Mostrando postagens com marcador Namoro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Namoro. Mostrar todas as postagens

13 de junho de 2012

Namore muito, mas não cometa uma loucura!



Evolução e aprendizados à parte, acredito realmente que nascemos para nos relacionar, para estar em constante troca com o outro. Para exercitar afeto e perceber, ao longo de toda a vida, o quanto isso pode ser difícil na maioria das vezes, mas o quanto também é valioso, gratificante e enche nossa vida de significado!

E você há de convir comigo que quando se trata de namorar, é diferente! É mais fácil! É fluido, leve, receptivo. Namoro de verdade, como tão bem poetizou Carlos Drummond de Andrade, tem a ver com fazer pactos com a felicidade, por muitas vias, de várias formas, mas todas tão simples, tão simples, que quase nos esquecemos! Se você ainda não leu o poema de Drummond sobre ter ou não ter namorado, faça isso ainda hoje!

Quando comecei a pensar sobre esse tema "namorar", me veio uma frase que ouvi essa semana num contexto completamente adverso. Estava assistindo a um documentário sobre a loucura. Loucura mesmo, de doença, internação, medicamento e psiquiatria. E me comovi demais ao ouvir um suposto doente mental dizendo ao repórter que "loucura é quando a gente não vê o outro"!

"Meu Deus!", eu pensei! "Será que temos confundido tão deliberadamente a diferença entre loucura e sabedoria?"! Loucura é não ver o outro, claro! E foi o suposto louco quem disse isso ao suposto normal! E me veio agora: sabe qual é o momento, talvez o único momento em que realmente vemos o outro? No exato instante em que nos rendemos e o namoramos.

Repare! Observe e me diga se não tenho razão! Ver o outro não tem exatamente a ver com paixão, porque ela é projeção, é quase uma dor! Não tem tanto a ver com amor, porque costumamos entendê-lo mais como um compromisso, quase sério. Mas namoro, não! Quando você sai para namorar, você vai à busca do que o outro tem de mais belo, e disposto a mostrar o que você tem de melhor. Você olha o outro querendo realizar seus sonhos, fazê-lo feliz, da forma mais genuína e profunda que a felicidade pode ser feita!

Tem a ver com olhos nos olhos, prestar atenção no que ele diz, estar atento ao que o outro quer. Tem a ver com paciência amorosa, com ceder carinhosamente, só para ter o privilegio de presenciar seu sorriso. Namoro é feito de risada, espontaneidade, humanidade. É feito de tempo sem ponteiros...

Namorar é ganhar o dia de presente para o outro. É transformar a vida num passeio de balão. É, eu sei, não dá para fazer isso o tempo todo. Mas dá, sim, pode apostar, para fazer isso bem mais vezes do que temos feito! Por isso, hoje não quero te sugerir nada! Quero te desafiar! Isso mesmo!

Duvido você parar com essa maluquice de não ver o outro! Duvido você "pensar fora da caixa"! Em primeiro lugar, pare de acreditar que você só pode namorar quem você beija na boca. Sim, é obvio que você não só pode, como deve namorar mais quem você dorme, quem você casou, quem divide a vida com você. Mas estou sugerindo que você namore a vida, os amigos, os filhos, o marido, a esposa, o flerte, a paquera. Namore até você mesmo!

Ignore as defesas alheias com jeitinho. Aproxime-se de mansinho e invada algumas almas. Namore alguns, algumas, com toda a doçura com que for capaz! Olhe bem dentro dos olhos deles. Beije as mãos. Diga algo tão desconcertante quanto são os enamorados! Mas diga inteiro, entregue, vendo o outro de verdade!

E transforme o seu relacionamento com um dia de dizer "não" a essa loucura cotidiana que temos nos imposto sem perceber. "Não" aos olhos fechados para o outro! E "sim" ao suspiro gostoso de quem abre os olhos e acorda. Acorda de verdade! Acorda e vê que viver sem namorar é a maior loucura que alguém pode cometer. Chega de loucura! Agora, você e eu somos só doçura!

Rosana Braga 

12 de junho de 2012

Por que eu gosto de namorar



 namorar 

v. tr. 
1. Andar de namoro com; requestar. 
2. Seduzir, encantar. 
3. Cobiçar. 

v. intr. 
4. Fazer namoro. 
5. Ser namorador. 

v. pron. 
6. Sentir amor; apaixonar-se. 


Embora o dicionário resuma em seis significados a palavra namorar, é possível dizer muito mais. Namorar é colocar o amor em prática. Namoro não é só um compromisso. É o amor vivido por duas pessoas. 

Tem medo de namorar quem não conhece a indescritível sensação de ter encontrado a sua alma gêmea — que não é alguém igual a você, mas alguém com quem você sente uma ligação incrível, como se, de fato, estivessem unidos de corpo, alma, coração, pelas forças do além, ou seja lá o que for. 

Namorar é ter ao seu lado alguém que te conhece tão bem que já sabe se você está com algum problema só pelo tom da sua voz. É ter a pessoa que você ama, a pessoa que você deseja e seu melhor amigo, todas em uma só. É sentir que tem um porto seguro, mesmo quando parece que o mundo vai desabar sobre a sua cabeça. 

Não sabe o quanto é bom namorar quem pensa que é só ter alguém para beijar na boca e para quem ter de dar satisfação. Namorar é muito mais que isso. Namorar é bom e faz bem. É viver o amor na sua plenitude. 

É incomparável a felicidade de amar e saber ser amado. Namorar é sentir paz com a simples presença de quem se ama. É apaixonar-se todos os dias pelo mesmo sorriso. É precisar ouvir aquela voz, só aquela, te dizendo “boa noite” antes de dormir. 

Eu gosto de namorar. Gosto de ter alguém que me manda mensagem no celular no meio do dia (ou da noite) só para dizer que me ama. Gosto de ter com quem conversar sobre qualquer coisa, sem medo de ser julgada. Gosto de dormir abraçada. Gosto de assistir filme, sair, ouvir música, ou até mesmo fazer nada — tudo é muito bom quando feito junto a quem se ama. 

Eu gosto de ter com quem fazer planos. De lembrar como tudo começou e chegar à conclusão de que fica melhor a cada dia. Fico feliz ao concluir que o amor existe, sim, embora por muito tempo eu tenha acreditado no contrário. 

Namorar é poder ser você mesmo, sem medo de rir ou chorar e parecer ridículo. Namorar é se entregar. É deixar transparecer seu verdadeiro “eu” e ter consciência de que alguém te ama por todas as suas qualidades e com todos os seus defeitos. Eu gosto de ter alguém que me entende e que, quando estou errada, sabe me mostrar isso sem perder a ternura. 

Namorar é ter conflitos. E aprender a resolvê-los. É conhecer o mundo de outra pessoa e deixá-la conhecer o seu. É trocar experiências, juras de amor e carinhos. Mas o namoro também é perder. Em geral, perde-se muitas horas de sono, mas ganha-se momentos sublimes. 

É dividir o refrigerante, o cobertor, as contas e os problemas. E é compartilhar as alegrias, as conquistas e a vida. Viver a dois é nunca mais estar só, mesmo quando se está longe. Namoro não é apenas a fase que precede o casamento. Casais que se amam são eternos namorados. 

E como é bom namorar e estar enamorado!

Mayara Godoy

9 de junho de 2011

Eles e elas





Ela tem fome de amor. Ele, de sexo. Ela quer enlace. Ele não pensa em compromisso. Parecem até incompatíveis. Mas seus caminhos se cruzam e há uma vontade irresistível de se encaixar um no outro. O homem sonha com várias mulheres, cada uma mais maravilhosa do que a outra; a mulher sonha com um homem extraordinário, com uma paixão total. Quando o homem pensa na conquista, pensa no ato sexual. A mulher busca romance.

A realização do homem acontece no encontro erótico: começa e acaba ali. Para a mulher, as coisas não são tão simples, ela quer ser lembrada, fazer-se desejada depois do encontro, no dia seguinte, no outro e ainda no outro... Para o homem, o tempo passado com sua amante é um tempo livre de preocupações, de prazer e no esquecimento. Já a mulher sente necessidade de amar de modo contínuo e também de ser amada dessa forma. O homem sabe que para provocar o desejo numa mulher, basta um gesto, um toque, uma palavra. E, uma vez atingido seu objetivo, que é a relação sexual, esse encontro pode cair no esquecimento.

Da perspectiva masculina, sentir atração por uma mulher, fazer amor com ela, não significa necessariamente pensar em construir um futuro, constituir família, realizar um grande amor. O ato sexual em si já lhe basta. Talvez sem vínculos, sem acordos, sem compromisso, o prazer seja ainda maior. Para a mulher, torna-se assustadora, incompreensível, a facilidade com que o homem se desliga e vai embora, para reaparecer algum tempo depois como se nada de anormal tivesse acontecido. Pois a mulher deseja continuidade, enlace, vida a dois. E assim seus caminhos se cruzam. No começo da revolução sexual, adotamos a idéia de que homens e mulheres deveriam se assemelhar em tudo.

Agora reconhecemos que, embora eles se pareçam em inúmeros aspectos, também apresentam muitas diferenças. Para o homem, o prazer sexual vem antes de tudo, enquanto a maior parte das mulheres diz que necessita da ternura, do carinho, dos toques amorosos mais do que do ato sexual propriamente dito. Matar sua fome de sexo não é tão imprescindível quanto matar sua fome de amor.

Existe no erotismo masculino um anseio de liberdade, um ingrediente que se opõe ao vínculo, à responsabilidade. O homem procura afastar tudo o que o aborrece, quer sempre ter o direito de escolher, de recompensar quem lhe dá prazer, e de descartar, quem não lhe dá.

Já o erotismo da mulher é baseado em um desejo permanente de agradar. Às vezes, de uma relação amorosa, o homem consegue se lembrar com nitidez de apenas alguns encontros eróticos. Para isso, anula, coloca entre parênteses, a história da relação. Quase sempre essas lembranças são visuais e têm a ver com o início da relação. Lembra-se, por exemplo, com intensidade impressionante, do momento da entrega da mulher, da rendição. Já a mulher lembra-se das datas, dos detalhes, do dia-a-dia do amor. Mas, por outro lado, o homem se envergonha de admitir que ele também tem necessidade de afeto, que teme a solidão e que, tanto quanto a mulher, tem fome de amor profundo.

Muitas vezes, penso que homens e mulheres são imensamente diferentes, até incompatíveis. Mas, apesar de tudo, existe uma necessidade intensa de acoplamento. Se homens e mulheres parecem incompatíveis, talvez seja porque eles tenham realidades emocionais diversas. Por isso, parece mais fácil, às vezes, a amizade entre duas mulheres ou mesmo entre dois homens. Mesmo sendo tão difícil o entendimento, homem e mulher continuam tentando. É isso que poderíamos chamar de "desafio do diferente". Ou seja: apesar dos desencontros, das dúvidas, dos desesperos, existe uma espécie de vontade irresistível de se encaixar no outro.



Maria Helena Matarazzo


The Beatles -  Because


7 de março de 2011

Enlouqueça




Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remunerada de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega do lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar... Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai pelos parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.


Artur da Távola


2 de novembro de 2010

Namoro ou amizade?




A amizade entre homens e mulheres é rara, difícil e frágil. Ainda assim, tem quem tente. A frequência da dúvida mostra que nossa sociedade hiperconectada ainda é bem conservadora com esse assunto. Em nossa defesa, temos milhares de anos em que simpatia entre sexos era sinônimo de atração sexual e algumas décadas em que pode não ser. 
 
É um fenômeno novo. Para ter uma ideia, os primeiros estudos sobre esse tipo de relacionamento são do final do século 20, e ainda não ajudam muito a esclarecer todo o emaranhado de dúvidas - naturais - sobre o assunto. E, se o tema é recém-chegado à ciência, ainda é ignorado pela ficção. Em filmes, seriados e novelas, o casal hetero está sempre destinado à cama ou ao altar.

Mas a amizade entre homens e mulheres existe - e acredite, você ainda vai ter uma. As barreiras sociais ficaram no passado e homens e mulheres conseguiram se tornar amigos. Só faltou avisar os hormônios.

A tensão sexual está presente em mais da metade das amizades com o outro sexo, revelam estudos conduzidos por psicólogos e consultores de relacionamentos. Aliás, alguns homens e mulheres admitiram que essa tensão era do que eles mais gostavam nessa relação. Mais homens admitiram ter levado amigas para a cama o chamado sexo amigo. Porém, tanto homens quanto mulheres admitiram que o sexo prejudicou a relação. Na pesquisa, alguns homens relataram que a atração sexual foi a razão para iniciarem a amizade.

Um primeiro olhar nessas conclusões pode até levar a concluir que não, a amizade não existe - é sempre um romance fracassado ou dormente. Mas especialistas dizem que é justamente por causa dessa atração que a amizade pode surgir. Na verdade, mesmo quando não há envolvimento sexual, pode haver atração. Alguns pesquisadores acreditam que a energia sexual, sem ser levada às vias de fato, pode contribuir para uma maior produtividade, à medida que adiciona energia e interesse ao trabalho. Tudo bem. Agora, vá explicar isso em casa.

Fazer um amigo do outro sexo quando se é casado ou se tem uma relação estável é muito mais difícil do que continuar se relacionando com os antigos amigos. Na prática, essa nova amizade só tem chance de ir para a frente se o outro membro do casal se aproxima da pessoa. Se não, há uma barreira muito grande.

Mas nem só de complicações vive a amizade entre homens e mulheres: ela também tem suas vantagens. Os benefícios vão desde evitar a solidão a conseguir dicas para conquistar alguém. As mulheres listaram como algumas das principais vantagens de sua amizade com homens ter atividades e discussões "interessantes" e uma outra perspectiva do sexo oposto. 
 
Já os homens citaram como pontos positivos poder falar sobre praticamente tudo e ser confortado quando se sentem mal ou solitários. Elas são imbatíveis para dar apoio emocional. Por outro lado, algumas mulheres relatam que os homens dão conselhos mais objetivos e não há competividade entre os gêneros.

Se, mesmo com tantas complicações, muitos homens e mulheres já são amigos, tudo leva a crer que mais amizades surgirão. As razões vão do aumento da presença feminina no mercado de trabalho à valorização dos relacionamentos virtuais - pesquisas indicam que as amizades entre homens e mulheres costumam ser mais frequentes na internet do que fora dela.

Os estudos ainda são insuficientes, mas tudo indica que a amizade entre homens e mullheres vai se tornar não só uma possibilidade mas uma necessidade. Em tempos que exigem que os gêneros trabalhem e convivam, aqueles que conseguem entender e se comunicar com o sexo oposto têm uma vantagem competitiva.


Veridiana Sedeh

18 de outubro de 2010

Dos ficantes aos namoridos




Se você é dos anos de 1990, já sabe que há duas tribos que definem o que é um relacionamento moderno.

Uma é a tribo dos ficantes. O ficante é o cara que te namora por duas horas numa festa, se não tiver se inscrito no campeonato “Quem pega mais numa única noite”, quando então ele será seu ficante por bem menos tempo — dois minutos — e irá à procura de outra para bater o próprio recorde. É natural que garotos e garotas queiram conhecer pessoas, ter uma história, um romance, uma ficada, duas ficadas, três ficadas, quatro ficadas... Esquece, não acho natural coisa nenhuma. Considero um desperdício de energia. 

Pegar sete caras. Pegar nove “mina”. A gente está falando de quê, de catadores de lixo? Pegar, pega-se uma caneta, um táxi, uma gripe. Não pessoas. Pegue-e-leve, pegue-e-largue, pegueeuse, pegue-e-chute, pegue-e-conte-para-os-amigos.

Pegar, cá pra nós, é um verbo meio cafajeste. Em vez de pegar, poderíamos adotar algum outro verbo menos frio. Porque, quando duas bocas se unem, nada é assim tão frio, na maioria das vezes esse “não estou nem aí” é jogo de cena. Vão todos para a balada fingindo que deixaram o coração em casa, mas deixaram nada. Deixaram a personalidade em casa, isso sim.

No entanto, quem pode contra o avanço (???) dos costumes e contra a vulgarização do vocabulário? Falando nisso, a segunda tribo a que me referia é a dos namoridos, a palavra mais medonha que já inventaram. Trata-se de um homem híbrido, transgênico.

Em tese, ele vale mais do que um namorado e menos que um marido. Assim que a relação começa, juntam-se os trapos e parte-se para um casamento informal, sem papel passado, sem compromisso de estabilidade, sem planos de uma velhice compartilhada — namoridos não foram escolhidos para serem parceiros de artrite, reumatismo e pressão alta, era só o que faltava. 

Pois então. A ideia é boa e prática. Só que o índice de príncipes e princesas virando sapo é alta, não se evita o tédio conjugal (comum a qualquer tipo de acasalamento sob o mesmo teto) e pula-se uma etapa quentíssima, a melhor que há.

Trata-se do namoro, alguns já ouviram falar. É quando cada um mora na sua casa e tem rotinas distintas e poucos horários para se encontrar, e esse pouco ganha a importância de uma celebração.

Namoro é quando não se tem certeza absoluta de nada, a cada dia um segredo é revelado, brotam informações novas de onde menos se espera. De manhã, um silêncio inquietante. À tarde, um mal-entendido. À noite, um torpedo reconciliador e uma declaração de amor. 

Namoro é teste, é amostra, é ensaio, e por isso a dedicação é intensa, a sedução é ininterrupta, os minutos são contados, os meses são comemorados, a vontade de surpreender não cessa — e é a única relação que dá o devido espaço para a saudade, que é fermento e afrodisíaco. Depois de passar os dias se vendo só de vez em quando, viajar para um fim de semana juntos vira o céu na Terra: nunca uma sexta-feira nasce tão aguardada, nunca uma segunda-feira é enfrentada com tanta leveza.

Namoro é como o disco “Sgt. Peppers”, dos Beatles: parece antigo e, no entanto, não há nada mais novo e revolucionário. O poeta Carlos Drummond de Andrade também é de outro tempo e é para sempre. É ele quem encerra esta crônica, dando-nos uma ordem para a vida: “Cumpra sua obrigação de namorar, sob pena de viver apenas na aparência. De ser o seu cadáver itinerante".


Martha Medeiros