma, coração, pelas forças do além, ou seja lá o que for. 

Namorar é ter ao seu lado alguém que te conhece tão bem que já sabe se você está com algum problema só pelo tom da sua voz. É ter a pessoa que você ama, a pessoa que você deseja e seu melhor amigo, todas em uma só. É sentir que tem um porto seguro, mesmo quando parece que o mundo vai desabar sobre a sua cabeça. 

Não sabe o quanto é bom namorar quem pensa que é só ter alguém para beijar na boca e para quem ter de dar satisfação. Namorar é muito mais que isso. Namorar é bom e faz bem. É viver o amor na sua plenitude. 

É incomparável a felicidade de amar e saber ser amado. Namorar é sentir paz com a simples presença de quem se ama. É apaixonar-se todos os dias pelo mesmo sorriso. É precisar ouvir aquela voz, só aquela, te dizendo “boa noite” antes de dormir. 

Eu gosto de namorar. Gosto de ter alguém que me manda mensagem no celular no meio do dia (ou da noite) só para dizer que me ama. Gosto de ter com quem conversar sobre qualquer coisa, sem medo de ser julgada. Gosto de dormir abraçada. Gosto de assistir filme, sair, ouvir música, ou até mesmo fazer nada — tudo é muito bom quando feito junto a quem se ama. 

Eu gosto de ter com quem fazer planos. De lembrar como tudo começou e chegar à conclusão de que fica melhor a cada dia. Fico feliz ao concluir que o amor existe, sim, embora por muito tempo eu tenha acreditado no contrário. 

Namorar é poder ser você mesmo, sem medo de rir ou chorar e parecer ridículo. Namorar é se entregar. É deixar transparecer seu verdadeiro “eu” e ter consciência de que alguém te ama por todas as suas qualidades e com todos os seus defeitos. Eu gosto de ter alguém que me entende e que, quando estou errada, sabe me mostrar isso sem perder a ternura. 

Namorar é ter conflitos. E aprender a resolvê-los. É conhecer o mundo de outra pessoa e deixá-la conhecer o seu. É trocar experiências, juras de amor e carinhos. Mas o namoro também é perder. Em geral, perde-se muitas horas de sono, mas ganha-se momentos sublimes. 

É dividir o refrigerante, o cobertor, as contas e os problemas. E é compartilhar as alegrias, as conquistas e a vida. Viver a dois é nunca mais estar só, mesmo quando se está longe. Namoro não é apenas a fase que precede o casamento. Casais que se amam são eternos namorados. 

E como é bom namorar e estar enamorado!

Mayara Godoy