3 de novembro de 2012

Começos e finais: tudo está bem agora




Se em um momento de chegada, saudações cordiais são deliciosamente compartilhadas, e as mais entusiasmadas disposições se voltam àquele instante em que o reencontro a todos brinda a presença, as expectativas - um pouco discretas, talvez - são dos melhores e mais exaltados porvires, pois, por mais óbvio que possa parecer, vale destacar que com certa inocência as melhores expectativas são associadas a recomeços.

Inicialmente, há a felicidade do reencontro, alegria, contentamento: uma verdadeira celebração merecedora de todos os registros disponíveis e possíveis, afinal, a chegada é tão deliciosa e especial. O reencontro nos informa que é mais que um ponto de chegada -embora a motivação comunique que está mais para ponto de partida- vez que a própria palavra já informa que a confluência ou reunião é um evento resultante de junção anterior. É um encontro que se repete, e a inocência e a pureza inerentes ao momento da pura satisfação de "reencontrar", exclui e afasta qualquer consideração de ordem negativa ou de pesar da sequência desse evento. É, do mesmo modo, um ponto de partida, pois sucede um evento que justifique a recorrência da reunião.

Chegada e largada, pois frente ao desconhecido que se descortina diante de cada partícipe dessa interessantíssima combinação, há os roteiros que se desenrolam à medida que a jornada segue. De que tratamos neste texto, exatamente? De uma reunião, de uma festividade, do nascimento?

Sim é a resposta: sim para todas as possibilidades de chegada e de partida. E o destaque não se destina ao que se finda ou que se reinicia, pois tudo o que é experienciado, o fazemos em ciclos, e o movimento cíclico não tem um começo ou fim, é, em sua própria natureza, parte de um todo que só se fraciona para ser bem capturado e entendido pela compreensão. A segmentação, a quebra, a separação satisfaz o entendimento racional, mas o coração "entende", assimila e o Ser percebe: não existe separação (o que o intelecto separou para compreender a experiência une para participar). Assim, chegada e partida são igualmente importantes e estimulantes ao regozijo e ao contentamento compartilhado.

O foco de muitas ações está na partida e, principalmente, na chegada. A ação está condicionada à recompensa de todo esforço empreendido ao caminhar rumo à realização daquilo que foi definido, e que justificou todo empenho, sacrifício, suor e lágrimas. Não há recompensa na chegada, nobres amigos, eis o alerta. A chegada é tão somente um ponto de partida. Temos inúmeras provas coletadas ao longo da vida: metas profissionais, acadêmicas, sociais, econômicas; objetivos bem definidos e sustentados pela motivação de serem os depositórios da felicidade. Todos aqueles que realizam suas definições e objetivos bem sabem que o caminho foi desafiador, em maior ou menor grau quando comparado a outros caminhos, mas foi muito mais gratificante e realizador do que a chegada, o objetivo. Somos impulsionados para seguirmos além. Não há felicidade em algum lugar ou condição, senão na própria experiência presente, e esta, é a própria caminhada agora.

O caminho é toda a fonte de realização de que necessitamos, e quanto mais em harmonia com a ação consciente e pacificada estivermos -quando mais dispostos a viver meios como meios e ao Todo oferecermos nossa disposição de aprendizes e servidores-, quanto mais conscientes de que a plenitude não será encontrada em nenhum lugar chamado de "lá" e em nenhum tempo chamado de "depois", e que todo o sentido que pode ser buscado para a ação está contido na própria relação com a ação, ou seja, o caminho comunica ao caminhante o que é necessário para o momento, mais e mais bem aventurança será experienciada.

Pontos de partida e pontos de chegada são somente referências e oportunidades de mais e mais celebração da existência. O entusiasmo com que algo começou, ou mesmo com que um reencontro foi brindado, ensina-nos a fazermos e a sentirmos o mesmo quando algo termina, com os pontos de chegada, com as despedidas. A história pode começar empolgante e muito estimulante, mas a obra será lembrada principalmente pelo modo com que seu desfecho se deu. Ao final e às despedidas nossas alegrias podem ser bem dirigidas, afinal, uma estória que é encerrada, com toda certeza é somente o início fantástico e promissor de uma nova estória.

Compreender os ciclos em nossas vidas, como que as águas em suaves ondas que chegam às areias da praia; sentir nossa existência como um fluxo contínuo e deliciosamente harmonioso quando nos permitimos a sintonia com o fluxo maior, é o modo mais simples e praticável de vivermos nossa plena capacidade de experienciamos o milagre da renovação em vida. Eis a receita desta ocasião, amigos leitores, para o contentamento e a paz realizáveis agora: "inícios e partidas, reencontros e despedidas, ciclos, fluxo: nós já somos o que necessitamos e o restante é complementação. Vamos carregar conosco, com motivação e ânimo renovado o lema 'existir' é o caminho da realização".



Marcelo Hindi

2 de novembro de 2012

Autorização para ser inteira!





Queremos tudo. E queremos tudo perfeito. Mas isso não basta. Além de tudo perfeito, queremos para ontem. E sabe o que conseguimos? Frustração, ansiedade e sofrimento. Veja bem! Realmente não acho que devemos nos conformar com uma vidinha mais ou menos, com a mediocridade ou com realizações, desejos e sensações sempre mornas. Não é isso!

Mas às vezes ainda me surpreendo com essa mania -desgastante e ineficiente, diga-se de passagem- que a maioria das pessoas tem de acreditar que os extremos são mais interessantes. Ou temos de estar absurdamente felizes e completos e radiantes. Ou nos afundamos numa tristeza profunda, sem conseguir enxergar luz ao final do túnel.

O problema é essa ilusão de que só o sol e o calor são bonitos e gostosos. Como se só os sorrisos e as vitórias fossem bons. Não tem essa de bom ou ruim. O que tem é a vida. E a vida inclui sorrisos e vitórias, mas também dias frios, chuvosos, nublados... tristezas, enganos, dúvidas. A vida inclui, inclusive (perdoem-me a tautologia), a morte. Como toda boa história, tem começo, meio e fim. Morte não é o oposto de vida. É vida também.

Mas como não aceitamos, como brigamos e resistimos e nos revoltamos com o que julgamos não bonito ou não bom, sofremos. Perdemos a chance única de encontrar a poesia e a arte contidas no entremeio. Nem preto, nem branco. Todas as cores. Todos os tons. Todas as intensidades. Todos os sentimentos.

Sabe qual é o cúmulo da maluquice humana? É se sentir culpado por estar triste. É achar que chorar é coisa de gente fraca. É fingir que está tudo bem quando se está desabando por dentro. É usar máscaras e mais máscaras para negar a si mesmo. Para não se permitir.

Também não estou aqui para fazer um tributo à depressão. A questão é essa falta de autorização para ser inteiro. É essa estranha posição que ocupamos de quem PRE-CI-SA ser feliz a qualquer custo, nem que seja de mentira. Nem que seja só para se encaixar. E sem se dar conta de que esse "ser feliz", assim tão contundente, tão perfeito, tão pra ontem, não existe, não se cabe, não se nutre.

Meu exercício, hoje, é para ser. Ser o frio, o calor, o nublado, o desfolhado, o sol, o vento e a chuva. Claro, escuro e crepúsculo. Dor e alegria. Quero me autorizar à inteireza. Ora resplandecente, ora murcha. Ora gargalhada, ora lágrima. Ora silêncio, ora voz. Ora um "plim" - que ótima ideia! Ora "ahhhh" - que "m" que eu fiz! Ser tudo, mas longe de perfeita. E somente por agora.

E assim, atenta ao que mais posso ser, sem julgar nem desmerecer, quero aprender que o perfeito é um modelo. Não existe. Não é ninguém. Sem rosto e sem alma. Sem coração e sem nome. Sem sobrenome. Sem a mágica e imperdível chance de viver. E de morrer. Para que a história da humanidade possa continuar a ser escrita. Cada dia mais belamente. 

Rosana Braga



1 de novembro de 2012

A comparação





Desde crianças fomos comparados e desrespeitados com relação à nossa própria individualidade e forma de ser e agir. Aprendemos por imitação e, inconscientemente, nossos pais nos motivaram a sermos educados como o priminho, bom aluno segundo o fulaninho e assim aprendemos a nos basearmos em exemplos externos e não vivenciamos o nosso discernimento.

Mas a verdade é que crescemos e não podemos mais sofrer por não sermos nós mesmos. Muitas pessoas se sentem fracas e sem capacidade para resolver determinadas questões da vida por buscarem sempre referenciais externos. Se o seu referencial de responsabilidade do que fazer ou não, está baseado na sua mãe, por exemplo, quando sua mãe não mais existir a casa cairá, pois você se sentirá incapaz de tomar decisões. Várias pessoas se tornam dependentes de pessoas tais como marido, mulher e amigos e mantém, muitas vezes, relacionamentos doentios, por não conseguirem se experimentar, serem elas mesmas e conhecerem suas próprias capacidades. Precisam dos outros para tudo. Só que o universo é muito sábio e de repente, tira a muleta dessa pessoa para que ela se depare com seus potenciais e cresça.

Em qualquer sociedade é estimulada a igualdade de forma errônea. Colocam a igualdade de direitos para pessoas que não são iguais em deveres. Deveríamos reavaliar o conceito do ‘igual’. Não precisamos ser igual ao outro para sermos aceitos. Se fosse assim, já nasceríamos iguais e com impressões digitais iguais também. Não acontecendo isso já há um conflito de aparência A aparência já denota o conceito das crenças de cada um de nós. A forma como nos vestimos, vivemos, ousamos e amamos, produz um mix de pais, com professores, com o bairro onde nascemos e não pararmos para reavaliar a importância para nós de cada escolha e jeito de viver. Quantos vão fazer amor e se sentem travados pois levam os pais juntos para a cama, ou seja, levam as crenças, culpas e modos de agir dos pais?

Muitos se apaixonam pela aparência, muitos julgam erroneamente pela aparência. Infelizmente a crença do diferente denota que é errado. Por isso tantos conflitos de religiões, raças, estilos de viver, idade, etc. Vivemos isso nos nossos relacionamentos afetivos. Alguns procuram por pessoas com afinidades e outros buscam por opostos. A maioria não sabe conviver com a ideia de igualdade ou diferença como sinônimo de respeito e, principalmente, de aprendizado.

As pessoas abertas a novos conceitos e novas ideias são pessoas abertas à evolução sem dor. São pessoas abertas ao próprio questionamento de suas verdades que são impermanentes, afinal o que é amadurecer senão reavaliar e aprender?

Como disse anteriormente, nos ensinaram que ser diferente é complicado, mas isso não é motivo de não podermos reavaliar essas posturas. Quantas pessoas tiveram e ainda tem dificuldade de mexer no computador? Preconceito do novo ou preguiça de acompanhar a evolução? È mais fácil continuarmos do mesmo jeito mecânico sem termos que pensar, refletir e reavaliar. Não estou absolutamente dizendo que computador seja certo ou errado, mas precisamos nos dar a chance de conhecer.

A comparação e o diferente existem para reavaliarmos o que somos e o que queremos para a nossa própria vida, e por isso vivemos em um mundo tão heterogêneo. Quantos homossexuais ainda são discriminados por serem diferentes? Não aceitamos o diferente!!!! Se não é igual e não conhecemos, não existe.

Se, por um lado nos ajustamos ao nosso padrão social, familiar e cultural, por outro, perdemos a nossa criatividade e a nossa evolução pessoal. Quantas pessoas seguem a profissão que os pais escolheram e são infelizes. Quantos de nós não tomamos atitudes pensando nos outros e não ouvimos nossos corações? Aliás, esse é o mal do ser humano atualmente. Pessoas que perderam a conexão com suas próprias essências entram em depressão, tem síndrome do pânico e perdem o chão com sensações de morte. Na verdade, realmente já estão mortas para a vida pois foram abandonadas por elas próprias seguindo caminhos que não são verdadeiros.

Graças a Deus também existem muitas pessoas lúcidas e que não estão dormentes nessa vida. Muitas dessas pessoas morreram por serem diferentes mas mantiveram a dignidade de assumirem que são únicos. Graças a esses seres que reconheceram a sua unicidade é que temos hoje aviões, computadores, medicina avançada e equipamentos de tanta utilidade para a nossa qualidade de vida. Porém, o mais importante de tudo não é somente o desenvolvimento tecnológico mas sim a felicidade do ser humano que se aceita como único e a partir daí desenvolve-se com maior prazer, com mais rapidez e sem sofrimento.

Quem se compara, sai do seu próprio caminho e perde a sua própria graça. Quem se compara e quer copiar o outro o tempo inteiro é infeliz porque sempre vai achar que o outro é melhor nisso ou naquilo. Quem é o que é e segue seu próprio caminho tem sua beleza brilhante e irradia felicidade e dignidade. Quantas vezes olhamos para uma pessoa e, aparentemente a achamos feia e quando a conhecemos acabamos nos apaixonando por ela?

Enfim, vale a pena voltarmos ao nosso eixo e ousarmos nos perguntar sempre: no fundinho, no fundinho do coração, o que realmente queremos para a nossa própria vida? Ouse ouvir a resposta e principalmente ouse ir em busca da realização dessa resposta. Nossa mente, nada mais é do que o administrador e organizador de formas para atingirmos nossos sonhos que vem de nossa alma. Lembre-se sempre também de buscar o que você realmente quer, mesmo que no momento, pareça impossível a sua realização. Quem alcançou seus objetivos não os tinha prontos quanto imaginou e, segundo Walt Disney: se você sonhou, você pode realizar.



Simone Arrojo 
 
 

31 de outubro de 2012

A sombra: ou você trata, ou ela domina a sua vida




Todos nós carregamos um lado negativo, também chamado de"sombra" por alguns autores. Mas o que seria mais precisamente essa negatividade? São sentimentos que acumulamos desde que somos concebidos no útero materno até os dias atuais: medo, culpa, raiva, frustração, mágoa, rejeição, abandono, tristeza, etc.

Cada experiência negativa que vivemos pode nos deixar uma marca emocional gravada. Essas marcas vão se acumulando e aumentando a nossa sombra. E quando a sombra não é curada, influencia nossos pensamentos, ações e escolhas de uma maneira muito sutil, difícil de perceber, gerando diversos tipos de problemas e sofrimento. Vou dar um exemplo baseado em um caso de uma cliente que atendi.

Essa cliente é uma pessoa bem sucedida profissionalmente, mas tem dificuldades em ter relacionamentos amorosos mais profundos e duradouros. Normalmente acontecia de ser deixada pelos namorados, gerando sentimentos de abandono e rejeição. Estava se relacionando com um homem que lhe transmitia muita segurança, mas no fundo ficava sempre com uma sensação de que ele poderia a qualquer momento acabar.

Ao aprofundarmos um pouco mais o trabalho, descobrimos que as causa mais fundamentais dessa insegurança tiveram origem na infância. Quando era criança, sentia que sua mãe nunca ficava satisfeita. Dizia sempre que ela não sabia arrumar nada, que não fazia nada direito. Por mais que se esforçasse, nunca era reconhecida e se sentia rejeitada.

A mãe tinha um comportamento instável e a qualquer momento poderia brigar com ela por um motivo banal. Essas experiências geraram vários tipos de crenças e pensamentos do tipo: “Não posso confiar em ninguém, a qualquer momento as pessoas podem me rejeitar; por mais que eu faça, ninguém vai me aceitar e me amar; deve ter algo de errado comigo pois por mais que eu tente nunca consigo agradar; eu não sou boa o suficiente; ninguém vai querer ficar comigo; etc”.

Toda essa negatividade acumulada virou uma grande sombra. Essas emoções da infância geraram problemas de autoestima que a levavam inconscientemente a criar relacionamentos onde ela era rejeitada. Os sentimentos que surgiam durante os relacionamentos e ao término dos mesmos eram muito parecidos com o que ela sentia na infância: abandono, rejeição, desconfiança...

Essa repetição de sentimentos da infância não era algo claro para a minha cliente, ela só percebeu isso com nitidez durante o trabalho terapêutico, causando-lhe muitas vezes surpresa ao detectar essas conexões.

A sombra é como um fantasma que habita dentro de nós e que comando de uma forma sutil a nossa vida. Nos faz agir de uma forma sabotadora, sem que a gente perceba, nos levando a entrar em situações de sofrimento. A maioria das pessoas não percebe a ação sorrateira da sombra. Elas pensam que estão comandando livremente suas vidas, e não fazem ideia do quanto essas forças inconscientes estão gerando problemas em todas as áreas.

A nossa tendência é não olhar para a sombra. Muitos ignoram completamente a sua existência. Outros sabem que ela existe mas a subestimam, por não terem uma real noção do quanto a sombra está presente em nossos pensamentos e ações, como um pano de fundo que influencia tudo.

Outra vezes não queremos olhar para a sombra para não entrarmos em contato com sentimentos dolorosos e outros que não gostamos de admitir que temos (medo, inveja, raiva, etc). Essas emoções são então reprimidas, gerando mais sombra. O fato de não olhar para elas de nada resolve. Pelo contrário, quanto mais empurramos essas emoções para o inconsciente, piores os estragos na nossa vida. A sombra prospera e cresce pela falta de "luz". Essa luz seria a nossa observação e percepção consciente dessas emoções. Assim elas podem vir a tona para serem curadas.

A sombra gera um desconforto interior também chamado de ansiedade; nos leva para os vícios e compulsões, nos faz comer mais do que deveríamos. Os mais diversos tipos de comportamentos negativos surgem. A maioria das pessoas não tem a menor noção de que existem forças inconscientes que as levam a agir dessa forma. Pensam que suas atitudes negativas se devem a preguiça, burrice, ou falta de força de vontade. Enquanto não enxergam a verdade, a sombra prospera.

Dessa forma, quando os pensamentos se tornam mais claros e positivos, a autoestima melhora, e os processos de autossabotagem começam a diminuir.


Andre Lima
 
 
 

30 de outubro de 2012

Como fica o romantismo com a chegada dos filhos?



Embora a biologia explique as tantas alterações e instabilidades que ocorrem no corpo e no humor de uma mulher assim que ela dá à luz um filho, não restam dúvidas de que não é nada fácil, na maioria das vezes, administrar um corpo modificado, mais um bebê exigente, mais um casamento em jogo.
 
 Não que a chegada de um filho seja um evento ruim. Longe disso e muito pelo contrário! Trata-se de uma bênção, uma nova etapa do amor. Mas sejamos honestos: é praticamente como abrir uma nova, grande e importante empresa! Explico! Quando colocamos uma pessoinha tão amada no mundo, queremos que ela dê certo, que ela seja saudável, inteligente, educada, próspera e, claro, feliz, realizada - assim como uma empresa bem sucedida!

Para tanto, não medimos esforços. Na medida do possível, investimos no desenvolvimento dela boa dose de atenção, tempo e dinheiro, todo nosso conhecimento e todas as nossas melhores intenções. Afinal, um filho exige dedicação e comprometimento para crescer de modo satisfatório, principalmente nos primeiros anos de sua vida, ou até ganhar certa autonomia.

Até lá, como fica a relação entre a diretoria? Isto é, como fica a atenção, a paciência, o carinho e o namoro - tão nutritivos e essenciais - entre o papai e a mamãe, entre este homem e esta mulher que, depois de se dedicarem o dia todo para que nada falte ao lindo bebê, encontram-se sozinhos num mesmo quarto?

Sim, podemos imaginar: exaustos, às vezes irritados por não conseguirem dar conta de tudo, ansiosos ao pensarem quanto tempo terão até o próximo choro, até a próxima reivindicação do leitinho da mamãe. Enfim, por vários motivos óbvios, especialmente a mulher tende a se sentir sem o menor clima para romantismos e intimidades mais ousadas.

Começando pela famosa "quarentena", período de 40 dias em que as relações sexuais ficam proibidas para que o corpo da mulher se recupere do parto, passando pelos desencontros do tipo "quando um está dormindo o outro está trabalhando", "quando o outro está disponível o um está ocupado", e assim vai... torna-se realmente complicado encontrar um tempo para retomarem a vida de casal.

Ok, esse cenário é compreensível e aceitável por algum tempo, mas não por muito tempo. Não por tempo suficiente para tornar o seu relacionamento cada dia mais tenso, chato e desestruturado. Certamente, não é isso que vocês querem. Portanto, é hora de se planejar e agir! Amar não é um sentimento abstrato, é um verbo de ação. Pede escolha, decisão e atitude! Algumas sugestões que podem ajudar:

1- Quando sentirem que o bebê já pode passar algumas horas da noite com a babá, a vovó, o titio ou a madrinha - por volta dos três meses talvez - não deixem que a preguiça ou algum sentimento de culpa equivocado impere! Marquem um jantar, um passeio, um cinema, qualquer diversão que inclua só vocês dois! Momento de se olharem, se ouvirem, falarem de seus sentimentos e desejos. Momento de se parabenizarem pelo belo trabalho que têm feito desde que o pequenino chegou.

2- Depois de mais algum tempo, quando o nem tão pequenino assim já puder passar um final de semana longe de vocês, é hora de planejar uma viagem a sós. Pode ser num lugar bem perto, desde que tenham privacidade. Hora de matar as saudades do tempo em que podiam se agarrar, namorar sem medo de fazer barulho, sem medo de ouvir um chorinho ou um "manhêêê" ou "paaaaaaiii". Hora de investir na ousadia, na sedução e na vontade de reconquistar a pessoa amada. Vale a pena. É restaurador!

3- Mantenham a consistência! Ou seja, reservem um tempo só para vocês dois. Que seja uma vez por semana, uma vez a cada quinzena ou uma vez por mês - mais do que isso seria negligenciar uma área muito importante da sua vida - o seu casamento, o relacionamento com quem você compartilha sua vida!

Sei que razões para não tomar essas decisões surgirão muitas: falta de dinheiro, falta de tempo, falta de ânimo e falta de consciência do quanto isso é importante. Porém, posso garantir: aquele ditado sobre o amor ser como uma flor que precisa ser regada para sobreviver é muito sábio e verdadeiro.

Não espere que seu casamento desmorone para somente então se lamentar ou acusar o outro por não ter feito a parte dele. Faça a sua. E faça agora. Afinal, ser mãe e ser pai é mesmo uma delícia, desde que tanto nós quanto eles - os filhos - percebam que por trás desses papéis existe um casal que precisa de tempo, espaço e amor compartilhado com privacidade e intimidade.


Rosana Braga